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| img. daqui . |
Em Lisboa,
todas as marés vão dar ao
Marquês de Pombal,
pelas 16 horas
Obra emblemática do movimento revolucionário português, FMI é um álbum do músico e compositor portuense José Mário Branco, que também dá nome à canção, de cerca de 20 minutos, que foi escrita "de um só jorro, numa noite de Fevereiro de 79". Nesta canção José Mário Branco revela, despudorada e premonitoriamente, numa "catarse cénica" (JMB), o rescaldo do período revolucionário e da sua inquietação pessoal. Resulta um retrato social muito nítido. - fonte
.-- na RTP (e acho q só havia um canal) passava então a 1ª tele-novela (brasileira): Gabriela, de Jorge Amado
Tejo que levas as águas
correndo de par em par
lava a cidade de mágoas
leva as mágoas para o mar
Lava-a de crimes espantos
de roubos, fomes, terrores,
lava a cidade de quantos
do ódio fingem amores
Leva nas águas as grades
de aço e silêncio forjadas
deixa soltar-se a verdade
das bocas amordaçadas
de Cruzeiro Seixas (img esticada)
Lava bancos e empresas
dos comedores de dinheiro
que dos salários de tristeza
arrecadam lucro inteiro
Lava palácios vivendas
casebres bairros da lata
leva negócios e rendas
que a uns farta e a outros mata
Tejo que levas as águas
correndo de par em par
lava a cidade de mágoas
leva as mágoas para o mar
Lava avenidas de vícios
vielas de amores venais
lava albergues e hospícios
cadeias e hospitais
Afoga empenhos favores
vãs glórias, ocas palmas
leva o poder dos senhores
que compram corpos e almas
Leva nas águas as grades
...
Das camas de amor comprado
desata abraços de lodo
rostos corpos destroçados
lava-os com sal e iodo