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23/10/15

do lado de cá ..

retirado do fb
postado em 22/10/2015

por Rui Silvares

- A propósito de uma coisa indigna (o discurso do Cavaco ainda há bocadinho)

de Rui Silvares
Os apoiantes da solução cavaquista deveriam tentar perceber como é que são vistos os seus campeões da estabilidade do lado de cá. [o meu lado, também, esclareço ..]

Passos Coelho é um primeiro ministro que se esqueceu de pagar impostos, que não sabia que devia pagar segurança social, que não se lembrou de declarar na assembleia da república que trabalhava numa certa empresa e, portanto, não era deputado em regime de exclusividade. Este gajo levou para o governo Miguel Relvas! Que agora faça cara de pau e apareça com voz arrastada a fingir pose de estadista não apaga tanta falha no seu passado recente e mostra bem a amplitude ética do seu comportamento como cidadão. 

Precisam também de perceber que Paulo Portas é olhado como sendo um vigarista encartado e como uma espécie de cobra cascavel. Ex-anti europeísta convicto, foi responsável por uma crise das antigas quando se demitiu irrevogavelmente para depois ser promovido a vice primeiro ministro. Por muito menos do que isto há putos que levam valentes bofetadas no focinho. Foi também responsável por alguns negócios mais do que obscuros, como é o caso da compra dos submarinos, para citar apenas um. 

É nestes dois cromos que depositamos toda a esperança de boa governação e estabilidade política e social do nosso país? Porquê? Porque são suficientemente sabujos para dobrar a espinha sempre que a voz do dono os manda deitar ou pôr-se de quatro? 

Finalizo com um rápido esboço do retrato de Cavaco (muitos outros poderiam aqui ser chamados mas estes 3 chegam para mostrar o nojo que representa esta gentalha). 

Cavaco, o genial economista, o estadista de visão, não passa de um salazarito de meia tigela. Inculto, de baixo nível intelectual, incapaz de pensar para lá do óbvio, mesquinho, sem visão nem respeito pela Democracia, é o pior cancro que jamais se agarrou a este país. Cavaco mostrou hoje, com o discurso inqualificável que teve o desplante de fazer, que tem todos os tiques de um ditador de república das bananas. Cavaco tem de provar que é honesto e não é capaz pelo simples facto de ser desonesto. 

O que os apoiantes da direita têm de perceber é que os seus campeões, vistos deste lado, têm um aspecto repelente.

07/03/15

Cavaco & Passos Coelho

retirado do facebook

por Carlos Esperança

6/3/2015




Quem…

desconheça que, para ser tão honesto como Cavaco Silva, é preciso nascer duas vezes; ignore a limpidez com que ele e a filha acertaram a aquisição e proveitosa alienação de ações da SLN, num gesto de ternura familiar; duvide da boa fé com que deixou a sua Casa Civil envolver-se nas escutas inventadas ao PM de turno; condene a silenciosa fidelidade a Salazar e o cuidado posto na elaboração de uma ficha, na Pide, a alertar para a pouco recomendável mulher do sogro, com quem, por pudor e patriotismo, ele e a sua excelsa esposa não privavam; não aprecie, por má fé, o desprezo por Saramago, motivado por sólidos princípios religiosos e alto sentido de Estado; não acompanhe as explicações da sua vida transparente através do faceboock e, sobretudo, dos silêncios,

…ainda há de julgar que a Casa da Coelha esteve na base de alguma fuga ao fisco ou negócio de favor.

Num país de cobiçosos, onde a marquise na Travessa do Possolo foi notícia, há quem não perdoe a modesta casinha de férias na praia da Coelha, com três pisos, seis quartos (cinco são duplos) e seis casas de banho, piscina e 1600 metros quadrados de área descoberta, cuja matriz não consta nem dos registos da Conservatória, nem do cartório notarial de Albufeira. Absorvido com a Pátria até se esqueceu do cartório onde fez a escritura.

A exigência ética de dissolver a A.R., questão de higiene para exonerar Passos Coelho e evitar a putrefação do regime, começa a demorar e teme-se que a reputação do PR seja arrastada num mar de lama e perca a consideração dos 20% de portugueses que confiam nele. Cavaco Silva devia ser avisado das tropelias do PM que jurou manter irrevogável.

O Governo perdeu autoridade moral para exigir impostos e prestações para a Segurança Social, enquanto a delinquência fiscal, ao mais alto nível, for considerada um assunto do foro privado. É ao inamovível e impoluto PR que cabe a desinfeção do Palácio de S. Bento cuja ocupação pouco recomendável se deve a uma apólice presidencial.

Cidadão imperfeitíssimo


in Expresso Diário
06/03/2015

por  Nicolau Santos


Cidadão imperfeito, primeiro-ministro mais do que perfeito 


As dívidas ao fisco e à segurança social são como as pastilhas elásticas: quando se colam aos sapatos é muito difícil arrancá-las. Quando se colam ao caráter, os estragos ainda são maiores. A credibilidade fica para sempre suja e pegajosa e nada a volta a ser como era. Fora da sua carreira política, Pedro Passos Coelho nunca trabalhou – mas tinha um emprego. Presidia ao Centro Português para a Cooperação, uma ONG concebida pelo Grupo Tecnoforma para obter financiamentos comunitários destinados a projectos de formação e cooperação. Nunca de tal atividade saiu nada que se visse – a não ser despesas de representação que foram pagas a Pedro Passos Coelho. E dessa insana atividade profissional também saíram chatices, que são agora do domínio público.

Pedro Passos Coelho tem-se desdobrado por estes dias em declarações sobre as suas dívidas à Segurança Social e ao fisco, entretanto regularizadas. No primeiro caso, afirmou que embora informado do caso em 2012, pretendia resolvê-lo apenas quando saísse do Governo em 2015, para não ser acusado de estar a ser beneficiado. A primeira novidade é que Passos considera que vai deixar São Bento este ano. É uma grande revelação. A segunda novidade é que se pagasse agora a dívida podia ser acusado de estar a ser beneficiado. De quê? Como? Porquê? Infelizmente, o primeiro-ministro não nos brindou com a explicação do seu brilhante raciocínio, pelo que ficamos privados de o poder acompanhar nesse fulgurante pensamento.

O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho tem um discurso alemão mas práticas muito portuguesas. Uma ética para os outros e uma moral só para si. Tem um discurso perfeito mas ele não é perfeito. Compreende-se: assim é mais fácil de governar sem problemas de consciência. 

Eis, contudo, que, pressionado pelo jornalista José António Cerejo, do Público, o primeiro-ministro decidiu pagar já. E depois disso desdobrou-se em declarações, umas a apelar à nossa condescendência – «não sabia que tinha de pagar, pensei que era uma opção, muitas vezes me atrasei em pagamentos, ninguém espere que eu seja um cidadão perfeito» – outras a tentar demonstrar que as suas imperfeições não são assim tão graves quando comparadas com as de outros – «nunca me servi do cargo de primeiro-ministro para esconder ou ocultar ou ter um tratamento diferente de qualquer outro cidadão, para pagar favores ou para viver fora das minhas possibilidades» – e outras ainda a tentar que tenhamos pena dele – «atrasei-me por distração e por falta de dinheiro».

Qualquer cidadão apanhado em dívidas ao fisco e à Segurança Social pode invocar o que disse o cidadão Pedro Passos Coelho. Mas o cidadão Pedro Passos Coelho que agora invoca todas estas razões é, infelizmente para ele, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, o mesmo Pedro Passos Coelho que desde Junho de 2011, quando chegou ao poder, não se cansou de fustigar os seus concidadãos não só com discursos moralistas – «vivemos acima das nossas possibilidades, gastámos o que não tínhamos, só saímos disto empobrecendo» – como com brutais medidas de austeridade, desde a enorme subida de impostos até cortes profundos nos salários e nas reformas, passando pela devastadora fragilização dos apoios sociais do Estado até à precarização das relações laborais e à esmagadora pauperização da classe média.

Por isso, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho não tem desculpa. Durante não um, não dois, não três mas pelo menos durante cinco anos não descontou para a Segurança Social, contra a qual adotou o discurso da insustentabilidade para reduzir drasticamente as pensões gerais e as da Caixa Geral de Aposentação. Durante não um, não dois, não três mas pelo menos cinco anos também se atrasou a entregar o IRS. E desde que está em São Bento que nos serve, dia sim dia sim, um discurso de virtudes austeritárias que agora, conhecidos estes factos, são de um grotesco mau gosto.

Desde 2011 que o primeiro-ministro nos culpa pela crise e nos diz que nós todos, os seus concidadãos, é que somos os responsáveis pela tsunami que atingiu o país. Porque gastámos demais em coisas supérfluas. Porque viajámos demais. Porque fomos a espetáculos ou exposições demais. Porque comprámos carros e casas e televisores demais. Porque nos endividámos demais. Nós somos os culpados. Nós temos de expiar as nossas culpas. E Passos Coelho foi o primeiro-ministro, ascético e cumpridor, que desceu em Belém para nos libertar dos nossos pecados consumistas, para que aceitemos viver com o pouco que temos, para que nos conformemos de novo com a apagada e vil tristeza a que temos direito.

Fosse este o país que o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho nos traça nos seus discursos e o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho já deveria ter apresentado a sua demissão. De forma imediata e irrevogável. Por razões muito semelhantes, outros governantes o fizeram no passado. Mas o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho tem um discurso alemão mas práticas muito portuguesas. Uma ética para os outros e uma moral só para si. Tem um discurso perfeito mas ele não é perfeito. Compreende-se: assim é mais fácil de governar sem problemas de consciência.

31/01/15

«A cigarra e a formiga»

no Público,
31/01/2015
por Manuel Loff  *

de Paula Rego
“Um conto de crianças” ganhou as eleições gregas. É o que diz Pedro Passos Coelho, esse grande filósofo moral. Para ele, as propostas do partido vencedor, o Syriza, que começou por fazer o mais básico (paralisar novas privatizações e repor o salário mínimo de há cinco anos atrás), são as de quem “não quer assumir os seus compromissos, não pagar as suas dívidas, querer aumentar os salários, baixar os impostos e ainda [julgar que] os seus parceiros [têm a obrigação de] garantir o financiamento sem contrapartidas” (PÚBLICO, 26.1.2015). Não haverá, entre aquela revoada de assessores de São Bento, alguém que explique ao lamentável PM que temos que de “faltar a compromissos” é do que ele menos pode falar? Ele, o homem que garantiu em 2011 que não despediria funcionários públicos nem cortaria pensão alguma de reforma – e meses depois fez uma coisa e a outra, e muito pior do que alguma troika tinha pedido, a ele ou ao outro filósofo que o antecedeu, Sócrates.

O ministro Marques Guedes elevou o nível do debate ao dizer que a Grécia e Portugal dos últimos anos, cheios de nova pobreza, fome, morte por deliberado desleixo público e emigração, lhe “lembram a história da cigarra e da formiga” (DN, 29.1.2015). Suponho que o ministro se referiria a essas cigarras gregas, desavergonhadas, cuja mortalidade infantil aumentou 40% desde que as receitas da troika levaram ao corte de outros 40% (desde 2008) do orçamento para a Saúde. Já em 2011, Piet Moerland, um dos grandes patrões da banca holandesa (esse país de formiguinhas, como bem se percebe visitando Amesterdão), achava que os gregos “precisam de sentir o patamar da dor” (citado por I. Beugel, NRC Handelsblad, 21.6.2011). Eis a dor: “35 mil médicos, enfermeiros e outro pessoal sanitário perderam os seus empregos. (…) As novas infeções por HIV mais do que duplicaram (...) — o orçamento para a troca de seringas foi cortado.” O mesmo aconteceu aos programas de combate ao mosquito da malária – e a doença manifestou-se “em números significativos pela primeira vez desde os anos 70” (D. Stuckler, S. Basu, “How Austerity Kills”, New York Times, 12.5.2013). E eis o indício: devem ser cigarras que andam a morrer nas urgências dos hospitais públicos portugueses.


No seu “conto de crianças” pessoal, Passos explica que “a troika não pede para ir aos países. (…) Em Portugal, por exemplo, foi o Governo que chamou a troika”. E na Grécia também. Exatamente como aqui: um governo socialista, com a assinatura por baixo do maior partido da direita, que rapidamente substituiu os socialistas. Como os votos não chegavam no Parlamento, fizeram o que a troika lhes pediu: juntaram-se todos no governo, construíram o famoso “consenso” de que tanto fala Cavaco e mantiveram os “compromissos” de que tanto falam eurocratas, ministros alemães e demais democratas-sim-mas. Os mesmos que governaram a Grécia desde 1974 (os mesmos que governam Portugal desde 1976...), lavaram-se de responsabilidades, apresentaram-se como formiguinhas reformistas e declararam guerra às cigarras (primeiro funcionários públicos e pensionistas, depois imigrantes e desempregados, por fim a todo o assalariado). Graças à chantagem “ou nós, ou não há mais salários nem pensões!”, ganharam à tangente as eleições de 2012. Há uma semana perderam-nas por grande distância; em menos de seis anos, os dois partidos do bloco central grego passaram de 5,3 para 2 milhões de votos (32,5%). O que agora sói chamar-se a esquerda radical (o Syriza e os comunistas) passou de 830 mil para 2,6 milhões (42%).

Uma linguagem pseudomoral acompanha a indisfarçável irritação que esta vontade emancipadora dos gregos provoca entre a direita e os socialistas austeritários que governam a Europa. Como reiteradamente tem denunciado Paul Krugman, reemerge do mais fundo da arrogância (e da desonestidade intelectual) um discurso moralista. O dos eurocratas que “continuam a tratar a dívida [pública] como uma questão puramente moral” (NYT, 28.1.2015). Se a explicação económica (ou política) não convence, venham daí as fábulas morais! Funciona até melhor se lhe misturarmos uma dose suficiente de preconceito racista, disfarçado de “incompatibilidade cultural”. Não é preciso ser-se um demagogo populista da extrema-direita holandesa como Geert Wilders para descrever os gregos como “drogados” a quem se não deve dar dinheiro, atitude, aliás, que deve ser seguida com todos os “países do alho”, isto é, os países do Sul da Europa. Esta linguagem tomou há muito conta das elites políticas e económicas da Europa do Norte. Thilo Sarrazin, ex-governante social-democrata alemão e ex-administrador do Bundesbank acha que “se os gregos preferem dormir a sesta em vez de trabalhar, se desejam ausentar-se do escritório para estar com a amante, é lá com eles. (…) Não venham depois pedir-nos que paguemos a fatura” (entrevista a Olivier Cyran, Le Monde Diplomatique, julho 2012). Já antes, a formiguinha Sarrazin, ministro regional das finanças em Berlim, dissera não ter “respeito por ninguém que vive da segurança social (…) e não pára de produzir rapariguinhas de véu na cabeça”, referindo-se a “70% dos turcos e 90% dos árabes” (Lettre International, setembro 2009). Só quando começou a falar de “características genéticas” dos judeus é que alguém reparou que havia racismo naquilo a que Sarrazin chama “libertar-se do politicamente correto”!

Podem os gregos ser quem mais trabalha na Europa (2037 horas/ano, contra 1388 dos alemães, 1380 dos holandeses ou 1712 dos portugueses - OECD. StatExtracts). Pode o seu governo ser o que menos gasta em proteção social de todos os 15 primeiros Estados-membros da UE. A legitimação da mais violenta divisão internacional do trabalho que desde há 25 anos se está a fazer na Europa não se compadece com a realidade. Face à concorrência internacional, uma das soluções encontradas pela nova ortodoxia ultraliberal é a de reconstituir as velhas divisões entre uma Europa rica (o Centro-Noroeste) e uma Europa pobre (o Leste e o Sul). A segunda é desde a implosão do “socialismo real” produtora de mão de obra e qualificada mal remunerada e quase sem direitos sociais, agora complementada com 70 milhões de gregos, espanhóis e portugueses, que há que convencer a aceitar esse “patamar da dor”. Para erradicar a preguiça.

* historiador, investigador

sobre "cigarras e formigas", A NÃO PERDER:
Entrevista com Yanis Varoufakis, 
ministro das Finanças do Governo do Syriza 
.

26/09/14

A sonsice de Pedro Passos Coelho

no Público,
25/09/2014
por João Miguel Tavares 

 A sonsice de Pedro Passos Coelho

Não há qualquer vontade de apurar “a verdade” ou desejo de esclarecer a pátria no pedido do primeiro-ministro para a Procuradoria-Geral da República investigar o caso Tecnoforma. O Ministério Público tem mais que fazer e Passos Coelho sabe muito bem o que fez. Pode ter sido há 15, 20 ou 30 anos: ninguém se esquece de um ordenado que duplica o rendimento mensal. Simplesmente, Passos não quer, nem pode, admiti-lo – para ser coerente com o moralismo que apregoa, teria de se demitir no minuto seguinte. Donde, o chuto para a Procuradoria é apenas um expediente espertalhão com o objectivo de adiar a admissão do óbvio: o primeiro-ministro fez asneira. E da grossa. 

Isto é simultaneamente ridículo e sintomático. Ridículo, porque os valores que estão em causa não justificariam a queda de um primeiro-ministro. Sintomático, porque o problema da Tecnoforma está longe de ser o dinheiro que pagava a Passos Coelho – a empresa é um retrato perfeito de como se desviam fundos europeus para actividades que podem até nem ser ilegais, mas que são inconcebíveis e imorais. Convém recordar aos mais esquecidos que a Tecnoforma era essa extraordinária empresa, impulsionada pelo romântico par Passos-Miguel Relvas, que se propunha, em troca de 1,2 milhões de euros, dar formação a 1063 pobres almas com um objectivo que parece saído do argumento de uma série cómica britânica: ensinar os mais de mil formandos a operar em nove aeródromos da Região Centro, dos quais só três estavam activos e empregavam, no total, cerca de 10 trabalhadores. 

Foi assim que, durante anos e anos, foram estoiradas dezenas de milhões de euros de fundos comunitários que deveriam contribuir para o desenvolvimento do país. E claro: quem frequentava os corredores da Assembleia da República era um veículo privilegiado para canalizar os fundos para terrenos favoráveis. O Manuel sabia de um concurso para a formação de medidores de perímetros de beringelas e dizia ao Joaquim; o Joaquim sabia de um concurso para a formação de analistas em brilho de superfícies inox em restaurantes e dizia ao Asdrúbal; o Asdrúbal sabia de um concurso para formar os formadores disto tudo e dizia ao Manuel. A única variável neste processo era mesmo a dimensão da lata e a vocação dos senhores deputados e secretários de Estado para gerir negócios. Havia alguns, como Miguel Relvas, que tinham muita lata e muita vocação. Havia outros, como Passos Coelho, que provavelmente seriam um pouco mais modestos – mas que, ainda assim, aproveitavam uma migalha aqui e outra acolá, porque a vida é longa e o ordenado de deputado curto. 

Só que, ao contrário de Relvas, que tem um sorriso do tamanho da sua lista telefónica e se assume como “facilitador de negócios”, Pedro Passos Coelho sempre se apoiou numa imagem de extrema modéstia e parcimónia. Ele é o homem de Massamá. Ele é o homem que passa férias em Manta Rota. Ele é o homem que pôs os ministros a viajar em turística. E esse homem, claro está, não pode conviver com uma acusação de cinco mil euros a caírem-lhe no bolso todos os meses sem que ele se recorde disso, ao mesmo tempo que invoca o estatuto de deputado em exclusividade para sacar 60 mil euros de subsídio de reintegração. É possível que Passos Coelho apenas tenha feito aquilo que todos fizeram durante os festivos anos 90. Só que aquilo que ele fez em 1999 não é aceitável em 2014. E ainda bem. A sonsice vai aguentá-lo – mas a sua reputação de governante impoluto morreu.

13/08/13

Passos taxi driver

JN,
12 de Agosto de 2013
por Alfredo Leite

Passos precisa estagiar na Noruega

Já passou um terço do mês de agosto e, estranhamente, há poucos sinais da cíclica "silly season". É certo que o fim do verão ainda está longe e que já este fim de semana a imprensa nos brindou com uma longa matéria sobre a palpitante e extraordinária existência de 500 anões a viver em Portugal, mas a explicação para não termos dado pela "patética estação" pode ter a ver com habituação. De tanto disparate nos entrar pela vida adentro, este ano não há "silly season" capaz de nos surpreender. Vem isto a propósito de uma notícia publicada ontem à tarde na edição digital do Jornal de Notícias. Desta vez, a aparente tolice (e era mesmo só aparente) vinha da Noruega, onde o primeiro-ministro decidiu revelar que, recentemente, se tinha disfarçado de taxista de Oslo, para aferir das preocupações dos seus conterrâneos. Sem intermediários. Contava a notícia do JN.PT que Jens Stoltenberg vestiu um uniforme de taxista e colocou óculos de sol, ainda que o disfarce não tenha enganado todos. As conversas do inusitado motorista com os seus passageiros foram gravadas por uma câmara oculta, para uso posterior num vídeo da campanha para a reeleição de Stoltenberg. A explicação para a aventura do primeiro-ministro é simples: "Se há um sítio onde as pessoas dizem realmente o que pensam sobre quase tudo, é no táxi". 

A 3600 quilómetros de Oslo, há outro líder de Governo que nem disfarçado conseguiria evitar ouvir as queixas dos seus compatriotas. Chama-se Pedro Passos Coelho e usa óculos de sol, mas para encarar a claridade do dia no Algarve, onde se encontra a gozar férias. Merecidas, claro, após um ano de cortes intensos e trabalhosas remodelações sem fim à vista. Ontem, a segurança do veraneante ilustre afastou uns prudentes 100 metros da casa na Manta Rota, onde Passos descansa, os elementos da Comissão de Utentes da Via do Infante que, uma vez mais, saíram à rua para contestar as portagens naquela importante estrada. O protesto será certamente inglório. Um dos membros da dita comissão queixava-se de já no ano passado ter tentado, sem sucesso, entregar a Passos Coelho uma carta. Este ano, insistiu na façanha, mas vai certamente ficar a falar sozinho. Se fosse na Noruega, pouparia o megafone, as panelas e os cartazes. Bastaria apanhar um táxi. E, para que não restassem dúvidas, seria o próprio governante, como fez Stoltenberg, a colocar no Facebook, Twitter e YouTube o resultado do contacto com o povo. 

Cá, onde a classe política faz de conta que usa as modernas ferramentas para comunicar com as pessoas, seria certamente diferente. Passos Coelho, que também está no Facebook, resolveu baldar-se para os eleitores que lhe deram os votos e os "likes" e, mal começou a ser contestado no mundo digital - como se fosse diferente das ruas -, decidiu deixar de atualizar a página. Parou a 26 de Dezembro do ano passado, após uma patética mensagem de Natal que mereceu qualquer coisa como 28 mil comentários, para não dizer insultos. Imagine-se o que seria desde então com tanta trapalhada governativa... 

É também nas redes que Jens Stoltenberg revela que em Oslo nenhum dos passageiros do camuflado chefe de Governo pagou a corrida. Por cá, não temos a mesma sorte e a coisa vai piorar. É só esperar pelo Orçamento do Estado para ver quantas corridas vamos ter que pagar a Passos Coelho.
fonte
"quem não deve, não teme!"

10/06/13

as ameaças do ditador-mor


A "outra medida" do coelho: pôr os polícias a fazer as vigilâncias e os muito-bem-pagos-acessores-do-ME a corrigir as provas. Que tal? A mim parece-me bem! :-)))))
Ah! -- e outra coisa que Jerónimo de Sousa não terá dito: o 'prejuízo' dos alunos advirá, sobretudo, de professores desgastados até ao limite, sobrecarregados de trabalho e confrontados com turmas sobrelotadas, angustiados pela incerteza do seu futuro.

fonte: DN
Actualizado em 8 de Junho, às 14:26

Passos Coelho ameaça professores

professor a ser arrastado para as vigilâncias


Líder do PCP condena declarações do primeiro-ministro que admite tomar "outra medida" para garantir os exames nacionais em dias de greve.

O secretário-geral do PCP considerou hoje que as palavras do primeiro-ministro sobre a possibilidade de o Governo tomar "outra medida" para assegurar a normal realização dos exames nacionais "contêm, naturalmente, um sentido de ameaça". 

Ainda quanto à greve dos professores, Jerónimo de Sousa apontou como "uma hipocrisia tremenda" o facto de Pedro Passos Coelho invocar o prejuízo dos alunos. 

O secretário-geral do PCP assumiu estas posições em declarações aos jornalistas, no final da cerimónia de inauguração da Avenida Álvaro Cunhal, na freguesia do Lumiar, em Lisboa. 

Na sexta-feira, o chefe do executivo PSD/CDS-PP disse esperar que a comissão arbitral fixe os serviços mínimos para a greve dos professores assegurando a normal realização dos exames nacionais do ensino secundário e que não seja necessário o Governo adoptar "outra medida", que não especificou. 

Por outro lado, Pedro Passos Coelho sugeriu aos professores que canalizem o seu protesto para a greve geral marcada para dia 27 deste mês, e "não para uma greve que tenderá a penalizar sobretudo os estudantes e as suas famílias". 

Segundo o secretário-geral do PCP, "exercitar o prejuízo dos alunos é, de facto, de uma hipocrisia tremenda". 

Jerónimo de Sousa referiu que o Governo "tem encerrado escolas, tem aumentado as propinas, tem elevado os custos da educação para níveis incomportáveis". 

 "É preciso ter muita hipocrisia para vir afirmar que são os professores que estão a prejudicar os alunos. Não, quem está a prejudicar os alunos, os nossos jovens é este Governo, com esta política", reforçou. 

De acordo com o secretário-geral do PCP, "o senhor primeiro-ministro gostaria que os professores fizessem greve quando já não existisse ano lectivo, que não fizessem greve no momento em que estão a ser aprovadas medidas brutais contra as suas carreiras, contra o seu futuro".

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a imagem acima é de F. Botero e não tem a legenda aposta 
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10/04/13

A demissão de Relvas e o discurso de Passos: as desventuras dos siameses

Público,
10 de Abril de 3013

a crónica de Santana Castilho *

 A demissão de Relvas e o discurso de Passos: as desventuras dos siameses

1. Na demissão de Relvas, o evidente disfarça o importante. É evidente que a degradação de algumas instituições de ensino superior, permitida por uma supervisão que funcionou para elas como o Banco de Portugal para o BPN, foi aproveitada por gente sem escrúpulos. Mas o importante, politicamente falando, era saber por que foi agora, e só agora, imolado Relvas. Por que razão, durante dois meses, as conclusões ficaram congeladas na gaveta de Crato. Por que razão Crato apunhalou Relvas, permitindo-se emitir opinião sobre a validade da licenciatura do, ainda, seu par de Governo, quando o juízo foi por ele próprio requerido ao tribunal. Mereça-nos Relvas a crítica que nos merecer, há normas mínimas de conduta, de que nenhum ministro está dispensado. Não só vi Crato cilindrá-las, como o vejo incensado por fazer o que era sua estrita obrigação e não podia deixar de fazer, dada a mediatização do escândalo. 

Poucos se lembrarão do que disse Mariano Gago, aquando da eclosão da trapalhada com a licenciatura de Sócrates. Mas eu recordo: que a Universidade Independente havia sido auditada todos os anos, excepção feita ao ano-lectivo de 1999/2000, e que só em 2006 se tinha detectado um problema sério (referia-se à falta de pagamento de salários); que, à data dos factos (mais que anómalos), a inspecção tinha concluído, note-se bem, que era boa a qualidade pedagógica e científica da universidade e que era bom o seu funcionamento administrativo. 

Desde Junho de 1999 que o processo de Bolonha constitui a base da reestruturação do ensino superior. Qualidade e harmonização eram as palavras-chave. Mas o binómio quedou-se pelo segundo monómio. Tudo se foi “harmonizando” a favor do negócio e do descomprometimento do Estado na formação superior dos cidadãos. A “eficiência económica”, seja lá o que isso for, tornou-se a estrela que nos conduziria ao “presépio”. Fixados nela, Sócrates e Gago deram ao Massachusetts Institute of Technology (MIT) 65 milhões de euros, no mesmo ano em que aplicaram o primeiro corte ao financiamento do ensino superior (16%). Seguindo-a, Relvas viu-se “equivalido”. É Bolonha, estúpidos! Esqueçam a prova escrita do regulamento da Lusófona. E a “inspecção” é tão-só o bibelot no púlpito da partitura. 

2. Dizer que a Europa e o euro morreram em Chipre é especular. Mas afirmar que os cipriotas, comparados connosco, conseguiram o dobro do tempo para pagar o seu empréstimo e um juro bem mais favorável, é um facto. Vejamos os números. Chipre: 10.000 milhões a 22 anos e a 2,5%. Portugal: 78.000 milhões a 11 anos de maturidade média e 3,6% de taxa média. Imaginar o Governo português a lutar por condições idênticas é especular. Afirmar que o Governo português não percepciona a diferença entre a realidade e a ficção é um facto, que se retira do pouco que sobrou de Passos, no último domingo: pose e voz. 
Podia ter reconhecido que, ao decidir medidas de austeridade bem mais penalizadoras que aquelas que foram acordadas com a troika, em Maio de 2011, precipitou a queda da economia, a subida brutal do desemprego e a chegada da recessão? Podia. Mas preferiu anunciar mais austeridade. 
Podia ter reconhecido que foi um erro dividir os portugueses entre privados e públicos, velhos e novos, empreendedores e piegas? Podia. Mas preferiu anunciar vingança, a novas catanadas de despedimentos e cortes, precipitando o sucesso da desgraça final. 
Podia ter reconhecido que, em vez de carregar de impostos e confiscos os que alimentam o Estado, deveria ter reduzido as rendas dos que se alimentam do Estado, aliás, como acordado com os credores? Podia. Mas preferiu continuar a desconhecer a raiz do problema. 
Podia ter reconhecido que foi um erro hostilizar a oposição e os parceiros sociais, destruindo o consenso político e social de 2011? Podia. Mas, inspirado em Salazar, preferiu ficar orgulhosamente só. 
Podia ter reconhecido que a sua política europeia, de colagem acrítica aos interesses do Norte e da Alemanha, em detrimento de Portugal, do Sul e da periferia, foi deplorável? Podia. Mas preferiu ir a Dublin, de dedo apontado ao Tribunal Constitucional, como sacristão de Schauble, assistir à suprema missa dos interesses dos mercados financeiros, à espera das migalhas que tombem do festim dos juros das dívidas soberanas. 
Podia ter reconhecido o rotundo falhanço da sua estratégia económica e financeira e aproveitado o momento para remodelar ministros e políticas? Podia. Mas preferiu contratar um grotesco vendedor de pipocas (iniciativa do defunto Relvas, via “youtube”) e dois duros “técnicos especialistas” (golpe d’asa do seu pequeno Moedas) para acompanharem a execução do memorando, um de 21, outro de 22 anos, ambos com a relevante experiência de um estágio de três meses, não remunerado.

 * Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

09/04/13

É fartar, VILANAGEM !!


Gabinete de Passos Coelho custa por ano 
1.629.199,56EUR apenas em pessoal 

São dez secretárias pessoais, um motorista para 4.6 pessoas, e muita despesa. O valor anual é a soma de todos os salários que constam no site do Governo. 

img. daqui
Vítor Gaspar emitiu um despacho em que proíbe toda e qualquer despesa do estado sem a sua autorização. Paralisou o estado. Segundo o comunicado ao qual o Tugaleaks teve acesso, tal deveu-se “a esta nova realidade e de reforço do controlo da execução orçamental, nomeadamente no que se refere à determinação de fundos disponíveis no âmbito de cada um dos Programas Orçamentais”. 

O Ministro, pelo tom do despacho, quer culpabilizar o Tribunal Constitucional. A questão é, como pode Gaspar cortar acima dele? Neste caso, no primeiro Ministro? 

Quanto e como gasta Passos Coelho? 

O Tugaleaks consultou o site do Governo. O Gabinete de Passos Coelho gasta por ano cerca de 1.629.199,56EUR apenas com pessoal, excluindo tudo o resto. Conseguimos apurar que existem 10 secretárias pessoais (todas mulheres), 4 técnicos especialistas, 11 motoristas, 1 coordenadora de apoio técnico administrativo, 1 chefe de gabinete, 9 assessores (homens e mulheres), 11 pessoas de apoio técnico administrativo, 9 pessoas de apoio auxiliar e 6 adjuntos. 

No total, o Gabinete do Primeiro-Ministro é composto por 62 pessoas. 

Excluindo os 11 motoristas, por cada 4,6 pessoas existe um motorista. Mas provavelmente nem todas as pessoas precisam de um motorista ou têm direito a um. 

Já em plena crise, a 28 de Fevereiro, foi feita a última nomeação de um assessor, Gilberto Jorge de Sousa Jerónimo, com um vencimento de 3653,81EUR. Sobre os vencimentos, o mais baixo pertence a uma pessoa que fez apoio auxiliar de 58 anos, 975,52EUR. O vencimento mais alto é de 4592,43EUR. 

Esta é a visão geral do que os Portugueses têm que suportar quando existe, na realidade, uma crise para sustentar.

um país «ligado ao ventilador»


António Arnaut apela à revolta cívica
na TSF,
Publicado ontem às 12:35 

António Arnaut apela à revolta cívica e democrática. 


Em declarações à TSF, o pai do Serviço Nacional de Saúde diz que é preciso mobilização, porque o povo não aguenta mais. Com a perspetiva de mais cortes no Estado Social, António Arnaut apela à manifestação, à revolta cívica e constitucional. Este socialista diz que é preciso garantir a dignidade dos portugueses, sublinhando que o povo já não aguenta mais num país que «está ligado ao ventilador». 

António Arnaut referiu-se também à posição do Presidente da República, considerando que Cavaco Silva não pode deixar que Pedro Passos Coelho mantenha a atual política. Para António Arnaut, Passos Coelho é um primeiro-ministro «insensível, incompetente e insensato». Ele é o verdadeiro problema e o presidente tem de o travar, considera o pai do Serviço Nacional de Saúde. Arnaut está convencido que a confiança manifestada por Cavaco Silva no Governo está apenas relacionada com as negociações que vão acontecer no final desta semana em Bruxelas.

ouvir aqui: http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=3153303

05/04/13

"tu sabes que eu sei que tu sabes que eu sei"

no Expresso.sapo
Sexta feira, 5 de abril de 2013  
por Daniel Oliveira  


Alguém avise o governo que já morreu 


O dia da demissão de Miguel Relvas foi decidido pelo governo. Se Nuno Crato manteve na gaveta o relatório que incriminava Relvas, durante semanas, a decisão de o desengavetar por estes dias só pode ter sido política. Na despedida, Relvas fez questão de recordar a Passos Coelho que este lhe deve a liderança do partido. Como se dizia noutra agremiação, "tu sabes que eu sei que tu sabes que eu sei". E Relvas sabe muito e é capaz de não estar satifeito por ter sido afastado no momento mais humilhante para ele. 

O governo poderá ter tomado esta decisão, neste tempo, por considerar que seria melhor matar este assunto antes do anúncio do acórdão do Tribunal Constitucional, das consequentes medidas de austeridade e da remodelação do governo. Assim, o tema Relvas morreria num dia em vez de se acumular ao descontentamento e de dar a ideia de um governo em desintegração. Ou, pelo contrário, para ofuscar o que hoje vai ser anunciado. 

Com o buraco que, ao que tudo indica, terá, a partir de hoje, de resolver, virão mais medidas de austeridade. Um governo em frangalhos dificilmente as conseguirá impor. E engana-se Passos Coelho ao pensar que Relvas, decisão do TC e remodelação, por acontecerem em dias diferentes, não formarão a tempestade perfeita que lhe retirará toda a autoridade para apresentar uma única medida que agrave a austeridade. Ainda mais, quando esperou pela 25ª hora para se livrar de Miguel Relvas. 

Não sei até onde vai o descaramento de Passos Coelho. Não sei até onde resiste quando, evidentemente, as condições para continuar a governar se esgotaram. Pela forma como ficou, durante um ano, com um cadáver político num dos ministérios mais importantes, julgará que tudo pode continuar como antes. Mas, continuando em São Bento, criará um problema à democracia portuguesa. O seu tempo acabou. Se não se demitir esta semana, Passos Coelho viverá os piores meses da sua vida política. E arrastará o País na sua agonia. 

Claro que se Passos Coelho não retirar as devidas conclusões da situação em se meteu, a queda de um governo que já não pode governar depende de duas pessoas: Paulo Portas e Cavaco Silva. Um está agarrado ao pote, o outro entretem-se falar de como ficou de barriga cheia de produtos nacionais no meio de uma monumental crise. "Hoje, não falo de política", disse o senhor que vive em Belém e que se transformou na jarra do regime. Se depender destes dois, a democracia bem pode ir apodrecendo. Eles tratam de si. 

07/03/13

o adeus a um amigo ..

(foto: Reuters),cortejo de acompanhamento a Hugo Chávez
.. e, em minha opinião, a foto diz tudo ..

Penso num exercício daqueles: "descubra as diferenças" e imagino o funeral do Passos Coelho:
- em vez do vermelho, a cor dominante seria, obviamente, o preto -- não necessariamente de luto; de circunstância;
- em vez de uma multidão quase engolindo o carro funerário, como se quisessem abraçá-lo, guardá-lo consigo, haveria uma série de guarda-costas a não deixarem aproximar-se o povo enfurecido - e eufórico. 
Calculo que os seus 13 motoristas também marcassem presença ..
A Grândola ia provavelmente ouvir-se.
Pairando sobre o caixão, numa dança frenética, estariam os fantasmas de todos os mortos de fome e de frio, dos que se suicidaram porque já não aguentavam tanta agressão e tanto de nada esperar, dos que mataram a família em estado de desespero e de loucura, as mães e os pais despojados deste país, os filhos, os avós.

*

Milhares nas ruas no início da despedida a Chávez

 *

Empresas portuguesas reagem à morte de Hugo Chávez

«As autoridades locais têm uma força enorme. E o povo é que manda; quer dizer, o povo manda..»-- Horta Osório, presidente da Electricidade Industrial Portuguesa- ouvir aqui
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P de pulha


https://www.facebook.com/precariosinflexiveis


Passos Coelho diz que aumento no salário mínimo é "barreira" para o emprego 
Lusa 07/03/2013 - 16:39  - ler

Não, estúpido! A 'barreira' és tu mais a nódoa da tua cabeça!
"Barreira para o emprego" é tudo fechar porque ninguém tem poder de compra!

Autoeuropa aumenta salários e compensa trabalhadores pela conjuntura nacional
Trabalhadores da fábrica de Palmela têm dois aumentos salariais em 2013 e recebem ainda um apoio social como compensação pela conjuntura económica do país. - ler

11/11/12

viver acima das possibilidades: olha para o q eu digo, ...

..
Há quem tenha valor por si próprio, pelo que é, pelo que faz..
E há quem, não o tendo intrinsecamente, precise de ornamentos que lho ostentem ..
Ora comparai:

Quarta-feira, 17 de Outubro de 2012
 - notícia aqui

 Holanda: Políticos vão de bicicleta para o trabalho


Primeiro-ministro Mark Rutte (esquerda) e líder parlamentar Stef Blok
chegam ao Catshuis, a residência oficial do primeiro-ministro, de bicicleta


  Portugal:
o novo carro de Passos Coelho   : 140 mil euros
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  • Passos Coelho tem 31 carros do Estado ao seu serviço 10/11/2012 - aqui    [aposto que é por isso que precisa (!!!) de 11 motoristas.. ]
  • Frota de carros do Governo tem 208 automóveis. (17 Setembro 2012) - aqui


 pergunta:  
o governo não anda a viver acima das nossas possibilidades?!

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06/11/12

heil Merkel!

recebido via e-mail:

1. assim foi pensado o OE 2013 para Portugal:

(manipulação de um quadro de F. Botero)




2. graffiti num muro das Amoreiras, Lisboa :




29/10/12

recebido via e-mail

por Nicolau Santos 
(Coluna de opinião do Semanário Expresso) 

Senhor Primeiro-ministro, depois das medidas que anunciou, sinto uma força a crescer-me nos dedos e uma raiva a nascer-me nos dentes. Também eu, senhor Primeiro-ministro. Só me apetece rugir!… 

O que o Senhor fez foi um Roubo! Um Roubo descarado à classe média, no alto da sua impunidade política! Por isso, um duplo roubo: pelo crime em si e pela indecorosa impunidade de que se revestiu. E, ainda pior: Vossa Excelência matou o País! 

Invoca Sua Sumidade, que as medidas são suas, mas o défice é do Sócrates! Só os tolos caem na esparrela desse argumento. 

foto daqui
O défice já vem do tempo de Cavaco Silva, quando, como bom aluno que foi, nos anos 80, a mando dos donos da Europa, decidiu, a troco de 700 milhões de contos anuais, acabar com as Pescas, a Agricultura e a Industria. Farisaicamente, Bruxelas pagava então, aos pescadores para não pescarem e aos agricultores para não cultivarem. O resultado, foi uma total dependência alimentar, uma decadência industrial e investimentos faraónicos no cimento e no alcatrão. Bens não transacionáveis, que significaram o êxodo rural para o litoral, corrupção larvar e uma classe de novos muitíssimo-ricos. Toda esta tragédia, que mergulhou um País numa espiral deficitária, acabou, fragorosamente, com Sócrates. O défice é de toda esta gente, que hoje vive gozando as delícias das suas malfeitorias. 

E você é o herdeiro e o filho predileto de todos estes que você, agora, hipocritamente, quer pôr no banco dos réus? 

Mas o Senhor também é responsável por esta crise. Tem as suas asas crivadas pelo chumbo da sua própria espingarda. Porque deitou abaixo o PEC4, de má memória, dando asas aos abutres financeiros para inflacionarem a dívida para valores insuportáveis e porque invocou como motivo para tal chumbo, o carácter excessivo dessas medidas. Prometeu, entretanto, não subir os impostos. Depois, já no poder, anunciou como excecional, o corte no subsídio de Natal. Agora, isto! Ou seja, de mentira em mentira, até a este colossal embuste, que é o Orçamento Geral do Estado. 

Diz Vossa Eminência que não tinha outra saída. Ou seja, todas as soluções passam pelo ataque ao Trabalho e pela defesa do Capital Financeiro. Outro embuste. Já se sabia no que resultaram estas mesmas medidas na Grécia: no desemprego, na recessão e num défice ainda maior. Pois o senhor, incauto e ignorante, não se importou de importar tão assassina cartilha. Sem Economia, não há Finanças, deveria saber o Senhor. Com ainda menos Economia (a recessão atingirá valores perto do 5% em 2012), com muito mais falências e com o desemprego a atingir o colossal valor de 20%, onde vai Sua Sabedoria buscar receitas para corrigir o défice? Com a banca descapitalizada (para onde foram os biliões do BPN?), como traçará linhas de crédito para as pequenas e médias empresas, responsáveis por 90% do desemprego? O Senhor burlou-nos e espoliou-nos. Teve a admirável coragem de sacar aos indefesos dos trabalhadores, com a esfarrapada desculpa de não ter outra hipótese. E há tantas!
Dou-lhe um exemplo: o Metro do Porto. Tem um prejuízo de 3.500 milhões de euros, é todo à superfície e tem uma oferta 400 vezes (!!!) superior à procura. Tudo alinhavado à medida de uns tantos autarcas, embandeirados por Valentim Loureiro. 
Outro exemplo: as parcerias público-privadas, grande sugadouro das finanças públicas. 
Outro exemplo: Dizem os estudos que, se V. Ex.ª cortasse na mesma percentagem, os rendimentos das 10 maiores fortunas de Portugal, ficaríamos aliviadinhos de todo, desta canga deficitária. Até porque foram elas, as grandes beneficiárias desta orgia grega que nos tramou. Estaria horas, a desfiar exemplos e Você não gastou um minuto em pensar em deslocar-se a Bruxelas, para dilatar no tempo, as gravosas medidas que anunciou, para Salvar Portugal! 

Diz Boaventura de Sousa Santos que o Senhor Primeiro-ministro é um homem sem experiência, sem ideias e sem substrato académico para tais andanças. Concordo! Como não sabe, pretende ser um bom aluno dos mandantes da Europa, esperando deles, compreensão e consideração. Genuína ingenuidade! Com tudo isto, passou de bom aluno, para lacaio da senhora Merkel e do senhor Sarkhozy, quando precisávamos, não de um bom aluno, mas de um Mestre, de um Líder, com uma Ideia e um Projeto para Portugal. O Senhor, ao desistir da Economia, desistiu de Portugal! Foi o coveiro da nossa independência. Hoje, é, apenas, o Gauleiter (*) de Berlim. 

Demita-se, senhor primeiro-ministro, antes que seja o Povo a demiti-lo.

(*)  Chefe de zona, (de um 'gau' , distrito da Alemanha nazi)

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24/10/12

Pela boca morreu Passos

no Público de 24 de Outubro de 2012


por Santana Castilho *


O orçamento de Estado para 2013 quer tapar à bruta três enormes buracos: um enorme buraco resultante de uma enorme derrapagem do orçamento de 2012; um enorme buraco orçamental previsto para 2013; e um enorme buraco que resultará de uma enorme derrapagem na execução de 2013, prevista por antecipação, passe a redundância, no próprio orçamento de 2013. Com efeito, lá estão alguns milhares de milhões de “almofada”: para uma receita que, embora orçamentada, não será cobrada; para responder ao desemprego que esconde; e para suprir um corte na despesa que, embora orçamentado, acabará por não ser feito. Com 3 milhões de pobres e os restantes exaustos pelo confisco fiscal, com o PIB a cair entre 2,8 e 5,3 por cento (FMI dixit), só fanáticos suicidas orçamentam assim. É preciso pará-los. 

A credibilidade técnica de Vítor Gaspar foi um mito com pés de barro. Estimou que as receitas do IVA subiriam 11,6 por cento e acabaram caindo 2,2. Previu, em Março passado, que o encargo do Estado com o desemprego cresceria 3,8 por cento e, em Agosto, já ia em 23. O consumo público contraiu 3,2 por cento em 2011 e a Comissão Europeia estima que contraia 6,2 este ano. O consumo privado caiu 4,2 por cento em 2011 e a CE prevê que caia 5,9 este ano. E Gaspar ignora, quando orçamenta e taxa. E ignora o Tribunal Constitucional. E volta a ignorar, com arrogância e desprezo, o presidente da República e o próprio FMI. Ignora tudo e todos. E ignora o “melhor povo do mundo”, que esmaga com impostos em 2013. 

Mas a credibilidade política de Passos Coelho não vai melhor. Em Novembro de 2010, Passos Coelho clamou para o país uma “nova cultura de responsabilidade”, num jantar partidário em Viana do Castelo, promovido pelo PSD de Barcelos. Da sua intervenção saltou para o debate público, via Lusa, a defesa que fez da necessidade de responsabilizar os políticos, civil e criminalmente, por aquilo que fazem. “Quem impõe tantos sacrifícios às pessoas e não cumpre, merece ou não merece ser responsabilizado civil e criminalmente pelos seus actos?”, perguntou então Passos Coelho. E, na mesma altura, afirmou: “Se nós temos um Orçamento e não o cumprimos, se dissemos que a despesa devia ser de 100 e ela foi de 300, aqueles que são responsáveis pelo resvalar da despesa também têm de ser civil e criminalmente responsáveis pelos seus actos e pelas suas acções. … Não podemos permitir que todos aqueles que estão nas empresas privadas ou que estão no Estado fixem objectivos e não os cumpram. Sempre que se falham os objectivos, sempre que a execução do orçamento derrapa, sempre que arranjamos buracos financeiros onde devíamos estar a criar excedentes de poupança, aquilo que se passa é que há mais pessoas que vão para o desemprego e a economia afunda-se…”. 

Quando assim falou, Passos Coelho pensava na Lei 34/87 (crimes de responsabilidade dos titulares de cargos políticos), sucessivamente alterada em 2001, 2008 e 2010 (leis 108, 30 e 41, respectivamente). O que Passos disse de outros caiu-lhe agora em cima. Porque não cumpriu nada do que prometeu e porque falhou grosseiramente os objectivos orçamentais, Passos disse que Passos deve ser responsabilizado civil e criminalmente. Passos morreu pela boca de Passos. 

A obsessão de Gaspar e Passos para iludirem o óbvio, substituindo a racionalidade básica pela fé dos alienados, matou-os. O velório virá logo que Portas acabe de tirar as fotocópias. 
É óbvio que o problema de Portugal, sendo a dívida grande, não é a dívida. É a ameaça de não a poder pagar, com uma economia que não cresce e um desemprego imparável. 

É óbvio que chegámos aqui empurrados por gente trapaceira, protegida por uma justiça injusta. 

É óbvio que só a promoção do investimento produtivo, o aumento do que vendemos lá fora, a diminuição do que compramos cá dentro e a recondução do Estado ao seu papel de árbitro justo de interesses opostos nos poderá arrancar às garras de uma máfia de especuladores e agiotas, a que alguns chamam mercado. 

É óbvio que esta austeridade não muda o futuro. 

A nossa democracia (e a democracia da Europa, importa sublinhá-lo) resume-se a rituais eleitorais, cada vez menos concorridos, que sujeitam a vida pública a modernas formas de ditadura. Guardadas as urnas, os pilares da democracia (a informação e a participação) são amordaçados e domados pelos vencedores, que passam o ciclo a bramir a legitimidade que o voto lhes conferiu. Mesmo que a tenham perdido grosseiramente, por fazerem o contrário daquilo que prometeram quando o disputaram. Mesmo que a mentira sem pudor se lhes cole à cara sem vergonha. Passos Coelho é um belo exemplo do que afirmo. Dificilmente encontramos quem mais gravemente tenha ferido a confiança dos que acreditaram nele. 

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt) 
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17/10/12

a estória de 'desencantar' de José T. Duarte

 
fotos e texto roubados daqui:

por José Teófilo Duarte, do

www.blogoperatorio.blogspot.com


PEDRO E O LOUCO: história de desencantar

Pedro tem um conhecimento específico da política. Não conhece a realidade das pessoas que fazem as suas terras, vivendo as suas vidas. Sempre esteve ligado ao aparelho de propaganda de uma organização estranha, dita social-democrata, mas que se inscreve à direita. Paradoxo? Claro, mas é o que é. Uma confusão que premeia muita habilidade. 
Pedro, depois do período da propaganda juvenil, passou a gerir empresas privadas de amigos seus, companheiros de partido, que engendravam negócios a partir de contactos que os envolvimentos políticos permitiam. Uma espécie de neoliberalismo institucional, chamemos-lhe assim, que as coisas lá fora, nas empresas a sério, que fazem pela vida, a coisa é muito mais difícil. São navios em águas demasiado agitadas. 
Foi neste conforto que Pedro cresceu. Já crescido, tentou ainda a carreira de cantor de variedades em espectáculos da nova revista à portuguesa. Mas, homem avisado e experiente, Lá Féria não se encantou com os seus préstimos. A política foi mesmo a escolha definitiva. Foi então que decidiu: já que estou nisto, o melhor é chegar ao pote. 
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Eleito líder do tal partido estranho que se diz social-democrata, juntou um raminho de criaturas e começou a preparar o assalto ao palacete de São Bento. Primeiro-ministro, pois então. Desencadeou, juntamente com os seus cúmplices fiéis - Miguel Relvas acompanhava-o sempre que não tinha aulas na universidade - uma ofensiva contra o Governo de então, recheado de homens e mulheres sem qualidade, que nada faziam pelo bem-estar das populações. Era preciso correr com aquela gente. 
Pedro pediu desculpa ao povo pelo estado em que se encontrava o país. Prometeu nunca reduzir reformas ou subtrair subsídios. Disse que havia um limite para as contenções impostas às pessoas. Comoveu-se em público com a pobreza dos idosos. Assegurou que o problema não vinha de uma crise exterior, mas era sim culpa exclusiva do tal Governo. Convenceu um eleitorado que sempre balança entre estas emoções e decide as vitórias eleitorais. Enfim, fez trinta por uma linha. Conseguiu finalmente chegar ao pote. 
Pedro chamou para lhe fazer a contabilidade um ignoto financeiro que, apesar de não se lhe conhecerem preocupações políticas ou sociais, foi apresentado como um génio da aritmética capaz de "endireitar" isto. Reuniu pouco mais de meia dúzia de pessoas, chamou-lhes ministros, e apresentou-os a Cavaco. Cavaco deu posse à trupe como Governo da Nação.

Gaspar começou a fazer a contabilidade. Quis tirar aos pobres para dar aos menos pobres e aos ricos. Mas até estes últimos desconfiaram da medida. Foi então que teve uma ideia genial: aumentar a totalidade das contribuições. Há gente desesperada? Paciência, não há outro caminho. Caminhamos para o desastre? E então, o que querem que se faça. Melhor é impossível. Vão ter de empobrecer custe o que custar. 
como a vida lhes deve ir mal!!, coitados.. (legenda minha)
Foi entretanto contratado um assessor bronco e mal disposto que nos chama ignorantes por não irmos nos seus futebóis. Os mal agradecidos não lhe acharam graça. Gaspar é um missionário. Nasceu para servir a Pátria. E agradece a formação que a Pátria lhe facultou desempenhando as funções que desempenha. Muito agradecido. A conversa da treta é ilimitada. 
Agora, Pedro está só. O louco e o bronco estão convencidos da magia das suas propostas, mas nem todos os seus amigos que se sentam na Assembleia da República estão convencidos da eficácia das prepotentes reduções. Um país não se governa apenas com reduções e prepotências. Um país tem pessoas lá dentro. Gente que quer viver para além da troika. 
Pedro e o louco ensombram a nossa vida e o nosso futuro. Esta história tornou-se um pesadelo. Mais cedo ou mais tarde vamos todos ter de acordar. Antes que seja tarde. 

José Teófilo Duarte,