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31/05/13
24/05/13
Avoila quer a taça

Expresso.pt
por Daniel Oliveira
O ataque aos funcionários públicos é de tal dimensão (com perdas salariais em apenas dois que estarão entre os 10% e os 15%, o roubo aos seus pensionistas e a preparação de um despedimento cobarde e à margem de qualquer lei) que é difícil imaginar que mais do que meia dúzia de funcionários do Estado deixem de fazer greve quando ela for marcada. Não sei se há condições, porque isso resulta em mais perdas salariais, para ir mais longe do que a greve simbólica de um dia. Saberá quem está no terreno. Sei que nunca alguma greve dos funcionários públicos foi tão justificada e que ela deve ser tão firme quanto possível para travar esta loucura. Não são apenas os funcionários públicos que estão em causa. Somos todos nós.
A primeira regra para quem esteja convicto de que este governo é uma catástrofe para o País e para quem lhe queira resistir é pôr pequenas guerras de protagonismo de lado e tentar que tão amplo descontentamento seja plenamente representado.
A eleição do novo secretário-geral da UGT e os primeiros encontros
entre as duas centrais sindicais são, desse ponto de vista, uma boa
notícia. Só espero que sejam consequentes.
Mas não foi preciso passarem muitos dias para que, no terreno, se sentisse o pior da vida política nacional. Ana
Avoila, que representa a Frente Comum de Sindicatos da Função Pública,
decidiu anunciar uma greve sem informar os restantes sindicatos. Perguntada se não seria mais eficaz uma greve marcada por todos respondeu, sem grandes justificações: "Não acho nenhuma greve conjunta melhor".
Perguntada porque não informou os restantes sindicatos, alguns deles
bastante representativos, disse, num tom de arrogância quase infantil: "Eu não tenho de dizer, digo se quiser". E concluiu: "Nós decidimos a nossa greve". Como se a greve fosse um brinquedo seu e não um direito, que se traduz em sacrifícios, dos trabalhadores.
É provável que os sindicatos que Avoila acha que não
interessam acabem por seguir a marcação da greve da Frente Comum. Fazem
bem. Há valores que devem ser postos à frente da guerra de
protagonismos. Defender os funcionários públicos e os trabalhadores é muito mais importante do que estas pequenas guerras.
Mas obrigo-me, como alguém que aqui já várias vezes criticou a postura
da UGT e dos seus sindicatos face ao que está a ser feito, a deixar esta
nota: Com esta postura, a sindicalista Ana Aivola não se comportou
como uma sindicalista. Comportou-se como uma preciosa aliada de Vítor
Gaspar. Porque contribuiu para a divisão entre trabalhadores e deu uma péssima imagem dos sindicatos que os devem representar.
Infelizmente, o que vem aí é demasiado grave.
Felizmente, a revolta e a determinação dos funcionários públicos estará
acima destas coisas. Felizmente ou infelizmente, Ana Avoila é demasiado
trapalhona (para não dizer outra coisa mais desagradável) para conseguir
disfarçar o absurdo da sua indecorosa posição. Também é por estas e por
outras que o sindicalismo vive tempos difíceis. É que não são apenas
alguns patrões e o governo que veem esta crise como uma oportunidade.
Há quem, quando se opõe a ele, não resista a querer levar uma taça para
casa.
23/05/13
Aos meus professores... e aos outros
Comentário de José Luís Ferreira aposto ao artigo do Professor Santana Castilho,
retirado daqui
Carta aberta de um estudante liceal grego (Traduzida de "Echte Democratie Jetzt")»:
Aos meus professores... e aos outros:O meu nome é K. M., sou aluno do último ano num liceu em Drapetsona, Pireu.Decidi escrever este texto porque quero exprimir a minha fúria, a minha revolta pelo atrevimento e pela hipocrisia daqueles que nos governam e daqueles jornalistas e media mainstream que os ajudam a pôr em prática os seus planos ilegais e imorais em detrimento dos alunos, dos estudantes e de todos jovens.A minha razão para escrever é a intenção dos meus professores de fazer greve durante o período dos exames de admissão à Universidade e os políticos e jornalistas que choram lágrimas de crocodilo sobre o meu futuro, o qual "estaria em causa" devido à greve.*De que falam vocês? Que espécie de futuro tenho eu devido a vocês? E quem é que verdadeiramente pôs em causa o meu futuro?Deitemos uma vista de olhos sobre quem, já há muito tempo, constrói o futuro e toda a nossa vida:
- Quem construiu o futuro do meu avô?
- Quem vestiu o seu futuro com as roupas velhas da administração das Nações Unidas para a ajuda de emergência e reconstrução e o obrigou a emigrar para a Alemanha?
- Quem governou mal e estripou este país?
- Quem obrigou a minha mãe a trabalhar do nascer ao pôr-de-sol por 530 euros por mês? Dinheiro que, uma vez paga a comida e as contas, nem chega para um par de sapatos, para já não falar num livro usado que eu queria comprar numa feira de rua.
- Quem reduziu a metade o ordenado do meu pai?
- Quem o caluniou, quem o ameaçou, quem o obrigou a regressar ao trabalho sob a ameaça da requisição civil, quem o ameaçou de despedimento, juntamente com todos os seus colegas dos serviços de transportes públicos quando eles, que apenas queriam viver com dignidade, entraram em greve?
- Quem procurou encerrar a universidade que o meu irmão frequenta para atingir alguns dos seus sonhos?
- Quem me deu fotocópias em vez de manuais escolares?
- Quem me deixa enregelar na minha sala de aula sem aquecimento?
- Quem carrega com a culpa de os alunos das escolas desmaiarem de fome?
- Quem lançou tanta gente no desemprego?
- Quem conduziu 4.000 pessoas ao suicídio?
- Quem manda de volta para casa os nossos avós sem cuidados médicos e sem medicamentos?
Foram os meus professores que fizeram tudo isto? Ou foram VOCÊS que fizeram tudo isto?
Vocês dizem que os meus professores vão destruir os meus sonhos fazendo greve.
Quem vos disse alguma vez que o meu sonho é ser mais um desempregado entre os 67% de jovens que estão no desemprego?
Quem vos disse que o meu sonho é trabalhar sem segurança social e sem horários regulares por 350 euros por mês, como determinam as vossas mais recentes alterações às leis laborais?
Quem vos disse que o meu sonho é emigrar por razões económicas? Quem vos disse que o meu sonho é ser moço de recados?Gostaria de dirigir algumas palavras aos meus professores e aos professores em toda a Grécia:Professores, vocês NÃO devem recuar um único passo no vosso compromisso para connosco. Se recuarem agora na vossa luta, então sim, estarão verdadeiramente a pôr em causa o meu futuro. Estarão a hipotecá-lo.Qualquer recuo vosso, qualquer vitória que o governo obtenha, roubará o meu sorriso, os meus sonhos, a minha esperança numa vida melhor e em combater por uma sociedade mais humana.Aos meus pais, aos meus colegas e à sociedade em geral tenho a dizer o seguinte:Quereis verdadeiramente que aqueles que nos ensinam vivam na miséria?Quereis que sejamos moldados nas salas de aulas como mercadorias de produção maciça?Quereis que eles fechem cada vez mais escolas e construam cada vez mais prisões?Ides deixar os nossos professores sozinhos nesta luta? É para isso que nos educais, para que recusemos a nossa solidariedade?Quereis que os nossos professores sejam para nós um exemplo de respeito por nós próprios, de dignidade e de militância cívica? Ou preferis que nos dêem um exemplo de escravidão consentida?Finalmente, quereis que vivamos como escravos?De amanhã em diante, todos os alunos e pais deviam ocupar-se de apoiar os professores com uma palavra de ordem: "Avançar e derrotar a tirania fascista!"Lutemos juntos por uma educação de qualidade, pública e livre. Lutemos juntos para derrubar aqueles que roubam o nosso riso e o riso dos vossos filhos.PS: Menciono as minhas notas do ano lectivo 2011/12, não por vaidade mas para cortar a palavra àqueles que avançarem com o argumento ridículo de que "só quero escapar às aulas": Comportamento do aluno: "Muito Bom". Classificação média: 20 ("Excelente") [a nota mais alta nos liceus gregos].
texto original: http://enough14.org/2013/05/19/piraus-griechenland-offener-brief-eines-gymnasiasten/
tradução de José Luís Ferreira
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