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08/03/13

Mulher

da Wikpedia, um artigo muito completo:

Mª Fonte- jd. Teófilo Braga, Lx
Maria da Fonte, ou Revolução do Minho, é o nome dado a uma revolta popular ocorrida na primavera de 1846 contra o governo cartista presidido por António Bernardo da Costa Cabral.
A revolta resultou das tensões sociais remanescentes das guerras liberais, exacerbadas pelo grande descontentamento popular gerado pelas novas leis que se lhe seguiram de recrutamento militar, por alterações fiscais e pela proibição de realizar enterros dentro de igrejas.
Iniciou-se na zona de Póvoa de Lanhoso (Minho) por uma sublevação popular que se foi progressivamente estendendo a todo o norte de Portugal. A instigadora dos motins iniciais terá sido uma mulher do povo chamada Maria, natural da freguesia de Fontarcada, que por isso ficaria conhecida pela alcunha de Maria da Fonte.  

Como a fase inicial do movimento insurreccional teve uma forte componente feminina, acabou por ser esse o nome dado à revolta.  --- ler mais

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Durante a Revolução da Maria da Fonte, o maestro Ângelo Frondini compôs um hino popular conhecido por Maria da Fonte ou Hino do Minho, que continua a ser a música com que se saúdam os ministros portugueses, sendo utilizado em cerimónias civis e militares. -- fonte
  
Hino da Maria da Fonte: música: Angelo Frondoni (1812-1891) 
letra: Paulo Midosi (1821-1888)
voz: Vitorino

A letra de Paulo Midosi Júnior (ele próprio muito confundido na internet..) foi sofrendo variações ao longo dos tempos; tantas, que não é fácil perceber-se qual a original (na web, os mesmos sítios que a publicam apontam depois para uma versão cantada que é diferente..). Também a Maria da Fonte (que poderão ter sido muitas Marias!) se transformou numa personagem mais ou menos nebulosa da história portuguesa, havendo várias versões, muitas delas contraditórias. Na pesquisa, aprendi, pelo menos, duas coisas:
- a revolução da Maria da Fonte vai muito além de uma questiúncula sobre onde enterrar os mortos (o que me ficou do que me foi ensinado no liceu) .. 
- houve em Portugal, em 1822, uma Constituição revolucionária que «marcou uma tentativa de pôr fim ao absolutismo».. Ainda assim, com dois "pecados capitais": não permitia a liberdade de culto religioso; vedava o direito de voto (para eleição dos parlamentares) às mulheres, entre outros descriminados.
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da Wikipedia,
A Constituição portuguesa de 1822 foi resultado dos trabalhos das Cortes Gerais Extraordinárias e Constituintes da Nação Portuguesa de 1821-1822, eleitas pelo conjunto da Nação Portuguesa - a primeira experiência parlamentar em Portugal, nascida na sequência da revolução liberal de 24 de Agosto de 1820, no Porto. -- ler mais
Cartismo é a designação que se deu em Portugal à tendência mais conservadora do liberalismo surgido após a revolução de 1820, centrada em torno da Carta Constitucional de 1826, outorgada por D. Pedro IV numa tentativa de reduzir os conflitos abertos pela revolução, dado o seu carácter menos radicalizante do que a Constituição Política da Monarquia Portuguesa de 1822.    -- ler mais
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As sete Mulheres do Minho, de Zeca Afonso,
cantada por Faltriqueira e Dulce Pontes 
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da Biblioteca Nacional, aqui:
AUTOR(ES): Frondoni, Angelo, 1812-1891; Midosi Júnior, Paulo, 1821-1888, co-autor; Casa Moreira de Sá (Editores de música), ed. com. 
TÍT. UNIF.: Hino do Minho, V, pf 
ASSUNTOS: Hinos políticos -- [Música impressa] ; Música para canto e piano -- Séc. 19 

do Dicionário Histórico de Portugal, aqui :
Camilo Castelo Branco escreveu um livro com o título Maria da Fonte, que trata minuciosamente deste assunto. 
São também interessantes os Apontamentos para a historia da Revolução do Minho em 1846 ou da Maria da Fonte, pelo padre Casimiro. 
Na Biblioteca do Povo e das Escolas, o n.º 167 é a história da Revolução da Maria da Fonte, pelo Sr. João Augusto Marques Gomes. 
Um dos primeiros trabalhos do romancista Sr. Rocha Martins intitula-se Maria da Fonte.
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22/02/13

«o estado a que chegámos» -- again!


SALGUEIRO MAIA morreu aos 47 anos, há quase 21 anos.

A História consagra-o como o maior exemplo de coragem da revolução de 25 de Abril de 1974. 
Salgueiro Maia, o capitão sem medo, desapareceu a 4 de abril de 1992. --- ler mais



                                        
Na madrugada de 25 de Abril de 1974, Salgueiro Maia comandou as tropas da Escola Prática de Cavalaria de Santarém até Lisboa, com o objectivo de depor o governo liderado por Marcelo Caetano e pôr fim à ditadura.

No quartel daquela cidade ficou célebre a forma como o capitão mobilizou os restantes militares para a revolução: "Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado: os Estados socialistas, os corporativos e o estado a que chegámos.

Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!" -- fonte




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a não esquecer:  
O agora PR, Cavaco Silva, quando era PM, recusou pensão ao Capitão de Abril Salgueiro Maia -  mas concedeu-a a dois ex-inspectores da PIDE ! -- fonte  
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19/02/13

e .. era preciso consultar um filósofo??!!


Filósofo diz que entoação de "Grândola Vila Morena" mostra que povo quer outro caminho


Publicado hoje às 11:36
aqui

A "Grândola Vila Morena", música símbolo do 25 de Abril, tem andando no ar nos últimos dias. Na reflexão do filósofo José Gil cantar este tema remete para o desejo de uma utopia prometida e nunca concretizada, ou seja, o desejo de uma democracia para todos.


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Pois não salta à vista? A qualquer median-íssima inteligência?
 


A música que em 25 de Abril de 1974 lançou os Militares Portugueses para a rua. 
Era o início da Revolução dos Cravos. "Acabava" a Ditadura...

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Alguma outra leitura possível para o desejo, a urgência de uma revolução [OUTRA QUE VENHA E VALHA!], símbolo que foi, a Grândola, dessa que tivemos há 38 anos, 10 meses e 25 dias?
Que outro entendimento para esta revolta assim entoada, "O POVO É QUEM MAIS ORDENA", na AR, nas manifs?
Só não vê quem não quer. Só mentes-muito-captas como as dos badamecos passos-relvas, caras-de-pau sem escrúpulos e sem vergonha o minimizam e desvirtuam  - esses sim, mais as suas cretinas reacções, precisando de psicólogos que os/as expliquem!
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Nem as vaias, nem os insultos, nem os protestos ao som de “Grândola Vila Morena” desmoralizam Miguel Relvas. [como haveriam, se este palhaço não tem nem uma sombra de dignidade?]
O ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares mostrou-se nesta segunda-feira à noite convicto de que o Governo será bem avaliado pelo país no final do seu mandato.  
“Este Governo só se vai embora em 2015 se os portugueses quiserem. Em 2015, Portugal estará melhor do que está hoje”, [Que alarvidade, a estampada e a discursada!!] garantiu o ministro no debate sobre o “Momento Político” do Clube dos Pensadores, em Vila Nova de Gaia, momentos depois de ser vaiado e interrompido por um grupo de cerca de 20 manifestantes que entoou a música “Grândola Vila Morena”, a mesma que Passos Coelho ouviu no Parlamento no debate quinzenal.  -- fonte
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E, deixem-me que vos diga, muito mal andarão os 'Pensadores' de Vila Nova de Gaia mais o seu clube, ao convidarem esta aventesma para discursar! Lá diz o ditado: "Diz-me com quem andas, ......."
Caso para citar o parodeado: "cabecinha(s) pensadora(s)!!!"
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24/10/12

a REVOLUÇÃO segundo Trotsky

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O Que Foi a Revolução de Outubro 

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Leon Trotsky (1879-1940)

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Conferência pronunciada: a 27 de Novembro de 1932,
no estádio de Copenhague, Dinamarca.

(excertos):

(...)
Para começar, fixemos alguns princípios sociológicos elementares que são sem dúvida familiares a todos vocês e que devemos, porém, recorda-los ao tomar contato com um fenômeno tão complexo como a revolução. 

  •  A sociedade humana é o resultado histórico da luta pela existência e da segurança na preservação das gerações. O caráter da economia determina o caráter da sociedade. Os meios de produção determinam o caráter da economia. 
  • A cada grande época, no desenvolvimento das forças de produção, corresponde um regime social definido. Até agora, cada regime social assegurou enormes vantagens à classe dominante. 
  • É evidente que os regimes sociais não são eternos. Nascem e, historicamente, transformam-se em obstáculos ao progresso ulterior. "Tudo que nasce é digno de perecer". 
  • Nunca, porém, uma classe dominante abdicou, voluntária e pacificamente, do poder. Nas questões de vida e morte os argumentos fundados na razão nunca substituíram os argumentos da força. É triste dizê-lo. Mas é assim. Não fomos nos que fizemos este mundo. Só podemos tomá-lo tal como é. 

A revolução significa mudança do regime social. Ela transmite o poder das mão de uma classe, que se esgotou, as mão de outra classe em ascensão.
A insurreição constitui o momento mais crítico e mais agudo na luta de duas classes pelo poder. A sublevação não pode conduzir a vitória real da revolução e a implantação de novo regime senão quando se apoia sobre uma classe progressista, capaz de agrupar em torno de si a imensa maioria do povo.
Diferentemente dos processos da natureza, a revolução realiza-se por intermédio dos homens. Mas, na revolução também os homens atuam sob a influência de condições sociais que eles próprios não elegem livremente, senão que herdam do passado e lhes assinala imperiosamente o caminho. Precisamente por tal motivo, e só por isto, a revolução tem as suas próprias leis.
A consciência humana, contudo, não se limita a refletir passivamente as condições objetivas. Sobre estas ela pode reagir ativamente. E, em certos momentos, a reação adquire um caráter de massa, tenso, apaixonado. Derrubam-se então barreiras do direito e do poder. A intervenção ativa das massas nos acontecimentos constitui o elemento indispensável da revolução. É, sem dúvida, a demonstração, de uma rebelião, sem elevar-se a altura de uma revolução.
A sublevação das massas deve conduzir ao derrube do poder de uma classe e ao estabelecimento da dominação de outra. Somente assim teremos uma revolução consumada.
A sublevação das massas não é um empreendimento isolado que se pode provocar por capricho. Representa um elemento objetivamente condicionado ao desenvolvimento da revolução, que por sua vez é um processo condicionado ao desenvolvimento da sociedade. Isto não quer dizer, entretanto, que, uma vez existentes as condições objetivas da sublevação, se deva esperar passivamente, com boca aberta. Nos acontecimentos humanos também há como disse Shakespeare, fluxos e refluxos, que, tomados na crescente, conduzem ao êxito: "There is a tide in the affairs of men which taken at the flood, leads on to fortune".
Para varrer o regime que sobrevive, a classe avançada deve compreender que soou a hora e propor-se à tarefa da conquista do poder. Aqui se abre o campo da ação revolucionária consciente, onde a previsão e o cálculo se unem à vontade e à bravura. Dito de outra forma: aqui se abre o campo à ação do partido.
 (...) -- fonte
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18/10/12

uma revolução latente?


Otelo avisa que uma revolução está latente e não irá ser pacífica como o 25 de Abril 



Por Agência Lusa, 
publicado em 17 Out 2012 no i-online

Otelo,estratega de Abril
Otelo Saraiva de Carvalho acha que o Governo está a violar a Constituição, de que as Forças Armadas são “guardiãs”, e avisa que uma revolução "está latente" e não deverá ser pacífica como o 25 de abril. 

Em entrevista à Agência Lusa, no dia em que militares se reúnem para discutir a situação atual e as suas repercussões nas Forças Armadas, o célebre “capitão de Abril” diz que é diariamente confrontado com “anónimos” que o convidam a fazer uma nova revolução, “agora sem cravos”. 

Esta ideia de uma nova revolução “está latente”, disse Otelo. 

É preciso uma nova revolução, há essa tendência de que é preciso modular isto tudo de novo, mas ninguém pensa que a evolução para essa revolução possa ser pacífica. Esse é o grande temor que existe”. 

Um ano depois de ter afirmado, em entrevista à agência Lusa, de que, ultrapassados os limites, os militares deviam fazer um golpe de Estado e derrubar o governo, tendo por isso sido alvo de uma queixa no Ministério Público, entretanto arquivada, o militar não tem dúvidas: “Os limites foram ultrapassados”. 

 Otelo pensa que uma nova revolução não deverá ser tão pacífica como a do 25 de abril, porque “agora estão exacerbados os ódios que se foram acumulando”.  (...) -- ler mais


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08/05/12

quando o cinzento é a cor da moda, o arco-íris é um insulto


Ponho agora aqui o vídeo do programa, porque é ainda preciso, 7 dias depois. Porque é, será sempre, urgente ouvir estas pessoas, todos tão em uníssono de bom-senso, análises claras, óbvias: o Frei Ventura acima de toda a poesia, mas também o Carvalho da Silva, o Elísio Estanque... E como perpassam aqui as almas-gémeas de José Saramago, de Santana Castilho .. em espírito da letra e na comunhão de ideias, frades capuchinhos poderiam ser, como este que nos fala. Nobres pregadores no deserto, todos eles, e só os peixes, que não a maioria dos homens, absorvendo-lhes a lógica e a sabedoria, a imensa lucidez, a intrínseca qualidade humanista. 
Gostaria de transcrever-lhes o discurso, a todos: tão certeiro o de Carvalho da Silva! Fica a suprema intervenção de Frei Ventura, que alguém felizmente transcreveu. E penso em como tudo seria diferente se tivéssemos Pessoas assim gerindo-nos os destinos, globalmente pensando-nos Gente. Pergunto-me por que são sempre os mais medíocres, os mais parvus-pobres-de-espírito a terem a legalidade de infernizar-nos a vida, bandidos e burros e bandalhos tantos deles, num qualquer mundo de lógico bom-senso escorraçados vendilhões do templo. Fieis adoradores do des-deus capital, coveiros do futuro e da esperança, matadores de tudo, o que nos está des-destinado.

Contra eles "ouvide agora senhores" (nau catrineta) , e 'esguardai'! E aprendei com estes que aqui vos falam, e deles divulgai a mensagem, e gritai-a aos quatro ventos, e semeai a palavra, sobretudo semeai a esperança, com fartura. Talvez um dia mereçamos colhê-la.

«Ora esguardai, como se fôsseis presentes, uma tal cidade assim desconfortada e sem nenhuma certa fiúza de seu livramento, como viveriam em desvairados cuidados, quem sofria ondas de tais aflições?»(F. Lopes)
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1º de maio em análise em Contracorrente - SIC notícias

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Convidados: Frei Fernando Ventura, o ex-líder da CGTP e investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Manuel Carvalho da Silva, o comentador da SIC e presidente do ISEG, João Duque e o sociólogo Elísio Estanque.

síntese da intervenção de Frei Fernando Ventura
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« Este é, acima de tudo, o tempo de falar de esperança. E não é uma esperança pendurada em ninguém, em messias nenhum, nem político nem religioso. Não é tempo de pendurar as esperanças, nem nos senhores do tempo, nem nos senhores do templo. Estamos a viver um tempo que é um ponto de chegada, um momento de antítese das sínteses, dos ismos que não funcionaram. Estamos à espera de chegar à síntese final. E é essa síntese que está a doer e está a doer a dores de parto. Somos o ponto de chegada da falência de tempos de ismos .. E eu tenho muito medo dos ismos todos, até do cristianismo. Tenho muito medo de tudo aquilo que são ismos levados por gente que não percebe que a sua missão é ser gente com gente para que cada vez mais gente seja gente e nunca ninguém deixe de ser pessoa. E aqui estamos todos necessitados também de elevar um pouco mais o discurso, de elevar um pouco mais a crispação. É o tempo da serenidade consciente, que terá que levar fatalmente a esta passagem à cidadania praticante. Estamos no tempo em que andam aí algumas vozes alarmadas com a falta dos católicos praticantes. Não tenho medo nenhum dos católicos não-praticantes, tenho muito medo dos cidadãos não-praticantes. E este é o tempo disso, é o tempo de, transversalmente, quer a tutela, quer todas as organizações (sobretudo as que têm um mínimo de possibilidade no terreno), é o tempo de mobilizar a esperança e de mobilizar aquilo que é a urgência urgente deste tempo. E é a possibilidade de acertarmos o tiro ..
Nestes dias lembrava-me de um cachorro de um vizinho meu: um cachorro simpático, mas um bocado estúpido que, quando tinha fome, ladrava ao comedouro. Aquele bicho não percebeu que quem não lhe dava de comer não era o comedouro, que precisava de ter ladrado mais para cima .. Também não sabia, se calhar, que o cachorro que estava na casa do lado também ladrava para a lata, não sabia que ele existia, porque ninguém lhe tinha pegado ao colo para lhe mostrar que o vizinho do lado também estava a precisar de encontrar sinais de esperança e estava a precisar de aprender contra quem é que tinha que lutar.
Neste momento creio que precisamos todos de perceber que não são os nossos governos que nos governam. Estamos quase com esta fatalidade edipiana de termos de bater no pai ou termos de matar o pai, mas estamos numa casa em que o pai é pobre, ainda por cima está cheio de dívidas. Por ali não virá a salvação. Temos, ainda por cima, uma paternidade alargada que nem sempre está de acordo e tantas vezes temos em poucos minutos um dos pais a desdizer o que outro disse e vice-versa .. Estou a falar das nossas fronteiras e da Europa ..
Quando fui viver para Itália eu dizia que lá só existiam - só existem, infelizmente - dois poderes organizados: a maçonaria desviada e a máfia . E eu dizia que Portugal não era assim. Neste momento já não tenho a certeza. As dores que eu sinto do lado italiano são muito parecidas com as dores que sinto do nosso lado...
(...)

Quando vi as imagens do Pingo Doce, fiquei triste e alarmado. Vi isto na Venezuela, com o Chavez, exactamente o mesmo tipo de reacção. Fiquei com esta imagem como um ícone, ou como um contra ícone, uma mensagem de sinal contrário daquilo que é uma das urgências a descobrir hoje. Desde logo, querem-nos convencer que economia e finanças é a mesma coisa – e não é. As finanças serão uma pequena parte daquilo que é a economia, a gestão da casa, que tem de ser uma casa comum. Estamos confrontados com um discurso de inevitabilidades – que não existem! Nós, enquanto seres humanos, independentemente das nossas sensibilidades políticas ou religiosas ou seja o que for, nós enquanto seres, existimos entre dois abismos de solidão: nascemos sozinhos e morremos sozinhos, ninguém nasce por nós e ninguém morre por nós. O desafio e o bloqueio que neste momento nos mata… porque a crise não é económica, a crise é relacional acima de tudo. A crise tem a ver com isto: quem és tu para mim? Nestes dois limites de solidões, aquilo que se nos pede enquanto seres humanos é sermos capazes de criar redes de solidariedade. Desculpem lá puxar a brasa para a minha sardinha franciscana: nós vivemos um mito urbano quando, para se falar dos franciscanos, se continua a falar da pobreza franciscana, como se Francisco de Assis fosse tolinho da cabeça e como se alguém no seu perfeito juízo fosse capaz de optar por um não-valor. O que Francisco traz à História é uma opção pela fraternidade, o que é outra coisa – e tem consequências. Tem consequências na relação com o outro, tem consequências naquilo que tem que ser – e isto é que nos vai doer muito – o milagre que pode levar à saída da crise.
Não quero proclamar que tenho a chave para a saída da crise, mas tenho pelo menos uma pista de reflexão. Ou pelo menos uma ideia que gostava de partilhar como ideia.. uma coisa que me arrelia muito: nos últimos tempos, temos uma sociedade marcada por uma partidarite aguda, tribalizada. E a partidarite é uma inflamação da democracia. Vivemos esta falta de ideias e tantas vezes damos conta que em vez de termos uma linha de pensamento, só temos uns gatafunhos ideológicos que nos matam e que nos prendem, que não nos deixam depois chegar a esta que pode ser uma primeira pista de reflexão para nos entendermos e para nos situarmos. Porque quando o cinzento é a cor da moda, o arco-íris é um insulto. E nós estamos cinzentos, demasiado cinzentos.

Deixem-me deixar esta ideia bíblica: nós, em alguns arroubos mais ou menos místico-gasosos, ficamos muito alarmados e muito agitados interiormente com a multiplicação dos pães e dos peixes. Se nós percebêssemos o que está ali, se nós percebêssemos o desafio de construção social e de acusação contra o egoísmo cego do capitalismo que mata a História, ou dos ismos todos, quaisquer que eles sejam, quando a Pessoa não está no centro e que matam a História, sejam totalitarismos de direita ou totalitarismos de esquerda (mantendo-nos ainda nesta linguagem primitiva de separações destes géneros). O que aconteceu naquele momento? A cena é descrita como uma cena de final da tarde, imensa gente, tudo cheio de fome, é preciso dar de comer a esta gente. A resposta de Jesus à situação: “dai-lhes vós de comer” - e o pânico! Como é que vamos arranjar de comer para esta gente toda? Quem teve a solução ali naquele momento? É um catraio, é alguém que não tem nada a perder, só uns pãezitos e uns peixes. Só houve multiplicação porque houve divisão.

A solução tem que passar por aqui: é preciso dividir para multiplicar e é preciso somar sem subtrair nada a ninguém. O segredo está aqui. A chave está aqui. E por aqui pode construir-se a esperança. Por aqui podem-se criar redes de relações, por aqui pode dizer-se às pessoas que a esperança é possível. É preciso organizar esta esperança.

Eu, hoje, vi as cenas do Pingo Doce e vi as cenas das manifestações das duas centrais sindicais. As manifestações têm uma função catártica, porque é preciso gritar e é preciso explodir e é preciso libertar energias. Mas depois do final da manifestação, depois de enrolar a bandeira, o que é que eu faço com aquilo, para onde vai a minha desesperança? Eu que deixei a minha centralidade, e aqui voltamos a Emaus, eu que deixei a minha esperança pendurada na centralidade de uma Jerusalém qualquer, e vou a caminho da minha Emaus do desespero. Hoje não são só dois que vão a caminho de Emaus do desespero, são milhões no mundo inteiro, que perdem o emprego, que deixam de poder satisfazer as necessidades da sua família, onde a esperança desaparece. São às centenas os que morrem como gatos afogados no mediterrâneo a saltar do Norte de África para chegar a Lampedusa, à Sicília, às costas do Sul de Espanha. E este é o subir, pegar no cachorro para ver o muro do outro lado. Quem tem a História nas mãos somos nós. As revoluções nunca se fazem pelas estruturas, as revoluções começam por baixo contra as estruturas. As estruturas são coisas estáticas, têm um medo desgraçado de serem tocadas. Isto é a piscina de água choca, está toda a gente com a água por aqui [pelo pescoço], quando alguém faz onda, todos gritam: não faças ondas! Todas as estruturas sofrem deste mal.

Hoje, depois da manifestação, pensei: para que Emaus vai esta gente? Que esperança é que podemos trazer à História? Será que as centrais sindicais, será que a Igreja, será que as associações do bairro, não têm uma responsabilidade social? Têm! Têm que ter! A nossa resposta e o nosso grito não pode ser só enrolar a bandeira até à próxima manifestação ou até à próxima greve geral. É preciso sermos imaginativos e fazer outra coisa. Deixem-me ser profundamente demagógico agora: nós estamos todos com a corda ao pescoço. De cada vez que metemos gasolina, os nossos carros andam a impostos, 84% do que a gente mete nos depósitos são impostos e aquilo anda. E os preços estão a subir, não porque a matéria prima esteja a subir, mas porque o consumo está a baixar. Isto é maquiavélico, um ciclo vicioso. Temos quatro companhias em Portugal a vender gasolina. O Governo já disse, pela activa e pela passiva, várias vezes, que não tem poder para mexer naquilo. O loby está instalado. Mas nós temos! Nós podemos! Imagine que durante uma semana a CGTP e a UGT dizem: esta semana ninguém compra gasolina nem gasóleo em duas destas marcas. Aqueles senhores, ao fim de uma semana, terão os preços mais baixos. E as outras duas vão ter que baixar também, porque a concorrência vai começar. De cada vez que vou na auto-estrada sinto-me insultado. Porque é que gastaram aqueles milhões a colocar aqueles painéis sobre a informação de preços quando os preços são todos iguais? Isso é brincar!

É preciso galvanizar as pessoas! Ou nos galvanizamos ou nos albanizamos! Não há via do meio. E passa por aqui a responsabilidade de todos.»
Frei Ventura
 texto retirado daqui 
-- ajustado e acrescentado de acordo com o que ouvi no vídeo acima ..
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