- as imagens das colunas laterais têm quase todas links ..
- nas páginas 'autónomas' (abaixo) vou recolhendo posts recuperados do 'vento 1', acrescentando algo novo ..

15/01/14

fisco, "prémios de valor substancial"--quem paga???

de Paula Rego

à Autoridade Tributária e Aduaneira que me enviou um e-mail sobre "fantásticos sorteios" abrangendo quem peça facturas sistemáticas, reposta:

Exmo. Senhor,
Diretor Geral da AT 

Muito me congratulo com o esforço de combate à fraude. 
Gostaria no entanto que, por favor, me informasse sobre quem vai recair o ónus dos referidos "prémios de valor substancial" a sortear, já que suspeito virem a ser os sucessivos cortes sobre pensões e reformas ou os sucessivamente taxados ordenados dos funcionários públicos, bem como o seu despedimento massivo, que vão financiar todo o processo, caso em que acho que vou prescindir do meu "papel no combate à economia paralela e à evasão fiscal". 
Acrescento apenas que, nas presentes circunstâncias de crise, em que, por exemplo, os serviços de restauração são taxados a uns inaceitáveis 23% de IVA, não tenho nenhuma intenção de contribuir para a falência de mais uma das inúmeras lojas que, à minha volta, vejo todos os dias encerrarem as portas. 
  • Não, enquanto as grandes empresas continuarem a acumular lucros exorbitantes e os privilegiados deste país a auferir ordenados e reformas principescos. 
  • Não enquanto o Estado continuar a esbanjar os dinheiros públicos, por exemplo, em sucessivas aquisições de viaturas de luxo, ou numa multiplicação de contratos a imberbes assessores e especialistas de coisa nenhuma, sem que se obriguem, esses, a cumprir o seu dever, já não espero de solidariedade, mas, pelo menos, de cidadania. 

Sem outro assunto,
melhores cumprimentos,
Ana Lima,
professora aposentada

As pegadas que a Troika deixa


no Público,
15 de Janeiro de 2013

por Santana Castilho *

As pegadas que a Troika deixa


Um requerimento potestativo (figura regulamentar que permitiu a audição independentemente de contestação por parte da bancada que apoia o Governo) levou Nuno Crato ao Parlamento. O ministro sustentou que a evolução positiva dos resultados obtidos pelos estudantes portugueses em sede do PISA não pode ser atribuída a um programa homologado em 2007, cuja generalização só se consumou em 2010. Crato referia-se ao programa de Matemática, lançado em tempos de Maria de Lurdes Rodrigues. Mas a questão em análise não era essa e o ministro da Educação não a podia ignorar. A questão era, e é, Crato explicar por que mudou esse programa num contexto tão positivo de resultados, sem que exista a mínima avaliação sobre aquilo que muda. A questão era, e é, ter operado muitas outras mudanças, que a maioria das associações profissionais de professores apoda de retrocessos inaceitáveis.

Há factos notoriamente positivos sobre os resultados do desempenho dos nossos estudantes, que os mais conceituados programas internacionais de avaliação educacional têm evidenciado. Crato, antes de ser ministro, maximizava esses processos. Crato, ministro, minimiza-os e desvaloriza-os. Essas evoluções não são certamente resultado de um só programa ou de um só ministro. São fruto de múltiplas variáveis e, em minha opinião, apesar dos ministros e das políticas. Mas o mesmo ministro que acusou o PS de estar a fazer aproveitamento político dos resultados do PISA, disse logo a seguir que “em 2015, Portugal tem condições para estar no pelotão da frente” dos melhores do PISA. Ou seja: o que recusou a Lurdes e ao programa de 2007 (apesar de resultados já medidos), prevê para ele próprio e para o seu programa de 2013, para resultados ainda a medir, em 2015. Dispenso-me de qualificar. Vou antes glosar, olhando para o mais que nos cerca.

Quando a legislatura acabar, os portugueses que trabalham, e muito particularmente os professores, terão perdido duas décadas de salários e de direitos básicos, ante uma inevitabilidade fabricada por um pequeno grupo elitista. Crato pertence-lhe e nunca surpreendeu os mais atentos. Quem tivesse ouvido com atenção, e sublinho atenção, a comunicação apresentada em 2009 ao “Fórum Portugal de Verdade”, não se surpreenderia com o que se seguiu: o enterro definitivo da eleição aberta dos directores; a diminuição do peso dos professores nos conselhos gerais; o aumento da promiscuidade entre a política partidária e a gestão pedagógica do ensino; a protecção da tirania e do caciquismo; a adulteração do sentido mais nobre do estatuto da carreira docente; a consolidação dos mega-agrupamentos; a extinção da transparência e da universalidade dos concursos de recrutamento de professores e a subserviência à corporação do ensino privado, por forma que a Constituição proíbe.

A falácia que Crato projecta para 2015 não se circunscreve a ele. Encontramo-la já colada à celebração de outro êxito, o de 17 de Maio próximo. Como se mais relevante que a saída da Troika (ainda que meramente formal, que não de facto, como sabemos) não fosse o estado em que país fica. E quem melhor que Crato e as políticas para a Educação o ilustra?

O corte brutal da despesa pública em Educação não aumentou só, e de modo drástico, as desigualdades sociais entre nós (um inquérito encomendado pela Comissão Europeia à consultora Mackenzie, divulgado recentemente em Bruxelas, mostra que 38% dos jovens portugueses queriam prosseguir os seus estudos mas não os conseguem pagar). Esse corte, para além de empobrecer os portugueses, empobreceu o maior capital para o desenvolvimento do país. Porque é universalmente reconhecido que a Educação é fonte de riqueza e que há uma relação incontornável entre o nível educacional dos povos e o seu desenvolvimento económico. Aquilo que para a generalidade de pensadores é investimento (educação e ciência), é para este Governo um simples custo. A expressão financeira das suas políticas mostra-o a qualquer que se dê ao trabalho de compulsar os orçamentos de Estado de 2011 a 2014: o corte na despesa feita com os ensinos básico e secundário, entre 2011 e 2014, cifrou-se em 1.327,7 milhões de euros; às crianças com necessidades educativas especiais foram cortados, no mesmo período, cerca de 36 milhões; a ciência e o ensino superior perderam, em conjunto, 223,8 milhões (cerca de metade dos orçamentos das instituições de ensino superior são hoje constituídos por receitas próprias e o esforço das famílias para suportar custos de estudos quintuplicou na última década). E porque persistem os que dizem que gastamos mais que os nossos parceiros, ficam os números que comparam as despesas médias da União Europeia, por aluno, com as nossas (Education at a Glance, 2013), expressas em dólares e considerando a paridade do poder de compra: no ensino básico gastamos 5.922 e a UE 8.277; no secundário gastamos 8.882 e a UE 9.471; no superior gastamos 10.578 e a UE 12.856.

Estas são, caro Leitor, pegadas que a TroiKa deixa e que demorarão muito a apagar. 


* Professor do ensino superior

14/01/14

as verdades do Portas-antes

«Os quadros dos partidos são muito medíocres, porque acham que aquela é a melhor forma de subir na vida.» !!!!!!!!!! -- Paulo Portas, no vídeo abaixo

Ora nem mais, senhor PP!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 

'bora lá?

recebido via e-mail:

Proposta de Emenda à Constituição 
de iniciativa popular: 
"A Liberdade conduzindo o Povo", de Delacroix

Lei de Reforma da Assembleia 

  1. O deputado será assalariado somente durante o mandato. Não haverá 'reforma pelo tempo de deputado', mas contará o prazo de mandato exercido para agregar ao seu tempo de serviço junto ao INSS referente ao seu trabalho como cidadão normal. 
  2. A Assembleia (deputados e funcionários) contribui para o INSS. Toda a contribuição (passada, presente e futura) para o fundo actual de reforma da Assembleia passará para o regime do INSS imediatamente. Os senhores deputados participarão dos benefícios dentro do regime do INSS, exactamente como todos outros portugueses. O fundo de reforma não pode ser usado para qualquer outra finalidade. 
  3. Os senhores deputados e assessores devem pagar os seus planos de reforma, assim como todos os outros portugueses. 
  4. Aos deputados fica vedado aumentar os seus próprios salários e gratificações fora dos padrões do crescimento de salários da população em geral, no mesmo período. 
  5. Os deputados e seus agregados perdem os seus actuais seguros de saúde, pagos pelos contribuintes, e passam a participar do mesmo sistema de saúde do povo português. 
  6. A Assembleia deve igualmente cumprir todas as leis que impõe ao povo português, sem qualquer imunidade que não aquela referente à total liberdade de expressão quando na tribuna da Assembleia. 
  7. Exercer um mandato na Assembleia é uma honra, um privilégio e uma responsabilidade, não uma carreira. Os deputados não devem "servir" mais de duas legislaturas consecutivas. 
  8. É vedada a actividade de lobista ou de 'consultor' quando o objecto tiver qualquer laço com a causa pública. "

Se concorda com o exposto, REPASSE e DIVULGUE. 
Caso contrário, ignore e durma sossegado.

13/01/14

e há homens, também..


de Luís Dourdil
 o mar nos olhos

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes...
e calma



(Sophia de Mello Breyner Andresen)

05/01/14

breathless


Vi ontem o filme "12 anos escravo".

Óptimo, breathtaking

O filme é de uma violência, de uma tensão permanentes, esmagadoras. 

Comentei com o meu filho, quando saímos: "Ninguém tossiu" - Foi no cinema Fonte Nova, a sala estava cheia, havia muita gente mais velha do que eu. Ninguém tossiu, em nenhum momento = ninguém respirou profundamente, nunca. Um esmagamento de pulmões e de estômago, uma raiva que cresce e não encontra espaço de vazar.

Pesquisando agora, fico a saber que o realizador, Steven Rodney Mcqueen (que não conhecia), é inglês, nascido em Londres. Explicado o "toque" europeu do filme, a fotografia fantástica, a câmara que por vezes (se) pára e se fixa, (in)quieta, exterior ao drama dos personagens, como pondo-se de parte, fugindo. As paisagens deslumbrantes, idílicas, em profundo contraste com o inferno da h(H)istória.

Também não há música de fundo, as únicas vozes voluntárias, espontâneas, o coro dos negros, e lembro-me especialmente de um funeral. O único som existindo em dignidade, a única, assumida, verdade.

Tensão. Uma vontade de ter uma foice e matar de um golpe aqueles brancos todos, branca que sou, também. Gente que não é gente. Que impõe a leitura da bíblia à sua "propriedade". Que nela encontra justificações para a ignomínia mais ignóbil. Que diz coisas impensáveis, inconcebíveis: «uma refeição e descanso, e depressa esqueces os teus filhos!».
Vergonha pela dita "raça", vergonha pela humanidade toda. 
Como foi possível, isto? 
Como foram possíveis esta, todas as atrocidades cometidas ao longo de séculos?

A tensão, a raiva, a dor. 

O paralelismo que estabeleço com a (i)lógica dos nossos governantes-hoje. 
O acreditarem eles numa qualquer teoria justificadora do horror, das medidas fratricidas, da iniquidade. E a arrogância de quem se julga superior, o convencimento mais auto-convencido
A prepotência sobre o outro, seja ele de preferência o mais fraco - os negros ou os judeus de antes, os pensionistas, os velhos, os doentes, agora. Mercadoria, todos, Propriedade.

Sempre os "senhores de escravos" encontrarão perdão para o pecado (sin? What sin?!), sempre os destituídos de moral encontrarão bodes expiatórios, culpados estes de uma qualquer praga ou de uma qualquer ... crise?!... , divina ou não. 

A culpa própria inexistindo, o estar-se acima de qualquer julgamento, de qualquer Justiça. 
Assim é a história, a miséria desta condição chamada "humana".

02/01/14

Um abraço aos professores portugueses

no Público,
2 de Janeiro de 2014

por Santana Castilho *

Um abraço aos professores portugueses


Há crónicas que nascem de jacto, outras que se arrastam. Comecei por ensaiar uma retrospectiva sobre o ano que terminou. Abandonei. Digitei linhas e linhas sobre o ano que vai seguir-se. Não gostei. Parei e recordei. Porque é mau que percamos a memória colectiva. 

Recordei escolas fechadas aos milhares, Portugal interior fora. Recordei os protestos, onde hoje vejo esquecimento. 

Recordei as falsas aulas de substituição, com que Maria de Lurdes Rodrigues iniciou a proletarização dos professores. Perdeu em tribunal mas abriu um caminho sinistro. E hoje vejo Crato, oportuno, trilhá-lo com zelo. 

Recordei a divisão dos professores em titulares e outros. Caiu a aberração mas persiste a tentação. De que outra forma se explica a disponibilidade para examinar colegas a três euros por cabeça? 

Recordei o altruísmo anónimo por parte de professores, que testemunho há décadas, no combate nacional ao abandono escolar precoce. Vejo, atónito, o novo desígnio governamental de promover o abandono docente precoce. 

Recordei a indignação nas ruas e a contemporização nos memorandos e nos entendimentos. E hoje vejo o desalento de tantos que desacreditaram. 

Recordei dois que acabam de partir e senti raiva por tantos que, vivos, são mortos para a profissão. E pergunto-me se, algum dia, muitos, com nome, responderão pelos futuros que destruíram. 

Recordei a infame guerra em curso aos professores, a quem, em fartas partes, se deve o notório aumento das qualificações dos portugueses. Mau grado desencontros e desencantos. 

Recordei dados recentes (2013 Global Teacher Status Index, Varkey GEMS Foundation) de um estudo que apurou a atitude das sociedades desenvolvidas relativamente aos seus docentes. E vi o estatuto social dos professores portugueses no último terço da tabela, bem atrás da maioria dos seus parceiros europeus. E vi, sem espanto, que apenas 12% dos portugueses encorajam os filhos a serem professores (o segundo pior resultado do universo estudado). 

Recordei, a propósito, que a International Association for the Evaluation of Educational Achievement realiza, cada quatro anos, dois estudos conceituados internacionalmente: o TIMMS (Trends in International Mathematics and Science Study) e o PIRLS (Progress in International Reading Literacy Study). Portugal participou na edição de ambos de 1995, tendo ficado nos últimos lugares do ranking. Ausente dos estudos de 1999, 2003 e 2007, voltou a ser cotado em 2011. Entre 50 países, ficou no 15º lugar em Matemática e 19º em ciências. Entre 45 países, foi 19º no PIRLS. Em valor absoluto, os resultados foram positivamente relevantes. Foram-no, ainda mais, em valor relativo: de 1995 para 2011, foi Portugal o país que mais progrediu em Matemática e o segundo que mais avançou no ensino das ciências; se reduzirmos o universo aos países da União Europeia, estamos na 12ª posição em ciências, 7ª em Matemática e 8ª em leitura; se ponderarmos estes resultados face ao estatuto económico e financeiro das famílias e dos estados com que nos comparamos, o seu significado aumenta e deita por terra o discurso dos que destratam os professores. Estes resultados, é bom e actual recordá-lo, são fruto do trabalho dos professores portugueses. 

Recordei outro estudo, promovido por Joana Santos Rita e Ivone Patrão, investigadoras do Instituto Superior de Psicologia Aplicada, segundo o qual metade dos professores portugueses sofre de stress, ansiedade e exaustão. E vi que as causas apuradas são o excesso de trabalho e de burocracia e a pressão para o sucesso. E vi, vejo, o que o ministro Crato tem por sucesso: caminhos que desprezam a natureza axiológica da Educação, tentando impor-lhe o modelo de mercado, fora ela simples serviço circunscrito a objectivos utilitários e instrumentais, regulada apenas por normas de eficácia e eficiência. 

E recordei, então, uma carta a um professor, transcrita num livro de João Viegas Fernandes (Saberes, Competências, Valores e Afectos, Plátano Editores, Lisboa, 2001): 

“… Sou sobrevivente de um campo de concentração. Os meus olhos viram o que jamais olhos humanos deveriam poder ver: câmaras de gás construídas por engenheiros doutorados; adolescentes envenenados por físicos eruditos; crianças assassinadas por enfermeiras diplomadas; mulheres e bebés queimados por bacharéis e licenciados… 
 … Eis o meu apelo: ajudem os vossos alunos a serem humanos. Que os vossos esforços nunca possam produzir monstros instruídos, psicopatas competentes, Eichmanns educados. A leitura, a escrita e a aritmética só são importantes se tornarem as nossas crianças mais humanas". 

Basta um esforço ínfimo de memória para qualquer se aperceber de quanto deve aos professores. Chega uma réstia de inteligência para qualquer perceber que um ataque aos professores é um ataque ao futuro colectivo. Porque tenho a graça de ter voz pública, começo 2014 com um abraço aos professores portugueses. 

*Professor do Ensino Superior

31/12/13

BOM 2014!

À MINHA FAMÍLIA,
AOS MEUS AMIGOS E AMIGAS,
A TODAS AS PESSOAS DE BEM,

DESEJO UM BOM ANO NOVO. 

de Franz Marc, expressionista alemão (Der Blaue Reiter)
Desejo que os vossos/nossos anseios possam tornar-se realidade. 
Desejo que tenhamos todos muita saúde, muitas ganas de fazer coisas. 
Desejo que este país se torne brevemente «qualquer coisa de asseado», 
onde seja possível - e volte a apetecer! - VIVER, 
onde reencontremos todos a JUSTIÇA, a DIGNIDADE. 

Beijos, abraços a todos!
Até para o ano!

28/12/13

"agarrar" em 2014

retirado do facebook

a contribuição cívica e o apelo
de Carlos Manuel Moreno
de Egon Schiele


Com os nossos corações e com as nossas razões, isto é, respectivamente, com amor, solidariedade e desinstalação das nossas pequenas comodidades, mas também com inteligência, pragmatismo e eficácia temos de começar a preparar, com empenho, eficiência e avaliação contínua de resultados, o ano de 2014, na sociedade civil, para que a esperança, sempre e apenas fundada na verdade e na confiança, possa começar a despontar nos nossos horizontes de pessoas com alma, depois de 3 anos de duro e implacável sofrimento físico e moral! 

Por mim, e aqui vos deixo a promessa, darei todos os contributos ao meu alcance para que uma sociedade civil viva, dinâmica, informada, conhecedora da realidade política, financeira, económica e social do país e da vida dos portugueses, assuma e afirme publicamente alternativas que estudou, preparou e em que acredita para pôr ao serviço do bem comum, do país e sobretudo das pessoas, dos cidadãos que nele mais frágeis se mostram ou mais sofrem, na carne e no espírito, a maioria das vezes em silêncio! 

2013 confirmou que o caminho percorrido da austeridade exclusiva, pura e dura, destruidora de tudo e de todos, com excepção de pequenos resultados no domínio do saneamento das contas públicas, e que alguns querem continuar a percorrer, não resolveu nenhum dos que considero serem os nossos grandes problemas como país e, em especial como pessoas, como portugueses, excepto em alguns aspectos ou nalguns domínios em relação aos quais a sociedade civil decidiu tomar as rédeas da respectiva resolução! 

Foram os casos, por exemplo, da dinamização e da internacionalização das exportações, nas quais múltiplos empresários, sós, se empenharam, ousaram e tudo arriscaram para salvar o que era ainda possível salvar da nossa economia e do nosso emprego e de uma solidariedade social que percorreu todo o país, sem limites de amor e de dedicação, e que no terreno, com extraordinária eficácia, minorou fome e tantas e tantas outras dores de portugueses. 

Não nos vamos calar quanto ao que de mal ou pior continuar acontecer na nossa vida colectiva. 

Mas vamos agarrar na fome, na pobreza, no desemprego, na emigração, no não nascimento de bebés, numa economia paralisada, numa sociedade com oposição fraca e sem contraditório, que prima pala falta ou insuficiência de informação clara, etc., etc., e vamos tentar encontrar respostas alternativas que devolvam uma réstea de esperança aos portugueses e ao nosso país. 

Venha daí dando as suas opiniões , as suas propostas, as suas vias, o seu contraditório, as suas soluções. Juntos podemos ter força para ajudarmos Portugal e os portugueses a deitarem a cabeça, e a vida, para fora do buraco em que a enterraram! Obrigado 

Carlos Moreno, 28.12.2013

26/12/13

História Geral da África


Para aprender mais e de GRAÇA!
A UNESCO preparou 8 volumes completíssimos sobre a África.
fonte


A História Geral da África está disponível para download em diversas línguas, inclusive, em português! 

Dentro desse post, você pode baixar os volumes e enriquecer o seu conhecimento! 

http://www.pordentrodaafrica.com/cultura/para-aprender-conheca-e-tenha-em-casa-a-serie-de-8-volumes-da-historia-geral-da-africa

um perdão hipócrita e selectivo

----------------e foram os índios, foram os negros.
Foram os judeus e os ciganos.
Foram/são as mulheres, ainda, sempre, em alguma parte ..
São hoje, mais do que todos, os homossexuais.
Beata falsa e moralista sem ética, sempre a humanidade se armará em carrasco. Sempre elegerá as suas vítimas de estimação.
Porra de humanidade.
Ontem foi natal......


 * . * . *

Uma vítima da unicidade sexual e o perdão selectivo 


Alan Turing *
O perdão real de Isabel II a Alan Turing não passa de uma demonstração de hipocrisia monárquica que só não surpreende de todo se tivermos em conta que provem de uma das mais pronunciadamente decadentes famílias reais.
De facto, já bem entrados no século XXI, vir “perdoar” a pena aplicada a Turing em 1952 pelo “crime de homossexualidade” (cometido, por consentimento mútuo, com um outro adulto), o qual, cumulativamente, se submeteu a castração química para evitar a prisão, é uma indignidade acrescentada à monstruosidade que representou a repressão da homossexualidade na Grã Bretanha durante o século XX e que vitimou mais de 50.000 homens, criminalizados devido à sua orientação sexual ser divergente da maioria e consagrada como única.
Mas, para além do farisaísmo do acto de se “perdoar” aquilo que nunca devia ser cometido, em vez do requerido como justo e que seria um pedido de desculpas a acompanhar a anulação à posteriori do processo judicial conexo, acontece que este “perdão” perante a punição dos homossexuais britânicos foi efectuada apenas para com Turing (uma celebridade, um génio, um herói) deixando-se as outras dezenas de milhares de homossexuais punidos pelas mesmas razões a permanecerem na memória da vergonha do castigo injusto. Ou seja, dificilmente se imagina um outro perdão real tão selectivamente “aristocrático”. -- fonte

 * . * . * 
* 'Alan Turing's experience is a tragic, shameful episode in our recent history, but while the tragedy was his, the shame was entirely the nation’s.' Photograph: Sherborne School/AFP/Getty Images
Alan Turing's pardon is wrong 

To single out Turing is to say all the other persecuted gay men are not so deserving of justice because they were less exceptional 

 * . * . * 

no Público,
24/12/2013  


21/12/13

... fazer ... alguma coisa ... cafés "SUSPENSOS"

recebido via e-mail

---------- uma prática fácil, que podia "pegar" por aqui:

“Cafés suspensos"
 
Entramos num pequeno café na Bélgica com um colega meu e fizemos o nosso pedido.
Enquanto estamos a aproximar-nos da nossa mesa duas pessoas chegam e vão para o balcão:
- "Cinco cafés, por favor. Dois deles para nós e três suspensos."

Eles pagaram a sua conta, pegaram em dois e saíram.
Perguntei ao meu amigo:
- "O que são esses cafés suspensos?"


O meu amigo respondeu-me:
- "Espera e vais ver."

Algumas pessoas mais entraram. Duas meninas pediram um café cada, pagaram e foram embora.
A ordem seguinte foi para sete cafés e foi feita por três advogados - três para eles e quatro "suspensos".
Enquanto eu ainda me pergunto qual é o significado dos "suspensos", eles saem.

De repente, um homem vestido com roupas gastas que parece um mendigo chega na porta e pede cordialmente:
- "Você tem um café suspenso?"

Resumindo, 
as pessoas pagam com antecedência um café, que servirá para quem não pode pagar uma bebida quente.
 
Esta tradição começou em Nápoles, mas espalhou-se por todo o mundo e 

em alguns lugares é possível encomendar não só cafés "suspensos", mas também um sanduíche ou refeição inteira.

--------------------------

tarte de maçã

....... com a devida vénia à minha amiga Elisabete Miguel, que me deu a receita .. :), uma sobremesa fácil e saudável:


ingredientes:
  • 200 g de farinha (normal, sem fermento)
  • 125 g de manteiga
  • 25 g de açúcar
  • (1 ovo inteiro)
  • 1 kg de maçãs rainetas (q tb se diz reinetas..)

Para fazer a massa:
  1. mistura-se a farinha com a manteiga. Ficando a massa muito espessa e difícil de moldar, acrescenta-se o ovo (gema+clara).
  2. Forra-se o fundo da forma, espalhando bem.
  3. Pica-se a massa com um garfo (já na forma) e leva-se ao forno (temperatura alta), +/- 15 minutos
Do quilo de maçãs, retiram-se duas ou três (dependendo do tamanho) para depois "enfeitar"

recheio:
  1. Cozem-se as maçãs restantes (descascadas) com um mínimo de água (quanto mais cortadas - em oitavos, p.ex, mais depressa cozem..)
  2. A meio caminho da cozedura, pode juntar-se açúcar (a gosto) e canela (bastante para quem goste, tipo meio pacote)
  3. Se o puré de maçã estiver pouco consistente, podem juntar-se-lhe (para o fim do tempo de cozedura) 3 folhas de gelatina, previamente demolhadas (cortadas aos bocadinhos) em água fria
Picar de novo a massa, agora meio-cozida.
  1. Deitar este puré (de maçã) na massa.
  2. Enfeita-se com as maçãs que se retiraram ao quilo, em gomos cortados fininhos , em forma de sol ou de flor ou ... como der.
  3. Por cima, pode pincelar-se com uma qq geleia (de preferência de cor amarela - de alperce, maçã, ameixas brancas ), para dar um aspecto brilhante.
  4. Pode ainda polvilhar-se com um qualquer açúcar, para ficar tostado.
Vai ao forno até a maçã tostar.
Se "sobrar" massa, pode acertar-se cortando o excesso com uma tesoura.

A forma convém ser daquelas de fundo destacável.

Boas festas,
bom tudo ...    assim se possa ...........................................

18/12/13

Crato e o ranço a fascismo


de Teresa Dias Coelho, Pain 06
Era o meu primeiro ano em Lisboa, tinha chegado há seis meses. Contrariamente à tradição, em 1972-73 eram as Faculdades de Letras (que eu frequentava) e a de Direito as de maior contestação académica, aquelas onde mais empenhadamente se protestava contra as políticas do regime fascista. 

Em Direito (onde no ano seguinte a minha irmã viria a ser colega do então revolucionário (!) Durão Barroso), o governo de Marcelo Caetano já tinha cortado os protestos, as veleidades transformadoras, pela raiz: colocara na faculdade um corpo de antigos comandos incumbidos de zelarem pela "ordem". Todos abrutalhados de corpo e de espírito, todos uns cães ferozes sedentos do sangue dos estudantes, todos imbuídos desse poderzinho de Pirro tão caro aos ditadores. O nome que lhes foi dado, "gorilas", correspondia ao fabulário da altura.

Logo em frente, em Letras, folgavam-nos as costas, fazíamos ainda reuniões clandestinas, distribuíamos panfletos.
Lembro-me bem daquela manhã, de como, consciente do perigo e da ousadia, levara pimenta de casa, na eventualidade de um ataque dos cães-polícia, de como obriguei a minha amiga Judite a estar presente, nervosíssima. Realizava-se mais uma reunião clandestina, os professores que sabiam e não denunciavam, os professores amigos, os professores cúmplices, o Lindley Cintra, o David Mourão-Ferreia, citando só os mais activos. Éramos ... os estudantes quase todos. Dávamos voz à revolta, à urgência de uma mudança, nomeadamente a nível da qualidade do ensino superior. Havia nesse ano, nessa época, gente muito bem falante na Faculdade de Letras, gente muito informada, que anos depois haveria de tornar-se conhecida, integrar governos, partidos, instituições. Eu ouvia e aprendia só, os meus 18 anos viseenses desconhecedores de quase tudo. Em cada janela da sala estavam plantados estudantes de vigília, em cada porta. 

Foi então que percebemos que qualquer coisa se passava em Direito. Gente cá fora, corridas, gritos, uma enorme confusão. Viríamos a saber, depois (não esquecer que não havia telemóveis!!) da rebelião apesar dos "gorilas", o carro do professor-fascista Martinez virado na rua.
Logo a seguir, o alarme dado por quem vigiava a alameda, do lado de dentro das janelas: "Chegou a polícia de choque! Trazem cães!» O nervosismo, o pavor. Sossegavam-nos os mais experientes, que garantiam que a polícia não ousava entrar na universidade, a opinião pública que não se queria afrontar demasiado. Muitos não aguentaram ficar, fugiram da sala, saíram da faculdade. Cá fora a polícia de choque e os cães, os alunos, os professores presos, o gás lacrimogéneo. A minha amiga Judite que levou com ele..

Presos uns quantos "agitadores", as coisas aquietaram-se, a polícia debandou. Respirava-se excitação, todos a querermos saber do que se passara lá fora, os de Direito, que lhes tinha acontecido...?
Aos poucos, foram-se-nos juntando estudantes de outras faculdades (a única universidade que então existia era a clássica), a de economia, o técnico, amigos que não víamos há muito e chegavam ávidos de notícias e de aventura, todos excitadíssimos, todos meio deslumbrados pela coragem dos de Letras, "que é que lhes deu para assim liderarem o movimento estudantil, pacatas meninas de outrora"...?! Acabámos todos a confraternizar, a trocar informações na Cantina Velha (a única à altura, também), os ânimos exaltadíssimos, efervescente, em todos, visível, o entusiasmo pela ousadia, a própria e a alheia..

Ficou-me gravado na memória como um selo de fogo: contrariamente ao que sempre fazíamos, sugeri que, nesse dia, fôssemos para a fila dos bitoques, no primeiro andar. Não sei se a opção me valeu a vida. Poucos minutos (teriam sido segundos?) depois de termos subido, dei por mim a atirar-me para o chão, reflexo instintivo, inconsciente. Todos, à minha volta, caídos, protegendo-se. No rés-do-chão do "prato-do-dia", as balas («de borracha e disparadas para o ar», viriam eles a alegar, como de costume..), estilhaçavam as paredes de vidro da cantina, acertavam em estudantes atordoados de incredulidade, o pânico-mola que os fazia correr, imponderados. Um deles (e envergonho-me de não lhe lembrar o nome ..) viria a ser assistido no Hospital de Santa Maria, para onde tinha tentado fugir, atingido pelas costas, vinte e tal perfurações no intestino. A sua história, o evoluir do seu estado de saúde, haveria de manter o país suspenso, nos dias que se seguiram. Sobreviveu. As carrinhas que tinham chegado do nada, imprevistas e multiplicadas, os polícias como cães raivosos, couraçados, armados de G3. Dispararam como loucos, sem pré-aviso, sem nada. Almoçávamos. Éramos jovens. Queríamos, apenas, consertar o mundo. Éramos tão jovens! Almoçávamos. (*)

Depois dos incidentes desse dia, passou a haver "gorilas" também em Letras. Intimidavam-nos. Proibiam-nos de andar em grupos (3 já era uma conspiração!), obrigavam-nos a "circular". Qualquer conversa, qualquer "estar-se", uma ameaça. Éramos tratados como se fôssemos terroristas.

Tão tenebrosos, então, como os que hoje, professores, ousaram lutar pela sua dignidade, contra a realização de uma prova iníqua, disparatada, vexatória.

Os "gorilas" viriam a sair de Letras, de Direito, penso que apenas depois do 25 de Abril, apenas depois dessa revolução sonhada, então em processo de gestação nas universidades e nas fábricas da margem sul, nas reuniões clandestinas e nas tipografias, nas ruas e nas casas insonhadas. (**)
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Século XXI, ano 13. A polícia chegou, de novo, às portas das escolas. Ditadores que se enfeitam de alheados mantos, a democracia o mais periclitante, o governo PSD-CDS, o ministro da Educação, todos mestres na "manhosice" instituída. Directores de escola que são tão "gorilas" como esses que se instalaram em Letras e em Direito na década de 70 do século passado, servis lacaios e vingativos, sequiosos do sangue, da alma dos que resistem. Um cheiro fétido de fascismo nas bocas e nos gestos, um odor nauseabundo. E os cúmplices. Cúmplices sem perdão, os professores que pactuaram, que se prestaram a validar a indignidade, vigiando a Prova ACC. Que viram o fascismo de frente, de novo, e não gritaram.
Hoje. Foto retirada daqui
legenda da fotografia:

A polícia de choque está hoje de manhã nas instalações da escola Emídio Navarro, em Almada, na sequência de uma tentativa de invasão do estabelecimento e em dia de prova de avaliação de professores-- fonte
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notícias de 1973:
(*) daqui:
No dia 3 de Maio de 1973, os incidentes ocorridos em Lisboa na Faculdade de Letras e na cantina da Universidade constituíram uma nova expressão dessa violência: cargas de polícias armados sobre estudantes, utilização de granadas de gás lacrimogéneo, cerco da cantina à hora da refeição e intenso tiroteio. Pelo menos 5 estudantes foram atingidos pelos tiros, um dos quais gravemente — o aluno de Medicina Luís Filipe da Silva Simões.

(**) daqui:
Segunda-feira, 14 de Maio de 1973
A polícia de choque, comandada pelo capitão Maltês, reprime uma concentração de estudantes contra a presença de "gorilas" na Universidade A Faculdade de Letras de Lisboa é encerrada por tempo indeterminado. Uma concentração de estudantes com o objectivo de expulsar os «gorilas» será reprimida pela polícia de choque sob o comando do capitão Maltês.

ler também, daqui:  
Radicalismo político e ativismo estudantil nos últimos anos do fascismo (1969-1974)

cRato, rua! A Escola não é tua!!!

foto daqui

Prova de avaliação de professores não se realizou em várias escolas, diz Fenprof

Escolas de Lisboa sem prova de avaliação de professores

Professores boicotaram realização da PACC e queimaram provas em Beja

à boa maneira dos tempos do fascismo ...,
Polícia intervém em protesto de professores contra avaliação

Ohhhhhhhhhhhhh .... os professores, esses terroristas!!!!!

Pois é.. a confusão instalada, à semelhança do que aconteceu em Junho, com a greve aos exames nacionais.
Em vez de se demitir, como devia -- e já ia tarde!! ---
Crato vai marcar nova data para a realização da PACC

A culpa será nossa e só nossa

no Público
de 18 de Dezembro de 2013

por Santana Castilho*

A culpa será nossa e só nossa 

“Entretanto, a nossa querida terra está cheia de manhosos, de manhosos e de manhosos, e de mais manhosos. E numa terra de manhosos não se pode chegar senão a falsos prestígios. É o que há mais agora por aí em Portugal: os falsos prestígios. E vai-se dizer de quem é a culpa de haver manhosos e falsos prestígios: a culpa é nossa e só nossa!” 
José de Almada Negreiros 

1. Depois de rios de tinta corridos sobre a Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades e de tudo dito sobre a ignomínia que representa, noticiou a comunicação social que a UGT havia proposto ao Governo negociações e que, na sequência dessa iniciativa, o MEC decidira dela dispensar os professores contratados com mais de 5 anos de serviço. Porém, o Aviso n.º 14962-A/2013, publicado a 5 de Dezembro, veio dizer que não havia ninguém automaticamente dispensado. Apenas os professores naquelas condições, que informassem o MEC de que não pretendiam realizar a prova, o seriam. Mais vexame, mais burocracia, mais trapalhada. Sim, trapalhada. Porque um aviso não constitui sede legal suficiente para operacionalizar esta decisão arbitrária. Por outro lado, sobraram de imediato perguntas, que só o ministro trapalhão não alcançou: sem fundamento legal, como “informariam” o MEC aqueles que o viessem a fazer? Se outros, com menos anos de serviço, resolvessem igualmente “informar”, com que fundamento legal lhes responderia Crato? Remetê-los-ia para um qualquer recorte de jornal? Para o entendimento com a UGT? Com base em que normativo teriam os eventuais dispensados a garantia de poderem concorrer a lugares de docência, futuramente? E como seriam contados os 5 anos de serviço? Valeria, por exemplo, o eventual desempenho nos ensinos superior ou particular?
de Júlio Pomar, L'étonnement

Escrevo este artigo na véspera da realização da prova e na véspera da greve decretada por alguns sindicatos, para impedir que ela venha a consumar-se. No dia em que este artigo for dado à estampa, os professores, particularmente os do quadro, terão nas suas mãos uma oportunidade de derrotar o ministro e uma oportunidade de dizer ao país que não há professores de primeira e professores de segunda mas, tão-só, professores. Terão a oportunidade de dizer não a uma vergonhosa monstruosidade para segregar ilegalmente do exercício da actividade docente cidadãos legalmente habilitados, porque detentores de uma licença e de um título profissionais, obtidos e regulados pelo regime jurídico da habilitação profissional para a docência na educação pré-escolar e nos ensinos básico e secundário (DL nº 43/2007) e sindicados pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (DL nº 369/2007). Se o não fizerem, a culpa será nossa e só nossa. Nossa, como classe. Porque a questão abalroa a dignidade e a seriedade de uma profissão. 

2. Como repetidas vezes aqui tenho escrito, sou reservado quanto ao significado das conclusões do PISA. Mas no quadro de relativização e de prudência com que o leio, não cabe a desonestidade intelectual que Nuno Crato manifestou quando, depois de uma semana de ensurdecedor silêncio, falou finalmente dos resultados de Portugal. De forma enviesada e escandalosamente contrastante com os tempos em que tinha o PISA como o indicador máximo da qualidade do sistema de ensino, Nuno Crato desvalorizou o que antes endeusava. Porque os nossos resultados derrotam a credibilidade de tudo o que tem dito. Porque os resultados de outros, que servem de modelo à sua política de desastre e de reconfiguração das responsabilidades do Estado, caíram na proporção inversa do nosso progresso. Com efeito, a Suécia, abundantemente referida como exemplo por via da propalada “livre escolha” e do cheque-ensino, foi ultrapassada por Portugal nas três áreas de referência (matemática, leitura e ciências). Sem que possamos atribuir a uma só causa o desaire sueco, a verdade é que, depois da reforma que Crato está a copiar, a Suécia caiu 20 posições na leitura, 14 na matemática e 17 nas ciências. 

3. Penso que apenas duas vezes estive, pessoalmente, com Nuno Crato. Uma porque fomos co-apresentadores de um livro de Gabriel Mithá Ribeiro. Outra porque me convidou para uma sessão que organizou com o seu ídolo Eric Hanushek, no Tagus Park. Pouco se lhe conhece sobre ideias publicadas em matéria de Educação. No livro que lhe deu fama, citou-me. Mas foi precisamente esse livro que me mostrou a ignorância atrevida de Crato. Porque expõe a tendência precoce do autor para falar do que não conhece e ceder facilmente a preconceitos ideológicos, manhosamente apresentados como certezas. E daí para cá, tenho-me ocupado a procurar uma razão para a incoerência, para a tergiversação, para o retrocesso. A prova, o PISA e Almada Negreiros explicam: manhosice. Manhosice sem réstia de sofisticação. Porque quanto mais degradar a imagem social dos professores e mais os dividir, mais fácil será transferir milhões do público para o privado. Se não o entendermos, a culpa será nossa e só nossa. 

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

16/12/13

QUE MERDA É ESTA?

de Cruzeiro Seixas, A Paisagem Exteriormente
Neste momento estou reformada, nenhum vómito deste ministério dito da educação, nenhuma purulência deste vil ministro me afectam já, directamente. Saí, em antecipação e com o INdevido "castigo", sobretudo e precisamente pela incapacidade - física, moral, psicológica - de lhes aturar os desmandos contínuos.
...

Vejo agora constantemente citados, elogiados, resgatados, dois personagens que, fôssemos nós um país (pelo menos uma classe profissional!..) com memória e sentido de decência, não hesitaríamos em levar à barra dos tribunais, por má gestão e crimes de lesa pátria. Falo de José Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues, tão sinistro o ideólogo como a dileta executora,  matadores da escola pública e dos professores, eles antes deste, apatetado coveiro.

(fig.2) JN, 6-12-2013
A chamada Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades foi uma congeminação sua. (ler aqui) . Mais: contra ventos de "incompetência" e marés de "atrapalhação", MLR continua, hoje, a elogiar-lhe a bondade!(ver fig.2) O que ela verdadeiramente teme (estará a pensar regressar?!!)  é que o futuro da "sua" cria esteja comprometido!  A "sinistra-ministra" não esconde que quer a prova. Está longe de lhe questionar a legalidade e a utilidade! Uma burrice, diga-se, que, aproximando-a do doido de serviço, acaba por lhe esburacar essa imagem que tão empenhada tem andado a construir, armada --[ logo ela!!]-- em defensora da escola pública, da educação, da moral e mais do raio que a parta!

Dou-me ainda, às vezes, ao trabalho de tentar compreender, encontrar razões, argumentos, lógicas .. 
Uma prova de acesso à carreira/ avaliação de conhecimentos, .. para quê? Porquê? 
A ministra do governo "socialista", que em 2007 «pretendia iniciar as provas de acesso à profissão e tornar a avaliação numa rotina» (ver aqui) esgrimiu, com a famigerada ADD que tanta desestabilização iniciou, o equívoco argumento dos 'futuros' melhores resultados escolares. 
Pois.
Perguntem a qualquer professor, eventualmente, também, a qualquer aluno que tenha vivido o "antes" e o "depois": O que é que melhorou nas escolas, depois de Maria de Lurdes Rodrigues? Falo por mim, pela minha experiência profissional e pessoal: NADA.  
Tudo piorou, quando se destruíram, animicamente, os professores.
Tudo piorou quando o ECD imposto pela senhora que "ganhou o país", "perdendo-os", os transformou em burocratas de serviço e lhes infernizou a vida, as horas intermináveis passadas na escola, as tarefas insanas, o salário diminuído.
Tudo piorou com a transição da gestão democrática (que desde a revolução dos cravos vigorava nas escolas em Portugal) para a autocracia dos directores, aberto o caminho a potenciais ditadorzinhos sedentos de poleiro e de favores e à inerente corte de bajuladores e fieis servidores/informadores.
Piorou - e de que maneira! - o ambiente nas escolas. Onde havia cooperação e entreajuda, instalou-se competição e desconfiança. Onde antes se fazia (bem) por vontade, passou a fazer-se (mal) por obrigação, tudo muito registado em resmas e resmas de inúteis papeis.
Piorou - e de que maneira! - o estado de sanidade mental dos professores. Atacados e pressionados por todos os lados, menosprezados e contestados no seu papel social, desacreditados (quantas vezes publicamente!..) na sua competência e na validade da sua formação científica e académica (inicial ou contínua) e cada vez mais inseguros quanto ao seu futuro, redesenhado por uma sucessão esquizofrénica de leis, despachos e decretos justapostos e contraditórios, os professores "passaram" para os seus alunos, inevitavelmente, essa desestabilização e esse stress, a disponibilidade para se darem ao "outro" comprometida, inviabilizada.
A "mete-nojo", portanto, que se cale de vez!!!. A sinistra-Lurdes -- que deu cabo da gestão democrática das escolas; que inventou (ela, sim!) a prova de acesso à carreira docente; que criou os hediondos e desumanizados mega-agrupamentos de escolas; que hostilizou quanto pôde e com prazer sádico os professores deste país -- NÃO TEM LEGITIMIDADE MORAL (por muito pior que nos tenha saído o putativo sucessor!) para vir falar, nem da escola pública, nem dos professores, nem de educação!

Relativamente a esta PACC que ela pariu e a que o outro quer dar paternidade,
Não interessa se uns escapam, outros não.
Não interessa se o que, hoje, ameaça uns, pode, futuramente, ameaçar outros.
Não é por aí que devíamos ir. A questão fulcral é a da DIGNIDADE.
Tudo o que agride a nossa inteligência, por ilógico e carecendo de sentido, devia ser rejeitado à partida, e veementemente. Tão simples como isso.
Os professores, todos os professores, têm uma formação inicial. Foram Escolas do Magistério Primário e Universidades e Institutos e Escolas Superiores de Educação e foram os Estágios Pedagógicos de múltiplos nomes, os integrados ou os outros, que: lhes atribuíram os diplomas; os prepararam cientificamente; os habilitaram pedagogicamente. Tudo, instituições reconhecidas, tudo processos claros, tudo, ao fim e ao cabo, uma questão nacional, porque financiada (e aceite/reconhecida como válida!) por todos nós. Foi o estado que aprovou os cursos que habilitam os professores para a docência e foram os contribuintes deste país que, ao longo dos anos, os legitimaram com os seus impostos. Ou foram os pais que, durante anos, pagaram as propinas das universidades privadas.

Todos pagámos para que os nossos filhos tivessem professores nas nossas escolas. Para que esses professores fossem formados por instituições credíveis, que lhes dessem uma formação de confiança. O problema é nosso. Como podemos aceitar que tudo, agora, se veja assim contestado? Tudo, agora, com a existência invalidada? Tudo -- preterido por UMA prova? -- De conhecimentos?! De capacidades? Que capacidades? Que conhecimentos? E porquê aqueles e não outros?
Afinal ......
QUE MERDA É ESTA 
e que merda somos nós -- se a aceitamos? Se pactuamos com esta farsa? 

Que merda de professores se oferecem para a corrigir? 
Que merda acorre a vigiá-la? 
Que merda de sindicatos a aceita como válida, desde que "só para alguns"?

É .. MLR conseguiu tudo o que terá desejado. "Domesticou" os professores, ela que não escondeu nunca o ódio que por eles nutria (comparável só ao deste Crato, ao deste Passos..), reduziu-os ao estado de vermes em que alguns já vegetavam. Vermes que se gostam vermes, pois que outra razão para rastejarem? 

Ela começou o processo, a classe "ajeitou-se-lhe" mansa, indignidades que se aceitam sem grande ruído e assim aplanam o caminho para outras, maiores sempre as que vêm depois. 

O senhor Nuno Crato aproveitou a embalagem como convinha. Talvez ele, afinal, até saiba bem a massa de que são feitos os professores, muitos professores. E vale-se da burrice das vítimas, da sua inércia, da sua proverbial falta de coesão, para agradar ... calculo que aos grupos económicos e de pressão que o sustentam a ele e aos seus comparsas de governo.

Mas BASTA, não?!
Professores que o sejam, provem-no! Ao menos vocês!!! E têm obrigação de ser lúcidos, mais que todos os outros! Vocês são uma das classes mais escolarizadas! Vocês têm uma missão de formação! Acordem! Reajam, porra!
Recusem esta prova! RECUSEM fazê-la, vigiá-la, corrigi-la!

PELA DIGNIDADE, digam NÃO A ESTA FARSA!

A corda vai esticando, esticando. Só não parte se nós não quisermos.
E devíamos ser todos a puxar, professores - passado, presente, futuro - e alunos, e pais, e todos!


13/12/13

em homenagem a NELSON MANDELA

Há homens que lutam um dia, e são bons.  
Há outros que lutam um ano, e são melhores. 
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons. 
Porém há os que lutam toda a vida. Estes são os imprescindíveis.
--B. Brecht


...

uma vida que não caberá em nenhum filme ..

* * *

retirado daqui

artigo publicado em Julho passado no jornal O Estado de S. Paulo 
pelo escritor peruano Mario Vargas Llosa, Prémio Nobel de Literatura de 2010:

ELOGIOS A MANDELA 

Nelson Mandela, o político mais admirável destes tempos tumultuados, segue em um hospital de Pretória, após completar 95 anos na quinta-feira, 18 de julho.

Poderemos ter a certeza de que todos os elogios feitos a ele são justos, pois o estadista sul-africano transformou a história do seu país de uma maneira que ninguém imaginava concebível, e demonstrou com sua inteligência, habilidade, honestidade e coragem que, no campo da política, às vezes, os milagres são possíveis.
Tudo isso foi sendo gestado, antes mesmo que na história, na solidão de uma consciência, na desolada prisão de Robben Island, onde Mandela ingressou, em 1964, para cumprir pena de prisão perpétua e trabalhos forçados. ------ ler mais
* * *

a primeira entrevista de Mandela a uma cadeia de televisão:

 

*

 (Foto: Associated Press)
legenda da foto: 
Mandela com o então presidente de minoria branca, Frederik W. De Clerk, logo após sua libertação da prisão, em 1990. Num gesto de conciliação e grandeza do grande líder negro, De Klerk, ex-carcereiro de Mandela, tornou-se o seu vice-presidente, democraticamente eleito

discurso aquando da libertação da prisão ..

cratofrenias

retirado de: https://www.facebook.com/anterozoide 


NÃO à PACC!

recebido por e-mail:

Uma prova que não prova nada… - que é um vexame… - que é mais um passo para despedir milhares de professores com vários anos de serviço e mesmo profissionalizados… - desvaloriza a Escola Pública e toda a classe docente

Colegas,

Se a prova do dia 18, imposta por agora pelo ministro Crato a uma parte da classe docente, fica e cria raízes, passará a ser mais uma ameaça - e um vexame - para toda a classe docente.

O "enterro" dessa prova será uma vitória não só de todos os colegas que têm sido durante anos afastados dos quadros apesar da sua experiência profissional - nomeadamente dos colegas "dispensados" por agora por terem mais de 5 anos de serviço - como de toda a classe docente. Precisamos todos de contribuir para o seu funeral.

Não basta manifestar o repúdio a esta prova - nomeadamente depois da traição da FNE que entregou ao MEC os colegas com menos tempo de serviço - e deixar as "coisas" andarem mesmo com greve. É preciso fazer tudo o que está ao alcance da classe para travar a prova. Os colegas contratados que ficaram livres daquele vexame sabem bem quanto valem a solidariedade e luta. Sabem bem que esta luta tem sido mais uma vez construída na base, e por vezes em contramão aos que vivem nas "alturas". Precisamos de continuar a lutar.

É por isto que, a exemplo do que se vai fazer em diversas cidades do país, apelamos à tua participação nas reuniões de preparação dessa mobilização!

Aqui, no FB, podes seguir a mobilização que se está a construir noutras cidades do país: 


Eduardo Henriques (ES Emídio Navarro)

04/12/13

Violência

no Público,
4 de Dezembro de 2013

por Santana Castilho*

 Violência

A arrogância, o ódio aos professores, a ignorância sobre a realidade do sistema educativo e das escolas e a impreparação política e técnica são os eixos identificadores daquilo que poderemos designar por bloco central de governo da Educação da última década. Se apelarmos à memória, salta à vista a convergência ideológica entre Maria de Lurdes Rodrigues e Nuno Crato, relativamente ao papel dos professores. Uma ou outra divergência quanto a processos não apaga o essencial. Do outro lado da barricada, a classe dos professores não interiorizou, enquanto tal, a dimensão política da sua profissão. E, em momentos vitais das lutas a que tem ido, soçobrou por isso.

As mudanças sociais e económicas que varrem a vida dos portugueses colocam à Educação problemas novos e emprestam uma dimensão maior aos problemas de sempre. Mas o maior de todos é político e como tal ideológico e intencional. A Educação nacional está a ser confrontada com caminhos que desprezam a sua natureza axiológica e procuram impor-lhe o modelo de mercado. Trata-se de apresentar a Educação como um simples serviço, circunscrito a objectivos utilitários e instrumentais e regulado apenas por normas de eficiência e eficácia. Trata-se de impor um acto educativo transformado em produto e a escola transformada em empresa de serviços. Trata-se de impor uma ideologia marcada pela sede de desinstitucionalizar e pela pressa de privatizar. De entre tantas mudanças que aqui não cabem, recordemos as duas que melhor servem tal desígnio: a criação da Parque Escolar e o regime jurídico de gestão das escolas. Com a primeira, passou-se para o domínio empresarial a propriedade de mais de metade das escolas secundárias do país. São milhares e milhares de metros quadrados urbanizados nas zonas mais nobres das maiores cidades. Se o BPN foi nacionalizado e a SLN ficou de fora, por que não considerar que a Parque Escolar pode vir a ser vendida ao grupo GPS ou à empresária Isabel dos Santos? Com a segunda, escancararam-se as portas à possível gestão privada das escolas públicas. Porquê? Porque o órgão de gestão das escolas passou a ser escolhido por uma espécie de assembleia de accionistas das empresas (Conselho Geral, onde a maioria dos membros não pertencem à Escola); porque o director assim escolhido também pode, ele próprio, ser estranho à própria Escola ou mesmo, no momento, a qualquer escola, um simples contratado por alguém, que cumpra os requisitos legais. Muitos não pensaram nisto, nem no como pode ser atraente para outros juntar as duas peças, sob a bênção da ideologia de Passos e Crato. Aos primeiros recordo Sun Tzu:

 “… Se conheces o inimigo e te conheces a ti mesmo, não precisas temer o resultado de cem batalhas. Se te conheces mas não conheces o inimigo, por cada vitória sofrerás uma derrota. Se não te conheces nem a ti próprio nem ao inimigo, perderás todas as batalhas. …” 

A distorção nas representações sobre as condições de exercício da profissão docente, ardilosamente passada pelo Governo para a sociedade em geral, atingiu o limite do suportável e ameaça hoje a própria integridade profissional dos professores, que não se têm afirmado suficientemente vigorosos para destruir estereótipos desvalorizantes. Com tristeza o digo, mas a classe dos professores manifesta-se cada vez mais como classe de dependências. E quem assim se deixa aculturar, dificilmente compreenderá o valor da independência e aceitará pagar o seu custo. É neste contexto que devemos olhar para a Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades, criada por Maria de Lurdes Rodrigues, importa não esquecer, e então fortemente contestada pelo PSD, importa recordar. Não é coisa de alguns. É coisa de todos. Pese embora tudo o que se possa dizer, o carácter facilitista da prova serve para esvaziar a sua contestação. O “Público” evidenciou o grotesco da prova quando mostrou que adolescentes dos 8º e 9º anos a resolvem com facilidade e rapidamente. Mas, recordemos, há uma segunda prova, sobre conhecimentos específicos, que … pode ser bem diferente. Enquanto chamarmos básica, ridícula, elementar, insultuosa, apatetada, desadequada, absurda, a uma prova que é tudo isso, não nos ocupamos de uma política, que vem de longe, que a utiliza para descredibilizar os docentes da escola pública e para os apontar como responsáveis pela degradação da Educação, etapa importante para o que virá a seguir. A todos aqueles vocábulos há que acrescentar a palavra que falta: violência. É o que esta prova é: uma violência.

Dizem os dicionários que a violência é a qualidade de tudo aquilo que opera com ímpeto, que se exerce com força, que se opõe ao direito ou à justiça. Porque há vários tipos de força, o conceito de violência é, de forma mais lata, aplicado comummente a todo o tipo de comportamento que, com intencionalidade, agride ou intimida. Não só do ponto de vista físico, mas, também, do ponto de vista psíquico e moral. O rompimento abrupto das normas e dos princípios constitutivos da moral social vigente é, no meu entendimento, sempre, uma violência. Quantas vezes mais bárbara que a que se exerce de bastão na mão. 

* Professor do ensino superior