o vento que passa 2 --- porque "não há machado que corte a raiz ao pensamento!"
- as imagens das colunas laterais têm quase todas links .. - nas páginas 'autónomas' (abaixo) vou recolhendo posts recuperados do 'vento 1', acrescentando algo novo ..
400.000 personas cruzaron el puente Bosphrous en Estambul para unirse a la protesta Taksim Gezi. Ayer, la policía atacó a los manifestantes y el parque matando 2-3 personas e hiriendo a 300 más. Una llamada salió en busca de ayuda y solidaridad y parece que la llamada ha sido contestada.
Esta es una declaración difundida por el movimiento de protesta de esta mañana.
"¡Atención! Democracia turca te necesita!
Después de una serie de manifestaciones pacíficas para preservar una zona de recreo en el centro de Estambul, que se prevé demolido para la construcción de un centro comercial, la policía turcos atacaron violentamente a los manifestantes con gases lacrimógenos y cañones de agua, apuntando directamente a sus rostros y cuerpos. Decenas de manifestantes son hospitalizados y el acceso al parque se bloquea sin ninguna base legal. Medios de comunicación turcos, controladas directamente por el gobierno o tienen lazos comerciales y políticos con ella, se niegan a cubrir las incidencias. Agencias de prensa también bloquearon el flujo de información.
Por favor, comparta este mensaje para el mundo a tomar conciencia de la policía estatal creada por AKP de Recep Tayyip Erdoğan, que a menudo es considerado como un modelo para otros países de Oriente Medio. Democracia turca espera su ayuda. ¡Gracias! '
Um dia, tudo isto terá passado. Um dia, todo o pesadelo
que temos vivido será apenas uma recordação dolorosa que tentaremos encaixar
numa lógica qualquer. Os historiadores estudarão, perplexos, os tempos em que a
democracia foi suspensa e o Estado deixou de ser uma pessoa de bem para se
tornar num escroque. Os nossos filhos, os nossos netos ouvirão, incrédulos, as
histórias verdadeiras que lhes contaremos, sobre a forma como direitos já
conquistados há décadas pelos nossos avós e bisavós e consagrados nas tábuas da
lei fundamental tiveram de ser novamente disputados, arrancados a ferros de
algozes disfarçados de economistas. De como, em pleno século XXI, fomos obrigados
a ocupar escolas e hospitais e fábricas e padarias e supermercados e campos e
casas, porque nos haviam tentado — e em muitos casos conseguido — roubar a paz,
o pão, a habitação, a saúde, a educação. De como tivemos de deitar muros abaixo
e de construir pontes onde já só restavam fossos. De como abolimos fronteiras e
demos as mãos aos que, do outro lado, apenas aspiravam a uma vida digna. De
como erigimos uma terra sem amos e resgatámos os nossos sonhos. E saberão que
foi por eles que o fizemos, por eles e por nós, porque ansiávamos pelo sal e
pelo mel, porque nos tinham tapado o sol e secado a terra, porque já não
aguentávamos ver as nossas vidas por um canudo, por mil canudos, sem os quais
afirmavam nada valermos, mas que, após dura obtenção, só nos garantiam o
direito a emigrar, a exilar-nos.
Um dia, tudo isto que passamos será passado, marca, cicatriz. Não conseguirão
fazer-nos esquecer, mas transformaremos as nossas dores em árvores de fortes
raízes. Penduraremos os recibos verdes em paredes antiquíssimas de museu e
contaremos aos nossos netos que um dia, há muito, muito tempo, os que mandavam
neste país quiseram condenar-nos a pagar impostos sobre dinheiros que nem
sequer ganhávamos. Que quiseram deixar-nos à míngua, fazer-nos pagar por bens
que eram nossos, que depois de destruírem o que produzíamos nos fizeram comprar
a outros todos os víveres de que precisávamos para sobreviver. Que nos quiseram
matar à espera de tratamentos nos hospitais, que tornaram o saber num luxo
incomportável, que afastaram as nossas crianças das escolas, que acabaram com
os caminhos de ferro e com os comboios, que limitaram as redes de transportes
públicos, enfim, que tudo fizeram para que deixássemos de nos divertir, de sair
à noite, de ir ao teatro e ao cinema. Que puseram aqueles de nós que tinham
empregos a trabalhar por dois, por três, por quatro e que despediram os outros,
de forma a que os primeiros caíssem de exaustão e os segundos de frustração, de
desânimo e de isolamento.
Contar-lhes-emos como um dia fomos obrigados a abolir pela segunda vez a
escravatura, pois tentaram convencer-nos que era normal trabalharmos para
aquecer, para fazer currículo, tendo de provar uma vez e outra e outra o nosso
mérito, as nossas capacidades, enquanto outros tudo tinham, muito embora
ninguém percebesse muito bem de onde lhes vinha a fortuna. Explicaremos aos
nossos netos que aos pais deles foi roubada parte da infância, porque,
sorrateiramente, um bando de malfeitores mascarados de especialistas nos
conseguiram durante algum tempo persuadir que termos casa e carro e telemóvel e
dinheiro para acampar no verão e ir ver a neve no inverno era um luxo ao qual
não nos podíamos dar, porque éramos pecadores e criminosos, embora não nos
conseguíssemos lembrar o que raios poderíamos ter feito de tão grave para que
os nossos filhos merecessem tal castigo. E eles espantar-se-ão e perguntarão
como foi possível que nos sujeitássemos, tão pouco tempo após a sua conquista,
a perder direitos tão fundamentais como o direito a trabalhar e a viver no país
onde nascemos. O direito a simplesmente querermos ser felizes.
E não saberemos o que responder-lhes. Porque na verdade teremos nós próprios
dificuldade em perceber como chegámos nós um dia ao ponto a que chegámos. Mas
saberemos sim que um dia dissemos basta, que um dia, com toda a força e
veemência da nossa razão e da nossa vontade exigimos o que é nosso. E nos
erguemos, já não como rios, mas como marés, como mares, como oceanos de
certeza.
Nesse dia, sairemos das nossas casas aquecidas e mostrar-lhes-emos os caminhos
que desbravámos juntos: caminharemos pela República, da José Fontana à Praça de
Espanha. Desfilaremos nas Avenidas que são da Liberdade e desembocaremos de
novo nos Terreiros que são do Povo. Com eles, entoaremos Grândola Vila Morena,
duas vezes senha, duas vezes sonho, e as lágrimas brilharão nas nossas vozes e
os versos ecoarão nas nossas memórias como ecoaram um dia nas escadarias e
corredores dos Passos Perdidos, sob o olhar embargado dos polícias que só
desejavam poder connosco cantar. Recordaremos o 2 de Março, o 13 de Outubro, o
15 de Setembro, o 12 de Março e de novo o 1º de Maio e o 25 de Abril, uma vez e
outra e outra ainda, um dia, a chorar de alegria, de alívio precoce e
intranquilo, com a certeza de que todos os invernos vão dar à primavera e de
que os homens que dormem acordam sempre um dia. Um dia...
.
* jornalista freelancer, ex-activista do Movimento Sem Emprego, professora, tradutora e explicadora ou “aquilo para que lhe pagam desde que o saiba fazer” - fonte
«Hoje houvi na rádio a seguinte história: Algumas destas quadras foram proibidas pela censura! No entanto, num concerto (Coliseu?) quando chegou a altura dessas quadras, Zeca Afonso cantou "la la la" e o público em coro cantou a letra que faltava! Claro que nem a PIDE o podia impedir!»
José Dias Coelho é um ícone do comunismo e da resistência antifascista em Portugal, evocado em poesia e música. Um grande activista estudantil. Um jovem artista plástico de talento que abdicou de uma promissora carreira para se dedicar de corpo inteiro à luta pela liberdade e pelo socialismo. Um dirigente comunista clandestino que foi assassinado a tiro pela polícia política, em pleno dia, numa rua de Lisboa a 19 de Dezembro de 1961.
(...)
A par de toda a sua actividade política, Dias Coelho dedicava-se também com afinco e talento à criação artística e a iniciativas culturais. Foi por, exemplo, um dos organizadores das Exposições Gerais de Artes Plásticas promovidas pela Sociedade Nacional de Belas Artes. - ler mais sobre a entrevista com Júlia Coutinho, investigadora que está a preparar uma biografia de José Dias Coelho - aqui
Ainda muito jovem, José Dias Coelho aderiu à Frente Académica Antifascista, e mais tarde, ao MUD Juvenil, em 1946.
Foi aluno da Escola de Belas Artes de Lisboa onde entrou em 1942. Frequentou primeiro o curso de Arquitectura, que abandonou, para frequentar o de Escultura. .
Participante em várias lutas estudantis em 1947, aderiu de seguida ao Partido Comunista Português e, em 1949, foi detido pela PIDE depois de participar na campanha presidencial de Norton de Matos. Em 1952, expulso da Escola Superior de Belas Artes e impedido de ingressar em qualquer faculdade do país, é também demitido do lugar de professor do Ensino Técnico. (...) . Em 1959 entra para a clandestinidade, ao mesmo tempo que exercia funções no PCP, com o objectivo de criar uma oficina de falsificação de documentos para dar cobertura às actividades dos militantes clandestinos. Exercia esta actividade na altura do seu assassinato pela PIDE, em 19 de Dezembro de 1961, na Rua da Creche, que hoje tem o seu nome, junto ao Largo do Calvário, em Lisboa. . O assassinato levou o cantor Zeca Afonso a escrever e dedicar-lhe a música A morte saiu à rua. Da sua vida pessoal há ainda a salientar a sua relação com a também artista plástica, Margarida Tengarinha. -- fonte
Escultor, desenhador, pintor, José Dias Coelho(Pinhel, 19 de Junho de 1923 — Lisboa, 19 de Dezembro de 1961) viveu e morreu por uma causa que inviabilizou o desenvolvimento pleno da sua produção artística, afinal voluntária e conscientemente interrompida em nome de um imperativo político: a liberdade. - ver aqui
JOSÉ DIAS COELHO em Vidas Lusófonas:
.
«Muito te doía o sofrimento do próximo. Não foi por acaso que fizeste o retrato da Catarina Eufémia, aquela ceifeira grávida, com um filho de oito meses ao colo, e mesmo assim fuzilada, nas terras de Baleizão, pelo Tenente Carrajola da GNR. Ainda te ouço a dizer:
- "Das sementes lançadas à terra, é do sangue dos mártires que nascem as mais copiosas searas".» -- ler mais aqui
Discurso Tardio à Memória de José Dias Coelho
Éramos jovens: falávamos do âmbar
Morte de Catarina Eufémia, desenho de J. Dias Coelho
ou dos minúsculos veios de sol espesso
onde começa o vero; e sabíamos
como a música sobe às torres do trigo.
Sem vocação para a morte, víamos passar os barcos,
desatando um a um os nós do silêncio.
Pegavas num fruto: eis o espaço ardente
de ventre, espaço denso, redondo maduro,
dizias; espaço diurno onde o rumor
do sangue é um rumor de ave –
repara como voa, e poisa nos ombros
da Catarina que não cessam de matar.
Sem vocação para a morte, dizíamos. Também
ela, também ela a não tinha. Na planície
branca era uma fonte: em si trazia
um coração inclinado para a semente do fogo.
Morre-se de ter uns olhos de cristal, morre-se de ter um corpo, quando subitamente uma bala descobre a juventude da nossa carne acesa até aos lábios.
Catarina, ou José – o que é um nome?
Que nome nos impede de morrer,
quando se beija a terra devagar
ou uma criança trazida pela brisa?
Não sou a favor da violência, mas também não sou a favor de ficar
sentado enquanto atropelam os meus direitos.
Em França seria impossível acontecer o que se passa em Portugal,
simplesmente porque eles não deixam!!!
"Guerrilha rural em França contra "o aeroporto do primeiro-ministro"
A contestação à construção de um aeroporto na região de Nantes agudizou-se este fim de semana com autênticas cenas de guerrilha numa floresta e confrontos nesta cidade do Oeste francês."
legenda da imagem, no Le Monde: Des pelleteuses détruisent des installations d'opposants au projet d'aéroport, vendredi à Notre-Dame-des-Landes.
A mobilização de ecologistas e agricultores contra a construção de um novo aeroporto na região de Nantes, bastião eleitoral do primeiro-ministro socialista, Jean-Marc Ayrault, dura há vários meses, mas agudizou-se seriamente este fim de semana.
Desde ontem que se verificam autênticas cenas de guerrilha rural entre manifestantes e as forças da ordem na zona da floresta onde o aeroporto deverá ser construído.
Os confrontos, que prosseguiam hoje ao fim do dia, têm sido muito violentos e já fizeram feridos em ambas as partes.
Ler mais:http://expresso.sapo.pt/guerrilha-rural-em-franca-contra-o-aeroporto-do-primeiro-ministro=f769373#ixzz2DF4xxfgk
Les batailles de Notre-Dame-des-Landes
LE MONDE
| 24.11.2012 à 11h52 • Mis à jour le 24.11.2012 à 11h53
Par Yan Gauchard, à Notre-Dame-des-Landes (Loire-Atlantique) et Rémi Barroux (à Paris)
Près de 900 militaires ont été mobilisés pour tenter de neutraliser quelque 500 opposants anti-aéroport. Les bombes lacrymogènes et grenades assourdissantes ont répliqué aux jets de projectiles et de bouteilles incendiaires.
les militants assurent que leur détermination est "intacte". "Tout ce que les forces de l'ordre détruisent le jour, on le refait la nuit", lance une militante. "Si les cabanes de la Châtaigneraie sont fichues par terre, la rage risque de sortir", prévient Julien Durand, paysan à la retraite. - notícia aqui
Un militant écologiste arrêté des Notre-Dame-Des-Landes, le 23 novembre.
L'estaca, popular e histórica canción compuesta en 1968
por el cantautor catalán Lluís Llach (n. Gerona, 7 de mayo de 1948).
Esta canción, que se ha traducido a multitud de idiomas, ha llegado a popularizarse tanto que en muchos sitios se considera autóctona. Fue compuesta en plena dictadura del General Franco en España y es un llamamiento a la unidad de acción para liberarse de las ataduras, para conseguir la libertad. Se ha convertido en un símbolo de la lucha por la libertad.
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L'ESTACA (letra em catalão)
L'avi [avô] Siset em parlava de bon matí al portal mentre el sol esperàvem
i els carros vèiem passar. Siset, que no veus l'estaca on estem tots lligats? Si no podem desfer-nos-en mai no podrem caminar! Si estirem tots, ella caurà i molt de temps no pot durar, segur que tomba, tomba, tomba ben corcada deu ser ja. Si jo l'estiro fort per aquí i tu l'estires fort per allà, segur que tomba, tomba, tomba, i ens podrem alliberar. Però, Siset, fa molt temps ja, les mans se'm van escorxant, i quan la força se me'n va ella és més ampla i més gran. Ben cert sé que està podrida però és que, Siset, pesa tant, que a cops la força m'oblida. Torna'm a dir el teu cant: Si estirem tots, ella caurà... Si jo l'estiro fort per aquí... L'avi Siset ja no diu res, mal vent que se l'emportà, ell qui sap cap a quin indret i jo a sota el portal. I mentre passen els nous vailets estiro el coll per cantar el darrer cant d'en Siset, el darrer que em va ensenyar. Si estirem tots, ella caurà... Si jo l'estiro fort per aquí...
letra retirada da pg oficial de Lluis Llach, aqui no vídeo acima, 'legendada' em em espanhol
"Para cuantos conocen la historia, la desobediencia es la virtud original del hombre. Mediante la desobediencia se ha realizado el progreso; con la desobediencia y la rebelión.