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18/06/13

«Está a acontecer. Já se apercebeu?»



12 de Junho de 2013 
por As Minhas Leituras 
Nicolau Santos


Está a acontecer. Aquilo que nem nos passava pela cabeça que pudesse acontecer está mesmo a acontecer. Está a acontecer cada vez com mais regularidade as farmácias não terem os medicamentos de que precisamos. Está a acontecer que nos hospitais há racionamento) de fármacos e uma utilização cada vez mais limitada dos equipamentos. Está a acontecer que muitos produtos que comprávamos nos supermercados desapareceram e já não se encontram em nenhuma prateleira. Está a acontecer que a reparação de um carro, que necessita de um farol ou de uma peça, tem agora de esperar uma ou duas semanas porque o material tem de ser importado do exterior. Está a acontecer que as estradas e as ruas abrem buracos com regularidade, que ou ficam assim durante longos meses ou são reparados de forma atamancada, voltando rapidamente a reabrir. Está a acontecer que a iluminação pública é mais reduzida, que mais e mais lojas dos centros comerciais são entaipadas e desaparecem misteriosamente. Está a acontecer que nas livrarias há menos títulos novos e que as lojas de música se volatilizaram completamente. Está a acontecer que nos bares e restaurantes há agora vagas com fartura, que os cinemas funcionam a meio gás, que os teatros vivem no terror da falta de público. Está tudo isto a acontecer e nós, como o sapo colocado em água fria que vai aquecendo lentamente até ferver, não vemos o perigo, vamos aceitando resignados este lento mas inexorável definhar da nossa vida coletiva e do Estado social, com uma infinita tristeza e uma funda turbação. 

Está a acontecer e não poderia ser de outro modo. Está a acontecer porque esta política cega de austeridade está a liquidar a classe média, conduzindo-a a uma crescente pauperização, de onde não regressará durante décadas. Está a acontecer porque, nos últimos quase 40 anos, foi esta classe média que alimentou cinemas, teatros, espetáculos, restaurantes, comércio, serviços de saúde, tudo o que verdadeiramente mudou no país e aquilo que verdadeiramente traduz os hábitos de consumo numa sociedade moderna. Foi na classe média — de professores, médicos, funcionários públicos, economistas, pequenos e médios empresários, jornalistas, artistas, músicos, dançarinos, advogados, polícias, etc. —, que a austeridade cravou o seu mais afiado e longo punhal. E com a morte da classe média morre também a economia e o próprio país. 

E morre porque era esta classe média que mais consumia — e que mais estimulava — os produtos culturais nacionais, da literatura à dança, dos jornais às revistas, da música a outro tipo de espetáculos e de manifestações culturais. É por isso que a cultura está a morrer neste país, juntamente com a economia. E se a economia pode ainda recuperar lentamente, já a cultura que desaparece não volta mais. Um país sem economia é um sítio. Um país sem cultura não existe. Durante a II Guerra Mundial, quando o esforço militar consumia todos os recursos das ilhas britânicas, foi sugerido ao primeiro-ministro Winston Churchill que cortasse nas verbas da cultura. O homem que conduziu a Inglaterra à vitória sobre a Alemanha recusou perentoriamente. “Se cortamos na cultura, estamos a fazer esta guerra para qué?” Mutatis mutandis, a mesma pergunta poderíamos fazer hoje: se retiramos todas as verbas para a cultura, estamos a fazer este ajustamento em nome de quê? Mas esta, claro, é uma questão que nunca se colocará às brilhantes cabeças que nos governam.

Nicolau Santos

17/05/13

Merkel-Barroso, as comadres desavindas

--- mas só porque 'fica bem no retrato', entenda-se! Há eleições à vista e a economia alemã está de fraca saúde, convém iludir os cidadÕES! (palavra inventada pelo sr. presidente Cavaco, outro muito bem-empoleirado português!)


Merkel acusa Barroso e troika 
de serem os culpados da austeridade 

Por Margarida Bon de Sousa 
tão amigos que eles eram!/são? -- foto daqui

publicado em 17 Maio 2013 
no ionline 

Austeridade é culpa da cegueira de Bruxelas e presidente da Comissão Europeia devia ter nomeado comissário para a Grécia

Zangam-se as comadres, sabem--se as verdades. Afinal a austeridade sacrossanta que castiga países como Portugal não é culpa de Merkel ou de Schäuble, os maus da fita para mais de metade da Europa. Não. A culpa é de Bruxelas, da Comissão Europeia e do incompetente presidente Durão Barroso. 

Pela segunda vez em menos de um mês, o verniz voltou a estalar entre a Alemanha e Bruxelas, deste vez em sentido totalmente contrário ao da posição de Berlim quando o presidente da Comissão Europeia disse que já bastava de austeridade. Quarta-feira, num encontro informal em Berlim com jornalistas, Wolfgang Schäuble, ministro das Finanças alemão, afirmou que os programas de ajustamento da troika são demasiado rígidos e com pouca flexibilidade, criticando Durão Barroso por não ter nomeado um comissário europeu para a Grécia. Já Angela Merkel, que também participou na reunião, defendeu que o pacote de 6 mil milhões de euros para promover o emprego jovem na UE deveria antes ser utilizado para pagar reformas, de forma a serem criadas vagas nos empregos já existentes. 

As afirmações dos dois dirigentes alemães surgiram no mesmo dia em que foi tornado público que o produto interno bruto (PIB) da zona euro contraiu 0,2% nos primeiros três meses de 2013, o que representa a sexta queda trimestral consecutiva, naquela que é a maior e mais longa recessão desde a criação do euro. Nove destas 17 economias recuaram enquanto o PIB no conjunto dos 27 estados-membros contraiu 0,1%. 

Volte-face  
Os novos dados dão um apoio renovado a todos aqueles que defendem há muito que mais austeridade só vai criar mais recessão, numa espiral sem fim à vista. A própria Alemanha, a maior economia da zona euro, cresceu 0,1% em relação ao trimestre anterior, mas decresceu 0,3% face ao mesmo período do ano passado. Já a França, a segunda maior economia do conjunto de países que utilizam a moeda única, também caiu 0,4% relativamente a período homólogo de 2012, ao mesmo tempo que registou uma nova contracção de 0,2% relativamente ao último trimestre do ano passado. Foi certamente este quadro que por fim levou Berlim a juntar a sua voz contra a austeridade à de outros países como a Grécia, Espanha e Portugal, demarcando-se da Comissão Europeia, apesar de até agora a senhora Merkel ter sido sistematicamente apontada como a grande incentivadora dos programas impostos pela troika (Comissão, BCE e FMI) a todos os estados-membros que necessitaram de resgates para não entrarem em default (Portugal, Grécia, Irlanda e Chipre). 

A este volte-face não será alheio o facto de a chanceler alemã, que ainda mantém um alto índice de popularidade, ter pela frente uma terceira reeleição, pelo que a posição agora assumida pode inserir-se na sua próxima batalha eleitoral, depois de várias derrotas consecutivas da CDU em eleições regionais. 

Durão criticado 
Em Abril, o porta-voz da CDU “convidou” Durão Barroso a precisar o que quis dizer quando afirmou numa conferência de imprensa que os limites à austeridade eram visíveis em alguns aspectos. “Apesar de esta política estar fundamentalmente correcta, penso que alcançou os seus limites em muitos aspectos, porque uma política, para ser bem sucedida, não pode ser apenas bem estruturada. Tem de ter um mínimo de apoio político e social”, disse na altura o presidente da Comissão Europeia. 

Quarta-feira, e noutro encontro com jornalistas, Durão Barroso, acompanhado do presidente da França, François Hollande, teve um discurso mais politicamente correcto, optando por pôr a tónica das suas declarações na vitória da União Europeia, por, no seu conjunto, ter finalmente atingido o valor mágico de 3% para o défice. Um dado que nem Merkel nem Schäuble valorizaram em Berlim. 

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e.. a não esquecer: 
Durão Barroso sai em defesa da chanceler Angela Merkel :
"O que acontece em França ou em Portugal não é culpa de Merkel ou da Alemanha”
"As decisões no seio do Eurogrupo são sempre tomadas por unanimidade. (...)»

fonte: Sol - 4 de Maio 2013, aqui 

23/04/13

A dívida e o crescimento

Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff argumentaram que os países mais endividados têm menor crescimento. Ora, o artigo que escreveram está errado. Um artigo crítico demonstra como o crescimento (e a dívida) variam intensamente com o ciclo económico. 

Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff, ela académica e ele ex-quadro de topo do FMI, publicaram um livro influente sobre a dívida ao longo da história (“This Time is Different”, já foi traduzido em português). Já citei esse livro quanto à sua demonstração de que quase todos os países desenvolvidos já renegociaram e reestruturaram unilateralmente as suas dívidas, quando precisaram de o fazer.
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Mas o que agora está sob grande atenção pública nos Estados Unidos é outro argumento: o de que os países mais endividados têm menor crescimento, que resumiram num artigo com grande impacto, "Growth in a Time of Debt". Os republicanos têm citado esse artigo para fundamentarem a sua proposta de proibição de acréscimos da dívida pública.
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Ora, o artigo está errado. A sua base de dados foi mal concebida, a folha Excel em que fizeram os seus cálculos foi mal programada, a estatística é defeituosa e as conclusões não são verdadeiras. Michael Ash, o diretor do departamento de economia da Universidade de Amherst em Massachussets, com dois colegas, publicou uma crítica devastadora sobre o trabalho de Reinhart e Rogoff: http://www.peri.umass.edu/236/hash/31e2ff374b6377b2ddec04deaa6388b1/publication/566/
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O que esta crítica demonstra é que os países estudados e com mais de 90% de rácio de dívida/PIB não tiveram, entre 1946 e 2009, um crescimento médio de -0.1% (como tinham calculado Reinhart e Rogoff) mas sim de 2.2%. Esse crescimento foi menor do que o dos países sem dívida significativa (que atingiu 4.2%): foi cerca de metade. Mas houve crescimento e, portanto, a dívida alta pode não estar relacionada com o colapso da economia: simplesmente, depende de como é paga, do juro, do financiamento futuro e das decisões económicas e políticas. Para mais, há diversas razões para as diferenças entre as taxas de crescimento e podem ser o inverso do que sugerem Reinhart e Rogoff: o crescimento baixo alimenta a dívida, porque pequena receita fiscal cria défice. Ou a sangria provocada pela perda de recursos públicos para o pagamento da dívida, despesa que pode não ter efeito na economia nacional, acentua as dificuldades e as recessões.
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Por outro lado, este artigo crítico demonstra como o crescimento (e a dívida) variam intensamente com o ciclo económico: de 1946 para cá houve um período de grande crescimento e vários períodos de recessão intensa e de desaceleração. E reforça portanto o argumento contra a austeridade, que está a criar a recessão de 2013.

05/04/13

«FMI: Oops!... I did it again!»

no esquerda.net
opiniao | 4 Abril, 2013 - 23:15 |

Por Mariana Mortágua*

Os pontapés na matemática do FMI, das instituições europeias e do Governo são relevantes, e têm consequências, mas não são o problema.   

Não é segredo para ninguém que, no início de 2007, mesmo antes da implosão do sistema financeiro mundial, o FMI estava nas ruas da amargura, e por excelentes motivos. 

 Os programas estruturais de ajustamento que impôs por esse mundo fora, em troca de empréstimos agiotas, não deixaram mais do que uma longa lista do que não fazer para “salvar” economias do desastre. 

 A Jamaica, que manteve uma longa relação com o FMI desde os anos 70, viu a sua dívida aumentar, bem com o desemprego, e foi o único país da região em recessão entre 2007 e 2010. No mesmo período, e com 54% das despesas públicas a serem direccionadas para o pagamento da dívida, a taxa de pobreza passou de 10 para 20%. 

Os erros crassos da organização internacional durante a crise Argentina são sobejamente conhecidos, e mesmo admitidos pelo próprio FMI. Menos conhecidos são os impactos destrutivos das medidas de liberalização económica para os sistemas produtivos de um sem número de países. O sector da castanha de caju em Moçambique é um excelente exemplo, mas há muitos mais. 

Segundo especialistas de Yale e Cambdridge, que compararam as datas dos programas de ajustamento com a incidência de tuberculose nos países do antigo Bloco Soviético, os cortes na saúde exigidos pelo FMI provocaram um aumento da mortalidade em 16,6% (mais 100 000 mortos). 

Por todos os motivos, incluindo os acima apresentados, o FMI passou a ser persona non grata em vários países em desenvolvimento. No início do milénio, à semelhança de outros países Argentina e o Brasil desafiaram as políticas neoliberais dos programas de ajustamento, reestruturaram a sua dívida privada, e pagaram antecipadamente os seus empréstimos para se livrar do protetorado internacional. No final de 2007, o FMI não tinha aprovado nenhum novo empréstimo, e o total de crédito ainda ativo era de 15 mil milhões, o mais baixo em 30 anos e muito longe dos 108 mil milhões de 2003. (1)

A situação mudou com a crise financeira e, em particular, com a sua vertente Europeia. O FMI foi chamado a participar nos programas de ajustamento de vários países europeus, em tudo semelhantes aos pacotes neoliberais que, uma década antes, devastaram as economias em desenvolvimento. 

Os resultados estão à vista. Uma década depois, investigadores de Cambdrige, Standford e da London School of Hygiene and Tropical Medicine afirmam que os programas de austeridade na periferia do euro estão a causar um aumento do numero de suicídios e propagação de doenças infecciosas. Basta abrir o jornal para ter uma ideia dos efeitos da austeridade: “Plano Nacional de Prevenção do Suicídio hoje apresentado defende reforço de medidas de apoio aos desempregados” ; “Hospital de Braga adia cirurgias por falta de anestesistas”  ;  “Redução do PIB explica um quinto do aumento da dívida pública em 2012”. 

Uma década depois, mais uma vez, o FMI vem a público admitir que errou: afinal os efeitos da austeridade são piores que o previsto! As “previsões subestimaram de forma significativa o aumento do desemprego e a redução da procura doméstica associados à consolidação orçamental”. O problema, diz o economista-chefe Olivier Blanchard, estava num dos pressupostos dos modelos econométricos de ponta utilizados: o FMI assumiu que, para além de ser igual em todos os países, o efeito multiplicador da austeridade era igual em tempos de crescimento ou de crise (0,5%) quando, afinal, é muito superior (maior que 1%). 

É difícil escolher o que criticar primeiro: se a estupidez na definição do valor do multiplicador ou se o uso cego de modelos matemáticos para definir políticas com impactos sociais e económicos. 

Os pontapés na matemática do FMI, das instituições europeias e do Governo são relevantes, e têm consequências, mas não são o problema. Nem o mais incompetente dos economistas ou dos governantes erra tanto, tantas vezes, e repete sempre o mesmo erro. Apenas o mais dogmático.

(1) Valores em dólares e convertidos de SDRs à data de elaboração desde artigo. Fonte: http://www.imf.org/external/np/fin/tad/extcred1.aspx

*  economista, dirigente do BE

19/12/12

revoltas e austeridade, euro vs não euro - sair da UE?


Mass revolts in Slovenia
11 December 2012 

Slovenia is being shaken by the first massive revolt in two decades and the first that is predominantly oriented against political establishment, austerity measures and is in some cities already gaining anti-capitalist character. -- notícia aqui

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Europa, mapa político (clicar p/ ampliar)
seta a apontar para a Eslovénia

Estados-Membros da UE (ano de adesão):
Alemanha (1952); Áustria (1995); Bélgica (1952); Bulgária (2007); Chipre (2004); Dinamarca (1973); Eslováquia (2004); Eslovénia (2004); Espanha (1986); Estónia (2004); Finlândia (1995); França (1952); Grécia (1981); Hungria (2004); Irlanda (1973); Itália (1952); Letónia (2004); Lituânia (2004); Luxemburgo (1952); Malta (2004); Países Baixos (1952); Polónia (2004); Portugal (1986); Reino Unido (1973); República Checa (2004); Roménia (2007); Suécia (1995) -- fonte

A Noruega rejeitou a adesão à União Europeia em dois referendos (1972 e 1994). Mantém o modelo social escandinavo (*) baseado na saúde universal, no ensino superior subsidiado e em um regime abrangente de previdência social. A Noruega foi classificada como o melhor país do mundo em desenvolvimento humano em todos os relatórios desde 2001 (com dados referentes entre 1999 e 2010). Em 2009, o país foi novamente classificado pela ONU como o melhor país do mundo para se viver. A Noruega também foi avaliada como o país mais pacífico do mundo em uma pesquisa realizada em 2007 pelo Índice Global da Paz. -- fonte

(*) ver:  
El modelo nórdico vence al “capitalismo depredador” - Su éxito demuestra que se pueden combinar prosperidad y amplias prestaciones sociales- aqui


euro vs não-euro:

fonte
a rosa claro: Países da UE que não utilizam o euro: Bulgária, Dinamarca, Hungria, Letónia, Lituânia, Polónia, República Checa, Roménia, Suécia e Reino Unido.
países da zona euro: O euro (€) é a moeda oficial de 17 dos 27 países da UE: Áustria, Bélgica, Chipre, Estónia, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Malta, Países Baixos, Portugal, Eslováquia, Eslovénia e Espanha.- fonte

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mapa de risco da zona euro 
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23/7/2012 - aqui


12/12/12

Portugal autofágico

Lusa 12/12/2012 - 10:05

'cannibal', de James Jean

Portugal não deve cortar demasiado nas prestações sociais, defende a OCDE  

O objectivo é suavizar o impacto da recessão mesmo que aumente a despesa pública, recomenda a organização. 


“A mensagem é que não se corte demasiado ao nível das prestações e transferências sociais para as famílias, de forma a suavizar o impacto da envolvente macroeconómica, que é negativa neste momento, mesmo que isso acarrete um peso acrescido sobre o orçamento pelo lado da despesa”, afirmou João Tovar Jalles, economista na OCDE responsável por Portugal, à Lusa. 
(...)

Risco de espiral recessiva

 A OCDE está preocupada com o impacto da austeridade necessária para cumprir as metas e que este possa arrastar / "possa"?! JÁ VEM ARRASTANDO !! / a economia portuguesa numa espiral recessiva, que por sua vez poderia levar / LEVARÁ COM TODA A CERTEZA!!! / a um agravamento do estado económico, financeiro e orçamental.

ler mais

17/09/12

(o M.) F.A. está com o povo! (será?)


Austeridade

Militares vão “envolver-se na resistência” à austeridade

 Rita Paz
cartaz do 25 Abril
17/09/12 13:14 

Manuel Cracel, da Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA), diz que as últimas medidas de austeridade são “extorsão pura”.

"Estamos revoltados com aquilo que nos afecta e penaliza porque isto são medidas que confirmam uma extorsão pura e vêem seguidas de outras medidas que já afectam e muito os militares, desde 2005", declarou Manuel Cracel ao Económico.

25 Abril, 1974
Diz o responsável que apesar de os militares estarem sujeitos a certas restrições que o comum dos cidadãos não partilha, "vamos envolver-nos na resistência dos movimentos cívicos" para protestar contra a austeridade.

"Tudo faremos para chamar à razão o poder de decisão. Esta é uma inversão económica e financeira que está a subjugar o país, o que só nos pode deixar revoltados. Vamos avaliar a situação e reagir em conformidade utilizando todos os meios democráticos que nos são permitidos", afirma o porta-voz da AOFA.

Manuel Creacel acrescenta ainda que "além de os dirigentes e elites deste país estarem apostados em empobrecer-nos a todos pondo em causa a soberania, [a austeridade] põe também em causa um dos pilares fundamentais deste país que são as Forças Armadas ".

notícia aqui 
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07/09/12

a notícia está aqui e pela minha parte não tenciono lê-la. Só com o título já fiquei agoniada! E até posso fazer futurologia ..

Passos anuncia mais medidas de austeridade às 19h15

07.09.2012 - 14:17 Por PÚBLICO


a foto, retirei-a do facebook..
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03/06/12

«a austeridade só piora a crise!»

"Se querem sair da crise, aumentem os salários"

tvesquerda | 3 Junho, 2012 - 22:48

Entrevista a Jan Toporowski, economista da London School of Oriental and African Studies, que esteve presente na Conferência Económica Internacional "Portugal na Encruzilhada da Europa", co-organizada em maio pelo Bloco de Esquerda e o Partido da Esquerda Europeia em Lisboa.


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26/02/12

Grande Depressão, século XXI

in Público, 26/2/2012

Paul Krugman:
O Nobel contra a política de austeridade
vai ser homenageado por três universidades

por Sérgio Aníbal

Paul Krugman, que em 2008 conquistou o prémio Nobel da Economia e esta segunda-feira vai receber dos Reitores das Universidades de Lisboa, Técnica de Lisboa e Nova de Lisboa o grau de Doutor Honoris Causa, defende que a política de austeridade que está a ser aplicada na zona euro arrisca-se a colocar o continente perante um cenário idêntico ao da Grande Depressão dos anos 30. Como é seu hábito, o economista não poupa nas palavras e não hesita em apontar o dedo àqueles que vê como os culpados.

"Alguns países estão a enfrentar um sofrimento semelhante ao da Grande Depressão: Grécia e Irlanda com quedas do produto de dois dígitos, a Espanha com 23% de desemprego, o Reino Unido com uma contracção económica mais longa do que nos anos 30. Pior ainda, os líderes europeus - e muitos dos players mais influentes - ainda estão enamorados pela doutrina económica responsável por este desastre", escreveu na sua coluna do fim-de-semana passado, precisamente dedicada à situação europeia.

Nos seus textos*, Krugman tem alertado, de forma repetida, para as "provas históricas" que apontam para o fracasso da política de austeridade europeia. Defende que a austeridade empurra as economias ... ler mais
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20/10/11

Contabilistas sem rasgo

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por Santana Castilho

Qualquer programa de austeridade exige, para ser credível e aceite pelos que o sofrem, que seja desenvolvido sobre uma clara estratégia de gestão e uma sólida equidade social. O Orçamento de Estado para 2012 é um simples exercício contabilístico, a que falta uma e outra coisa. Do que contém, não se retira uma ténue ideia de crescimento económico. Sem isso, o ponto de chegada será o desastre. A incógnita é prevermos o tempo em que o teremos declarado.

No Governo, temos hoje um directório de contabilistas sem rasgo. Crato ocupa lugar de destaque. O que vai dizendo sobre Educação, ora pela vacuidade ora pelo disparate das afirmações, reconduz-me às memoráveis tiradas de Américo Tomás. Um objectivo para 2012 (pág. 197 do Relatório OE 2012) é reforçar a aposta no ensino profissionalizante dos jovens que frequentam o ensino básico. Por este andar ainda vou ver bancadas de torneiro mecânico nos jardins-de-infância. 

Supor-se-ia que os quadros de síntese do OE para 2012 (veja-se, por exemplo, o Quadro III.3.17. Despesa do Estado – Classificação Funcional, donde se retira uma quebra de 1.550,5 M€ no sector) estariam fundamentados num conjunto de medidas já descritas e quantificadas pelos responsáveis pelas políticas sectoriais. Mas não é isso que acontece. O contabilista- mor, Gaspar, disse ao guarda-livros, Crato, quanto tinha na taleiga. E este irá agora dar, com a incompetência já patenteada, o respectivo contributo para a hecatombe do futuro, atirando moedas ao ar. Fala-se por aí que reduzirá os tempos lectivos da História e da Educação Física. Que suprirá a segunda língua estrangeira. Que fará uma caldeirada entre a História e a Geografia. Que acabará com o par pedagógico da EVT. Em rigor, veio para escaqueirar o que faltava. Tanto dá por onde continuará o trabalho de Lurdes Rodrigues e Isabel Alçada. 

in Diário Económico