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25/04/12

e o Zeca, e o Zeca ..


José Afonso foi o maior compositor e intérprete de música de intervenção durante a ditadura fascista que acabaria a 25 de Abril de 1974. Como compositor, soube conciliar de forma notável a música popular e os temas tradicionais com a palavra de protesto. - fonte

traz outro amigo também


os vampiros
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No céu cinzento sob o astro mudo
Batendo as asas pela noite calada
Vêm em bandos com pés de veludo
Chupar o sangue fresco da manada

Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada
Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada

A toda a parte chegam os vampiros
Poisam nos prédios poisam nas calçadas
Trazem no ventre despojos antigos
Mas nada os prende ás vidas acabadas

Eles comem tudo, eles comem tudo
...

Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada

Eles comem tudo, eles comem tudo
... 
No chão do medo tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos na noite abafada
Jazem nos fossos Vítimas dum credo
E não se esgota o sangue da manada

Eles comem tudo, eles comem tudo
...

São os mordomos do universo todo
Senhores à força mandadores sem lei
Enchem as tulhas bebem vinho novo
Dançam a ronda no pinhal do rei

Eles comem tudo, eles comem tudo
...

Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada

Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada
...


a morte saiu à rua (sb. José Dias Coelho, assassinado pela PIDE)



venham mais cinco



menina dos olhos tristes (sb a guerra colonial)



era de noite e levaram (sb. as perseguições da PIDE)



menino do bairro negro



último concerto, no Coliseu de Lisboa: Grândola
29 de Janeiro de 1983


José Afonso, o Zeca, morreu há 25 anos, a 23 de Fevereiro de 1987

06/01/12

da corda que há-de rebentar

Ando sem vontade para escrever, visitar facebooks, ler mails .. Cheguei a um ponto de saturação que me dá alergias, me põe fisicamente doente. Já não suporto mais más notícias, rádio, tv, jornais. Não espero nada do novo ano. Nada que não seja esta agressão, este constante aviltar-me, a mim e aos outros todos, pobre povo, nação cadente. Os 'coronéis' que nos mandam emigrar, nos invadem a casa, a alma, os nervos, anunciando medidas de austeridade atrás de medidas de austeridade, torpes. Penúria só para nós, entenda-se, que eles continuam-bem-graças-a-deus. Olho para as minhas colegas, na escola, vejo-me ao espelho. A mesma desesperança muda, o olhar vazio, o ar cansado.  Desejos de bom natal, feliz ano novo, soam como insultos, irreverências. Não falamos do que nos preocupa, a prestação da casa, as contas, a electricidade o supermercado os transportes os medicamentos os filhos. Olhamo-nos, o tempo breve antes que as lágrimas saltem.
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O Zé Mário Branco diz, numa carta aí abaixo: «Não creio que se possa descer mais fundo, e isso dá-me esperança.» Eu .. vacilo entre a esperança e o medo. Sei que uma corda demasiado esticada acaba inevitavelmente por partir. Que pouco faltará para que se reproduzam aqui os conflitos que agora assolam os Estados Unidos, como no verão passado a Grã Bretanha e há um par de anos a França. Conflitos que serão uma raiva a extravasar, mais que justificada. Mas aí, será o meu opel corsa velho de quase 10 anos que vai ser queimado nas ruas, as modestas montras dos modestos comerciantes meus conhecidos que vão ser partidas. Os responsáveis por isto tudo, os políticos os gestores os banqueiros os comparsas todos - incompetentes, corruptos, aproveitadores, ladrões de casaca -  esses, não vão sofrer um beliscão. Esses vão continuar a sua política de enganos para papalvos ignorantes, entorpecidos.
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Eu .. já não tenho ânimo, há muito que perdi a alma e a esperança de poder mudar o que quer que seja.  Apenas um assomo de inquietude me leva a publicar, agora, coisas de outros  mais resistentes do que eu, textos, canções que espero possam ainda ... Não, não espero. Não espero nada. Et pourtant.. aí ficam, para quem as (des?)conheça..


.. Martin Luther King Jr, a propósito da atitude de rebeldia de Rosa Parks em 1955:
"Actually, no one can understand the action of Mrs. Parks unless he realizes that eventually the cup of endurance runs over, and the human personality cries out, 'I can take it no longer.'"- MLK, Stride Toward Freedom, 1958 - fonte
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é.. e pergunto-me: quantas mais gotas de água serão precisas para que o copo finalmente transborde?
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22/10/11

canções que são bandeiras

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versão muito + interessante (ñ permite incorporação)- A NÃO PERDER! -  aqui
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  • "A Change Is Gonna Come" is a 1964 single by R&B singer-songwriter Sam Cooke
  • blowin' in the wind - lyrics  + tradução
  • the times they are a-changing - lyrics.+ tradução