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04/03/13

uma revolta em "auto-gestão"

...
Pergunto-me se o que os separa - PCP, BE, MRPP, ... - toda a lista de partidos à esquerda do PS que nos aparece nos boletins de voto - é um abismo intransponível que os leva, ao não se unirem, a tornarem-se cúmplices, também eles - juntamente com os eleitores dos 'sempre-só-3', deste descambar político ..

cartaz do Maio 68
O terramoto político que está para vir
por Daniel Oliveira 

Expresso, 4 de março de 2013

Afinal o 15 de Setembro não foi um episódio. Afinal, não se resumia tudo à Taxa Social Única, a que se seguiu o massacre fiscal. Afinal, uma parte muito expressiva de portugueses não está à espera dos humores do CDS, que o Presidente da República acorde do seu sono profundo ou que a chamada oposição interna do PSD ache que chegou a sua hora. Afinal, as pessoas foram para a rua no meio de uma avaliação da troika mostrar que não são o "povo bom" que um dos seus burocratas acreditava aqui viver. 

Não foram manifestações antipolíticos, apesar da evidente antipatia que toda a classe política parece hoje merecer. Foram manifestações mais tristes e desalentadas do que as de Setembro. Mas não foram, ainda, manifestações desesperadas. Foram manifestações com conteúdo político e, em toda a sua simbologia, enquadradas por sentimentos democráticos. E isso é, tendo em conta a situação social que vivemos e o bloqueio institucional que presenciamos, extraordinário. Talvez apenas explicável pelo facto da nossa democracia ser relativamente jovem. 

Disse "ainda" porque, se a oposição não conseguir dar a esta revolta uma resposta, construindo uma alternativa credível - e não apenas preparando a alternância ou tentando capitalizar apoio para os próximas eleições -, o próximo momento pode ser bem diferente. Acredito que se no próximo ano surgisse qualquer coisa no espectro eleitoral capaz de entusiasmar ou prender a atenção das pessoas teria um resultado surpreendente. E que essa coisa pode ser boa mas é mais provável que seja inconsistente. Ou até politicamente perigosa. 

Olhando para as manifestações de sábado, uma coisa salta à vista: a sua composição etária. Sendo transversal e longe de ter sido uma manifestação de velhos, notou-se, no entanto, mais do que a 15 de Setembro, a presença de muitos reformados. Neles concentram-se todos os problemas. O problema de terem nascido e crescido num País social, económica e culturalmente atrasado. E de carregarem, mais do que todos os outros, o fardo desse atraso. As reformas miseráveis que grande parte deles recebe, como prova esmagadora de que a ideia em que Passos acredita, e em que quer que o País acredite, de que temos um Estado Social demasiado generoso, só pode vir de uma cabeça de quem não conhece o País fora das sedes partidárias e dos escritórios das empresas dos amigos. As dificuldades dos filhos, incapazes de, hoje, garantirem a estabilidade económica das suas famílias. 

Uma das coisas que mais se falou no sábado foi dos filhos que emigravam, que estavam desempregados, que estavam desesperados. E a falta de perspectivas dos netos. Numa sociedade como a portuguesa, onde a família é uma espécie de Estado Social complementar (ou mesmo principal), os velhos acumulam o sofrimento de todas as gerações. E são, eles próprios, os mais sacrificados entre os sacrificados. 

Muitos dos reformados que no sábado foram para a rua participaram na sua primeira manifestação de sempre. Ou seja, passaram pela ditadura, pelo PREC e por toda a democracia sem usarem desse direito. E só agora, com mais de 60 anos de vida e quase 40 de democracia, é que se sentiram empurrados para a rua. Não se trata, por isso, de um sentimento passageiro ou que dependa de cada momento mediático. Foi, aliás, esta convicção que me fez estranhar que tantos achassem que a simulação de ida aos mercados tinha dado um novo fôlego ao governo. Portugal não é o País mediático. Não ziguezagueia tão depressa entre a depressão e a euforia. Porque as dificuldades sociais são bem mais lentas, quotidianas e repetitivas do que os ciclos dos telejornais. E muitíssimo mais profundas nos seus efeitos. 

Num País envelhecido, os reformados são quem decide quem governa. E têm sido a base eleitoral fundamental do PSD. Sem eles, a direita não ganha eleições. Se Pedro Passos Coelho conseguir cumprir o seu mandato até ao fim essa pode ser a maior tragédia para o PSD. Viverá a sua "pasokização" (os socialistas do PASOK eram o principal pilar do sistema partidário grego e acabaram, nas últimas eleições, com 13%). Que será para durar. 

Vivemos um momento de revolta pacifica e que ainda se enquadra no sistema político, tal como o conhecemos hoje. Mas ele está na sua fase decadente. Se o mundo político teimar em não responder ao País, coisas imprevisíveis acontecerão. Penso (ou pelo menos espero) que acontecerão no espaço da democracia e não a pondo em causa. Mas tudo pode mudar com mais dois anos de austeridade e miséria. Na contestação social, já mudou muito. Ela já não é apenas corporizada - nem sequer já é hegemonizada - pelas estruturas sindicais e partidárias. Não sei se isso é bom ou mau. É assim. 

Ouvi, na televisão, Ricardo Costa prever que este governo levará o seu mandato até ao fim. Se a sua profecia estiver correta, as legislativas de 2011 podem ter sido as últimas de um ciclo político nascido em 1976. Outro ciclo poderá nascer e é impossível saber em que cenário se fará política em 2015. Porque, mesmo que pensemos o contrário, não somos assim tão diferentes dos gregos e dos italianos. E não estou a desenhar cenários pré-insurrecionais com que alguns continuam a sonhar. Estou a pensar em bloqueios políticos como os que a Itália vive hoje. 

Se a oposição continuar a não conseguir corporizar uma alternativa credível e o principal partido da direita portuguesa entrar em desagregação, os primeiros a aproveitar este momento, sejam sérios ou populistas, comediantes ou estadistas, poderão causar um terramoto político. Porque o terramoto social, esse, já está a acontecer. Sem que, aparentemente, as instituições e os partidos reajam a isso.

02/03/13

um dia ..

recebido via e-mail,
um texto muito bonito,
.
por Myriam Zaluar *
foto daqui -ver texto abaixo
Um dia, tudo isto terá passado. Um dia, todo o pesadelo que temos vivido será apenas uma recordação dolorosa que tentaremos encaixar numa lógica qualquer. Os historiadores estudarão, perplexos, os tempos em que a democracia foi suspensa e o Estado deixou de ser uma pessoa de bem para se tornar num escroque. Os nossos filhos, os nossos netos ouvirão, incrédulos, as histórias verdadeiras que lhes contaremos, sobre a forma como direitos já conquistados há décadas pelos nossos avós e bisavós e consagrados nas tábuas da lei fundamental tiveram de ser novamente disputados, arrancados a ferros de algozes disfarçados de economistas. De como, em pleno século XXI, fomos obrigados a ocupar escolas e hospitais e fábricas e padarias e supermercados e campos e casas, porque nos haviam tentado — e em muitos casos conseguido — roubar a paz, o pão, a habitação, a saúde, a educação. De como tivemos de deitar muros abaixo e de construir pontes onde já só restavam fossos. De como abolimos fronteiras e demos as mãos aos que, do outro lado, apenas aspiravam a uma vida digna. De como erigimos uma terra sem amos e resgatámos os nossos sonhos. E saberão que foi por eles que o fizemos, por eles e por nós, porque ansiávamos pelo sal e pelo mel, porque nos tinham tapado o sol e secado a terra, porque já não aguentávamos ver as nossas vidas por um canudo, por mil canudos, sem os quais afirmavam nada valermos, mas que, após dura obtenção, só nos garantiam o direito a emigrar, a exilar-nos.
Um dia, tudo isto que passamos será passado, marca, cicatriz. Não conseguirão fazer-nos esquecer, mas transformaremos as nossas dores em árvores de fortes raízes. Penduraremos os recibos verdes em paredes antiquíssimas de museu e contaremos aos nossos netos que um dia, há muito, muito tempo, os que mandavam neste país quiseram condenar-nos a pagar impostos sobre dinheiros que nem sequer ganhávamos. Que quiseram deixar-nos à míngua, fazer-nos pagar por bens que eram nossos, que depois de destruírem o que produzíamos nos fizeram comprar a outros todos os víveres de que precisávamos para sobreviver. Que nos quiseram matar à espera de tratamentos nos hospitais, que tornaram o saber num luxo incomportável, que afastaram as nossas crianças das escolas, que acabaram com os caminhos de ferro e com os comboios, que limitaram as redes de transportes públicos, enfim, que tudo fizeram para que deixássemos de nos divertir, de sair à noite, de ir ao teatro e ao cinema. Que puseram aqueles de nós que tinham empregos a trabalhar por dois, por três, por quatro e que despediram os outros, de forma a que os primeiros caíssem de exaustão e os segundos de frustração, de desânimo e de isolamento.
Contar-lhes-emos como um dia fomos obrigados a abolir pela segunda vez a escravatura, pois tentaram convencer-nos que era normal trabalharmos para aquecer, para fazer currículo, tendo de provar uma vez e outra e outra o nosso mérito, as nossas capacidades, enquanto outros tudo tinham, muito embora ninguém percebesse muito bem de onde lhes vinha a fortuna. Explicaremos aos nossos netos que aos pais deles foi roubada parte da infância, porque, sorrateiramente, um bando de malfeitores mascarados de especialistas nos conseguiram durante algum tempo persuadir que termos casa e carro e telemóvel e dinheiro para acampar no verão e ir ver a neve no inverno era um luxo ao qual não nos podíamos dar, porque éramos pecadores e criminosos, embora não nos conseguíssemos lembrar o que raios poderíamos ter feito de tão grave para que os nossos filhos merecessem tal castigo. E eles espantar-se-ão e perguntarão como foi possível que nos sujeitássemos, tão pouco tempo após a sua conquista, a perder direitos tão fundamentais como o direito a trabalhar e a viver no país onde nascemos. O direito a simplesmente querermos ser felizes.
E não saberemos o que responder-lhes. Porque na verdade teremos nós próprios dificuldade em perceber como chegámos nós um dia ao ponto a que chegámos. Mas saberemos sim que um dia dissemos basta, que um dia, com toda a força e veemência da nossa razão e da nossa vontade exigimos o que é nosso. E nos erguemos, já não como rios, mas como marés, como mares, como oceanos de certeza.
Nesse dia, sairemos das nossas casas aquecidas e mostrar-lhes-emos os caminhos que desbravámos juntos: caminharemos pela República, da José Fontana à Praça de Espanha. Desfilaremos nas Avenidas que são da Liberdade e desembocaremos de novo nos Terreiros que são do Povo. Com eles, entoaremos Grândola Vila Morena, duas vezes senha, duas vezes sonho, e as lágrimas brilharão nas nossas vozes e os versos ecoarão nas nossas memórias como ecoaram um dia nas escadarias e corredores dos Passos Perdidos, sob o olhar embargado dos polícias que só desejavam poder connosco cantar. Recordaremos o 2 de Março, o 13 de Outubro, o 15 de Setembro, o 12 de Março e de novo o 1º de Maio e o 25 de Abril, uma vez e outra e outra ainda, um dia, a chorar de alegria, de alívio precoce e intranquilo, com a certeza de que todos os invernos vão dar à primavera e de que os homens que dormem acordam sempre um dia. Um dia...

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* jornalista freelancer, ex-activista do Movimento Sem Emprego, professora, tradutora e explicadora ou “aquilo para que lhe pagam desde que o saiba fazer” - fonte

.
ver também: 
.
Carta aberta ao Sr. Primeiro Ministro
por Myriam Zaluar, 
em 19/12/2011 - aqui
.

01/03/13

a 2 de Março, a canção de Abril: GRÂNDOLA

.
O POVO
UNIDO
JAMAIS SERÁ VENCIDO!
.
  

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade
 .
Letra e música: Zeca Afonso
In: "Cantigas do maio", 1971

publicada por Arménia Rua aqui 

«Hoje houvi na rádio a seguinte história: Algumas destas quadras foram proibidas pela censura! No entanto, num concerto (Coliseu?) quando chegou a altura dessas quadras, Zeca Afonso cantou "la la la" e o público em coro cantou a letra que faltava! Claro que nem a PIDE o podia impedir!»
*

2 de Março, que se lixe a troika!


 
 
 
 
 
Dizem-nos por vezes: «não vale de nada fazer manifestações — “eles” não nos ouvem». Mas como certamente não nos ouvem é se ficarmos cada um em sua casa

(os que ainda a têm),

evitando as notícias que doem

(aquela família que não pode pagar a renda, a mãe que gostaria de dar leite ao seu filho, a operária que chora a fábrica deslocada — «fazíamos coisas tão bonitas, às vezes nem sabíamos como aquilo saía das nossas mãos» — o homem que se suicidou deixando uma nota a pedir desculpa aos seus credores)

esperando que nunca, nunca, sejamos nós ou os nossos a notícia, distraindo-nos com pequenas coisas para evitar pensar,

com medo de pensar, de dizer, de agir, divididos entre nós ao sabor da propaganda

(«a culpa é dos velhos, que recebem pensões que os novos já não vão poder receber; dos jovens, esses piegas que, em vez de irem trabalhar para as obras noutros países, querem ser úteis estudando no nosso; das mulheres, que por quererem estar na produção negligenciaram os filhos; dos imigrantes, que vieram disputar-nos empregos; dos médicos, que recomendam exames e medicamentos a pessoas descartáveis; dos trabalhadores, que ousam fazer greves»),

dormindo mal, esgotando ansiolíticos e maravilhando governantes e estrangeiros com a brandura dos nossos costumes.

Poupemos, pois, nos ansiolíticos:

gritar alto, cantar, unindo as diferentes vozes, é melhor para a saúde.

Até porque, como escreveu Gabriel Celaya, «as palavras que todos repetimos sentindo como nossas voam».

E, vindo tão a propósito, copio aqui esse poema:

LA POESÍA ES UN ARMA CARGADA DE FUTURO

Cuando ya nada se espera personalmente exaltante,
mas se palpita y se sigue más acá de la conciencia,
fieramente existiendo, ciegamente afirmado,

como un pulso que golpea las tinieblas,
cuando se miran de frente
los vertiginosos ojos claros de la muerte,
se dicen las verdades:

las bárbaras, terribles, amorosas crueldades.
Se dicen los poemas
que ensanchan los pulmones de cuantos, asfixiados,
piden ser, piden ritmo,

piden ley para aquello que sienten excesivo.
Con la velocidad del instinto,
con el rayo del prodigio,
como mágica evidencia, lo real se nos convierte

en lo idéntico a sí mismo.
Poesía para el pobre, poesía necesaria
como el pan de cada día,
como el aire que exigimos trece veces por minuto,

para ser y en tanto somos dar un sí que glorifica.
Porque vivimos a golpes, porque apenas si nos dejan
decir que somos quien somos,
nuestros cantares no pueden ser sin pecado un adorno.

Estamos tocando el fondo.
Maldigo la poesía concebida como un lujo
cultural por los neutrales
que, lavándose las manos, se desentienden y evaden.

Maldigo la poesía de quien no toma partido hasta mancharse.
Hago mías las faltas. Siento en mí a cuantos sufren
y canto respirando.
Canto, y canto, y cantando más allá de mis penas

personales, me ensancho.
Quisiera daros vida, provocar nuevos actos,
y calculo por eso con técnica qué puedo.
Me siento un ingeniero del verso y un obrero

que trabaja con otros a España en sus aceros.
Tal es mi poesía: poesía-herramienta
a la vez que latido de lo unánime y ciego.
Tal es, arma cargada de futuro expansivo

con que te apunto al pecho.
No es una poesía gota a gota pensada.
No es un bello producto. No es un fruto perfecto.
Es algo como el aire que todos respiramos

y es el canto que espacia cuanto dentro llevamos.
Son palabras que todos repetimos sintiendo
como nuestras, y vuelan. Son más que lo mentado.
Son lo más necesario: lo que no tiene nombre.
Son gritos en el cielo, y en la tierra son actos.


www.queselixeatroika.net

a troika, a PSP e o medo deles

01 Março 2013
por Jornal de Negócios Online | negocios@negocios.pt

Troika muda de planos para evitar manifestação 

(...)
 
Técnicos das três instituições internacionais costumam ficar alojados no Ritz e reunir no Ministério das Finanças, tendo de fazer sensivelmente o mesmo percurso que a manifestação de amanhã. Por causa disso, as reuniões serão noutro local. 

É a primeira vez que uma grande manifestação coincide com uma missão da troika, neste caso para realizar a sétima avaliação ao programa de ajustamento. Por causa disso, a polícia está a tomar precauções adicionais. De acordo com o “Sol”, a PSP está a planear medidas e itinerários alternativos para evitar que a missão da troika se encontre com os manifestantes.  -- ler mais

https://www.facebook.com/R.EvolucaoProgresso
 

2 de Março é amanhã!


imagem daqui
Em Lisboa, todas as marés vão dar ao 
Marquês de Pombal, pelas 16 horas


imagens retiradas do blogue "O Estado da Educação e do Resto", de Mário Carneiro
 
 «MARKETING E CINISMO» 
-- um texto de José Teófilo Duarte a não perder:


 https://www.facebook.com/jose.t.duarte.58



28/02/13

Militares participam na manifestação anti-troika

no Público online, aqui
em 1974 foi assim ..
por Pedro Nunes Rodrigues 
28/02/2013 - 18:06 

A Associação Nacional de Sargentos (ANS), a Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) e a Associação de Praças (AP) estão a dar indicações aos seus associados para participarem na manifestação deste sábado, inicialmente convocada pelo movimento Que se Lixe a Troika.
(..)
O presidente da AP, Luís Reis, afirmou ao PÚBLICO que a organização está a dar “indicações para que [os militares] participem na manifestação enquanto membros da sociedade”. Um comunicado de imprensa enviado ao PÚBLICO pela AP “apela a todos os praças que, fazendo uso do seu direito de cidadania, participem em iniciativas organizadas pela sociedade civil” para demonstrar que os militares estão “solidários nos seus legítimos anseios numa vida melhor”. 

O documento refere ainda que as medidas levadas a cabo por um Governo “que, num acto de genuflexão para com a troika, entrega de mão beijada a soberania nacional” não podem ser medidas “que os militares aceitem de bom grado”.

a 2 de Março não posso deixar de ir!


Sei .. tenho-me farto de refilar contra o facto de, ultimamente, se fazerem manifestações-só, uma atrás da outra e os efeitos quase nulos, ninguém parecendo disposto a outras formas de luta que façam 'mossa'.

Nos tempos da megera MLR (como, de resto, ao longo de todo o meu percurso de vida 'consciente'..) participei em tudo, estive nas manifs todas, nomeadamente aquela em que 120, 130 mil professores entupiram as avenidas de Lisboa, declarando-se, alto e bom-som, contra a entrega dos O.I. (os 'objectivos individuais' do novo modelo de avaliação docente). Logo a seguir, vi-os (e nem queria acreditar!!) - quase todos, a desfazerem, na escola, aquilo que tinham construído nas ruas. E jurei a mim mesma que nunca mais.

Vou 'quebrar a jura' a 2 de Março. Pura e simplesmente, não posso deixar de ir.
Não quero fazer parte de nenhuma "maioria silenciosa", a de ontem ou a de hoje.

Não vai ser a falta da minha voz a dar argumentos ao senhor Coelho quando diz que os protestos que se ouvem não são representativos do sentir de um povo.

Neste momento estou aposentada. Pertenço agora ao grupo mais vilipendiado, mais atacado por este governo nazi, morresse eu e eles agradeciam.
Pois não contem com isso.
Eu sou a geração do 25 de Abril.
Eu fiz uma greve no tempo do fascismo, aluna do secundário - em Viseu!
Eu estive na RGA clandestina da faculdade de Letras, no mesmo dia em que, em protesto, os estudantes de Direito viravam o carro de um tal Martinez.
E estive debaixo do fogo da polícia de choque na cantina velha da cidade universitária, nesse mesmo dia, tinha 19 anos.
Pouco tempo depois aconteceu-me o 25 de Abril. Entranhou-se-me. Moldou-me assim inquieta, para sempre "exigindo o impossível".


25 Abril, Vieira da Silva
No dia 2 de Março, não vou deixar que só os outros gritem a raiva que também é minha.

Vou para Lisboa e hei-de juntar-me às marés que vierem, a da educação, a dos reformados, ondas seremos todos, furiosas  batendo na cara destes políticos que ninguém elegeu, que não têm legitimidade para governar porque os seus partidos foram a votos com um programa e impõem outro, gente mais sem vergonha e sem carácter, as asneiras que fazem e por que não pagam, dia, após dia, após dia e um povo empobrecendo-se, sem comida, sem esperança, sem tecto, sem futuro.

ESTOU FARTA.

Se o que há é uma manifestação de gente farta como eu, eu estarei lá.

Serei apenas mais uma, não importa. Um cisco que seja no olho do Passos ou do Relvas ou do raio que os parta a todos.

Não gosto da ladainha do "está na hora..", mas hei-de cantar a Grândola - até que a voz me doa!

APRe!

imagem daqui

pela ESCOLA PÚBLICA e o S. N. de SAÚDE

do esquerda.net:

Maré da Educação vai juntar-se à Maré da Saúde

No sábado 2 de Março em Lisboa, a Maré da Educação vai formar-se junto ao ministério da Educação na avenida 5 de Outubro, de onde partirá para se juntar à Maré da Saúde, junto à Maternidade Alfredo da Costa, onde se concentram os profissionais da saúde. A defesa da Escola Pública e do SNS unirá estas duas marés. --- ler mais 


2 de Março: 
Manifestações em mais cidades e com mais marés
notícia aqui

manif 2 de Março

"Passos Coelho tinha dito que anunciava as medidas para a reforma do Estado durante o mês de Fevereiro. Acaba amanhã.
Está a pensar na manifestação de 2 de Março, com medo de anunciar medidas antes dela.

E por isso quando dizem que as manifestações não contam para nada, é mentira. Contam e este é um exemplo." 
(Pacheco Pereira, ontem, na TVI24)