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31/10/15

"sem perdão"

retirado do fb
30/10/2015

por António Pinho Vargas 

de Helena Almeida, "negro agudo"
O que é que mais detesto em Cavaco? Nem sequer é propriamente o político, em sentido estrito. Mas antes o facto de sermos todos, sobretudo os nascidos nos seus consulados de 80 e 90, "filhos de Cavaco". 
Entendam-me, por favor.
Que valores transmitiu?
Que formas insidiosas conseguiu fazer penetrar nas nossas formas de vida?
Que estragos provocou?

O mais feroz individualismo, a ideia fixa de conseguir sucesso a qualquer preço, a corrosão do carácter, a razão profunda que conduziu muitos às maiores vigarices, aos maiores assaltos aos bancos e ao enriquecimento acima de tudo o resto, a incultura colossal, a ausência de qualquer pensamento de amizade, de amor, de solidariedade, de respeito pelo outro, sempre pronto a ser reduzido a nada à cotovelada, a cedência aos interesses mais mesquinhos como regra, tudo isto se espalhou na nossa sociedade como um vírus, como uma doença mortal, como uma desgraça colectiva, da qual apenas sobrevivem e mal aqueles que tiveram por trás de si, ou dentro de si, uma força quase impossível de passar à prática perante uma tal intoxicação semi-voluntária, semi-imposta sem nos darmos conta.
Em suma, uma profunda crise moral, que, concedo, surgiu em muitos lugares do mundo a par com o triunfo do neoliberalismo, ideologia que apenas deixa livre a possibilidade de querer vencer, enriquecer, humilhar e ignorar tudo o resto e todos os vencidos.

É uma ideologia nefasta de todos os pontos de vista - nem na economia funcionou dada a sua ligação intrínseca à crise de 2008, a crise mundial do dinheiro virtual, do crédito a 0%, do endividamento tresloucado com o qual só alguns lucraram, crédito que, antes e depois de ser considerado mal-parado, provocou em 3 ou 4 décadas o aumento brutal das desigualdades no mundo.

Não a inventou mas em Portugal foi o seu introdutor e principal instigador até hoje. Desta herança nunca poderá ter nenhuma espécie de desculpa ou de atenuante.
Sem perdão.

23/10/15

do lado de cá ..

retirado do fb
postado em 22/10/2015

por Rui Silvares

- A propósito de uma coisa indigna (o discurso do Cavaco ainda há bocadinho)

de Rui Silvares
Os apoiantes da solução cavaquista deveriam tentar perceber como é que são vistos os seus campeões da estabilidade do lado de cá. [o meu lado, também, esclareço ..]

Passos Coelho é um primeiro ministro que se esqueceu de pagar impostos, que não sabia que devia pagar segurança social, que não se lembrou de declarar na assembleia da república que trabalhava numa certa empresa e, portanto, não era deputado em regime de exclusividade. Este gajo levou para o governo Miguel Relvas! Que agora faça cara de pau e apareça com voz arrastada a fingir pose de estadista não apaga tanta falha no seu passado recente e mostra bem a amplitude ética do seu comportamento como cidadão. 

Precisam também de perceber que Paulo Portas é olhado como sendo um vigarista encartado e como uma espécie de cobra cascavel. Ex-anti europeísta convicto, foi responsável por uma crise das antigas quando se demitiu irrevogavelmente para depois ser promovido a vice primeiro ministro. Por muito menos do que isto há putos que levam valentes bofetadas no focinho. Foi também responsável por alguns negócios mais do que obscuros, como é o caso da compra dos submarinos, para citar apenas um. 

É nestes dois cromos que depositamos toda a esperança de boa governação e estabilidade política e social do nosso país? Porquê? Porque são suficientemente sabujos para dobrar a espinha sempre que a voz do dono os manda deitar ou pôr-se de quatro? 

Finalizo com um rápido esboço do retrato de Cavaco (muitos outros poderiam aqui ser chamados mas estes 3 chegam para mostrar o nojo que representa esta gentalha). 

Cavaco, o genial economista, o estadista de visão, não passa de um salazarito de meia tigela. Inculto, de baixo nível intelectual, incapaz de pensar para lá do óbvio, mesquinho, sem visão nem respeito pela Democracia, é o pior cancro que jamais se agarrou a este país. Cavaco mostrou hoje, com o discurso inqualificável que teve o desplante de fazer, que tem todos os tiques de um ditador de república das bananas. Cavaco tem de provar que é honesto e não é capaz pelo simples facto de ser desonesto. 

O que os apoiantes da direita têm de perceber é que os seus campeões, vistos deste lado, têm um aspecto repelente.

A ameaça de um sequestro

no Expresso
23.10.2015

por José Soeiro

Cavaco tem toda a legitimidade para indigitar Passos Coelho como primeiro ministro. É claro que isso contraria as condições que o próprio estabeleceu para dar posse a um governo: que fosse “estável e duradouro”. Um governo da Direita destinado a durar uma semana e a ser chumbado no Parlamento é tudo menos “estável e duradouro”. Mas o presidente tem legitimidade para fazer durar a encenação mais uns dias.

Cavaco tem ainda razão noutro ponto do seu discurso: é ao Parlamento e aos deputados que cabe, em consciência, apreciar o programa de Governo. Ou seja, não lhe cabe a si. A intervenção de Cavaco foi por isso boa para um líder de claque. Decididamente, não é uma intervenção de um Presidente da República.

O discurso presidencial foi, na verdade, um insulto à democracia. Cavaco andou uma semana a apelar ao compromisso e ao diálogo, mas falou ao país de fantasmas e fez uma "declaração de guerra". Em resumo, o voto de um milhão de pessoas do nosso país não conta: a CDU e o Bloco de Esquerda seriam uma espécie de excrescência da democracia, vedados do direito de fazer parte de qualquer solução governativa. Porquê? Porque Cavaco não gosta. Além disso, os mercados talvez se apoquentem e a Europa não deve apreciar gente desta nos seus salões. A Europa é, na boca de Cavaco, um argumento contra a democracia.

A intervenção presidencial foi ainda mais longe. Cavaco diz que “tudo fará” para impedir soluções que dêem “sinais errados” àqueles que, não votando, devem mandar: “as instituições financeiras, os investidores e os mercados”. Percebe-se a insinuação: o Presidente não dará posse a um Governo chefiado por Costa, mesmo que este tenha o apoio da maioria dos deputados que o povo elegeu. Ou seja, o povo que se lixe. O que Cavaco anunciou foi um sequestro da democracia.

A mensagem desesperada de Cavaco não foi um discurso presidencial: é o testemunho de uma direita em pânico por perder o poder. Mas teve um mérito. Onde antes houvesse divisões, Cavaco parece ter unificado. Os efeitos de um discurso tão desvairadamente sectário podem afinal acabar por virar-se contra o feiticeiro. Quem apostou na existência de deputados trânsfugas que permitissem aprovar um Governo da Direita, pode puxar da cadeira. Depois desta mensagem, rejeitar o governo de Passos e Portas não é apenas uma escolha de quem acha que é preciso fazer valer a maioria de esquerda. É uma questão básica de democracia e de liberdade.

07/03/15

Cavaco & Passos Coelho

retirado do facebook

por Carlos Esperança

6/3/2015




Quem…

desconheça que, para ser tão honesto como Cavaco Silva, é preciso nascer duas vezes; ignore a limpidez com que ele e a filha acertaram a aquisição e proveitosa alienação de ações da SLN, num gesto de ternura familiar; duvide da boa fé com que deixou a sua Casa Civil envolver-se nas escutas inventadas ao PM de turno; condene a silenciosa fidelidade a Salazar e o cuidado posto na elaboração de uma ficha, na Pide, a alertar para a pouco recomendável mulher do sogro, com quem, por pudor e patriotismo, ele e a sua excelsa esposa não privavam; não aprecie, por má fé, o desprezo por Saramago, motivado por sólidos princípios religiosos e alto sentido de Estado; não acompanhe as explicações da sua vida transparente através do faceboock e, sobretudo, dos silêncios,

…ainda há de julgar que a Casa da Coelha esteve na base de alguma fuga ao fisco ou negócio de favor.

Num país de cobiçosos, onde a marquise na Travessa do Possolo foi notícia, há quem não perdoe a modesta casinha de férias na praia da Coelha, com três pisos, seis quartos (cinco são duplos) e seis casas de banho, piscina e 1600 metros quadrados de área descoberta, cuja matriz não consta nem dos registos da Conservatória, nem do cartório notarial de Albufeira. Absorvido com a Pátria até se esqueceu do cartório onde fez a escritura.

A exigência ética de dissolver a A.R., questão de higiene para exonerar Passos Coelho e evitar a putrefação do regime, começa a demorar e teme-se que a reputação do PR seja arrastada num mar de lama e perca a consideração dos 20% de portugueses que confiam nele. Cavaco Silva devia ser avisado das tropelias do PM que jurou manter irrevogável.

O Governo perdeu autoridade moral para exigir impostos e prestações para a Segurança Social, enquanto a delinquência fiscal, ao mais alto nível, for considerada um assunto do foro privado. É ao inamovível e impoluto PR que cabe a desinfeção do Palácio de S. Bento cuja ocupação pouco recomendável se deve a uma apólice presidencial.

08/01/15

"O íncola de Belém"

no Público,
07/01/2015 

por Domingos Lopes *

de Rui Silvares
Doutorou-se em Economia Pública. O que dele se sabia até ao 25 de Abril não passava das paredes de sua casa. Há fotografias dele na tropa.

Singrou no PSD. A sua pulsão pela política pura e dura tornou-se tão incontida que no Congresso do PSD na Figueira da Foz maquinou a teia que impediu a chegada ao leme do partido de João Salgueiro, hoje banqueiro, como é tradição e convém aos do arco da governação.

Logrou encarrapitar-se no poleiro mais alto do partido durante uma década, tal era a sua ambição política...

Depois de ter o partido na mão, era e não era do PSD. Foi enquanto o ajudou a tecer o sonho de viver da política, desde que fosse no topo da pirâmide.

Criou uma corte de sacristãos de caruncho por dentro e reluzentes por fora, quase todos, hoje, a contas com a justiça que os vai deixando girar com as suas condecorações ao peito.

O chefe deixou-os a todos sem uma palavra que se ouvisse. Já não lhe serviam. Gabava-se que não lia jornais, nem errava, nem tinha dúvidas. E assim governou durante quase dez anos.

Provinciano, inculto, quis fazer crer aos portugueses que era o timoneiro do capitalismo popular. Criou o mito que podíamos viver com o que não se tinha e sobretudo com o que havia de chegar da CEE. Era uma espécie de tio rico a esbanjar presentes. Deu grandes machadadas no tecido produtivo português. Mas que importava se prometia a festa e a riqueza… Ajudou a entregar o país à burguesia compradora, parasitária, a que vende o que importa.

O PSD viu-o como pertencendo à estirpe dos homens providenciais. Dava ao partido a sua razão de ser: o poder. Estavam contentes um com o outro.

As maiorias eleitorais davam-lhe essa consagração. Apresentava o ar de quem fazia um frete, mas não largava o cargo, quase dez anos; só quando os acontecimentos o levaram a deixar o PSD a fazer contas, zarpou depois do longo período do tabu. Sim, ele, modesto e humilde, tinha um tabu que alimentou meses e meses…para se despedir com ela fisgada.

Passou a escrever, de vez em quando, o contrário do que fez, mas como só pensava no cargo, ei-lo a candidatar-se a PR. Com as manhas de politicão batido encostou-se ao PS, jurando-lhe cooperação estratégica, vezes sem conta, como aquele bem conhecido apóstolo da última ceia.

Tinha em mente ver a estrada limpa para o seu trajeto. E cooperou com o PS de Sócrates.

Largou-o quando já dele não precisava. Havia que voltar às origens e encostar ao PSD, o instrumento que lhe serviu de modo de vida, mais do que de convicção.

Quando rebentou o escândalo do BPN por lá andou ao rés da escandaleira onde se cruzou com uns tantos amigos, discípulos e delfins. E fez bons negócios.

Na campanha de 2011 de Belém declarou que era preciso alguém nascer duas vezes para ser mais honesto que ele. Dito isto de cima da sua magreza intelectual tudo ficou como estava e deixou a venda de ações do BPN encoberta naquela tirada bacoca.

Rivaliza com Tomás, o marinheiro –“ é preciso decidir com conhecimento de causa”, “Portugal tem à sua frente um longo percurso”… Verdadeiras pérolas.

O homem parece o que não é. Sabe o que quer. É determinado. Vingativo. Tem o governo na mão. Para impedir uma mudança vai continuar obstinadamente a levá-lo ao colo. Um Presidente que não preside. Estafa-se a defender os credores e a pedir paciência aos portugueses.

Disse, na mensagem de Ano Novo, que vêm aí as eleições, mas tudo deve ficar na mesma. Para que servem as eleições?

Um homem carcomido pela ambição. Um político que se diz contra a política, mas o que mais tempo esteve no poder ao mais alto nível…

*Advogado

06/01/15

"O discurso sem qualidades "

no Público,
06/01/2015

por José Vítor Malheiros 

Nunca como agora nos fez tanta falta uma democracia, um governo nacional e um Presidente. 
A mensagem de Ano Novo do Presidente da República continha uma novidade, um apelo ao voto no PSD, uma tentativa de dissuasão no voto no PS e a negação das eleições legislativas como geradoras de alternativas de governação.

de F. Botero, La Muñeca
A novidade consistiu no elogio público aos partidos e aos políticos (“Rejeito em absoluto uma ideia demagógica e populista segundo a qual os partidos e os seus dirigentes se alheiam dos interesses do país e das aspirações dos cidadãos”), em oposição ao texto e subtexto da maioria das suas intervenções políticas, em que “os políticos” são sempre identificados como parte do problema. É estranho ver Cavaco atacar a “ideia demagógica e populista” de que foi um dos principais autores, cultores e fautores, mas é melhor tarde que nunca.

O apelo ao voto no PSD, discretamente camuflado, consistiu num rasgado elogio da acção do Governo actual, na proclamação das mesmas melhorias imaginárias que o Governo tem alardeado e na ênfase na necessidade de prosseguir a mesma trajectória (“A economia está a crescer, a competitividade melhorou, o investimento iniciou uma trajectória de recuperação e o desemprego diminuiu. É preciso criar condições políticas para que esta tendência se reforce no ano que agora começa”), em mais um exemplo da falta de isenção partidária em que Cavaco tem sido pródigo.

A dissuasão no voto no PS consistiu na afirmação de que o país corre o risco de regressar à situação vivida no final do último Governo Sócrates e de que o pedido de financiamento à troika se deveu apenas a razões internas (“Portugal não pode regredir para uma situação semelhante àquela a que chegou em princípios de 2011, em que foi obrigado a recorrer a auxílio externo de emergência”), em mais um exemplo de uma leitura simplificada da realidade e de um sectarismo incompatível com a função que ocupa. O alerta sobre as promessas eleitorais (“Há que evitar promessas demagógicas e sem realismo”) vem no mesmo sentido, não podendo deixar de ser lido senão como uma admoestação preventiva ao PS, já que o cúmulo de promessas eleitorais não cumpridas pertence à ultima campanha eleitoral do PSD, sem que ele tivesse sido objecto de reparo presidencial.

A menorização das eleições legislativas consistiu na mensagem sobre a necessidade de um compromisso pré-eleitoral entre partidos (“Seja qual for o resultado eleitoral, o tempo subsequente à realização de eleições será marcado por exigências de compromisso e de diálogo”, “Não é só no dia a seguir às eleições que se constroem soluções governativas estáveis, sólidas e consistentes”), que, aliada à afirmação da necessidade de prosseguimento das mesmas políticas, pretende sublinhar que não existe qualquer possibilidade de mudar o rumo da governação, sejam quais forem os resultados eleitorais. Se quisesse apelar à abstenção em massa, Cavaco não poderia ter feito melhor. Conhecendo as posições dos partidos à esquerda do PS, que, na opinião de Cavaco, não “asseguram o crescimento económico”, é clara a mensagem: no seu discurso de Ano Novo, o PR apela a um acordo PS-PSD prévio às eleições, que apoie um futuro governo que prossiga a mesma política do actual, e aconselha que entre os dois partidos não haja “crispações e conflitos artificiais”. Nada que espante. Cavaco nunca aprendeu que é o Presidente de todos os portugueses e não é agora que vai aprender.

Todo o discurso de Cavaco é uma arenga contra a ideia de alternativa. E este seria o aspecto mais relevante da alocução do supremo magistrado da nação não se desse o caso de o discurso ser também uma defesa da supremacia dos interesses estrangeiros sobre os interesses nacionais. Ao dizer que “Tal como os outros países da zona euro, Portugal está sujeito às exigências de disciplina orçamental e de sustentabilidade da dívida pública” e ao não referir o dever ou sequer a possibilidade de discutir, contestar, alterar ou recusar as exigências iníquas do directório da União Europeia, Cavaco, no mesmo discurso em que fala do “interesse nacional”, submete-o sem uma hesitação aos ditames dos interesses financeiros.

Não há, na mente de Cavaco, uma ideia de país que não seja servil perante os grandes. Não há, na imaginação de Cavaco, uma ideia de estratégia internacional que não seja a obediência. Não há, no sentimento de Cavaco, um lugar para o simples patriotismo.

17/05/13

aos cidadÕES !

o presidente de todos os cidadões!
É.. Para além de gagá e dado a visões, o presidente Aníbal dá erros de português .. inadmissíveis! Ora vejam e prestem atenção: depois de começar por acertar na palavra (!), diz CIDADÕES (nem mais!!!) - duas vezes na mesma frase!!!

E pergunto: não é isto razão (mais uma, a somar a inúmeras outras!) para IMPEACHMENT ou o que quer que lhe corresponda na Constituição Portuguesa?
Ou estamos condenados a aturá-lo até ao fim do mandato????!!!!!!!!
vídeo + prova aí abaixo:
http://www.publico.pt/multimedia/video/cavaco-confirma-inspiracao-de-n-sra-e-invoca-sao-jorge-2013515222830

09/04/13

um país «ligado ao ventilador»


António Arnaut apela à revolta cívica
na TSF,
Publicado ontem às 12:35 

António Arnaut apela à revolta cívica e democrática. 


Em declarações à TSF, o pai do Serviço Nacional de Saúde diz que é preciso mobilização, porque o povo não aguenta mais. Com a perspetiva de mais cortes no Estado Social, António Arnaut apela à manifestação, à revolta cívica e constitucional. Este socialista diz que é preciso garantir a dignidade dos portugueses, sublinhando que o povo já não aguenta mais num país que «está ligado ao ventilador». 

António Arnaut referiu-se também à posição do Presidente da República, considerando que Cavaco Silva não pode deixar que Pedro Passos Coelho mantenha a atual política. Para António Arnaut, Passos Coelho é um primeiro-ministro «insensível, incompetente e insensato». Ele é o verdadeiro problema e o presidente tem de o travar, considera o pai do Serviço Nacional de Saúde. Arnaut está convencido que a confiança manifestada por Cavaco Silva no Governo está apenas relacionada com as negociações que vão acontecer no final desta semana em Bruxelas.

ouvir aqui: http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=3153303

07/03/13

e não se pode .. impeachá-lo?!!

.. E, digam-me lá,
POR QUE É QUE ESTE (.. ? ..) NÃO SE DEMITE ?!
E o Relvas, e o Coelho, e o Gaspar, e o Crato, e etc?

Nahhh (..), eu respondo:
'mamistas' AGARRADOS AO TACHO enquanto a gente deixar,
gente sem vergonha e sem dignidade, pois que outras justificações?


Tugaleaks: Cavaco a trabalhar

um dos do anedotário nacional ..


«Cavaco Silva anunciou nesta quinta-feira na sua página no Facebook que vai explicar no próximo sábado “como deve actuar um Presidente da República em tempos de grave crise económica e financeira, como aquela em que Portugal tem estado mergulhado nos últimos anos”.
O Presidente da República não dará, porém, essa explicação de viva voz.(...)
Acrescentou que “Há uma relação inversa entre o protagonismo mediático de um Presidente da República e a sua capacidade de influência nas decisões políticas.” Cavaco argumentou que ninguém sabe disso melhor do que ele, uma vez que ninguém tem a sua experiência de dez anos como primeiro-ministro a que se somam sete como chefe do Estado. » - notícia completa aqui

Pois. A gente viu / está ver como ele é digno de respeito, confiança, etc .. O SEU, NÃO É EXEMPLO PARA NINGUÉM! E as 'explicações', está claro, dispensamo-las!
.

Lili Caneças em versão masculina, ou o regresso de Américo Tomás


contrariando a alegada LEGITIMIDADE,
preâmbulo: 
Cavaco Silva foi reeleito para um segundo mandato como Presidente da República com 2.209.227 votos, num universo de 4.431.849 votantes. (...) estavam inscritos para votar nas eleições presidenciais de 23 de janeiro 9.435.050 eleitores  (fonte)
As eleições de hoje [23/01/2011] tiveram uma abstenção recorde em presidenciais - 53,37 por cento. Votos brancos e nulos também atingiram pico histórico. (fonte)
- fonte: (...) foram apontados "erros" e "incorreções" no apuramento, designadamente a omissão de cerca de 120 mil eleitores e 60 mil votos no distrito de Setúbal e a contabilização a mais de 40 mil eleitores e 20 mil votos em Viseu. [... estranho ... enquanto se retiram eleitores de Setúbal, acrescentam-se em Viseu .. o 'Cavaquistão', lembram-se?]



img daqui

O Presidente emitiu uns sons que não podem deixar de ser escutados

por Daniel Oliveira (www.expresso.pt)
daqui


O Presidente da República tem poucos poderes. O da palavra é um deles. E em momentos de crise deve usá-la com cautela mas eficácia. O Presidente saiu de casa ao fim de mais de um mês. Que se saiba, não estava de férias. Ia dizer que nós não lhe pagamos para viver num palácio. Pagamos-lhe para fazer política. Mas não é verdade, porque nós não pagamos ao Presidente da República. Num ato de enorme elevação institucional e respeito pelo cargo que ocupa, o Presidente preferiu ser pensionista, porque sempre recebia mais. Pouco, no entanto, já se sabe. Será que já aderiu aos "Indignados do Pinhal"?
Dizia eu que o principal poder do Presidente é a palavra. E Cavaco Silva foi finalmente à rua (o passe está pela hora da morte e, como se sabe, a reforma não é generosa). Na inauguração duma moagem e usou-a finalmente. [aqui] Primeiro, explicou o seu silêncio. Não quer "protagonismos mediáticos" que, diz, são "inversamente proporcionais" à capacidade de um Presidente "influenciar as decisões tomadas por um País". Cavaco dá-nos sempre a entender de que quando não parece estar a fazer nada é porque está a fazer imensas coisas. Nós é que nunca percebemos o que faz exatamente. Até porque sempre que toma decisões elas são ou inconsequentes ou redundantes ou as duas coisas em simultâneo - como quando enviou para o Tribunal Constitucional o orçamento que já tinha sido enviado pela oposição com dúvidas que não tinha tido no orçamento anterior. Mas devemos ter confiança no seu mutismo. "Ninguém tem a experiência que eu tenho", explicou. Assim como nunca se engana e qualquer um tem nascer duas vezes para ser mais sério do que ele. E, falta acrescentar, ainda está para vir alguém mais modesto do que Aníbal Cavaco Silva.
Falou para dizer coisas que marcam a vida política portuguesa e são um contributo fundamental para devolver confiança aos portugueses. Sobre a crise, disse que "só poderá ser vencida com a ajuda dos empresários". Uma afirmação que abala todas as falsas convicções que muitos têm em relação à nossa situação económica. Sobre o alargamento dos prazos de pagamento dos empréstimos disse que foi "um passo positivo ". Defendeu que a União Europeia deve "passar das palavras aos atos", o que fez tremer Bruxelas perante tanta ousadia política.
Mas foi sobre as manifestações que teve as palavras mais contundentes: "as vozes que se fazem ouvir não podem deixar de ser escutadas". É, diz-se, uma das principais características do que se faz ouvir: não poder deixar de ser escutado. Diria que acontece o mesmo ao se faz ver. Não pode deixar de ser visto. O que se faz cheirar consta que também não pode deixar de ser cheirado. E, como dizia o saudoso César Monteiro, assim sucessivamente.
Das duas uma: ou o Presidenta fala muito e no meio vai dizendo umas coisas importantes ou fala pouco e quando fala marca a vida política. Cavaco fala pouco para, quando fala, percebermos porque estava calado: não tem rigorosamente nada para dizer. Na realidade, eu próprio tenho defendido que, perante a crise social profunda que vivemos, o presidente deveria falar. Depois ele fala e eu próprio me pergunto o que raio esperava que o campeão nacional da banalidade dissesse. Se não deveríamos tratar o Chefe de Estado como um mero pensionista de luxo, retirado da política e a viver num lar em Belém.
Nesta crise, o Presidente até poderia ter uma função fundamental para a credibilidade da política. Podia fazer presidências abertas, por exemplo. Ou ajudar a dirimir conflitos sociais. Ou falar em nome de um País desesperado, deprimido e revoltado. Ouvir as pessoas, dar voz e rosto aos seus problemas. Mas para isso era fundamental que tivéssemos mesmo um Presidente. Alguém que sabe escutar e ver o que não pode deixar de ser escutado e visto.
Se o atual Presidente tem experiência política - que lhe permite sempre sobreviver sem correr qualquer risco -, nós, ao longo de várias décadas de convivência, também a temos. E sabemos que o seu desígnio político se resume em três palavras: Aníbal Cavaco Silva. O resto vem sempre depois. E, por agora, caladinho é que se está bem. Se é para desconversar, também me parece.

Daniel Oliveira

07/01/13

Os fantasmas

.
de Paula Rego, Salazar vomitando a pátria- ou será Gaspar?


-- recebido por e-mail, um texto que recomendo..

por Luís Manuel Cunha *
in “Jornal de Barcelos” de 10.10.2012 

 Os fantasmas
Esta coisa de escrever crónicas “é um jogo permanente entre o estilo e a substância”. Uma luta entre “o deboche estilístico” do gozo da escrita e “a frieza analítica” do pensamento do cronista. Por isso, enquanto cidadão, só posso ver este governo como uma verdadeira praga bíblica que caiu sobre um povo que o não merecia. Mas, enquanto cronista, encaro-o como uma dádiva dos céus, um maná dos deuses, “um harém de metáforas”, uma verdadeira girândola de piruetas estilísticas.

Tomemos como exemplo o ministro Gaspar. Licenciado e doutorado em Economia, fez parte da carreira em Bruxelas onde foi director do Departamento de Estudos do BCE. Por cá, passou pelo Banco de Portugal, foi chefe de gabinete de Miguel Beleza e colaborador de Braga de Macedo. É o actual ministro das Finanças. Pois bem. O cronista olha para este “talento” e que vê nele? Um retardado mental? Uma rábula com olheiras? Um pantomineiro idiota? Não me compete, enquanto cidadão, dar a resposta. Mas não posso deixar de referir a reacção ministerial à manifestação de 15 de Setembro que, repito, adjectivava os governantes onde se inclui o soporífero Gaspar, como “gatunos, mafiosos, carteiristas, chulos, chupistas, vigaristas, filhos da puta”. Pois bem. Gaspar afirmou na Assembleia da República que o povo português, este mesmo povo português que assim se referia ao seu governo, “revelou-se o melhor povo do mundo e o melhor activo de Portugal”! Assumpção autocrítica de alguém que também é capaz de, lucidamente, se entender, por exemplo, como um “chulo” do país? Incapacidade congénita de interpretar o designativo metafórico de “filhos da puta”? Não me parece. Parece-­me sim um exercício de cinismo, sarcástico e obsceno, de quem se está simplesmente “a cagar” para o povo que protesta. A ser assim, julgo como perfeitamente adequado repetir aqui uma passagem de um texto em forma de requerimento “poético” de 1934. Assim: “A Nação confiou-­lhe os seus destinos?... / Então, comprima, aperte os intestinos. / Se lhe escapar um traque, não se importe… / Quem sabe se o cheirá-­lo nos dá sorte? / Quantos porão as suas esperanças / Num traque do ministro das Finanças?... / E quem viver aflito, sem recursos / Já não distingue os traques dos discursos.” [+  aquiProvavelmente o sr. ministro desconhecerá a história daquele gajo que era tão feio, tão feio, que os gases andavam sempre num vaivém constante para cima e para baixo, sem saber se sair pela boca se pelo ânus, dado que os dois orifícios esteticamente se confundiam. Pois bem. O sr. ministro é o primeiro, honra lhe seja concedida, que já confunde os traques com os discursos. Os seus. Desta vez, o traque saiu-lhe pelo local de onde deveria ter saído o discurso! Ou seja e desculpar-me-ão a grosseria linguística, em vez de falar, “cagou-­se”. Para o povo português. Lamentavelmente.


Outro exemplar destes políticos que fazem as delícias de um cronista é Cavaco Silva. Cavaco está politicamente senil. Soletra umas solenidades de circunstância, meia-dúzia de banalidades e, limitado intelectualmente como é, permanece “amarrado à âncora da sua ignorância”. Só neste contexto se compreende o espanto expresso publicamente com “o sorriso das vacas”, as lamúrias por uma reforma insuficiente de 10 mil euros mensais, a constante repetição do “estou muito preocupado” e outros lugares-comuns que fazem deste parolo de Boliqueime uma fotocópia histórica de Américo Tomás, o almirante de Salazar. Já o escrevi aqui várias vezes. Na cabeça de Cavaco reina um vácuo absoluto. Pelo que, quando fala, balbucia algumas baboseiras lapalicianas reveladoras de quem não pode falar do mundo complexo em que vivemos com a inteligência de um homem de Estado. Simplesmente porque não a tem. Cavaco é uma irrelevância de quem nada há a esperar, a não ser afirmações como a recentemente proferida aquando das comemorações do 5 de Outubro de que “o futuro são os jovens deste país”! Pudera! Cavaco não surpreenderia ninguém se subscrevesse por exemplo a afirmação do Tomás ao referir-­se à promulgação de um qualquer despacho número cem dizendo que lhe fora dado esse número “não por acaso mas porque ele vem não sequência de outros noventa e nove anteriores…” Tal e qual.

Termino esta crónica socorrendo-me da adaptação feliz de um aforismo do comendador Marques de Correia e que diz assim: “Faz de Gaspar um novo Salazar, faz de Cavaco um novo Tomás e canta ó tempo volta para trás”. É que só falta mesmo isso. Que o tempo volte para trás. Porque Salazar e Tomás já os temos por cá.

P.S.: Permitam-me a assumpção da mea culpa. Critiquei aqui violentamente José Sócrates. Mantenho o que disse. Mas hoje, comparando-o com esse garotelho sem qualquer arcaboiço para governar chamado Passos Coelho, reconheço que é como comparar merda com pudim. Para Sócrates, obviamente, a metáfora do pudim. Sinceramente, nunca pensei ter de escrever isto. 

* Professor 

.

06/11/12

sim, a bem dizer, para que serve um PR cego, surdo e mudo?!

Público 
6/11/2012 

Por José Vítor Malheiros 


E se Cavaco Silva estivesse incapacitado? 

O silêncio do Presidente da República nas últimas semanas - e a extrema parcimónia das suas intervenções nos últimos meses - tem motivado as mais variadas interpretações, que vão do simples desejo de não estorvar a acção do Governo num momento difícil a uma singular manifestação de sageza. Marcelo Rebelo de Sousa considerou mesmo que o silêncio de Cavaco prestigiava a função presidencial, já que discutir as vacuidades que têm preenchido o discurso do Governo e o debate político, como a "refundação" do memorando da troika, seria "discutir o nada" e isso o Presidente não o deve fazer. A explicação é generosa, mas é excessivamente benevolente. [absolutamente leviana, diria eu ..]
Penso, pelo contrário, que, numa situação de extrema gravidade como a actual, apenas comparável a uma situação de guerra, onde à crise financeira e ao brutal empobrecimento de toda a população se somam uma crise política e uma crise de confiança sem paralelo nas instituições democráticas, seria natural e conveniente que o Presidente aparecesse e falasse. [óbvio!!!]  No entanto, Cavaco nem fala nem aparece. Seria normal que o Presidente nos viesse garantir que, apesar das dificuldades de entendimento que são conhecidas no interior da coligação, o Governo possui a estabilidade e a coesão necessárias para levar avante o seu trabalho e que ele se empenhará em que assim continue a ser. Seria natural que viesse garantir-nos que o regime democrático possui todas as ferramentas necessárias para garantir que esta crise será ultrapassada (com este Governo ou com outro), que o interesse do país e do povo será defendido, que a democracia não está em risco e que o futuro nos irá sorrir de novo. Seria natural que o Presidente mantivesse uma ronda sorridente de contactos partidários e tentasse facilitar entendimentos e que o fizesse também no ambito da concertação social. Seria natural que se dirigisse a jovens, a empresários e a desempregados, incitando-os a não desesperar e a apostar nas suas capacidades. Seria natural que se multiplicasse em contactos na União Europeia, avançando as suas dúvidas em relação à austeridade, que nos últimos tempos até têm vindo a ganhar adeptos. Seria natural que o Presidente nos dissesse também alguma coisa em relação ao orçamento de 2013, que os economistas consideram uma pilhagem sem precedentes nos seus instrumentos, um exercício de mistificação nos seus pressupostos e uma fraude nas suas conclusões. Seria natural que o Presidente fizesse, pelo menos, de rainha de Inglaterra e aparecesse e acenasse e sorrisse e dissesse que está tudo sob controlo, keep calm and carry on. Mas não. Cavaco não aparece, não fala, não se reúne e não carry on.
O que se passa com Cavaco então? Não sei, mas sei que Cavaco não está a fazer o que deve nem parece estar sequer a fazer aquilo que as suas ideias lhe ditariam. O que é preocupante. 
Estamos actualmente a viver um PREC da direita, não legitimado pelo voto, apostado em destruir o Estado social que levámos quatro décadas a construir e em privatizar o máximo de património do Estado. Um PREC apostado em conseguir um empobrecimento dos trabalhadores, para aumentar a margem de lucro das empresas e reduzir a capacidade reivindicativa da população. Um PREC disposto a reduzir a democracia a uma mera formalidade, de forma a garantir que esta gigantesca transferência de recursos para uma minoria não terá oposição. 
Neste pano de fundo, seria bom poder contar com alguém que assumisse como sua responsabilidade garantir a democracia. Será possível que Cavaco não o queira fazer e que, apesar de alguns tímidos protestos, se sinta totalmente sintonizado com o delfim Passos Coelho e a sua destruição do Estado e da democracia? Talvez. Mas é também possível que não o possa fazer por razões de saúde - o que explicaria algumas intervenções incoerentes (lembram-se das pensões?) e a razão por que a insólita forma de comunicação preferida do Presidente da República passou a ser o Facebook. 
A questão é que, numa situação de crise como a actual, os cidadãos têm o direito de saber se o Presidente é, ou não, capaz de assumir responsabilidades pesadas como poderão ser a demissão do Governo e as negociações para a formação de um novo executivo. E quem possa responder a esta inquietação tem o dever de a satisfazer. É a democracia, a dignidade do cargo e a dignidade da pessoa que o ocupa a exigi-lo. 
Segundo a Constituição, "compete ao Tribunal Constitucional (...) declarar a impossibilidade física permanente do Presidente da República, bem como verificar os impedimentos temporários do exercício das suas funções". Se é esse o caso, é imprescindível que as instituições democráticas assumam as suas responsabilidades, sem o que estaríamos perante um cenário de golpe de Estado. Se não é o caso, é urgente que o Presidente da República faça prova de vida.

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29/10/12

recebido via e-mail

por Nicolau Santos 
(Coluna de opinião do Semanário Expresso) 

Senhor Primeiro-ministro, depois das medidas que anunciou, sinto uma força a crescer-me nos dedos e uma raiva a nascer-me nos dentes. Também eu, senhor Primeiro-ministro. Só me apetece rugir!… 

O que o Senhor fez foi um Roubo! Um Roubo descarado à classe média, no alto da sua impunidade política! Por isso, um duplo roubo: pelo crime em si e pela indecorosa impunidade de que se revestiu. E, ainda pior: Vossa Excelência matou o País! 

Invoca Sua Sumidade, que as medidas são suas, mas o défice é do Sócrates! Só os tolos caem na esparrela desse argumento. 

foto daqui
O défice já vem do tempo de Cavaco Silva, quando, como bom aluno que foi, nos anos 80, a mando dos donos da Europa, decidiu, a troco de 700 milhões de contos anuais, acabar com as Pescas, a Agricultura e a Industria. Farisaicamente, Bruxelas pagava então, aos pescadores para não pescarem e aos agricultores para não cultivarem. O resultado, foi uma total dependência alimentar, uma decadência industrial e investimentos faraónicos no cimento e no alcatrão. Bens não transacionáveis, que significaram o êxodo rural para o litoral, corrupção larvar e uma classe de novos muitíssimo-ricos. Toda esta tragédia, que mergulhou um País numa espiral deficitária, acabou, fragorosamente, com Sócrates. O défice é de toda esta gente, que hoje vive gozando as delícias das suas malfeitorias. 

E você é o herdeiro e o filho predileto de todos estes que você, agora, hipocritamente, quer pôr no banco dos réus? 

Mas o Senhor também é responsável por esta crise. Tem as suas asas crivadas pelo chumbo da sua própria espingarda. Porque deitou abaixo o PEC4, de má memória, dando asas aos abutres financeiros para inflacionarem a dívida para valores insuportáveis e porque invocou como motivo para tal chumbo, o carácter excessivo dessas medidas. Prometeu, entretanto, não subir os impostos. Depois, já no poder, anunciou como excecional, o corte no subsídio de Natal. Agora, isto! Ou seja, de mentira em mentira, até a este colossal embuste, que é o Orçamento Geral do Estado. 

Diz Vossa Eminência que não tinha outra saída. Ou seja, todas as soluções passam pelo ataque ao Trabalho e pela defesa do Capital Financeiro. Outro embuste. Já se sabia no que resultaram estas mesmas medidas na Grécia: no desemprego, na recessão e num défice ainda maior. Pois o senhor, incauto e ignorante, não se importou de importar tão assassina cartilha. Sem Economia, não há Finanças, deveria saber o Senhor. Com ainda menos Economia (a recessão atingirá valores perto do 5% em 2012), com muito mais falências e com o desemprego a atingir o colossal valor de 20%, onde vai Sua Sabedoria buscar receitas para corrigir o défice? Com a banca descapitalizada (para onde foram os biliões do BPN?), como traçará linhas de crédito para as pequenas e médias empresas, responsáveis por 90% do desemprego? O Senhor burlou-nos e espoliou-nos. Teve a admirável coragem de sacar aos indefesos dos trabalhadores, com a esfarrapada desculpa de não ter outra hipótese. E há tantas!
Dou-lhe um exemplo: o Metro do Porto. Tem um prejuízo de 3.500 milhões de euros, é todo à superfície e tem uma oferta 400 vezes (!!!) superior à procura. Tudo alinhavado à medida de uns tantos autarcas, embandeirados por Valentim Loureiro. 
Outro exemplo: as parcerias público-privadas, grande sugadouro das finanças públicas. 
Outro exemplo: Dizem os estudos que, se V. Ex.ª cortasse na mesma percentagem, os rendimentos das 10 maiores fortunas de Portugal, ficaríamos aliviadinhos de todo, desta canga deficitária. Até porque foram elas, as grandes beneficiárias desta orgia grega que nos tramou. Estaria horas, a desfiar exemplos e Você não gastou um minuto em pensar em deslocar-se a Bruxelas, para dilatar no tempo, as gravosas medidas que anunciou, para Salvar Portugal! 

Diz Boaventura de Sousa Santos que o Senhor Primeiro-ministro é um homem sem experiência, sem ideias e sem substrato académico para tais andanças. Concordo! Como não sabe, pretende ser um bom aluno dos mandantes da Europa, esperando deles, compreensão e consideração. Genuína ingenuidade! Com tudo isto, passou de bom aluno, para lacaio da senhora Merkel e do senhor Sarkhozy, quando precisávamos, não de um bom aluno, mas de um Mestre, de um Líder, com uma Ideia e um Projeto para Portugal. O Senhor, ao desistir da Economia, desistiu de Portugal! Foi o coveiro da nossa independência. Hoje, é, apenas, o Gauleiter (*) de Berlim. 

Demita-se, senhor primeiro-ministro, antes que seja o Povo a demiti-lo.

(*)  Chefe de zona, (de um 'gau' , distrito da Alemanha nazi)

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20/10/11

Cavaco Silva, altos e baixos

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19.10.2011 - Por Ana Rita Faria  (artigo completo aqui )

Corte salarial para grupos específicos é “um imposto”

Cavaco Silva avisou ainda que o Governo já está no limite dos sacrifícios que pode pedir aos portugueses e que pode mesmo já ter pisado o risco no caso dos pensionistas. (...)
Para Cavaco Silva, esta medida é uma “violação de um princípio básico de equidade fiscal”, ou seja, a mesma opinião que o Presidente exprimiu quando o anterior Governo socialista decidiu cortar os vencimentos da função pública entre 3,5% e 10%, este ano. (...)
“Os livros ensinam quais são os princípios básicos de equidade fiscal”, ironizou Cavaco Silva, dizendo que um corte salarial para grupos específicos é “um imposto”. (...) “Há limites para os sacrifícios que podem ser pedidos!”



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quando ele era "um mísero professor" ..

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