- as imagens das colunas laterais têm quase todas links ..
- nas páginas 'autónomas' (abaixo) vou recolhendo posts recuperados do 'vento 1', acrescentando algo novo ..

30/11/12

as coisas bonitas da vida .. apesar de tudo ..

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cão nada com golfinho -- todas as manhãs -- desde os seus oito meses
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a informação que acompanhava o vídeo:

ESPETACULAR - Na Irlanda do Norte há um Labrador que todos os dias, quando acorda pelas 6 da manhã, vai até ao porto da pequena cidade onde vive, e depois mergulha e nada com um golfinho ficando com ele cerca de 10 minutos na água.
Entretanto, quando a 1ª embarcação sai do porto, o golfinho persegue essa embarcação para ir comer peixes atirados do barcos, e o Labrador regressa para o seu dono. O cão faz isto desde os 8 meses. Ninguém ensinou isso ao cão, que faz apenas seguindo seu coração. A amizade ensinada pelos animais! Comovente!

A grosseira inconstitucionalidade da tributação sobre pensões


Público, 28-11-12 
Bagão Félix
Por António Bagão Félix

A grosseira inconstitucionalidade da tributação sobre pensões


Aprovado o OE 2013, Portugal arrisca-se a entrar no "Guinness Fiscal" por força de um muito provavelmente caso único no planeta: a partir de um certo valor (1350 euros mensais), os pensionistas vão passar a pagar mais impostos do que outro qualquer tipo de rendimento, incluindo o de um salário de igual montante! Um atropelo fiscal inconstitucional, pois que o imposto pessoal é progressivo em função dos rendimentos do agregado familiar [art.º 104.º da CRP], mas não em função da situação activa ou inactiva do sujeito passivo e uma grosseira violação do princípio da igualdade [art.º 13.º da CRP].

Por exemplo, um reformado com uma pensão mensal de 2200 euros pagará mais 1045 € de impostos do que se estivesse a trabalhar com igual salário (já agora, em termos comparativos com 2009, este pensionista viu aumentado em 90% o montante dos seus impostos e taxas!). 

Tudo isto por causa de uma falaciosamente denominada "contribuição extraordinária de solidariedade" (CES), que começa em 3,5% e pode chegar aos 50%. Um tributo que incidirá exclusivamente sobre as pensões. Da Segurança Social e da Caixa Geral de Aposentações. Públicas e privadas. Obrigatórias ou resultantes de poupanças voluntárias. De base contributiva ou não, tratando-se por igual as que resultam de muitos e longos descontos e as que, sem esse esforço contributivo, advêm de bónus ou remunerações indirectas e diferidas.
Nas pensões, o Governo resolveu que tudo o que mexe leva! Indiscriminadamente. Mesmo - como é o caso - que não esteja previsto no memorando da troika.

Esta obsessão pelos reformados assume, nalguns casos, situações grotescas, para não lhes chamar outra coisa. Por exemplo, há poucos anos, a Segurança Social disponibilizou a oferta dos chamados "certificados de reforma" que dão origem a pensões complementares públicas para quem livremente tenha optado por descontar mais 2% ou 4% do seu salário. Com a CES, o Governo decide fazer incidir mais impostos sobre esta poupança do que sobre outra qualquer opção de aforro que as pessoas pudessem fazer com o mesmo valor... Ou seja, o Estado incentiva a procura de um regime público de capitalização (sublinho, público) e logo a seguir dá-lhe o golpe mortal. Noutros casos, trata-se - não há outra maneira de o dizer - de um desvio de fundos através de uma lei: refiro-me às prestações que resultam de planos de pensões contributivos em que já estão actuarialmente assegurados os activos que caucionam as responsabilidades com os beneficiários. Neste caso, o que se está a tributar é um valor que já pertence ao beneficiário, embora este o esteja a receber diferidamente ao longo da sua vida restante. Ora, o que vai acontecer é o desplante legal de parte desses valores serem transferidos (desviados), através da dita CES, para a Caixa Geral de Aposentações ou para o Instituto de Gestão Financeira da S. Social! O curioso é que, nos planos de pensões com a opção pelo pagamento da totalidade do montante capitalizado em vez de uma renda ou pensão ao longo do tempo, quem resolveu confiar recebendo prudente e mensalmente o valor a que tem direito verá a sua escolha ser penalizada.
Um castigo acrescido para quem poupa.

Haverá casos em que a soma de todos os tributos numa cascata sem decoro (IRS com novos escalões, sobretaxa de 3,5%, taxa adicional de solidariedade de 2,5% em IRS, contribuição extraordinária de solidariedade (CES), suspensão de 9/10 de um dos subsídios que começa gradualmente por ser aplicado a partir de 600 euros de pensão mensal!) poderá representar uma taxa marginal de impostos de cerca de 80%! Um cataclismo tributário que só atinge reformados e não rendimentos de trabalho, de capital ou de outra qualquer natureza! Sendo confiscatório, é também claramente inconstitucional.

Aliás, a própria CES não é uma contribuição. É pura e simplesmente um imposto. Chamar-lhe contribuição é um ardil mentiroso. Uma contribuição ou taxa pressupõe uma contrapartida, tem uma natureza sinalagmática ou comutativa. Por isso, está ferida de uma outra inconstitucionalidade. É que o já citado art.º 104.º da CRP diz que o imposto sobre o rendimento pessoal é único.

Estranhamente, os partidos e as forças sindicais secundarizaram ou omitiram esta situação de flagrante iniquidade. Por um lado, porque acham que lhes fica mal defender reformados ou pensionistas desde que as suas pensões (ainda que contributivas) ultrapassem o limiar da pobreza. Por outro, porque tem a ver com pessoas que já não fazem greves, não agitam os media, não têm lobbies organizados. 

Pela mesma lógica, quando se fala em redução da despesa pública há uma concentração da discussão sempre em torno da sustentabilidade do Estado social (como se tudo o resto fosse auto-sustentável...). Porque, afinal, os seus beneficiários são os velhos, os desempregados, os doentes, os pobres, os inválidos, os deficientes... os que não têm voz nem fazem grandiosas manifestações. E porque aqui não há embaraços ou condicionantes como há com parcerias público-privadas, escritórios de advogados, banqueiros, grupos de pressão, estivadores. É fácil ser corajoso com quem não se pode defender.

Foi lamentável que os deputados da maioria (na qual votei) tenham deixado passar normas fiscais deste jaez mais próprias de um socialismo fiscal absoluto e produto de obsessão fundamentalista, insensibilidade, descontextualização social e estrita visão de curto prazo do ministro das Finanças. E pena é que também o ministro da Segurança Social não tenha dito uma palavra sobre tudo isto, permitindo a consagração de uma medida que prejudica seriamente uma visão estratégica para o futuro da Segurança Social. Quem vai a partir de agora acreditar na bondade de regimes complementares ou da introdução do "plafonamento", depois de ter sido ferida de morte a confiança como sua base indissociável? Confiança que agora é violada grosseiramente por ditames fiscais aos ziguezagues sem consistência, alterando pelo abuso do poder as regras de jogo e defraudando irreversivelmente expectativas legitimamente construídas com esforço e renúncia ao consumo.

Depois da abortada tentativa de destruir o contributivismo com o aumento da TSU em 7%, eis nova tentativa de o fazer por via desta nova avalanche fiscal. E logo agora, num tempo em que o Governo diz querer "refundar" o Estado Social, certamente pensando (?) numa cultura previdencial de partilha de riscos que complemente a protecção pública. Não há rumo, tudo é medido pela única bitola de mais e mais impostos de um Estado insaciável. 

Há ainda outro efeito colateral que não pode ser ignorado, antes deve ser prevenido: é que foram oferecidos poderosos argumentos para "legitimar" a evasão contributiva no financiamento das pensões.
"Afinal, contribuir para quê?", dirão os mais afoitos e atentos.
Este é mais um resultado de uma política de receitas "custe o que custar" e não de uma política fiscal com pés e cabeça. Um abuso de poder sobre pessoas quase tratadas como párias e que, na sua larga maioria, já não têm qualquer possibilidade de reverter a situação. Uma vergonha imprópria de um Estado de Direito. Um grosseiro conjunto de inconstitucionalidades que pode e deve ser endereçado ao Tribunal Constitucional.

PS1: Com a antecipação em "cima da hora" da passagem da idade de aposentação dos 64 para os 65 anos na função pública já em 2013 (até agora prevista para 2014), o Governo evidencia uma enorme falta de respeito pela vida das pessoas. Basta imaginar alguém que completa 64 anos em Janeiro do próximo ano e que preparou a sua vida pessoal e familiar para se aposentar nessa altura. No dia 31 de Dezembro, o Estado, através do OE, vai dizer-lhe que, afinal, não pode aposentar-se. Ou melhor, em alguns casos até poderá fazê-lo, só que com penalização, que é, de facto, o que cinicamente se pretende com a alteração da lei. Uma esperteza que fica mal a um Governo que se quer dar ao respeito.

PS2: Noutro ponto, não posso deixar de relevar uma anedota fiscal para 2013: uma larga maioria das famílias da classe média tornadas fiscalmente ricas pelos novos escalões do IRS não poderá deduzir um cêntimo que seja de despesas com saúde (que não escolhem, evidentemente). Mas, por estimada consideração fiscal, poderão deduzir uns míseros euros pelo IVA relativo à saúde... dos seus automóveis pago às oficinas e à saúde... capilar nos cabeleireiros. É comovente...
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29/11/12

the long run

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"The Long Run" é o primeiro single a ser extraído do álbum Songs (2004 - 2012). 
Este tema conta com a soberba interpretação de Joan as Police Woman.

Notas sobre finanças (e chimpanzés)


na Visão
Quinta feira, 29 de Novembro de 2012 

por Ricardo Araújo Pereira  


Após alguma reflexão sobre o assunto, ocorreu-me que talvez fosse importante que alguém apresentasse Vítor Gaspar a um ser humano. 

Podia ser um encontro discreto, a dois, só com um terceiro elemento que começasse por fazer as honras: "Vítor, é o ser humano. Ser humano, é o Vítor." E depois ficavam a sós, a conviver um bocadinho. 

Perspicaz como é, o ministro haveria de reparar que, entre o ser humano e um algarismo, há duas ou três diferenças. O ser humano comparece com pouca frequência nas folhas de excel, ao contrário do algarismo. E o algarismo não passa fome nem morre, ao contrário do ser humano. 

É raro encontrarmos uma lápide, no cemitério, com a inscrição: "Aqui jaz o algarismo 7. Faleceu na sequência de um engano numa multiplicação. Paz à sua alma." Mal o ministro tivesse percebido bem a diferença entre o ser humano e os números, poderia voltar às suas folhas de cálculo. Admito que se trata de uma experiência inédita, mas gostaria muito de a ver posta em prática. 

Houve um tempo em que quem não soubesse de economia estava excluído da discussão política. Felizmente, esse tempo acabou. Os que percebem de economia são os primeiros a errar todos os cálculos, falhar todas as previsões, agravar os problemas que pretendiam resolver. 

As propostas de um leigo talvez sejam absurdas, irrealistas e inexequíveis. Não faz mal: as do ministro também são. Estamos todos em pé de igualdade. 

A realidade não aprecia economistas. Se um chimpanzé fosse ministro das Finanças, talvez a dívida aumentasse, o desemprego subisse e a recessão se agravasse. Ou seja, ninguém notava. 

Como toda a gente, também tenho uma sugestão para reduzir a despesa. Proponho que Portugal venda uma auto-estrada para o Porto. Temos três, e não precisamos de todas. Há-de haver um país que esteja interessado numa auto-estrada para o Porto. Não há nenhuma auto-estrada para o Porto no Canadá, por exemplo. Nem na Noruega. (Eu confirmei estes dados.) São países ricos, aos quais uma auto-estrada para o Porto pode dar jeito. Fica a proposta. Não é a mais absurda que já vi. (fonte
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27/11/12

a A.I. e a carga policial de 14 de Novembro

Pode a Amnistia ficar calada?

Por Teresa Pina
27/11/2012 
No passado dia 15 de Novembro, a secção portuguesa da Amnistia Internacional (AI) emitiu um comunicado que gerou polémica. O comunicado dizia respeito à manifestação de 14 de Novembro e tinha essencialmente quatro pontos: 
  1. condenava o uso excessivo da força por parte da PSP; 
  2. condenava os actos de violência de um grupo de manifestantes que arremessaram pedras e petardos contra as forças de segurança; 
  3. alertava para o facto de haver testemunhos de detenções ilegais; 
  4. solicitava ao ministro da Administração Interna que ordenasse a abertura de um inquérito.
Ao condenar o uso excessivoda força por parte da PSP, o comunicado não criticava o facto de a PSP ter usado a força. Criticava, antes, a forma como a PSP usou a força, considerando-a excessiva ou desproporcional. Dito de outro modo, a AI admitia que, perante a violência demonstrada por um grupo específico de manifestantes, a PSP acabou por não ter alternativa senão usar a força, mas contestava que não tivesse havido alternativa a uma carga policial que (segundo tudo indica) não deteve os prevaricadores, atingiu inocentes, continuou muito para lá do local da manifestação com recurso indiscriminado à bastonada e acabou em detenções aleatórias que terão violado princípios elementares do Estado de direito. Das alternativas a esta forma de actuação tem-se começado a falar nos últimos dias: sem um inquérito, não se pode excluir que a PSP pudesse e devesse ter tentado usar apenas a força mínima necessária para deter os manifestantes violentos logo no início dos distúrbios (não só para lhes pôr cobro, mas também para proteger os seus próprios agentes). 

de Max Oppenheimer
 A AI é uma ONG de direitos humanos. Defende direitos e defende o Estado de direito. Colabora há anos com instituições do Estado e já deu formação em Direitos Humanos à GNR, PSP e a guardas prisionais. Já em Março se tinha pronunciado contra o uso desproporcional da força policial nos protestos do Chiado. Tem feito o mesmo em Espanha, na Grécia e em outros países onde as manifestações têm sido reprimidas com uso excessivo da força. 

Ora, segundo os testemunhos sobre a manifestação de 14 de Novembro, a polícia espancou menores e idosos, atingiu pessoas na cabeça e agrediu quem já estava no chão - quando, na verdade, a praça ficou vazia poucos segundos depois de o corpo de intervenção ter avançado sobre os manifestantes. Uma senhora de 65 anos escreve-nos o seguinte: "O meu marido, de 79 anos, depois de ter caído, em resultado da multidão em pânico, já estava no chão e um polícia deu-lhe com o bastão na cabeça". Pode a AI aceitar isto como um "dano colateral" da carga policial? Pode defender que este casal foi "cúmplice" do apedrejamento? Ou que eram "mirones" e por isso haviam perdido o direito de usar livremente a via pública? Ou que foram avisados por um megafone de que corriam o risco de ser espancados - quando esse megafone é descrito por muitos como "inaudível"? 
Os testemunhos sobre as detenções não são menos preocupantes. Segundo se conclui, os detidos foram impedidos de contactar os seus advogados, sujeitos a humilhações psicológicas graves e libertados sem que lhes tenham sido passados autos a explicar por que razão haviam sido presos. Nalguns casos, os detidos dizem ter sido coagidos a assinar autos em branco. Pode a AI ficar calada perante tudo isto? Precisamos de explicar por que motivo solicitamos a abertura de um inquérito.


A propaganda neoliberal e a demissão dos media

recebido via e-mail:

por José Vítor Malheiros

Texto publicado no jornal Público a 13 de Novembro de 2012
Crónica 45/2012

A maior vitória do neoliberalismo é esta, os ataques que os pobres desferem uns contra os outros


Agora é raro o dia sem uma petição. É rara a semana sem uma manifestação. Causas urgentes e necessárias, causas justas, às vezes questões de vida ou de morte, questões de direitos, de liberdade, de dignidade, de futuro. As petições não custam nada, é só assinar no computador. As manifestações são mais complicadas, é preciso ir, organizar o dia à volta da manifestação, saber onde é, por onde passa, quem convoca, que transportes apanhar, vencer a resistência a participar - não por comodismo, mas porque quase nunca estamos de acordo com tudo o que representa uma manifestação. É preciso negociar connosco próprios, ceder, defender o essencial e esquecer o acessório, pensar nos fins sem nunca esquecer os meios, medir vantagens e benefícios, participar na contestação mas não banalizar a contestação, mobilizar as pessoas mas não cansar as pessoas.

Agora todos os dias são dias de luta, mas esta luta atomizada em manifestações e petições, em debates e reuniões de trabalho, em artigos para os jornais e fotografias e posts e comentários nas redes sociais não tem um sentido definido. Muitos dos que contestam a austeridade quando ela lhes chega ao bolso concordam que gastámos acima das nossas possibilidades e que é preciso pagar e, se continuarmos a conversa, ainda defendem que o Estado corte nos gastos sociais dos outros. Muitos dos discursos de rua que começam a criticar este Governo e o anterior e os anteriores estendem rapidamente o seu ódio a todos os políticos, a todos os partidos e à própria política e acabam a criticar a democracia que entregou o poder aos arrivistas corruptos. Muitos dos que começam a criticar a falta de democracia na União Europeia acabam a demonizar os estrangeiros que só nos querem roubar o pouco que temos e a defender o isolacionismo.
A maior vitória do neoliberalismo é esta, os ataques que os pobres desferem uns contra os outros. O maior ataque ao Estado Social é este, o que se ouve nas conversas dos cidadãos comuns, que criticam os que beneficiam de apoios do Estado porque obrigam o Governo a aumentar os impostos. Que criticam as famílias que recebem o RSI e levam as crianças ao café para comer bolos, como se comer bolos fosse um direito dos nossos filhos mas não dos filhos dos outros. Que criticam os grevistas dos transportes, porque prejudicam quem quer ir trabalhar e não pode. Que criticam a classe média que vai aos hospitais públicos e gasta recursos do Estado mas tem dinheiro para ir aos hospitais privados. Que até são capazes de concordar com o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, que explica que acabar com os descontos no passe social é justo porque evita que Belmiro de Azevedo ande de autocarro a beneficiar dos nossos impostos.
Uma das coisas mais tristes desta crise é ser bombardeado com as mensagens-correntes de mail onde se denunciam os pretensos privilégios e os grandes salários de alguns. Nalguns casos, raros, a indignação é legítima. Há gastos excessivos, sumptuários, onde devia haver contenção e frugalidade no uso de dinheiros públicos. Mas em muitos casos a indignação é não só disparatada mas cirurgicamente orientada para desviar as atenções das benesses de que goza o capital. Enquanto umas centenas de ingénuos se indignam com os salários de certas estrelas da televisão (“Envia esta mensagem a vinte dos teus amigos!”), não dizem uma palavra contra os juros cobrados a Portugal pela “ajuda externa”, contra o escândalo do BPN e das PPP, contra os benefícios escandalosos concedidos aos bancos, as isenções fiscais das grandes empresas, a fuga legal aos impostos dos grupos económicos com sede na Holanda, o desvio de dinheiros para paraísos fiscais, os impostos inexistentes sobre os rendimentos do capital. Tudo isso é escamoteado pelo cachet de José Carlos Malato ou de Catarina Furtado.
A maior vitória do neoliberalismo é esta, é este discurso, uma vitória conseguida a golpes de propaganda repetida sem descanso, com a cumplicidade (frequentemente involuntária e acéfala) dos media.
É por isso que continuamos a ouvir Vítor Gaspar nos telejornais, repetindo as suas fantasias que nenhum raciocínio sustenta. Um dia, ele ou outra marioneta do Governo virá dizer-nos que a Terra é plana e os media, dando provas de equilíbrio e isenção, dirão, “Essa não é porém a posição do geógrafo Fulano de Tal, que sustenta, por seu lado, que...”
A responsabilidade dos media na alimentação deste discurso é central. É por isso que vemos, em movimentos cívicos como o Manifesto contra a Privatização da RTP ou a Iniciativa de Auditoria Cidadã à Dívida Pública ou a Rede Economia com Futuro, a necessidade de produzir e disponibilizar informação que os media deveriam produzir, filtrar, validar e difundir mas que não produzem, não filtram, não validam e não difundem. Os movimentos sociais estão a tentar fazer o trabalho que devia ser dos media mas eles ainda não perceberam, preocupados como estão em colocar o microfone bem próximo dos lábios de Vítor Gaspar.

26/11/12

Preguntitas sobre Dios

 do argentino Atahualpa Yupanqui (uma das referências maiores de Paco Ibañez )
uma canção que lhe custou 100 dias de prisão

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ficar sem abrigo .. um destino cada vez menos longínquo ..

Reportagem - Público

Sem-abrigo: "Escondidos" nas ruas e nas estatísticas 

Andreia Sanches 25/11/2012 - 23:18

Algumas horas a caminhar em Lisboa bastam para encontrar um número equivalente a 10% dos sem-abrigo que o INE contabilizou no país todo. Como Eduardo, o pára-quedista, ou o transmontano que conduzia máquinas nas obras.
A pobreza escondida nas estatísticas, foto Paulo Pimenta
Um, dois, três, seis, 10, 20, 40, 60... caminhe-se algumas horas numa noite fria de Novembro, em Lisboa, e percebe-se mais facilmente por que razão algumas organizações não governamentais dizem que os números apurados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre pessoas sem-abrigo estão muito aquém da realidade. Conhecidos esta semana, os dados definitivos do último Censos falam de 696 homens e mulheres nessa situação em todo o país. Na quinta-feira, só passando por meia dúzia de ruas da Baixa da capital e na Gare do Oriente, o PÚBLICO contabilizou mais de 60 a dormir ao relento.
"Há tanta gente... é ir por aí acima, Marquês de Pombal, Saldanha...", comentava um transmontano de 49 anos, cabelo grisalho, camisola verde de malha, impecável, por cima de uma camisa branca de flanela. Podia estar vestido para ir trabalhar. Mas era assim vestido que se preparava para dormir aninhado numa caixa de cartão desengonçada num passeio da Avenida da Liberdade - a avenida das lojas de marca de renome, dos hotéis, das esplanadas e dos sem-abrigo.
Nem sempre é fácil saber quantos corpos estão por debaixo dos montes de cartão e mantas que se avistam nas ruas e nas ombreiras das portas. Nem é possível garantir que nesta noite fria e húmida quem dorme ao relento o faz mesmo porque não têm como pagar um tecto. "Acha que se tivesse onde dormir estava aqui?", pergunta indignado o transmontano, os olhos muito brilhantes, enquanto, de joelhos no chão, endireita os cartões que lhe vão servir de cama.
O percurso escolhido cobre apenas uma pequena parte da rota dos sem-abrigo. Praça da Figueira: uma mulher dorme sentada, num banco, curvada sobre si mesma, com uma manta colorida sobre a cabeça, rodeada de sacos de supermercado.
Rua 1.º de Dezembro: à entrada de um prédio, num recanto escuro, junto a uma pizzaria frequentada por turistas, alguém dorme em cima de cartões e mantas.
Largo de São Domingos: três corpos enrolados, um corpo por cada uma das três montras de um "pronto-a-vestir de senhora, criança e homem".
Praça dos Restauradores: três pessoas dormem junto à porta da antiga Loja do Cidadão. Um homem tem uma garrafa de vinho tinto ao lado. Outro dorme por debaixo do banco de uma paragem de autocarro iluminada por um reclamo que anuncia bilhetes de avião para Bordéus, Paris e Lyon a 29 euros e promete "umas férias bem regadas" com vinho francês.
"Quando fechamos os olhos, não se sabe o que pode acontecer, se se vai ser agredido, se se vai ser queimado", diz Eduardo, 27 anos, alguma experiência de rua onde, em geral, explica, "ninguém quer pensar no amanhã". Eduardo é um homem de pele morena, olhos claros, sorriso largo. Tem uma frase tatuada no braço: "Só vence quem acredita na vitória." É um lema dos pára-quedistas. Ele já foi pára-quedista.
Rua Augusta: um homem dorme enfiado à entrada de uma loja de óculos de sol.
Avenida da Liberdade: três homens dormem junto à montra de uma perfumaria, outros dois junto a uma loja de roupa - entre os quais o transmontano que conta, quase a sussurrar, que trabalhava nas obras "a conduzir máquinas" e que sempre teve trabalho, mas sempre sem fazer descontos, até que há uns meses nem trabalho, nem dinheiro, nem casa, nem quarto na pensão. "Estou à espera de uma vaga num abrigo do Exército de Salvação."
Gare do Oriente: num corredor, umas a seguir às outras, dormem mais de 40 pessoas. Há um homem de barbas brancas, deitado de barriga para cima, que tosse convulsivamente, mas que nunca abre os olhos. Outro que ressona muito alto, as meias de fora da manta que o cobre, brancas, muito sujas. Há um casal embrulhado num saco-cama - ela de cabeça de fora, a falar com um outro homem, e o homem que está com ela a puxá-la para debaixo do agasalho. Mas há, sobretudo, muitos corpos com os rostos tapados com lenços, trapos, sacos-cama, impossível de adivinhar sexo, idade, etnia. Uma rapariga de saltos altos, passo apressado, pára bruscamente junto a um dos corpos, tira da mala uma manta azul, tapa-o e segue caminho. Tudo muito rápido. É meia-noite.
pain 06, Teresa Dias Coelho
Nas escadarias de acesso aos pisos superiores, há mais pessoas a dormir ou a preparar-se para dormir - 1, 2, 3, 4... Um sem-abrigo embrulhado em cartão fuma um cigarro. Os que o rodeiam estão imóveis. Nascem amizades nestas "situações extremas", como lhes chama Eduardo? E inimizades? "Em ambientes de necessidade as relações são de conveniência. Mas inimizades não há. Há inimizades quando há inveja e aqui ninguém tem nada para invejar." E continua: "Na rua o que é que se tem? Outras pessoas que não têm nada como nós. Que estão à mercê como nós. O que é que fazemos com isso? Consome-se (álcool, drogas) e não se tem paciência para nada. O que é que acontece quando não há paciência para nada? As pessoas discutem, zangam-se. Mas não se tornam inimigos. Não se tornam nada."


O problema dos conceitos

Uma das novidades dos Censos de 2011 era que as pessoas sem-abrigo iam ser contabilizadas à parte, o que poderia vir a permitir caracterizar o fenómeno. Quando esta semana esses resultados foram conhecidos, Sérgio Aires, coordenador da Rede Europeia Anti-Pobreza, disse que a operação se revelou uma "oportunidade perdida". Por causa do conceito de sem-abrigo usado pelo INE, mas não só - mesmo se se tivesse em conta estritamente as pessoas que dormem na rua, disse, a realidade é bem pior do que a que as estatísticas mostram.
A Assistência Médica Internacional (AMI) informou que, só este ano, atendeu cerca de 1209 sem-abrigo, mais 6% do que no ano passado. E dados divulgados há dois anos pelo Instituto de Segurança Social contabilizaram 2200 pessoas sem tecto. A definição de sem-abrigo está longe de ser consensual. E está longe de ser uma questão apenas portuguesa. Em Outubro, a Comissão Europeia estimou que "em 2009/2010 havia 4,1 milhões de sem-abrigo na Europa". A situação, acrescenta-se, ter-se-á "agravado recentemente". Mas este é um "fenómeno cuja extensão é difícil de quantificar".
Num outro documento, também com a chancela da Comissão, intitulado Os sem-abrigo na crise, lamenta-se que a União Europeia ainda não tenha adoptado uma definição de sem-abrigo que permita fazer um retrato fiel da situação. Diz-se que há "sem-abrigos "escondidos"" porque ninguém os contabiliza. E defende-se que passe a ser usado o conceito da Fédération Européenne des Associations Nationales Travaillant avec les Sans-Abri (FEANTSA), que considera que sem-abrigo são todas as pessoas que vivem na rua, mas também as que não têm habitação digna. Tal como as que vivem com familiares ou amigos, de forma precária, porque não têm alternativa. E as que habitam em instituições. Em Portugal, o INE começa por explicar que o conceito que usou nos Censos "está em linha com as definições internacionais", nomeadamente com "a categoria conceptual "sem tecto" da tipologia da FEANTSA". Para a federação os sem-tecto são, contudo, apenas uma das categorias de sem-abrigo.
pain 10, Teresa Dias Coelho
O INE considera sem-abrigo "toda a pessoa que, no momento censitário, se encontra a viver na rua ou noutro espaço público como jardins, estações de metro, paragens de autocarro, pontes e viadutos, arcadas de edifícios entre outros, ou aquela que, apesar de pernoitar num centro de acolhimento nocturno (abrigo nocturno) é forçada a passar várias horas do dia num local público". De fora ficam "as pessoas a viverem em edifícios abandonados; as que, não tendo um alojamento que possa ser classificado de residência habitual, no momento censitário estavam presentes em alojamentos colectivos como hospitais, centros de acolhimento, casas abrigo", as que estão a viver com amigos ou familiares por não terem casa e as que vivem em abrigos naturais, como grutas.

Temporariamente abrigados

À luz desta definição, os 25 homens que têm lugar no Abrigo Nocturno da Graça, gerido pela AMI, já contam para a estatística.
Aqui, só pode entrar quem estiver disposto a assinar um acordo que vise a sua inserção. A ideia é que num lapso relativamente curto de tempo (alguns meses) saia, mas nem sempre isso acontece. Neste momento, por exemplo, há um jovem que está a acabar o 12.º ano e Hugo Dias, o psicólogo responsável pelo Abrigo, entende que não faz sentido mandá-lo embora, quando a prioridade é que ele acabe os estudos. Cada caso é um caso, sublinha.
No Abrigo, os utentes podem jantar, dormir, tomar o pequeno-almoço, mas não podem passar o dia. Aqui têm acesso a apoio psicológico e a ajuda dos técnicos de serviço social. Mas muitos dos que saem acabam por voltar às ruas - "As pessoas reorganizam-se, mas não é, muitas vezes, uma reorganização muito consistente", diz Hugo Dias.
Dois utentes aceitam falar com os jornalistas sobre aquela que será a realidade de alguns dos que o PÚBLICO encontrará nesta mesma noite nas ruas da Baixa de Lisboa: um homem de cabelos grisalhos, que todos os dias lê os jornais na Internet, com formação em Gestão Financeira, a que chamaremos António; outro, Eduardo, o ex-pára-quedista que também já foi segurança privado.
Um e outro não podem contar com a família, por diferentes razões, sobre as quais não se alongam - Eduardo diz que quando as coisas se complicaram pediu ajuda aos familiares, mas estes disseram que simplesmente não podiam ajudar. Ambos têm filhos. Ambos são extraordinariamente bem-falantes e têm muita fé de que vão dar a volta - Eduardo está num curso de Inglês; António já arranjou trabalho, num projecto social chamado CAISBuy@Work, que permite que funcionários de grandes empresas possam delegar tarefas em pessoas como ele, tarefas que vão desde fazer compras no supermercado a entregar roupa na lavandaria. Em breve, poderá até assumir funções de coordenador, conta orgulhoso.
Os pontos em comum entre António e Eduardo terminam, contudo, aqui.
Eduardo já viveu na rua em diferentes cidades (na verdade, nunca diz "Vivi na rua"; diz, por exemplo, "Fui para a Póvoa do Varzim" e, quando se lhe pergunta "Mas foi para lá e ficou a dormir na rua?", ele responde: "Quando eu, ao longo desta conversa, não especificar o local onde dormia, é porque estou a falar da rua").
Já António é recém-chegado. Depois de "uma vida óptima, que tomara que todos os portugueses tivessem", foi "desviado por pessoas menos boas para fazer negócios" que o fizeram perder tudo. Durante alguns anos manteve-se com diferentes trabalhos, sobretudo vendas, que depois foram deixando de surgir. E em Junho já não lhe restava dinheiro. "Corri quase todas as paróquias de Lisboa, cheguei a oferecer-me para trabalhar em troca de um lugar no chão para dormir. Nada." Deu entrada no Abrigo ainda o Verão não tinha começado.
Da vida nas ruas, António sabe pouco, portanto. Sabe que não é tão difícil assim que as coisas corram tão mal que se acabe por lá ir parar.
Já Eduardo, percebe-se, sabe mais das ruas do que diz - ruas onde abundam os vícios, as doenças mentais, o isolamento. Contudo, agora que tem "três refeições quentes por dia" e vai receber o "cheque do rendimento social de inserção", sente-se cheio de força e só pensa na "vitória" de que fala a frase que tem no braço. "Na vida não devemos concentrar-nos nos problemas, mas sim nas soluções. Nas saídas de emergência. As pessoas com muito dinheiro é que têm muitos problemas. Eu estou apenas à procura da minha felicidade." Para já, ela passa por acabar o curso de Inglês e depois emigrar. "Talvez Brasil. Tenho que ponderar tudo muito bem. Foi por não ponderar tudo que acabei como acabei."
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democracia - de 'falsa' a 'funcional'


José Saramago sobre a democracia que "está aí":
sequestrada, amputada, condicionada 

  

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Noam Chomsky on 'Occupy Congress': 
That's how a democracy is supposed to work!
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Chomsky (transcrição/tradução) : 

«É assim que uma democracia devia funcionar! E estamos muito longe disso, mesmo o sistema político que temos ... 
Vejamos, por exemplo, as (eleições)'primárias'. Do modo como o nosso sistema funciona, há alguém que se quer candidatar a um cargo político; o seu 'chefe de campanha' vai a uma cidade, digamos, do New Hampshire, marca uma reunião, o candidato aparece e diz, "ora aqui estou eu que sou um 'gajo porreiro', votem em mim." As pessoas acreditam ou não e vão para casa.
Temos supostamente um sistema democrático, as coisas deviam funcionar ao contrário: as pessoas (p. ex. da cidade do New Hampshire) deviam juntar-se em reuniões, organizações políticas, etc e definir que políticas gostariam de ver implementadas. E então, se há algum candidato ao poder, esse é que teria de ir lá ouvi-los, e seriam eles a dizer-lhe: "Olhe, estas são as políticas que queremos que você implemente. Se conseguir fazer isto, damos-lhe permissão para nos representar, mas destituímo-lo se não o fizer."
Isso, sim, seria uma democracia que funciona, e é basicamente o oposto do que estamos a fazer.
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“True” democracy is a threat to “the system of domination and control” - a ler, aqui
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Há 37 anos e um dia .. o fim do sonho

1975
 
visões da História:
  • DURAN CLEMENTE NO 25 DE NOVEMBRO DE 1975 (RTP) - aqui
  • 25 de NOVEMBRO- QUANTOS GOLPES AFINAL? - por Maria Manuela Cruzeiro
excerto:
Os futuros compêndios de História poderão resumir o evento em escassas linhas: Após um Verão Quente de disputa entre forças revolucionárias e forças moderadas, pela ocupação do poder, civis e militares chegaram ao outono a contar espingardas. O confronto tantas vezes anunciado pareceu por fim inevitável, quando, na madrugada de 25 de Novembro, tropas pára-quedistas ocupam diversas bases aéreas, na expectativa de receber apoio do COPCON. Mas um grupo operacional de militares, chefiado por Ramalho Eanes, liquidou a revolta no ovo, substituindo o PREC (Processo Revolucionário em Curso) pelo “Processo Constitucional em Curso” - ler mais

eu soube-o logo (eles também?): era o fim do sonho
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um vídeo imprescindível: Portugal 74-75

 
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o que segue encontrei-o no Facebook
- transcrevo tb o texto abaixo do vídeo, no Youtube:

37 anos passados sobre o contra golpe de direita apoiado pelos depostos em 25 de Abril de 1974 e outros que apenas ansiavam poder, eis-nos chegados à mais profunda e injusta miséria provocada pela interminável corrupção, a mais absoluta e pura imoralidade, a total ausência de respeito pelas pessoas, POVO deste Portugal, enganado e despojado de tudo até de bom senso. Levaram 37 anos a destruir TUDO o que de bom havia sido construído a favor do Povo Português desde Abril de 1974:
Em pouco mais de 1 ano:
  • contra ventos e tempestades, criou-se o subsidio de férias e o direito a 1 mês de férias para todos os trabalhadores e para ajudar a desenvolver o turismo interno, HOJE TIRADO! 
  • o povo teve direito à Segurança Social para todos, HOJE DESIGUAL E EM VIAS DE DESTRUIÇÃO. 
  • os filhos dos trabalhadores puderam ter acesso ao ensino superior, HOJE CADA VEZ MAIS NEGADO. 
  • o povo trabalhador teve direito a casa, saúde, educação paga e condições dignas de trabalho e de vida, HOJE CADA VEZ MAIS A CAMINHO DA EXTINÇÃO, PARA UMA MÃO DE OBRA ESPCIALIZADA A CUSTO ESCRAVO. 
De facto aqui chegámos após o golpe da direita fascista e revanchista de 25 de Novembro de 1975. Resta-nos a INDIGNAÇÃO e em breve creio que a REVOLTA E O RETORNO À REVOLUÇÃO, só que receio não irem sair cravos dos canos das armas.
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eleições na Catalunha

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ontem perguntava-se, a Catalunha em dia de eleições:
foto de LLUIS GENE/AFP

Independência, Dia Zero? 

Sofia Lorena(Barcelona) 25/11/2012 - 11:53 

A relação entre a Catalunha e o resto de Espanha não vai mudar de um dia para o outro. Mas a vontade de divórcio assumida pela maioria dos partidos e uma boa parte da população catalã veio para ficar. 

Nuria diz que é "como num divórcio" e o casal está na fase da raiva e da mágoa, sem conseguir sentar-se à mesa a conversar sobre a custódia dos filhos ou a partilha de bens. Miguel discorda. "Um divórcio implicaria que tivéssemos estado apaixonados. Já nos tolerámos melhor mas apaixonados nunca estivemos." (...)
O divórcio é a analogia escolhida por Nuria para descrever a relação entre a Espanha e a Catalunha, longa, tumultuosa e prestes a mudar de contornos. - ler mais


Hoje, conhecidos os resultados: 

Partidos soberanistas dominam Parlamento da Catalunha 

Sofia Lorena(Barcelona) 25/11/2012 - 20:04 (actualizado às 23:58) 

A direita, no poder, [CiU, Convergència i Unió] não conseguiu a maioria absoluta que pedira nestas eleições antecipadas. Esquerda Republicana impõe-se como segunda força. 

O líder catalão Artur Mas (CiU) vai continuar na presidência da Generalitat mas ficou muito longe da maioria absoluta que pediu para fazer avançar o projecto de um estado próprio e terá de encontrar parceiros para governar. O Parlamento da Catalunha vai continuar dominado pelo conjunto das forças políticas soberanistas. 
À decisão de antecipar eleições tomada por Artur Mas em plena subida do apoio independentista e batalha aberta com Madrid por causa do pacto fiscal aprovado pelo Parlamento regional, seguiu-se uma campanha ocupada pelo debate sobre a relação da Catalunha com Espanha. 
A taxa de participação confirma a sensação de uma a ida a votos histórica e foi a mais alta da democracia, com 69,5% dos 5,4 milhões de eleitores nas urnas (...)
Apesar do tema da soberania ter sido dominante, a Convergência e União (CiU) de Artur Mas não deixou de ser castigada pela política de austeridade e cortes. Não só não conseguiu “a maioria excepcional” que pedira, como perdeu 12 deputados em relação às eleições de Novembro de 2010, descendo de 62 para 50 lugares no parlamento de 135. 
(...) 
Se Artur Mas não desistir da intenção de convocar o referendo sobre a autodeterminação – ilegal de acordo com a Constituição espanhola, que o Governo de maioria absoluta do Partido Popular rejeita alterar – terá de se apoiar na Esquerda Republicana da Catalunha, o grande vencedor do escrutínio, que subiu de 10 deputados para 21 e de quinta para segunda força política. 
 “Estou alegre pelo partido, mas preocupado pelo país, pelas pessoas, pelo futuro e pela economia”, afirmou o líder da ERC, Oriol Junqueras 
(...) 
No próximo Parlamento catalão estarão ainda outras três forças políticas: a ICV-EUiA (que junta a Iniciativa Catalunha Verdes – soberanista – à Esquerda Unida – federalista), com 13 deputados, mais três do que em 2010; o partido Cidadãos (centristas não nacionalistas), que também regista uma subida muito significativa, passando de três para nove deputados; e a grande novidade destas eleições, a Candidatura de Unidade Popular (CUP), independentistas de esquerda que apesar de terem uma presença significativa em algumas cidades nunca se tinham apresentado a votos numas eleições autonómicas. O Parlamento catalão que sai desta ida às urnas tem uma clara maioria soberanista, mas este voto fragmentou-se agora entre quatro partidos de ideologias muito distintas: CiU, ERC, ICV e CUP.

clicar p/ ampliar imagem:
fonte: La Vanguardia


25/11/12

Bona nit, Catalunya!

os catalães que eu amo:

pintores:
de Miró, hand catching bird
 
Joan Miró (Barcelona, 20 de Abril de 1893 - Palma de Maiorca, 25 , 1983)

Salvador Dalí (Figueres, 11 de Maio de 1904 — Figueres, 23 de Janeiro de 1989)

Antoni Tàpies (Barcelona, 12 de Dezembro de 1923 - 6 de Fevereiro de 2012

ler

escritores:

Manuel Vázquez Montalbán (Barcelona, 27 de Julho de 1939 – Bangkok, 18de Outubro de 2003)

Ildefonso Falcones (Barcelona, 1 de Janeiro de 1958)

Carlos Ruiz Zafón  (Barcelona, 25 September 1964)


cantores e cantautores:

Montserrat Caballé  (Barcelona, 12 Abril 1933)

Joan Manuel Serrat  (Barcelona, 27 de dezembro de 1943)

Josep Carreras i Coll (Barcelona, 5 de dezembro de 1946)

Lluís Llach (Girona,7 de maio de 1948)



L'estaca, de Lluís Llach

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L'avi Siset em parlava de bon matí al portal
mentre el sol esperàvem i els carros vèiem passar.
Siset, que no veus l'estaca on estem tots lligats?
Si no podem desfer-nos-en mai no podrem caminar!

Si estirem tots, ella caurà i molt de temps no pot durar.
Segur que tomba, tomba, tomba, ben corcada deu ser ja.
Si jo l'estiro fort per aquí i tu l'estires fort per allà,
segur que tomba, tomba, tomba, i ens podrem alliberar.

Però, Siset, fa molt temps ja, les mans se'm van escorxant,
i quan la força se me'n va ella és més ampla i més gran.
Ben cert sé que està podrida però és que, Siset, pesa tant,
que a cops la força m'oblida. Torna'm a dir el teu cant:

Si estirem tots, ella caurà i molt de temps no pot durar.
Segur que tomba, tomba, tomba, ben corcada deu ser ja.
Si jo l'estiro fort per aquí i tu l'estires fort per allà,
segur que tomba, tomba, tomba, i ens podrem alliberar.

L'avi Siset ja no diu res, mal vent que se l'emporta,
ell qui sap cap a quin indret i jo a sota el portal.
I mentre passen els nous vailets estiro el coll per cantar
el darrer cant d'en Siset, el darrer que em va ensenyar.

Si estirem tots, ella caurà i molt de temps no pot durar.
Segur que tomba, tomba, tomba, ben corcada deu ser ja.
Si jo l'estiro fort per aquí i tu l'estires fort per allà,
segur que tomba, tomba, tomba, i ens podrem alliberar.


L'estaca, en castellano, La estaca, popular e histórica canción compuesta en 1968 por el cantautor catalán Lluís Llach. Esta canción, que se ha traducido a multitud de idiomas, ha llegado a popularizarse tanto que en muchos sitios se considera autóctona. Fue compuesta en plena dictadura del General Franco en España y es un llamamiento a la unidad de acción para liberase de las ataduras, para conseguir la libertad. Se ha convertido en un símbolo de la lucha por la libertad.

Adéu!

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de Cataluña a Catalunya ?

En memoria de Puig Antich, pintura de Antoni Tapies.
  • ao que julgo saber, nós reconquistámos a independência graças a eles: as tropas que para lá foram deslocadas (revolta dos ceifeiros) faltaram aqui: "A Catalunha é como Portugal mas sem os Restauradores de 1640 "- ler
  • falam català (uma mistura de francês, espanhol e, diria, português: há, inclusive, palavras iguais ou muito parecidas) que, escrito, é perfeitamente entendível para nós. A sua língua, como todas as outras existentes para além do castelhano, foi proibida durante a ditadura de Franco. 
  • foram, juntamente com o País Basco, a província mais massacrada durante a Guerra Civil. 
  • o último garroteado (!!) de Espanha era um jovem anarquista Catalão, chamava-se Puig Antich (lê-se /putch antik/) e tinha 25 anos. Foi assassinado pelo franquismo no mesmo ano em que aqui acontecia a revolução dos cravos e a sua história está aqui.
  •  Museu d'Història de Catalunya
 http://www.en.mhcat.cat/

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Público online,
Sofia Lorena 25/11/2012 - 11:19 

“Espanha não pode correr o risco de perder a Catalunha” 

Joan Subirats diz que depois das eleições de hoje haverá um novo mapa político catalão e o referendo sobre a independência vai tornar-se inevitável. - ler
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Questão da independência marca eleições na Catalunha 

Miguel Soares, enviado especial a Barcelona 22 Nov, 2012, 10:10 

A três dias das eleições catalãs há uma clara divisão dos eleitores, entre os que defendem o referendo sobre a independência e os que não o aceitam.  - ouvir aqui
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Eleições na Catalunha com independência como horizonte

Euronews
23/11 17:52 CET
fonte

os quês e os porquês explicados neste vídeo:

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TSF:

Forte participação nas eleições da Catalunha 

Publicado hoje às 13:35

Perto de 30 por cento dos eleitores catalães já votaram nas eleições deste domingo. Trata-se da taxa de participação mais alta dos últimos 24 anos : aqui
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"LA RAGE RISQUE DE SORTIR"

recebido via e-mail:

Não sou a favor da violência, mas também não sou a favor de ficar sentado enquanto atropelam os meus direitos. Em França seria impossível acontecer o que se passa em Portugal, simplesmente porque eles não deixam!!!  


"Guerrilha rural em França contra "o aeroporto do primeiro-ministro"

A contestação à construção de um aeroporto na região de Nantes agudizou-se este fim de semana com autênticas cenas de guerrilha numa floresta e confrontos nesta cidade do Oeste francês."

 legenda da imagem, no Le Monde:  Des pelleteuses détruisent des installations d'opposants au projet d'aéroport, vendredi à Notre-Dame-des-Landes.


A mobilização de ecologistas e agricultores contra a construção de um novo aeroporto na região de Nantes, bastião eleitoral do primeiro-ministro socialista, Jean-Marc Ayrault, dura há vários meses, mas agudizou-se seriamente este fim de semana. Desde ontem que se verificam autênticas cenas de guerrilha rural entre manifestantes e as forças da ordem na zona da floresta onde o aeroporto deverá ser construído. Os confrontos, que prosseguiam hoje ao fim do dia, têm sido muito violentos e já fizeram feridos em ambas as partes. Ler mais: http://expresso.sapo.pt/guerrilha-rural-em-franca-contra-o-aeroporto-do-primeiro-ministro=f769373#ixzz2DF4xxfgk

 Les batailles de Notre-Dame-des-Landes

LE MONDE
| 24.11.2012 à 11h52 • Mis à jour le 24.11.2012 à 11h53
Par Yan Gauchard, à Notre-Dame-des-Landes (Loire-Atlantique) et Rémi Barroux (à Paris) Près de 900 militaires ont été mobilisés pour tenter de neutraliser quelque 500 opposants anti-aéroport. Les bombes lacrymogènes et grenades assourdissantes ont répliqué aux jets de projectiles et de bouteilles incendiaires. les militants assurent que leur détermination est "intacte". "Tout ce que les forces de l'ordre détruisent le jour, on le refait la nuit", lance une militante. "Si les cabanes de la Châtaigneraie sont fichues par terre, la rage risque de sortir", prévient Julien Durand, paysan à la retraite.  - notícia aqui



Un militant écologiste arrêté des Notre-Dame-Des-Landes, le 23 novembre. 
| AP/Laetitia Notarianni

23/11/12

Comunicado do Colectivo "Estudantes Pela Greve Geral"



recebido via e-mail, com pedido de divulgação         

  A actual situação socio-económica de Portugal tem sido marcada pela implementação de sucessivas políticas de austeridade que, através da imposição externa e/ou pela opção política do Governo, levam à perda e deterioração de direitos e garantias essenciais num Estado de Direito, Democrático e Social.
            Deste modo, também os/as Estudantes do Ensino Superior sofrem directamente as consequências negativas destas opções político-ideológicas. Os custos do Ensino Superior atingem níveis altíssimos  para as famílias devido, sobretudo, a um desinvestimento público no Ensino Superior cada vez mais acentuado; a um aumento sucessivo das propinas; e a uma diminuição dos apoios sociais (por exemplo, através da vigência de um Regulamento de Atribuição de Bolsas cada vez mais restritivo e pelo fim da comparticipação do passe social por parte do Estado).
            Hoje, o Governo confere-nos, regra geral, duas alternativas: emigração ou precarização. Mas, nós, Estudantes Pela Greve Geral, exigimos, ao invés de um ensino cada vez mais mercantilizado - que tenha como impulso programático as necessidades e exigências da conjuntura económica-financeira -, um Ensino Superior Público e  Democrático. Um ensino que se norteie e sustente por valores e princípios democráticos, a fim de promover uma diminuição das desigualdades e um aumento da justiça social.
            Face a esta realidade, vivemos a primeira Greve Geral Europeia no passado dia 14 de Novembro de 2012, uma acção de protesto com vista ao repúdio do neo-colonialismo que os países periféricos da União Europeia são alvo, na qual os/as estudantes do Ensino Superior marcaram, por isso, a sua legítima presença.
            Num contexto de austeridade imposta por agentes externos – que não foram directa e democraticamente eleitos – e pelo Governo português, a resposta não podia ter sido melhor. Uma resposta reflectida pela paralisação de diversos hospitais, tribunais, transportes públicos, escolas, faculdades, estações de correio e serviços municipais. Uma resposta que, invocada com clareza por milhares de pessoas, apresentava um propósito claro: fim da austeridade e dos sucessivos sacrifícios impostos pelo Governo e pela Troika.
            Perante os acontecimentos do final da manifestação convocada pela CGTP, sentimos ainda a necessidade de tomar uma posição. Repudiamos a carga policial indiscriminada realizada pela PSP sobre os/as milhares de manifestantes presentes no Largo de São Bento. Esta operação policial era não só evitável, como foi, aliás, ilegal ao violar princípios e direitos constitucionalmente consagrados, tais como o princípio da  proporcionalidade, da proibição do excesso e do direito de manifestação dos cidadãos presentes – limitando-o. Não aceitamos o pretexto da necessidade de detenção de determinados/as manifestantes para tolerar uma carga policial que actuou arbitrariamente sobre todos/as os/as presentes, causando o pânico generalizado e colocando, consequentemente, a integridade física das cidadãs e cidadãos em risco. Relembramos que os pressupostos da carga policial não foram criados pela grande maioria dos manifestantes que, naquele momento, se encontravam em frente à Assembleia da República.
            Além disso, contestamos as detenções aleatórias e abusivas feitas pela PSP para justificar a sua actuação - que chegaram a ir até à zona do Cais do Sodré, algemando inclusive pessoas que não participaram na manifestação. Além de dezenas de pessoas terem sido privadas da sua liberdade durante várias horas, incluindo membros do nosso movimento, diversas foram as ilegalidades processuais e criminais cometidas (coacção física e moral; proibição à realização de um telefonema e presença do advogado de defesa).
            Até agora, nenhum motivo lhes foi dado para justificar esta actuação. Por estas razões, consideramos urgente a abertura imediata de um inquérito que aborde extensivamente os acontecimentos supracitados, subscrevendo o pedido já enviado pela Amnistia Internacional ao Ministério da Administração Interna. 
            Assim, perante todos os motivos enunciados anteriormente nós, Estudantes Pela Greve Geral, continuaremos a nossa luta enquanto movimento organizado, por um Ensino Superior  mais democrático e justo.

Os Estudantes Pela Greve Geral
22.11.2012