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15/01/16

esvivecer MLR???



Sei .... o governo, o ministro da educação, estão em estado de graça no que às opiniões dos meus amigos-de-esquerda concerne. 
Isto dito .... serei eu a única a estranhar esta unanimidade, este silêncio dos professores?!! Ora digam-me, amigos: isto que, até agora, foi desfeito/alterado corresponde às vossas mais fundas aspirações? (BCE, óptimo; PACC, a ver vamos ...). 


Eu (que saí do inferno, penalizada como convém...) tenho, da leccionação, a memória dorida do que de maquiavélico me fez o ECD imposto por Maria de Lurdes Rodrigues, de má (muito, muito má!!!) memória. E, já sei, monsieur Crato foi pior, mil vezes pior. Mas ..... a coincidência ...... até do apelido ..... não?

Cá para nós .... Não vos incomoda - nada?!!! - por exemplo, continuarem com esse horário sobrecarregadíssimo de horas passadas na escola - a fazer .... um monte de tretas?!!!

Não acham que o novo ministro, a querer fazer, precisamente, "novo", já vos devia ter, ao menos prometido ..... rever aquela história aberrante da componente não-lectiva? É que nem orçamento rectificativo exigiria .... nem alterações de .... nada! ... Não vos preocupa esta ausência de propostas, colegas??!!Não vos merece uma reflexão que seja?!

Quer dizer ..... as vossas condições de trabalho ..... alteraram-se? Para melhor? Pois ..... digam qualquer coisa, não? Uma sugestão? Um pedido de desculpas pelo despautério dos DOIS últimos (2, sim!!!!!) ministros da Educação que vos couberam em sorte??? Assim ..... pelo aviltamento e descredibilização da classe, por exemplo? Tão potenciadora da indisciplina que vos aflige? ....... Não? ..... Nada?!!! ...
Os agrupamentos de escolas!!!! Essa mega-imbecilidade, redutora, apenas, do número de secretarias, e tão, mas tão potenciadora de anonimatos e distâncias, de indisciplina mais uma vez, decorrente e recorrente, tão anti proximidade professores/alunos/gestão, tão destruidora de tudo?
E .... não acham preocupante que uma dos 2 secretários e estado desse Tiago B. R. aparentemente tão bem quisto, tão .... inatacável ... seja, precisamente, tão estranha e convenientemente, um braço-direito da dita sinistra-ministra?!!!

E nada disto vos faz espécie????!!!
Pois .... pela parte que me toca, estou habituada(-íssima!) a sentir que luto sozinha contra o mundo! E .... haja!!!!!! -  já nada disto me afecta, por isso ..... bom-proveito e continuem caladinhos!
Then again .....

Ou ainda assim, professores, ....... nada ...???!!! Reivindicações ..... zero???!!!

23/09/15

"Normalidade ou anormalidade domada? "

no Público,
23 de Setembro de 2015

por Santana Castilho *

A imagem que perdura neste início de ano-lectivo é de “normalidade”. Pelo menos, como tal se vai falando na comunicação social, na ausência dos escândalos que marcaram o ano passado. Em plena campanha eleitoral, a Educação parece ser um grande tabu, protegida por um qualquer acordo entre os protagonistas, de referir pouco, de aprofundar ainda menos.

Domados, os professores regressaram aos seus postos, tristes, desmotivados e descrentes.
Será normal que um professor possa ser contratado por uma escola, sem submissão a um concurso, quando a lei fundamental diz “que todos os cidadãos têm o direito de acesso à função pública, em condições de igualdade e liberdade, em regra por via de concurso” (artº 47, nº 2 da CRP)?

Será normal que um professor, acabado de sair da escola de formação, ocupe um posto de trabalho numa escola, quando outro, do mesmo grupo de recrutamento, com dezenas de anos de contratos consecutivos com o ministério da Educação, fica no desemprego?

Será normal que a um professor com 30 anos de serviço num quadro de escola seja recusado um lugar em benefício de um colega recém-vinculado, em pleno período probatório, ou seja, sem sequer ter ainda um vínculo confirmado?

Será normal termos acabado de assistir a dezenas de casos de professores que, tendo um lugar de quadro e tendo concorrido para se aproximarem da residência, foram miseravelmente ludibriados, sem reacção adequada por parte dos sindicatos, por, afinal, a “vaga” para que concorreram não existir?

O Tribunal de Justiça da União Europeia tomou há dias uma decisão que visa impedir que, no espaço comunitário, se ultrapassem 48 horas de trabalho semanal. Diz a decisão que as deslocações de casa para o local de trabalho, sempre que esse local seja variável, passam a contar para o cômputo final a considerar no horário. Ora parece-me bem que os sindicatos estejam atentos ao precedente estabelecido pelo Tribunal de Justiça da União Europeia e inquiram, junto dos tribunais nacionais, se a norma se aplica aos professores itinerantes, cujos locais de trabalho são vários.

Será normal que os professores portugueses estejam coagidos a semanas de trabalho com duração superior às 48 horas, que o Tribunal de Justiça da União Europeia definiu como linha vermelha? Exagero meu? Então façamos um exercício, que está longe de configurar as situações mais desfavoráveis.

Tomemos por referência uma distribuição “simpática” de serviço, nada extrema, (há muito pior) de um hipotético professor com 6 turmas, 25 alunos por turma e 3 níveis de ensino (7º, 8º e 9º anos). Tomemos ainda por referência as 13 semanas que estão estabelecidas no calendário escolar oficial, como duração do 1º período lectivo de 2015-16. Continuemos em cenários que pequem por defeito: as turmas do mesmo nível são exactamente homogéneas, não necessitando de aulas diferentes, e o professor tem os mesmos alunos duas vezes por semana. Então, este professor terá que preparar 6 aulas diferentes em cada semana. Se pensarmos numa hora de trabalho para preparar cada lição (o que é mais que razoável), estaremos a falar de 6 horas por semana. Nas 13 do período, resultarão 78 horas.

O nosso hipotético professor vai fazer 2 testes a cada turma. Nas 13 semanas lectivas fará 12 testes. Voltemos a considerar apenas uma hora para conceber cada teste (concebê-lo propriamente, desenhar a grelha de classificação e digitar tudo requer mais tempo). Claro está que os testes têm que ser corrigidos. Se o nosso professor cobaia for razoavelmente experiente e despachado, vamos dar-lhe meia hora para corrigir cada um dos 300 testes. Feitas as contas, transitam para a soma final 162 horas.

O que se aprende tem que ser “apreendido”. Os exercícios de aplicação e de pesquisa são necessários. Então agora, com a “orientação para os resultados” com que o assediam em permanência, o nosso professor não pode prescindir dos trabalhos de casa e de outros tipos de práticas. Imaginemos que apenas pede um trabalho em cada semana e que vê cada um deles nuns simples 5 minutos. Então teremos de contabilizar mais 162 horas e meia, relativas a todo o período.

Se este professor reservar 2 escassas horas por semana para cuidar da sua formação contínua e actualização científica, são mais 26 que devemos somar no fim.

Acrescentemos, finalmente, as horas de aulas e as denominadas horas de componente não lectiva “de estabelecimento”. São mais 318 horas e meia. Somemos tudo e dividamos pelas 13 semanas, para ver o número de horas que o professor trabalhou em cada semana: 57 horas!

Além disto, há actividades extracurriculares, visitas de estudo, conversas com alunos e pais, reuniões que não caem dentro das horas não lectivas de estabelecimento e, em anos de exames, pelo menos, algumas aulas suplementares.

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

22/09/15

do ser professor ..

lá (EUA) como cá, como em quase todo o mundo:
teachers: overworked, underpaid and undervalued ...
Where Have All the Teachers Gone?

There's a teacher shortage in the U.S. So we got some hardworking teachers to tell us what's wrong with public education.
Posted by AJ+ on Quinta-feira, 3 de Setembro de 2015

26/08/15

"Para os pais que não são professores, isto pode ser difícil de entender"

no Público,
26 de Agosto de 2015

por Santana Castilho*


É real e de conhecimento pessoal. Tem 53 anos, 26 de profissão a que se entregou com amor, hoje cansado. Estava efectivo a 160 quilómetros diários (80 para lá e 80 para cá) da casa onde vive com duas filhas. Concorreu para mudança de quadro de escola, para se aproximar da residência. Conseguiu colocação numa escola 40 quilómetros mais perto (20 para lá e 20 para cá). Dois dias depois, o absurdo caiu-lhe em cima: a escola onde o colocaram não tem horário para ele. Alma angustiada, empurraram-no para a dança macabra da “mobilidade por ausência de componente lectiva”, que pode terminar em “requalificação” e despedimento.
Está apresentado. É um dos muitos, com vidas adiadas. Algumas, para sempre! É professor.
Daqui a dias vai falar-se, muito, do costume: das crianças que voltam às aulas, do que os pais gastaram para lá as pôr e das escolas que ainda não abriram. Não se falará, certamente, da situação profissional dos professores.

São muitos os estudos que têm procurado estabelecer o impacto das condições de trabalho na saúde física e mental dos profissionais. Esse impacto, em organizações humanamente evoluídas, é também assumido como um dos indicadores determinantes do grau de eficácia das organizações. Claro está que não estou a falar do nosso ministério da Educação, para quem pouco importa que cresçam exponencialmente os níveis de ansiedade dos professores e diminuam os que medem a motivação profissional. É outra a eficácia que atrai o interesse do ministério.

O stress ocupacional crónico (desequilíbrio entre as exigências e a capacidade de lhes responder) está genericamente presente na classe dos professores e pode originar o chamado burnout, entendido como um estádio continuado de fadiga física e psicológica. Sendo um problema das pessoas, é, antes, um problema do clima social criado e das organizações para as quais as pessoas trabalham.

Um pouco por toda a parte, é a insuspeita OCDE que o diz, os professores apresentam índices de mal-estar superiores, quando comparados com outros profissionais. A Organização Internacional do Trabalho classificou a profissão como de risco físico e mental e os que lidam de perto com os professores portugueses identificam níveis consideráveis de exaustão emocional, face ao aumento de situações problemáticas e desagradáveis, designadamente impotência para reagir e resolver perturbações de comportamento por parte dos alunos, e conflitos importantes de compatibilização da vida profissional com a vida pessoal e familiar.

Há dias, noticiava-se num telejornal que os médicos do hospital de Faro estavam exaustos. Motivo? O aumento sazonal da população estava a obrigá-los a 48 horas de “banco” por semana. É fácil avaliar o nível de responsabilidade que se abate sobre um médico, particularmente em serviço de urgências. Não é difícil admitir que os médicos têm limites humanos e que tal stress imposto diminui, forçosamente, a capacidade para responderem ao que lhes é pedido. Se, genericamente, não terei dificuldade em ganhar apoiantes para o que acabo de afirmar, o mesmo não direi quando a reflexão analisa os níveis de responsabilidade, stress e carga de trabalho a que os professores estão sujeitos.

As referências habituais à carga de trabalho dos professores raramente procuram perceber a influência que ela pode ter na qualidade das aprendizagens dos alunos e no contributo que dá (ou não dá) para o seu processo de desenvolvimento humano. Outrossim, quase sempre se centram em comparações injustas e descabidas, a maior parte das vezes movidas por essa chaga que é a inveja social. E por aqui chego ao que deu título à crónica de hoje. Estava no blog de Diana Ravitch, que muitos professores conhecerão. Não sei eu, nem sabe ela, quem foi o autor. Mas é uma bela proposta. Pode ser que muitos pais portugueses a aceitem, quando em breve voltarem a levar os filhos à escola. Reza assim, em tradução livre:
“Cinco dias por semana, ensinamos os vossos filhos./Significa isso que os educamos./ Que brincamos com eles./ Que os disciplinamos./Que nos divertimos com eles./ Que os consolamos./ Que os elogiamos./ Que os questionamos./Que batemos com a cabeça na parede por causa deles./ Que rimos com eles./ Que nos preocupamos com eles./ Que tomamos conta deles./ Que sabemos coisas deles./ Que investimos neles./ Que os protegemos./ Que os amamos./
Todos nos deixaríamos matar pelos vossos filhos./ Não está escrito em lado nenhum./ Não faz parte do manual do professor./ Não vem citado nos nossos contratos./ Mas todos o faríamos.
Por isso, por favor, hoje à noite, dêem aos vossos filhos, sim, um abraço muito, muito apertado. Mas na segunda-feira, se virem os professores dos vossos filhos, abracem-nos também a eles.”

*Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

18/08/15

memórias ..

de Egon Schiele

Fui revisitar o meu blogue original, bloqueado há 4 anos, desbloqueado depois nem sei quando, em todo o caso depois de o facebook lhe ter ditado (como a tantos outros ..) diversa morte.

Trago para aqui dois dos últimos textos que por lá postei, testemunhos de um fim de uma profissão que calculo cada vez mais .... angustiante.
.

2011
a insustentável perspectiva 

este dorido estar Professor, hoje 

29 novembro 2009
do ser professor

02/10/14

"os professores"

texto de Valter Hugo Mãe

roubado dos blogues Anabela Magalhães, Tecto e Junqueira


de Egon Schiele
Achei por muito tempo que ia ser professor. Tinha pensado em livros a vida inteira, era-me imperiosa a dedicação a aprender e não guardava dúvidas acerca da importância de ensinar. Lembrava-me de alguns professores como se fossem família ou amores proibidos. Tive uma professora tão bonita e simpática que me serviu de padrão de felicidade absoluta ao menos entre os meus treze e os quinze anos de idade. 

A escola, como mundo completo, podia ser esse lugar perfeito de liberdade intelectual, de liberdade superior, onde cada indivíduo se vota a encontrar o seu mais genuíno, honesto, caminho. Os professores são quem ainda pode, por delicado e precioso ofício, tornar-se o caminho das pedras na porcaria do mundo em que o mundo se tem vindo a tornar. 

Nunca tive exatamente de ensinar ninguém. Orientei uns cursos breves, a muito custo, e tento explicar umas clarividências ao cão que tenho há umas semanas. Sinto-me sempre mais afetivo do que efetivo na passagem do testemunho. Quero muito que o Freud, o meu cão, entenda que estabeleço regras para que tenhamos uma vida melhor, mas não suporto a tristeza dele quando lhe ralho ou o fecho meia hora na marquise. Sei perfeitamente que não tenho pedagogia, não estudei didática, não sou senão um tipo intuitivo e atabalhoado. Mas sei, e disso não tenho dúvida, que há quem saiba transmitir conhecimentos e que transmitir conhecimentos é como criar de novo aquele que os recebe. 
Os alunos nascem diante dos professores, uma e outra vez. Surgem de dentro de si mesmos a partir do entusiasmo e das palavras dos professores que os transformam em melhores versões. Quantas vezes me senti outro depois de uma aula brilhante. Punha-me a caminho de casa como se tivesses crescido um palmo inteiro durante cinquenta minutos. Como se fosse muito mais gente. Cheio de um orgulho comovido por haver tantos assuntos incríveis para se discutir e por merecer que alguém os discutisse comigo. 

Houve um dia, numa aula de história do sétimo ano, em que falámos das estátuas da Roma antiga. Respondi à professora, uma gorduchinha toda contente e que me deixava contente também, que eram os olhos que induziam a sensação de vida às figuras de pedra. A senhora regozijou. Disse que eu estava muito certo. Iluminei-me todo, não por ter sido o mais rápido a descortinar aquela solução, mas porque tínhamos visto imagens das estátuas mais deslumbrantes do mundo e eu estava esmagado de beleza. Quando me elogiou a resposta, a minha professora contente apenas me premiou a maravilha que era, na verdade, a capacidade de induzir maravilha que ela própria tinha. Estávamos, naquela sala de aula, ao menos nós os dois, felizes. Profundamente felizes. 

Talvez estas coisas só tenham uma importância nostálgica do tempo da meninice, mas é verdade que quando estive em Florença me doíam os olhos diante das estátuas que vira em reproduções no sétimo ano da escola. E o meu coração galopava como se tivesse a cumprir uma sedução antiga, um amor que começara muito antigamente, se não inteiramente criado por uma professora, sem dúvida que potenciado e acarinhado por uma professora. Todo o amor que nos oferecem ou potenciam é a mais preciosa dádiva possível. 

Dá-me isto agora porque me ando a convencer de que temos um governo que odeia o seu próprio povo. E porque me parece que perseguir e tomar os professores como má gente é destruir a nossa própria casa. Os professores são extensões óbvias dos pais, dos encarregados pela educação de algum miúdo, e massacrá-los é como pedir que não sejam capazes de cuidar da maravilha que é a meninice dos nossos miúdos, que é pior do que nos arrancarem telhas da casa, é pior do que perder a casa, é pior do que comer apenas sopa todos os dias. Estragar os nossos miúdos é o fim do mundo. Estragar os professores, e as escolas, que são fundamentais para melhorarem os nossos miúdos, é o fim do mundo. Nas escolas reside a esperança toda de que, um dia, o mundo seja um condomínio de gente bem formada, apaziguada com a sua condição mortal mas esforçada para se transcender no alcance da felicidade. E a felicidade, disso já sabemos todos, não é individual. É obrigatoriamente uma conquista para um coletivo. Porque sozinhos por natureza andam os destituídos de afeto. 

As escolas não podem ser transformadas em lugares de guerra. Os professores não podem ser reduzidos a burocratas e não são elásticos. Não é indiferente ensinar vinte ou trinta pessoas ao mesmo tempo. Os alunos não podem abdicar da maravilha nem do entusiasmo do conhecimento. E um país que forma os seus cidadãos e depois os exporta sem piedade e por qualquer preço é um país que enlouqueceu. Um país que não se ocupa com a delicada tarefa de educar, não serve para nada. Está a suicidar-se. Odeia e odeia-se.
Valter Hugo Mãe

Autobiografia Imaginária | Valter Hugo Mãe | JL Jornal de Letras, Artes e Ideias | Ano XXII | Nº 1095 | 19 de Setembro de 2012| Valter Hugo Mãe no Facebook

13/09/14

"Diagnóstico"


por Luís Costa,
blogue Vade Retro

publicado em 9 de Setembro de 2014

Diagnóstico
A Escola Pública está raquítica. Por fora, no entanto, a fatiota de lã de ovelha ainda vai dando enganadores sinais de alguma adiposidade.

Nuno Crato, que herdou das suas antecessoras a rendição dos professores, faz o que quer e ainda lhe sobra tempo para enxovalhar a mole humana que tem a seus pés. É claro que ninguém acha que está aos pés do ministro, mas estão todos debaixo das solas dos diretores, que, por sua vez… Enfim!

Os diretores, autênticos caciques locais, são acometidos de gripe sempre que o ministro espirra. Os docentes, esses, ficam sempre pneumónicos com a gripe dos diretores. Alguns atingem tal estado de prostração, que até se afundam na locomoção reptiliana. Mas lá se vão safando!

Os sindicatos têm muitos pauzinhos e outras tantas bandeiras. Sempre que o vento sopra, aproveitam a energia eólica para desfraldar os tecidos. Os seus representantes nas escolas converteram-se ao panfletismo ritualista. Ninguém dá por eles.

Os blogueiros continuam muito afoitos: denunciam, fazem grelhas e gráficos, analisam, montam e desmontam as medidas governamentais, explicam, informam, fazem previsões, comentam um pouco de tudo... vão aos jornais e à TV… uma palestra aqui e outra ali… umas publicações subordinadas ao tema… Enfim, foram completamente assimilados pelo sistema. São, atualmente, uma espécie de coro trágico aburguesado.

Aqui a formiguinha vai e vem ao sabor das ilusões e das deceções. Mas volta sempre ao carreiro, em sentido contrário, e marcha em frente até ser novamente atropelada pela voragem inversa. Três vezes nove dá vinte e sete (noves fora… nada). Ainda mais inútil do que todos os restantes.

E assim vamos andando, sem ir a lado nenhum. A Senhora do primeiro parágrafo definha a olhos vistos; o senhor do segundo prospera e continua a anafar os seus negros propósitos; nós, os restantes atores, objetivamente, somos de uma inutilidade atroz. Resumindo e concluindo: não passamos de blá-blá-blá. A Princesa está encerrada na masmorra mais baixa do castelo e os príncipes libertadores cavalgam bravamente nas redes sociais, “blablablando” aos sete ventos.
Publicada por Luís Costa
fonte: http://vdvaderetro.blogspot.pt/2014/09/diagnostico.html

24/07/14

"O poder simbólico dos professores"

recebido via e-mail

em Ensino Magazine
por João Ruivo

Com o lento passar do tempo e da memória colectiva, gerações após gerações os professores ajudaram a elaborar a imagem social de uma profissão de dádiva absoluta e incontestável entrega. 

O poder simbólico da actividade docente leva a que os professores sintam sobre os seus ombros a utópica tarefa de mudar, para melhor, o mundo; de traçar os novos caminhos do futuro e de preparar todos e cada um para que aí, nesse desconhecido vindouro, venham a ser cidadãos de corpo inteiro e, simultaneamente, mulheres e homens felizes. É obra! 

Ao mesmo tempo que a humanidade construiu uma sociedade altamente dependente de tecnologias dominadoras, transferiu da religião para a escola a ingénua crença de que o professor, por si só, pode miraculosamente desenvolver os eleitos, incluir os excluídos, saciar os insatisfeitos, motivar os desalentados e devolvê-los à sociedade, sãos e salvos, com certificação de qualidade e garantia perpétua de actualização permanente. 

O emergir da sociedade do conhecimento acentuou muitas assimetrias sociais. Cada vez é maior o fosso entre os que tudo têm e os que lutam para ter algum; entre os que participam e os que são marginalizados e impedidos de cooperar; entre os que protagonizam e os que se limitam a aplaudir; entre os literatos dos múltiplos códigos e os que nem têm acesso à informação. 

E é este mundo de desigualdades que exige à escola e ao professor a tarefa alquimista de homogeneizar as diferenças. 

Os professores podem e estão habituados a fazer muito e bem. Têm sido os líderes das forças de sinergia que mantêm os sistemas sociais e económicos em equilíbrio dinâmico. São eles que, no silêncio de cada dia, e sem invocar méritos desnecessários, evitam que muitas famílias se disfuncionalizem, que as sociedades se desagreguem, que os estados se desestruturem, que as religiões se corroam. 
Mas não podem fazer tudo. Melhor diríamos: é injusto que se lhes peça que façam ainda mais. Particularmente quando quem o solicita sabe, melhor que ninguém, que se falseia quando se tenta culpabilizar a escola e os professores pelos mais variados incumprimentos imputáveis à sistemática incompetência dos ministros, do demissionismo e laxismo das famílias, da sociedade e do próprio Estado tutelar. 

É bom que se repita: os professores, por mais que se deseje, infelizmente não têm esse poder extraordinário. Dizemos infelizmente porque, se por feitiço o tivessem, nunca tamanho domínio estaria em tão boas e competentes mãos. 

E é precisamente porque nunca foram tocados por qualquer força sobrenatural que os professores, como qualquer outro profissional, também estão sujeitos à erosão das suas competências; que, como qualquer técnico altamente qualificado, eles também necessitam de actualização permanente. E é por isso mesmo que os docentes reclamam uma avaliação justa do seu esforço profissional. Todas as escolas preparam impreparados. Até as que formam professores. Sempre foi assim e, daí, nunca veio mal ao mundo. É a sequência e a consequência da evolução dialéctica das sociedades e das mentalidades. 
Por isso, centrar a discussão no excesso de escolas e de professores, como se tal fosse estigma exclusivo desta classe e justificasse as perversas iniciativas ministeriais de despedimentos colectivos, traduz uma inqualificável atitude de desprezo da tutela pela verdade e pela busca de soluções credíveis e partilhadas. 

Admitir que a escola pode resolver todos os problemas e contradições da sociedade, resulta em transformá-la em vítima evidente do seu próprio progresso. 

Os docentes não podem solucionar a totalidade dos problemas com que se confrontam as sociedades contemporâneas, sobretudo se não tiverem o incondicional apoio do Estado, das famílias e das instituições sociais que envolvem a comunidade escolar. 

Os professores não têm o poder de operar prodígios. São profissionais, de corpo inteiro e altamente qualificados. 

A nossa sociedade não se pode dar ao luxo de os deixar, parados, no desemprego, mesmo que encapotado. 

No estádio de desenvolvimento de Portugal, face aos seus parceiros europeus, é preciso que se diga e repita todos os dias que não temos professores e escolas a mais. 

Por tudo isso, por favor não os obriguem a ser mais do que são, ou nunca serão o que o futuro lhes exige que venham a ser. - fonte

 ruivo@rvj.pt

09/07/14

PROFESSORES: do que fomos perdendo..


Sem apreciações de maior..
Sem considerações sobre o inegável desgaste da profissão mais a inerente qualidade do serviço prestado..
Só para que se saiba ..

Em 1989, na 1ª colocação a seguir ao estágio (que fiz depois de 11 anos de serviço), com 33 anos de idade e 3 "fases", eu já tinha menos 4h lectivas (18, em vez de 22)
--- e q ninguém pense que era uma "rica vida"! 

 do Decreto-Lei n.º 290/75: 
de Antoni Tàpies
«O facto de o horário de serviço obrigatório do pessoal docente ser, em regra, inferior ao do restante funcionalismo não elimina, nem sequer atenua, relevantemente essa disparidade (salarial), pois àquele se torna necessário, para além das aulas que ministra, ocupar ainda largo tempo na respectiva preparação, na feitura e apreciação de provas de avaliação de conhecimentos, na obtenção de uma indispensável formação cultural e profissional e na realização de outras actividades que obrigam desde já a uma maior permanência nos estabelecimentos de ensino, independentemente de se considerar que só quando nos mesmos se dispuser de instalações adequadas se poderá, na verdade, redefinir o horário destes profissionais.» 
Em 1975, quando havia sensibilidade para as questões da educação, legislou-se assim:
http://www.igf.min-financas.pt/Leggeraldocs/DL_290_75.htm



2007 - Estragos de uma sinistra ministra:
O ECD (Estatuto da Carreira Docente) publicado 19 de Janeiro de 2007, imposto pela então ministra da educação Maria de Lurdes Rodrigues, alterou a redacção do artigo 79º (do ECD de 1990), retardando na idade a atribuição de horas de redução da componente lectiva (CL) por idade e tempo de serviço. - fonte

«Na nova redacção então aprovada, o regime de redução da CL (componente lectiva) dos professores dos 2º e 3º ciclos do Ensino Básico, do Ensino Secundário e da Educação Especial que passou a vigorar foi o seguinte: 
  • 50 anos de idade e 15 de serviço: 2 horas de redução; 
  • 55 anos de idade e 20 anos de serviço: + 2 horas de redução; 
  • 60 anos de idade e 25 anos de serviço: + 4 horas de redução. 

Ora .. considerando que
  • um professor que comece a trabalhar no fim do seu curso terá, em princípio, 23 anos. 
  • todos os anos terá sido colocado com horário completo, 
............. Aos 50 anos não terá perfeito 15, mas 27 anos de serviço! Assim sendo, de onde raio vem a associação 50 -15 ?!! Só a entenderia se fosse 50 de idade ou 15 de serviço .....

2013 ... a machadada final do rastejante economicista alcandorado a ministro:
Não tendo outro projecto educativo que não seja a redução de custos com este serviço público (que não com os comparsas do privado!..), o lacaio do senhor Crato vem, desde que pegou no tacho, fazendo de tudo para despedir o maior número possível de professores e infernizar a vida dos que ficam, bem além do sonhado pela sua ilustre mentora:

Governo acaba com horário reduzido para professores

Os docentes com mais de 50 anos que até agora usufruíam de redução de horário em sala de aula, a qual poderia ir até menos 8 horas semanais, deixarão de beneficiar desta regalia. Assim decidiu o Executivo liderado por Pedro Passos Coelho, sendo que a medida que acaba com a redução da componente lectiva para os professores em topo de carreira, se inscreve na reforma do Estado, no âmbito da qual o Ministério da Educação, dirigido por Nuno Crato, terá de conseguir uma poupança na ordem dos mil milhões de euros. --- ler mais aqui

Não falo do que perdemos com o 1º ECD (as greves de 1988 e indesejada desconvocatória - que levou à des-sindicalização de centenas de professores, se alguém se lembra..), ou de como o 2º o tornou até aceitável..
Menos ainda falo das condições que, transitando do famigerado Estado Novo, se mantiveram até ao referido 1º ECD e que, bem vistas as coisas e pondo de parte a questão salarial, consideravam com mais justeza uma realidade profissional fortemente marcada pelo stress e o desgaste, nomeadamente psicológico:
  • direito a 2 dias de faltas por mês (o então artigo 4º); 
  • reforma aos 55 anos.

Pois..

20/06/13

o quero-posso-mando do governo fora-da-lei

e o ECD??, pergunto eu.....

recebido via e-mail: 

Assunto: FW: LER COM ATENÇÃO: Conselho de Ministros - Novo Despacho

A situação é mesmo grave. Leiam com atenção. A coisa já está no papel. A luta tem que ser dura, contrariamente ao que dizem os comentadores de serviço. 
Envio o Despacho já aprovado pelo Governo sobre a requalificação docente e sobre a mobilidade. 
Chamo a atenção para o ponto 3 que refere claramente que: serão postos "no olho da rua" os professores que não agradem a quem de direito, alegando para tal "motivos de interesse público". 
Se não perceberem agora, não poderão queixar-se no futuro.
1
Artigo 38.º
Alterações ao Decreto‐Lei n.º 139‐A/90, de 28 de abril

1 ‐ É alterado o artigo 64.º do Decreto‐Lei n.º 139‐A/90, de 28 de abril, alterado pelos
Decretos‐Leis n.ºs 105/97, de 29 de abril, 1/98, de 2 de janeiro, 35/2003, de 27 de fevereiro,
121/2005, de 26 de julho, 229/2005, de 29 de dezembro, 224/2006, de 13 de novembro,
15/2007, de 19 de janeiro, 35/2007, de 15 de fevereiro, 270/2009, de 30 de setembro, e
75/2010, de 23 de junho, e Decreto‐Lei n.º 41/2012, de 21 de fevereiro, que passa a ter a
seguinte redação:
“Artigo 64.º
Formas de mobilidade
1 – […]
a) – […]
b) – […]
c) – […]
d) – […]
e) – […]
2 – […]
3 – Por iniciativa da Administração, pode ocorrer a mobilidade de docentes para outro
estabelecimento de educação ou ensino ou zona pedagógica, independentemente do
concurso, com fundamento em interesse público decorrente do planeamento e organização da
rede escolar, sendo aplicados os procedimentos definidos diploma próprio.

4 – [Revogado]
5 – [Revogado]”

2‐ É aditado o artigo 64.ºA do Decreto‐Lei n.º 139‐A/90, de 28 de abril, alterado pelos
Decretos‐Leis n.ºs 105/97, de 29 de abril, 1/98, de 2 de janeiro, 35/2003, de 27 de fevereiro,
121/2005, de 26 de julho, 229/2005, de 29 de dezembro, 224/2006, de 13 de novembro,
15/2007, de 19 de janeiro, 35/2007, de 15 de fevereiro, 270/2009, de 30 de setembro, e
75/2010, de 23 de junho, e Decreto‐Lei n.º 41/2012, de 21 de fevereiro, com a seguinte
redação:
“Artigo 64.º‐A
2
Sistema de requalificação
1. O regime jurídico que institui e regula o sistema de requalificação é aplicado aos docentes
inseridos na carreira, com as especificidades previstas em diploma próprio.
2. A colocação em situação de requalificação faz‐se por lista nominativa que indica o vínculo
e o índice remuneratório, aprovada por despacho do dirigente máximo do serviço responsável
pela gestão dos recursos humanos da educação, a publicar no Diário da República.
3. O serviço responsável pela gestão dos recursos humanos da educação assume as
competências de entidade gestora do sistema de requalificação.”

Artigo 39.º
Alteração do Decreto‐lei n.º 132/2012, de 27 de junho
1. É aditado ao Decreto‐Lei n.º 132/2012, de 27 de junho, no Capítulo IV, a Secção IV com os
artigos 49.º‐A, 49.º‐B, 49.º‐C, 49.º‐D, 49.º‐E e 49.º‐F, tendo a seguinte redação:
“SECÇÃO IV
Mobilidade por iniciativa da Administração
Artigo 49.º‐A
Natureza
A presente secção regula a mobilidade prevista no n.º3 do artigo 64.º do ECD.

Artigo 49.º‐B
Âmbito de aplicação
1‐ Os procedimentos previstos na presente secção são aplicados aos docentes dos quadros de
agrupamento ou de escola não agrupada ou providos em quadro de zona pedagógica sem
componente letiva.
2‐ Cabe ao diretor geral de Administração Escolar efetivar a presente mobilidade.
Artigo 49.º‐C
Âmbito geográfico
1‐ A mobilidade dos docentes de quadro de agrupamento ou de escola não agrupada ocorre
dentro do espaço geográfico correspondente ao quadro de zona pedagógica onde se encontra
situado o estabelecimento de ensino ou de educação de provimento.
2‐ A mobilidade dos docentes de quadro de zona pedagógica, além do seu quadro de
colocação, ocorre dentro do segundo quadro de zona pedagógica identificado no n.º4 do
artigo 9.º do presente decreto‐lei.
3
3‐ A mobilidade pode ter a duração de 4 anos, desde que o docente mantenha a componente
letiva.
4‐ Os docentes identificados no n.º1 do presente artigo podem requerer o regresso ao
estabelecimento de origem, desde que se verifique a existência de horário com componente
letiva.

Artigo 49.º‐D
Identificação dos docentes
A identificação dos docentes a quem se aplicam os procedimentos da mobilidade obedece às
seguintes regras:
a) Havendo no agrupamento de escolas ou escola não agrupada mais docentes
interessados na mobilidade que os necessários, os candidatos são identificados por
ordem decrescente da graduação profissional;
b) Havendo no agrupamento de escolas ou escola não agrupada um número insuficiente
de docentes interessados na mobilidade, os docentes são identificados por ordem
crescente da sua graduação profissional.
c) Na identificação dos docentes de quadro de zona pedagógica aplica‐se o disposto nas
alíneas anteriores, considerando a lista de graduação por quadro de zona pedagógica.

Artigo 49.º‐E
Manifestação de preferências
1‐ Para efeitos do presente procedimento, podem os docentes manifestar preferências de
acordo com o disposto no artigo 9.º do presente decreto‐lei, sem prejuízo do disposto nos
números 1 e 2 do artigo 49.º‐C.
2‐ Após a aplicação dos procedimentos previstos na presente secção e verificadas as condições
para a mobilidade, pode a Administração Escolar aplicar o disposto no artigo 61.º da Lei n.º 12‐
A/2008, de 27 de fevereiro.

Artigo 49.º‐F
Procedimentos
Os procedimentos destinados à colocação em mobilidade são definidos em aviso de abertura a
publicitar na página electrónica da Administração Escolar”.
2 – É aditado ao Decreto‐Lei n.º 132/2012, de 27 de junho, no Capítulo IV, a Secção V com os
artigos 49.º‐G e 49.º‐H, tendo a seguinte redação:

“SECÇÃO V
4
Requalificação
Artigo 49.º‐G
Requalificação
1‐ Sem prejuízo do disposto nos artigos anteriores, o sistema de requalificação previsto no
artigo 64.º‐A do ECD é aplicado aos docentes de carreira que não obtenham colocação através
do concurso da mobilidade interna até 31 de janeiro do ano letivo em curso.
2‐ Cabe ao docente que se encontra em situação de requalificação manifestar interesse em se
manter na lista de não colocados para efeitos de procedimentos concursais destinados à
satisfação de necessidades temporárias até ao final do ano letivo em curso.
3‐ Os docentes que se encontram em situação de requalificação à data de abertura do
concurso interno ou do concurso destinado á satisfação de necessidades temporárias são
opositores na 1.ª prioridade nos termos do presente decreto‐lei.
Artigo 49.º‐H
Regime supletivo
Em tudo o que não estiver previsto na presente secção, aplica‐se o regime geral da
requalificação aplicado à Administração Pública.”

17/06/13

a poesia de um GUERREIRO

Segunda-feira, 17 de Junho de 2013
às 8:57

de Santana Castilho (Notas)


Aos professores do meu país, 
em luta pelo futuro dos seus alunos
 
No dealbar deste Dia, retomo palavras que dirigi aos professores do meu país, noutro Dia, não distante: 

Se eu fosse músico, apanhava todos os sons do riso das crianças, mais os gritos de raiva que abalam a Injustiça, o bater do coração que finalmente alcança, juntava tudo num cantar de Esperança e, neste dia, enchia com ele o ar à tua volta. 

Mas, sabes bem, eu sou apenas mais um… Podia ser pintor e agarrar o Sol, o Mar e o Voo, meter-lhes dentro a alma da tua Escola, marcá-los com o brilho dum olhar – claro como gelo ao sol do despertar, quente como fogo a arder no peito de quem vive - e encher com as suas cores o espaço do teu mundo

Mas, sabes bem, eu sou apenas mais um… 

Se eu fosse escritor, sim! Inventava as palavras que dizem a Justiça por que anseias – desde a raiz da Vida até ao fim do Tempo –, as mesmas palavras que dizem Liberdade e Razão, e com essas palavras que inventasse, fazia da Vida que constróis o teu Poema

Mas, sabes bem, eu sou apenas mais um… 

Santana Castilho

23/05/13

Aos meus professores... e aos outros

Comentário de  José Luís Ferreira  aposto ao artigo do Professor Santana Castilho,

retirado daqui


inst. Museu da Cidade de Almada
«Nem de propósito... Tal Grécia, tal Portugal. 

Carta aberta de um estudante liceal grego (Traduzida de "Echte Democratie Jetzt")»: 

Aos meus professores... e aos outros: 

O meu nome é K. M., sou aluno do último ano num liceu em Drapetsona, Pireu. 

Decidi escrever este texto porque quero exprimir a minha fúria, a minha revolta pelo atrevimento e pela hipocrisia daqueles que nos governam e daqueles jornalistas e media mainstream que os ajudam a pôr em prática os seus planos ilegais e imorais em detrimento dos alunos, dos estudantes e de todos jovens. 

A minha razão para escrever é a intenção dos meus professores de fazer greve durante o período dos exames de admissão à Universidade e os políticos e jornalistas que choram lágrimas de crocodilo sobre o meu futuro, o qual "estaria em causa" devido à greve.* 

De que falam vocês? Que espécie de futuro tenho eu devido a vocês? E quem é que verdadeiramente pôs em causa o meu futuro? 

Deitemos uma vista de olhos sobre quem, já há muito tempo, constrói o futuro e toda a nossa vida:
- Quem construiu o futuro do meu avô?
- Quem vestiu o seu futuro com as roupas velhas da administração das Nações Unidas para a ajuda de emergência e reconstrução e o obrigou a emigrar para a Alemanha?
- Quem governou mal e estripou este país?
- Quem obrigou a minha mãe a trabalhar do nascer ao pôr-de-sol por 530 euros por mês? Dinheiro que, uma vez paga a comida e as contas, nem chega para um par de sapatos, para já não falar num livro usado que eu queria comprar numa feira de rua.
- Quem reduziu a metade o ordenado do meu pai?
- Quem o caluniou, quem o ameaçou, quem o obrigou a regressar ao trabalho sob a ameaça da requisição civil, quem o ameaçou de despedimento, juntamente com todos os seus colegas dos serviços de transportes públicos quando eles, que apenas queriam viver com dignidade, entraram em greve?
- Quem procurou encerrar a universidade que o meu irmão frequenta para atingir alguns dos seus sonhos?
- Quem me deu fotocópias em vez de manuais escolares?
- Quem me deixa enregelar na minha sala de aula sem aquecimento?
- Quem carrega com a culpa de os alunos das escolas desmaiarem de fome?
- Quem lançou tanta gente no desemprego?
- Quem conduziu 4.000 pessoas ao suicídio?
- Quem manda de volta para casa os nossos avós sem cuidados médicos e sem medicamentos?
Foram os meus professores que fizeram tudo isto? Ou foram VOCÊS que fizeram tudo isto?
Vocês dizem que os meus professores vão destruir os meus sonhos fazendo greve.
Quem vos disse alguma vez que o meu sonho é ser mais um desempregado entre os 67% de jovens que estão no desemprego?
Quem vos disse que o meu sonho é trabalhar sem segurança social e sem horários regulares por 350 euros por mês, como determinam as vossas mais recentes alterações às leis laborais?
Quem vos disse que o meu sonho é emigrar por razões económicas? Quem vos disse que o meu sonho é ser moço de recados? 

Gostaria de dirigir algumas palavras aos meus professores e aos professores em toda a Grécia: 

Professores, vocês NÃO devem recuar um único passo no vosso compromisso para connosco. Se recuarem agora na vossa luta, então sim, estarão verdadeiramente a pôr em causa o meu futuro. Estarão a hipotecá-lo. 

Qualquer recuo vosso, qualquer vitória que o governo obtenha, roubará o meu sorriso, os meus sonhos, a minha esperança numa vida melhor e em combater por uma sociedade mais humana. 

Aos meus pais, aos meus colegas e à sociedade em geral tenho a dizer o seguinte: 

Quereis verdadeiramente que aqueles que nos ensinam vivam na miséria? 

Quereis que sejamos moldados nas salas de aulas como mercadorias de produção maciça? 

Quereis que eles fechem cada vez mais escolas e construam cada vez mais prisões? 

Ides deixar os nossos professores sozinhos nesta luta? É para isso que nos educais, para que recusemos a nossa solidariedade? 

Quereis que os nossos professores sejam para nós um exemplo de respeito por nós próprios, de dignidade e de militância cívica? Ou preferis que nos dêem um exemplo de escravidão consentida? 

Finalmente, quereis que vivamos como escravos? 

De amanhã em diante, todos os alunos e pais deviam ocupar-se de apoiar os professores com uma palavra de ordem: "Avançar e derrotar a tirania fascista!" 

Lutemos juntos por uma educação de qualidade, pública e livre. Lutemos juntos para derrubar aqueles que roubam o nosso riso e o riso dos vossos filhos. 


PS: Menciono as minhas notas do ano lectivo 2011/12, não por vaidade mas para cortar a palavra àqueles que avançarem com o argumento ridículo de que "só quero escapar às aulas": Comportamento do aluno: "Muito Bom". Classificação média: 20 ("Excelente") [a nota mais alta nos liceus gregos].


texto original:  http://enough14.org/2013/05/19/piraus-griechenland-offener-brief-eines-gymnasiasten/

tradução de José Luís Ferreira

10/05/13

Pq. AINDA HÁ Quem ...! Alô Professores!

MOÇÃO APROVADA EM PLENÁRIO DE PROFESSORES DA ESFH , EM GUIMARÃES, EM DEFESA DA ESCOLA PÚBLICA E DO TRABALHO DOS PROFESSORES


de Francisco Teixeira (Notas) - Quinta-feira, 9 de Maio de 2013 às 9:49


MOÇÃO



Os professores da Escola Secundária Francisco de Holanda, de Guimarães, reunidos em plenário e abaixo assinados, tomando em consideração as políticas deste Governo e do Ministério da Educação, nomeadamente:


1. o esgotamento e empobrecimento da Escola Pública através de turmas sobrelotadas, dificultando inaceitavelmente o trabalho pedagógico com os alunos, prejudicando particularmente aqueles com mais dificuldades e desvantagens sociais; 


2. o horário de trabalho letivo dos professores, de 22 horas, contadas ao minuto, a que se somam mais 13 horas não letivas, num montante total de 35 horas semanais, mas manifestamente abaixo do trabalho efetivamente realizado, sem qualquer direito a horas extraordinárias;


3. o número crescente de turmas e alunos por professor, alcançando cerca de 150 alunos num grande número de casos e, noutros, podendo chegar aos 200;


4. a diminuição de horas de trabalho para que os professores possam relacionar-se diretamente com as famílias dos seus alunos, condição essencial do sucesso educativo das crianças e jovens;


5. o completo congelamento das carreiras e progressões profissionais, há pelo menos seis anos, eliminando desse modo qualquer estímulo ao desenvolvimento profissional;


6. a redução acentuada dos salários, diminuindo as condições básicas de atualização e dignidade profissional, bem como da qualidade de vida das suas famílias;


7. e, como é do conhecimento público, a recente proposta de Governo de despedir todos os professores colocados em situação de horário zero, que se estima possam ser mais de quinze mil (não por falta de alunos ou tarefas educativas essenciais às escolas e aos país mas, bem pelo contrário, por uma sobrecarga pedagogicamente absurda do número de alunos e tarefas a desenvolver pelos professores), bem assim como a proposta de aumento do horário de trabalho das 35 para as 40 horas, o que conduzirá inevitavelmente à degradação das condições mínimas  das tarefas pedagógicas a realizar com os alunos, 



Deliberaram:



1. Rejeitar em absoluto o aumento do horário de trabalho dos professores para as 40 horas semanais, não porque se discorde, em princípio, com a ideia da igualdade do número de horas de trabalho dos trabalhadores do setor privado e da Função Pública (assinalando-se que os professores das escolas privadas têm o mesmo horário de trabalho semanal que os professores da Escola Pública, 35 horas), mas porque o desenvolvimento das tarefas educativas e docentes impõe exigências de esforço físico, intelectual e emocional, de atualização académica e trabalho de investigação fundamental e pedagógica, incompatíveis com tão elevado tempo de trabalho, que se antecipa essencialmente de caracter letivo.


De facto, todos os indicadores internacionais de trabalho dos professores dizem que os professores portugueses são dos que trabalham mais horas dentro da sala de aula, não se percebendo esta medida a não ser como uma absurda tentativa de despedimento de professores, aos milhares, em necessário detrimento da qualidade da educação e do ensino e, portanto, da igualdade de oportunidades entre todos os portugueses.


2. Rejeitar em absoluto a integração dos professores no “regime de mobilidade especial da Função Pública”, objetivo ostensivamente negado por este Governo e por este Ministro da Educação em várias intervenções públicas e não constante do Programa de Governo aprovado na Assembleia da República ou nos programas eleitorais dos partidos membros da coligação de Governo, o que corresponde, de facto, ao seu despedimento liminar, em muitos casos de professoras e professores com mais de vinte e vinte cinco anos de serviço, com quarenta ou quarenta e cinco anos de idade, ou mais, que toda a sua vida adulta foram formados para as profissões que desempenham, vidas inteiras ao serviço do ensino, da educação e do progresso de Portugal, e que agora se propõe sejam descartados e abatidos, nem sequer com subsídio de desemprego.


3. Solicitar aos vários sindicatos de professores, particularmente aos mais representativos, que encetem todas as formas de luta visando combater este anunciado assassínio da profissão docente e da Escola Pública, que irá destruir, de modo cruel e contrário aos interesses do país, milhares de vidas de professores e outros profissionais da educação.


4. Que essas formas de luta passem, desde já, pela convocação de greves em períodos coincidentes com as avaliações e os exames dos 11º e 12º anos, forma de luta extrema mas proporcional ao genocídio educacional e profissional posto em marcha por este Ministério da Educação e por este Governo.            


5. Solicitar aos pais dos nossos alunos que dialoguem ativamente com os professores dos seus filhos, de modo a melhor compreenderem o actual processo de desestruturação da Escola Pública por parte deste Governo, de que o despedimento massivo de milhares de professores e a destruição das suas vidas é apenas a primeira parte, mas de que os seus filhos e as suas expectativas de ascensão e progresso social serão as vítimas principais.


6. Desenvolver todas as ações necessárias ao combate a estas medidas ilegítimas e contrárias aos mais elementares interesses das famílias, dos alunos, das escolas, dos professores, de Portugal e dos portugueses.   


7. Mais se delibera enviar este comunicado para todas as instituições oficiais do país, para outras escolas, instando-as à ação, bem assim como para os meios de comunicação social.



Guimarães, Escola Secundária Francisco de Holanda, 8 de maio de 2013

25/10/12

profs portugueses sofrem todos de 'burnout'!

Estudo - entrevista publicada na Visão: aqui
com Lusa 10:32 
Segunda feira, 1 de Outubro de 2012


Ser professor em Portugal é mais stressante que viver nos EUA 

de Egon Schiele

Os professores portugueses têm um nível de stress superior à população norte-americana, considerada uma das sociedades mais stressantes, conclui um estudo sobre o esgotamento físico e mental dos docentes portugueses.

[só é novidade para quem não é professor .. e é bom que os 'outros' fiquem esclarecidos ..]



Alexandre Ramos, autor do estudo sobre 'burnout' (esgotamento físico e mental) entre os docentes portugueses, explicou hoje à agência Lusa que, com base nas suas conclusões, "a grande maioria dos professores encontra-se em níveis médios e baixos de 'burnout', mas nenhum se encontra no estado de ausência [de 'burnout?], o que parece ser preocupante".
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"Se queremos preservar a qualidade de ensino nas escolas, é indispensável preocuparmo-nos seriamente e imediatamente com a saúde dos professores", alertou o especialista, que considera o problema preocupante por causa da qualidade de ensino nas escolas. [bom .. obviamente que Nuno Crato não conhece este estudo .. ou será que ..... (.. maquiavelismos meus) o despedimento de tantos professores foi, afinal, um acto seu de puro altruísmo? Uma tentativa de poupar, ao menos, aquelas dezenas de milhar ao efeito corrosivo da profissão? Vá, agradeçam-lhe, seus ingratos-piegas: desempregados, sim, mas não 'burnt-out'!!]
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O especialista realçou ainda que "os professores portugueses têm um nível de stress superior à população norte-americana", considerada uma das sociedades mais stressante e onde o valor (de 'burnout') é de 13,02.
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O psicólogo clínico e de aconselhamento explicou que o 'burnout' tem três dimensões: a exaustão emocional, a despersonalização e a perda de realização pessoal no trabalho.
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O nível de 'burnout' detetado por Alexandre Ramos era baixo em 35,8 % dos professores, médio em 43,8% e alto em 20,4%.
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"Nenhum dos professores inquiridos apresentava ausência de 'burnout', ou seja, condições nulas em exaustão emocional e despersonalização, nem pontuações elevadas na realização pessoal no trabalho", referiu.

Os fatores que o psicólogo clínico e de aconselhamento apontou como contributos para a situação de 'burnout' são "a indisciplina dos alunos, as más relações com os colegas de trabalho e com a direção, a carga objetiva de trabalho e a burocracia".

O investigador recordou que "um nível muito elevado de 'burnout' está altamente associado a problemas de saúde e absentismo no trabalho". Os sintomas de mau estar ocupacional mais relatados são a falta de tempo para a família e amigos, dores musculares, de coluna e de cabeça, perda de energia e cansaço, irritabilidade e perda de paciência com facilidade, esquecimentos e sentimento de falta de reconhecimento profissional. [óbvio, e não era preciso um 'estudo' para chegar a estas conclusões: bastava os senhores jornalistas falarem com professores .. ]

de Hans Bellmer, retirada daqui

Alexandre Ramos realizou dois trabalhos: um estudo na escola secundária de Camões (com 26 dos 140 professores) e outro a nível nacional, abrangendo 10 escolas. Quando comparou o nível de stress dos professores com dados obtidos em 2002, o investigador verificou, contudo, que se regista uma ligeira descida, passando de 19,17 para 17,45. [..devia ter vindo a uma escola da periferia .. margem sul, por exemplo..]

No entanto, realçou que "os professores portugueses têm um nível de stress superior à população norte-americana", considerada uma das sociedades mais stressante e onde o valor (de 'burnout') é de 13,02.

O investigador também concluiu que os professores menos propensos a 'burnout' são os de informática e avança uma possível explicação: "Talvez os níveis de indisciplina sejam menores nessas aulas, pois os alunos estão mais ocupados a trabalhar no computador".
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Por outro lado, as professoras tendem a apresentar níveis de "stress percebido" e alguns sintomas de mau estar ocupacional, físicos e emocionais significativamente superiores aos homens.

 Já os professores (homens) "tendem a revelar níveis mais altos de despersonalização ou cinismo, o que significa olhar para os alunos e vê-los como meros objetos", acrescentou.

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E pronto. Estudo feito (e ainda bem!). Notícia dada (positivo!) E agora .. caixote do lixo com ele, arquivo-morto, o que quer q não vá incomodar o yes-minister.
A vida continua. Os professores vão queimando mais uns fusíveis, quando já não aguentarem metem baixa, se a coisa for mesmo séria hão-de ser chamados a junta-médica. Que se encarregará de os pôr knock-out de vez!
Qualquer dia ponho aqui o relato da minha recente-péssima-experiência com uma das tais ..
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07/09/12

foto daqui

pois .. elas às vezes até se unem .. (*)

(*) private joke relacionada com o post anterior ..

“Não há professores a mais, há escola a menos” 

--- e demasiados alunos por turma, digo eu, e escusam de me vir com rácios falaciosos, 'tá? As minhas, de há muitos anos que têm em média 25, 28 alunos!

Fenprof e FNE reagem à entrevista do ministro da Educação em que este afirma que há docentes a mais e que a redução é inevitável. Os sindicalistas afirmam que as políticas de Nuno Crato é que são as responsáveis pela redução do número de professores, e não qualquer inevitabilidade.    - ler notícia aqui

Pergunta impertinente: de quantas mais razões vão os sindicatos precisar para decretarem uma greve? JÁ, não 'abrindo' o ano lectivo, por exemplo? 

Alguém escreveu algures, há pouco tempo: «Já perdemos 2 meses de ordenado (subsídios de Natal e de férias) - por que razão não fazemos um mês de greve?» 

Que tal, Fenprof e FNE? Transformar essa reacção coincidente numa luta conjunta que o seja de facto? E .. vai uma aposta? Eu ponho um mês de ordenado - em como uma semana bastava!

Oh se bastava! Se quiserem, explico por e para quê.


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o crédito da cretinice


 .
Entrevista ao Sol
- ler  aqui   (e adianto já que não vale a pena, só vos vai é fazer subir a tensão..) 
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Crato diz que há professores a mais e que “redução é inevitável”

07.09.2012 - 08:35 Por Romana Borja-Santos

(...)
«Por outro lado, o titular da pasta da Educação frisa que ainda há vários horários por preencher. » --- afinal, em que ficamos??!! E, para quem precise de explicações, "vários horários por preencher" é igual a dizer que há centenas/milhares de alunos que vão passar uns tempos sem aulas a algumas disciplinas.

(...)
masks, de Man Ray
«"O que temos sempre dito é que os professores do quadro são necessários e que, além disso, há algumas necessidades mais”, explica.» --- os do quadro e os que o não são, digo eu, já que, e repito a citação de Sua Crateza, "ainda há vários horários por preencher"!!
.
Agora .. esta sua frase, se bem atinarem, é do mais 'cratino' que se possa imaginar! "Sempre temos dito que os professores do quadro são necessários"??!! Ou seja, nunca negámos que a escola pública tem que ter professores ??!! Que é isto, yes-minister ??? !!!!!!!!!!!!!!
 .
E já agora, que "algumas necessidades mais" são essas que o senhor não explica (e, cá para mim, nem conhece)? Serão rosas, senhor? Serão apoios? Alunos do Ensino Especial carecendo dos respectivos técnicos = professores habilitados? Pares pedagógicos? Desdobramento de turmas nas disciplinas com componente prática? (E as línguas estrangeiras para quando neste grupo, gostava eu de saber!)
 .
Não! Não me diga Vossa Alteza que vai pensar num plano inclinado para turmas com um número aceitável de alunos, assim .. não mais de 20? Sabe que eu gostava, gostava mesmo muito, de o ver a si, senhor doutor, a dar aulas a 30 'galfarros' do 7.º ano, por exemplo aqui na margem sul! Ou do 9.º, daqueles que transita(ra)m sistematicamente reprovados a 3 disciplinas, que tal? Ou até aos do 10.º, 11.º, que a indisciplina (a que o senhor fecha os olhos como se fosse coisa de somenos!)  já grassa até entre alunos de mestrado! Aposto que sabe, ora diga lá? E aposto que se está positivamente nas tintas, verdade, meu caro?  

Pois. A Excelência Parda que agora orquestra o ME promete que vai pensar .. (again??!!).
Diz-se e desdiz-se (confirmem na entrevista..).
Seguindo o exemplo do chefe da quadrilha, persiste em  falácias sobejamente, objectivamente desmontadas (*), no caso, sobretudo por SANTANA CASTILHO, que é quem deveria - oh, sim! - ser o ministro da Educação de qualquer governo português, fosse o critério seguido, não a filiação partidária, não a in-qualidade carneiro-carreirista, mas, como seria de esperar de um Estado de bem, pura e simplesmente - obviamente! - A ESCOLHA DO MELHOR. [ * por exemplo, sobre a alegada "diminuição brutal" do número de alunos: ver contraditório aqui  e aqui ]

Hélas.
Monsieur Crato tem-se em grande conta. (Diz a wikipedia que é "primo-sobrinho-trineto em 2º grau do 1.º Barão e 1.º Visconde de Nossa Senhora da Luz"-- oh!)
Os jornalistas de serviço parecem ter monsieur Crato em grande conta. Dedicam-lhe páginas inteiras nos jornais, dão-lhe sobejo tempo de antena (que nós pagamos!) - para dizer .. NADA. Ou mentiras. Ou gabarolices. Ou promessas de que vai pensar..
Monsieur Crato não vale NADA enquanto ministro da Educação. 
Monsieur Crato não tem NADA que se assemelhe a uma ideia para a Educação, naquela cabeça.
Monsieur Crato não tem um pingo de vergonha na cara.
Monsieur Crato não tem, sequer, uma cara.

Monsieur Crato é, desde o 25 de Abril, o ministro da Educação que mais senha justiceira e vingadora (que não vingativa!) devia despertar na CLASSE DOCENTE (do quadro, contratados, «a mesma luta»!) e nas organizações que ela sustenta e que, supostamente, a deveriam defender e representar - com unhas e dentes!

NADA. 
Os professores viram-se uns contra os outros, bem-cumprindo os desígnios deste crat-assos: «dividir para governar!». Cumprem. Vergam-se. Não se unem. Não exigem. Não ousam .. NADA.
Os sindicatos, quais púdicas donzelas, não mostram mais que um dentinho, recolhem-se em silêncio aos seus gabinetes, tristes, lá vestem umas calcitas quando periodicamente chamados à corte, tristes. Esgrimem orgulhos que não têm, galarotes de papo ao alto em declarações para tv-er. Não se organizam. Não se entendem. Não propõem lutas que se vejam. Não ousam .. NADA.

 Tristes, uns e outros, ignorantes do poder que têm, assim quisessem, assim se unissem!
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21/07/12

floihsdaptuademrdea, cõreabs -- sorry ..

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é o que esta gente me provoca, reacções assim intempestivo-irracionais-imprópriasdemim, ímpetos esganadores, linguagem desbragada! E valha-me o Gil Vicente!


imagem daqui: https://www.facebook.com/CEPOVOA.FORMACAO


*

18/07/12

Uma classe zombie e um ministro bárbaro

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Santana Castilho, de novo e sempre, sofrendo as dores que são nossas, descobrindo-nos as feridas assim, sem paninhos quentes, o pus à vista, urgindo tratamento ..  Nada. Os professores "comem e calam", sempre o fizeram, vergando-se (ainda que contrariados) aos devaneios tresloucados dos vários ministros que vão passando pela Educação, PSs ou PSDs. Apanham e parece que pedem mais. Queixam-se muito -  na sala de professores. Manifestam-se na rua e depois voltam às suas escolas, cumprindo tudo, o rabinho metido entre as pernas. A maioria das vezes, só percebem a tempestade depois que o raio os atinge.  Não embarcam em lutas "perigosas" tipo greves que (lhes) doam, não ousam, não têm ideias, não se informam, queixam-se só - e baixinho. Não Santana Castilho, que arrisca "gritar" bem alto.  Que acusa, coberto de razão. Que se/nos informa. Que pensa por quem tinha, mais que ninguém, obrigação de pensar. Que aponta caminhos a quem teima em não os ver (greves de zelo, por exemplo? às matrículas, à formação de turmas.. ? ). Pois .. o tanto que se podia (devia!) fazer, e a mossa que isso ia causar, assim a classe o ouvisse !!!


in Público, 18/7/2012
por Santana Castilho
 

Uma classe zombie e um ministro bárbaro 

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Numa sexta-feira, 13, a tampa de um enorme esgoto foi aberta ante a complacência de uma classe que parece morta em vida. Nuno Crato exigiu e ameaçou: até 13 de Julho, os directores dos agrupamentos e das escolas que restam tiveram que indicar o número de professores que não irão ter horário no próximo ano-lectivo. Se não indicassem um só docente que pudesse vir a ficar sem serviço, sofreriam sanções. Esta ordem foi ilegítima. Porque as matrículas e a constituição de turmas que delas derivam não estavam concluídas a 13 de Julho. Porque os créditos de horas a atribuir às escolas, em função da deriva burocrática e delirante de Nuno Crato, não eram ainda conhecidos e a responsabilidade não é de mais ninguém senão dele próprio e dos seus ajudantes incompetentes. Não se conhecendo o número de turmas, não se conhecendo os cursos escolhidos pelos alunos e portanto as correspondentes disciplinas, não se conhecendo os referidos créditos, como se poderia calcular o número de professores? Mas, apesar de ilegítima, a ordem foi cumprida por directores dúcteis. Como fizeram? Indicaram, por larguíssimo excesso, horários zero. Milhares de professores dos “quadros” foram obrigados, assim, a concorrer a outras escolas por uma inexistência de serviço na sua, que se vai revelar falsa a breve trecho. Serão “repescados” mais tarde, mas ficarão até lá sujeitos a uma incerteza e a uma ansiedade evitáveis. Por que foi isto feito? Que sentido tem esta humilhação? Incapacidade grosseira de planeamento? Incompetência? Irresponsabilidade? Perfídia? Que férias vão ter estes professores, depois de um ano-lectivo esgotante? Em que condições anímicas se apresentarão para iniciar o próximo, bem pior? Que motivação os animará, depois de tamanha indignidade de tratamento, depois de terem a prova provada de que Nuno Crato não os olha como Professores mas, tão-só, como reles proletários descartáveis? É de bárbaro sujeitar famílias inteiras a esta provação dispensável. É de bárbaro a insensibilidade demonstrada. Depois do roubo dos subsídios, do aumento do horário de trabalho, da redução bruta dos tempos para gerir agrupamentos e turmas, da tábua rasa sobre os grupos de recrutamento com essa caricatura de rigor baptizada de “certificação de idoneidade”, da menorização ignara da Educação Física e do desporto escolar, da supina cretinice administrativa da fórmula com que o ministro quer medir tudo e todos, da antecipação ridícula de exames para o início do terceiro período e do folclórico prolongamento do ano-lectivo por mais um mês, esta pulseira electrónica posta na dignidade profissional dos professores foi demais.
Todas as medidas de intervenção no sistema de ensino impostas por Nuno Crato têm um objectivo dominante: reduzir professores e consequentes custos de funcionamento. O aumento do número de alunos por turma fará crescer o insucesso escolar e a indisciplina na sala de aula. Mas despede professores. A revisão curricular, sem nexo, sem visão sistémica, capciosa no seu enunciado, que acabou com algumas disciplinas e diminuiu consideravelmente as horas de outras, particularmente no secundário, não melhorará resultados, nem mesmo nas áreas reforçadas em carga horária. Mas despede professores. Uma distribuição de serviço feita agora ao minuto, quando antes era feita por “tempos-lectivos”, vai adulterar fortemente a continuidade da leccionação das mesmas turmas, em anos consecutivos, pelos mesmos professores (turmas de continuidade), com previsível diminuição dos resultados dos alunos. Mas despede professores. As modificações impostas à chamada “oferta formativa qualificante”, mandando às urtigas a propalada autonomia das escolas, substituídas nas decisões pelas “extintas” direcções-regionais (cuja continuidade já está garantida, com mudança de nome) não melhora o serviço dispensado aos alunos. Mas despede professores.
Ao que acima se enunciou, a classe tem assistido em letargia zombie. Não são pequenas ousadias kitsch ou jograis conjuntos de federações sindicais, federações de associações de pais e associações de directores, carpindo angústias e esmagamentos, que demovem a barbárie. Só a paramos com iniciativas que doam. Os professores têm a legitimidade profissional de defender os interesses da classe. Digo da classe, que não de cada um dos grupos dentro da classe. E têm a responsabilidade cívica de defender a Escola Pública, constitucionalmente protegida. Crato vai estatelar-se e perder-se no labirinto que criou para o ano-lectivo próximo. Perdidos tantos outros, é o tempo propício para um novo discurso político, orientador e agregador da classe. A quem fala manso e age duro, urge responder com maior dureza. Lamento ter que o dizer, mas há limites para tudo. Como? Assim a classe me ouvisse. Crato vergava num par de semanas