- as imagens das colunas laterais têm quase todas links ..
- nas páginas 'autónomas' (abaixo) vou recolhendo posts recuperados do 'vento 1', acrescentando algo novo ..

31/08/12

ainda o Ensino Profissional

no J. Negócios online
31 Agosto 2012 | 12:33
por João Quadros (*)





O Pior do Crato

O DN noticiou que, segundo fontes próximas do ministério de Nuno Crato, o Governo tem a intenção de tornar o ensino profissional obrigatório para alunos do ensino básico repetentes e que têm notas baixas.
O DN noticiou que, segundo fontes próximas do ministério de Nuno Crato, o Governo tem a intenção de tornar o ensino profissional obrigatório para alunos do ensino básico repetentes e que têm notas baixas. A ideia é permitir que estes estudantes aprendam profissões como cozinheiro, electricista, talhante, agricultor ou canalizador. O objectivo é arrancar com a experiência quando as aulas começarem no próximo ano.

Nos meus tempos, se tinha más notas na escola, diziam-me que, se não estudasse, o meu futuro seria como sapateiro ou ajudante de merceeiro. Eu sabia que me estavam a mentir, porque não conhecia nenhum ajudante de merceeiro com mais de dez anos. Se há um dom que Crato tem é o de nos fazer regressar ao passado. Com o matemático Crato, viajamos no tempo, de marcha atrás. É complicado analisar as decisões do ministro da Educação sem que surja a nostalgia dos tempos sem semáforos, estradas e escolas. Eu olho para o Crato e vejo um parto em casa, toalhas e bacias com água quente.

Há muitas formas de pegar nesta última ideia de Crato. O ministro da Educação demonstra o respeito que tem pelos cursos profissionais. Para ele, chumbar e ter más notas são as características de um bom electricista. O matemático acha que um canalizador é um indivíduo bruto, que chumbava muitas vezes no liceu e que não pode ser deixado sozinho com mulheres que têm problemas em casa, nos canos. Segundo Crato, faltam talhantes no Ultramar. E precisamos urgentemente de quem faça palmatórias.

Tudo vai mudar. Crato quer um sapateiro em cada esquina. O futuro está nos cursos de amolador e um talho é uma zona de conforto. Os maus alunos vão ver a carteira substituída por uma caixa de supermercado e vão ter um calendário escolar, só para eles, com mulheres nuas. Quem chumbar a Português vai para ajudante de mesa no Algarve, e quem tiver más notas a Religião e Moral vai para sacristão ou trabalhar para a Casa Pia. Os professores com má avaliação vão ensinar a fazer brigadeiros aos alunos que chumbam.

Uma coisa é certa, chumbar pode ser o primeiro passo para uma estrela Michelin: com 30 alunos por turma há mais hipóteses de haver dois ou três bons cozinheiros. O país precisa muito de cozinheiros para restaurantes com IVA a 23%.

Por mim, podiam juntar esta lei do Crato à outra do Pedro Mota Soares, e pôr os alunos que chumbam a lutar com a malta do RSI por um lugar de jardineiro -, mas sem estragar as rosas.

Crato teve uma ideia muito democrática que não faz diferença entre ricos e pobres - quem tiver más notas no liceu francês vai para professor de golfe. Já estou a ver o Martim de Bettencourt e Espírito Santo chumbar nos Salesianos e ter de ir estudar para um talho do BES.

Como em tudo, há sempre um lado positivo , e se a nova lei do Crato já existisse há muito, Passos Coelho, a esta hora, era cabeleireiro, e Relvas era… era… era exactamente o que é hoje. De uma forma ou de outra , com mais ou menos exigência, ele havia de lá chegar. Não há nada como a escola da vida. -- fonte


(*)  

Entrevista
por Vanda Marques , Publicado em 25 de Janeiro de 2010  
 
João Quadros. O homem por trás dos humoristas -- aqui

o 'foro privado' de Passos Coelho

recebido via e-mail:


29/08/12

O ensino profissional é um logro

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por Santana Castilho *
no Público de 29 de Agosto de 2012

É recorrente considerar que a falta de preparação profissional responde por boa parte da falta de competitividade da economia portuguesa, embora seja astronómica a dimensão do dinheiro consumido por programas de formação, em 38 anos de democracia. Compreende-se o paradoxo quando se analisam os critérios (ou a sua ausência) que têm presidido às respectivas decisões políticas. Nuno Crato acaba de persistir na via da leviandade. Não é ele que conhece as necessidades de formação dos activos das empresas. São os próprios e as suas empresas. Não é ele que deve decidir sobre o futuro dos jovens. São os próprios e os seus pais. Mas proclamando irrelevâncias e desconhecendo realidades, acaba de desviar 600 milhões de euros, reservados à formação de activos, para financiar o sistema formal de ensino e serenar os reitores (para as universidades e uma tal “formação avançada” irão 200 milhões). A isso e a um esboço de resposta atabalhoada ao prolongamento da escolaridade obrigatória se resume o que acabou de fazer, em nome do mal tratado ensino profissional. 

Relevemos o anacrónico (não parece mas é o mesmo ministro que agora deseja ter 50 por cento dos jovens em ensino profissional que, aquando da preparação do ano-lectivo que se inicia daqui a dias, mandou reduzir, em proporção superior, os cursos que o sustentam) e digamos o que é preciso dizer: o ensino profissional é um logro, que resulta da total ausência de pensamento estratégico sobre o crescimento da economia e da sucessiva arrogância de ministros, que decidem sobre o interesse do país e das gerações em formação, sem debate nem deliberações públicas.

Os cursos profissionais têm sido, na maioria esmagadora das situações, expedientes para manter no sistema e a qualquer preço jovens que o abandonariam precocemente ou para obter o mesmo diploma em menos tempo e com dispensa das disciplinas papão. Os Cursos de Educação e Formação, sabe quem está no terreno, foram desenhados para quem terminou o segundo ciclo do básico em situação de forte risco de abandono e com fartos historiais de indisciplina. E com as excepções meritórias que só confirmam a regra, os cursos profissionais, que lhes dão sequência no ensino secundário, enfermam do mesmo vício e arregimentam, por norma, jovens desinteressados. Nuns e noutros, sabem os professores as pressões que sofreram para fabricarem falsos êxitos. Nuns e noutros, por exemplo, a ponderação sofrida por indicadores de avaliação de desempenho, a este propósito, gerou cozinheiros que nunca descascaram uma batata ou viram uma panela e directores que sucumbiram ao facilitismo, acossados pela celebrada avaliação externa das instituições que dirigem. O que poderia ser interessante e útil tem-se manifestado, assim, um engano para os jovens, um martírio para os professores, coagidos a contemporizarem com tudo porque o desemprego é a alternativa, e um desperdício de tempo e recursos para todos.

É neste contexto que Nuno Crato confessou ter por objectivo que 50 por cento dos jovens do ensino secundário frequentem, ainda este ano, vias profissionais de ensino. Ao fazê-lo tornou uma vez mais patente o seu desconhecimento sobre o que existe e sobre o que fazer. As opções dos alunos estão tomadas e nada do que diga ou faça as fará mudar este ano. É elementar. No que toca ao futuro, para compreender que Crato clame por 50 por cento de jovens em cursos profissionais, quando começou a reduzir tal ensino nas escolas públicas, teremos que admitir que se prepara para o fazer crescer por via da iniciativa privada. Seria bom que nos esclarecesse. Sobre isso disse nada e menos ainda sobre o essencial, a saber: 

1. O problema de fundo é cultural e ideológico. Com efeito, continuamos a assumir que a norma é o ensino conducente à universidade e tudo o mais são soluções de recurso e menos nobres. Muitos pais de alunos com manifesto desinteresse por cursos universitários receiam estigmatizar os seus filhos com opções por cursos de carácter profissional. Enquanto socialmente esta questão não for debatida e o ensino profissional dignificado e autonomizado em escolas de prestígio, seriamente articuladas com as empresas (como fazem alemães e suíços, por exemplo), servidas por mestres socialmente reconhecidos e livres de preconceitos de falsas erudições, o país não avança. 

2. Um sistema sério de ensino profissional supõe, imperativamente, o conhecimento das necessidades de formação colocadas por uma estratégia de crescimento económico e a existência de serviços de orientação profissional e escolar que cubram todo o país e ajudem jovens e pais a tomarem, livremente, decisões que lhes pertencem e de que o Estado não pode nem deve apropriar-se. 

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

28/08/12

a biologia reinventada ou o regresso à idade das trevas, Arizona

de Magritte, A Violação
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Não, esta (q me foi enviada por e-mail), realmente, é demais! Nunca consegui concluir se as aberrativas acções/leis/decisões dos políticos - em geral, nacionais ou além - são fruto de estupidez pura e dura ou o resultado de maquiavelismos muito bem engendrados. O problema, o de sempre: o pessoal é inculto, desinformado, cagarolas: quando a batata lhe estoira na boca engasga mas não deixa de engolir. E vota, e vota nos mesmos de sempre, ratos querendo ser devorados por gatos,  como naquele vídeo que aí há tempos deu a volta às nossas caixas de correio.

Pois agora a notícia faz jus à proverbial burrice dos americanos, a tal de que George W. foi expoente anedótico. A coisa, desta vez, passa-se no Arizona (o 6º maior em área e o 16º mais populoso dos 50 estados americanos) e é, basicamente, um contornar / impedir o recém-adquirido direito ao aborto, por vias muito, mas mesmo muito tortas.

É uma nova lei e reza assim, ipsis verbis:

 «uma mulher é considerada grávida duas semanas antes de engravidar.» !!!!???
O que me pergunto, parva de espanto, é como há quem:
  1. engendre semelhante, estapafúrdia ideia
  2. encontre parceiros que a acolham; que a votem favoravelmente
  3. ache isto 'normal'; podendo, não ponha cobro ao dislate, não interne urgentemente os seus autores.
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A notícia está numa página intitulada "The New Civil Rights Movement". O que a mim nunca passou pela cabeça foi ser ainda preciso, no século XXI, lutar pelo reconhecimento das leis da biologia !!!



daqui : AZ Legislature Passes “Pregnancy Begins 2 Weeks Before Conception” Bill
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[AZ = Arizona]    [to pass a bill = votar / aprovar uma lei ]

by David Badash on April 11, 2012
Arizona‘s Legislature yesterday afternoon passed three harsh anti-abortion bills, including one that defines pregnancy as being two weeks before conception. Known in some circles as the “egg drop” bill, lawmakers apparently believe they are more knowledgable than physicians at determining gestational age. The attempt to redefine pregnancy of course is to reduce the legal window of when a woman may have an abortion. Arizona Republican “pro-life” Governor Jan Brewer would not comment on her intent to sign or veto the bill. --- ler mais

18/08/12

a Costa da Caparica não continua linda ..

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.,.. a 'cidade', entenda-se. Há-de valer-lhe sempre o mar, a arriba fóssil, o imenso areal. O mais é fechar os olhos, sendo-se turista. Já os moradores, que os há de permanência, vêm assistindo a uma descaracterização e uma degradação sistemáticas, um abandono nada 'inocente' por parte dos poderes instituídos, câmara PC e junta PSD em guerra de mandos desde o dia da sua criação. E são muitos os que por aqui "ordenam"! Até a Parque Expo e o Porto de Lisboa mais o bendito do programa Polis - aparentemente abandonado depois de sorver milhões de euros e intervir parva, desaustinadamente. Nos próximos 'capítulos' vou contar ..em imagens.



amigos de Barcelona  no Transpraia
Para já fica a notícia de uma morte anunciada: o Transpraia da Costa da Caparica -- e a tentativa de o impedir, numa manifestação popular a 15 de Setembro.


Diga-se, para quem não saiba, que o Transpraia era (que desde o POLIS ninguém sabe por onde ele pára!) um comboio rústico que, fazendo jus ao nome, atravessava toda a linha de praias desde o centro da Costa até à Fonte da Telha. Ronceiro, os bancos de madeira corridos, climatizado pela deslocação do ar, romântico. O comboio da praia era barato, alegre, eficaz. Prático para quem anda de transportes públicos, uma aventura para as crianças, típico para turistas - encantados embaixadores desta natureza pródiga, aquela imensidão de areal, as praias logo ali, azuis, despoluídas.

Havia 2 preços, 2 tipos de bilhete: um para a primeira zona - até à Praia da Rainha, outro desde o início até onde se quisesse .. terminando na Fonte da Telha. O Transpraia apanhava-se ao cimo da Rua dos Pescadores (por assim dizer, o "risco ao meio" no traçado da Costa da Caparica). Saía-se da camioneta que vinha de Lisboa, Almada, Cacilhas, Trafaria.. A paragem era bem no centro, junto ao mercado. Subia-se a rua principal (dos Pescadores) e ele aí estava bem visível, logo ali à frente, orgulhoso nas suas cores vivas, na pintura renovada, aquele ar de sol e mar, parado como quem espera, chegaste! , cheguei!


De Julho a Setembro, o Transpraia andava numa roda viva, quase sempre cheio para lá e para cá, festivo. Cumpria horários, era confiável. O único problema que lhe conhecia era a apressada  última viagem, cedo demais nos dias quentes de moleza boa, o espectáculo imperdível do sol desaparecendo no mar e os barcos chegando com o peixe e a noite, as gaivotas subindo, nuvens. Quem não resistisse à beleza do fim do dia, se distraísse em deleites ali na beira do mar, tinha de regressar a pé, que remédio, o último comboio partia às 8, enchia logo na Fonte da Telha, não regressava para buscar poetas ..



no http://www.ionline.pt/

15 Set, 16h

Costa de Caparica: moradores convocam manifestação para impedir fim do comboio Transpraia

Por Agência Lusa, publicado em 17 Ago 2012

Um grupo de cidadãos da Costa de Caparica convocou para 15 de setembro, na praia da Riviera, uma manifestação para impedir o fim do Transpraia, o tradicional comboio de praia da Costa que existe há mais de 50 anos.

Sob o lema “Vamos impedir que acabem com o Transpraia na Costa!”, a iniciativa, marcada para as 16:00, junto às oficinas do Transpraia, na praia da Riviera, pretende reunir as pessoas “que estão fartas de ver desaparecer nessa terra tudo o que faz parte do património cultural e arquitetónico”, lê-se em comunicado hoje enviado à Lusa (...) -- ler mais 

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o evento via facebook:

https://www.facebook.com/events/463026480387915/465279866829243/?notif_t=plan_mall_activity

Concentração às 16h junto às oficinas da Transpraia na praia da Riviera.

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16/08/12

Secretário de Estado ou escriturário de Estado?

in Público, 15-8-2012

por Santana Castilho *


1. A 19 de Julho, as escolas ficaram a conhecer um conjunto de orientações do secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar para, ao abrigo de 11 medidas indicativas, atribuírem carga lectiva aos cerca de 15 mil professores dos quadros, que a não tinham. Particularmente por declarações públicas de Nuno Crato, que repetiu e voltou a repetir que todos os professores eram necessários ao sistema de ensino, as apreensões dos visados diminuíram. Mas as coisas revelaram-se diferentes daquilo que passou para a opinião pública. Com efeito, dias volvidos, os directores receberam a “interpretação” que as direcções regionais de educação fizeram das orientações do governante. E onde, nas orientações, estava que a atribuição da componente lectiva devia simplesmente ser comunicada às direcções regionais, as ditas interpretaram, e como tal instruíram, que a atribuição da componente lectiva estava sujeita a prévia autorização daquelas. As facilidades badaladas em público foram semeadas de constrangimentos em privado. O que começou por ser decisão dos directores, afinal carecia do visto dos burocratas regionais. Secretário de Estado, afinal, é escriturário de Estado. Boa malha para santificar Crato e diabolizar os directores. O discurso da autonomia segue dentro de momentos.
Lance após lance, continua a saga da movimentação de professores. Incompreensível? Sim, se acharmos que tudo é fruto de amadores incompetentes. Nem tanto se tivermos em vista a estratégia recorrente: anuncia-se um caos para fazer passar depois, de fininho, um desastre menor, com a resignação dos atingidos, que passam a comparar o que lhes impuseram, não com o que antes tinham, mas com o que inicialmente fora anunciado. A ameaça sobre os professores dos quadros tem servido para colocar em segundo plano o total varrimento dos contratados. Os do quadro escapam agora para serem despedidos mais tarde. Seraficamente, Nuno Crato desqualifica e seca a escola pública, retirando-lhe recursos e meios, e abre caminho à escola privada. É só enumerar os últimos factos. Gerir um giga conjunto de escolas a partir de uma sede, afastando cada uma delas da decisão dos seus problemas diários, melhora a qualidade do respectivo serviço? Cortar horas às disciplinas e professores às escolas contribuirá para a obtenção de melhores resultados? A confusão e a instabilidade geradas pelas sucessivas versões de uma reorganização curricular imposta sem fundamentos pedagógicos e ancorada em metas desarticuladas dos programas em vigor e dos manuais escolares vigentes vão favorecer o trabalho dos professores e o aproveitamento dos alunos? Quando se vive o drama social que todos conhecemos e sendo certo que o papel dos directores de turma é fulcral no apoio às famílias, alguém sensato aceita que cortar o tempo previsto para o desempenhar e aumentar o número de alunos a acompanhar não terá como consequência a óbvia degradação do serviço?
É o progresso social dos grupos economicamente mais desfavorecidos e a ascensão a melhores oportunidades de vida das crianças desses meios que estas políticas desprezam. Para estes prepara-se formação profissional aos 10 anos de idade. Para os outros, protege-se o ensino privado.

2. Por mero acaso, li um artigo aqui publicado ontem, sob o título “Os professores desempregados”, antes de enviar o meu, que já estava concluído. Manda o apreço pelos leitores que substitua rapidamente parte do que tinha escrito. Para clarificar o que tem que ser clarificado, até porque a tese é recorrente e a sua retoma, agora, não é inócua. Resume-se nas seguintes vertentes: haverá uma campanha bem orquestrada para atribuir o desemprego dos professores a medidas de política economicista; porque se nasce menos, há menos alunos nas escolas. A argumentação do autor, José Carvalho, professor, é pobre. A citação estatística que utiliza, sem indicação de fonte, revela desconhecimento do que se faz nas escolas, o que é grave para um professor. Telegraficamente, que o tempo e o espaço mais não permitem, corrijo-o. José Carvalho confunde decréscimo da natalidade com decréscimo de alunos na escola. Mas são coisas diferentes. Porque existem muitas outras áreas de ensino, para além das que considerou. Os últimos dados disponíveis (GEPE, Ministério da Educação), referem-se a 2008/09. E que mostram? Que os alunos, por referência a 2005/06, aumentaram. Mais trezentos e três mil quinhentos e cinquenta e seis! No que toca à actualidade, é óbvio que o desemprego de professores é resultado de políticas, que não de decréscimo de natalidade. Não fora isso, como se explicaria, então, que do ano passado para o próximo o sistema dispense mais de trinta mil professores? Porque a Alfredo da Costa vai fechar?
* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

04/08/12

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protestar é preciso!

A cena do vídeo passa-se num banco do Brasil e tem a ver com tempo em filas de espera. A senhora (que só pode causar admiração) fala de um país em que a única lei parece ser a procura do lucro, o interesse pessoal do 'peixe graúdo': isto só no Brasil, não é pessoal?
Pois. NÃO!
Ora experimentem ir aqui ao hipermercado Continente, o do Colombo em Lisboa, por exemplo! E feitas as compras, preparem-se para desesperar: dezenas de caixas instaladas, menos de um terço em funcionamento. O sr. Belmiro de Azevedo não tem dinheiro para contratar mais pessoal? E POR QUE É QUE OS PORTUGUESES NÃO PROTESTAM, NÃO PEDEM UM LIVRO DE RECLAMAÇÕES, NADA???????????!!!!!!!!!!!!!!!!!!
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vejam .. e aprendam como se faz!
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02/08/12

a visão da 'dign-imbecilidade' -- dele

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Ver para crer!

É que o homem é mesmo uma aventesma!!
E.. boa, Ana Drago, gosto de a (re)ver assim combativa!
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Há 15 dias atrás .. :

Ana Drago vs. Nuno Crato na Comissão de Educação
 tvesquerda
| 19 Julho, 2012 - 21:22

Ana Drago questiona o Ministro da Educação, Nuno Crato, em audição na Comissão de Educação, Ciência e Cultura, pressionando para que responda às questões colocadas pelo Bloco sobre os horários zero nas escolas, o futuro dos professores contratados e reorganização curricular.
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todos os mega-ladrões serão recompensados!

recebido via e-mail  - e, aparentemente, veio para mim e mais para: 
Presidência da República; Primeiro Ministro Passos Coelho; PSD; PSD Partido Social Democrata; Ministro Assuntos Parlamentares; Ministro Estado; Ministro Finanças ..  ..   pois. .. .. ..

Miguel Relvas: O PGR continua a ignorar tudo isto ?!
 roubado à Visão, credível, portanto:

(clicar na imagem para ampliar)


Um político que gastou 29.000 euros em chamadas telefónicas quando era um mero presidente da assembleia municipal devia ser preso, quanto mais ser o número dois de um governo brutal na austeridade que quer impor aos portugueses. Este dr. Relvas não tem vergonha na cara!



*  .  *  .  *  .  *  .  *
Pois .. Não tem, mas está longe de ser o único .. E eu pergunto-me para que pagamos nós a um presidente da república, um primeiro ministro, um PGR e mais toda uma cambada de parasitas ..

Em 2009, o DN publicou a notícia abaixo. Resultados práticos esperam-se ansiosamente!


Maior ONG contra corrupção entra em Portugal

por DAVID DINIS, 
30 Novembro 2009
Um grupo de especialistas portugueses, como Luís de Sousa (do ICS), Saldanha Sanches, Paulo Morais e Adelino Maltez, vai esta semana formalizar uma estrutura que permitirá a entrada da Transparency International em Portugal - que é um dos três países da Europa sem qualquer ligação à mais prestigiada ONG de luta contra a corrupção .

Portugal é um dos três países da Europa sem qualquer entidade reconhecida pelo mais importante organismo internacional de luta contra a corrupção, a Transparency International - a Organização Não Governamental que publica o único ranking de corrupção mundial, que trabalha com a ONU. A ausência só tem paralelo em Malta e Islândia. Mas agora, pela primeira vez, um grupo de especialistas iniciou o processo de "adesão" àquela organização, que levará - se tudo correr bem e a avaliação for positiva - a um reconhecimento pleno em 2012. -- ler mais

01/08/12

O tirano

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Santana Castilho numa crónica FANTÁSTICA, daquelas que gostaria de ter escrito eu. Nuno Crato apanha aqui forte e feio (como, de resto, mais que merece!). Não dos professores, que são quem o devia "esganar". Esses continuam a comer e calar, esperando sentados que um qualquer messias os venha resgatar do atoleiro onde, incompreensivelmente desapercebidos, se afundam mais e mais a cada dia que passa.
 .
Tem razão Santana Castilho, e nunca eu pensei fosse isto possível: Crato consegue ser pior que a sinistra MLR! Não nos hostiliza do mesmo modo assumido, é certo, mas "mata-nos" muito mais eficazmente (aos professores e à escola pública) , «sem remorso e sem inocência»! Não se iludam, fá-lo conscientemente, ainda que, impávido e sereno, mantenha indesmanchada aquela 'cara-laroca'. E penso: tratar-se-á da imbecilidade inerente aos "pobres de espírito" que parece não se darem conta do (mal) que fazem? Pior ainda, da absoluta incapacidade emotiva dos psicopatas? Não sei, como também não entendo a continuada passividade 'lesmática' dos professores deste país. Sei que me revejo nas crónicas de Santana Castilho - ele, sim, de olhos bem abertos e sentidos alerta, a inteligência e a capacidade combativa ao serviço de quem talvez o não mereça, arauto entre surdos e cegos, quase todos. Pela minha parte, o meu imenso obrigada, Professor!



in Público, 1 de Agosto de 2012
por  Santana Castilho *

O tirano 



Para quem se tenha esquecido, recordo que o concurso nacional de professores já foi um processo administrativo estabilizado e que não provocava conflitos. Políticas incompetentes e recentes inovações sem sentido, de vários donos, encarregaram-se, porém, de recuperar desastres de tempos idos. Mas a taça leva-a Nuno Crato, o tirano. Tanta ignorância, técnica e política, tamanha crueldade moral exercida sobre os docentes, surpreendem os mais treinados. Ontem, terminou o prazo para os novos escravos concorrerem. Terão sido mais de 40 mil, que aguentaram horas e horas de atalaia a uma aplicação informática que lhes fazia continuadamente o que os professores, desunidos, já deviam ter feito ao tirano: um continuado manguito. Servidor em baixo no fim de cada tempo infindo a meter códigos de fazer inveja a Sísifo e babar Kafka, foi a regra. Aceder à coisa, depois de horas de martírio, foi uma lotaria. Até a lei o tirano mudou, depois do concurso começado. Abriu com uma e terminou com outra, sem que o arbítrio tenha provocado mais que incómodos suportados. O que se passa com uma classe inteira, que assim é espezinhada e não consegue pôr cobro a tamanha sucessão de nunca vistos, resta campo para investigação futura. 

Primeiro, sem que se conhecessem os créditos atribuídos às escolas, sem que as matrículas estivessem terminadas e as turmas constituídas, o tirano obrigou os directores das “unidades orgânicas” (escola é vocábulo em vias de proscrição) a determinarem e comunicarem o número de “horários zero” para 2012-2013, sob ameaça de procedimento disciplinar. Milhares e milhares de descartáveis docentes, com dezenas de anos de serviço público desalmadamente ignorado, fizeram fila para o concurso crematório da dignidade mínima. Kapos, de reacção capada pela servidão a que o poleiro obriga, e classe inteira vergada pelo medo e desorientada pela surpresa, obedeceram. Foi a uma sexta-feira, simbolicamente 13. Mas na semana seguinte, qual Nero arrependido, o tirano mandou recuperar o que antes havia incendiado, ordenando a indicação mínima possível de horários zero e permitindo tudo o que antes proibira. Dos números, disse que não estavam “consolidados” e guardou-os na mesma gaveta onde há muito arrumou o rigor de outrora.

A dança macabra foi temporariamente (sublinho temporariamente) adoçada com um empreendedorismo inventivo de recurso: “apoios” de todo o tipo, “coadjuvações” de várias estirpes, combate ao insucesso, patati-patatá, rebéu-béu, pisca-pisca, “cratês” onde havia “eduquês”. Não o tratem que ele vos tratará, orçamento de 2013 a obrigar, volta ao texto do Tribunal Constitucional a justificar, Portas a satisfazer. Ou julgam que o tirocínio na Comissão Permanente do Conselho Nacional da UDP não foi útil? Qualquer tirano sabe que, vendido o inferno ardente, o purgatório passa por paraíso. 

Por que invoco aqui Portas? Porque é dele esta recente frase assassina, que Crato subscreverá com entusiasmo: «Temos de saber e entender que, se o problema de Portugal é défice do Estado, não é justo pretender que o sector privado tenha a mesma responsabilidade de ajudar.» Professores e demais funcionários públicos têm que fazer engolir a ambos a hipocrisia do argumento. Porque o que se gasta com hospitais, escolas, tribunais e tudo o que é público serve a todos, independentemente do sector em que trabalham; porque os 8 mil milhões que se sublimaram sem rasto na canalhice do BPN foram pagos por todos, embora, esses sim, só dissessem respeito a privados, pouquíssimos privados.

Teremos para o ano professores imersos em trabalho, com uma dúzia de turmas a seu cargo, coexistindo com colegas com uma só turma e resto do horário preenchido por “apoios”. As interpretações locais, casuísticas, do que dizem as normas sem norma sobre o que é lectivo e não lectivo, ampliarão a confusão e a nova injustiça, que se soma a tantas outras acumuladas em passado recente. 

Nenhuma circunstância permite a um político maltratar pessoas. Mas Nuno Crato ofendeu a dignidade profissional de milhares de professores. Fez sofrer inutilmente as suas famílias. Ultrajou o trabalho dos que preparavam o ano-lectivo. Tratou grosseiramente o interesse da escola pública, dos pais e das crianças. As duas últimas semanas foram devastadoras e trouxeram-nos uma prática governativa mais perversa e iníqua que a pior do pior tempo de Maria de Lurdes Rodrigues. 

A seriedade intelectual de Nuno Crato em matéria de Educação implodiu definitivamente. Falo da seriedade transmitida nas intervenções públicas que precederam a corrida ao cargo e da seriedade apreendida por quem se deixou enganar pelo seu discurso farsola. Não falo de seriedade intelectual intrínseca, que, essa, nunca existiu. Demonstra-o a curta história do seu ministério.

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)