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07/03/15

Cavaco & Passos Coelho

retirado do facebook

por Carlos Esperança

6/3/2015




Quem…

desconheça que, para ser tão honesto como Cavaco Silva, é preciso nascer duas vezes; ignore a limpidez com que ele e a filha acertaram a aquisição e proveitosa alienação de ações da SLN, num gesto de ternura familiar; duvide da boa fé com que deixou a sua Casa Civil envolver-se nas escutas inventadas ao PM de turno; condene a silenciosa fidelidade a Salazar e o cuidado posto na elaboração de uma ficha, na Pide, a alertar para a pouco recomendável mulher do sogro, com quem, por pudor e patriotismo, ele e a sua excelsa esposa não privavam; não aprecie, por má fé, o desprezo por Saramago, motivado por sólidos princípios religiosos e alto sentido de Estado; não acompanhe as explicações da sua vida transparente através do faceboock e, sobretudo, dos silêncios,

…ainda há de julgar que a Casa da Coelha esteve na base de alguma fuga ao fisco ou negócio de favor.

Num país de cobiçosos, onde a marquise na Travessa do Possolo foi notícia, há quem não perdoe a modesta casinha de férias na praia da Coelha, com três pisos, seis quartos (cinco são duplos) e seis casas de banho, piscina e 1600 metros quadrados de área descoberta, cuja matriz não consta nem dos registos da Conservatória, nem do cartório notarial de Albufeira. Absorvido com a Pátria até se esqueceu do cartório onde fez a escritura.

A exigência ética de dissolver a A.R., questão de higiene para exonerar Passos Coelho e evitar a putrefação do regime, começa a demorar e teme-se que a reputação do PR seja arrastada num mar de lama e perca a consideração dos 20% de portugueses que confiam nele. Cavaco Silva devia ser avisado das tropelias do PM que jurou manter irrevogável.

O Governo perdeu autoridade moral para exigir impostos e prestações para a Segurança Social, enquanto a delinquência fiscal, ao mais alto nível, for considerada um assunto do foro privado. É ao inamovível e impoluto PR que cabe a desinfeção do Palácio de S. Bento cuja ocupação pouco recomendável se deve a uma apólice presidencial.

Cidadão imperfeitíssimo


in Expresso Diário
06/03/2015

por  Nicolau Santos


Cidadão imperfeito, primeiro-ministro mais do que perfeito 


As dívidas ao fisco e à segurança social são como as pastilhas elásticas: quando se colam aos sapatos é muito difícil arrancá-las. Quando se colam ao caráter, os estragos ainda são maiores. A credibilidade fica para sempre suja e pegajosa e nada a volta a ser como era. Fora da sua carreira política, Pedro Passos Coelho nunca trabalhou – mas tinha um emprego. Presidia ao Centro Português para a Cooperação, uma ONG concebida pelo Grupo Tecnoforma para obter financiamentos comunitários destinados a projectos de formação e cooperação. Nunca de tal atividade saiu nada que se visse – a não ser despesas de representação que foram pagas a Pedro Passos Coelho. E dessa insana atividade profissional também saíram chatices, que são agora do domínio público.

Pedro Passos Coelho tem-se desdobrado por estes dias em declarações sobre as suas dívidas à Segurança Social e ao fisco, entretanto regularizadas. No primeiro caso, afirmou que embora informado do caso em 2012, pretendia resolvê-lo apenas quando saísse do Governo em 2015, para não ser acusado de estar a ser beneficiado. A primeira novidade é que Passos considera que vai deixar São Bento este ano. É uma grande revelação. A segunda novidade é que se pagasse agora a dívida podia ser acusado de estar a ser beneficiado. De quê? Como? Porquê? Infelizmente, o primeiro-ministro não nos brindou com a explicação do seu brilhante raciocínio, pelo que ficamos privados de o poder acompanhar nesse fulgurante pensamento.

O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho tem um discurso alemão mas práticas muito portuguesas. Uma ética para os outros e uma moral só para si. Tem um discurso perfeito mas ele não é perfeito. Compreende-se: assim é mais fácil de governar sem problemas de consciência. 

Eis, contudo, que, pressionado pelo jornalista José António Cerejo, do Público, o primeiro-ministro decidiu pagar já. E depois disso desdobrou-se em declarações, umas a apelar à nossa condescendência – «não sabia que tinha de pagar, pensei que era uma opção, muitas vezes me atrasei em pagamentos, ninguém espere que eu seja um cidadão perfeito» – outras a tentar demonstrar que as suas imperfeições não são assim tão graves quando comparadas com as de outros – «nunca me servi do cargo de primeiro-ministro para esconder ou ocultar ou ter um tratamento diferente de qualquer outro cidadão, para pagar favores ou para viver fora das minhas possibilidades» – e outras ainda a tentar que tenhamos pena dele – «atrasei-me por distração e por falta de dinheiro».

Qualquer cidadão apanhado em dívidas ao fisco e à Segurança Social pode invocar o que disse o cidadão Pedro Passos Coelho. Mas o cidadão Pedro Passos Coelho que agora invoca todas estas razões é, infelizmente para ele, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, o mesmo Pedro Passos Coelho que desde Junho de 2011, quando chegou ao poder, não se cansou de fustigar os seus concidadãos não só com discursos moralistas – «vivemos acima das nossas possibilidades, gastámos o que não tínhamos, só saímos disto empobrecendo» – como com brutais medidas de austeridade, desde a enorme subida de impostos até cortes profundos nos salários e nas reformas, passando pela devastadora fragilização dos apoios sociais do Estado até à precarização das relações laborais e à esmagadora pauperização da classe média.

Por isso, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho não tem desculpa. Durante não um, não dois, não três mas pelo menos durante cinco anos não descontou para a Segurança Social, contra a qual adotou o discurso da insustentabilidade para reduzir drasticamente as pensões gerais e as da Caixa Geral de Aposentação. Durante não um, não dois, não três mas pelo menos cinco anos também se atrasou a entregar o IRS. E desde que está em São Bento que nos serve, dia sim dia sim, um discurso de virtudes austeritárias que agora, conhecidos estes factos, são de um grotesco mau gosto.

Desde 2011 que o primeiro-ministro nos culpa pela crise e nos diz que nós todos, os seus concidadãos, é que somos os responsáveis pela tsunami que atingiu o país. Porque gastámos demais em coisas supérfluas. Porque viajámos demais. Porque fomos a espetáculos ou exposições demais. Porque comprámos carros e casas e televisores demais. Porque nos endividámos demais. Nós somos os culpados. Nós temos de expiar as nossas culpas. E Passos Coelho foi o primeiro-ministro, ascético e cumpridor, que desceu em Belém para nos libertar dos nossos pecados consumistas, para que aceitemos viver com o pouco que temos, para que nos conformemos de novo com a apagada e vil tristeza a que temos direito.

Fosse este o país que o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho nos traça nos seus discursos e o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho já deveria ter apresentado a sua demissão. De forma imediata e irrevogável. Por razões muito semelhantes, outros governantes o fizeram no passado. Mas o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho tem um discurso alemão mas práticas muito portuguesas. Uma ética para os outros e uma moral só para si. Tem um discurso perfeito mas ele não é perfeito. Compreende-se: assim é mais fácil de governar sem problemas de consciência.

26/10/11

impeachment, já!

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- E deveria - oh sim!!! - ser este o caminho, fôssemos nós uma espécie vertebrada! Melhor dito, devia era tê-lo sido há muito, logo depois dos primeiros sinais. Santana Castilho deixa-o mais uma vez claríssimo, num artigo demolidor, brilhante como de resto todos os que vem publicando no jornal Público. E não há que enganar, os números estão lá - foolproof (= qq um, por mais tonto, consegue vê-lo) - inequívocos, gritantes, incendiários-oxalá! Tivesse o outro -esse pinóquio2 guindado a n.º 1, actorzeco de uma ópera-mais-que-bufa -, um pingo de vergonha na cara (que, obviamente, não têm! ..) - e já teria desaparecido para parte incerta , lá onde ninguém tivesse de aturar-lhe as falinhas mansas ou, sequer, olhar-lhe para a odiosa cara, os agora oculinhos estratégicos como a pretender-se sério! Não o é. Duvido muito que o tenha sido, alguma vez.
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A sua falsidade, para mim claríssima desde o dia em que, desdizendo-se, anunciou não suspender o tal do "processo monstruoso e kafkiano" -  em galopante exposição e de novo sobejamente comprovada pelo vídeo (**) com as suas declarações (antes e depois) e os factos que Santana Castilho tão cirurgicamente aqui expõe - a sua falsidade, dizia, vem exalando um fedor nauseabundo, como só o da podridão mais podre, vampiro pingando sangue velho de quatro meses, abutre pairando sobre milhões de vidas-por-um-fio, a mal disfarçada concupiscência de quem espera vir a empanturrar-se da nossa carne enfim putrefacta!

impeachment = condenação de importante figura pública por crime grave* (com subsequente imediata destituição do cargo ocupado) 
* no caso, crime de lesa-concidadãos, 'publicidade' enganosa, quebra de promessas, etc, etc ..
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Quando a mentira oprime a nação
Santana Castilho *
 
Ricardo Santos Pinto, do blogue “Aventar”, prestou-nos um serviço cívico: recolheu em vídeo(**) afirmações e promessas de Pedro Passos Coelho, enquanto candidato a primeiro-ministro. O cotejo desse impressivo documento com as medidas tomadas pelo visado, nos curtos quatro meses de poder, evidencia o colossal logro em que os portugueses caíram. Se em quatro meses a sua acção é pautada por tanto despudor e falta de ética, que sobra à nação para lhe confiar quatro anos de governo? 

O orçamento do Estado para 2012 é bem mais bruto que o tratamento “à bruta” que Passos Coelho recriminou a Sócrates, no vídeo em análise. Aí se consagra, com uma violência desumana, o que Passos Coelho disse que nunca faria: confisco de quatro meses de salários aos servidores públicos e reformados; fim de deduções fiscais; aumento de impostos, designadamente do IRS e IVA. Ao embuste ardilosamente tecido em ano e meio de caça ao voto acrescenta-se a falácia com que se justifica o assalto aos que trabalham. Com efeito, muito mais que a invocada má gestão das contas públicas no primeiro semestre, da responsabilidade de Sócrates, pesa a irresponsabilidade da Madeira e o caso de polícia do BPN. Na primeira circunstância, ocultando manhosamente o plano de ajustamento, antes das eleições, Passos Coelho protegeu Jardim e escamoteou quem saldaria o escândalo. Sabemos agora que são os funcionários públicos e os pensionistas. Na segunda, enquanto os responsáveis pelo tenebroso roubo permanecem impunes, os contabilistas que governam venderam o BPN ao desbarato, limpinho das dívidas colossais. O povo vai pagar e pedem-lhe agora que não bufe, por causa dos mercados. 

Passos Coelho manipula grosseiramente os factos quando afirma que a média salarial da função pública é 15 por cento superior à dos trabalhadores privados. Ele sabe que a qualificação média dos activos privados é bem mais baixa que a homóloga pública, onde trabalham, entre outros técnicos de formação superior, milhares de médicos, professores, juízes, arquitectos, engenheiros e cientistas. Para que a comparação tenha validade, há que fazê-la entre funções com idênticos requisitos académicos. A demagogia não colhe. Como não colhe o primarismo de dizer que não estendeu o corte dos subsídios aos privados porque o Estado não beneficiaria, mas sim os patrões, que pagam os salários. Esqueceu-se de como fez com o corte deste ano? Ou toma-nos por estúpidos?

O orçamento esconde-se cobardemente atrás da troika para invocar a inevitabilidade das suas malfeitorias. Mas vai muito para além do que ela impõe e expõe a desvergonha da ideologia que o informa: quando revê a Constituição da República por via contabilística; quando poupa, sem escrúpulos, os rendimentos do capital e esquece os titulares das reformas por exercício de cargos públicos, numa ostensiva iniquidade social; quando permite que permaneçam incólumes os milhões que fogem ao fisco; quando compromete, sem réstia de tacto político, a solidariedade entre os cidadãos, pondo os que trabalham no sector privado contra os que trabalham no sector público; quando, atirando o investimento na Educação para o último lugar da União Europeia, ao nível dos indicadores do terceiro mundo, não só não desce o financiamento do ensino privado como o aumenta em nove milhões e 465 mil euros; quando, depois de apertar como nunca o garrote à administração pública, aumenta quase quatro milhões de euros à rubrica por onde pagará pareceres e estudos aos grandes gabinetes de advogados e outros protegidos do regime (Sócrates contentava-se com 97 milhões, Passos subiu para 100,7 milhões); quando, impondo contenção impiedosa nas áreas sociais, inscreve 13 milhões e meio para despesas de representação dos titulares políticos; quando, numa palavra e apesar do slogan do “Estado gordo”, apenas emagreceu salários e prestações sociais, borrifando-se nas pessoas e no país e substituindo o critério do bem comum pelo critério do bem de alguns. 

Incapaz de ajudar o país a crescer, Passos tomou a China por modelo e acreditou que sairemos da fossa com uma economia repressiva e de salários miseráveis. Refém que está e servidor que é de grupos económicos e interesses particulares, Passos Coelho perdeu com este orçamento a oportunidade de resgatar o Estado. Ministério a ministério, não se divisa qualquer programa político redentor. Não existem políticas sectoriais. Se Passos regressasse à protecção de Ângelo Correia, Álvaro a Vancouver e Crato ao Tagus Park, Gaspar, só, geria a trapalhada que tem sido tecida de fininho. Recordemo-la. Em Maio passado, o memorando de entendimento que o PS, PSD e CDS assinaram com a troika consignava para 2012 cerca 4.500 milhões de euros de redução da despesa e cerca 1.500 de aumento da receita (leia-se impostos). Apenas três meses volvidos, o documento de estratégia orçamental do Governo para o período de 2011 a 2015 já aumentava os números de 2012: a redução da despesa pública crescia quase 600 milhões e as receitas a cobrar aumentavam quase 1.200, pouco faltando para a duplicação do número antes considerado. Foi obra, em três meses. A meio de Outubro, novo documento oficial reiterava os números anteriores. Mas eis senão quando, escassos dias volvidos, surge o orçamento, que passa a redução da despesa, em 2012, para quase 7.500 milhões e fixa o aumento de impostos em cerca de 2.900 milhões. Diferenças colossais em documentos oficiais, com quatro dias de premeio, merecem a confiança dos contribuintes? Com a classe média a caminho da pobreza e os pobres a ficarem miseráveis, a esperança morreu. Definitivamente. Bastaram quatro meses. Esperemos que o país acorde e se mobilize.

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt) 
(**) - ver vídeo aqui
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