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13/10/12

o que Portugal devia aprender com a Suíça


Reformas na Suíça com tecto máximo de 1700 euros

 RTP notícias
10 Nov 2010

Na Suíça, ao contrário de Portugal, não há reformas de luxo.   [E tb não há reformas 'múltiplas', of course..]
Para evitar a ruína da Segurança Social, o governo helvético fixou que o máximo que um suíço pode receber de reforma são 1700 euros. 
E assim, sobra dinheiro para distribuir pelas pensões mais baixas.  -- lá .. como cá! ..


- vídeo aqui

23/09/12

assim, sim! Viva a Suíça e os seus referendos!


 e viva a França, também!  (ver última frase da notícia)

Eu .. (mas quem sou eu, ñ é? ..) acho que, quando há exemplos de países em que a democracia não é palavra vã e funciona, só devíamos era ter a humildade de lhes pedir lições e autorização para 'plagiá-los' -- simples, não? A solução para todos os nossos problemas! Por que razão não o fazem os nossos doutos desgovernantes, não sei. (mentira, claro que sei! ..) Sei que podíamos votar NOUTROS que se comprometessem com a premissa acima .. Vocês que acham?

.  .  . 

no Expresso - Actualidades:
 .
12:16 Domingo, 23 de setembro de 2012 

 Suíços votam hoje fim de benefícios fiscais para estrangeiros 

Os suíços votam hoje o fim do pacote fiscal que permite que estrangeiros ricos paguem impostos mais baixos no país.
A célebre localidade de Gstaad começou a tremer, segundo a AFP. Este é o local preferido dos "exilados fiscais" estrangeiros, como o cantor de rock francês Johnny Hallyday, e o eventual fim deste pacote fiscal poderá ter um grande impacto na região.
Os eleitores do cantão de Berna, que inclui Gstaad, votam hoje o fim do pacote fiscal, que é considerado uma injustiça por permitir pagar menos impostos apenas aos estrangeiros.
O pacote fiscal é um sistema de tributação assente no estilo de vida e de despesas do contribuinte na Suíça e não sobre as suas receitas reais.
A maior parte dos beneficiários deste sistema no cantão de Berna residem em Gstaad, uma zona de desportos de inverno bastante conhecida e onde mora, por exemplo, o realizador Roman Polanski.
Em 2010, a Suíça tinha 5445 "exilados fiscais" a beneficiar do pacote fiscal.
Este tema voltou à ribalta após a intenção do bilionário francês Bernard Arnault em pedir a nacionalidade belga, numa altura em que o Governo francês pretende aplicar um imposto de 75% aos rendimentos elevados.
          --  fonte

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Para que toda a população possa participar na vida política, a Suíça tem um sistema único no Mundo de democracia directa. É muito frequente a realização de referendos, quer a nível federal, quer a nível cantonal. Além do mais, os resultados de um referendo federal não implicam a obediência de uma lei referendada por um cantão que tenha votado contra. Por exemplo se um cantão votar contra uma lei e em todos os outros cantões fora aceite, essa lei não entra no cantão que tenha votado efectivamente contra. Já em relação aos assuntos externos, é necessário haver a aprovação de todos os cantões como no caso da adesão da Suíça à União Europeia. Para a realização de um referendo nacional com o objectivo de alterar uma lei na Constituição Federal, é necessário que haja cem mil assinaturas[70] a pedir salvo se for um referendo pedido pelo Governo Federal ou por cada um dos cantões.



  • sobre a (história da) Suíça (Confederação Helvética : CH) -- aqui  e sobretudo aqui  
  • sobre Gstaad -- aqui
The Bernese Oberland (Bernese Highlands) is the higher part of the canton of Bern, Switzerland, in the southern end of the canton: the area around Lake Thun and Lake Brienz, and the valleys of the Bernese Alps. The Bernese Oberland is well known for touristic reasons, including the following destinations: Gstaad-Saanenland, (...) - fonte

10/01/12

a crise longe ou o temido 'estado social'


Paul Klee, 1914
Vive na Suíça há uns 30 anos. É uma dos inúmeros imigrantes portugueses nesse país. Trabalha como empregada de mesa num café do aeroporto de Genève e não terá, calculo, habilitações para além da escolaridade obrigatória. Ganha 4.000 francos suíços (CHF) por mês, dos quais desconta 500. Fica com 3.500 limpos.
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Tem dois filhos a estudar, um com 17, outro com 13 anos. O mais velho está a tirar um curso profissional, depois seguirá, talvez, para a universidade. Pelo estágio do presente curso pagam-lhe 750 CHF/mês.
Apesar disso, esta imigrante portuguesa (que, tanto quanto percebi, tem já também a nacionalidade suíça) recebe abono de família pelos dois filhos: 400 francos suíços por um e 300 pelo outro (1 CHF = 0,82346 EUR). Abono esse que dura até eles acabarem os estudos, em princípio aos 25 anos. «E em 2012 vai aumentar. Lá tiram, aqui aumentam!», esclarece, enquanto eu faço um esforço para não deixar cair o queixo. (Não sei se se lembram, mas aqui retiraram o fantástico abono de família aos privilegiados que auferem um salário superior a 600 euros)
O marido deixou-a, anos atrás. «Agora está bem arrependido!». Voltou para Portugal e não pagou nunca pensão de alimentos e o mais que era suposto para ajudar a criar os filhos. «Ele não dá nada, o estado Suíço paga-me.». Não perguntei quanto, mas, a julgar pelos números anteriores, a deserção do marido foi a sorte grande que lhe calhou..
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Pois é.. a Suíça. O meu filho é médico lá desde Outubro passado (antecipou-se aos conselhos do nosso PM sobre "descartagem de cérebros"), está a tirar a especialidade. Ganha dois ordenados mínimos (3.200 CHFx2). Desconta, para impostos e seguros (obrigatórios) uma percentagem maior que a senhora do café de Genève. Ainda assim, leva para casa bastante mais do dobro do que eu. Muitas vezes trabalha 12 horas por dia. Se calha estar "de banco" dois dias seguidos, sábado e domingo, por exemplo, folga à 2ª feira. Volta e meia tem uma semana de férias, viaja: os voos são muito baratos para países próximos, França, Itália, Bélgica... Os comboios são caros (+/- 50 euros por uma viagem de 100 km) para os turistas, mas os residentes (ainda que estrangeiros) têm direito a uma espécie de passe com viagens a preços reduzidos. 
O meu filho paga mais ou menos 250 euros por um quarto que lhe arranjou a entidade empregadora, num edifício anexo ao hospital onde trabalha. Almoça na cantina do hospital (se não me falha a memória, menos de 9 euros por uma refeição completa). Calcula poder poupar uns 1500 euros por mês. Voltar para Portugal não lhe passa sequer pela cabeça.
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Eu .. talvez vá trabalhar uns tempos para a Suíça, quando a reforma que já espero me seja insuficiente para viver. Eu, professora, licenciatura de 5 anos, 34 ao serviço do estado português.

imagem retirada daqui

a crise longe - impressões de Neuchâtel


Pelo natal estive na Suíça, fui ver o meu filho. A cidade chama-se Neuchâtel, é pequena, acolhedora, tem casas antigas bonitas, bem conservadas, telhados que me encantaram, uma harmonia na arquitectura, as coisas pensadas. Há um enorme lago, barcos parados, veleiros e o que aqui seriam cacilheiros, gaivotas, corvos, patos, montanhas nevadas em frente, lindo. Faz frio, chuva de neve, vento, às vezes um insuficiente sol e gente sentada cá fora onde ele aquece, as poucas esplanadas abertas em dias feriados, o domingo que transportam para a segunda. É assim, por lá. Dão-se coisas às pessoas, pequenos ou grandes carinhos, um dia de folga reposto que seja.
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Talvez por isso a cidade é tão calma, tão silenciosa. Em quatro dias que lá estive não ouvi uma ambulância, uma sirene da polícia, bombeiros. Há dois hospitais, número de habitantes não sei, calculo-os poucos. Na cidade as pessoas passeiam-se sem pressas, novos e velhos alguns de bengala, canadianas, caminham. Há pais empurrando carrinhos, crianças que não choram, não fazem birras. E cães.  Que não ladram, não andam à solta. Que têm uma espécie de aulas de civismo, contaram-me. Que por isso podem entrar em todo o lado, museus, restaurantes.
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É véspera de Natal e não se vê o corropio nas lojas, o frenesim nas ruas, as caras fechadas de cá, o trânsito louco. Só à noite a cidade embarulhece, grupos de jovens cá fora fumando e bebendo, os bares cheios, as bebidas que se servem até à uma da manhã. À noite vêem-se carros desgovernados, alcoolizados, jovens todos eles, nativos, imigrantes de todas as nacionalidades, muitos portugueses. Ainda assim, nem brigadas de trânsito, controle anti-álcool, buzinadelas. Só uma velocidade inusitada, garrafas partidas pelo chão, transgressões varridas bem cedo na manhã seguinte, a ordem, a placidez reencontradas.
O silêncio.
As pessoas que não falam aos gritos, os telemóveis discretos, escassos.
Os cafés, os restaurantes cheios, mesa só com reserva. Os preços, a quantidade de comida, excessivos.
A crise que não há, as pessoas calmas, bem dispostas, simpáticas. Cumprimentam-se quando entram nos comboios.
Pena o frio, o sol só às vezes.