- as imagens das colunas laterais têm quase todas links ..
- nas páginas 'autónomas' (abaixo) vou recolhendo posts recuperados do 'vento 1', acrescentando algo novo ..

27/04/12

nunca uma tão grande explosão de alegria ..

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.. a queda de um regime odioso ..
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Publicado em 30/03/2012 por TiagoCasalRibeiro

Às 18h40 do dia 25 de Abril de 1974, as primeiras imagens televisivas dão conta de uma mudança política que trouxe profundas consequências para Portugal e para o estrangeiro. O filme mostra a queda do regime nas ruas e o movimento vitorioso dos capitães, recuando aos seus antecedentes imediatos: a morte de Salazar, a ascensão de Marcello Caetano, os mortos na guerra em África, o livro "Portugal e o Futuro" de António de Spínola, o levantamento militar de 16 de Março nas Caldas da Rainha. Do 25 de Abril, registam-se todos os passos relevantes: a rendição de Caetano no Largo do Carmo, a proclamação da Junta de Salvação Nacional, as últimas vítimas da PIDE, a libertação dos presos políticos, o regresso dos exilados a Portugal, com destaque para Mário Soares e Álvaro Cunhal, o primeiro 1º de Maio em liberdade. Depois, novos rumos e os primeiros sinais de crise política: os governos provisórios, o fim da censura, as greves e os saneamentos, a demissão de Palma Carlos e a tomada de posse de Vasco Gonçalves. Com o 28 de Setembro, Spínola é substituído por Costa Gomes. Vêem-se os congressos partidários(PCP, PS, PPD, CDS) e as primeiras eleições livres, com o célebre frente a frente televisivo Soares-Cunhal, enquanto nas ruas se instala o PREC (Processo Revolucionário Em Curso): o o 11 de Março e as nacionalizações, ocupações de casas, terras e fábricas, o julgamento de Zé Diogo, as campanhas de dinamização do MFA, o juramento militar revolucionário do RALIS, a visita de Jean-Paul Sartre, os casos República e Renascença, a "batalha da produção" de Vasco Gonçalves e a V Divisão de Ramiro Correia. Assaltos a sedes do PCP e do MDP/CDE, o comício do PS na Fonte Luminosa e o Documento dos Nove, onde pontifica Melo Antunes, acompanham o declínio de Vasco Gonçalves, cujo V Governo é substituído pelo VI de Pinheiro de Azevedo. O cerco à Constituinte e um largo "flashback" sobre o processo de descolonização, com a consequente vaga de retornados das ex-colónias, antecedem no filme o 25 de Novembro, com a vitória militar das tropas de Ramalho Eanes e o discurso pacificador de Melo Antunes.

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26/04/12

Miguel

por Francisco Louçã a Terça-feira, 24 de Abril de 2012 às 19:02
retirado daqui 

Aos 13 anos, o Miguel era sardento, louro, espigado e irrequieto. Foi numa assembleia de estudantes do ensino secundário, que se realizou na cantina de Económicas, o ISEG de hoje, que o ouvi. Estávamos do mesmo lado. Discussões acaloradas, heroísmo à flor da pele, a ditadura e a guerra pela frente – nessa altura, o futuro era magnífico. E foi. O 25 de Abril e os melhores anos da nossa vida, como dizia o José Afonso.

Economista por empréstimo, foi sempre jornalista e político por vocação. Com a vertigem dos anos finais da ditadura, entrou na UEC e foi escolhido para a sua comissão central em 1974. Do PCP sairia em 1989, quinze anos depois e sem mágoas, sempre respeitador dessa vida militante. Entretanto, foi animador cultural na Câmara de Ourique e na serra algarvia. Aprendeu o trabalho local, a importância da cultura e da comunicação popular. Tornou-se jornalista, lançou a revista "Contraste" em 1986 e fez dela um ícone da cultura à esquerda. Foi depois jornalista do "Expresso", a partir de 1988, e editor internacional da sua revista até 1994. Fez a cobertura da campanha eleitoral do PSR em 1991, e lembro-me de como se divertia com a minha ingenuidade sobre o que seria ser deputado. Tinha razão.

A partir de 1995, fez aquilo de que mais gostava, criou um jornal em que podia agir com as suas próprias escolhas. O "Já" foi essa aventura, depois a "Vida Mundial". Fez a cobertura da queda do regime da Roménia, onde sentiu o cheiro do 25 de Abril e os riscos do que aí vinha. Com jornalistas, amigos, gente de talento e de vontade, inventou jornalismo, fez actualidade, lutou pelas ideias, convidou opiniões. Que falta que faz um jornal como esses.

Escreveu três livros: “E o Resto é Paisagem” (2002), “No Labirinto”, sobre o Líbano (2006) e “Périplo”, sobre as histórias do Mediterrâneo, com Cláudio Torres (2006). Como sempre lembra o Inimigo Público, o suplemento satírico do Público, a sua profunda ligação ao Médio Oriente levava-o a interessar-se pela sua gastronomia, pelo cinema, pelas lendas, pelas histórias, pelos partidos, pelas guerras e pela paz. Tomou posição. Arriscou-se. Falou com todos. Atravessou o Líbano debaixo de bombardeamento israelitas. Defendeu energicamente o povo palestino. Juntou-se às vozes dos movimentos de paz em Israel.

Viveu a vida intensamente e com gosto. Foi dirigente do Bloco e eurodeputado até ao último momento. Incentivou-nos da cama do hospital. Combinou a sua viagem que faltava, à Birmânia, e que nunca fará. Despediu-se dos filhos.

Viveu connosco e nós vivemos com ele. Perdemo-lo e não o esquecemos. Um abraço com ternura, Miguel.

acordai, homens que dormis!



Acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raiz

Acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras e o mar
o mundo e os corações

Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!

José Gomes Ferreira/Rosa Feijão

25/04/12

Para lá do arco-íris

recebido por e-mail

por BAPTISTA-BASTOS
Hoje 25 abril 2012

Dobro os olhos para antigamente, há trinta e oito anos, ontem, e não me reconheço nem àqueles rostos luminosos, a esperança à solta, o mundo e a vida tinham as nossas idades. Nada nos prende àquilo; tudo nos prende àquilo. Somos nós e não o somos. "Acabou a tua festa, pá!", cantou o Chico Buarque. Sobrou alguma coisa? Sobraram estes rostos desencantados, esta esperança cheia de ausências, este mundo velho e tonto. Mas ainda estamos aqui. Para o que der e vier.

As coisas não correram muito bem. As nossas ambições iam para lá do arco-íris. E pensávamos ter conquistado as extensões exemplares da felicidade ininterrupta. Não porque a Providência tivesse partilhado com todos o dom do sonho, mas porque assim pensávamos. A nossa exultação comprometia toda a gente? Nem toda; nós julgávamos que sim. Avaliámos mal a importância da alegria sentida, e talvez por isso o despertar e as consequências desse despertar tivessem a configuração de um pesadelo. Mas não sejas parco a pedir: tenta, sempre e sempre, atingir o inatingível.

Pessoalmente, embora magoado e ferido, nunca deixei de acreditar que a História caminha no sentido da libertação do homem, e que a esperança é capaz de ter sempre razão. A esperança não como uma questão de fé, sim como fisionomia da paixão. A esperança como uma ideologia, não como um dogma.

Há dias ouvi, rtp-1, o prof. João Lobo Antunes, num admirável diálogo com o bispo do Porto, comentar que os assassinos da esperança deveriam ser punidos. A esperança é a consciência de que as coisas estão ao nosso alcance; basta querermo-las, mas é preciso quere-las. Talvez, digo eu, esses assassinos tenham cometido o pior de todos os pecados: a degradação do eterno no que o eterno possui de mais temporal e de mais humano.

Claro que não nos reconhecemos naqueles rostos, então luminosos. Porém, a nossa alma, essa, ainda está lá, nesse vácuo e nesse resumo. E onde está a alma desta gente que nos governa e que nada a demove, desconhecedora da singularidade de cada qual, penetrada pelo mito da perenidade e pela imutabilidade das suas próprias decisões - onde está? Não perderam a grandeza: nunca a tiveram.

Há trinta e oito anos que me esperava, que nos esperava? As horas loucas de meses proliferantes; uma verdade que deixara de nos ser negada. Durou pouco; todavia, não fomos derrotados, nem estes que tais são vencedores: transeuntes, somente transeuntes. Éramos os protagonistas de uma história à altura do homem, e o homem dispunha de uma densidade criadora revalorizada a cada instante, em cada protesto, em cada acto. O nosso estado actual, acaso triste e até nefasto, é interregno para outra etapa do movimento. Já o escrevi. Repito-o: não há conquista sem luta nem luta sem sofrimento. Muitas vezes, um simples sinal, modesto, escasso vale uma vida.

E aqui estamos.


Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.

Donos de Portugal

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Dos currículos de 115 governantes e ex-governantes dos últimos 30 anos (PS, PSD, CDS), resulta um mapa das ligações que tecem entre grupos económicos onde ocupam ou ocuparam funções dirigentes.
-- clicar para ampliar:

e o Zeca, e o Zeca ..


José Afonso foi o maior compositor e intérprete de música de intervenção durante a ditadura fascista que acabaria a 25 de Abril de 1974. Como compositor, soube conciliar de forma notável a música popular e os temas tradicionais com a palavra de protesto. - fonte

traz outro amigo também


os vampiros
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No céu cinzento sob o astro mudo
Batendo as asas pela noite calada
Vêm em bandos com pés de veludo
Chupar o sangue fresco da manada

Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada
Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada

A toda a parte chegam os vampiros
Poisam nos prédios poisam nas calçadas
Trazem no ventre despojos antigos
Mas nada os prende ás vidas acabadas

Eles comem tudo, eles comem tudo
...

Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada

Eles comem tudo, eles comem tudo
... 
No chão do medo tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos na noite abafada
Jazem nos fossos Vítimas dum credo
E não se esgota o sangue da manada

Eles comem tudo, eles comem tudo
...

São os mordomos do universo todo
Senhores à força mandadores sem lei
Enchem as tulhas bebem vinho novo
Dançam a ronda no pinhal do rei

Eles comem tudo, eles comem tudo
...

Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada

Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada
...


a morte saiu à rua (sb. José Dias Coelho, assassinado pela PIDE)



venham mais cinco



menina dos olhos tristes (sb a guerra colonial)



era de noite e levaram (sb. as perseguições da PIDE)



menino do bairro negro



último concerto, no Coliseu de Lisboa: Grândola
29 de Janeiro de 1983


José Afonso, o Zeca, morreu há 25 anos, a 23 de Fevereiro de 1987

quando a cantiga 'era' uma arma ..

eu vim de longe ..
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eu vi este povo a lutar ..
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que força é essa ..
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Que Força é Essa
Sérgio Godinho
Composição: Sérgio Godinho

Vi-te a trabalhar o dia inteiro
construir as cidades pr´ós outros
carregar pedras, desperdiçar
muita força p´ra pouco dinheiro
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Muita força p´ra pouco dinheiro

Que força é essa
que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
que força é essa, amigo
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo
Que força é essa, amigo
Que força é essa, amigo

Não me digas que não me compr´endes
quando os dias se tornam azedos
não me digas que nunca sentiste
uma força a crescer-te nos dedos
e uma raiva a nascer-te nos dentes
Não me digas que não me compr´endes

(Que força...)

(Vi-te a trabalhar...)

Que força é essa
que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
que força é essa, amigo
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo
Que força é essa, amigo
Que força é essa, amigo
Que força é essa, amigo

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liberdade
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cão raivoso
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Mais vale ser um cão raivoso
do que um carneiro
a dizer que sim ao pastor
o dia inteiro
e a dar-lhe de lã e da carne e da vida
e do traseiro
mais vale ser diferente do carneiro
um cão raivoso que sabe onde ferra
olhos atentos e patas na terra.

Viva o cão raivoso
tem o pelo eriçado
seu dente é guloso
e o seu faro ajustado
Cão raivoso, cão raivoso, cuidado.

Mais vale ser um cão raivoso
que um caranguejo
que avança e recua e depois
solta um bocejo
e que quando fala só se houve a garganta
no gargarejo
mais vale não ser como o caranguejo
um cão raivoso que sabe onde ferra
olhos atentos e patas na terra.

Viva o cão raivoso
tem o pelo eriçado
seu dente é guloso
e o seu faro ajustado
Cão raivoso, cão raivoso, cuidado.

Mais vale ser um cão raivoso
que uma sardinha
metida, entalada na lata
educadinha
pronta a ser comida, engolida, digerida
e cagadinha
Mais vale ser diferente da sardinha
um cão raivoso que sabe onde ferra
ferra fascistas e chama-lhe um figo
olhos atentos e patas na terra.

Viva o cão raivoso
tem o pelo eriçado
seu dente é guloso
e o seu faro ajustado
Cão raivoso, cão raivoso, cuidado.

Mais vale ser um cão raivoso
dentes à mostra
estar sempre pronto a morder
e a dar resposta
a toda e qualquer podridão escondida
dentro da crosta
dentro da crosta das belas ideias
gato escondido de rabo de fora
dentro da crosta das belas ideias
gato escondido de rabo de fora.
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canções que me doem ..

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trova do vento que passa
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queixa das almas jovens censuradas: Natália Correia por Zé Mário Branco

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perfilados de medo
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Perfilados de medo, agradecemos
o medo que nos salva da loucura.
Decisão e coragem valem menos
E a vida sem viver é mais segura.

Aventureiros já sem aventura,
perfilados de medo combatemos
irónicos fantasmas à procura
do que não fomos, do que não seremos.

Perfilados de medo, sem mais voz,
o coração nos dentes oprimido,
os loucos, os fantasmas somos nós.

Rebanho pelo medo perseguido,
já vivemos tão juntos e tão sós
que da vida perdemos o sentido...

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FMI
Obra emblemática do movimento revolucionário português, FMI é um álbum do músico e compositor portuense José Mário Branco, que também dá nome à canção, de cerca de 20 minutos, que foi escrita "de um só jorro, numa noite de Fevereiro de 79". Nesta canção José Mário Branco revela, despudorada e premonitoriamente, numa "catarse cénica" (JMB), o rescaldo do período revolucionário e da sua inquietação pessoal. Resulta um retrato social muito nítido. - fonte
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-- na RTP (e acho q só havia um canal) passava então a 1ª tele-novela (brasileira): Gabriela, de Jorge Amado
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soyons réalistes, demandons l'impossible!

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Zeca Afonso, 1984 :
«Os jovens estão à mercê de um sistema que não conta com eles, que hipocritamente fala deles. O 25 de Abril não foi feito para esta sociedade, para aquilo que estamos agora a viver!»
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«O sistema ultrapassa-os; o sistema oprime-os, criando-lhes uma aparência de liberdade.»

 «Eu creio que a única atitude foi aquela que nós (a minha geração) tivemos: de recusa frontal, recusa inteligente, se possível até pela insubordinação, se possível até pela subversão do modelo de sociedade que lhes está a ser oferecido - com belos discursos, com o fundamento da legalidade democrática...»

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«É de facto uma sociedade teleguiada de longe por qualquer FMI, qualquer deus banqueiro, que é imposta aos jovens de hoje.» - Zeca -- e estávamos em 1984!!!!


«Tal como nós, eles têm que a combater, têm que a destruir, têm que a enfrentar com todas as suas forças,. organizando-se, para criarem a sociedade que têm em mente, que não é com certeza, estou convencido, a sociedade de hoje!»

o título do post, um slogan do Maio 68
imagens retiradas daqui

Os farsolas do regime

no jornal Público, hoje, a crónica de
Santana Castilho


1. Comemora-se hoje o 25 de Abril. Foi há 38 anos. “O País perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos e os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido, nem instituição que não seja escarnecida. Já não se crê na honestidade dos homens públicos. O povo está na miséria. O desprezo pelas ideias aumenta em cada dia. Vivemos todos ao acaso. O tédio invadiu as almas. A ruína económica cresce. O comércio definha. A indústria enfraquece. O salário diminui. O Estado tem que ser considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo”. Estas frases corridas pertencem a Eça de Queirós e foram citadas por Paulo Neves da Silva, em livro editado pela Casa das Letras. A quem revê nelas o país em que hoje vive, pergunto: e não fazemos nada?
2. A evolução dos indicadores é oficial: desemprego em dramático crescimento, PIB em queda alarmante e execução orçamental do primeiro trimestre do ano muito longe do equilíbrio prometido. Dizem os farsolas do regime que não há tempo para resultarem as políticas de extermínio dos funcionários públicos, classe média e reformados. Asseveram que é preciso esperar. Aceita-se, naturalmente, que a falta de recursos traga os custos para a primeira linha das análises e que a eficiência preocupe a governação. Mas no binómio “recursos mobilizados- resultados obtidos”, gastar menos, obtendo piores resultados, mesmo que melhore a eficiência, é inaceitável. Cortar despesas de modo cego, mantendo intocáveis os grandes sugadores do país, é inaceitável. Em Washington, Vítor Gaspar teve o topete de declarar que as medidas de austeridade não afectaram os mais vulneráveis. E a propósito dos subsídios confiscados, o decoro mínimo não impediu Paula Teixeira da Cruz de desmentir o primeiro-ministro, que já tinha desmentido Vítor Gaspar. Como se a confiança no Estado aguentasse todas as diatribes. “Não podemos viver acima das nossas possibilidades” é uma frase batida dos farsolas do regime. A dívida pública e a dívida privada têm que ser pagas, recordam-nos. Aos funcionários públicos espoliados e aos que nunca viveram acima das suas possibilidades, pergunto: e não fazemos nada?
3. Na quarta-feira passada ouvi Nuno Crato na TVI 24. Afirmou que não há razões pedagógicas para dizer que 30 alunos por turma seja mau. Perante o esboço de contraditório do entrevistador, perguntou-lhe quantos alunos tinham as turmas no tempo dele. Esta conversa não é de ministro. É de farsola, que não distingue pedagogia de demagogia. No meu Alentejo e no meu tempo, não raro se encontravam à porta de uma ou outra casa, em dias de sol, dejectos humanos a secar. Eram de um doente com icterícia, que os tomaria posteriormente, secos, diluídos e devidamente coados. Pela ministerial lógica justificativa, bem pode Sua Excelência anotar a receita para os futuros netos. Garanto-lhe, glosando Américo Tomás, pensador do mesmo jeito, que os que não morriam salvavam-se! A dimensão das turmas tem óbvia implicação no aproveitamento e na disciplina. William Gerald Golding, Nobel da literatura em 1983, foi, durante 3 décadas, professor. Interrogado uma vez por um jornalista sobre o método que usava para ensinar, respondeu que com 10 alunos na sala de aula qualquer método servia, mas com 30 nenhum resultava. A resposta de Golding retorna à minha mente cada vez que surge um econometrista moderno a tentar convencer-me de que o tamanho das turmas não tem a ver com o sucesso das aprendizagens. Não nos iludamos com a profusão de estudos sobre a relevância das variáveis que condicionam as aprendizagens e, particularmente, com as correlações especulativas estabelecidas entre elas. Imaginemos que os resultados obtidos num sistema de ensino onde as turmas têm, em média, 35 alunos, são melhores que os obtidos por turmas de 20, de outro sistema. Alguma vez permite essa constatação concluir que o tamanho da turma não importa? Que aconteceria aos resultados do primeiro sistema se as turmas passassem de 35 para 20 alunos, no pressuposto de que tudo o mais não se alterava?
Poderíamos e deveríamos discutir se temos recursos financeiros para manter a actual dimensão máxima das turmas. E poderíamos concluir que não. Poderíamos e deveríamos discutir o peso e a hierarquia, em termos de resultados, das diferentes variáveis que condicionam as aprendizagens. E poderíamos concluir que, antes da dimensão das turmas, outras se impõem pelo seu impacto e relevância. Mas não afrontemos com pseudo razões pedagógicas a experiência comprovada da sala de aula, que torna evidente que a probabilidade de sucesso aumenta se cada professor tiver menos alunos com quem repartir esforços e atenção. Aos professores adormecidos pergunto: e não fazemos nada?
* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

Com Fúria e Raiva

 poemas retirados daqui e daqui

A Forma Justa 

Sei que seria possível construir o mundo justo
As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
O céu o mar e a terra estão prontos
A saciar a nossa fome do terrestre
A terra onde estamos — se ninguém atraiçoasse — proporia
Cada dia a cada um a liberdade e o reino
— Na concha na flor no homem e no fruto
Se nada adoecer a própria forma é justa
E no todo se integra como palavra em verso
Sei que seria possível construir a forma justa
De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do universo

Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"

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Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.

Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só dos teus olhares me purifique e acabe.

Há muitas coisas que eu quero ver.

Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o teu reino antes do tempo venha.
E se derrame sobre a Terra
Em primavera feroz precipitado.

Sophia de Mello Breyner

Com fúria e raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras

Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs sua alma confiada

De longe muito longe desde o início
O homem soube de si pela palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse

Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"

o 25 de Abril faz 38 anos e eu só tenho vontade de chorar


25 de Abril, 1974, 7 horas da manhã: o meu pai telefona para o lar onde estávamos em Lisboa, a minha irmã e eu. Sinto-o empolgadíssimo, fremente de emoção, a notícia saindo em catadupa. Não se sabe ainda quem está por detrás do golpe militar, ou com que intenções. Não importa, alguma coisa ACONTECEU: HOJE É O IRROMPER DA ESPERANÇA.

PC (Posto de Comando) - RÁDIO CLUBE PORTUGUÊS
às 4h 26 min
É dada ordem para ser transmitido o primeiro comunicado. Foi com emoção que em todo o País centenas de militares ouviram pela voz de Joaquim Furtado o primeiro de vários comunicados que haviam sido redigidos pelo Maj. Vitor Alves. Estava previsto que os comunicados seriam lidos pelo Maj. Costa Neves, no entanto, Joaquim Furtado, locutor de serviço ao RCP, ao saber das intenções do Movimento de imediato se prontificou para o fazer. No comunicado pede-se para que a população se mantenha calma e apela-se à classe médica para ocorrer aos hospitais. -- fonte: Associação 25 de Abril

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Revolução dos Cravos: 25 de Abril 1974 - Noticiários RTP (1)

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RTP memória: «É aí que eu vejo que .. o 25 de Abril está ganho!» - Salgueiro Maia
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Quando vi este filme de Maria de Medeiros no cinema (2000) chorei, chorei, chorei. Hoje não seria capaz de, sequer, voltar a vê-lo.
O filme de Maria de Medeiros pode não ser uma obra-prima da 7ª arte. É, sem sombra de dúvida, um filme mágico, com esse poder raro de envolver em pranto e emoção uma inteira sala, dia, após dia, após dia. 
Aconteceu-me a mim, a todos os que, como eu, puderam reviver na tela sensível e nostálgica de M. Medeiros a imensa euforia daqueles dias, um inteiro sonho ali - de novo - possibilitado. "O povo unido" gritando, e acreditando, que jamais seria vencido .. "tão próximos, e nus, e inocentes" *.. Obrigada, Maria!

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* de um poema de Eugénio de Andrade
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Concerto de homenagem a José Afonso celebrado no Palácio de Congressos de Pontevedra e retransmitido pela TVG e RTP no 25 de Abril de 2007.

24/04/12

Miguel Portas, a morte um dia antes do 25 de Abril

Morre a revolução dos cravos, morrem os seus cantores, homens bons. Neste inferno só os carrascos se eternizam e matam.

Esta tarde, em Antuérpia
Miguel Portas morreu aos 53 anos

Público, 24.04.2012 - 18:32 Por São José Almeida, Rita Brandão Guerra
notícia e foto retiradas daqui


Miguel Portas, eurodeputado pelo Bloco de Esquerda, morreu esta terça-feira, aos 53 anos, de cancro no pulmão, em Antuérpia.

Economista, durante vários anos jornalista, foi, ainda antes do 25 de Abril de 1974, militante e depois dirigente da União de Estudantes Comunistas. Foi activista contra a ditadura desde jovem, tendo sido preso quando tinha ainda 15 anos.

Já em adulto foi militante do PCP a partir de 1974, de onde saiu em 1989.

Miguel Portas integrou então, desde 1989, a Terceira Via, grupo de militantes comunistas que se opunham à direcção e onde pontificavam figuras como Joaquim Pina Moura e Barros Moura. Após o golpe de Estado na União Soviética a 20 de Agosto de 1991, a maioria dos elementos que integravam a Terceira Via rompe e abandona o PCP, entre eles Miguel Portas, em protesto com o apoio que a direcção do partido deu aos golpistas. Neste processo seriam expulsos do PCP figuras como Barros Moura, Raimundo Narciso, Mário Lino, tendo José Luís Judas abandonado o PCP para evitar a expulsão e preservar a CTGP de que era dirigente.

Durante os anos 90 pertenceu ao grupo Plataforma de Esquerda, que integraria o MDP/CDE, partido que então muda para o nome Política XXI e que virá a integrar a formação do Bloco de Esquerda (BE).

Miguel Portas cumpria actualmente o segundo mandato como eurodeputado pelo BE. Foi eleito pela primeira vez nas europeias de 2004. Tinha sido cabeça de lista já em 1999, nas primeiras eleições em que o movimento foi a votos, mas não conseguira qualquer eurodeputado.

Segundo informação do BE, o eurodeputado faleceu por volta das 18h desta terça-feira, no Hospital ZNA Middelheim, em Antuérpia.

“Encarou a sua própria doença como fazia sempre tudo, da política ao jornalismo: de frente e sem rodeios. Teve uma vida intensa e viveu-a intensamente”, recorda o partido em comunicado. Durante o período em que esteve doente “continuou sempre a cumprir as suas responsabilidades e estava, neste preciso momento, a preparar o relatório do Parlamento Europeu sobre as contas do BCE”.

Miguel de Sacadura Cabral Portas nasceu em Lisboa a 1 de Maio de 1958. É filho do arquitecto Nuno Portas e da economista Helena Sacadura Cabral e é irmão de Paulo Portas e de Catarina Portas.

Durante a sua carreira de jornalista, foi director da revista cultural Contraste e depois redactor e editor internacional do semanário Expresso. Fundou o semanário Já e a revista Vida Mundial, dos quais foi director. Também foi cronista no Diário de Notícias e no semanário Sol. Actualmente tinha ainda uma crónica semanal na Antena 1.

É autor dos livros E o resto é paisagem, Líbano, entre guerras, política e religião e Périplo. Estes dois últimos resultaram do seu fascínio pela região do Mediterrâneo, por onde fez diversas viagens.

Périplo - Histórias do Mediterrâneo começou por ser um documentário em quatro episódios realizado por Camilo Azevedo e escrito e apresentado por Miguel Portas. Filmado em 2002 e 2003 em longas viagens pelos países da bacia mediterrânica, acabou por só ser transmitido pela RTP em 2005, dando depois origem ao livro com o mesmo nome. A dupla tinha já feito em 2000 o documentário Mar das Índias, uma co-produção entre a RTP e a Comissão dos Descobrimentos que recebeu o Prémio Bordalo de melhor trabalho televisivo do ano, atribuído pela Casa da Imprensa.

Miguel Portas tinha sido operado a um cancro no pulmão em 2010.

Eu sou CONTRA o branqueamento e o desvirtuamento de Otelo Saraiva de Carvalho, o estratega maior do 25 de Abril. Ele será tudo o que quiserem, não importa! O QUE NOS LEGOU NÃO TEM PREÇO !!!

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Grândola, imgs do 25 Abril 1974:
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Otelo nos sítios onde preparou o 25 de Abril
daqui
por FERNANDO MADAÍL21 Abril 2007

Otelo Saraiva de Carvalho. A cronologia dos acontecimentos do dia 25 de Abril de 1974 é bem conhecida. O desafio lançado pelo DN ao autor do golpe militar que derrubou o fascismo em Portugal foi um passeio por alguns dos locais que ele percorreu, há 33 anos, na fase da conspiração

Otelo Saraiva de Carvalho já não tem o Morris 1100 que quase não parou entre 24 de Março de 1974 - quando o (então) major instrutor de artilharia se ofereceu para fazer um plano militar a sério capaz de derrubar o regime - e 25 de Abril, quando ainda foi necessário para ir entregar rações de combate aos homens de Salgueiro Maia no Largo do Carmo.

Ao percorrer com o DN, 33 anos volvidos, alguns locais da conspiração, o estratego da Revolução dos Cravos evoca contactos em unidades militares, reuniões em casas particulares, conversas em cafés, encontros em parques de estacionamento.

"Agora, ao pensar nisso, vejo que corri riscos do caraças", reconhece quando lembra as conversas que teve, por exemplo, com Rosa Garoupa, que vivia na Estrada de Benfica e estava colocado na 2.ª Repartição do Estado-Maior do Exército (sector de informações), ou com o seu primo Fernando Velasco, que não contactava há anos, e estava no quartel-general da GNR, no Largo do Carmo - onde se refugiaria Marcelo Caetano.

"Vou fazer um golpe de Estado", explicava, para pedir ao primeiro dados sobre a Legião Portuguesa e a DGS (nome da PIDE após a "primavera marcelista") e ao segundo elementos acerca da GNR ("quero saber quantos homens e viaturas têm, quais os pontos onde acorrem em caso de prevenção"). "Estes tipos", admite, "podiam ter-me denunciado." Em vez disso, e embora o desaconselhassem a fazer o golpe, forneceram-lhe as informações de que necessitava.

Quilómetros e quilómetros clandestinos até ao serão em que, na casa do vizinho Vítor Alves, onde também estava Hugo dos Santos, leu a ordem de operações e garantiu que, "em menos de 12 horas", tinha a situação dominada e o Governo teria caído.

"Amanhã não é feriado"

A geografia da conspiração, que se pode traçar desde o apartamento de Silva Graça, na Praceta de Lourenço Marques (actualmente, Praceta de Maputo), em Oeiras, onde recebeu um croquis do Forte de Caxias (estava ali uma grande parte dos presos políticos) num papel encerado - só depois do 25 de Abril é que soube que o autor do desenho tinha sido... Jorge Sampaio (ver caixa) -, até ao estacionamento da estação de Santa Apolónia, onde pediu a Jaime Neves que tomasse as sedes da PIDE e da Legião Portuguesa, multiplica-se como as folhas que dactilografou na sua máquina de escrever Adler Tippa.

No desaparecido Café Londres (hoje é um banco), por exemplo, conseguiu demover Melo Antunes, desapontado com a aventura das Caldas, a abandonar, nessa noite de 18 de Março, o Movimento das Forças Armadas. Na mesa da esplanada, em que Vítor Alves também se sentava à conversa, Otelo pediu a Melo Antunes que escrevesse o programa político para sustentar a acção militar.

No dia 23 de Março, o teórico do movimento embarcava para os Açores, mas na véspera, em casa de Vítor Alves, leu a primeira versão do programa e informou que, no dia seguinte, estaria a despedir-se dele o jornalista do República Álvaro Guerra, que poderia apresentar o seu colega de redacção Carlos Albino, que tinha um programa de rádio com Manuel Tomás, onde seria transmitida a segunda senha (a primeira seria E Depois do Adeus), a canção Grândola, Vila Morena.

E, no entanto, um local que Otelo não pisou mas ganharia significado para as centenas de oficiais que deram origem aos versos de Sophia de Mello Breyner:
"Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo"
.. foi o café Pisca-Pisca. Cinco militares que iam ocupar o Rádio Clube Português foram lá tomar um café antes da meia-noite, para fazer tempo. "Então, já vão fechar?", perguntam. "Amanhã não é feriado", responde o empregado. "Não é, mas há-de ser." Faltava pouco para se ouvir roncar os blindados de Salgueiro Maia.

Sem saber do golpe que Otelo estava a preparar, como admite ao DN, Jorge Sampaio recorda-se do seu "bom amigo" Silva Graça ir ao escritório que tinha na Rua Duque de Palmela e pedir-lhe um esboço com a planta da prisão. Além dos três dias que ali tinha estado detido, na sequência da Crise Académica de 1969, "ia muitas vezes a Caxias visitar os presos políticos de que era advogado". Apesar de não ter jeito para o desenho, o que se pretendia era perceber a localização das portas e dos espaços livres no interior. "Atravessava-se o portão verde, passava-se por um pátio, via-se uma zona com grades e dirigiam-nos ao local onde os advogados falavam com os seus clientes, pelo que se percebia onde deveria ser a zona das celas. Fiz o croqui, mas não era sequer à escala", ironiza Sampaio.
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Carta dum português lúcido ao PR


Carta dum português que aprendeu português e também aprendeu a fazer análises à sociedade em que está inserido......

quadro de Roman Morhardt

Exmo Senhor Presidente da República

Lisboa

Vou usar um meio hoje praticamente em desuso mas que, quanto a mim, é a forma mais correcta de o questionar, porque a avaliar pelas conversas que vou ouvindo por aqui e por ali, muitos portugueses gostariam de ver esclarecidas as dúvidas que vou colocar a V/Exa e é por tal razão que uso a forma "carta aberta", carta que espero algum dos jornais a que a vou enviar com pedido de publicação dê à estampa, desejando que a resposta de V/Exa fosse também pública.


Tenho 74 nos, sou reformado, daqueles que descontou durante 41 anos, embora tenha trabalhado durante 48, para poder ter uma reforma e que, porque as pernas já me não permitem longas caminhadas e o dinheiro  para os transportes e os espectáculos a que gostaria de assistir não abunda, passo uma parte do meu dia a ler, sei quantos cantos há nos Lusíadas, conheço Camilo, Eça, Ferreira de Castro, Aquilino, Florbela, Natália, Sofia e mais uns quantos de que penso V/Exa já terá ouvido falar e a "navegar na net".

São precisamente as "modernices" com que tenho bastante dificuldade em lidar que motivam esta minha tomada de posição porquanto é aí que circulam a respeito de V/Exa afirmações que desprestigiam a figura máxima do País Portugal, que, em minha opinião, não pode estar sujeita a tais insinuações que espero V/Exa desminta categoricamente.

Passemos à frente das insinuações de que V/Exa foi 1º Ministro de Portugal durante mais de dez anos, época em que V/Exa vendeu as nossa pescas, a nossa agricultura, a nossa indústria a troco dos milhões da CEE, milhões que, ao contrário do que seria desejável, não serviram para qualquer modernização ou reforma do nosso País mas sim para encher os bolsos de alguns, curiosamente seus correlegionários, senão mesmo, seus amigos. Acredito que esse tempo que vivemos sob o comando de V/Exa e que tanto mal nos fez foi apenas fruto de incompetência o que, sendo lamentável, não é crime, os crimes foram praticados por aqueles que se encheram à custa do regabofe, perdoe-me o popularismo, que se viveu nessa época e que, curiosamente, ou talvez não, continuam sem prestar contas à justiça.

Entremos então no que mais me choca, porque nesses outros comentários, a maioria dos quais anónimos mas alguns assinados, é a honestidade de V/Exa que é posta em causa e eu não quero que o Presidente da República do meu país seja o indivíduo que alguns propalam pois que entendo que o cargo só pode ser ocupado por alguém em quem os portugueses se revejam como símbolo de coerência e honestidade, é assim que penso que nesta carta presto um favor a V/Exa, pois que respondendo às questões que vou colocar, findarão de vez as maledicências que, quero acreditar, são os escritos que por aí circulam.

1ª Questão:

Circula por aí um "escrito" que afirma que V/Exa, professor da Universidade Nova de Lisboa, após ser ministro das finanças, foi convidado para professor da Universidade Católica, cargo que aceitou sem se ter desvinculado da Nova o que motivou que lhe fosse movido um processo disciplinar por faltar injustificadamente às aulas da Nova, processo esse conducente ao despedimento com justa causa, que se teria perdido no gabinete do então ministro da educação, a quem competiria o despacho final, João de Deus Pinheiro, seu amigo e beneficiado depois de V/Exa ascender a 1º Ministro com o lugar de comissário europeu, lugar que desempenhou tão eficazmente que o levou a ficar conhecido como "comissário do golfe".

Pergunta directa:

Foi ou não movido a V/Exa um processo disciplinar enquanto professor da Universidade Nova de Lisboa?
Se a resposta for afirmativa, qual o resultado desse processo?

Se a resposta for negativa é evidente que todas as informações que andam por aí a circular carecem de fundamento.

2ª Questão:

Circulam por aí vários escritos sobre a regularidade da transacção de acções do BPN que V/Exa adquiriu. Sendo certo que as referidas acções não estavam cotadas em bolsa e portanto só poderiam ser transaccionadas por contactos directos, vulgo boca a boca, faço sobre a matéria várias perguntas:

1ª - Quem aconselhou a V/Exa tal investimento?
2ª- A quem adquiriu V/Exa as referidas acções?
3ª- Em que data, de que forma e a quem vendeu V/Exa as acções?
4ª- Sendo V/Exa um renomado economista, não estranhou um lucro de 140% numa aplicação de tão curto prazo?

3ª Questão

Tendo em atenção o que por aí circula sobre a Casa da Coelha, limito-me a fazer perguntas:

1ª- É ou não, verdade, que o negócio entre a casa de Albufeira e a casa da Coelha foi feito como permuta de imóveis do mesmo valor para evitar pagamento de impostos?

2ª- Se já foi saldada ao estado a diferença de impostos com que atraso em relação à escritura se processou a referida regularização?
3ª- É ou não verdade que as alterações nas obras feitas na casa da Coelha, nomeadamente a alteração das áreas de construção foram feitas sem conhecimento da autarquia?

4ª- A ser positiva a resposta à pergunta anterior, se já foi sanado o problema resultante de obras feitas à revelia da autarquia, em que data foi feita tal regularização e se foi feita antes ou depois das obras estarem concluídas?

5ª- Última pergunta, esta de mera curiosidade, será que V/Exa já se lembra do cartório em que foi feita a escritura?

4ª- Questão

Net, é uma questão que eu próprio lhe coloco:
Ouvi V/Exa na TV dizer que tinha uma reforma de 1300 ?, que quase lhe não chegava para as despesas, passando fugazmente pela reforma do Banco de Portugal. Assim, pergunto:

1ª- Quantas reformas tem V/Exa?
2ª- De que entidades e a que anos de serviços são devidas essas reformas?
3ª- Em quantas não recebe 13º e 14º mês?
4ª- Abdicou V/Exa do ordenado de PR por iniciativa própria ou por imposição legal?
5ª Recebe ou não V/Exa alguns milhares de euros como "despesas de representação"?

Fico a aguardar a resposta de V/Exa com o desejo de que a mesma seja de tal forma conclusiva e que, se V/Exa o achar conveniente, venha acompanhada de cópias de documentos, que provem a todos os portugueses que o que por aí circula na Net, não passam de calúnias e intrigas movidas contra a impoluta figura de Sua Exa o Senhor Presidente da República de Portugal.

A terminar e depois de recordar mais uma das suas afirmações na TV, lembro uma frase do meu avô, há muito falecido, alentejano, analfabeto e vertical:

" NÃO HÁ HOMENS MUITO, OU POUCO SÉRIOS, HÁ HOMENS SÉRIOS E OUTRAS COISAS QUE PARECEM HOMENS".

Por mim, com a idade que tenho, já não preciso nem quero nascer outra vez, basta-me morrer como tenho vivido.
Sério.

Com os meus melhores cumprimentos.

José Nogueira Pardal

faltam algumas horas para o 25 de Abril e eu só tenho vontade de chorar

Não ponho aqui um cravo,
que mo usurparam os que todos os dias matam Abril.
Como posso eu usar o mesmo símbolo que eles conspurcam?




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vergonha, que vergonha!

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documentário a não perder!

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Donos de Portugal estreia na RTP 2
24 para 25 de Abril, às 2h

Donos de Portugal é um documentário de Jorge Costa sobre cem anos de poder económico. O filme retrata a proteção do Estado às famílias que dominaram a economia do país, as suas estratégias de conservação de poder e acumulação de riqueza.

Mello, Champalimaud, Espírito Santo – as fortunas cruzam-se pelo casamento e integram-se na finança. Ameaçado pelo fim da ditadura, o seu poder reconstitui-se sob a democracia, a partir das privatizações e da promiscuidade com o poder político. Novos grupos económicos – Amorim, Sonae, Jerónimo Martins - afirmam-se sobre a mesma base.

No momento em que a crise desvenda todos os limites do modelo de desenvolvimento económico português, este filme apresenta os protagonistas e as grandes opções que nos trouxeram até aqui.

Produzido para a RTP 2 no âmbito do Instituto de História Contemporânea, o filme tem montagem de Edgar Feldman e locução de Fernando Alves.

A estreia televisiva insere-se no Dia D, iniciativa de divulgação de documentários de produção nacional na RTP2, e está prevista para cerca das 2h00, de 24 para 25 de Abril. A partir desse momento, o documentário estará disponível na íntegra em www.donosdeportugal.net.

Donos de Portugal é baseado no livro homónimo de Jorge Costa, Cecília Honório, Luís Fazenda, Francisco Louçã e Fernando Rosas, editado em 2011 pela Afrontamento e que mais de 12 mil exemplares vendidos.

Ficha técnica - Trailer curto - Trailer longo

www.donosdeportugal.net
http://www.facebook.com/donosdeportugal

Jorge Costa

Dias 24 e 25 de abril, na RTP2

Durante 24 horas consecutivas, a RTP2 exibe documentários portugueses em estreia televisiva. Alguns recentemente premiados nos mais importantes festivais, outros a serem agora exibidos pela primeira vez. É o Dia D na sua quarta edição. A festa do documentário nacional é na RTP2, a estação dos documentários.

Porquê no 25 de Abril? Porque é a data em que Portugal celebra o valor da liberdade. E porque o documentário é, de entre todos os géneros cinematográficos, aquele que mais necessita de liberdade para florescer.
(...)
O documentário tem contribuído de forma decisiva para o autoconhecimento dos indivíduos e das sociedades e para o pensamento sobre os indivíduos e as sociedades. Ou seja, o documentário serve a qualidade da nossa vida e a qualidade da nossa democracia. A acrescer a tudo isto, o género documental tem produzido obras que se fixarão na história da arte.

Ciente de todos estes aspetos, a RTP2 celebra a liberdade com uma maratona de documentários nacionais. A festa começa no dia 24 de abril às 22h45 e segue, ininterrupta, até às 22h00 do dia 25 de abril. E ainda tem um último documentário nesta noite. É o quarto ano de Dia D na RTP2.
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falta um dia para o 25 de Abril e eu só tenho vontade de chorar

«Concretamente aqui na 'escola prática' (de cavalaria, Santarém), é no dia 24 (de Abril, 1974), de manhã, que começo a dizer aos indivíduos: "É pá, vamos fazer isto!" - porque até lá, a gente conversava, a dizer: " isto está mal, temos que mudar … mas não se saía daqui ..  » - Salgueiro Maia
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Salgueiro Maia em entrevista:
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Zeca Afonso: a canção mais proibida durante a ditadura:

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URGENTE: 25 de Abril precisa-se!

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Associação 25 de Abril sai pela primeira vez das comemorações da revolução

Apresentado manifesto “Abril não desarma”
23.04.2012 -  por Lusa

O anúncio foi feito hoje, em Lisboa, pela direcção da associação que numa conferência de imprensa apresentou um manifesto intitulado “Abril não desarma”, lido por Vasco Lourenço. 
  « O poder político que actualmente governa Portugal configura um outro ciclo político que está contra o 25 de Abril, os seus ideais e os seus valores. ». 
Em conformidade, a Associação 25 de Abril anuncia que não participará nos actos oficiais nacionais evocativos do 38.º aniversário do 25 de Abril”, lê-se no texto.

O manifesto, lido pelo presidente da associação, esclarece que, porém, a associação “participará nas comemorações populares e outros actos locais de celebração” da revolução de 1974, assim como “continuará a evocar e a comemorar o 25 de Abril numa perspectiva de festa pela acção libertadora e numa perspectiva de luta pela realização dos seus ideais, tendo em consideração a autonomia de decisão e escolha dos cidadãos, nas suas múltiplas expressões.”

“Neste momento difícil para Portugal”, os subscritores do manifesto deixam também um apelo “ao povo português e a todas as suas expressões organizadas para que se mobilizem e ajam, em unidade patriótica, para salvar Portugal, a liberdade, a democracia”. Os militares ressalvam que esta “atitude não visa as instituições de soberania democráticas, não pretendendo confundi-las com os que são seus titulares e exercem o poder”, até porque consideram que “os problemas da democracia se resolvem com mais democracia”.

“Também por isso, a Associação 25 de Abril e, especificamente, os militares de Abril, proclamam que, hoje como ontem, não pretendem assumir qualquer protagonismo político”, lê-se no texto, que sublinha ainda que os subscritores têm “plena consciência da importância da instituição militar, como recurso derradeiro nas encruzilhadas decisivas da História”. “Por isso, declaramos a nossa confiança em que a mesma saberá manter-se firme, em defesa do seu país e do seu povo”, lê-se no texto.

No final da leitura do manifesto, em resposta a questões dos jornalistas, Vasco Lourenço disse que a associação não quer com estas palavras apelar a uma intervenção militar: “De maneira nenhuma, confiamos em que [a instituição militar] saiba comportar-se e não intervenha fora da democracia. Longe de nós qualquer apelo à intervenção militar, antes pelo contrário”, afirmou.

Neste manifesto, que foi feito pela associação, mas “fundamentalmente pelos militares de Abril”, nas palavras de Vasco Lourenço, são várias as críticas ao poder político, começando por considerar que “o contrato social estabelecido na Constituição da República Portuguesa foi rompido pelo poder”.

As medidas e sacrifícios impostos aos cidadãos portugueses ultrapassaram os limites do suportável. Condições inaceitáveis de segurança e bem-estar social atingem a dignidade da pessoa humana”, prossegue o texto, que considera que “o rumo político seguido protege os privilégios, agrava a pobreza e a exclusão social, desvaloriza o trabalho”.

Para os militares de Abril, Portugal não tem uma “justiça capaz” e para os “dirigentes políticos” a “ética é palavra vã”, fazendo do país aquele que tem maiores desigualdades sociais dentro da União Europeia.

A postura nacional no seio da Europa e também no quadro da assistência financeira externa é outra das críticas apontadas pela Associação 25 de Abril: “Portugal não tem sido respeitado entre iguais, na construção institucional comum, a União Europeia. Portugal é tratado com arrogância por poderes externos, o que os nossos governantes aceitam sem protesto e com a auto-satisfação dos subservientes. O nosso estatuto real é hoje o de um ‘protectorado’, com dirigentes sem capacidade autónoma de decisão nos nossos destinos”.

Foi por causa deste cenário que os militares de Abril sentiram “o dever de tomar uma posição cívica e política no quadro da Constituição da República”, uma “posição clara contra a iniquidade, o medo e conformismo” que consideram estarem a instalar-se na sociedade portuguesa.
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23/04/12

memórias de um buzinão

  • 6 meses de buzinão e um governo surdo – Cavaco Silva era o 1º ministro, corria o verão de 1994
  • o governo entende q é preciso recuar (ainda q usando o discurso do papão)

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Ridendo castigat mores (*)

(*) expressão latina que significa “a rir criticam-se os costumes”

tirada daqui: Crónica de Lobo Antunes na revista Visão de há umas semanas:

Ridendo castigat mores

Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida. Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento. Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos. Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos.

Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estóico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade. O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da bondade as vezes é hereditário, dúzias deles. Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão. O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meter os beneméritos em tribunal. Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito. Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá decerto, com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o estou a ver
- Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro
- Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima
- Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos, gestores que o céu lhes dê saúde e boa sorte e demais penitentes de coração puro, espíritos de eleição, seguidores escrupulosos do Evangelho. E com a bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia-miúda no coração. E melhoram-nos obrigando-nos a sacrifícios purificadores, aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade.

As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem, penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas, ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas passaremos sem dificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente. Dá-me vontade? Ajoelho à sua frente indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos.

Vale e Azevedo para os Jerónimos, já!
Loureiro para o Panteão já!
Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já!
Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia. Para a Batalha.
Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram.

Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara. Haja sentido das proporções, haja espírito de medida, haja respeito. Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha de perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca-vergonha contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão presos como provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor Carlos Cruz, hedionda perseguição pessoal com fins inconfessáveis. Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no Conselho de Estado, de onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair. Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar D. José que, aliás, era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de Pombal, esse tirano. Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos. Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar. Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E tereis mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este solzinho. Agradeçam a Linha Branca. Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar. Abaixo o Bem-Estar.

Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a aumentar o peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar aquelas generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a alcunha de cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não comem carne mas podem comer lábios da grossura de bifes do lombo e transformar as caras das mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval.

Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha, e vocês cartazes, cortejos, berros. Proíbam-se os lamentos injustos. Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigo dos Santos vende e, enquanto vender, o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a Academia Francesa. Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os ex-ministros a tomarem conta disto.

Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar? O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos uns aos outros com os bifes das bocas seremos, como é nossa obrigação, felizes.

in Revista Visão
05.04.2012