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13/10/15

A Esquerda pode esperar?

retirado daqui
13.10.2015 

por Miguel Guedes *

O velocímetro da política, de tanto acelerar, quase bate nos limites máximos do PREC. E não bate num limite vermelho ou num cordão sanitário. Por muito que custe a alguns, é apenas a democracia a funcionar com todo o espectro político em jogo. O que muitos parecem temer. Nos últimos dias, para uma boa parte dos responsáveis partidários e grande parte dos comentadores e analistas político-económicos, passamos de um país sentado bem no centro do novo oásis da retoma para um país no limite do abismo. Perante a hipótese do lobo mau rumar em viagem de negócios com o capuchinho vermelho, agitam-se as bandeiras da demagogia e do papão, do golpe de Estado e da tomada do poder, os vales para entradas súbitas no campo pequeno e equaciona-se o menu de degustação dos comunistas ao pequeno-almoço. Marques Mendes (também ele?) tem a ousadia de comparar resultados eleitorais com classificações de futebol. Aos inspiradores do medo, talvez servisse rasgar a Constituição contra a qual governaram durante 4 anos. Mas a Constituição democrática é esta e as legislativas não são uma corrida para primeiro-ministro. Em qualquer país com semelhante regime, nada haveria a discutir. Dinamarca, Bélgica, Luxemburgo, Letónia, quatro países da UE onde quem formou Governo não foi quem obteve mais votos ou ganhou as eleições. Mas em Portugal, o défice de democracia corre em paralelo com o défice de politização e de entendimento sobre o que é o nosso regime democrático. Sim, a maioria é de Esquerda e - pasme-se - parece entender-se. E agora? Venha de lá esse medo ou "isto é só fumaça"? Exercitem a calma, "o povo é sereno". 

Este pode ser o grande acto único da Esquerda em Portugal. Não há memória de algo assim e para um exemplo de proximidade é necessário recuar ao apoio de Álvaro Cunhal a Mário Soares na segunda volta das Presidenciais de 86. A capacidade de reacção deste PCP ao resultado eleitoral foi extraordinária. Em poucos dias, Jerónimo de Sousa, envolto num resultado seguro mas algo ambíguo devido à ultrapassagem do BE, afasta o cenário da sucessão nomeando o ex-padre Edgar Silva para futuro desistente nas próximas presidenciais, disponibiliza-se para um inédito entendimento de governo com o PS de António Costa (admite-se até que António Filipe tenha sido aventado para o Ministério da Justiça) e enche um comício em Lisboa. Pressionado ou não pelo seu poder autárquico, o PCP posiciona-se para dar a volta ao seu mundo, dando um passo para novas construções. Catarina Martins foi a vencedora mais inequívoca destas eleições e sabe-o. Já na campanha eleitoral estabeleceu pontes para o PS. Quando declara, após o encontro com Costa, que pelo BE "o Governo de Coelho e Portas acabou hoje", não nos fala pelo lado do seu optimismo. A declaração política é notável e pressiona o PS a assumir a sua inteira culpa se não quiser governar à esquerda em Portugal. 

A possibilidade de entendimento existe e é confirmada por movimentos contrários: as declarações de António Arnault e a demissão de Sérgio Sousa Pinto. Resta saber se o PS é capaz de enfrentar as suas próprias clivagens, ultrapassar a pressão dos seus pares europeus e pensar em dois planos: se e quando. António Costa quer avançar já que não pode chegar ao Congresso do PS com duas derrotas eleitorais no bolso. Por outras palavras, só continuará líder se for primeiro-ministro. Já "quando" é uma palavra incerta. Pode votar, desde já, com a anunciada moção de rejeição do BE e PCP ou esperar pelo Orçamento do novo Governo. Esperar pelo Orçamento, caso o PS consiga resistir a dois meses de pressão internacional para se desligar de entendimentos com BE e PCP, poderia ser o melhor movimento táctico da Esquerda. A Esquerda, recusando o Orçamento de Direita, ganharia tempo, massa crítica, compreensão do fenómeno e saberia dizer, com toda a propriedade, que - mesmo viabilizados - Passos e Portas nada perceberam do que lhes foi dito. E, já agora, poderia ter acesso à execução orçamental das contas do país que a Direita teima em não querer apresentar (quais os reais números do défice e da segurança social?). 

Solitário, Cavaco Silva teima em fazer a rodagem a um veículo que já foi para abate. Como se ainda conduzisse o seu Citroën BX pela Figueira da Foz em 85, desiste do seu 5 de Outubro para pensar em todas-as-hipóteses-do-seu-único-cenário e pode ser obrigado a não ter alternativa senão a de assistir ao BE e PCP a dar entrada no arco da governação durante o seu mandato. Em nome da estabilidade que tanto pediu... Esta coisa da democracia é lixada. 

* músico e advogado

30/06/15

je suis Grec

de Max Ernst, Antipope *
Sou grega e sou jovem reformada desempregada sem-abrigo. Sou velha. Sou uma assalariada sem horário de trabalho, mal paga e explorada-e-aguenta-que-tens-sorte!
Tenho vergonha do governo do meu país, do presidente desta república.
Por enquanto ainda há transportes públicos no meu país. Ainda há escolas públicas, hospitais. Por enquanto.
Oiço passar as camionetas do lixo lá em baixo e congratulo-me com esse ruído incómodo, há sítios no mundo em que os detritos se acumulam nos passeios e nas ruas e ninguém aparece para apanhá-los. Só cães que os revolvam, ou vacas. Por enquanto ainda há serviços públicos no meu país. Por enquanto ..
Sou grega, na ilusão que ainda tenho de que as pessoas, os povos todos desses mundo inteiro se levantarão um dia, indignados como só podemos estar todos. Mas quem lhes deu o direito, a esses emproados de merda, a decidir por nós? Quem lhes disse, a eles, que não há Alternativa? Que temos todos de aceitar e vergar e aguentar? Quem lhes disse a eles? E que mães falharam na sua educação? Neste desrespeito por tudo, por todos? Nesta desumanização? Um dia havemos de acordar, sou grega! Um dia havemos de dizer basta!, havemos!, sou grega!
Sou grega e torço pelos gregos que tiveram a ousadia de votar Syriza. Sou grega como já fui charlie. Sou grega naquilo que da esperança encontro em mim. Ainda ... E da dignidade.

29 de Junho, 2015

Krugman apela ao 'Não' no referendo grego

O Prémio Nobel da Economia manifesta o seu apoio ao governo grego e esclarece que votaria 'Não' no referendo de dia 5 de julho. Paul Krugman considera que os governos credores e as instituições europeias têm cometido “um ato de loucura monstruosa” ao empurrarem a Grécia até este ponto.

ler mais



O ataque da Europa à democracia grega

Devemos ser claros: quase nenhum do enorme manancial de dinheiro emprestado à Grécia foi verdadeiramente para lá. Foi canalizado para pagar aos credores do setor privado – incluindo bancos alemães e franceses. O que a Grécia obteve foi uma ninharia, mas pagou um elevado preço para preservar os sistemas bancários desses países. Artigo de Joseph Stiglitz, Prémio Nobel da Economia. 
(...) 

Claro, a política económica por detrás do programa que a troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) tem impingido à Grécia há cinco anos tem sido abismal, resultando num declínio de 25% do PIB do país. Não consigo pensar em nenhuma depressão que alguma vez tenha sido tão deliberada e que tenha tido tais consequências catastróficas: a taxa de desemprego entre os jovens da Grécia, por exemplo, já ultrapassa os 60%. É surpreendente que a troika se tenha recusado a aceitar a responsabilidade por alguma coisa destas ou admitir o quão maus tenham sido as suas previsões e modelos. Mas, o que é ainda mais surpreendente é que os líderes europeus não tenham sequer aprendido. A troika ainda exige que a Grécia alcance um excedente orçamental primário (excluindo o pagamento de juros) de 3,5% do PIB em 2018. Economistas de todo o mundo condenaram essa meta como punitiva, porque exigi-la resultará inevitavelmente numa recessão mais profunda. Na verdade, mesmo que a dívida da Grécia seja reestruturada para além de qualquer coisa imaginável, o país permanecerá em depressão se os eleitores se comprometerem com a meta da troika no referendo, a ser realizado sob pressão este fim de semana.

artigo completo aqui

*  Antipope: a false claimant of the Holy See in opposition to a pontiff canonically elected
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26/11/12

democracia - de 'falsa' a 'funcional'

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José Saramago sobre a democracia que "está aí":
sequestrada, amputada, condicionada 

  

 . 

Noam Chomsky on 'Occupy Congress': 
That's how a democracy is supposed to work!
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Chomsky (transcrição/tradução) : 

«É assim que uma democracia devia funcionar! E estamos muito longe disso, mesmo o sistema político que temos ... 
Vejamos, por exemplo, as (eleições)'primárias'. Do modo como o nosso sistema funciona, há alguém que se quer candidatar a um cargo político; o seu 'chefe de campanha' vai a uma cidade, digamos, do New Hampshire, marca uma reunião, o candidato aparece e diz, "ora aqui estou eu que sou um 'gajo porreiro', votem em mim." As pessoas acreditam ou não e vão para casa.
Temos supostamente um sistema democrático, as coisas deviam funcionar ao contrário: as pessoas (p. ex. da cidade do New Hampshire) deviam juntar-se em reuniões, organizações políticas, etc e definir que políticas gostariam de ver implementadas. E então, se há algum candidato ao poder, esse é que teria de ir lá ouvi-los, e seriam eles a dizer-lhe: "Olhe, estas são as políticas que queremos que você implemente. Se conseguir fazer isto, damos-lhe permissão para nos representar, mas destituímo-lo se não o fizer."
Isso, sim, seria uma democracia que funciona, e é basicamente o oposto do que estamos a fazer.
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“True” democracy is a threat to “the system of domination and control” - a ler, aqui
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23/09/12

assim, sim! Viva a Suíça e os seus referendos!


 e viva a França, também!  (ver última frase da notícia)

Eu .. (mas quem sou eu, ñ é? ..) acho que, quando há exemplos de países em que a democracia não é palavra vã e funciona, só devíamos era ter a humildade de lhes pedir lições e autorização para 'plagiá-los' -- simples, não? A solução para todos os nossos problemas! Por que razão não o fazem os nossos doutos desgovernantes, não sei. (mentira, claro que sei! ..) Sei que podíamos votar NOUTROS que se comprometessem com a premissa acima .. Vocês que acham?

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no Expresso - Actualidades:
 .
12:16 Domingo, 23 de setembro de 2012 

 Suíços votam hoje fim de benefícios fiscais para estrangeiros 

Os suíços votam hoje o fim do pacote fiscal que permite que estrangeiros ricos paguem impostos mais baixos no país.
A célebre localidade de Gstaad começou a tremer, segundo a AFP. Este é o local preferido dos "exilados fiscais" estrangeiros, como o cantor de rock francês Johnny Hallyday, e o eventual fim deste pacote fiscal poderá ter um grande impacto na região.
Os eleitores do cantão de Berna, que inclui Gstaad, votam hoje o fim do pacote fiscal, que é considerado uma injustiça por permitir pagar menos impostos apenas aos estrangeiros.
O pacote fiscal é um sistema de tributação assente no estilo de vida e de despesas do contribuinte na Suíça e não sobre as suas receitas reais.
A maior parte dos beneficiários deste sistema no cantão de Berna residem em Gstaad, uma zona de desportos de inverno bastante conhecida e onde mora, por exemplo, o realizador Roman Polanski.
Em 2010, a Suíça tinha 5445 "exilados fiscais" a beneficiar do pacote fiscal.
Este tema voltou à ribalta após a intenção do bilionário francês Bernard Arnault em pedir a nacionalidade belga, numa altura em que o Governo francês pretende aplicar um imposto de 75% aos rendimentos elevados.
          --  fonte

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Para que toda a população possa participar na vida política, a Suíça tem um sistema único no Mundo de democracia directa. É muito frequente a realização de referendos, quer a nível federal, quer a nível cantonal. Além do mais, os resultados de um referendo federal não implicam a obediência de uma lei referendada por um cantão que tenha votado contra. Por exemplo se um cantão votar contra uma lei e em todos os outros cantões fora aceite, essa lei não entra no cantão que tenha votado efectivamente contra. Já em relação aos assuntos externos, é necessário haver a aprovação de todos os cantões como no caso da adesão da Suíça à União Europeia. Para a realização de um referendo nacional com o objectivo de alterar uma lei na Constituição Federal, é necessário que haja cem mil assinaturas[70] a pedir salvo se for um referendo pedido pelo Governo Federal ou por cada um dos cantões.



  • sobre a (história da) Suíça (Confederação Helvética : CH) -- aqui  e sobretudo aqui  
  • sobre Gstaad -- aqui
The Bernese Oberland (Bernese Highlands) is the higher part of the canton of Bern, Switzerland, in the southern end of the canton: the area around Lake Thun and Lake Brienz, and the valleys of the Bernese Alps. The Bernese Oberland is well known for touristic reasons, including the following destinations: Gstaad-Saanenland, (...) - fonte

17/06/12

um povo astuto e perspicaz

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um 'eurocéptico' deputado europeu
sobre a Islândia:


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O escritor e jornalista britânico Daniel Hannan é eurodeputado conservador/reformista desde 1999. Eurocéptico e muito crítico da integração europeia, publica regularmente colunas de opinião no Daily Telegraph, para o qual também mantém um blogue. -- fonte

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Hannan's ideology is localism, and he has written several books arguing for democratic reform. He is a Eurosceptic and is strongly critical of European integration. Besides politics, Hannan is a journalist, having written leaders and currently authoring a blog for The Daily Telegraph and several books on both the EU and localism. Born in Lima, Peru, in 1971 -- fonte