o vento que passa 2 --- porque "não há machado que corte a raiz ao pensamento!"
- as imagens das colunas laterais têm quase todas links .. - nas páginas 'autónomas' (abaixo) vou recolhendo posts recuperados do 'vento 1', acrescentando algo novo ..
o teu corpo, o teu modo de insinuar o coração
nas palavras. Mas era apenas a forma como a noite
sublinhava as superfícies, eu nunca pude atravessar
essa espessura. Estavas ali para te dispores aos meus sentidos
mas crescias fora de alcance no teu próprio
pensamento. Uma distância que só serviria
aos lobos, um mau caminho arrancado às fragas.
Já só conhecia os dias onde tu os frequentavas, o sítio
em que me mantinhas era mais urgente
que o sangue. Sem dúvida que vinhas pelo meu desejo
mas eu perdia sempre alguma coisa
quando te ganhava. Às vezes era só
a minha vontade, outras vezes era toda a frase
do meu nome.
José Dias Coelho é um ícone do comunismo e da resistência antifascista em Portugal, evocado em poesia e música. Um grande activista estudantil. Um jovem artista plástico de talento que abdicou de uma promissora carreira para se dedicar de corpo inteiro à luta pela liberdade e pelo socialismo. Um dirigente comunista clandestino que foi assassinado a tiro pela polícia política, em pleno dia, numa rua de Lisboa a 19 de Dezembro de 1961.
(...)
A par de toda a sua actividade política, Dias Coelho dedicava-se também com afinco e talento à criação artística e a iniciativas culturais. Foi por, exemplo, um dos organizadores das Exposições Gerais de Artes Plásticas promovidas pela Sociedade Nacional de Belas Artes. - ler mais sobre a entrevista com Júlia Coutinho, investigadora que está a preparar uma biografia de José Dias Coelho - aqui
Ainda muito jovem, José Dias Coelho aderiu à Frente Académica Antifascista, e mais tarde, ao MUD Juvenil, em 1946.
Foi aluno da Escola de Belas Artes de Lisboa onde entrou em 1942. Frequentou primeiro o curso de Arquitectura, que abandonou, para frequentar o de Escultura. .
Participante em várias lutas estudantis em 1947, aderiu de seguida ao Partido Comunista Português e, em 1949, foi detido pela PIDE depois de participar na campanha presidencial de Norton de Matos. Em 1952, expulso da Escola Superior de Belas Artes e impedido de ingressar em qualquer faculdade do país, é também demitido do lugar de professor do Ensino Técnico. (...) . Em 1959 entra para a clandestinidade, ao mesmo tempo que exercia funções no PCP, com o objectivo de criar uma oficina de falsificação de documentos para dar cobertura às actividades dos militantes clandestinos. Exercia esta actividade na altura do seu assassinato pela PIDE, em 19 de Dezembro de 1961, na Rua da Creche, que hoje tem o seu nome, junto ao Largo do Calvário, em Lisboa. . O assassinato levou o cantor Zeca Afonso a escrever e dedicar-lhe a música A morte saiu à rua. Da sua vida pessoal há ainda a salientar a sua relação com a também artista plástica, Margarida Tengarinha. -- fonte
Escultor, desenhador, pintor, José Dias Coelho(Pinhel, 19 de Junho de 1923 — Lisboa, 19 de Dezembro de 1961) viveu e morreu por uma causa que inviabilizou o desenvolvimento pleno da sua produção artística, afinal voluntária e conscientemente interrompida em nome de um imperativo político: a liberdade. - ver aqui
JOSÉ DIAS COELHO em Vidas Lusófonas:
.
«Muito te doía o sofrimento do próximo. Não foi por acaso que fizeste o retrato da Catarina Eufémia, aquela ceifeira grávida, com um filho de oito meses ao colo, e mesmo assim fuzilada, nas terras de Baleizão, pelo Tenente Carrajola da GNR. Ainda te ouço a dizer:
- "Das sementes lançadas à terra, é do sangue dos mártires que nascem as mais copiosas searas".» -- ler mais aqui
Discurso Tardio à Memória de José Dias Coelho
Éramos jovens: falávamos do âmbar
Morte de Catarina Eufémia, desenho de J. Dias Coelho
ou dos minúsculos veios de sol espesso
onde começa o vero; e sabíamos
como a música sobe às torres do trigo.
Sem vocação para a morte, víamos passar os barcos,
desatando um a um os nós do silêncio.
Pegavas num fruto: eis o espaço ardente
de ventre, espaço denso, redondo maduro,
dizias; espaço diurno onde o rumor
do sangue é um rumor de ave –
repara como voa, e poisa nos ombros
da Catarina que não cessam de matar.
Sem vocação para a morte, dizíamos. Também
ela, também ela a não tinha. Na planície
branca era uma fonte: em si trazia
um coração inclinado para a semente do fogo.
Morre-se de ter uns olhos de cristal, morre-se de ter um corpo, quando subitamente uma bala descobre a juventude da nossa carne acesa até aos lábios.
Catarina, ou José – o que é um nome?
Que nome nos impede de morrer,
quando se beija a terra devagar
ou uma criança trazida pela brisa?
Antony has written a new song about the corals 'RISE'.
CORAL REKINDLING VENUS is major work for fulldome digital planetariums by acclaimed artist Lynette Wallworth.
It is an extraordinary journey into a mysterious realm of fluorescent coral reefs, bioluminescent sea creatures and rare marine life, revealing a complex community living in the oceans most threatened by climate change.
Descobri-o hoje, (o nome, melhor dizendo ..) a propósito de uma exposição em Lisboa: Echo Chamber, de Melvin Moti (ver)
Pessoalmente, acho piada ao tal de 'fluxus' .. uma coisa assim de 'real gana', como se todos pudéssemos ser artistas!
E lembro-me de uma exposição (1976?) que um professor de literatura alemã (!) nos mandou ver no antigo espaço da FIL: a arte como coisa efémera (uma das 'obras' era um pano no chão com algumas peças de fruta expostas aleatoriamente), transmutável: o visitante podia tocar nas coisas, acrescentar, escrever desenhar rasgar; uma coisa sem dono, pertença-não de um colectivo inter-transito-veniente, "luzes que se apagam, nada mais" .. http://youtu.be/gfiA6n6lwNE
"Fluxus não foi um momento na história ou um movimento artístico. É um modo de fazer coisas [...], uma forma de viver e morrer", com essas palavras o artista americano Dick Higgins (1938-1998) define o movimento, enfatizando seu principal traço. Menos que um estilo, um conjunto de procedimentos, um grupo específico ou uma coleção de objetos, o movimento fluxus traduz uma atitude diante do mundo, do fazer artístico e da cultura que se manifesta nas mais diversas formas de arte: música, dança, teatro, artes visuais, poesia, vídeo, fotografia e outras.
Seu nascimento oficial está ligado ao Festival Internacional de Música Nova, em Wiesbaden, Alemanha, em 1962, e a George Maciunas (1931-1978), artista lituano radicado nos Estados Unidos, que batiza o movimento com uma palavra de origem latina, fluxu, que significa fluxo, movimento, escoamento. O termo, originalmente criado para dar título a uma publicação de arte de vanguarda, passa a caracterizar uma série de performances organizadas por Maciunas na Europa, entre 1961 e 1963. São elas que estão na raiz de festivais - os Festum Fluxorum - realizados em Copenhague, Paris, Düsseldorf, Amsterdã e Nice.
De feitio internacional, interdisciplinar e plural do ponto de vista das artes, Fluxus mobiliza artistas na França - Ben Vautier (1935) e R. Filiou; Estados Unidos - Higgins, Robert Watts (1923-1988), George Brecht (1926), Yoko Ono (1933); Japão - Shigeko Kubota (1937), Takato Saito; países nórdicos - E. Andersen, Per Kirkeby (1938); e Alemanha - Wolf Vostell (1932-1998), Joseph Beuys (1912-1986), Nam June Paik (1932-2006).
As músicas de John Cage e Paik, comprometidas com a exploração de sons e ruídos tirados do cotidiano, têm lugar central na definição da atitude artística do Fluxus. Trata-se de romper as barreiras entre arte e não arte, dirigindo a criação artística às coisas do mundo, seja à natureza, seja à realidade urbana, seja ao mundo da tecnologia. Além da música experimental, as principais fontes do movimento podem ser encontradas num certo espírito anárquico de contestação que caracteriza o dadaísmo, nos ready-mades de Marcel Duchamp (1887-1968) e em sua crítica à institucionalização da arte, e na action painting de Jackson Pollock (1912-1956), com ênfase no processo de criação ancorado no gesto e na ação.
As performances e os happenings, amplamente realizados pelos artistas ligados ao Fluxus, remetem a uma vigorosa tendência da arte norte-americana de fins dos anos 1950, por exemplo, aos trabalhos de Robert Rauschenberg (1925-2008) ligados ao teatro e à dança; às esculturas junk de David Smith e Richard Peter Stankiewicz (1922-1983), feitas da combinação de refugos e materiais descartáveis; e aos eventos de Allan Kaprow (1927), aluno de Cage em cursos em que o compositor combina idéias de Duchamp e Artaud com a filosofia zen-budista. As realizações do Fluxus justapõem não apenas objetos, mas também sons, movimentos e luzes num apelo simultâneo aos sentidos da visão, olfato, audição e tato.
O espectador é convocado a participar dos espetáculos experimentais, em geral, descontínuos, sem foco definido, não-verbais e sem seqüência previamente estabelecida. Em 1957, Cage define a direção das novas produções artísticas: "Para onde vamos a partir de agora? Em direção ao teatro. Essa arte, mais que a música, liga-se à natureza. Temos olhos, assim como ouvidos, e é nossa tarefa utilizá-los".
As performances conhecem inflexões distintas, podendo adquirir tom minimalista ou acento mais teatral e provocador. Aquelas concebidas por Beuys na Alemanha se particularizam pelas conexões que estabelecem com um universo mitológico, mágico e espiritual. Nelas chamam atenção o uso freqüente de animais - por exemplo, as lebres em The Chief - Fluxus Chant, 1963, Copenhague -, a ênfase nas ações que conferem sentidos aos objetos e o uso de sons e ruídos de todos os tipos, num apelo às experiências anteriores à linguagem articulada e ao reino dos instintos que os animais representam.
«"Ruin'Arte" é um projecto de livro que já conta com fotografias de perto de centena e meia de estruturas deixadas ao abandono. É um retrato desolador do país, ainda que marcado por uma beleza decadente.» O fotógrafo chama-se Gastão de Brito e Silva