- as imagens das colunas laterais têm quase todas links ..
- nas páginas 'autónomas' (abaixo) vou recolhendo posts recuperados do 'vento 1', acrescentando algo novo ..

25/06/12

PS, um partido sem saber nem sabor

Júlio Pomar, Pessoa encontra D. Sebastião


25.06.2012 - 08:43 Por PÚBLICO
Parlamento

Passos Coelho recebe a primeira moção de censura


O Parlamento discute nesta segunda-feira a primeira moção de censura apresentada contra o Governo do PSD-CDS liderado por Pedro Passos Coelho. A censura ao Executivo é apresentada pelo PCP. A moção dos comunistas não vai passar no Parlamento, pois os deputados eleitos pelo PSD e pelo CDS perfazem cinquenta por cento mais um dos lugares no hemiciclo. Mas o momento viverá do simbolismo democrático e parlamentar deste acto e do debate que se verificará.

A moção do PCP tem voto favorável garantido pelo BE . Já Os Verdes, partido que é eleito para São Bento em coligação com o PCP, irá votar ao lado dos comunistas. (bom... estes jornalistas deviam aprender a escrever... "já os Verdes.." e a gente fica a pensar numa traição.. enfim..) . A direcção do PS declarou logo a semana passada que o sentido do seu voto é a abstenção.

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, justificou esta moção com o "pacto de agressão" a Portugal, o "aumento da exploração" e o "empobrecimento" que "afundam o país" e o conduzem "ao desastre".
*
Nunca gostei de pessoas que, nos momentos decisivos, se abstêm. É assim como um assumir que não se tem opinião, um 'pilatoso' lavar de mãos, um encolher de ombros insultuoso - no caso, para com um povo que elegeu os seus representantes - não como "figuras de corpo presente-só"; não para que se descomprometam, cobardemente; não para que, estando lá, façam dos seus públicos e bem remunerados lugares uma confortável despresença.

Assim vem sendo frequentemente entre os partidos "de alterne" na AR: PS e PSD acobertando-se um ao outro com argumentos que já não pegam, nomeadamente o de garantirem um ao outro a possibilidade de governar sem sobressaltos, hoje tu, amanhã eu, favor com favor se paga, eu protejo os teus telhados enquanto tu protegeres os meus.

Confiam todos na proverbial estupidez dos portugueses, na sua falta de ousadia, nessa votação previsível e maioritária para apenas um e o outro, dois siameses ligados pela testa, qualquer coisa assim dizia -bem!- o às vezes candidato Manuel João Vieira, vocalista dos Ena Pá 2000.

O PS NÃO É alternativa a coisa nenhuma, já há muito, muito tempo deixou de o ser. É assim como farinha do mesmo saco a que se retira o dispensável fermento do 'D'. Tem líderes que o não são desde o Mário Soares dos primórdios, umas vezes farsolas corruptos e sem vergonha, outras vira-casacas à procura de poleiro, outras ainda uns paezinhos sem sal a desejarem segura invisibilidade, qualquer coisa que os não meta no forno das cozeduras políticas.

PS, dois erros crassos:
  1. O não se demarcarem nítida e inequivocamente do ex-querido-líder Sócrates. Que tinha de ter sido desmascarado, julgado e condenado por crimes de lesa-pátria - precisamente, primeiramente, pelo partido a que deu tão má fama. Ele e, não me esqueço nem perdoo, pelo menos mais a sua dilecta Milú, matadora da escola pública, 'assassina' de professores. Eles que tudo foram, excepto SOCIALISTAS! O continuarem as actuais cúpulas a bajulá-lo(s) faz dos PSs uns socratezinhos imprestáveis e saudosistas do seu destrambelhado fϋhrer. Gente sem alternativas e sem projectos que se vejam, sem ideias que os distingam das torpezas que agora nos (des)governam.
  2. O não ousarem constituir-se oposição aos PSD-CDS, que bem a precisavam agora, e forte, e credível, os destituídos portugueses.

O PCP tem fundamentos para apresentar esta moção de censura? Tem, mais que muitos. Obviamente!! O PS não vota favoravelmente porquê?! Por que se apressa a pre-anunciá-lo, metendo o rabinho entre as pernas? E por que carga de  água continua, numa suposta democracia, a existir a figura da "disciplina de voto"? Não há PSs e PSDs e CDSs com consciência cívica? Com um sentido mínimo de moralidade? Com um pingo de decência?
Pois 'fodeinde-vos' todos, como se diz em Barrosas, aldeia nortenha.

E vocês, compatriotas, larguem os ecrãs e os futebóis e marchem mas é a caminho de S. Bento. Votemos nós a moção, nem que seja à tomatada. Patriotismo é isto: lutar pela pátria que somos todos e cada um de nós, e apoiarmos quem nos apoia. Pois viva o PCP e a sua moção. Contra o "pacto de agressão" a Portugal, o "aumento da exploração" e o "empobrecimento" que "afundam o país" e o conduzem "ao desastre", CORRE, PORTUGAL!
,.

24/06/12

um país de 'enormes'

curtas do Público de hoje:

Fundos europeus

Helena Roseta acusa Relvas de ter tentado beneficiar empresa de Passos Coelho

Roseta conta que, quando era secretário de Estado da Administração Local do Governo de Durão Barroso, Relvas a chamou e lhe propôs um acordo entre a Secretaria de Estado e a Ordem dos Arquitectos, com vista à formação de arquitectos das câmaras municipais. A ideia era aproveitar os fundos europeus (...) mas Relvas pôs uma condição: A formação tinha de ser feita pela empresa do dr. Passos Coelho.
(...)
Nessa época, Passos Coelho tinha fortes ligações ao mundo da formação profissional, que vivia ainda o seu apogeu com os milhões do Fundo Social Europeu. Na empresa Tecnoforma exercia funções de director financeiro, enquanto que na organização não governamental Urbe era um dos responsáveis pelo seu Departamento de Formação. Já na empresa LDN Consultores, que também se dedica a essa actividade, trabalhava como consultor.
ler notícia completa aqui 

*
Notícia avançada pelo Sol

Em 2002, Duarte Lima terá recebido cerca de um milhão de euros do contra-almirante Rogério d’Oliveira no âmbito do negócio da compra de dois submarinos pelo Governo português (PSD/CDS-PP) a uma empresa alem. 

Duarte Lima, no âmbito da operação Monte Branco, foi identificado como um dos principais clientes das duas maiores redes de branqueamento de capitais e fraude fiscal em Portugal e que eram lideradas por ex-funcionários do UBS (União de Bancos Suíços). Com a operação Furacão os investigadores conseguiram chegar ao titular da conta sediada numa offshore: Rogério d’Oliveira. (foto ñ disponível..)

O nome do contra-almirante tinha já sido associado ao caso dos submarinos no âmbito da investigação que a Alemanha desenvolveu à empresa Ferrostaal, devido ao suposto pagamento de subornos para aquisição de equipamento militar de vários países. A Portugal foram vendidos por 1200 milhões de euros os submarinos Arpão e Tridente, quando o ministro da Defesa era Paulo Portas – actual ministro dos Negócios Estrangeiros. --- ler

Entretanto,
Lusa 22 Jun, 2012, 13:50
O ex-deputado do PSD Duarte Lima vai interpor um processo contra o semanário Sol pela notícia intitulada "Lima ganhou um milhão" no processo submarinos, que diz ser falsa, segundo nota enviada à Lusa pelo seu advogado.
e..
... o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), questionado pela agência Lusa, também negou que Duarte Lima seja arguido no processo dos submarinos. - fonte

mas ...

Caso BPN
- Dias Loureiro e Duarte Lima alvos de processo
por Lusa 21 Junho 2012

A Procuradoria-Geral da República (PGR) comunicou à comissão de inquérito sobre o Banco Português de Negócios (BPN) que estão a correr processos crime contra os ex-dirigentes sociais-democratas Dias Loureiro, Duarte Lima e Arlindo de Carvalho. - ler aqui

*

Na segunda passagem pela Guimarães 2012, Cavaco Silva voltou a ser apupado 

Cerca de uma centena de pessoas aguardou o chefe de Estado à entrada da Plataforma das Artes, equipamento que inaugurou, contestando a promulgação o Código do Trabalho.

O momento de maior tensão aconteceu quando Cavaco Silva chegou ao espaço do antigo mercado municipal da cidade. Quando saiu o carro, o Presidente da República ouviu os manifestantes chamarem-lhe “gatuno” e fazendo soar apitos e buzinas que criaram um ambiente ensurdecer. 

Na abertura, em Janeiro, o Presidente também já tinha sido alvo de protestos populares. As declarações acerca da sua pensão de reforma ainda estavam frescas e, no momento em que chegava à praça central da cidade para assistir ao espectáculo inaugural do evento, foi assobiado por centenas de pessoas. Esta manhã, a pensão voltou a ser referida durante os protestos. “Se 10 mil euros de reforma não te chegam, tenta viver com os nossos 300”, lia-se numa das faixas ostentadas pelos populares que o aguardavam à chegada a Guimarães. 
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pois... quem se rala, verdad? Haja futebol!


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img retirada do facebook, pg de José Cantos

Nelson Rodrigues
23/08/1912  -  21/12/1980

Biografia
Nelson Falcão Rodrigues (Recife PE 1912 - Rio de Janeiro RJ 1980). Autor/ Dramaturgo.
Ao longo de sua trajetória artística, Nelson Rodrigues é alvo de uma polêmica que o faz conhecer tanto o sucesso absoluto, como em Vestido de Noiva, 1943, cuja encenação por Ziembinski marca o surgimento do teatro moderno no Brasil, quanto a total execração, como em Anjo Negro, 1948, ousada montagem para a época pelo Teatro Popular de Arte. Distante de qualquer modismo, tendência ou movimento, cria um estilo próprio e é hoje considerado um dos maiores dramaturgos brasileiros. -- ler mais


citações:
«Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos...» 
"O homem não nasceu para ser grande. Um mínimo de grandeza já o desumaniza. Por exemplo: um ministro. Não é nada, dirão. Mas o fato de ser ministro já o empalha. É como se ele tivesse algodão por dentro, e não entranhas vivas."
"Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico."
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21/06/12

Carta aberta ao ministro Nuno Crato

Carta aberta ao ministro Nuno Crato
in Público, 21/6/2012
Santana Castilho*

Senhor ministro:

Como sabe, uma carta aberta é um recurso retórico. Uso-o, agora que se cumpre um ano sobre a sua tomada de posse, para lhe manifestar indignação pelas opções erradas que vem tomando e fazem de si um simples predador do futuro da escola pública. Se se sentir injustiçado com a argumentação que se segue, tenha a coragem de marcar o contraditório, a que não me furto. Por uma vez, saia do conforto dos seus indefectíveis, porque é pena que nenhuma televisão o tenha confrontado, ainda, com alguém que lhe dissesse, na cara, o que a verdade reclama. 

Comecemos pelo programa de Governo a que pertence. Sob a epígrafe “Confiança, Responsabilidade, Abertura”, garantia-nos que “… nada se fará sem que se firme um pacto de confiança entre o Governo e os portugueses … “ e asseverava, logo de seguida, que desenvolveria connosco uma “relação adulta” (página 3). E que outra relação, senão adulta, seria admissível? O que se seguiu foi violento, mas esclarecedor. O homem que havia interrogado o país sobre a continuidade de um primeiro-ministro que mentia, referindo-se a Sócrates, rápido se revelou mais mentiroso que o antecessor. E o senhor foi igualmente célere em esquecer tudo o que tinha afirmado enquanto crítico do sistema. Não me refiro ao que escreveu e disse quando era membro da Comissão Permanente do Conselho Nacional da UDP. Falo daquilo que defendia no “Plano Inclinado”, pouco tempo antes de ser ministro. Ambos, Passos Coelho e o senhor, rapidamente me reconduziram a Torga, que parafraseio: não há entendimento possível entre nós; separa-nos um fosso da largura da verdade; ouvir-vos é ouvir papagaios insinceros.

Para o Governo a que o senhor pertence, a Educação é uma inevitabilidade, que não uma necessidade. Ao mesmo tempo que a OCDE nos arruma na cauda dos países com maiores desigualdades sociais, lembrando-nos que só o investimento precoce nas pessoas promove o desenvolvimento das sociedades, Passos Coelho encarregou-o, e o senhor aceitou, de recuperar o horizonte de Salazar e de a reduzir a uma lógica melhorada do aprender a ler, escrever e contar. Sob a visão estreita de ambos, estamos hoje, em relação a ela, com a mais baixa taxa de esforço do país em 38 anos de democracia. 

O conflito insanável entre Crato crítico e Crato ministro foi eloquentemente explicado no último domingo de Julho de 2011, no programa do seu amigo, professor Marcelo. Sujeito a perguntas indigentes, o senhor só falou, sem nada dizer, com uma excepção: estabeleceu bem a diferença entre estar no Governo e estar de fora. Quando se está no Governo, afirmou, “tem de se saber fazer as coisas”; quando se está de fora, esclareceu, apresentam-se “críticas e sugestões, independentemente da oportunidade”. Fiquei esclarecido e acedi ao seu pedido, implícito, para arquivarmos o crítico. Mas é tempo de recordar algumas coisas que tem sabido fazer e que relações adultas estabeleceu connosco. 

A sua pérola maior é o prolixo documento com que vai provocar a desorganização do próximo ano lectivo, marcado pela obsessão de despedir professores. Autocraticamente, o senhor aumentou o horário de trabalho dos professores, redefinindo o que se entende por tempos lectivos; reduziu brutalmente as horas disponíveis para gerir as escolas, efeito que será ampliado pela loucura dos giga-agrupamentos; cortou o tempo, que já era exíguo, para os professores exercerem as direcções das turmas; amputou um tempo ao desporto escolar; e determinou que os docentes passem a poder leccionar qualquer disciplina, de ciclos ou níveis diferentes, independentemente do grupo de recrutamento, desde que exista “certificação de idoneidade”, forma prosaica de dizer que vale tudo logo que os directores alinhem. Consegue dormir tranquilo, desalmado que se apresenta, perante um cenário de despedimento de milhares de professores? 

O despacho em apreço bolsa autonomia de cada artigo. Mas é uma autonomia cínica, como todas as suas políticas. Uma autonomia decretada, envenenada por normas, disposições, critérios e limites. Uma autonomia centralizadora, reguladora, castradora, afinal tão ao jeito do marxismo-leninismo em que o senhor debutou politicamente. Poupe-nos ao disfarce de transferir para o director (que não é a escola), competências blindadas por uma burocracia refinada, que dizia querer implodir e que chega ao supino da cretinice com a fórmula com que passará à imortalidade kafkiana: CT=K x CAP + EFI + T, em que K é um factor inerente às características da escola, CAP um indicador da capacidade de gestão de recursos humanos, EFI um indicador de eficácia educativa (pergunte-se ao diabo ou ao Tiririca o que isso é) e T um parâmetro resultante do número de turmas da escola ou agrupamento. Por menos, mentes sãs foram exiladas em manicómios. 

Senhor ministro, vai adiantada esta carta, mas a sua “reorganização curricular” não passará por entre as minhas linhas como tem passado de fininho pela bonomia da comunicação social. O rigor que apregoa mas não pratica, teria imposto o único processo sério que todos conhecem: primeiro ter-se-iam definido as metas de chegada para os diferentes ciclos do sistema de ensino; depois, ter-se-ia desenhado a matriz das disciplinas adequadas e os programas respectivos; e só no fim nos ocuparíamos das cargas horárias que os cumprissem. O senhor inverteu levianamente o processo e actuou como um sapateiro a quem obrigassem a decidir sobre currículo: fixou as horas lectivas e anunciou que ia pensar nas metas, sem tocar nos programas. Lamento a crueza mas o senhor, que sobranceiramente chamou ocultas às ciências da educação, perdeu a face e virou bruxo no momento de actuar: simplesmente achou. O que a propósito disse foi vago e inaceitavelmente simplista. O que são “disciplinas estruturantes” e por que são as que o senhor decretou e não outras? Quais são os “conhecimentos fundamentais”? O que são o “ensino moderno e exigente” ou a “redução do controlo central do sistema educativo”, senão versões novas do “eduquês”, agora em dialecto “cratês”? Mas o seu fito não escapa, naturalmente, aos que estão atentos: despedir e subtrair à Educação para adicionar à banca.

Duas palavras, senhor ministro, sobre o Estatuto do Aluno. É preciso topete para lhe acrescentar a Ética Escolar. Lembra-se da sua primeira medida, visando alunos? Eu recordo-lha: foi abolir o prémio para os melhores, instituído pelo Governo anterior. Quando o senhor revogou, já os factos que obrigavam ao cumprimento do prometido se tinham verificado. O senhor podia revogar para futuro. Mas não podia deixar de cumprir o que estava vencido. Que aconteceu à ética quando retirou, na véspera de serem recebidos, os prémios prometidos aos alunos? Que ética lhe permitiu que a solidariedade fosse imposta por decreto e assente na espoliação? Que imagem da justiça e do rigor terão retirado os alunos, os melhores e os seus colegas, do comportamento de que os primeiros foram vítimas? Terão ou não sobeja razão para não acreditarem nos que governam e para lamentarem a confiança que dispensaram aos professores que, durante 12 anos, lhes ensinaram que a primeira obrigação das pessoas sérias é honrar os compromissos assumidos? Não é isso o que os senhores hoje invocam quando reverenciam Sua Santidade a Troika? Da sua ética voltámos a dar nota quando obrigou jovens com necessidades educativas especiais a sujeitarem-se a exames nacionais, em circunstâncias que não respeitam o seu perfil de funcionalidade, com o cinismo cauteloso de os retirar depois do tratamento estatístico dos resultados. Ou quando, dias antes das inscrições nos exames do 12º ano, mudou as respectivas regras, ferindo de morte a confiança que qualquer estudante devia ter no Estado. Ou, ainda, quando, por mais acertada que fosse a mudança, ela ocorreu a mais de meio do ano-lectivo (condições de acesso ao ensino superior por parte de alunos do ensino recorrente). Compreenderá que sorria ironicamente quando acrescenta a Ética Escolar a um Estatuto do Aluno assente no castigo, forma populista de banir os sintomas sem a mínima preocupação de identificar as causas. Reconheço, todavia, a sua coerência neste campo: retirar os livros escolares a quem falta em excesso ou multar quem não quer ir à escola e não tem dinheiro para pagar a multa, fará tanto pela qualidade da Educação como dar mais meios às escolas que tiverem melhores resultados e retirá-los às que exibam dificuldades. Perdoar-me-á a franqueza, mas vejo-o como um relapso preguiçoso político, que não sabe o que é uma escola nem procurou aprender algo útil neste ano de funções.


* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

19/06/12

de lábios ..

roubado do facebook, um poema de Joaquim Pessoa :

Teus grandes lábios para eu beijar!
Joaquim Pessoa
E os pequenos também. Meter a língua
entre uns e outros para os provar
porque há mesmo diferença. Eu distingo-a.

Sabem os grandes a frutos africanos
às vezes com um toque a malvasia
quando a língua desliza até ao ânus.
Os pequenos sabem sempre a maresia.

Que entradas da mais bela refeição
que é o teu corpo todo sem excepção
pelo qual eu salivo de prazer!

Nenhuma das dietas necessárias
impede que essas coxas extraordinárias
sejam o que há de melhor para comer.

JOAQUIM PESSOA

a cretinice de crato

Hoje, no "Discurso Direto" da TVI24 (15h-16h), mais uma intervenção brilhante do Professor Santana Castilho. O tema em questão eram os exames nacionais e eventual relação com a qualidade do ensino, mas muitas outras feridas foram tocadas por este especialista em gestão educacional. Pena que, de novo, em horário obscuro. Pena que, outra vez, sem o contraditório que se impunha - uma discussão de ideias que valesse e durasse e fosse (muito) vista. Ficou o repto de um contraditório com os políticos responsáveis, associações de pais, professores.. Repto sempre lançado pelo Professor (e tanto que o vêm requisitando as televisões ultimamente) - repto estranhamente (ou talvez não..) nunca atendido pelos principais visados. Razão de sobra para perguntar, "quem tem medo de Santana Castilho?"- Teve-o com toda a certeza Mª L. Rodrigues e os seus capatazes, que com ele nunca ousaram um 'frente-a-frente', têm-no inequivocamente, também, PPC e Nuno Crato e Cia.. 
Por parte da jornalista Paula Magalhães, que me surpreendeu muito agradavelmente, ficou, pelo menos, a declaração da sua disponibilidade, a promessa de um programa finalmente sério sobre esta urgente temática da Educação em Portugal -- assim ela possa. Assim, e cito-a, "todos aceitem estar presentes" .. coisa de que eu, infelizmente, mais que duvido.

Crato e o «cúmulo da cretinice administrativa»

Professor Santana Castilho deixa fortes críticas ao ministro da educação

editorial@mediacapital.pt

O professor universitário Santana Castilho acusou Nuno Crato de não ter capacidade para ser ministro da Educação. No programa Discurso Direto da TVI24, o professor defendeu ainda que a nova fórmula de lançamento do ano letivo é o «cúmulo da cretinice administrativa».

«Há agora uma fórmula de lançamento do ano letivo que é de facto o cúmulo, desculpe, eu meço o termo, é o cúmulo da cretinice administrativa. Uma fórmula complicadíssima, através da qual o ministro Nuno Crato pensa que vai endireitar as escolas», disse.

Questionado pela capacidade do ministro, Santana Castilho foi peremptório em afirmar que Nuno Crato não tem «capacidade». «É um populista, é alguém que desconhece de facto os problemas de uma escola», acusou. 

excerto do programa aqui:

provas de aferição do 1º Ciclo, interrogações e perplexidades

recebido via e-mail (17/06) , comentário e tudo:

Para quem é professor, mas principalmente para quem não o é!
Com exames assim, realça-se a velha máxima do tolo e da arte!
Se o programa existente tem falhas, que se corrijam, mas não com base numa prova concebida para que os alunos falhem estrondosamente.
Ou será mais um artifício para justificar a encomenda a uns amigalhaços de novos programas, pagos a peso de ouro?!

Interrogações e perplexidades em torno das provas de aferição do 1º Ciclo

Segundo informação divulgada pelo GAVE “As provas nacionais de aferição visam recolher informação relevante sobre os desempenhos dos alunos nas áreas de Língua Portuguesa e de Matemática. Estas provas, pelo carácter universal da sua aplicação e pela natureza da informação que os seus resultados proporcionam, constituem um instrumento de diagnóstico disponibilizado às escolas, aos professores e às famílias, que permite uma reflexão coletiva e individual sobre a adequação das práticas letivas às finalidades e aos objetivos educacionais propostos no currículo.” 

Efetivamente, nos últimos anos as provas de aferição têm constituído um importante instrumento de reflexão, devolvendo aos professores e aos pais a imagem das fragilidades do nosso ensino e reorientando algumas práticas docentes, que gradualmente se deslocaram para uma outra forma de abordar os conteúdos, nomeadamente no que se refere à Matemática. As editoras não perderam tempo e puseram no mercado, não só as provas que foram saindo, como manuais atualizados com modelos semelhantes, que induziram os professores a treinarem os alunos segundo aqueles figurinos. Portanto, de algum modo, as provas de aferição têm sido também formadoras para muitos professores.

Este ano, as provas de aferição foram de uma perplexidade inquietante. Se, por um lado, o formato não era muito diferente, os conteúdos e a forma de colocar as questões primaram pela criação gratuita de obstáculos aos alunos, parecendo confundir-se exigência com provas demasiado longas, no caso da de Língua Portuguesa, e com dificuldades provocadas por questões pouco facilitadoras da compreensão, na de Matemática. Exemplo disso é a pergunta 5 do caderno 1, com uma redação difícil e pouco clara: “Escreve duas razões diferentes, uma para cada um, que mostrem que os outros dois amigos se enganaram.”(?!) Mas todas as questões pareciam querer dificultar o acesso ao objetivo da pergunta.

Relativamente à prova de Língua Portuguesa, é sabido, neste momento, que uma grande percentagem de alunos (mesmo aqueles que normalmente têm um bom desempenho académico) não teve tempo de a terminar, alguns mesmo nem de chegar à Gramática. Mas se para alguma coisa servissem as ocorrências que têm de ser registadas durante a prova, bastaria que o GAVE fizesse a percentagem dos alunos que não tiveram tempo de acabar a prova, para perceber a sua pouca adequação a crianças destas idades.

Quanto à Matemática, de acordo com a informação do GAVE “a prova tem por referência o Programa de Matemática do Ensino Básico (homologado em dezembro de 2007)”. Não podemos, contudo, esquecer que o novo programa, implementado de forma faseada, só foi generalizado em 2010.

No entanto, esta prova de Matemática parece pretender avaliar tópicos/objetivos que não estão expressos no programa do 1º ciclo (só no 2º ciclo), o que é uma decisão pouco rigorosa e, certamente, com consequências no próprio processo avaliativo. Exemplo disso é o diagrama de caule-e-folhas (pergunta 8, do Caderno 1), que não faz parte dos tópicos nem dos objetivos específicos do programa do 1º ciclo, mas é apresentado como um exemplo de tratamento de dados nas notas, cujo papel é “esclarecer o alcance de cada objetivo, proporcionando opções metodológicas para o professor”(PMEB, pg.2). Basta consultar o Programa de Matemática, na página 27, no tema “Organização e tratamento de dados” e confrontar o mesmo tema com o do Programa do 2º ciclo, na página 43. Por que razão se escolheu esta forma organização da informação e não outras que vêm claramente explícitas no Programa do 1º Ciclo (gráficos de barras, gráficos circulares…)?!

O mesmo acontece com as isometrias (pergunta 11 do Caderno 2), em que apenas aparece explícito como objetivo específico o trabalho com as simetrias de reflexão, nomeadamente em frisos. Mais uma vez, é nas notas que se apresenta como sugestão de atividade, de forma a ajudar os alunos a apropriarem-se do conceito, não como um conteúdo, tal como aparece na pergunta da prova. 

O que se pretende, então, avaliar do novo programa? Os objetivos (gerais e específicos) ou as notas, que sugerem atividades? Não podemos também deixar de nos questionar: qual é a legitimidade de um instrumento de aferição que tem itens que não são conteúdos nem objetivos específicos do Programa do 1º ciclo? O que se quer provar?
Muitos professores, perplexos, sobretudo com a prova de Matemática, depois de intenso trabalho com os alunos, questionam-se: afinal, o que está a ser aferido? O que os alunos devem mesmo saber no final de um 4º ano de escolaridade ou o novo programa de matemática, pondo-o em causa (através de questões já referidas)?

Por outro lado, qual a coerência das orientações do Ministério da Educação? De acordo com o Despacho nº 17169/2011 o conceito de competência, designadamente o “Currículo Nacional do Ensino Básico – Competências Essenciais” deixa de “constituir referência para os documentos oficiais do Ministério da Educação e Ciência, nomeadamente para os programas, metas de aprendizagem, provas e exames nacionais”. No entanto, agora aparece-nos uma prova que exige uma complexidade de competências. 

Qual é a reflexão que devemos fazer? Trabalhar mais o que é lateral aos Programas? Ou quiçá, o que não é do Programa? Treinar os conteúdos que exigem mecanização? Ou colocar os alunos perante uma progressiva complexidade de competências? (Mas, já agora, ao nível das suas idades!) 

Para completar este quadro que se adivinha já bastante negro, os critérios de correção das provas são arrasadores. Vejam-se as orientações dadas aos professores corretores para cortar e para não aceitar estratégias diversificadas de resolução dos problemas, limitando a cotação ao “certo/errado”. 

Uma certeza fica: esta é a prova mais politizada até agora. Parece haver necessidade de mostrar que o Novo Programa de Matemática "não funciona" para o poder denegrir e criar uma justificação para o reformular, voltando a gastar mais uns milhares. Mas é, sobretudo, pouco ético, pois é feito à custa dos alunos e dos professores.
Perante os resultados, que se adivinham desastrosos, estas provas de aferição apenas conseguem criar o descrédito relativamente a este tipo de avaliação. Mas então será também isso o que se pretende?

Num país livre (por enquanto!) e num estado de direito, não podemos deixar de denunciar estes aspetos de que ninguém fala, por desconhecimento. Somos nós, professores, que temos de fazer ouvir a nossa voz e antes que a avalanche dos resultados nos caia em cima. Sobretudo, é preciso tornar claro que o que se evidencia neste processo é o insucesso destas provas, mais do que o retrato do que os alunos sabem ou do que os professores ensinam!
palavras para quê? São 2 comediantes portugueses!


flagrantes

the blue circus, Chagall

Público-Imobiliário

O Algarve assiste ao desmontar das gruas e Espanha está em saldo

17.06.2012 - 14:36 Por Idálio Revez

Os agentes turísticos algarvios esperam que o Verão que se aproxima consiga mascarar a crise em que a região mergulhou. A bolha do imobiliário rebentou - não apenas em Espanha - e o Algarve tem mais de 100 mil camas à espera de clientes. - fonte

«Hay Alternativas» ¡Pásalo!

recebido via e-mail:

Livro censurado de Vicenç Navarro, Juan Torres López y Alberto Garzón, com prefácio de Noam Chomsky (... "indiscutivelmente o mais importante intelectual vivo, hoje").**

Vicenç Navarro


O conhecido pesquisador espanhol das área de Políticas Públicas, VICENTE NAVARRO (que trabalhou 40 anos da John Hopkins University) escreveu, com dois colegas, um livro repleto de duras críticas à actual situação económico-social da Espanha e da própria Comunidade Europeia.
Estava tudo pronto para o lançamento da obra (com prefácio de Noam Chomsky...) , mas a Editora (Aguilar, Espanha) decidiu abortá-la à última hora..

Vicente e seus colegas decidiram então fazer uma carta-denúncia pública (*) e divulgar via Internet o livro gratuitamente:
.



Hay alternativas
Propuestas para crear empleo y bienestar social en España

A todas las personas, y especialmente a las más jóvenes,
que a partir del 15M han salido a las calles
para rechazar las políticas neoliberales que recortan los
derechos sociales y para reclamar otras medidas alternativas
y más justas para salir de la crisis



HAY ALTERNATIVAS, el libro de Vicenç Navarro, Juan Torres López y Alberto Garzón, con prólogo de Noam Chomsky, dice :
- que la crisis mundial es lo que ya sabemos todos: terrorismo financiero.
- que España es el único país de la OCDE en donde los salarios reales no han crecido en los últimos 15 años.
Y que no hemos vivido por encima de nuestras posibilidades, sino que los salarios han estado por debajo de nuestras necesidades.
- que hace 20 años, la diferencia salariales entre Directivos y asalariados era de 10-20 veces superior y ahora es hasta 100-200 veces superior.
- que los paises que están soportando bien la crisis son los países del norte de Europa, donde los servicios sociales ocupan un 25% y en España solo un 9%, y estos servicios sociales se financian, por ejemplo, con la política fiscal de Suecia.
-que por lo tanto, cuando nos dicen que hay que reducir el gasto público, y reducir los sueldospara generar riqueza y empleo, es todo lo contrario, y eso lo explica con todo lujo de detalles el libro.
- que la diferencia entre Suecia y España es que allí los ricos pagan los impuestos, y aquí solo pagan los trabajadores con nómina, pero que las grandes empresas españolas, la gran mayoría solo declara un 10% de sus ganancias, y que las grandes fortunas, solo un 1%, si acaso. Y para eso utilizan los paraísos fiscales y otras tretas, que hasta los bancos, sus compinches, les ayudan a desviar.
- que en otros países de Europa, las grandes empresas no despidieron a sus empleados, solo redujeron la jornada de trabajo. Por lo tanto no se generó paro.
- que los planes de austeridad que nos imponen solo dirigen las economías hacia el desastre.
Y que todo esto viene de la economía NEOLIBERAL que impusieron al mundo R. Reagan y Thatcher. (esto lo explica muy bien Naomi watts. en su libro y documental: la doctrina del shock).
- que en España, con los 40 años de dictadura, donde el poder de la banca y los empresarios estaba muy unida a la política, todavía sigue esa tendencia: el poder de clase. (ver pag. 109-110)
- que no dejés de leer el capítulo V, sobre todo páginas 107 a119, las páginas que se ven arriba con las flechitas.
- que en el cap.VII habla sobre los bancos, y la forma en que trabajan, como ya sabemos todos, al ser dirigidos por Wall Street y la City de Londres. Y que habría que nacionalizar las Cajas de Ahorros, para que sea un dinero que realmente sirva al pueblo, y a las pequeñas y medianas empresas. Ahora se está haciendo todo lo contrario.
- que el 0,66% de la población mundial tiene el 66% de los ingresos mundiales anuales.
También dice que en España no hay ninguna razón para que estemos mal económicamente, solo que, se han montado de tal forma las cosas, que ahora los bancos y los ricos no paran de ganar dinero, y sin embargo, la población es cada día más pobre y está más estrangulada.

(*) carta-denúncia pública:

Juan Torres López
Hace un par de meses, la Editorial Aguilar, mostró su interés en publicar nuestro libro: HAY ALTERNATIVAS. Propuestas para crear empleo y bienestar en España, que nos prologó Noam Chomsky. Cuando ya se había concretado como fecha de publicación el libro el 19 de octubre y se había comenzado su promoción en la web de Aguilar y en librerías, los editores nos comunicaron que la empresa deseaba retrasarla sin otra explicación de por medio, lo que nos obligó lamentablemente a desestimar su publicación en esa editorial. Se confirmaba así lo difícil que resulta difundir en España, en los momentos en que son más necesarias que nunca, como ahora, ideas alternativas al pensamiento único que predomina en el debate político y social.

Para solventar esta situación los autores hemos optado por ofrecer nuestra obra gratuitamente en formato pdf a través de la red y en una nueva edición impresa en Ediciones Sequitur que, con la colaboración de ATTAC España, se ha arriesgado a publicar rápidamente este libro que estará en librerías al precio de 10 euros a partir del 31de octubre.

Alberto Garzón
Tenemos la firme convicción de que solo haciendo que la ciudadanía sepa lo que de verdad está sucediendo en nuestra economía y divulgando las alternativas que existen a esta aguda crisis del capitalismo podremos salir de ella con más empleo y bienestar social, como demostramos en este libro. Por eso llamamos a divulgar esta versión en pdf, a estudiarla y difundir sus propuestas y pedimos a todos los lectores que se conviertan en distribuidores del libro una vez que se encuentre impreso. Contra la censura de los grandes oligopolios y el pensamiento único que imponen los poderes económicos, financieros y mediáticos defendamos la pluralidad y la libertad de pensamiento conociendo y difundiendo el pensamiento crítico.

Pedimos vuestra colaboración para demostrar a quienes han intentado silenciar este texto que su tiempo se está terminando. Difundid todo lo posible este libro que ahora enviamos.

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Prólogo:
En 1978 el presidente del sindicato más poderoso de Estados Unidos, Douglas Fraser, de la federación de los trabajadores de la industria del automóvil United Auto Workers (UAW) condenó a los "dirigentes de la comunidad empresarial"(UAW) condenó a los "dirigentes de la comunidad empresarial" por haber "escogido seguir en tal país la vía de la guerra de clases (class war) unilateral, una guerra de clases en contra de la clase trabajadora, de los desempleados, de los pobres, de las minorías, de los jóvenes y de los ancianos, e incluso de los sectores de las clases medias de nuestra sociedad". Fraser también los condenó por haber "roto y descartado el frágil pacto no escrito entre el mundo empresarial y el mundo del trabajo, que había existido previamente durante el periodo de crecimiento y progreso" en el periodo posterior a la Segunda Guerra Mundial conocido comúnmente como la "edad dorada" del capitalismo (de Estado).
El reconocimiento de la realidad por parte de Fraser fue acertado aunque tardío. Lo cierto es que los dirigentes empresariales y sus asociados en otros sectores de las élites dominantes estaban constantemente dedicados a una siempre presente guerra de clases, que se convirtió en unilateral, sólo en una dirección, cuando sus víctimas abandonaron tal lucha.
Mientras Fraser se lamentaba el conflicto de clases se iba recrudeciendo, y desde entonces ha ido alcanzando unos enormes niveles de crueldad y salvajismo en Estados Unidos que, al ser el país más rico y poderoso del mundo y con mayor poder hegemónico desde la Segunda Guerra Mundial, se ha convertido en una ilustración significativa de una tendencia global.
Durante los últimos treinta años el crecimiento económico ha continuado −aunque no al nivel de la "edad dorada"−, pero para la gran mayoría de la población la renta disponible ha permanecido estancada mientras que la riqueza se ha ido concentrando, a un nivel abrumador, en una facción del 1 por ciento de la población, la mayoría de los ejecutivos de las grandes corporaciones, de empresas financieras y de alto riesgo, y sus asociados. Este fenómeno se ha ido repitiendo de una manera u otra a nivel mundial. China, por ejemplo, tiene una de las desigualdades más acentuadas del mundo.
Se habla mucho, hoy en día, de que por el hecho de que "Estados Unidos esté en declive" hay un cambio en las relaciones de poder a nivel global. Esto es parcialmente cierto, aunque no significa que otros poderes no puedan asumir el rol y la supremacía que ahora tiene Estados Unidos. El mundo se está convirtiendo así en un lugar más diverso en algunos aspectos, pero más uniforme en otros. Pero en todos ellos existe un cambio real de poder: hay un desplazamiento del poder del pueblo trabajador de las distintas partes del mundo hacia una enorme concentración de poder y riqueza. La literatura económica del mundo empresarial y las consultorías a los inversores súper ricos señalan que el sistema mundial se está dividiendo en dos bloques: la plutocracia, un grupo muy importante, con enormes riquezas, y el resto, en una sociedad global en la cual el crecimiento −que en una gran parte es destructivo y está muy desperdiciado− beneficia a una minoría de personas extraordinariamente ricas, que dirigen el consumo de tales recursos. Y por otra parte existen los "no ricos", la enorme mayoría, referida en ocasiones como el "precariado" global, la fuerza laboral que vive de manera precaria, entre la que se incluye mil millones de personas que casi no alcanzan a sobrevivir.
Estos desarrollos no se deben a leyes de la naturaleza o a leyes económicas o a otras fuerzas impersonales, sino al resultado de decisiones específicas dentro de estructuras institucionales que los favorecen. Esto continuará, a no ser que estas decisiones y planes se reviertan mediante acción y movilizaciones populares con compromisos dedicados a programas que abarquen desde remedios factibles a corto plazo hasta otras
propuestas a más largo plazo que cuestionen la autoridad ilegítima y las instituciones opresivas entre las que reside el poder.
Es importante, por lo tanto, acentuar que hay alternativas.
Las movilizaciones del 15M son una ilustración inspiradora que muestra qué es lo que puede y debe hacerse para no continuar la marcha que nos está llevando a un abismo, a un mundo que debería horrorizar a todas las personas decentes, que será incluso más opresivo que la realidad existente hoy en día.

NOAM CHOMSKY
Boston, agosto 2011

fonte

Ao "povo" ..

 recebido via e-mail com pedido de divulgação

Caros Amigos, 

Cá vai um importante contributo, para que o Ministro das Finanças não continue a fazer de nós parvos, dizendo com ar sonso que não sabe em que mais cortar. Acabou o recreio !!!!!!!!!!!!!!! Este texto vai circular hoje e será lido por milhares de pessoas. A guerra contra a chulice está a começar. Não subestimem o povo que começa a ter conhecimento do que nos têm andado a fazer, do porquê de chegar ao ponto de ter de cortar na comida dos filhos! Estamos de olhos bem abertos e dispostos a fazer -quase-tudo, para mudar o rumo deste abuso. 
Todos os ''governantes'' [a saber, os que se governam...] de Portugal falam em cortes de despesas - mas não dizem quais - e aumentos de impostos a pagar. Nenhum governante fala em: 
1. Reduzir as mordomias (gabinetes, secretárias, adjuntos, assessores, suportes burocráticos respectivos, carros, motoristas, etc.) dos três ex-Presidentes da República.
2. Redução do número de deputados da Assembleia da República para 80, profissionalizando-os como nos países a sério. Reforma das mordomias na Assembleia da República, como almoços opíparos, com digestivos e outras libações, tudo à custa do pagode.
3. Acabar com centenas de Institutos Públicos e Fundações Públicas que não servem para nada e, têm funcionários e administradores com 2º e 3º emprego.
4. Acabar com as empresas Municipais, com Administradores a auferir milhares de euro/mês e que não servem para nada, antes, acumulam funções nos municípios, para aumentarem o bolo salarial respectivo.
5. Por exemplo as empresas de estacionamento não são verificadas porquê? E os aparelhos não são verificados porquê? É como um táxi, se uns têm de cumprir porque não cumprem os outros? e se não são verificados como podem ser auditados?
6. Redução drástica das Câmaras Municipais e Assembleias Municipais, numa reconversão mais feroz que a da Reforma do Mouzinho da Silveira, em 1821.
7. Redução drástica das Juntas de Freguesia. Acabar com o pagamento de 200 euros por presença de cada pessoa nas reuniões das Câmaras e 75 euros nas Juntas de Freguesia.
8. Acabar com o Financiamento aos partidos, que devem viver da quotização dos seus associados e da imaginação que aos outros exigem, para conseguirem verbas para as suas actividades.
9. Acabar com a distribuição de carros a Presidentes, Assessores, etc, das Câmaras, Juntas, etc., que se deslocam em digressões particulares pelo País;.
10. Acabar com os motoristas particulares 20 h/dia, com o agravamento das horas extraordinárias... para servir suas excelências, filhos e famílias e até, os filhos das amantes...
11. Acabar com a renovação sistemática de frotas de carros do Estado e entes públicos menores, mas maiores nos dispêndios públicos.
12. Colocar chapas de identificação em todos os carros do Estado. Não permitir de modo algum que carros oficiais façam serviço particular tal como levar e trazer familiares e filhos, às escolas, ir ao mercado a compras, etc.
13. Acabar com o vaivém semanal dos deputados dos Açores e Madeira e respectivas estadias em Lisboa em hotéis de cinco estrelas pagos pelos contribuintes que vivem em tugúrios inabitáveis.
14. Controlar o pessoal da Função Pública (todos os funcionários pagos por nós) que nunca está no local de trabalho. Então em Lisboa é o regabofe total. HÁ QUADROS (directores gerais e outros) QUE, EM VEZ DE ESTAREM NO SERVIÇO PÚBLICO, PASSAM O TEMPO NOS SEUS ESCRITÓRIOS DE ADVOGADOS A CUIDAR DOS SEUS INTERESSES, QUE NÃO NOS DÁ COISA PÚBLICA.
15. Acabar com as administrações numerosíssimas de hospitais públicos que servem para garantir tachos aos apaniguados do poder - há hospitais de província com mais administradores que pessoal administrativo. Só o de PENAFIEL TEM SETE ADMINISTRADORES PRINCIPESCAMENTE PAGOS... pertencentes ás oligarquias locais do partido no poder.
16. Acabar com os milhares de pareceres jurídicos, caríssimos, pagos sempre aos mesmos escritórios que têm canais de comunicação fáceis com o Governo, no âmbito de um tráfico de influências que há que criminalizar, autuar, julgar e condenar.
17. Acabar com as várias reformas por pessoa, de entre o pessoal do Estado e entidades privadas, que passaram fugazmente pelo Estado.
18. Pedir o pagamento dos milhões dos empréstimos dos contribuintes ao BPN e BPP.
19. Perseguir os milhões desviados por Rendeiros, Loureiros e Quejandos, onde quer que estejam e por aí fora.
20. Acabar com os salários milionários da RTP e os milhões que a mesma recebe todos os anos.
21. Acabar com os lugares de amigos e de partidos na RTP que custam milhões ao erário público.
22. Acabar com os ordenados de milionários da TAP, com milhares de funcionários e empresas fantasmas que cobram milhares e que pertencem a quadros do Partido Único (PS + PSD).
23. Assim e desta forma, Sr. Ministro das Finanças, recuperaremos depressa a nossa posição e sobretudo, a credibilidade tão abalada pela corrupção que grassa e pelo desvario dos dinheiros do Estado.
24. Acabar com o regabofe da pantomina das PPP (Parcerias Público Privado), que mais não são do que formas habilidosas de uns poucos patifes se locupletarem com fortunas à custa dos papalvos dos contribuintes, fugindo ao controle seja de que organismo independente for e fazendo a "obra" pelo preço que "entendem".
25. Criminalizar, imediatamente, o enriquecimento ilícito, perseguindo, confiscando e punindo os biltres que fizeram fortunas e adquiriram patrimónios de forma indevida e à custa do País, manipulando e aumentando preços de empreitadas públicas, desviando dinheiros segundo esquemas pretensamente "legais", sem controlo, e vivendo à tripa forra à custa dos dinheiros que deveriam servir para o progresso do país e para a assistência aos que efectivamente dela precisam;
26. Controlar rigorosamente toda a actividade bancária por forma a que, daqui a mais uns anitos, não tenhamos que estar, novamente, a pagar "outra crise".
27. Não deixar um único malfeitor de colarinho branco impune, fazendo com que paguem efectivamente pelos seus crimes, adaptando o nosso sistema de justiça a padrões civilizados, onde as escutas VALEM e os crimes não prescrevem com leis à pressa, feitas à medida.
28. Impedir os que foram ministros de virem a ser gestores de empresas que tenham beneficiado de fundos públicos ou de adjudicações decididas pelos ditos.
29. Fazer um levantamento geral e minucioso de todos os que ocuparam cargos políticos, central e local, de forma a saber qual o seu património antes e depois.
30. Pôr os Bancos a pagar impostos.
31. Denunciar as falsas boas vontades de campanhas, seminários e 'formações' destinadas a caçar subsídios, a subsídiodependência, em que cada acção é um modelo novo na frota automóvel.
32. Não papar festivais e golpadas, como 7 maravilhas disto e daquilo, que engordam muitos à custa dos votos e telefonemas imbecis para promover aquilo que não tem excelência e nem qualidade para ser destacado. Todas estas manobras promovem 'salazares e alheiras' e afundam o que realmente tem valor em Portugal...
33. Impedir o 1.º Ministro de cometer graves atropelos à Constituição, à Lei Geral e Lei do Trabalho, tais como as medidas catastróficas e mesmo criminosas, mascaradas num falso plano de austeridade que vai conduzir Portugal ao abismo.
34. Revogar os prazos de pagamento da dívida ao FMI, BCE e CE, no sentido de os alargar ao maior prazo possível sem agravamento dos já altíssimos juros.
35. Tomar medidas urgentes contra as multinacionais, holdings e bancos, que são os verdadeiros donos do FMI, BCE e CE., e estão a aguardar agindo nos bastidores, como abutres que espreitam moribundos, que as empresas entrem em falência para serem absorvidas a preços ridículos, alastrando uma praga de desemprego e miséria que é cada vez mais grave.

Ao "povo", pede-se o reencaminhamento deste texto, através de redes sociais ou de e-mail para todos os contactos. » POR TODOS NÓS E PELOS NOSSOS FILHOS.

17/06/12

um povo astuto e perspicaz

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um 'eurocéptico' deputado europeu
sobre a Islândia:


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O escritor e jornalista britânico Daniel Hannan é eurodeputado conservador/reformista desde 1999. Eurocéptico e muito crítico da integração europeia, publica regularmente colunas de opinião no Daily Telegraph, para o qual também mantém um blogue. -- fonte

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Hannan's ideology is localism, and he has written several books arguing for democratic reform. He is a Eurosceptic and is strongly critical of European integration. Besides politics, Hannan is a journalist, having written leaders and currently authoring a blog for The Daily Telegraph and several books on both the EU and localism. Born in Lima, Peru, in 1971 -- fonte

06/06/12

Insensato, ponto, Crato


Público, 6 de Junho de 2012
por Santana Castilho *

1. A Unicef divulgou o relatório “Medir a Pobreza Infantil”, considerando crianças até aos 16 anos e dados de 2009. Num universo de 29 países estudados, Portugal está na 25ª posição. Atrás de nós só Letónia, Hungria, Bulgária e Roménia. Quase um terço das crianças portuguesas está em carência económica (o critério é o não cumprimento de dois ou mais dos 14 requisitos considerados). Essa carência dispara para 46,5 por cento se o universo for o das famílias monoparentais ou 73,6 por cento se ambos os progenitores estiverem no desemprego. Há crianças (14,7 por cento) que vivem em famílias cujo rendimento não ultrapassa os 200 euros mensais. A desatenção que as autoridades portuguesas dão às nossas crianças está bem patente quando verificamos que a taxa das que sofrem privações é três vezes superior à dos países com idêntico rendimento per capita. Sendo certo que os efeitos da presente crise ainda não se manifestavam em 2009, imagine-se a brutalidade dos números se fossem reportados à actualidade. É insensato fingir que esta realidade não existe.
2. O teste intermédio de Matemática do 9º ano, da responsabilidade do Gabinete de Avaliação Educacional, teve resultados alarmantes. Houve turmas com uma só nota positiva. Nas escolas de topo dos habituais rankings verificaram-se quebras de 30 por cento. Foram vários os professores da disciplina que consideraram o teste com grandes lacunas de validade relativamente ao programa em vigor na maioria das escolas do país. Recorde-se que estão vigentes dois programas, sendo um deles aplicado apenas em escolas-piloto. Recorde-se, também, que isto sucede a um dos maiores investimentos feito nos últimos anos no que toca ao ensino da Matemática e à formação dos respectivos professores. O exame a sério está marcado para 21 deste mês. Ficarei surpreendido se não se traduzir numa catastrófica razia. Foi insensato falar da implosão daquela coisa.
3. Pertenço aos que mais criticaram o programa “Novas Oportunidades”: pelo oportunismo a que deu lugar; pelo dinheiro gasto sem critério; pela falta de rigor de muitos dos seus centros, que reduziram a exigência mínima ao ridículo máximo. Estou por isso à vontade para criticar, agora, a maneira como este Governo lhe pôs fim, escudando-se na avaliação produzida pelo Instituto Superior Técnico, que concluiu que o programa não produziu … aquilo para que não foi criado. Voltamos ao ensino recorrente, posto de lado por ter uma taxa de abandonos enorme e um custo por aluno inaceitável. É insensato continuarmos em ciclos de pára, arranca, determinados pelo “achismo” dos ministros, gastando e deitando fora.
4. O flagelo do desemprego tem os professores como representantes destacados: entre Abril de 2011 e Abril de 2012, mais que duplicou o seu número. O futuro próximo (alterações curriculares, aumento do número de alunos por turma e giga agrupamentos de escolas) ampliará o quadro. Apressadamente, chegam às instituições de formação instruções para reduzir em 20 por cento as vagas de acesso aos respectivos cursos. Portugal tem professores a mais? É insensato responder levianamente à pergunta.
5. As matrizes curriculares dos ensinos básico e secundário, recentemente conhecidas, já mudaram várias vezes no espaço de uma semana. São patentes a inconstância e a insensatez ministeriais. Há incoerência entre o que o ministro disse em Março e o que agora se vai conhecendo. A duração dos tempos lectivos, sujeita à opção das escolas, pode transformar-se numa dissimulada forma de reduzir cargas disciplinares. No caso da Educação Física, cujo tempo vigente já é insuficiente face às recomendações internacionais, verifica-se, por referência à segunda versão matricial, uma redução de 16 aulas anuais no ensino secundário. Em contraciclo com a recomendação da Assembleia da República, que reconheceu a necessidade de reforçar a actividade física dos jovens, e ao arrepio de termos a segunda maior taxa de obesidade da Europa. É insensato poupar no farelo para gastar na farinha.
6. Sete ministros e nove secretários de Estado imitaram Sócrates no seu melhor. Foram a outras tantas escolas, não entregar diplomas do “Novas Oportunidades” ou distribuir “Magalhães”, mas “promover o voluntariado” e “incentivar as novas gerações”, no mesmo dia em que as mentiras de Relvas eram debatidas no parlamento. As televisões tiveram que escolher entre esta farsa e aquelas palhaçadas. O relógio de sol, de Nuno Crato, e a aula de canto, de Passos Coelho, ganharam. Perdeu a dignidade do Governo. Foi insensato fazer das escolas palco de uma saloia alienação.
7. Crato faz a 21 deste mês um ano de “casa”. De uma casa para cuja mesa nunca convidou os professores. Nem os pais. Nem os cidadãos. Para comemorar a efeméride, proponho que lhe mudemos o e-mail para insensato, ponto, Crato.

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

05/06/12

porque só a arte ..

.. e a beleza reconciliando-nos com a vida ..

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do "quatro almas"

sugerida pelo Mário do blogue "trepadeira", positivamente roubada do blogue "quatro almas" [-- «aqui não há acordo, nem ortográfico nem com a troika!» -- lindo!! ]-- uma imagem que diz melhor do que eu alguma vez conseguiria por palavras:

http://ouropel.blogspot.pt/2012/06/que-se-lixe-taca.html

LIND-íssimo!

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Antony has written a new song about the corals 'RISE'.

CORAL REKINDLING VENUS is major work for fulldome digital planetariums by acclaimed artist Lynette Wallworth.

It is an extraordinary journey into a mysterious realm of fluorescent coral reefs, bioluminescent sea creatures and rare marine life, revealing a complex community living in the oceans most threatened by climate change.

Website
coralrekindlingvenus.com

Download via donation or for free
coralrekindlingvenus.com/rise

04/06/12

direitos e futebol

recebido via e-mail, tel-quel: 

SUBSÍDIOS FÉRIAS E NATAL 2012 - Dec.Lei não foi revogado!
Dec. Lei n.º496/80 de 20 Outubro

Os nossos governantes e a Troika desconhecem isto!!!!  Não tiveram tempo para consultar este decreto-lei uma vez que data de 1980.....
Como pode o Governo Central retirar os subsídios de férias e de Natal se o Decreto Lei nº. 496/80,o qual não foi revogado, no seu artº.17, diz que os mesmos são inalienáveis e impenhoráveis?
É um direito inscrito na constituição que nos estão a tirar! 
Faz a tua parte e divulga o máximo que te for possível. 
Estes senhores com estas medidas andam a apalpar a nossa reacção. Já vimos que são fracos com os fortes e fortes com os fracos, e se sentirem que os fracos são mesmo fracos, então meus amigos, estamos feitos e depois não se queixem!
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Ora muito bem, eu divulgo. Eu repasso. Eu não acredito que alguém vá reagir. Eu, a bem dizer, já não acredito em nada, nenhum atropelo à lei, à Constituição, me surpreende. Desde os tempos do Sócrates-dito-engenheiro e sobretudo da megera Lurdes Rodrigues que tenho visto direitos adquiridos e inalienáveis serem paulatinamente espezinhados sem a sombra de um remorso ou um assomo de vergonha; sem manifestações de repúdio acima dos mínimos-para-apaziguar-consciência-só, ao fim e ao cabo inócuas, como parece ser o fado de um povo que reage nas franjas e por curtos impulsos, dir-se-ia eléctricos. Acaba-se a corrente e vamos todos ao que interessa: o futebol, senhores! Abro os jornais, faço zapping na TV, para qualquer lado que olhe sou agredida pelo novel mote nacional, "Corre, Portugal": a bendita da selecção, a prioridade das prioridades, a solução para a crise, a razão de ser do bom povo português!
Disseram-me que a selecção deste país é  a mais bem instalada em hotéis de super-luxo, a que mais dinheiro gasta, a mais perdulária. Não verifiquei a  informação, como não apurei da veracidade do tal decreto-lei de 1980, se foi ou não revogado. A possibilidade de me espantar com as coisas da política, a sociedade, está na razão directa da esperança que desconsigo acalentar, relativamente ao que quer que seja.

Acho todos os políticos uns farsantes (não o fossem, e perante esta ignomínia instalada, consentida, auto-legislada, já se teriam demitido ..). Para mim, o Estado que temos há muito deixou de ser pessoa de bem, as instituições, todas elas, só existem para nos tramar. O que queria, eu, era dispensar ad-eternum o governo como o fizeram os belgas, reduzir tudo a escombros e refazer do nada assim ao jeito dos islandeses. Pudesse eu, e obrigava os senhores deputado-legisladores, os senhores ministro-desavergonhado-ignorantes, os senhores presidente-aproveitadores mais os senhores banqueiro-usurários a provar das suas envenenadas receitas. Todos os dias me crescem ímpetos terroristas que insublimo em depressão, impotente.

Ah, mas não o grosso dos meus compatriotas! Os meus sempatriotas exultam com as promoções-pingo-doce em Dia do Trabalhador, os concursos da treta, a xaropada das novelas e dos reality-shows, o engodo do euro-milhões. Os meus sempatriotas, agora, respiram por balões de oxigénio: os festivais de verão, o mundial. Oh, sim, o mundial!!! Novos e velhos, desempregados e explorados, espoliados uns e outros de direitos, dignidade, futuro, os portugueses farão, por uns tempos, uma tábua muito rasa de toda a miséria última. Assim como um interregno na crise ou na vida mal-vivida. E da pressuposta penúria brotarão espectadores para os rock-in-rios, os super-bock-rocks, os estádios de futebol, contados em milhares, preços exorbitantes.
Esquecidos da crise, os portugueses que o são vestirão orgulhosos o vermelho e verde da sua bandeira, a tribo ululante do totem futebol, a crença que se apressarão a ostentar nas janelas nos carros nas ruas em arrobos de ultra-nacionalismo. E todos unidos neste opiácio fervor cantarão laudas à selecção que é a deles, gloriosa sempre, ainda que perca. Não interessa. Enquanto durar o circo, os milionários jogadores darão sentido às tristes vidas dos portugueses. Os ronaldos ronaldinhos e ronaldões são eles, o zé, o povo-povão. Falidos, mas ricos de devoção. Frenéticos de adrenalina e orgulho nacional-vá-se-lá-saber-porquê hão-de vitoriar os seus guerreiros de chuteiras, esses que hão-de exorcizar a bruxamerkl, a troikamalvada, o coelho dos passos bêbados e da equipa da treta, o bem-instalado silva, o secreta e o interpretativo relvas, as trapaças, os bpns e as lavagens suíças, os sorvedouros todos.
E viva o  futebol! O futebol  é  o nobre povo lusitano, nação valente, heróis do relvado, agora sim. Ele é a alma deles lavada de tristezas, a crise longe por uns tempos. 
Pois então corre, Portugal. É assim que vais longe, vermelho e verde, anestesiado como convém, e amarelo.
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03/06/12

«a austeridade só piora a crise!»

"Se querem sair da crise, aumentem os salários"

tvesquerda | 3 Junho, 2012 - 22:48

Entrevista a Jan Toporowski, economista da London School of Oriental and African Studies, que esteve presente na Conferência Económica Internacional "Portugal na Encruzilhada da Europa", co-organizada em maio pelo Bloco de Esquerda e o Partido da Esquerda Europeia em Lisboa.


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02/06/12

do professor-coisa ao ... professor-rebelde?

recebido via e-mail:

Breve resenha do papel do professor ao longo da História


Tempos houve em que o professor dominava todos os assuntos e áreas relevantes do conhecimento. Era o professor-filósofo, ou apenas o filósofo, respeitadíssimo, rodeado por discípulos, procurado por poderosos e cidadãos comuns, pedindo-lhe conselhos sobre decisões importantes e em quem procuravam respostas para questões complexas e profundas.

(Afinal a Terra gira em torno do Sol!)

Mais tarde, dando-se os primeiros passos no sentido dum conhecimento especializado, a Ciência separa-se da Filosofia. Surge então o professor-sábio, respeitadíssimo, conhecedor profundo das áreas do conhecimento a que se dedica. É altamente considerado pela sociedade, de quem continua a ser conselheiro.

(A máquina ajuda e compete com o Homem!)

Com a especialização dentro de cada área, surge o professor-mestre. Este domina muito bem a área que leciona. Seja mais próximo das artes, das letras, das ciências ou das tecnologias, continua a marcar uma presença importante na sociedade, onde é respeitado é tido na maior consideração.

(Deus, Pátria e Família!)

Sobretudo nos regimes ditatoriais, surge o professor-autoridade. É uma pessoa que, enquanto professor, não pode questionar nem permitir que se questione, sendo temido pelos alunos e respeitado pelos pais e pela sociedade em geral. O conhecimento que transmite foi criteriosamente selecionado e anquilosado. Como um prolongamento do Estado, tem também o papel de castigar.

(O povo, unido, jamais será vencido!)

Por cá, no processo que conduziu ao regime democrático, criou-se o professor-amigo, em vigor até há pouco tempo, que é também psicólogo-sociólogo-pai-mãe-estratega-motivador e o que mais lhe puseram sobre as costas. Ensinar tornou-se, para ele, uma tarefa secundária. É pouco respeitado e não tem autoridade, mas deve conseguir resolver todos os problemas que lhe surjam pela frente.

(Uma crise como há muito não se via!)

Agora estamos em fase de instalação do professor-coisa, mais concretamente funcionário-burocrata-acéfalo-deprimido-doente-sobrevivente. Entretém e guarda crianças e jovens. Não deve pensar, menos ainda questionar; apenas obedecer e cumprir, mesmo com aquilo em que não acredita e que sabe ser danoso para a sociedade. Desrespeitado por parcelas significativas de alunos, pais, diretores, governantes e sociedade em geral, o professor-coisa caminha no sentido de se tornar apenas (uma) coisa.

Assim vão passando os tempos, e com ele mudando as vontades. É impossível ou indesejável voltar atrás. Mas deve-se aprender com o passado e com o presente. Contudo, é pouco provável que o professor-professor, a quem peçam apenas que transmita e abra portas ao conhecimento, venha algum dia a existir por estas bandas. A não ser que, entretanto, surja o professor-rebelde, o que também é bastante improvável, pois este será automaticamente afastado, agindo isoladamente.



Junho de 2012

António Galrinho

01/06/12

um vice-presidente da ONU que eu prezo!

 

JEAN ZIEGLER DICE QUE ESPAÑA NO DEBE PAGAR LA DEUDA

Jean Ziegler * (Reuters)

 * vicepresidente del consejo consultivo de la Comisión de DDHH de la ONU.

“Vivimos en un orden mundial criminal y caníbal, donde las pequeñas oligarquías del capital financiero deciden de forma legal quién va a morir de hambre y quién no. Por tanto, estos especuladores financieros deben ser juzgados y condenados, reeditando una especie de Tribunal de Núremberg”. Con esta aplastante contundencia despacha Jean Ziegler, vicepresidente del Consejo consultivo de Derechos Humanos de la ONU, su particular análisis del actual momento histórico. 
ler mais
Jean Ziegler:

«Hay que multiplicar rápidamente las fisuras en el muro capitalista para derrumbarlo y crear un nuevo orden mundial más justo.» 
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 «La lucha de clases es absolutamente inevitable porque no se puede mantener el sufrimiento de forma permanente.»

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