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23/06/15

"Demasiado lampeiros para serem sérios"

no Público,
20/06/2015 

por José Pacheco Pereira 

de Leonora Carrington
Então como é? O país está mal ou não está? Está. Então deixem-se de salamaleques politicamente correctos. 

Depois há a Grécia. “Não queremos a Grécia fora do euro” significa, por esta ordem, “queremos derrubar o governo do Syriza”, “queremos o Syriza humilhado a morder o pó das suas promessas eleitorais”, “queremos os gregos a sofrerem mais porque votaram errado e têm que ter consequências”, “queremos a Grécia fora do euro”. O que é que disse pela voz do Presidente? Na Europa “não há excepções”. Há, e muitas. A França por exemplo, que violou o Pacto de Estabilidade. A Alemanha que fez o mesmo. 23 dos 27 países violaram as regras. Consequências? Nenhumas: foi-lhes dado mais tempo para controlar as suas finanças públicas. Mas ninguém tenha dúvidas: nunca nos passou pela cabeça empurrar a Grécia para fora do euro, até porque na Europa “não há excepções”. Lampeiros é o que eles são. Lampeiros.

Este tipo de campanha eleitoral é insuportável, e suspeito que vamos ver a coligação a “bombar” este tipo de invenções sem descanso até à boca das urnas. O PS ainda não percebeu em que filme é que está metido. Continuem com falinhas mansas, a fazer vénias para a Europa ver, a chamar “tontos” ao Syriza, a pedir quase por favor um atestado de respeitabilidade aos amigos do governo, a andar a ver fábricas “inovadoras”, feiras de ovelhas e de fumeiro, a pedir certificados de bom comportamento a Marcelo e Marques Mendes, a fazer cartazes sem conteúdo – não tem melhor em que gastar dinheiro? – e vão longe.

Será que não percebem o que se está a passar? Enquanto ninguém disser na cara do senhor Primeiro-ministro ou do homem “irrevogável” dos sete chapéus, ou das outras personagens menores, esta tão simples coisa: “o senhor está a mentir”, e aguentar-se à bronca, a oposição não vai a lado nenhum. Por uma razão muito simples, é que ele está mesmo a mentir e quem não se sente não é filho de boa gente. Mas para isso é preciso mandar pela borda fora os consultores de imagem e de marketing, os assessores, os conselheiros, a corte pomposa dos fiéis e deixar entrar uma lufada de ar fresco de indignação.

Então como é? O país está mal ou não está? Está. Então deixem-se de rituais estandardizados da política de salão e conferência de imprensa, deixem-se de salamaleques politicamente correctos, mostrem que não querem pactuar com o mal que dizem existir e experimentem esse franc parler que tanta falta faz à política portuguesa.

Mas, para isso é preciso aquilo que falta no PS (e não só), que é uma genuína indignação com o que se está a passar. Falta a zanga, a fúria de ver Portugal como está e como pode continuar a estar. Falta a indignação que não é de falsete nem de circunstância, mas que vem do fundo e que, essa sim, arrasta multidões e dá representação aos milhões de portugueses que não se sentem representados no sistema político. Eles são apáticos ou estão apáticos? Não é bem verdade, mas se o fosse, como poderia ser de outra maneira se eles olham para os salões onde se move a política da oposição, e vêm gente acomodada com o que se passa, com medo de parecer “radical”, a debitar frases de circunstância, e que não aprenderam nada e não mudaram nada, nem estão incomodados por dentro, como é que se espera que alguém se mobilize com as sombras das sombras das sombras?

Enquanto isto não for varrido pelo bom vento fresco do mar alto, os lampeiros vão sempre ganhar. As sondagens não me admiram, a dureza e o mal são sempre mais eficazes do que o bem e muito mais eficazes do que os moles e os bonzinhos.

30/05/15

"Precisa-se: arguido "

na Visão
28 de Maio de 2015

por Ricardo Araújo Pereira

(...) não havendo equilíbrio no número de potenciais trafulhas, a campanha eleitoral irá centrar-se no problema acessório de saber qual dos partidos (PS ou PSD) tem mais bandidos (...)

Marco António Costa, vice-presidente do PSD, está a ser investigado pelo Departamento de Investigação e Acção Penal do Porto. Espero, sinceramente, que seja inocente. Depois do encarceramento de um Sócrates, não sei se Portugal aguentaria a prisão de um Marco António. Uma coisa é sermos um país de gente corrupta, outra coisa é sermos uma revista à portuguesa passada na antiguidade clássica. A ignomínia aguenta-se melhor que o ridículo. Por sorte não existem, na política portuguesa, Anaximandros nem Dioclecianos, pelo que, em princípio, bastará manter Marco António fora da cadeia para evitar um enxovalho embaraçoso.
Admito que faz falta um bom arguido do PSD para equilibrar as contas com o PS. Os socialistas têm Armando Vara, um ex-ministro, a aguardar recurso de uma condenação a cinco anos de prisão; os sociais-democratas têm Duarte Lima, um antigo presidente do grupo parlamentar, a aguardar recurso de uma condenação a 10 anos de prisão. Fica quase ela por ela. Mas agora os socialistas têm um ex-primeiro--ministro preso, a aguardar acusação, e os sociais-democratas têm todas as suas grandes figuras em liberdade - o que se lamenta e estranha. Não contabilizo aqui, até por razões de espaço, outros dirigentes políticos, de ambos os partidos, sobre os quais recaem suspeitas de crimes de vários tipos. Desejo dedicar-me apenas à Liga dos Campeões dos sarilhos jurídicos, onde o PS se encontra em vantagem, com dois elementos proeminentes contra apenas um do PSD. Esta questão é muito importante porque, não havendo equilíbrio no número de potenciais trafulhas, a campanha eleitoral irá centrar-se no problema acessório de saber qual dos partidos tem mais bandidos, em lugar de servir para discutir vários outros problemas acessórios. Tendo apenas um tema acessório para debater, os partidos correm o risco de ficar sem assunto antes do fim da campanha, e podem ver-se forçados a debater as questões essenciais, embora ninguém saiba exactamente quais são. Mas, nestas coisas, é melhor não arriscar.
Se o filho de uma pessoa for preso por homicídio, o seu vizinho passa a poder gabar o seu próprio filho, que apenas furta auto-rádios. A detenção de José Sócrates teve um impacto tão grande na vida política que Passos Coelho sentiu que até podia elogiar Dias Loureiro numa queijaria. ?Ou se encarcera um alto dignitário do PSD depressa, ou nos arriscamos a ver Valentim Loureiro receber um doutoramento honoris causa.

07/03/15

Cavaco & Passos Coelho

retirado do facebook

por Carlos Esperança

6/3/2015




Quem…

desconheça que, para ser tão honesto como Cavaco Silva, é preciso nascer duas vezes; ignore a limpidez com que ele e a filha acertaram a aquisição e proveitosa alienação de ações da SLN, num gesto de ternura familiar; duvide da boa fé com que deixou a sua Casa Civil envolver-se nas escutas inventadas ao PM de turno; condene a silenciosa fidelidade a Salazar e o cuidado posto na elaboração de uma ficha, na Pide, a alertar para a pouco recomendável mulher do sogro, com quem, por pudor e patriotismo, ele e a sua excelsa esposa não privavam; não aprecie, por má fé, o desprezo por Saramago, motivado por sólidos princípios religiosos e alto sentido de Estado; não acompanhe as explicações da sua vida transparente através do faceboock e, sobretudo, dos silêncios,

…ainda há de julgar que a Casa da Coelha esteve na base de alguma fuga ao fisco ou negócio de favor.

Num país de cobiçosos, onde a marquise na Travessa do Possolo foi notícia, há quem não perdoe a modesta casinha de férias na praia da Coelha, com três pisos, seis quartos (cinco são duplos) e seis casas de banho, piscina e 1600 metros quadrados de área descoberta, cuja matriz não consta nem dos registos da Conservatória, nem do cartório notarial de Albufeira. Absorvido com a Pátria até se esqueceu do cartório onde fez a escritura.

A exigência ética de dissolver a A.R., questão de higiene para exonerar Passos Coelho e evitar a putrefação do regime, começa a demorar e teme-se que a reputação do PR seja arrastada num mar de lama e perca a consideração dos 20% de portugueses que confiam nele. Cavaco Silva devia ser avisado das tropelias do PM que jurou manter irrevogável.

O Governo perdeu autoridade moral para exigir impostos e prestações para a Segurança Social, enquanto a delinquência fiscal, ao mais alto nível, for considerada um assunto do foro privado. É ao inamovível e impoluto PR que cabe a desinfeção do Palácio de S. Bento cuja ocupação pouco recomendável se deve a uma apólice presidencial.

07/04/13

Os inimigos aqui tão perto

no Público, aqui
05/04/2013
por  Lígia Amâncio*

Os inimigos aqui tão perto

O estado calamitoso a que chegou o que até há pouco se chamava União Europeia e que agora se designa tristemente de Europa porque de união nada tem, deixa qualquer pessoa minimamente informada à beira de um ataque de nervos. A cada reunião de dirigentes europeus sucedem-se anúncios de decisões que são alteradas nos dias seguintes, promessas de favores segredadas por ministros de países ricos a ministros de países pobres, afirmações em conferências de imprensa que também virão a ser desmentidas. Como se isto não bastasse, chegou-se ao ponto de decidir taxar os depósitos dos bancos de Chipre abaixo dos cem mil euros, em violação das regras definidas pelas próprias instituições europeias. Uma decisão tomada, ao que parece, por unanimidade e que vigorou por escassas horas. 

Perante a passividade dos parceiros europeus e das próprias instituições europeias, a Alemanha tem conseguido subordinar a gestão da crise ao seu calendário eleitoral e à sua agenda interna, complementando cada decisão punitiva e desfavorável aos países em situação económica difícil com os comentários indecorosos do seu ministro das Finanças que desconhece todo e qualquer preceito de diplomacia internacional. 

Esta posição dominante que perverte o próprio projecto europeu em cuja construção a Alemanha tanto se empenhou, suscita da parte das opiniões públicas dos outros países legítimas reacções de repúdio. Mas não pode justificar a associação da líder alemã a Hitler, nem do poder actual do Governo alemão ao do nazismo. Este regime não foi um acontecimento banal e permanece até hoje um fenómeno único na história da humanidade, na sua capacidade de destruição, na organização política e industrial da morte, na dimensão de horror e bestialidade que atingiu. 

Como dizia Michel Foucault, o poder exprime-se numa relação e não está localizado nem constitui um atributo dos dominantes. Para ser eficaz precisa que os dominados se identifiquem com ele, lhe confiram sentido e internalizem as práticas que garantem a reprodução da dominação. Nada mais evidente na situação que actualmente se vive na Europa. Quem foi que propôs a taxação dos depósitos abaixo de cem mil euros, no Chipre, senão o próprio Presidente cipriota, aparentemente para não penalizar demasiado os grandes depositantes a quem ele se sente obrigado?  

Enquanto a sra. Merkel manifesta, na sua gestão política, um grande respeito pelo Tribunal Constitucional alemão, evitando tomar decisões que possam ir contra as normas constitucionais, por cá faz-se exactamente o contrário, ano após ano, e só falta pedir que se suspenda a Constituição da República Portuguesa e, com ela, a separação de poderes e a democracia. Enquanto a sra. Merkel toma decisões que vão ao encontro do interesse dos seus eleitores e faz as afirmações que tanto lhes agradam ouvir, por cá o ministro das Finanças dirige-se a membros do partido maioritário referindo-se aos ‘vossos’ eleitores, sem esconder o desprezo que a democracia e os seus concidadãos lhe suscitam. 

Quando, durante a última campanha eleitoral, um turista finlandês abordou o então candidato a primeiro-ministro, em campanha na Madeira, dizendo-lhe que esperava não ter que ser ele a pagar-lhe o almoço, a história foi apresentada pela imprensa como mais uma prova da bancarrota a que o país chegara e que alimentava o discurso de quem queria chegar ao poder na altura. E as reacções a uma tal humilhação ficaram-se pelos sorrisos de compreensão e cumplicidade. Quando os dirigentes nacionais se assumem como líderes de um protectorado, tutelado por forças externas onde não existem eleitores, nem regras da democracia, nem política que não seja a da obediência a outros líderes europeus, não é preciso ir muito longe para encontrar os verdadeiros inimigos do país. 

* Psicóloga social e professora catedrática do ISCTE

05/04/13

pior do que está não fica!

Ou seja, nas próximas vezes em que forem votar, 'arrisquem' num partido dos que nunca tiveram o poder!!
Ficamos todos a ganhar!
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07/03/13

políticos corruptos na prisão -- na Grécia, que não aqui!


-- qualquer semelhança com políticos portugueses -- nomeadamente .. José Sócrates, Paulo Portas, Isaltino Morais --- NÃO É PURA COINCIDÊNCIA! 

A diferença é que lá, prendem-nos. Aqui, promovem-nos.

Ex-ministro grego condenado a prisão

Corrupção, suborno e não só

fonte

Um ex-ministro grego foi hoje condenado a oito anos de prisão, 520.000 euros de multa e confiscação de uma vivenda de luxo por não ter justificado a origem de rendimentos e por aquisição fraudulenta de habitação.
Akis Tsochatzopoulos, 73 anos, membro do Partido Socialista Pan-Helénico (Pasok) foi detido em Abril de 2012 após diversas acusações de corrupção, incluindo má gestão de fundos públicos e encontra-se desde então detido na prisão de Korydalos, no Pireu.
Neste processo, o ex-ministro enfrentou as acusações de não ter declarado os seus rendimentos entre 2006 e 2009, como estão obrigados por lei todos os deputados e membros do governo. Os responsáveis políticos devem justificar a sua riqueza durante o período em que exercem um cargo, e ainda durante mais de três anos após concluírem as funções.
Um tribunal de Atenas considerou que Tsochatzopoulos não apresentou a justificação da origem dos bens com os quais adquiriu, através da sua mulher, uma vivenda de luxo numa das zonas mais caras de Atenas, e a forma fraudulenta como realizou a operação. A empresa vendedora era uma companhia com sede num paraíso fiscal e com o nome do próprio ministro.
Eleito ininterruptamente entre 1981 e 2007 como deputado do Pasok, Tsochatzopoulos, que foi fundador do partido, ocupou em diversas legislaturas as pastas das Obras Públicas, Presidência, Interior, Transportes, Defesa e Desenvolvimento.
Atualmente é ainda investigado por má gestão de fundos públicos, num processo relacionado com a aquisição de material militar a empresas alemães e russas, mas a um preço muito superior ao real.
De acordo com as autoridades judiciais, Tsochatzopoulos não declarou entre 1998 e 2002 rendimentos avaliados em 19 milhões de francos suíços e 1,75 milhões de dólares (um total de 17 milhões de euros) e "produto de subornos para a compra de vários sistemas de armamento".
A mulher do ex-ministro, Viki Stamati, e a sua filha Areti também se encontram detidas por suposto envolvimento nestes negócios ilegais.
Numerosos responsáveis políticos gregos enfrentam acusações de corrupção. Em 27 de Fevereiro, o antigo presidente da Câmara Municipal de Salónica, Vasilis Papageorgopoulos, 65 anos, foi condenado a prisão perpétua por desvio de fundos municipais avaliados em 51,4 milhões de euros.
No cargo entre 1999 e 2010, o tribunal concluiu que os fundos desviados também serviram para financiar de forma ilícita a Nova Democracia (ND), a formação conservadora que dirige o atual Governo de coligação.

 

02/01/13

Obrigado, professores!

 
Público, 2 de Janeiro de 2013

por Santana Castilho *

Obrigado, professores!

 

1. O ano que terminou foi apontado como o da viragem. Nada virou e muito piorou. Este será de continuidade: mais desemprego, mais falências, tribunais entupidos com cobranças fiscais coercivas, mais economia paralela, menos direitos, menos democracia e exponencial crescimento da pobreza. Perante o inevitável descambar do orçamento logo no primeiro trimestre, seguir-se-á mais austeridade. A chamada refundação trará miséria aos funcionários do Estado e novo golpe contra os serviços públicos, com a educação, a saúde e a segurança social na linha da frente. Apesar dos sacrifícios, a dívida continuará a aumentar. A “troika”, ela própria “entroikada” com o seu falhanço, terá tendência cúmplice para proteger Gaspar e Passos, apesar destes terem falhado em tudo, designadamente no combate ao défice, eixo fulcral do “programa”. Os arranjos entre a elite no poder terão em 2013 um ano venturoso. Tudo se conjugará para que os negócios floresçam, a coberto do diáfano manto de opacidade das privatizações, sob o qual se movimentam os consultores e os advogados da órbita do poder. Para esses não haverá crise nem Gaspar. É ela e ele que existem para eles. Mas a sobrevivência do país imporá a queda do Governo. A dúvida reside em quem a provocará proximamente. Pode Paulo Portas, com considerável grau de probabilidade, bater com a porta. Dificilmente os que conspiram dentro do PSD terão a coragem de atirar Passos borda fora. Mas é uma possibilidade a admitir no plano teórico, tão remota como a da iniciativa pertencer a Cavaco Silva. Resta a pressão da rua e a moleza do PS. 

2. Quem revisite o anterior discurso do ora ministro da Educação facilmente acreditaria que, uma vez no posto, dele só se poderiam esperar políticas que conduzissem ao crescente interesse dos professores pelo ensino. Mas o engano foi colossal. Tão-só seguiu e ampliou à dimensão do desumano a estratégia de proletarização dos docentes: desinvestiu na sua formação; reduziu-lhes os salários e aumentou-lhe os horários de trabalho; manteve exigências burocráticas que roçam o sadismo; fixou-lhes vários locais de trabalho, obrigando-os a deslocarem-se de uns para os outros em períodos não remunerados e a expensas próprias; desafiou os tribunais não cumprindo as sentenças favoráveis aos despedidos; com um volume de despedimentos nunca visto em alguma classe profissional em Portugal (30 mil, segundo os critérios mais generosos), criou um exército de mão-de-obra barata, na reserva, miserável, chantageado e sem horizontes de futuro. Poderá o país aceitar este desperdício de gente formada à custa de muitos milhões? A fome das crianças já não está encapotada. Diminuiu drasticamente o apoio aos alunos deficientes e aos grupos social e culturalmente mais debilitados. Ampliou-se e prossegue o hediondo agrupamento de escolas, contra tudo e contra todos, sobretudo contra os alunos. Quando o resultado deste crime político for visível, daqui a anos, acontecerá aos protagonistas responsáveis o mesmo que aconteceu aos que trouxeram o país às catacumbas em que se encontra: nada. 

3. A International Association for the Evaluation of Educational Achievement realiza, cada quatro anos, dois estudos conceituados internacionalmente: o TIMMS (Trends in International Mathematics and Science Study) e o PIRLS (Progress in International Reading Literacy Study). Portugal participou na edição de ambos de 1995, tendo ficado nos últimos lugares do ranking. Ausente dos estudos de 1999, 2003 e 2007, voltou a ser cotado em 2011. Entre 50 países ficou no 15º lugar em matemática e 19º em ciências. Entre 45 países, foi 19º no PIRLS. Em valor absoluto, os resultados são positivamente relevantes. Mas em valor relativo ainda são mais: de 1995 para 2011 foi Portugal o país que mais progrediu em matemática e o segundo que mais avançou no ensino das ciências; se reduzirmos o universo aos países da união europeia, estamos na 12ª posição em ciências, sétima em matemática e oitava em leitura; se ponderarmos estes resultados face ao estatuto económico e financeiro das famílias e dos estados com que nos comparamos, o seu significado aumenta exponencialmente e deita por terra o discurso dos que odeiam os professores. Há bem pouco, Gaspar, arauto da econometria e vuvuzela dos indicadores internacionais, rotulava de ineficiente o sistema de ensino. O seu amanuense Crato, outrora impante de PIMMS e PIRLS na mão, ficou mudo agora. Relativizo os resultados e discuto os critérios e os objectivos destes estudos. Não os valorizo como eles os valorizam. Mas é por isso que denuncio o silêncio oficial. Porque estes resultados, valham o que valerem, são, inequivocamente, fruto do trabalho dos professores portugueses. Apesar de tudo, quantas vezes apesar das políticas. Obrigado, professores! 

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

04/11/12

PS/PSD, BPN e BCP, uma história de amor mafioso

recebido via e-mail :

de Escher
Cada gang mafioso do partido-estado (PS/PSD) tem um banco para apoiar. Imaginem quem paga.

1ª parte do folhetim

Sócrates, para safar o BPN (banco de trafulhas do PSD), e depois o actual governo, envolveram naquele banco uns parcos €4000 M do erário público, diretamente ou através da CGD.

O PS apoderou-se do BCP aproveitando-se da guerra Berardo/Jardim, afastando o último e a Opus Dei do banco. O BCP sempre foi um banco com uma estrutura de capitais muito frágil e a actual crise dos mercados financeiros não veio ajudar.

2ª parte do folhetim

Em 2011 o BCP teve €849M de prejuízos e em finais de setembro deste ano já vai em € 796.3 M de perdas.

O governo PSD/CDS aplicou € 3000 M do dinheiro emprestado pela Troika em obrigações do BCP e comprometeu-se em comprar € 500 M em subscrição de aumento de capital do BCP. Claro, dinheiro subtraído a trabalhadores, desempregados e aposentados.

Vendeu o BPN à “investidora” Isabel dos Santos por uns patacos e ainda ficou com responsabilidades sobre metade dos trabalhadores

Novo episódio

Como se resolve o problema do BCP? Despedindo 600 trabalhadores, de acordo com a cartilha neoliberal onde se não contará, certamente o pacote de administradores.

Moral da história

Amor com amor se paga. O PS ajuda os meliantes do PSD no BPN e o PSD salta em apoio do BCP controlado pelo PS. É por isso que existe um partido-estado, com dois gangs, um interesse comum e 10 milhões de tugas para aldrabar com uma suposta 'diferença' entre PS e PSD

Estou comovido com esta história de amor mafioso

11/04/12

Américo Tomás revisited

no Público de 11 de Abril, 2012

por Santana Castilho


Visto vagarosamente, o lapso do ministro é uma mentira 


Por ironia do destino, a 1 de Abril de 2011, o dia das mentiras, Passos Coelho classificou de “total disparate” a ideia que lhe atribuíam de cortar o subsídio de Natal. Cortou-o, pouco tempo volvido. A 13 de Outubro deste ano, reincidiu e aumentou o esbulho. Consciente da brutalidade da medida, foi pressuroso a afirmar que ela vigoraria “apenas durante a vigência do programa de ajuda económica e financeira”. Nem ele nem Vítor Gaspar, nem tão-pouco o diligente “spin doctor” Miguel Relvas, desmentiram a cascata de referências abundantes, escritas e faladas, que circunscreveram, sempre, os cortes dos subsídios de férias e Natal a 2012 e 2013. Mais: a secretária de Estado do Tesouro, o ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares e o próprio ministro das Finanças afirmaram na televisão, de forma reiterada portanto, que os cortes eram temporários e vigoravam apenas em 2012 e 2013. O descrito é factual. Prolongar agora o confisco por mais tempo não pode ser justificado, ainda que vagarosamente e com a insolência com que Vítor Gaspar tratou a Assembleia da República, com a invocação de um lapso. O vocábulo “lapso” tem uma semântica que não é dúbia: significa erro que se comete por inadvertência ou descuido. Um “lapsus linguae”, em registo psicanalítico, é explicado por uma exposição acidental de pensamentos reprimidos, a qual introduz no discurso um sentido dissonante daquele que o emissor queria transmitir. Um “lapsus memoriae” traduz uma falta de lembrança momentânea, recuperável mais tarde. Nada disto se adapta à mudança de discurso do Governo. Este “lapso” é, outrossim, a última mentira duma sucessão que valida a máxima atribuída a Frederico II, o Grande, rei da Prússia: “ A trapaça, a má-fé e a duplicidade são, infelizmente, o carácter predominante da maioria dos homens que governam as nações”

As afirmações e a pergunta que transcrevo, retiradas aleatoriamente de um registo extenso a que qualquer cidadão tem acesso, foram feitas por Passos Coelho antes de ser primeiro-ministro:
- “Ninguém nos verá impor sacrifícios aos que mais precisam”.
- “Se vier a ser necessário algum ajustamento fiscal, será canalizado para o consumo e não para o rendimento das pessoas”.
- “Se formos Governo, posso garantir que não será necessário despedir pessoas nem cortar salários para sanear o sistema português”.
- “A ideia que se foi gerando de que o PSD vai aumentar o IVA não tem fundamento”.
- “Como é possível manter um Governo em que um primeiro-ministro mente”?

O anterior sustenta que Passos Coelho mentiu. O triste episódio do prolongamento dos cortes patenteia que continua a mentir. Aqueles que acompanham com mais cuidado a série longa de sinais, por isso significativa, dada por este Governo, sabem que a doutrina seguida até agora foi esmagar o valor do trabalho sem tocar na imoralidade dos lucros agiotas das parcerias público-privadas e das empresas que operam em regime de monopólio. Para impor essa doutrina, Passos e Gaspar têm agido como religiosos sectários, que impõem aos outros a sua crença. A essa atitude é costume chamar-se fanatismo. Começa a ser tarde para os portugueses admitirem o que é evidente: o Governo está a falhar na resolução da crise, aproveitando-a, entretanto, para impor um programa político com que nunca teria sido eleito. A degradação da economia e das finanças é clara: o défice só baixou em 2011 pelo recurso artificioso ao fundo de pensões dos bancários; do que se conseguiu em ajustamento do orçamento de Estado, 75 por cento deveu-se ao aumento dos impostos e só 25 por cento à redução das despesas, sendo certo que se atingiu o extremo direito da curva de Laffer (impossibilidade de arrecadar mais receitas aumentando a carga fiscal); o desemprego saltou para os 15 por cento; a dívida pública subiu e aproxima-se dos 115 por cento do PIB, que desce 3,3 pontos percentuais; desapareceu o investimento público e o privado tem a especulação financeira por paradigma (o banco do Estado financia especulações bolsistas de um grupo milionário, enquanto empresas viáveis recusam encomendas do estrangeiro por não terem dinheiro para comprar matérias primas). 

Enquanto o “ Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung” diz que Portugal cairá, citando Sean Egan ("quando a economia de um país se retrai de forma tão significativa e, simultaneamente, os juros das obrigações a 10 anos se situam próximo dos 10 por cento, é óbvio que a situação é insustentável"), Vítor Gaspar (“o ano de 2015 é o ano imediatamente consecutivo a 2014”) entretém-se a competir com Américo Tomás (“hoje visitei todos os pavilhões, se não contar com os que não visitei”). Para que a Grécia não nos caia em cima, o caminho não é este.

17/10/11

ou há moralidade ...

..... que NÃO HÁ .... ou comem todos!

Nesse sentido, quem se sentir indignado pode assinar a petição abaixo, que estranhamente tem, até agora, pouquíssimas adesões:


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Salários de políticos à lupa

Uma investigação jornalística analisa as declarações de rendimentos de 15 antigos governantes. VEJA A INFOGRAFIA e perceba quanto passaram a ganhar depois de deixarem a governação

Ler mais: http://aeiou.visao.pt/salarios-de-politicos-a-lupa=f627745#ixzz1b2jSnJ00

ou seja ... 
ELES (Joaquim Pina Moura, o primeiro da lista, Ascenso Simões, o último) ganham entre .. 697. 338  e 122. 102 euros/mês (e considerando o teor dos números, bem como as benesses não declaradas, não me parece relevante que se trate de vencimentos brutos ou não);
EU ganho cerca de 1. 800, quando vier a minha reforma antecipada passo a receber cerca de 1. 200 ..
     e .. 
  • EU .. sou equiparada a ELES, quando toca a desembolsar ??????!!!!
  • Eu fico sem subsídio de Natal como eles????!!!!
  • Sem subsídio de férias? 
  • Sem comparticipação numa série de medicamentos? 
  • Sem 'benefícios' fiscais???!!!!
  Ora vejam mas é se se enxergam, senhores políticos! 

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os vampiros



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Dia mundial contra a pobreza extrema
Há 43 milhões de pessoas sem dinheiro para pagar refeição diária

Ler mais no Público de hoje
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