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26/06/13

dos professores atraiçoados..

antes do "acordo":
24 de Junho
no mural do SPGL,
por António Pedro Lourenço:

«Estamos contentes em pôr professores do quadro a rodar por 60 km ???? A greve foi para isto??? Este mês promovem-se militares para subirem de posto e no ordenado....a TAP já está servida com os retroactivos....e no nosso caso a boa negociação é rodar 60 km ??? Perdemos tanto salário para isto???? E o que vai ficar na " Componente Não Lectiva" ?? Apoios ? Outro tipo de aulas disfarçado como já foi?? NÃO DEITEM TUDO A PERDER!»



depois do "acordo",
25 Junho
pela minha amiga Madalena:

«os professores pediram uma greve aos exames e às avaliações. formalizada a greve, pelos sindicatos, a adesão foi massiva. três semanas depois, é preciso que se saiba que OS PROFESSORES NÃO PEDIRAM A SUSPENSÃO DA GREVE porque, para lá das legítimas pretensões laborais, tomaram como sua a luta de todos os que defendem o estado social e a democracia, que é um BEM tão tão grande que nem lhes passe pela cabeça o atrevimento, negociar dois anos por mim!»

É isso, Madalena! Os Professores estão de parabéns pela sua persistência na luta, os sindicatos "chumbados"! 
Vi este mesmo filme em 1989: os Professores unidos numa guerra sem tréguas, organizando-se e prontos a levarem a sua luta às últimas consequências. 
Uma acta (era o António Teodoro, na altura, o líder da FENPROF) acabou com tudo, derrubou os professores. 

Fazer a greve a 27, depois disto?
Só se os professores forem parvos, quiserem deitar dinheiro fora! Pois não era o que malevolamente sugeriam, precisamente, os srs. Crato e Passos? Que os professores reivindicassem o que quisessem na greve geral, em vez de se porem a fazer greve às avaliações e aos exames? 
PARABÉNS AOS PROFESSORES, que NÃO aos sindicatos que os deviam representar nos seus justos anseios. Que não incluíram na sua listinha de reivindicações uma série de aspectos cruciais. Que acabaram atraiçoando tudo e todos.

O mais triste, no meio disto tudo, é que OS PROFESSORES PERDERAM (apesar deles e da sua heroicidade!), a ÚLTIMA OPORTUNIDADE de recuperar a dignidade da sua profissão.
Qualquer esboço de luta, a partir de agora, vai tê-los todos - mais que justificadamente! - de pé atrás, antevendo a cedência vergonhosa por parte dos sindicatos, a memória viva e dorida desta LUTA PARA NADA!
.

de volta à "normalidade"..

Professores suspendem greve às avaliações 

por Clara Viana 
25/06/2013 - 14:22 (actualizado às 17:46) :

Fenprof anuncia princípio de acordo com o MEC que permite salvaguardar impacto do aumento do horário de trabalho e da mobilidade especial nos docentes. 

O líder da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira, anunciou nesta terça-feira o regresso à “normalidade” na sequência do acordo entre o Ministério da Educação e Ciência (MEC) e os sindicatos de professores.» 


- notícia completa e vídeos com declarações de Mário Nogueira e Nuno Crato -- aqui 

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MENTIRA! OS PROFESSORES NÃO SUSPENDERAM NADA! QUEM SUSPENDEU - E ANIQUILOU TUDO - FORAM OS SINDICATOS QUE OS ATRAIÇOARAM!!!
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24/06/13

de fedores e outros odores

roubado ao Kaos
Quando uma merda se transforma numa imensa fossa a céu aberto, a pessoa passa a valorizar a pestilência anterior, apesar da sua inalterada condição de merda

Foi a megera MLR (agora em ignóbil processo de 'branqueamento'!!) que impôs um ECD que introduziu as 35 horas actuais, divididas entre "componente lectiva" e "componente não-lectiva", esta última 'ingerível' e 'desculpa' para todo o tipo de tarefas insanas, no topo das quais as pseudo-'aulas'-de-substituição-da-treta.
Ora ISTO (a par com um sem número de outras malfeitorias *) TRANSFORMOU AS ESCOLAS NUM INFERNO.  
Os professores (tradicionalmente hiper-cumpridores e burros-de-carga por vocação..) nunca tiveram a esperteza de exigirem "marcar o ponto" como os restantes Funcionários Públicos, nunca exigiram (e os sindicatos também não!) não trabalharem para além das 35h estipuladas no seu horário. 
roubado ao Kaos
O resto.. sabe-o quem está no terreno e, pelos vistos, também o sr ministro Crato: os
professores trabalham em casa muito mais do que as horas que lhes pagam. As aulas preparam-se em casa. Os testes fazem-se e corrigem-se em casa, centenas deles várias vezes em cada período lectivo. 
Nesta mesa de negociações (e.. "negociações"?! Não se pode "negociar" a dignidade!) deviam, à partida, ter sido incluídas uma série de outras reivindicações, nomeadamente as respeitantes aos direitos dos professores contratados
 .
Para mim, era simples
    tábua rasa sobre o ECD da sinistra.  
    total inversão 'de marcha' relativamente aos cortes cegos na educação e na escola pública (que, como toda a gente sabe, ultrapassaram em muito o imposto pela troika!),  levados a cabo por este governo e este ministro da educação.
    fim dos subsídios aos privados, a reverterem a favor da escola pública - essa sim, responsabilidade do Estado!!! 
..................
Mário Nogueira explica agora que «só amanhã será possível analisar "o documento" [ e eu estou p'ra ver que documento...!], pelo que a greve que está agendada para terça-feira às avaliações se manterá.» -- fonte
Então.. depois de amanhã se verá .. força aí na pressão aos sindicatos! E que as 'negociações' reflictam todos os anseios dos professores!
    Em vez de 40 horas, 30 ou - melhor pensando!! - APENAS AS 22 da "COMPONENTE LECTIVA"!   (e .. azar para quem não perceba que todo o trabalho feito em casa pelos professores, para os alunos e para a escola, ultrapassará sempre -largamente!- qualquer número estipulado à toa.)
    Em vez da mobilidade (especial ou não, e fundada no falso pressuposto de que há professores a mais), reposição dos apoios educativos aos alunos e atribuição de uma carga semanal digna e eficaz para todas as disciplinas (quem é que consegue aprender, por exemplo, francês, com uma hora semanal ?!);   
    Em vez de despedimentos (e a Educação É O FUTURO e a HIPÓTESE DE SOBREVIVÊNCIA do país!!), efectivação de todos os professores contratados há pelo menos 5 anos! De resto, qualquer coisa assim tinha já proposto na década de 80 o ministro Fraústo da Silva (secretário de estado Santana Castilho) - e foi siderado pelos sindicatos! **
** pela 'politicamente incorrecta' opção de "acordar" com um bom ministro que teve o azar de integrar um governo PSD..

.........................................................................

* Ainda em relação à sinistra MLR: pela parte que me toca, 
    NÃO PERDOO NEM ESQUEÇO :
  • o 'apedrejamento' da classe docente em praça pública que a senhora tão ciosa e sistematicamente organizou durante todo o seu 'reinado' - e que permite, desde então, que qualquer borra-botas se sinta no direito de vir atacar os professores.
  • a divisão entre professores "titulares" e "não titulares" e a aberrante ADD (avaliação de desempenho docente), uma e outra baseadas em critérios mais que duvidosos, viciados!
  • o fim da gestão democrática das escolas, com a imposição dos senhores direct-adores!

[e .. ainda estou à espera de muiiitos pedidos de desculpa (que, descansem, sei q não virão..), pelo que em mim, em tantos.. a 'bruxa-mor' matou! ..]

23/06/13

anular o exame, obviamente

Política Mesmo, TVI24,
debate  com Santana Castilho, Gabriela Canavilhas, Pedro Lince e Isabel Santos (CONFAP)
18 de Junho de 2013
 ...
 

21/06/13

«Que vergonha tenho de vós, colegas!»

recebido via e-mail
fonte

Por Isabela Figueiredo

Que exemplo pode dar aos seus alunos um professor que se cala, que se agacha e obedece tremendo? Que valor transmite aos seus educandos um professor que trai uma greve realizada em defesa da sua própria sobrevivência, da dos colegas, e do direito dos alunos à boa educação pública, que lhe cabe defender como um pai defende um filho do mal, mesmo contra sua vontade? Como poderá ele educar outros para a cidadania, competência transversal a todas as disciplinas? Que moral lhe resta para exortar os seus alunos à perseverança por um ideal justo, à construção de uma sociedade desenvolvida ao nível dos valores humanos? Nomeará Ghandi ou Mandela como ficções? Que cidadãos são estes professores? E que pais serão?

Que vergonha tenho de quem espera que rolem cabeças alheias, para que a sua se mantenha intacta, mas beneficiada pelos que se sacrificaram no ritual da ação!

Eu não espero nada dos nossos patrões, mas de vós, colegas, por cujos direitos eu me hei-de arranhar até à carne, para que deles beneficiem sem ter descontado um duodécimo, mesmo que se tenham agachado, mesmo que tenham sido vis e traidores, que vergonha tenho de vós!
Como conseguem, ao final do dia, olhar os vossos filhos nos olhos? Que terrível legado de cobardia e humilhação lhes deixam! 

http://novomundoperfeito.blogspot.pt/2013/06/que-vergonha-tenho-de-vos-colegas.html?spref=fb

20/06/13

Nuno Crato, parágrafo menor - Opinião - DN

Nuno Crato, parágrafo menor - Opinião - DN

Nuno Crato, parágrafo menor 

por BAPTISTA BASTOS
19/06/2013


Nunca deixei de me espantar com a desfilada insana de certos homens para o abismo da sua perdição moral e intelectual. Nuno Crato é um deles. Li o admirável "O Eduquês", que definia uma maneira de pensar e reduzia a subnitrato os mitos propostos à nossa preguiça mental. Se o estilo é o homem, ali estava um estilo e um homem que nos diziam ser toda a espécie de carneirismo a negação da inteligência crítica. Assisti, depois, com o alvoroço de todas as curiosidades, ao programa de Mário Crespo, na SIC Notícias, Plano Inclinado, e no qual o nomeado e o prof. Medina Carreira discreteavam sobre os embustes incutidos por esse nada abissal da hipocrisia política. Um aparte: ainda não percebi o que provocou o desaparecimento abrupto do programa e, também, o eclipse de Alfredo Barroso da antena, cuja lucidez era idêntica à informação que nos fornecia, mantendo-se na conversa a senhora que emparceirava com ele. Teias que o império tece.

Voltando ao Crato, a vontade de ser ministro de um desprezível Governo como este parece tê-lo obnubilado. Ou, então, a dubiedade já estava instalada e a falta de carácter era congénita. Como pode o autor de "O Eduquês" e de tantas intervenções televisivas marcadas pelas prevenções contra as evasivas e os ardis ser o cúmplice de um projecto ideológico que visa mandar para o desemprego muitos milhares de pessoas, e desmantelar pelo esvaziamento a escola pública; como pode?

 Diz-me pouco, mas talvez diga alguma coisa a circunstância de Crato ser proveniente da extrema-esquerda, aquela contra o "revisionismo" e os "sociais-fascistas." O combate, afinal, era outro, e a "convicção" constituía um investimento futuro.

O braço-de-ferro do ministro e dos professores nunca foi por aquele decentemente esclarecido. A verdade é que os professores, ameaçados, aos milhares, de ser "dispensados", apenas lutam pelos seus lugares e pelo trabalho a que têm direito. E a utilização dos estudantes como estratagema político é sórdida. Crato desonrou-se ainda mais do que o previsível. Ao aceitar ser vassalo de uma doutrina doentia, arrastadora de uma das maiores crises da nossa história, ele não só volta a perjurar os ideais da juventude, como o que escreveu e disse.

É preciso acentuar que esta situação não se trata de uma birra do ministro. O despejo de milhares e milhares de pessoas faz parte de um programa mais vasto. Crato é um pequeno parágrafo num acidente histórico preparado ao pormenor por estrategos ligados à alta finança. Outra face do totalitarismo que, sob o eufemismo de "globalização", tende a uma hegemonia, a qual está a liquidar os nossos valores morais e os nossos padrões de vida. A emancipação das identidades, que formou a tradição universalista e a democratização social, está seriamente intimidada por gente ignóbil como Nuno Crato.

19/06/13

Crato cumpriu. Crato implodiu

Mais um artigo fantástico deste paladino da causa pública! Tivesse o actual ministro da (des)educação um pingo de vergonha na cara (que já mostrou à saciedade que não tem..), e era desta que desaparecia para parte incerta! Força, Professor! Obrigada pela sua análise arrojada, lúcida, IMPRESCINDÍVEL!

in Público, 19 de Junho de 2013

por Santana Castilho*

Em 17 anos de exames nacionais, dos 39 que já leva a democracia, o país nunca tinha assistido a tamanho desastre. A segunda-feira passada marca o dia em que um ministro teimoso, incompetente e irresponsável, implodiu a cave infecta em que transformou o ministério da Educação. A credibilidade foi pulverizada. O rigor substituído pela batota. A seriedade submersa por sujidade humana. Viu-se de tudo. Efectivação de provas na ausência de professores do secretariado de exames, com o correlato incumprimento dos procedimentos obrigatórios, que lhes competiriam. Vigilantes desconhecedores dos normativos processuais para exercerem a função. Vigilantes do 1º ciclo do ensino básico atarantados, sem saber que fazer. Examinandos que indicaram a professores, calcule-se, que nunca tinham vigiado exames, procedimentos de rotina. Exames realizados sem professores suplentes e sem professores coadjuvantes. Exames vigiados por professores que leccionaram a disciplina em exame. Ausência de controlo sobre a existência de parentesco entre examinandos e vigilantes. Critérios díspares e arbitrários para escolher os que entraram e os que ficaram de fora. Salas invadidas pelos “excluídos” e interrupção das provas que os “admitidos” prestavam. Tumultos que obrigaram à intervenção da polícia. Desacatos ruidosos em lugar do silêncio prescrito. Sigilo grosseiramente quebrado, com o uso descontrolado de telefones e outros meios de comunicação eletrónica. Alunos aglomerados em refeitórios. Provas iniciadas depois do tempo regulamentar. 

O que acabo de sumariar não é exaustivo. Aconteceu em escolas com nome e foi-me testemunhado por professores devidamente identificados. Para além da gravidade dos acontecimentos na Escola Secundária Sá de Miranda, em Braga, Alves Martins, em Viseu, e Mário Sacramento, em Aveiro, referidos na imprensa, muitos outros poderiam ser nomeados. No agrupamento Tomás Ribeiro, de Tondela, onde estava previsto funcionarem 10 salas, os exames foram iniciados, a horas, em 4. Mas, 20 minutos depois, por sortilégio directivo, acrescentaram-se mais duas salas. Na Escola Secundária Dr. Solano de Abreu, em Abrantes, houve reuniões de avaliação coincidentes com a realização do exame. Os professores presentes em reuniões, que acabaram por não se realizar, foram mobilizados, no momento, para o serviço dos exames. Quem acedeu ficou ubíquo: assinou a presença na reunião e no serviço de exames. 

Ou Crato tem uma réstia de juízo e anula o exame, com o fundamento evidente da violação das normas mínimas que garantem a seriedade e a equidade exigíveis, ou isto termina nos tribunais administrativos. A coisa é um acto académico. Mas o abastardamento da coisa transforma-a num caso de tribunais. Não faltará quem a eles recorra. Porque décimas da coisa determinam o sentido de vidas. 
O Júri Nacional de Exames, que se prestou a cobrir a cobardia política de Crato, não se pode esconder, agora, atrás do mandante. Não há cobardia técnica. Mas há responsabilidade técnica. O Júri Nacional de Exames tem que falar. Já devia ter falado. O País está à espera. 
A Inspecção-Geral da Educação e Ciência tem que falar. Há responsabilidades, muitas, a apurar. O País está a ficar impaciente. 

Crato errou em cascata. Deu como adquirida a definição de serviços mínimos, mas o colégio arbitral não viu jurisprudência onde ele, imprudente, a decretou. Arrogante, fechou a porta que o colégio abriu, sugerindo a mudança do exame para 20. Forçou a realização de um exame sem ter garantidas as condições mínimas exigíveis. Criou um problema duplamente iníquo: de um lado ficou com 55.000 alunos, potenciais reclamantes ganhadores, porque foram submetidos a um exame onde todas as regras foram desrespeitadas; do outro tem 22.000 alunos discriminados, porque não puderam realizar um exame a que tinham direito. Com as normas que pariu, ridicularizou o que sempre sacralizou: uma reunião de avaliação é inviabilizada pela falta de um professor; mas um exame nacional pode realizar-se na ausência de 100.000. Aventureiro, quis esmagar os sindicatos, mas terminou desazado.
Se não violou formalmente a lei da greve, o que é discutível, esclareceu-nos a todos, o que é relevante, sobre o conceito em que a tem. Cego, não percebeu que, de cada vez que falava, mais professores aderiam à greve. Incauto, não se deu conta de que as coisas mudaram para os lados da UGT. Demagogo, convidou portugueses mal-amados no seu país, quantos com recalcamentos que Freud explicaria, a derramaram veneno sobre uma classe profissional que deviam estimar. Irresponsável, declarou guerra, e foi abatido. Crato substituiu Relvas. É agora o fardo que o Governo, nas vascas da morte, vai carregar até que Portas marque o velório. Ter ontem Crato nas televisões, de lucidez colapsada, ladeado por dois ajudantes constrangidos em fácies de cangalheiros, não pode ser o fim burlesco da palhaçada. 

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

18/06/13

just another prick in the wall


de Francisco Teixeira (Notas)
- Terça-feira, 18 de Junho de 2013


 O RESCALDO DE UMA GREVE 

QUE MARCOU PORTUGAL

A sociedade portuguesa viveu e observou, ontem, talvez a maior greve de sempre dos professores portugueses. Também observou a pior gestão de sempre de um conflito por parte de um Ministério da Educação que não hesita em recorrer a medidas ilegais e plenamente imorais, para sabotar o legítimo direito à greve dos trabalhadores portugueses. 
 Mas, mais. Essa gestão atabalhoada e arrogante, incompetente e perdida, quase destruiu o valor da ideia de rigor e cuidado na organização dos exames das escolas portuguesas, fazendo-nos recuar mais de trinta anos.

E os portugueses também viram como, ainda greve ia a meio, já o ministro da educação remarcava o exame de português, contrariando-se a si próprio relativamente às supostas dificuldades de remarcações de exames, provando que a sua recusa em remarcar o exame de português para o dia 20 não constituía senão a marca do arrivismo governamental, que preferiu o caos a uma simples remarcação que permitiria salvaguardar o direito à greve dos professores e aos exames dos alunos.

Por que quis o governo esta confusão? 

Porque avaliou mal a sintonia entre os professores e os sindicatos; porque avaliou mal a dimensão do desastre em curso e a capacidade de luta dos professores; porque achou, por último e mais grave, como noutros setores sociais, que o caos que ele próprio produziu poderia servir os seus interesses de estigmatização da escola pública, dos professores e dos sindicatos.

3 more pricks
E assim Crato e Passos perderam em toda a linha. Mais de 90% dos professores fizeram greve, mais de 30% dos alunos não fizeram exame (mesmo que recorrendo o governo a professores de outras escolas para furarem o direito à greve da esmagadora maioria) e, por último, supremo sinal de profissionalismo dos professores portugueses, hoje os exames lá voltaram, organizados com todo o rigor, cuidado e seriedade, dando a imagem de uma classe bem acima do voluntarismo e da destrutividade ética de um governo insano e perturbador.

Agora, a luta continua. Porque esta luta, particularmente com um governo e um ministro da educação para além do bem e do mal, exige uma ainda maior consciência ética, cívica e de classe, capaz de compreender que este combate é de médio e longo prazo, de esforço cívico e pessoal, em nome do bem comum, das nossas escolas, dos nossos alunos, dos nossos empregos e de Portugal.

« .. as virgens distraídas»

Segunda feira, 17 de junho de 2013 

por Daniel Oliveira

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A greve, a ansiedade nas escolas e as virgens distraídas (atualizado) 

Perante a possibilidade dos estudantes fazerem um exame mais tarde (porque, como é evidente, acabarão por ter de o fazer), Nuno Crato, em vez de negociar com os professores o conteúdo das medidas que levaram a esta greve, tentou negociar a própria greve. Mudava a data do exame de hoje se os professores se comprometessem a não fazer mais greves. 
Nuno Crato não percebeu que o objetivo da greve é obrigar o governo a negociar, não a data dos exames, mas as gravíssimas medidas que unilateralmente impôs aos professores e aos funcionários públicos? Percebeu muito bem. Mas também percebeu que a ansiedade dos estudantes e pais rende. E, à custa da do conflito, quer ganhar uns pontos na sua popularidade. Não me espanta. Apesar de não o parecer, Nuno Crato é um dos ministros mais politiqueiros deste governo. 

Crato, com um coro de comentadores que acham excelente o direito à greve desde que seja inócuo, queixa-se da instabilidade que está a ser causada nas escolas. Querem falar de instabilidade? Podemos falar da que ele próprio está a causar quando, sozinho, decidiu suspender o programa de matemática que comprovadamente melhores resultados conseguiu nas escolas. Porque ele não gosta do programa e longe vão os tempos em que o colunista Crato criticava o centralismo autoritário do Ministério da Educação. Estamos a meio de junho e os professores de matemática não sabem que programa vão dar para o ano. Ainda não há manuais e logo se irá improvisar. Isto é a instabilidade que me preocupa porque sou dos que pensam que a escola serve, antes de tudo, para ensinar. Só depois para avaliar. 

Instabilidade nas escolas? Mas haverá maior instabilidade do que aquela que é causada pelo terror que Crato espalhou nas escolas, com milhares de professores a desconhecerem em absoluto quanto tempo faltará para que fiquem desempregados? Julgará o governo que isso não se sente nas salas de aula? 

O governo quer falar do prejuízo para os estudantes? E que tal falarmos da redução de verbas para alimentação de alunos desfavorecidos, que hoje experimentam a fome na sala de aula por causa da criminosa política de austeridade? Ou do aumento do número de alunos por turma, que torna o acompanhamento aos estudantes com mais dificuldades numa impossibilidade. Ou do ataque ao enriquecimento curricular, que deixará milhares de famílias sem saber o que fazer aos seus filhos quando estes saírem das aulas. 

O governo quer falar de prejuízos para a educação e para o País? E que tal falarmos dos 40% de estudantes que, indo fazer os exames do 12º ano, já sabem que não querem concorrer à Universidade? Um percentagem sem precedentes na nossa história recente que se explica pelas dificuldades financeiras das famílias, incapazes de comportarem os estudos por mais um ano que seja. 

O governo quer falar de ansiedade? Falemos da sua tentativa de adiar o pagamento dos subsídios aos funcionários públicos, violando uma decisão do Tribunal Constitucional e não permitindo que estes saibam se podem pagar dívidas, como podem gerir o seu orçamento familiar ou se irão de férias. 

Pode um governo que espalha o medo, a ansiedade e a dúvida permanentes em toda a sociedade usar a ansiedade de estudantes e pais por causa de um exame em seu favor? Pode. Porque a hipocrisia não tem limites. 

Por dever de solidariedade com quem resiste à arbitrariedade, compreendo que entre o risco do desemprego e um exame, os professores escolham defender o seu posto de trabalho. Mesmo que isso me cause, como pai, ansiedade. Porque sei que os prejuízos que este governo está a causar ao País e à Escola Pública são incomensuravelmente superiores aos que sejam causados por esta greve. Porque sei que a escola que Crato está a construir e aquela que ele está a destruir são assuntos bem mais relevantes do que a data de um exame. Porque sei que a infinita irresponsabilidade deste governo é bem mais destrutiva do que uma greve a um exame. 

Provavelmente Nuno Crato vai conseguir, através do esquema de convocar todos os professores e da redução drástica das exigências que sempre existiram para a vigilância às provas, realizar, com uma pequeníssima minoria de professores que não adiram à greve, muitos exames. A questão é se pode continuar a ser ministro com toda a comunidade escolar contra ele. 


Atualização: a estratégia de Nuno Crato, de virar os estudantes contra os professores grevistas, está a falhar. Os estudantes manifestam-se, sim, mas contra a trapalhada do Ministério da Educação, que cria a situação de haver alunos com exames e outros sem os poderem fazer. Em Braga, houve mesmo estudantes que invadiram as únicas sete salas (de 23 previstas) onde decorriam exames. E de todos os relatos que chegam a revolta é contra o Ministério e não contra os professores. É que os professores têm uma vantagem em relação a Nuno Crato: estão na escola e contactam com os seus alunos. E têm outra: não fazem parte de um governo que manda os jovens emigrar.
 

A greve

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17 de Junho de 2013 
por As Minhas Leituras
José Pacheco Pereira


O que está em causa para o Governo na greve dos professores é mostrar ao conjunto dos funcionários públicos, e por extensão a todos os portugueses que ainda têm trabalho, que não vale a pena resistir às medidas de corte de salários, aumentos de horários e despedimentos colectivos, sem direitos nem justificações, a aplicar a esses trabalhadores. É um conflito de poder, que nada tem a ver com a preocupação pelos alunos ou as suas famílias.

Há mesmo em curso uma tentação de cópia do thatcherismo, à portuguesa, numa altura em que uma parte do Governo pende para uma espécie de gotterdammerung revanchista e vingativo, de que as medidas ilegais como a recusa do pagamento do subsídio de férias pela lei em vigor são um exemplo. Não é porque não tenha dinheiro, é porque quer mostrar que é o Governo que decide as regras do jogo e não os tribunais e as leis. Qualquer consideração pelas pessoas envolvidas, não conta.

O Governo sabe que a sua legitimidade é contestada sem hesitações por muita gente, e pretende ultrapassar com um exercício de autoridade essa enorme fragilidade. Por isso, a greve dos professores é muito mais relevante do que o seu significado como conflito profissional, e é também por isso que o Governo, aproveitando o deslaçamento que tem acentuado na sociedade com o seu discurso de divisão, usa pais e alunos para a combater. Não é líquido que não possa ter resultados, até porque os sindicatos não têm conseguido ter um discurso límpido e claro, e os professores que se mobilizaram quase a 100% contra Maria de Lurdes Rodrigues, por causa da avaliação, estão hoje muito mais encostados à parede e enfraquecidos.

O medo dos despedimentos é muito perturbador no actual contexto de crise social, em que quem perde o trabalho nunca mais o vai recuperar. Por isso, a greve dos professores, como a greve dos funcionários públicos, é pelo emprego, em primeiro lugar, em segundo lugar e em último lugar. É também contra a imposição unilateral de condições de trabalho e horários no limite do aceitável. Mas o emprego é hoje o bem mais precioso e mais ameaçado. Aliás, o aumento do horário de trabalho é também uma medida para facilitar o desemprego.

Os sindicatos são um instrumento vital de resistência social em tempos como os de hoje, e é ridículo e masoquista ver alguns professores a “esnobarem” dos sindicatos quando mais precisam deles. No entanto, isto não pode fazer esconder que os sindicatos estão longe de estarem à altura do momento que o mundo laboral está a atravessar. É aliás aqui que os efeitos mais perniciosos da dependência partidária do movimento sindical português mais se manifesta, quer para a CGTP, quer para a UGT.

Num momento em que existe uma ofensiva em primeiro lugar contra os funcionários públicos e, depois, contra qualquer forma de resistência organizada dos trabalhadores, ou seja, também contra os sindicatos e os direitos laborais, substituir uma acção próxima dos mais atingidos por uma tentativa de lhe dar cobertura com slogans políticos é um erro que se paga caro.

Não adianta virem usar slogans, como seja a “defesa da escola pública”, apresentando-os como a principal razão de luta dos professores. Em casa em que não há pão, ninguém se mobiliza por abstracções, mobiliza-se pelo pão. É verdade que o Governo é contra a “escola pública”, mas o seu objectivo fundamental nestes dias é despedir funcionários públicos, incluindo os professores, para garantir os cortes permanentes da despesa pública a que se comprometeu, em grande parte porque, ao ter deprimido a economia no limite do aceitável, não tem outro modo de controlar o défice. Se o escolhe fazer nos mais fracos e dependentes da sua vontade, como sejam os funcionários públicos, é relevante, mas até por isso é a balança de poder que está em causa nas próximas greves.

A utilização de uma linguagem estereotipada pode ser muito confortável do ponto de vista ideológico, mas funciona como entrave quer à mobilização profissional, quer à mais que necessária mobilização da sociedade. Não é pela “defesa da escola pública”, nem por qualquer objectivo assim definido programaticamente, que a greve pode ter sucesso, em particular face à ofensiva governamental que conta com muito mais apoio na comunicação social do que se pensa. É pela condição do trabalho, pelo emprego, que, no actual contexto, são muito menos egoístas do que podem parecer. É, aliás, também nesse terreno que os funcionários públicos e os professores podem e devem “falar” com todos os outros trabalhadores do sector privado, porque aí os seus objectivos são comuns.

O que parece que os sindicatos têm vergonha de enunciar é o seu papel de defesa de um grupo profissional, como se os objectivos laborais não fossem objectivos nobres de per si, ainda mais na actual tentativa de criar uma sociedade “empreendedora”, assente na força de poucos contra o valor e a dignidade do trabalho de muitos. A incapacidade que tem a esquerda de enunciar objectivos firmes no âmbito destes valores, substituindo-os por uma retórica abstracta, acaba por resultar numa falsa politização que se torna num instrumento espelhar do mesmo discurso de divisão que o Governo faz. Ainda estou à espera que alguém me explique por que razão não se diz preto no branco, sem bullshit, que a greve é justificada pela simples motivo que nenhum grupo profissional numa sociedade democrática, seja empregado de uma empresa, ou do Estado, pode aceitar que se lhe torne o despedimento trivial, por decisões que são de proximidade (os chefes imediatos), e que não têm que ser justificadas a não ser por uma retórica vaga de “reestruturação”, um outro nome para cortes cegos e pela linha da fraqueza dos “cortados”.

E também não se diz, sem bullshit, que não é fácil manter a calma e a civilidade quando se tem que defrontar do lado das negociações pessoas que mentem quanto for preciso, e que estão apenas a ver se meia dúzia de mentiras ou ambiguidades servem para passar a tempestade e voltar à acalmia que precisam para fazerem tudo aquilo que hoje dizem que não vão fazer. Os mesmos que, nos últimos dois anos, tudo prometeram e nada cumpriram e que ainda há poucos meses juravam em público que nada disto iria acontecer. Ou seja, gente não fiável, de quem se pode esperar tudo e cujo discurso nas suas ambiguidades deliberadas está a ser feito para que tudo seja possível. Em Agosto ou em Setembro, passada a vaga de conflitualidade social, vão ver como milhares de pessoas vão para a “requalificação”, como o aumento dos horários de trabalho vai servir para tornar excedentária muita gente e como, sejam professores ou contínuos, todos vão estar no mesmo barco do olho da rua.

Eu continuo a achar que a decência mobiliza muito mais do que a “escola pública” e que tem a enorme vantagem de toda a gente perceber quase de imediato o que é. E tem ainda a vantagem de ser fácil explicar, e de ser fácil de compreender por toda a gente, que é indecente o que se está a fazer aos funcionários públicos e aos professores. E assim socializar o mesmo tipo de revolta que muitos dos actuais alvos do Governo sentem, porque ela não é diferente da que tem muitos milhões de portugueses. Digo bem, milhões. Não é coisa de somenos.

NOTA: à data em que escrevo, não sei ainda quais vão ser os resultados dos encontros entre o ministério e os professores, mas, sejam quais forem, o contexto é este. No actual momento da sociedade portuguesa, ou se ganha ou se perde. Não há meio termo.
José Pacheco Pereira

«Uma campanha ignóbil»

15 de Junho de 2013
em As Minhas Leituras 
por  Maria do Rosário Gama
 

“Considero ignóbil a convocação de uma greve de professores para o primeiro dia de exames nacionais. É como se os médicos decidissem fazer greves às urgências hospitalares. Incompreensível, indigno, inaceitável.”-- Francisco Assis, PÚBLICO (23.05.2013) 

É triste. E é sempre assim quando uma greve é convocada. Muito poucos são os que conhecem os motivos da greve e se dão ao trabalho de considerar se esses motivos são ou não justificáveis. Tudo quanto lhes parece interessar é o transtorno que causam. E se se pergunta qual poderia ser uma alternativa a esta forma de luta, percebe-se que apenas admitiriam uma que não causasse transtornos a ninguém, ou pelo menos não a si próprios. De facto, o que esta atitude revela é um mecanismo atávico, herdado dos tempos da ditadura, de rejeição do direito à greve. O tecido social parece mais um mosaico de interesses estanques do que um povo unido por laços de solidariedade e partilhando uma história e destino comuns. E é neste mosaico de interesses que o (des)governo encontra o terreno fértil para semear a cizânia, cavar divisões e delas tirar partido. A greve de professores que agora se inicia e que, tudo indica, conduzirá a uma greve aos exames, é uma espécie de remake da greve de 2005 e contra ela, como então, está a ser movida uma campanha ignóbil em que se apresentam concertados o Presidente da República, o Governo, o ministro da tutela, os já habituais campeões da “moderação” no campo da oposição (ei-lo, o almejado consenso, conseguido à custa dos professores) as associações de pais e os opinion makers. A encenação montada apresenta os professores como facínoras capazes de comprometer o futuro dos alunos. O próprio ministro afirma que estas foram feitas reféns pelos professores, como se de terroristas se tratasse. Alguém acredita realmente que os alunos perderão o ano? É evidente que não. Mas convém fingir que sim. O futuro da escola pública parece não suscitar preocupação. Mas que possam ter de adiar as férias por uma meia dúzia de dias, isso sim. Não que o admitam. Ele é a possibilidade de um ano perdido (e de chegarem atrasados ao desemprego), a instabilidade dos alunos, a repercussão nos resultados. Só quem não conhece o Ensino podia acreditar na seriedade destes argumentos. No fundo, todos os argumentos se reduzem a dois, por muito mascarados que se apresentem. Ou se trata de apoio à política do (des)governo ou da defesa de interesses particulares. Alguns alegam que apoiam os professores, mas não esta greve aos exames. Não se percebe, claro, que a mesma preocupação se não manifeste quando os alunos, por motivos idênticos, perdem aulas, tempos de trabalho e de estudo. Enquanto o adiamento de uma prova provoque um tal alarido. Hipocrisia, claro. Porque se apoiassem os professores pressionariam o Governo a negociar com eles. A verdade é que o futuro duma escola pública de qualidade, e a dignificação da profissão docente que é sua condição, não parece mobilizar ninguém. Giga-agrupamentos que podem representar algumas magras poupanças mas grandes prejuízos pedagógicos? Turmas a abarrotar? Professores a dar mais aulas do que as que podem preparar com seriedade e tendo de corrigir mais trabalhos do que os que podem comentar adequadamente? Precariedade dos postos de trabalho? Instabilidade dos corpos docentes? Alterações curriculares que visam exclusivamente a dispensa de professores? Nada disto preocupa os indignados, com o ministro a acusar os professores de fazerem dos alunos reféns, como se de terroristas se tratasse. E variantes desta atoarda multiplicam-se, vindas de todos os quadrantes. 

Ninguém parece ter em conta que sem professores motivados não será possível assegurar uma escola pública de qualidade. Quem quer que tenha um real conhecimento do ensino sabe que um professor sério, com quatro turmas, cem alunos, trabalha muito, mas muito mais do que 40 horas por semana. De borla! Toda a vida! E a maioria tem cinco ou seis turmas, mais de 150 alunos! Mas não chega. Baixam os salários, cortam subsídios, aumentam o número de horas e, sobretudo, é preciso despedir mais e obrigar os novos escravos pedagogos (gozando, porém, de prestígio e estatuto bem inferiores ao dos seus antepassados) trabalharem mais e mais para substituir os que forem mandados para as minas (os que tiverem sorte). Não há dinheiro! E quando não houver educação e ensino de jeito? E professores motivados para a assegurarem? A escola pública de qualidade é que deveria ser considerada um serviço mínimo e uma necessidade social impreterível, não a realização dos exames na data aprazada! Por isso, se não vos interessa a educação dos vossos filhos e netos, a qualidade do ensino que lhes é ministrado, o futuro da escola pública, o futuro do país (será que pensam que à crise é alheia a qualidade do sistema educativo?), mobilizem-se contra os professores e deixem à solta os coveiros da escola pública. E valerá a pena? Por causa de uns dias de atraso na prestação de exames? Da ida para férias uns diazitos mais tarde? Por causa de uma greve que até poderia não ter lugar, acaso todos apoiássemos os professores? Apesar de já estar reformada, em parte por causa da política educativa inaugurada pelo anterior governo e prosseguida pelo actual, não me posso demitir da obrigação de expressar aos professores a minha solidariedade. A luta deles contra o (des)governo é também a dos jovens sem futuro, dos desempregados, dos que partem em busca de uma vida possível, dos trabalhadores da administração pública ameaçados pelo despedimento, dos trabalhadores precários, dos reformados cujas pensões são roubadas e de todos cuja confiança e segurança estão a ser destruídas. 

Maria do Rosário Gama

fonte 

16/06/13

o dia em que TUDO pode mudar

Day &Night, de Man Ray

É amanhã que tudo se joga neste braço-de-ferro entre o ministro da educação/governo e os professores. 


Tento pôr-me no lugar do 'outro', dos professores que vão boicotar a greve. 

Habituei-me, durante anos, a ouvir-lhes os argumentos tíbios, disparatados, que os levavam a não lutar nunca por coisíssima nenhuma.
A vê-los, mais tarde, surpreenderem-se com a tempestade que lhes desabava em cima, desacautelados. Enraiveci-me com a sua apatia-sempre, a sua bovina aceitação de absolutamente tudo.
Indignei-me, praticamente sozinha, perante os muitos que, a qualquer novo desvario do ministério, me contrapunham o arrazoado do «É a lei, tem de se cumprir!». E fui-me habituando a ser olhada como irrealista e utópica, demasiado 'revolucionária', praticamente uma louca furiosa e contestatária, uma 'outsider' naquele rebanho manso. 

Sei que há professores que não fazem greve "porque sim". Que há professores que nunca fizeram greve, "porque não". 

Mas fui-os ouvindo a todos, também durante anos, a queixarem-se das políticas do ministério, da vida na escola, dos alunos. A queixarem-se sistematicamente, na sala dos professores, à mesa do café.
Vi-os em todas as mega-manifestações dos tempos de MLR, protestando. E vi-os, logo depois, regressarem às escolas, o rabinho entre as pernas, cumprindo tudo aquilo contra o que, na véspera, se tinham insurgido.

E fui-os vendo deprimirem-se, cada vez mais stressados e impotentes, cada vez mais vencidos. Vi-os chorarem a meio de reuniões, à saída das salas de aula. Vi-os emagrecerem até aos ossos ou comerem compulsivamente, as olheiras um poço fundo de cansaço e desânimo, as caras fechadas, a depressão adentrando-se.

Sei-os cada vez mais esmagados de trabalho, afundados em papéis, enterrados em reuniões.
Não sei se eles sabem que o que lhes estão a 'cozinhar' lhes vai tornar o purgatório em que agora se debatem (iniciado pela sinistra MLR, convém não esquecer..) num inferno ainda mais insuportável:
o desemprego para uns, mesmo os que nunca o esperariam agora, depois de 20 ou 30 anos de ensino,
a sobrecarga de trabalho para os que ficarem, as turmas em maior número e sobre-lotadas, os alunos cada vez mais indisciplinados, seleccionados "por baixo" quando os que ainda aspiram a alguma coisa se transferirem para o privado.. 

Pergunto-me o que irá pela cabeça dos professores que, amanhã, não vão fazer greve .. 
Esperarão eles que os outros, os colegas que agora e de novo atraiçoam, consigam sozinhos as vitórias por que todos anseiam? 
Estarão eles tão anestesiados, que só se arrependerão de não terem ido à luta quando não puderem pagar a hipoteca da casa, a comida, os estudos dos filhos? 
Quando forem a bater com a cara no chão, o esgotamento ou o AVC anunciados, previsíveis? 
Terão eles medo da própria sombra? De "dar a cara" por uma causa? De que lhes cobrem 'ousadias' ou os apedrejem em praça pública os vizinhos, a cabeleireira, o merceeiro? 

Tento pôr-me no lugar do 'outro', não consigo.
Não aceito a falta de solidariedade, a inviabilização da luta dos colegas.
Não concebo que profissionais com um elevado nível de escolarização, com a responsabilidade cívica que lhes advém da própria profissão, possam revelar-se tão insensíveis, tão ignorantes de tudo o que está em jogo nesta luta, basicamente, a sobrevivência do estado social, da democracia, do próprio país. E da dignidade. 
A dignidade de dizer BASTA!
A dignidade de recusarem a chantagem dos que da lei respeitam NADA. Dos que deles sempre têm feito um capacho e se preparam agora para os esmagar DEFINITIVAMENTE, assim haja quem, como gado para um matadouro, corra, solícito e borrado de medo, a acatar a ignóbil convocatória.

A deriva autoritária

por António Pinho Vargas
15/6/2013

A deriva autoritária actual consiste nos recentes passos . 
O governo toma uma decisão qualquer. 
As entidades reguladoras do estado ou os cidadãos, no uso dos seus direitos legais reajem, contestam e/ou contrariam a decisão do governo, conforme os casos, através dos meios próprios: declarando ilegais ou inconstitucionais algumas medidas do orçamento, nuns casos, protestando contra outras decisões, noutros casos, recorrendo aos meios legais de a contestar. 

O autoritarismo verifica-se quando o governo ameaça, não de modo velado sequer mas com todas as palavras, mudar de seguida o quadro legal existente; mudar as leis, de modo a conseguir mais tarde tornar legal, o ilegal ou o contestável que queria fazer já. 

Este modo de actuar é idêntico, no capítulo da farsa, ao método de Berlusconi - mudar as leis susceptíveis de o condenar em tribunal antes dos julgamentos - e, no capítulo da tragédia, remete, para já ao longe, para as práticas antigas dos vários tipos de regimes totalitários do século XX: "se o povo não nos aceita, nem nos compreende, muda-se o povo". 

O facto de isto - muda-se a lei - poder não apenas ser pensado (em segredo), mas poder mesmo ser dito com clareza e desfaçatez, mostra o fundo ideológico extremamente autoritário que preside ao governo

A actual ofensiva discursiva contra "a greve má" enquanto se proclama, na teoria, o direito à "greve boa", é uma consciente mistura demagógica de valores e argumentos de tipos diversos, e é um sinal preocupante que nos leva a colocar a seguinte pergunta: até onde é que eles poderão ir? Até onde é que eles conseguirão ir? O caso de Berlusconi citado, que foi repetidamente real enquanto foi PM, põe em sérias dúvidas as proclamadas virtudes da democracia e do quadro de direito para o impedir. Mudam-se, dizem. 

APV

A VELHA TOLICE E O DIZ-QUE-DISSE

um fantástico texto, lúcido e dorido, um apelo e um alerta aos professores..

por Luís Costa

Se necessário fosse, os últimos dias seriam esclarecedores quanto à força social que nós, os professores, temos atualmente. Nenhum partido do dito arco da governação veio a terreiro para nos apoiar. Só os “mais pequenos” o fizeram e de forma bem explícita. Há, de facto, um pacto tácito relativamente à Educação, e não é, por certo, aquele que mais favorece a Escola Pública.

O Partido Socialista, que tem tentado passar entre os pingos de chuva, forçado pelas circunstâncias, lá acabou por dar a cara: a de António José Seguro, anémica de todo, e a de Francisco Assis, com vermelhão próprio de quem deu de beber ao seu alter ego. O homem soltou a língua para dizer que considera ignóbil a convocação da greve para um dia de exames. Não o fez por menos o destacado militante do PS:”IGNÓBIL”.
Não é absolutamente desprezível este tipo de declarações contra os professores. Longe disso, não só pela ofensa que encerram, como pelo que revelam do nosso estatuto. A facilidade, a ligeireza, a soltura e o desprendimento com que muitas com que muitas “entidades” se nos dirigem mostram bem a importância que nos dão, que é a mesma que dão à Escola Pública; mostram quão irrelevantes nos consideram neste xadrez sociopolítico; mostram também que nada receiam da nossa luta. Para “eles”, ela não passa do estrebuchar de condenados sem remissão. Cabe-nos a nós, portanto, contrariar estas expectativas. Seremos capazes?

Os nossos sindicatos, que começaram com grito uníssono imediatamente ouvido e seguido, deixaram-se — apesar da união apresentada ontem nos Restauradores — cair novamente na estratégia da “ronda negocial”; deixaram-se arrastar, novamente, para o “diz-que-disse” póstumo; permitiram que o ministro e seus secretários pudessem compor feições mais sorridentes e um brilhozinho nos dentes aqui e ali. Quem prometeu que não se volta a portar mal?

Chegados a este ponto, ou seguimos em frente, até ao fim, ou resvalamos para sarjeta, levando connosco o futuro dos pequenos deste país.

15/06/13

aos 'amarelos'..

---- sempre achei que as conquistas de quem lutou NÃO DEVIAM SER EXTENSÍVEIS aos q se acomodaram, se acagaçaram, boicotaram as lutas dos outros!!

 

DECLARACÃO ANTIGREVE 

(Para os que não fazem greve...) 


Eu,_____________________________________________, NIF ______________, Trabalhador/a da empresa ________________________________________________________________, 


DECLARO:

QUE estou absolutamente contra qualquer coação que limite a minha liberdade de trabalhar. QUE, por isso, estou contra as greves, piquetes sindicais e qualquer tipo de violência que me impeçam a livre deslocação e acesso ao meu posto de trabalho. QUE por um exercício de coerência com esta postura, e como mostra da minha total rejeição às violações dessas liberdades. 

EXIJO:
1.º QUE me seja retirado o benefício das 8 horas de trabalho diário, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e que me seja aplicada a jornada de 15 horas diárias em vigor antes da injusta obtenção deste benefício. 
2.º QUE me seja retirado o benefício dos dias de descanso semanal, dado que este beneficio foi obtido, por meio de greves, piquetes e violência, e que me seja aplicada a obrigação de trabalhar sem descanso de domingo a domingo. 
3.º QUE me seja retirado o benefício das férias, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e me seja aplicada a obrigação de trabalhar sem descanso os 365 dias do ano. 
4.º QUE me seja retirado o benefício dos Subsídios de Férias e de Natal, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e me seja aplicada a obrigação de receber apenas 12 salários por ano. 
5.º QUE me sejam retirados os benefícios de Licença de Maternidade, Subsídio de Casamento, Subsídio de Funeral dado que estes benefícios foram obtidos por meio de greves, piquetes e violência, e me seja a plicada a obrigação de trabalhar sem usufruir destes direitos. 
6.º QUE me seja retirado o benefício de Baixa Médica por doença, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e me seja aplicada a obrigação de trabalhar mesmo que esteja gravemente doente. 
7.º QUE me seja retirado o direito ao Subsídio de Baixa Médica e de Desemprego, dado que estes benefícios foram obtidos por meio de greves, piquetes e violência. Eu pagarei por qualquer assistência médica e pouparei para quando estiver desempregado/a. 
8.º E, em geral, me sejam retirados todos os benefícios obtidos por meio de greves, piquetes e violência que não estejam contemplados por escrito. 
9.º DECLARO, também, que renuncio de maneira expressa, completa e permanente a qualquer benefício actual ou futuro que se consiga por meio da greve do dia 17 de Junho de 2013.
Alice Vieira

 ___________________________, ____ de _______________ de 20____ ___________________________________________________

A greve, o presente e o futuro dos alunos


 de Santana Castilho (Notas)
- Sábado, 15 de Junho de 2013 às 10:23



Em dia de manifestação de professores, em véspera da greve de tantas discórdias, permito-me lançar ao vento estas perguntas:

  • Não foi mau para o presente e futuro dos alunos cortar os planos de estudo dos ensinos básico e secundário? 
  • Não foi mau para o presente e futuro dos alunos diminuir a carga horária de algumas disciplinas, sem que os respectivos programas tenham sido alterados? 
  • Não foi mau para o presente e futuro dos alunos aumentar o número de alunos por turma? 
  • Não foi mau para o presente e futuro dos alunos amputar as escolas de apoios pedagógicos antes dispensados aos que tinham mais dificuldades? 
  • Não foi mau para o presente e futuro dos alunos tornar os passes escolares mais caros e aumentar as propinas no ensino superior? 
  • Não foi mau para o presente e futuro dos alunos aumentar o horário de trabalho dos professores?
  • Não foi mau para o presente e futuro dos alunos reduzir o número de funcionários auxiliares? 
  • Não foi mau para o presente e futuro dos alunos despedir os pais e deixar milhares de lares sem pão?
  • Não foi mau para o presente e futuro dos alunos o aparecimento da “mobilidade especial”, simples eufemismo manhoso para despedir, iludindo a lei? 
  • Não foi mau para o presente e futuro dos alunos o Governo dizer-lhes que a alternativa ao chicote da troika é fugirem do seu próprio país? 
  • Não foi mau para o presente e futuro dos alunos um ministro míope transformar paulatinamente a Escola numa simples unidade de trabalho intensivo, quase escravo?
Onde estavam tantos, que agora invocam o interesse dos alunos, quando estas e tantas outras medidas foram tomadas? 
Onde estava o Presidente da República? Onde estava Paulo Portas? Onde estava Marques Mendes? Onde estava Manuela Ferreira Leite? Onde estava Francisco Assis?
Só é mau o incómodo presente deste acordar (tardio) da classe docente?

O meu sentimento face ao momento que a Escola Pública vive está sintetizado

aqui: http://www.rtp.pt/play/p469/e120294/antena-aberta 

aqui: http://youtu.be/mLkIurcPqnQ
aqui: http://www.youtube.com/watch?v=7TxnzRoCMbM 
e aqui: http://www.youtube.com/watch?v=K3W9OwvFX5o

Santana Castilho

14/06/13

«Estudo no 12º ano, tenho 18 anos.(...)»

fonte



Estudo no 12º ano, tenho 18 anos. Sou uma entre os 75 mil que têm o seu futuro a ser discutido na praça pública. 

Dizem que sou refém! Dizem que me estão a prejudicar a vida! Todos falam do meu futuro, preocupam-se com ele, dizem que interessa, que mo estão a prejudicar… 

Ando há 12 anos na escola, na escola pública. 
Durante estes 12 anos aprendi. Aprendi a ler e a escrever, aprendi as banalidades e necessidades que alguém que não conheci considerou que me seriam úteis no futuro. Já naquela altura se preocupavam com o meu futuro. Essas directivas eram-me passadas por pessoas, pessoas que escolheram como profissão o ensino, que gostavam do que faziam. 
As pessoas que me ensinaram isso foram também aquelas que me ensinaram a importância do que está para além desses domínios e me alertaram para a outra dimensão que uma escola “a sério” deve ter: a dimensão cívica. 

Eu não fui ensinada por mágicos ou feiticeiros, fui ensinada por professores! Esses professores ensinaram-me a mim e a milhares de outros alunos a sermos também nós pessoas, seres pensantes e activos, não apenas bonecos recitadores! 

Talvez resida ai a minha incapacidade para perceber aqueles que se dizem tão preocupados com o meu futuro. Talvez resida no facto de não perceber como é que alguém pode pôr em causa a legitimidade da resistência de outrem à destruição do futuro e presente de um país inteiro! 
Onde mora a preocupação com o futuro dos meus filhos? Dos meus netos? Quem a tem? 
Onde morava essa preocupação quando cortaram os horários lectivos para metade e mantiveram os programas? 
Onde morava essa preocupação quando criaram os mega-agrupamentos? 
Onde morava essa preocupação quando cortaram a acção social ou o passe escolar? 
Onde mora essa preocupação quando parte dos alunos que vão a exame não podem sequer pensar em usá-lo para prosseguir estudos pois não têm posses para isso? 
Não somos reféns nessa altura? 
E a preocupação com o futuro dos meus professores? Onde morava essa preocupação quando milhares de professores foram conduzidos ao desemprego e o número de alunos por turma foi aumentado? 

Todas as atrocidades que têm sido cometidas contra nós, alunos, e contra a qualidade do ensino que nos é leccionado não pode ser esquecida nunca mas especialmente em momentos como este! 

Os professores não fazem greve apenas por eles, fazem greve também por nós, alunos, e por uma escola pública que hoje pouco mais conserva do que o nome. Fazem greve pela garantia de um futuro! 

De facto, Crato tem razão quando diz que somos reféns, engana-se é na escolha do sequestrador! 

E em relação aos reféns: não são só os alunos; são os alunos, os professores, os encarregados de educação, os pais, os avós, os desempregados, os precários, os emigrantes forçados... Os reféns são todos aqueles que, em Portugal, hipotecam presentes e futuros para satisfazer a "porra" de uma entidade que parece não saber que nós não somos números mas sim pessoas! 

Se há momentos para ser solidária, este é um deles! Estou convosco* 

Inês Gonçalves

No dia 17, à mesma hora do exame ...

recebido via e-mail:

Colegas,
sem professores não há Educação!

Em inúmeras escolas as greves às reuniões de avaliação têm sido um êxito devido à iniciativa e mobilização da classe e de diversos colegas que se dispuseram autonomamente a organizá-la. Desta forma construiu-se também a unidade entre todos os professores, sindicalizados ou não, efetivos ou precários. É decisivo para a classe docente prosseguir este caminho! 

Daquela forma deram-se assim os primeiros passos para travar os famigerados planos deste governo ao serviço da troika e dos banqueiros - de despedimento e aumento do horário de trabalho e da "mobilidade". No ano passado, milhares de professores com 5, 10 ou mais anos de serviço já foram despedidos. Há anos que se mantêm o congelamento das carreiras e o roubo salarial. 

Ao contrário da demagogia de Passos Coelho, Crato e Cavaco Silva, o que estes realmente temem é a lição e exemplo que pode constituir a greve dos professores do dia 17 para todos aqueles milhões de portugueses (pais e alunos...) que são vítimas do empobrecimento que a troika nos está a impor e que nos está a levar à situação da Grécia! 

É possível a derrota do governo da precariedade, desemprego e empobrecimento! Discutir e organizar a luta na base e escolas, alargar a nível concelhio e região aquela auto-organização, lutar para que as assembleias de base decidam sobre o futuro da luta... é este o caminho! 

No dia 17, à mesma hora do exame, pelas 8,15h, façamos em cada escola reuniões amplas de debate e mobilização pelo prosseguimento da luta! 
Na manifestação de sábado, dia 15, no M. Pombal pelas 14,30 vamos demonstrar a unidade da classe! 
Participa com o Movimento 3Rs! 14,30h junto ao DN, na Av. da Liberdade!

13/06/13

Santana Castilho hoje, na Antena 1


o ditadorzinho das birras
Antena Aberta 
O ministro da educação garante que os professores vão vigiar os exames marcados para segunda-feira, dia de greve. O governo já deu orientações às escolas nesse sentido, enquanto recorre para o Tribunal Central Administrativo da decisão do colégio arbitral.
Primeira Emissão: 13 Jun 2013
Duração: 55m 
 ouvir aqui
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Acabei de ouvir, gravei, transcrevo a intervenção de SANTANA CASTILHO: fantástica, lúcida, contundente, inflamante -- a divulgar, absolutamente!!

Jornalista: Como é que observa todo este diálogo que houve entre ministério e sindicatos a propósito da greve de 2ª-feira , nas últimas semanas?

«O diálogo entre os sindicatos e o ministério veio muito tarde. A educação e a escola pública há muito tempo que têm sido alvo de uma perseguição feroz por parte deste governo completamente incompetente.
Em minha análise, os sindicatos cometeram um erro ao circunscreverem os motivos pelos quais decretaram (finalmente!, em minha opinião)  a greve,  à questão da mobilidade especial e das 40 horas. O problema é muito mais grave do que isso. As razões são muito mais fundas e duram há muito tempo

Nós temos um governo que, em meu entender, tem feito autêntico terrorismo social. E os professores e os funcionários públicos foram, em minha análise, as duas classes mais marcadas por isso. Os professores têm sido humilhados como nenhuma outra classe profissional o foi. 
Os professores fazem esta greve, porque têm um receio legítimo sobre a sobrevivência do ensino público. Porque, na prática, os quadros de nomeação definitiva foram completamente pulverizados. Os professores rejeitam a vulgarização da precariedade como forma de esmagar salários, que tem sido, de facto, a política dominante deste governo em relação a toda a gente.
Aquilo que o governo quer fazer ao funcionalismo público, ele faria aos privados se pudesse! E, para isso, mente despudoradamente pela boca do ministro da educação.

Quando o ministro da educação vem, como veio à televisão, com falinhas mansas, dizer que ele até tinha vinculado 600 professores no último concurso, mentiu despudoradamente. Como se os portugueses fossem estúpidos! Aquilo que ele fez foi um despacho para uma pré-vinculação de 600 professores contratados - dos 15 mil que já despediu no último ano! - dos 28 mil que, desde que chegou ao ministério, liquidou, varreu do sistema! O que ele fez foi, no mesmo despacho, abrir 600 vagas, mas não falou das 12 mil que fechou na mesma altura! E, por outro lado, estas 600 vagas, de momento, não vincularam ninguém. Só em Setembro, se os professores arranjarem uma escola onde ficar é que passarão a estar vinculados. E é óbvio que não vão arranjar! Ou, pelo menos, a grande maioria não vai arranjar, de facto, vaga em escola nenhuma.

Concretamente em relação à greve, àquilo que a vossa abertura do programa noticiou, de que os professores teriam sido convocados massivamente (pelo júri nacional de exames) para estarem presentes no próximo dia 17:
em minha opinião, o júri nacional de exames não tem nenhum vínculo hierárquico com os directores das escolas nem com os professores, para fazer isso.
Aquilo que foi feito foi uma 'orientação'. É esse o título de um e-mail que chegou às escolas: uma 'orientação'. Ora isto, em meu entender, não obriga as escolas. Isto denota uma grande cobardia por parte de um ministro que, além de mentiroso, de facto, é cobarde. Incumbe um júri nacional de exames de tomar uma medida que vale o que vale. 
Os professores em greve não têm que comparecer na escola.
Aliás, é ridículo - e é desonesto, em minha opinião - que um ministro e um governo que aceitam um colégio arbitral, como está na lei, para decidir sobre os 'serviços mínimos', depois da decisão do colégio que eles aceitaram!! , venha agora apelar para um tribunal administrativo porque, depois de a decisão ser «Não há serviços mínimos», então agora ela não vale! Quer dizer, isto é de uma desonestidade, de uma brincadeira contra uma coisa que é séria, que são as leis deste país, contra uma Constituição... - e isso de que me fala, através do júri nacional de exames, não é mais do que um expediente para causticar a totalidade dos professores! 
Quer dizer, em resumo: o que é que ..»

Jornalista: Funciona como  instrumento de pressão?
«Funciona como um instrumento de pressão, mas um  instrumento de pressão deplorável, de gente que não é honesta e que não sabe perder. O governo perdeu, de facto. Este governo desde o princípio que desrespeita as leis do país. Um governo que, por várias vezes - duas, pelo menos! - em instrumentos seriíssimos e importantes como o Orçamento, é corrigido pelo Tribunal Constitucional..
É um governo que sistematicamente tenta, de maneira clandestina, governar como se o país estivesse em 'estado de excepção', que ultimamente tem recebido o suporte do senhor presidente da República. É curioso verificar que uma pessoa que, no estrangeiro, nunca se refere às questões internas do país, ontem, em Estrasburgo, permitiu-se - no estrangeiro - falar sobre a greve dos professores ... »

Jornalista: Precisamente, e deixar um recado aos professores: "que não gosta de ver os jovens utilizados como meios para alcançar fins"..

«Pois, mas eu teria preferido ver o presidente da República a não gostar de ver os sistemáticos ataques que este governo tem feito à escola pública e aos professores! Mas enfim, o senhor presidente da República naturalmente que é livre de fazer aquilo que entender, tal como eu sou livre de ler o significado das coisas que ele faz.
De facto, os professores estão em greve. Não defendem fundamentalmente a sua mobilidade especial. Aliás, a 'mobilidade especial' é uma figura que se aplica aos chamados 'professores do quadro'. Mas a questão não é essa! É que nós, depois de o ministro Crato ter varrido do sistema quase 30 mil professores, temos agora 13 mil e tal professores que estão contratados; que são essenciais nas escolas portuguesas e que estão em risco de, em Setembro, estarem na rua!
E depois não é (só) isso! É que esta gente, sistematicamente e porque tudo tem sido mole e tem sido frouxo, tem feito aquilo que eu qualifiquei no início da minha intervenção como terrorismo social
É isso que está aqui em causa. É isso que se joga! É defender uma escola pública para todos os portugueses! Que é um valor constitucional, é um valor civilizacional, é um instrumento da soberania do país! E impedir que se instaure uma escola privada para os ricos e uma escola limitada para os pobres. É esta a questão! É isto que os portugueses têm que perceber e é por isto que os professores estão em luta!»

Jornalista: É então isso que está em causa?

«É isso que está aqui em causa, de facto, em minha análise, E ESPERO BEM QUE OS PROFESSORES PORTUGUESES PERCEBAM A RESPONSABILIDADE QUE TÊM NESTA ALTURA. Foi tarde, mas finalmente, parece que alguma coisa está a acontecer neste país!»

12/06/13

Professores, O MOMENTO DA VERDADE

recebido via email: 

A 17 DE JUNHO SOMOS NÓS QUE “VAMOS A EXAME ”


DEPOIS DE 17 DE JUNHO 
TEREMOS O QUE ESCOLHERMOS 


de Kirchner
COLEGAS, confrontados com uma “pérola” que dá pelo nome de Mensagem n.º 8 do JNE, o dia 17 de junho tornou-se para todos (mesmo todos) o dia da afirmação ou do “achincalhamento” definitivo da classe docente.

Não pode haver qualquer convocatória que interfira com o direito à greve constitucionalmente definido. Uma convocatória, seja de quem for, não é requisição civil nem configura serviços mínimos. Portanto, só não faz greve quem não quer
Só se efetuarão exames se NÓS quisermos. O dia 17 servirá para “separar o trigo do joio”.

No dia 17, com todos convocados, saberemos quais são aqueles que avalizam as medidas que pretendem “espezinhar” os professores e subverter completamente o ensino público em Portugal.

No dia 17 não haverá contratados ou efetivos ou QZP’S. Seremos todos apenas PROFESSORES, sem qualquer distinção de vínculo ou função exercida, desde quem leciona a quem dirige.

Depois do dia 17 teremos aquilo que NÓS, OS PROFESSORES ESCOLHERMOS. No dia 17 cada um de NÓS terá que fazer uma escolha. 
Mas depois do dia 17, cada um terá que viver com a escolha que fizer nesse dia. Cada um terá que ter “arcaboiço” para aguentar com as consequências menos boas que advenham da sua própria escolha. E nenhum dos que escolherem pelo facilitismo e pelo “deixa andar que não é nada comigo”, poderá no futuro esperar qualquer gesto de compreensão ou apoio por parte dos que não viram a cara à luta, quando se virem sem horário, sem emprego, sem rendimento ou com o rendimento reduzido, ou quando os mandarem “requalificar-se”. 

A HORA DA ESCOLHA SERÁ NO DIA 17 

João M. Aristides Duarte