Air é um duo francês de música eletrônica, formado em 1995 por Nicolas Godin e Jean-Benoît Dunckel. O nome “AIR” é o acrônimo de Amour, Imagination, Rêve (sonho). - ler mais
banda sonora do filme "Lost in Translation", de Sofia Coppola
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Air é um duo francês de música eletrônica, formado em 1995 por Nicolas Godin e Jean-Benoît Dunckel. O nome “AIR” é o acrônimo de Amour, Imagination, Rêve (sonho). - ler mais
O professor de Coimbra acredita que existe uma alternativa à política da troika. A formação do Observatório sobre Crises e Alternativas pretende municiar a sociedade civil de pistas para trilhar um outro caminho. Para Boaventura Sousa Santos, essa política passa por desobedecer à troika.
O que se pode esperar de um homem da Goldman Sachs? A Goldman Sachs é uma espécie de companhia majestática das Índias. A Europa tem a democracia suspensa. Nós estamos num sistema colonial em que os grandes líderes não foram eleitos: não o foi Lucas Papademos, Mario Monti, Draghi. Esses homens pertenceram todos à mesma empresa. Leia uma carta pungente de um antigo executivo da Goldman Sachs, ao “New York Times”, que sai em ruptura e denuncia o monstro em que se tornou esta empresa. Ela já não cuida dos seus clientes, cuida de acumular capital e poder. É uma empresa colonial que tem poderes de soberania sobre os povos. O poder destas pessoas é assente no modelo de acumulação do capital financeiro. Elas vêem o Estado social, grande mecanismo de distribuição dos rendimentos, como um inimigo. Os impostos, para eles, são anátemas.
ler entrevista completa aquiEssa carta procurava produzir uma alternativa nacional contra a troika e as medidas que se adivinhavam. A carta era provavelmente ambígua para ter esse grande leque de assinaturas, mas defendia em si mesma que a coesão nacional não podia ser posta em causa e que a protecção social tinha de ser mantida, mesmo numa situação de crise. Eu assinei-a pensando que, se nós tivéssemos a força de uma grande união, podíamos ter evitado o pior. Hoje, retrospectivamente, acho que foi uma posição um pouco ingénua porque os dados já estavam todos lançados. O projecto neoliberal estava no terreno. A direita portuguesa, tal como a direita europeia, o que quis fazer foi conseguir através de uma crise europeia aquilo que não obteve por eleições. Isto é a sua grande oportunidade. Vimos isso com Passos Coelho. Ele quer ser mais exigente e duro com os portugueses que a troika, para destruir o modelo social europeu.
A funcionalidade que permitia obter informação atualizada sobre a tramitação e a duração estimada do processo de aposentação em curso foi descontinuada.
Bebe (nascida Nieves Rebolledo Vila, em Valência de Alcântara, a 9 de Maio de 1968) é uma cantautora espanhola.
O lançamento do seu primeiro álbum, em 2004, impressionou pela coragem e sensibilidade com que cantava temas como a violência contra a mulher e a submissão feminina aos homens. As canções de maior sucesso foram “Ella”, considerada por muitos uma ode às mulheres e “Malo”, uma resposta à violência contra a mulher.
retirado daqui:
Bebe é uma cantora espanhola incrível, com uma voz de pêssego com rapadura, que se destaca por seu "q" feminista. Em "Ella", fica clara essa tendência.
Ella (Bebe) : http://youtu.be/1VH6LG2WDD4
daqui: http://blognotasmusicais.blogspot.com
26 de agosto de 2010
"Sou uma montanha russa que sobe, que desce", perfila-se Bebe com rara sinceridade em Busco-me, um dos 13 temas de seu segundo ótimo álbum, Y . , lançado em 2009 (...) Bebe é uma cantautora de Valência, Espanha, que despontou no mercado fonográfico em 2004 com o álbum Pafuera Telarañas, impulsionado por um single, Malo, de repercussão mundial. Y. confirma o talento de Bebe, cuja inspirada música autoral evoca eventualmente o clima do flamenco - mais por conta da guitarra espanhola ouvida em faixas como Me Fui (o maior destaque do cancioneiro de Y.) e Que Me importa - sem clichês. -- ler mais
"O Rendimento Médio Mensal dos Governantes e Deputados sofreu um aumento de 5,4%, através do pagamento de suplementos remuneratórios"
1. O júri nacional de exames (JNE) recusou que a uma aluna de 14 anos fosse lido o enunciado do exame a que se submetia, obrigatoriamente. A aluna é disléxica. A leitura era prática seguida há anos. Aparentemente, a questão resume-se a saber se a um aluno disléxico devem ou não ser lidos os enunciados dos exames. O JNE diz que não. Os especialistas dizem que sim, pelo menos em casos determinados, dependendo da dificuldade do aluno. No caso em apreço, a escola da aluna recomendou a leitura. A terapeuta que a assiste também, aliás secundada pela respectiva direcção regional. Alega o JNE que os alunos disléxicos têm uma tolerância de 30 minutos relativamente ao tempo de duração das provas e são classificados segundo regras concebidas para que as suas limitações não se reflictam no resultado final. O JNE invoca uma generalização de abusos quanto a condições especiais, que se tornaram regra para alunos disléxicos. Da literatura disponível sobre a matéria inferem-se factos, a saber: a dislexia é uma limitação do foro neurológico, com diferentes graus de gravidade; uma dislexia moderada pode dispensar a leitura do enunciado dos exames, mas uma dislexia severa não; assim, alguns disléxicos podem cognitivamente dominar um saber e prová-lo se interrogados oralmente, embora não consigam entender ou sequer ler a pergunta, se esta for formulada por escrito. Num exame de Matemática, por exemplo, mede-se um conhecimento específico que um aluno pode deter em grau máximo, apesar da sua dislexia severa. Mas não o conseguirá provar se as questões estiverem escritas. Num exame de Português, o mesmo aluno pode ter uma fina capacidade de interpretar um texto complexo que lhe seja lido. Mas não entenderá coisa alguma se for obrigado a lê-lo. Pode o Estado certificar proficiência em leitura a um aluno com uma dislexia severa? Não. Mas não pode deixar que a limitação do aluno se reflicta noutras áreas do conhecimento, somando à respeitável penalização da natureza humana com que aquele aluno nasceu, outra penalização, desta feita nada respeitável. Porque entre o tempo em que se fechavam em galinheiros crianças deficientes e hoje houve um percurso, embora a tónica esteja agora posta em retrocessos a que chamam progressos. Não é redundante, por isso, recordar a alguns disléxicos que mandam que estão para breve mais exames a que se submeterão mais alunos disléxicos, com níveis de conhecimento que nunca poderão demonstrar se os econometristas da moda persistirem em confundir velocidade com toucinho, uma recorrente dislexia política dos tempos que correm.
2. Passos Coelho e Miguel Relvas, que se saiba, não são disléxicos, por via neurológica. Mas dão sinais preocupantes de dislexia política. As afirmações do primeiro sobre a ventura feliz que o desemprego constitui, demonstraram uma profunda incapacidade de leitura do drama social dos portugueses desempregados. E a censura cínica que lhes dirigiu por preferirem ser assalariados a “empreendedores” (ele que, no curto tempo em que desempenhou alguma actividade produtiva se acolheu prudentemente ao Estado e a Ângelo Correia) mostra que não sabe, também, ler dados estatísticos. É que, se por um lado Portugal é o quarto país da OCDE que mais empresários tem, por outro, três quartos das empresas criadas ficam insolventes nos primeiros anos de actividade. Se esta dislexia for recuperável, perceberá um dia, tarde, que as causas do desastre, a que ele chama sorte, são outras. Começando por ele e pelo seu pensamento fundamentalista, socialmente darwinista.
Quanto ao homem do avental, ele que ousa dissertar sobre “jornalismo interpretativo”, acometido que parece de dislexia político/comunicacional (que generoso estou, não falando de pulsões chantagistas), avanço propostas terapêuticas para a interpretação do “texto”, que qualquer assessor lhe pode ler:
- Diga, em adenda à carta que dirigiu à Entidade Reguladora para a Comunicação Social, se sim ou não ameaçou a jornalista Maria José Oliveira com a publicação de dados sobre a sua (dela) vida privada.
- Diga, do mesmo passo, como saneia uma aparente contradição, quando depois de garantir que conheceu o ex-espião Jorge Silva Carvalho depois de Março de 2010, referiu na Assembleia da República ter dele recebido um “clipping” reportando uma visita de Bush ocorrida … em 2007. Esclareça se era habitual Silva Carvalho fazer “remakes” do “Canal História”, via SMS.
Claro está que isto é retórica de escriba. De escriba que expôs ao ministro Relvas, acabado de empossar, uma estranha “dislexia”, que continua por tratar ou explicar. Ainda os casos Nuno Simas e Pedro Rosa Mendes vinham longe.
Sigur Rós é uma banda islandesa de post-rock, com elementos melódicos, clássicos e minimalistas. O nome, em islandês, significa "rosa da vitória", e pronuncia-se "si ur rous", ou ['sɪɣʏr rous] no alfabeto fonético internacional. A banda é conhecida pelo seu som etéreo e pelo falsete do vocalista, Jónsi. - fonte
'' Not to be confused with the group of the same name from the UK. These guys were way ahead of their time, playing a blend of instrumental, violin fronted post-rock which invokes feelings of sparsity and space. Think of the more accessible Dirty Three tunes or Grails' Burden of Hope. From Melbourne, these guys unfortunately disbanded in 2001 after having self-released an EP (...) "
Já Bocage não sou
Já Bocage não sou!... À cova escura
Meu estro vai parar desfeito em vento...
Eu aos céus ultrajei! O meu tormento
Leve me torne sempre a terra dura.
Conheço agora já quão vã figura
Em prosa e verso fez meu louco intento.
Musa!... Tivera algum merecimento,
Se um raio da razão seguisse, pura!
Eu me arrependo; a língua quase fria
Brade em alto pregão à mocidade,
Que atrás do som fantástico corria:
Outro Aretino fui... A santidade
Manchei!... Oh! Se me creste, gente ímpia,
Rasga meus versos, crê na eternidade!
Bocage
Manuel Maria de Barbosa l´Hedois Du Bocage (Setúbal, 1765 – Lisboa, 1805), poeta português e, possivelmente, o maior representante do arcadismo* lusitano. Embora ícone deste movimento literário, é uma figura inserida num período de transição do estilo clássico para o estilo romântico que terá forte presença na literatura portuguesa do século XIX. -- ler mais
O Arcadismo, também conhecido como Neoclassicismo, caracteriza-se pela busca de restauração dos ideais de sobriedade e equilíbrio da antiguidade clássica em contraposição aos excessos do período anterior, o Barroco. O movimento é contemporâneo do Iluminismo, corrente de pensamento racionalista que se divulgou pela Europa no século XVIII e que culminou com a Revolução Francesa, em 1789. Associações de letrados como a Arcádia Romana e, mais tarde, a Arcádia Lusitana foram veículos importantes para a propagação do ideário do movimento na Europa. O nome "Arcádia" é inspirado na região lendária da Grécia que representa o ideal de comunhão entre homem e natureza, daí o Arcadismo ter como tema privilegiado o bucolismo, em que a natureza é vista como refúgio último das noções de verdade e beleza. -- ler mais
O autor aos seus versos
Chorosos versos meus desentoados,
Sem arte, sem beleza e sem brandura,
Urdidos pela mão da Desventura,
Pela baça Tristeza envenenados:
Vede a luz, não busqueis, desesperados,
No mudo esquecimento a sepultura;
Se os ditosos vos lerem sem ternura,
Ler-vos-ão com ternura os desgraçados:
Não vos inspire, ó versos, cobardia
Da sátira mordaz o furor louco,
Da maldizente voz e tirania:
Desculpa tendes, se valeis tão pouco,
Que não pode cantar com melodia
Um peito de gemer cansado e rouco.
Bocage
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| o SG -cão raivoso |
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| agora sardinha enlatadinha |
1. Obviamente que não sei quanto facturou o Pingo Doce a 1 de Maio. Mas vi referências que situam o encaixe financeiro, em poucas horas, entre os 70 e os 90 milhões de euros. Imaginemos que o grupo recorria a emissão obrigacionista a três anos, para se financiar por igual quantia. Se tomarmos por referência as recentes iniciativas da Semapa e da EDP, a operação teria um custo nunca inferior a 17 milhões de euros. Não tenho elementos que me permitam calcular o valor da mercadoria que saiu das prateleiras, com prazos de validade próximos da caducidade. Mas, certamente, não será despiciendo. Não fora a campanha, essa mercadoria, que agora vai caducar em casa dos clientes, constituiria para o grupo uma perda total. Melhor foi, portanto, “passá-la” a 50 por cento. Volto a não saber quanto gasta o Pingo Doce em publicidade. Mas sabemos todos que é muito. Pois bem: quanto custariam a cascata de notícias, em horário nobre, de todas as televisões, as referências das rádios e o espaço dos jornais, servidos ao grupo a custo zero? Não sei, uma vez mais, quantificar o valor da vantagem comercial obtida com esta manobra predadora. Mas há perguntas que me ocorrem. Que impacto terá isto sobre o pequeno e agonizante comércio de bairro, face ao que o povo acumulou para meses? Quantos milhões perdeu Belmiro de Azevedo a favor do benfeitor Soares dos Santos? Quantos milhões vão perder os produtores, quando os preços forem esmagados pelo volume da operação de reposição de “stocks”?
2. Fora o altruísmo o motor que fez mover Soares dos Santos e a sua inteligência teria encontrado alternativas que nos poupassem ao pingo amargo que o Pingo Doce pôs a nu: a incivilidade de muitos. Ao ver bacalhaus pelo ar, polícia a dirimir tumultos e hospitais a receber vítimas de confrontos entre consumidores, voou-me o espírito para o 11 de Março. Não o nosso. O do Japão de 2011: sismo, “tsunami” e desastre nuclear; 200 mil refugiados, 13 mil mortos e 15 mil desaparecidos; 45 mil edifícios destruídos, 140 mil danificados e 200 mil milhões de euros de prejuízos. E? Quando a catástrofe chegou, cada cidadão sabia o que fazer. E fez. Cinquenta funcionários de Fukushima, sacrificando a vida em benefício do colectivo, permaneceram voluntariamente na central nuclear, para que a água do mar fosse bombeada para os reactores e a catástrofe não crescesse. Nas filas intermináveis para acesso a água e mantimentos, não se viu um atropelo ou a mínima algazarra. Só silêncio, consternação, paciência e dignidade. Não houve saques em lojas. Outrossim, cada japonês comprou o estritamente necessário para que os bens chegassem para todos. Os restaurantes baixaram os preços, respondendo de modo inverso à lei da oferta e da procura. Quando num supermercado a electricidade faltou, os clientes devolveram às prateleiras o que tinham em mãos e saíram ordeiramente.
3. Entre nós e eles a diferença chama-se educação na família e instrução na escola. A sustentabilidade (como agora é moda dizer) do estado social é motivo actual para pôr em causa a escola pública. No início da sua actividade, como líder do PSD, Passos Coelho trouxe esta questão à discussão política, de modo mais explícito inicialmente, por forma corrigida e mais cautelar logo a seguir. Como é habitual, evocou a demografia: o Estado social não suporta a gratuidade desses serviços, disse, numa pirâmide etária com tendência para se inverter (menos jovens na base, mais velhos no vértice). Quem assim pensa, espere pelos resultados do que Passos e Crato estão a fazer à escola pública. Incensam a autonomia, mas reforçam o centralismo. Seraficamente, erigem ensino de primeira para poucos, financiado por todos, e ensino de terceira para a plebe, cada vez mais baratinho. Convenientemente, acolhem o caciquismo autárquico. Criminosamente, criam “unidades orgânicas” com 9 mil alunos, um só conselho pedagógico sem pedagogia possível, um director inchado que não vai dirigir, asfixiando, a decreto, a conjugação de esforços que só a proximidade permite.
A necessidade de evitar a bancarrota determinou entre nós uma espécie de estado de inevitabilidade e de necessidade nacional que impede, pela urgência que nos impuseram e pelo acenar insistente da tragédia grega, que discutamos outras vertentes possíveis de análise. Por que razão o peso dos problemas financeiros é menor em países com maior capacidade redistributiva da riqueza produzida? Por que razão assistimos, impávidos, à sistemática diminuição do investimento em educação, coexistente com a intocabilidade das rendas pagas pelo Estado a grupos económicos, gananciosos e apressados, com quem contratou parcerias ruinosas? Por que razão uma economia incivilizada passa pela crise sem que a possamos pôr em causa?
No Estado Novo (1926-1974), nos tempos de Salazar, o lema era:
"Deus, Pátria e Família!"
o lema actual sugerido por Passos Coelho é:
"Adeus, Pátria e Família!"
«Adão e Eva eram portugueses, estavam de tanga e só tinham uma maçã para comer e pensavam que estavam no paraíso...» fonte..
“JESUS ESTARIA CONTRA ESTA POLÍTICA DE SOUTIEN” Frei Fernando Ventura (1/12/2010)
Fernando Gustavo VenturaNasceu em Matosinhos, em 23 de Outubro de 1959.
Franciscano capuchinho, licenciado em Teologia pela Universidade Católica Portuguesa e em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma, tendo sido professor de Sagrada Escritura no Instituto Superior de Ciências Religiosas de Aveiro.Colabora com a SIC, onde tem entrado em debates televisivos e sido entrevistado sobre temas da actualidade social, religiosa e política (...)
Quais são as situações que mais o revoltam?Ando aqui no mundo há 51 anos. Nasci em Matosinhos, na Senhora da Hora, e tenho vivido como emigrante praticamente desde os 17 anos. Com essa idade, fui para França estudar Medicina. Passado um ano voltei e fui para o seminário. A minha vida tem sido muito mais no estrangeiro que cá. Sou biblista, faço tradução simultânea, trabalho para a Ordem dos Capuchinhos, para a Ordem Terceira, para a Federação Bíblica Mundial. No ano passado, o sítio onde estive mais tempo seguido foi no Peru, durante três semanas. Fiquei conhecido por ter comentado, na SIC, o livro de Saramago, Caim, que gerou alguma polémica. O que está por detrás da riqueza dos conceitos de Caim e Abel é alguma coisa de fabuloso. E criou-me estranheza que um homem que se dizia de esquerda não fosse capaz de ver que o que está ali é a maior denúncia da injustiça social. Partindo da etimologia, Caim é o que possui; Abel é o que não é nada.
Revolto-me muito. Tenho mau feitio.(...)Temos uma estrutura social e política montada no penacho, no compadrio, na corrupção legal. Não temos partidos com linhas políticas, temos partidos com gatafunhos ideológicos. Isto dói-me muito. A política não pode ser profissão, tem de ser serviço.(...)Parece que está tudo maluco. Costumo dizer que metade do mundo está maluco e a outra metade toma pastilhas.(...)Ter uma sociedade de gente que pensa é muito perigoso. Ter uma sociedade de gente que pensa que pensa é fantástico. Temos aí as Novas Oportunidades para isso. Nós andamos sempre à procura do pai e à espera que este nos pegue ao colo. Se alguém fizer aquilo que me cabe a mim fazer, bato palmas e fico contente.(...)Agora, existem, de facto, opções pastorais que (...) pegam naquilo que a Igreja tem de pior, que é o transformar alguém em alguém que tem uma religião. A coisa pior que lhe pode acontecer a si, ou a mim, é termos uma religião. Eu não tenho uma religião; a religião é que me tem a mim.(...)Este desafio de construção de fraternidade, quero reclamá-lo para mim e para toda a gente. E se eu tenho um partido, deixo de ser livre. Sou formatado para o disparate, como a quantidade de deputados que temos na Assembleia da República, que não servem para nada. Da segunda fila para trás podiam ir todos embora. Não temos dinheiro para alimentar aquela gente toda.
Do princípio ao fim. Desde logo, leria o texto dos vendilhões do templo. Há alguma perda do sentido do texto a partir das traduções que temos. A partir do original grego percebe-se que a grande fúria de Jesus é contra os vendedores de pombas. Porquê? As pombas eram o sacrifício, o gesto ritual litúrgico permitido aos mais pobres porque era o mais barato. Os muito ricos podiam oferecer uma vaca, os assim-assim podiam oferecer um carneiro ou uma cabra e os pobres uma pomba. A grande revolta está contra aqueles que, a partir da religião, oprimem os mais pobres. A revolta de Jesus hoje estaria, e está, contra aqueles que, tendo obrigação de cuidar da res publica, mamam à conta da res publica. Desculpe a vulgaridade, mas temos uma política de soutien: apoia a direita e a esquerda e mama das duas. Quem se lixa é o capim. Em África, há um ditado que diz que, quando os elefantes lutam, quem se lixa é o capim. E a todos os níveis nós estamos como capim: ora veja-se o elefante da senhora Merkel (......)
-- ler entrevista completa
On the floating, shapeless oceansI did all my best to smiletil your singing eyes and fingersdrew me loving into your eyes.
And you sang "Sail to me, sail to me;Let me enfold you."
Here I am, here I am waiting to hold you.Did I dream you dreamed about me?Were you here when I was full sail?
Now my foolish boat is leaning, broken love lost on your rocks.For you sang, "Touch me not, touch me not, come back tomorrow."Oh my heart, oh my heart shies from the sorrow.I'm as puzzled as a newborn child.I'm as riddled as the tide.Should I stand amid the breakers?Or shall I lie with death my bride?
Hear me sing: "Swim to me, swim to me, let me enfold you.""Here I am. Here I am, waiting to hold you."
Ponho agora aqui o vídeo do programa, porque é ainda preciso, 7 dias depois. Porque é, será sempre, urgente ouvir estas pessoas, todos tão em uníssono de bom-senso, análises claras, óbvias: o Frei Ventura acima de toda a poesia, mas também o Carvalho da Silva, o Elísio Estanque... E como perpassam aqui as almas-gémeas de José Saramago, de Santana Castilho .. em espírito da letra e na comunhão de ideias, frades capuchinhos poderiam ser, como este que nos fala. Nobres pregadores no deserto, todos eles, e só os peixes, que não a maioria dos homens, absorvendo-lhes a lógica e a sabedoria, a imensa lucidez, a intrínseca qualidade humanista.
Gostaria de transcrever-lhes o discurso, a todos: tão certeiro o de Carvalho da Silva! Fica a suprema intervenção de Frei Ventura, que alguém felizmente transcreveu. E penso em como tudo seria diferente se tivéssemos Pessoas assim gerindo-nos os destinos, globalmente pensando-nos Gente. Pergunto-me por que são sempre os mais medíocres, os mais parvus-pobres-de-espírito a terem a legalidade de infernizar-nos a vida, bandidos e burros e bandalhos tantos deles, num qualquer mundo de lógico bom-senso escorraçados vendilhões do templo. Fieis adoradores do des-deus capital, coveiros do futuro e da esperança, matadores de tudo, o que nos está des-destinado.
Contra eles "ouvide agora senhores" (nau catrineta) , e 'esguardai'! E aprendei com estes que aqui vos falam, e deles divulgai a mensagem, e gritai-a aos quatro ventos, e semeai a palavra, sobretudo semeai a esperança, com fartura. Talvez um dia mereçamos colhê-la.
Convidados: Frei Fernando Ventura, o ex-líder da CGTP e investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Manuel Carvalho da Silva, o comentador da SIC e presidente do ISEG, João Duque e o sociólogo Elísio Estanque.
« Este é, acima de tudo, o tempo de falar de esperança. E não é uma esperança pendurada em ninguém, em messias nenhum, nem político nem religioso. Não é tempo de pendurar as esperanças, nem nos senhores do tempo, nem nos senhores do templo. Estamos a viver um tempo que é um ponto de chegada, um momento de antítese das sínteses, dos ismos que não funcionaram. Estamos à espera de chegar à síntese final. E é essa síntese que está a doer e está a doer a dores de parto. Somos o ponto de chegada da falência de tempos de ismos .. E eu tenho muito medo dos ismos todos, até do cristianismo. Tenho muito medo de tudo aquilo que são ismos levados por gente que não percebe que a sua missão é ser gente com gente para que cada vez mais gente seja gente e nunca ninguém deixe de ser pessoa. E aqui estamos todos necessitados também de elevar um pouco mais o discurso, de elevar um pouco mais a crispação. É o tempo da serenidade consciente, que terá que levar fatalmente a esta passagem à cidadania praticante. Estamos no tempo em que andam aí algumas vozes alarmadas com a falta dos católicos praticantes. Não tenho medo nenhum dos católicos não-praticantes, tenho muito medo dos cidadãos não-praticantes. E este é o tempo disso, é o tempo de, transversalmente, quer a tutela, quer todas as organizações (sobretudo as que têm um mínimo de possibilidade no terreno), é o tempo de mobilizar a esperança e de mobilizar aquilo que é a urgência urgente deste tempo. E é a possibilidade de acertarmos o tiro ..
Nestes dias lembrava-me de um cachorro de um vizinho meu: um cachorro simpático, mas um bocado estúpido que, quando tinha fome, ladrava ao comedouro. Aquele bicho não percebeu que quem não lhe dava de comer não era o comedouro, que precisava de ter ladrado mais para cima .. Também não sabia, se calhar, que o cachorro que estava na casa do lado também ladrava para a lata, não sabia que ele existia, porque ninguém lhe tinha pegado ao colo para lhe mostrar que o vizinho do lado também estava a precisar de encontrar sinais de esperança e estava a precisar de aprender contra quem é que tinha que lutar.
Neste momento creio que precisamos todos de perceber que não são os nossos governos que nos governam. Estamos quase com esta fatalidade edipiana de termos de bater no pai ou termos de matar o pai, mas estamos numa casa em que o pai é pobre, ainda por cima está cheio de dívidas. Por ali não virá a salvação. Temos, ainda por cima, uma paternidade alargada que nem sempre está de acordo e tantas vezes temos em poucos minutos um dos pais a desdizer o que outro disse e vice-versa .. Estou a falar das nossas fronteiras e da Europa ..
Quando fui viver para Itália eu dizia que lá só existiam - só existem, infelizmente - dois poderes organizados: a maçonaria desviada e a máfia . E eu dizia que Portugal não era assim. Neste momento já não tenho a certeza. As dores que eu sinto do lado italiano são muito parecidas com as dores que sinto do nosso lado...
(...)
Quando vi as imagens do Pingo Doce, fiquei triste e alarmado. Vi isto na Venezuela, com o Chavez, exactamente o mesmo tipo de reacção. Fiquei com esta imagem como um ícone, ou como um contra ícone, uma mensagem de sinal contrário daquilo que é uma das urgências a descobrir hoje. Desde logo, querem-nos convencer que economia e finanças é a mesma coisa – e não é. As finanças serão uma pequena parte daquilo que é a economia, a gestão da casa, que tem de ser uma casa comum. Estamos confrontados com um discurso de inevitabilidades – que não existem! Nós, enquanto seres humanos, independentemente das nossas sensibilidades políticas ou religiosas ou seja o que for, nós enquanto seres, existimos entre dois abismos de solidão: nascemos sozinhos e morremos sozinhos, ninguém nasce por nós e ninguém morre por nós. O desafio e o bloqueio que neste momento nos mata… porque a crise não é económica, a crise é relacional acima de tudo. A crise tem a ver com isto: quem és tu para mim? Nestes dois limites de solidões, aquilo que se nos pede enquanto seres humanos é sermos capazes de criar redes de solidariedade. Desculpem lá puxar a brasa para a minha sardinha franciscana: nós vivemos um mito urbano quando, para se falar dos franciscanos, se continua a falar da pobreza franciscana, como se Francisco de Assis fosse tolinho da cabeça e como se alguém no seu perfeito juízo fosse capaz de optar por um não-valor. O que Francisco traz à História é uma opção pela fraternidade, o que é outra coisa – e tem consequências. Tem consequências na relação com o outro, tem consequências naquilo que tem que ser – e isto é que nos vai doer muito – o milagre que pode levar à saída da crise.
Não quero proclamar que tenho a chave para a saída da crise, mas tenho pelo menos uma pista de reflexão. Ou pelo menos uma ideia que gostava de partilhar como ideia.. uma coisa que me arrelia muito: nos últimos tempos, temos uma sociedade marcada por uma partidarite aguda, tribalizada. E a partidarite é uma inflamação da democracia. Vivemos esta falta de ideias e tantas vezes damos conta que em vez de termos uma linha de pensamento, só temos uns gatafunhos ideológicos que nos matam e que nos prendem, que não nos deixam depois chegar a esta que pode ser uma primeira pista de reflexão para nos entendermos e para nos situarmos. Porque quando o cinzento é a cor da moda, o arco-íris é um insulto. E nós estamos cinzentos, demasiado cinzentos.
Deixem-me deixar esta ideia bíblica: nós, em alguns arroubos mais ou menos místico-gasosos, ficamos muito alarmados e muito agitados interiormente com a multiplicação dos pães e dos peixes. Se nós percebêssemos o que está ali, se nós percebêssemos o desafio de construção social e de acusação contra o egoísmo cego do capitalismo que mata a História, ou dos ismos todos, quaisquer que eles sejam, quando a Pessoa não está no centro e que matam a História, sejam totalitarismos de direita ou totalitarismos de esquerda (mantendo-nos ainda nesta linguagem primitiva de separações destes géneros). O que aconteceu naquele momento? A cena é descrita como uma cena de final da tarde, imensa gente, tudo cheio de fome, é preciso dar de comer a esta gente. A resposta de Jesus à situação: “dai-lhes vós de comer” - e o pânico! Como é que vamos arranjar de comer para esta gente toda? Quem teve a solução ali naquele momento? É um catraio, é alguém que não tem nada a perder, só uns pãezitos e uns peixes. Só houve multiplicação porque houve divisão.
A solução tem que passar por aqui: é preciso dividir para multiplicar e é preciso somar sem subtrair nada a ninguém. O segredo está aqui. A chave está aqui. E por aqui pode construir-se a esperança. Por aqui podem-se criar redes de relações, por aqui pode dizer-se às pessoas que a esperança é possível. É preciso organizar esta esperança.
Eu, hoje, vi as cenas do Pingo Doce e vi as cenas das manifestações das duas centrais sindicais. As manifestações têm uma função catártica, porque é preciso gritar e é preciso explodir e é preciso libertar energias. Mas depois do final da manifestação, depois de enrolar a bandeira, o que é que eu faço com aquilo, para onde vai a minha desesperança? Eu que deixei a minha centralidade, e aqui voltamos a Emaus, eu que deixei a minha esperança pendurada na centralidade de uma Jerusalém qualquer, e vou a caminho da minha Emaus do desespero. Hoje não são só dois que vão a caminho de Emaus do desespero, são milhões no mundo inteiro, que perdem o emprego, que deixam de poder satisfazer as necessidades da sua família, onde a esperança desaparece. São às centenas os que morrem como gatos afogados no mediterrâneo a saltar do Norte de África para chegar a Lampedusa, à Sicília, às costas do Sul de Espanha. E este é o subir, pegar no cachorro para ver o muro do outro lado. Quem tem a História nas mãos somos nós. As revoluções nunca se fazem pelas estruturas, as revoluções começam por baixo contra as estruturas. As estruturas são coisas estáticas, têm um medo desgraçado de serem tocadas. Isto é a piscina de água choca, está toda a gente com a água por aqui [pelo pescoço], quando alguém faz onda, todos gritam: não faças ondas! Todas as estruturas sofrem deste mal.
Hoje, depois da manifestação, pensei: para que Emaus vai esta gente? Que esperança é que podemos trazer à História? Será que as centrais sindicais, será que a Igreja, será que as associações do bairro, não têm uma responsabilidade social? Têm! Têm que ter! A nossa resposta e o nosso grito não pode ser só enrolar a bandeira até à próxima manifestação ou até à próxima greve geral. É preciso sermos imaginativos e fazer outra coisa. Deixem-me ser profundamente demagógico agora: nós estamos todos com a corda ao pescoço. De cada vez que metemos gasolina, os nossos carros andam a impostos, 84% do que a gente mete nos depósitos são impostos e aquilo anda. E os preços estão a subir, não porque a matéria prima esteja a subir, mas porque o consumo está a baixar. Isto é maquiavélico, um ciclo vicioso. Temos quatro companhias em Portugal a vender gasolina. O Governo já disse, pela activa e pela passiva, várias vezes, que não tem poder para mexer naquilo. O loby está instalado. Mas nós temos! Nós podemos! Imagine que durante uma semana a CGTP e a UGT dizem: esta semana ninguém compra gasolina nem gasóleo em duas destas marcas. Aqueles senhores, ao fim de uma semana, terão os preços mais baixos. E as outras duas vão ter que baixar também, porque a concorrência vai começar. De cada vez que vou na auto-estrada sinto-me insultado. Porque é que gastaram aqueles milhões a colocar aqueles painéis sobre a informação de preços quando os preços são todos iguais? Isso é brincar!
É preciso galvanizar as pessoas! Ou nos galvanizamos ou nos albanizamos! Não há via do meio. E passa por aqui a responsabilidade de todos.»
Frei Venturatexto retirado daqui
François Hollande é um líder fraco com um discurso forte. Fez promessas impossíveis aos franceses e criou expectativas possíveis aos europeus. Os cépticos vêem nele o destino de Rajoy: engolirá tudo. Mas é nele que reside a esperança política. Não temos outra.
As eleições francesas foram importantíssimas. Um fracassado Sarkozy perdeu. O perigo da extrema direita, que nunca está vencido, foi afastado. E a votação em massa, com um nível baixo de abstenção, é o principal factor de legitimidade democrática deste poder. Um poder de esquerda. Um poder que a direita entrega cheio de dívidas. E isto só é relevante para afastar o conceito de que a esquerda é que contrai dívidas. Não é assim na França. Nem foi assim na Alemanha. E mesmo em Portugal, é argumentável dizer que a "esquerda moderna" dos primeiros anos de Sócrates era outra esquerda que não a social-democracia.
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| img daqui |
1. O deputado será pago apenas durante o seu mandato e não terá reforma proveniente do seu mandato.
2. O deputado vai contribuir para a Segurança Social de maneira igual aos restantes cidadãos. Todos os deputados (Passado, Presente e Futuro) passarão para o actual sistema de Segurança Social, imediatamente.
3. O deputado deve pagar seu plano de reforma, como todos os portugueses.
4. O deputado deixará de votar o seu próprio aumento salarial.
5. O deputado vai deixar o seu seguro de saúde actual e vai participar no mesmo sistema de saúde como todos os outros cidadãos portugueses. O deputado irá participar nos benefícios do regime da S. Social exactamente como todos os outros cidadãos portugueses e da mesma maneira.
6. O deputado também deve estar sujeito às mesmas leis que o resto dos portugueses. O fundo de pensões não pode ser usado para qualquer outra finalidade. Não haverá privilégios exclusivos.
7. Servir no Parlamento é uma honra, não uma carreira. Os deputados devem cumprir os seus mandatos (não mais de 2 mandatos), e, depois, procurar outro emprego.
Assim é como se pode CORRIGIR ESTE ABUSO INSUPORTÁVEL DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA.
«My name is Pål. When I was twenty-two I recorded an album called Floriography. I'll soon turn twenty-five and need to hide away for a while now. This song, Thimbleweed, is for you and for the waiting, while I'm gathering some more. (...) »
Daqui, desta Lisboa compassiva,
Nápoles por Suíços habitada,
onde a tristeza vil, e apagada,
se disfarça de gente mais activa;
Daqui, deste pregão de voz antiga,
deste traquejo feroz de motoreta
ou do outro de gente mais selecta
que roda a quatro a nalga e a barriga;
Daqui, deste azulejo incandescente,
da soleira da vida e piaçaba,
da sacada suspensa no poente,
do ramudo tristôlho que se apaga;
Daqui, só paciência, amigos meus !
Peguem lá o soneto e vão com Deus...
Depois, o senhor tem um curso superior (antropologia), é culto, tem abundante experiência de viagens e empregos. Tem um blogue: Zero Currency (dinheiro zero), uma página web cheia de referências históricas, filosóficas, políticas: Living Without Money (viver sem dinheiro). Do Estado aproveita as ruas e as estradas, a biblioteca pública, o livre acesso à net. Às vezes entra em comboios, clandestino. Abriga-se numa gruta, vive dos desperdícios que encontra no lixo.
Há um livro sobre ele: The Man Who Quit Money. (o homem que abandonou o dinheiro)
Daniel Suelo tem uma religio-filosofia, é um Sadhu na América. E tem um lema: "To be a vagabond, a bum, and make an art of it" (ser um vagabundo, um vadio, e fazer disso uma arte)