- as imagens das colunas laterais têm quase todas links ..
- nas páginas 'autónomas' (abaixo) vou recolhendo posts recuperados do 'vento 1', acrescentando algo novo ..

31/08/13

a ÓNIVERSIDADE do PSD

retirado daqui

por Amadeu Homem


O Láparo, Ministro Primeiro, e o Poiares, Ministro Segundo, disseram na "Universidade" (???) do PSD, que o Tribunal Constitucional está a empurrar o País para um segundo resgate. O que eles desejavam era o seguinte:
  1. - Poderem despedir meio-mundo na Função Pública, sem mais explicações e com uma indemnização ridícula (ou mesmo sem ela...). 
  2. - Terem luz verde para continuarem a roubar " à tripa-fôrra " os reformados e pensionistas. 
  3. - Perseverarem no esforço de colocarem a Escola Pública na penúria. 
  4. - Eliminarem pela raiz o Serviço Nacional de Saúde. 
  5. - Excluírem todas as suas iniciativas legislativas de fiscalizações de constitucionalidade, prévia ou subsequentemente. 
  6. - Não serem interpelados pelo recurso que praticam aos "boys-assessores", "jotinhas" pacóvios e ignorantões, que enxameiam os Ministérios. 
  7. - Terem consenso para continuarem a atafulhar com milhões de euros os figurões da Banca. 
  8. - Continuarem a praticar situações de excepção para com todos os que lhes possam servir de suporte, decretando que estes podem receber todas as alcavalas, benefícios, indemnizações e "actualizações", ao contrário do cidadão anónimo e indefeso. 
  9. - Poderem continuar a encenar a "peça" da vitimização, afirmando que não os deixam "defender os superiores interesses patrióticos" ("deixem-nos trabalhar ! deixem-nos trabalhar" ... onde é que eu já ouvi isto?). 
  10. - Terem "consenso" para interpretar a Constituição como muito bem lhes apetecer, declarando que onde se lê "X" se deve ler "Y", porque o texto fundamental terá de receber uma abordagem "actualizada" ... 

Ou seja : isto é uma "EXCELENTÍSSIMA ÓNIVERSIDADE " !!!!

29/08/13

sem "bondade nem "compaixão"

no DN,
ontem,
fonte

António Borges 

por BAPTISTA-BASTOS

img daqui
No mesmo dia em que o Governo retirava o rendimento social a 136 mil pessoas; em que decrescia o número de alunos no básico, no secundário e nas universidades - nesse mesmo dia morreu, com um cancro no pâncreas, António Borges, um dos mais ortodoxos doutrinadores portugueses do neoliberalismo. Um homem implacável na aplicação das convicções ideológicas e indiferente às consequências que essas aplicações implicavam. Borges era partidário da redução de salários para equilíbrio da economia; do corte substancial de funcionários públicos; da diminuição do papel interventivo do Estado; das privatizações; do aumento das horas de trabalho; da entrega "faseada" da Educação, da Saúde, da Segurança Social porque entendia, e dizia-o, verbi gratia, que o sector privado era melhor gestor do que o público. 

Sublinhava a opinião de que os portugueses viviam acima das possibilidades; de que estavam habituados a que a Nação suportasse a sua inércia histórica e a colectiva e tradicional ausência de criatividade e de "empreendedorismo"; e, enfim, de que precisávamos de mão de ferro para ser governados. De passagem, e num fórum público, declarou, irado, que os empresários não concordantes com estas sábias conclusões eram "ignorantes" e irremediavelmente condenados ao purgatório da História. 

Frio nas decisões, os "objectivos" é que determinavam e, de certo modo, justificavam e explicavam este homem que não cultivava a pieguice, e em cujo vocabulário as locuções "compaixão" e "bondade" estavam ausentes. Segundo António Borges, a democracia existe para se adaptar às exigências da economia, e nunca o contrário, e a questão dos direitos culturais e sociais constitui um pormenor insignificante. A preservação das diversidades é uma pretensão, um pouco tola, de um humanismo serôdio, que se não compadece com as aspirações e as reclamações dos "novos tempos." E que são esses "novos tempos"? O todo humano é muito mais do que uma forma definível de contrato celebrado entre as partes envolventes. E as elites estão sempre no topo de qualquer definição de relações sociais, determinando o que julgam melhor para os outros. 

O próprio António Borges exemplificou e personalizou a forma e o conteúdo nefastos, digamos assim, dos conceitos doutrinais de que era cruel paladino. Acaso mais rígido e áspero do que Vítor Gaspar, nunca se retractou nem abdicou, como aquele o fez, dos erros e dos maus compromissos advogados com obstinação e fé, e que tantos malefícios nos têm causado. Transmitiu esses ideais a Passos Coelho, numa concepção tão absurda como perigosa do mundo e do capitalismo. Pouco importa que o trabalho seja deliberadamente desprezado, pois esse "desprezo" corresponde à separação dos diferentes níveis económico, político, social e cultural prescritos pela prática do neoliberalismo. 

António Borges foi, até ao fim, António Borges.

28/08/13

Ainda o cheque-ensino

no Público
de 28 de Agosto de 2013

por Santana Castilho*

 Ainda o cheque-ensino

O presidente do “Fórum para a Liberdade de Educação”, Fernando Adão da Fonseca, interpelou os leitores do artigo que escreveu neste jornal, no passado dia 25, sob a epígrafe “A liberdade de educação e os inimigos da liberdade”. Antes, referindo-se à proposta de revisão do Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo, classificou os comentários que se têm produzido sobre o tema em dois exclusivos grupos: os que visam “simplesmente confundir o esclarecimento do que está em causa” e os que demonstram “uma oposição reacionária a qualquer mudança”. Porque sou um dos interpelados (li o artigo) e porque sou um dos visados (ousei comentar o tema), importa dizer algo. Comecemos pelas interpelações. Pergunta Adão da Fonseca se o reconhecimento de pertencer aos pais a tutela primeira sobre a educação dos filhos traduz valores de “esquerda” ou de “direita”. A resposta é óbvia e é o articulista que a dá, quando nos recorda que o conceito está contido na Declaração Universal dos Direitos do Homem. Insiste Adão da Fonseca e volta a perguntar se o direito dos pais orientarem a educação dos filhos de acordo com as suas convicções religiosas, filosóficas e pedagógicas é coisa da “esquerda” ou da “direita”. E volta ele próprio a dar, liminarmente, a resposta ao que pergunta, com manifesta redundância, quando cita que tal direito está contido na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia. Finalmente, reincide Adão da Fonseca, perguntando se é apanágio da “esquerda” ou prerrogativa da “direita” a liberdade de aprender e ensinar, que a Constituição da República Portuguesa consigna. As questões que Adão da Fonseca escolheu para interpelar os leitores não são propriedade da “esquerda” nem reduto privado da “direita”. São questões de direitos básicos, humanistas, que a todos incumbe proteger. Adão da Fonseca sabe-o e o que escreveu demonstra-o. Por que fez, então, tais perguntas? Porque quando estendeu o indicador acusando os autores dos comentários desfavoráveis à generalização do cheque-ensino se esqueceu do polegar espetado, que o aponta como querendo, ele sim, “confundir o esclarecimento do que está em causa”. E o que está em causa é saber se deve o Estado financiar o ensino privado e se podemos falar de Educação, como faz Adão da Fonseca, como “mercado da educação”.

Retomo o que já escrevi para relembrar que a Constituição da República fixa ao Estado (Artigo 75º) a obrigação de criar “uma rede de estabelecimentos públicos de ensino que cubra as necessidades de toda a população”. O DL 108/88 mandou que a referida rede se fosse desenvolvendo (Artigo 3º), começando por construir escolas em locais onde não existissem escolas privadas. Assim, o legislador protegeu, e bem, as escolas privadas já instaladas, numa lógica de economia de meios. Através de “contratos de associação”, o Estado tem vindo a pagar integralmente o custo do ensino que as escolas privadas ministram a alunos que habitam em zonas não cobertas pela rede pública. E continua a pagar, desta vez mal, em zonas onde a rede pública é suficiente, delapidando recursos públicos para proteger interesses privados. É aquilo e não mais que aquilo que o Estado deve financiar. O sistema de ensino português tem dois subsistemas: um público, outro privado (cerca de 20% da rede é privada). Querer tornar os dois indiferenciáveis, por via da falsa questão da liberdade de escolha, é uma subtileza para fazer implodir o princípio da responsabilidade pública no que toca ao ensino. Os cidadãos pagam impostos para custear funções do Estado. Uma dessas funções, acolhida constitucionalmente, é garantir ensino a todos. Quando pago impostos não estou só a pagar o ensino dos meus filhos. Estou a pagar o ensino de todos. Se escolho depois uma escola privada, sou naturalmente responsável por essa escolha. A diversidade também se cumpre permitindo que as escolas públicas se diferenciem umas das outras, por via autonómica efectiva.

Adão da Fonseca invoca diversos estudos que a associação que dirige tem divulgado, para sustentar a tese que defende. Mas acrescente-se que por cada estudo pró, podemos encontrar outro contra. Basta seguir as fontes de financiamento e conhecer a ideologia das instituições que os promovem. Se pendermos para as mais independentes, a bondade redentora do cheque-ensino estatela-se. Cite-se, por todos, o caso da Suécia, ainda que as condições económicas e sociais do país (detentor de um dos melhores, senão o melhor quociente GINI do mundo) torne sem sentido qualquer transferência de políticas para a nossa situação: os resultados dos alunos suecos caíram em sede de PISA, logo que o sistema se adoptou. E esta é, talvez, uma questão crucial a debater: podem os factos sociais surgir da importação/imposição de políticas alheias ou, outrossim, devem ser construídos socialmente, respeitando a realidade local, por maior que seja o novelo de dúvidas que a caracterize?

 * Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)     
    Escreve quinzenalmente à quarta-feira

14/08/13

H.E.L.P.!!!

IS THERE ANYBODY OUT THERE?

de Paula Rego
My country is dying.

The government in my country are killing us all.

My country is beautiful. My country has existed as a nation since the 12th century. My country has it all, mountains and rivers and valleys, sunny days and plains, an ocean, the most beautiful white-sand beaches.

The governors in my country are corrupt, they are thieves. They steal from everybody and get rich in the process. The governors in my country are dishonest, they lie and lie and rob the people, protect only their rich friends.

Unemployment in my country has risen to unprecedented levels, young couples dare not have children any more.

My country is dying and yet .. we have it all: the sun and the wind and the rain.

We're a member of NATO, we are part of the EU, the euro-zone.

We are an amiable people. We are warm at heart, uncomplicated. We're brave and intelligent. In the 16th century, we were on top of the world, we enabled all others to explore the unknown. Wer're daring, adventurous, peaceful. We are witty.

We're poor and getting poorer.

We're dying.

The political powers have sold us to banks and other finantial corporations. The president of our republic is a puppet at the hands of international economic interest, and so is the prime minister. The members of parliament in my country serve mainly their own interest, many of them are CEOs in big companies rather than civil servants.

There's poverty in my country,  there's hunger. The old, the poor and the sick have noone to turn to. The young have no option but to emigrate. There's no future in my country.

My country is desperate, seeking for justice, needy of hope.

My country is dying.

IS THERE ANYBODY OUT THERE?

H.E.L.P. !

As “swapadelas” de Crato e as piruetas de Grancho

Público,
14 de Agosto de 2013
por Santana Castilho*

As “swapadelas” de Crato e as piruetas de Grancho


Nos tempos que se sucederam ao 25 de Abril, os meses de preparação do ano-lectivo não eram fáceis. Recordo períodos de agitação social, sobretudo pela carência de espaço para albergar todos. Hoje, a meio de Agosto, temos professores sem horários, alunos sem escola e directores sem directivas. E, pesem embora os protestos, que são muitos, prevalece uma paz podre, que escancara portas à “swapagem” da competência mínima (para servir o público) pelo golpe máximo (para anafar o privado). Esta abulia cidadã, esta ausência de eficácia cívica perante as engenhosas formas de corrupção do futuro, permite, diariamente, o atropelo do Direito, da Moral e da Ética. Quanto mais tarde reagirmos, mas reagirmos de facto, com firmeza que diga não, não de verdade e para durar, maior será o número dos que ficam pelo caminho e mais tempo necessitaremos para reconstruir o que este Governo destruiu em dois anos de criminosa política educativa.
Duas velhas frentes adormecidas foram reabertas para apressar a implosão do ensino público: o exame de acesso à profissão docente e o cheque-ensino. A manobra justifica público comentário. 

Comecemos pelo exame e por um aspecto menos tratado, expediente comum à dupla Lurdes-Crato: não podendo alterar leis-quadro (Constituição da República Portuguesa e Lei de Bases do Sistema Educativo), por carência de maioria qualificada de votos, derrogaram-nas pela via legislativa comum. Assim, quando Maria de Lurdes Rodrigues procedeu à revisão do Estatuto da Carreira Docente (DL nº15/2007), adulterou as condições de aquisição da respectiva qualificação profissional (nº1 do artigo 34º da Lei de Bases), juntando-lhes, sub-repticiamente, uma prova de avaliação de conhecimentos e competências. Mas, nesse momento, a prova era necessária apenas para efeitos de concurso a lugares de quadro (artigos 17º, 22º e 36º do DL nº 15/2007). Quando a excrescência foi regulamentada em 2008 (Decreto-Regulamentar nº3/2008), foi seraficamente aproveitada a oportunidade para mais um atropelo. O que na lei dizia apenas respeito à entrada nos quadros foi estendido a qualquer contrato administrativo. Por peso de consciência e resquícios de pudor mínimo, a coisa jazeu sem aplicação durante seis anos. Recuperando-a agora, o Ministério da Educação e Ciência vem, como anteriormente escrevi, reiterar dois factos: que não confia nas instituições de ensino superior que formam professores e que os professores não podem confiar no Estado. Com efeito, as universidades e os politécnicos que formam professores não são organizações clandestinas. Foram reconhecidas pelo Estado como competentes para tal. Para operarem têm que obedecer às exigências do Estado, designadamente no que respeita aos planos de cursos. O Estado fiscaliza-as e pode fechá-las, se deixar de lhes reconhecer qualidade. O Estado é, pois, tutor de todas. Mas, mais ainda, o Estado é dono da maioria. Neste quadro, a prova de avaliação de conhecimentos e competências mostra que o Estado não confia nelas nem em si próprio. E não venha o secretário de Estado Grancho com os argumentos que usou para responder à matéria, na última edição do Expresso. Dizer que noutras profissões também é assim, citando magistrados, médicos ou arquitectos, patenteia ignorância ou desonestidade intelectual. Das escolas de formação de professores sai-se, legalmente, com um título profissional e uma licença para exercer uma profissão. Das faculdades de direito não se sai magistrado. Sai-se com um conhecimento que abre portas para diferentes profissões, a que se chega mediante formação e exames complementares. Das faculdades de medicina não se sai médico, como das escolas de arquitectura não se sai arquitecto. Uma e outra profissão são tituladas pelas respectivas ordens, que as regulam. Dado o envolvimento de longos anos do secretário de Estado Grancho na criação de uma Ordem de Professores, ainda que falhado, a pirueta que protagonizou no Expresso inclina-me a concluir que, das duas hipóteses, se trata de desonestidade intelectual. Sustentar, como sustentou, no refinado “eduquês” que Crato combatia, a necessidade de usar a prova de acesso para aferir “capacidades transversais”, que, especificou, visam “a mobilização do raciocínio lógico, a resolução de problemas ou a capacidade a nível da leitura e da escrita”, em professores que somaram um mestrado (alguns até um doutoramento) a uma licenciatura, exercem a actividade docente, sucessivamente avaliada com as notas máximas, há 10 e mais anos e agora são equiparados a crianças do ensino básico, é atirar lama sobre quem devia respeitar e cobrir de ridículo as tretas, vemos agora, que apregoava quando era presidente da Associação Nacional de Professores. 

A tudo isto acresce que, a 28 de Junho de 1999, um acordo-quadro relativo a contratos de trabalho a termo, celebrado entre organizações interprofissionais, foi vertido em directiva do Conselho da União Europeia. E que diz o artigo 4º do acordo a que passaram a dever obediência os estados-membros? Que “… não poderão os trabalhadores contratados a termo receber tratamento menos favorável do que os trabalhadores permanentes numa situação comparável, pelo simples motivo de os primeiros terem um contrato ou uma relação laboral a termo …”. Poderá, assim, o Estado português exigir uma prova aos contratados, que não exigiu nem exige aos professores dos quadros? Ou teremos, tão-só, maquiavelicamente, Crato a abrir mais uma divisão purulenta entre os professores de carreira e os contratados, esmagando o referencial de equidade que deve prevalecer na administração pública e violando o direito de igualdade de acesso ao emprego público? 

Vejamos agora o cheque-ensino e comecemos por relembrar que Crato disse cedo ao que vinha (entrevista à RTP, em Setembro de 2011). Disse que os cheques-ensino seriam aplicados em Portugal, depois de estudar experiências internacionais. A investigação abundante sobre a exportação/importação de políticas educativas (vide os trabalhos de João Barroso, Gita Steiner-Khamsi e Dale, entre tantos outros) alerta-nos para a recorrente invocação de modelos estrangeiros como simples argumento de autoridade (subserviente, acrescento eu) para validar decisões já tomadas. O ministro em funções e os partidos do Governo devolvem agora os apoios que receberam para chegarem ao poder. Não se trata de manobras de catacumbas, nem ilegais. São conhecidos os nomes dos protagonistas, as designações das organizações e é reconhecida a legitimidade para defenderem os seus interesses, que são particulares. Cabe-nos a nós, aos que pensam como eu, defender os nossos, que são públicos. As reflexões que se seguem pretendem contribuir para um debate que se deseja: 

1. Nas circunstâncias actuais, só um cidadão ensandecido acreditará que cresça a despesa consignada à Educação. O financiamento do cheque-ensino, a adoptar-se agora a medida, significaria, sempre, o desinvestimento no ensino público. A decantada “escolha” não deixa escolha à alternativa: não é público mais privado; é privado contra público. Assim, a universalização do cheque-ensino, nas condições financeiras e económicas do país, é liminarmente inviável. 

2. A liberdade de escolha que o cheque-ensino proporcionaria não pode ser dissociada de variáveis que ultrapassam a questão ideológica e perverteriam de imediato o seu fundamento. Com efeito, 80% dos estabelecimentos de ensino privado situam-se nos concelhos com os maiores índices de desenvolvimento (grandes cidades e litoral). Onde ficaria a liberdade de escolha para as famílias de Alijó, Pinhel ou Mourão? E mesmo nos grandes centros, que aconteceria se todos os alunos, de cheque-ensino na mão, demandassem o melhor colégio do seu bairro? O que a lei da oferta e da procura determina: esse colégio poria em prática um mecanismo de selecção dos candidatos, entrando os “melhores” e ficando à porta os “piores”. Caberá ao Estado fomentar e pagar esta “liberdade de escolha”, marcada à partida pela certeza da não entrada? 

3. O direito à Educação, que o Estado deve proteger, e o dever de cumprir o ensino obrigatório, que o cidadão deve cumprir, não cabem, em minha opinião, na lógica económica da simples prestação de serviços. Reclamo para o Estado um papel social e de soberania que o obriga a cooperar com cada estabelecimento de ensino, por mais recôndita que seja a sua localização, na missão constitucional de responder às necessidades de desenvolvimento das pessoas e das regiões em que vivem. A “liberdade de escolha” tem, constitucionalmente, que ser precedida pela garantia da igualdade de oportunidades. 

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

13/08/13

Passos taxi driver

JN,
12 de Agosto de 2013
por Alfredo Leite

Passos precisa estagiar na Noruega

Já passou um terço do mês de agosto e, estranhamente, há poucos sinais da cíclica "silly season". É certo que o fim do verão ainda está longe e que já este fim de semana a imprensa nos brindou com uma longa matéria sobre a palpitante e extraordinária existência de 500 anões a viver em Portugal, mas a explicação para não termos dado pela "patética estação" pode ter a ver com habituação. De tanto disparate nos entrar pela vida adentro, este ano não há "silly season" capaz de nos surpreender. Vem isto a propósito de uma notícia publicada ontem à tarde na edição digital do Jornal de Notícias. Desta vez, a aparente tolice (e era mesmo só aparente) vinha da Noruega, onde o primeiro-ministro decidiu revelar que, recentemente, se tinha disfarçado de taxista de Oslo, para aferir das preocupações dos seus conterrâneos. Sem intermediários. Contava a notícia do JN.PT que Jens Stoltenberg vestiu um uniforme de taxista e colocou óculos de sol, ainda que o disfarce não tenha enganado todos. As conversas do inusitado motorista com os seus passageiros foram gravadas por uma câmara oculta, para uso posterior num vídeo da campanha para a reeleição de Stoltenberg. A explicação para a aventura do primeiro-ministro é simples: "Se há um sítio onde as pessoas dizem realmente o que pensam sobre quase tudo, é no táxi". 

A 3600 quilómetros de Oslo, há outro líder de Governo que nem disfarçado conseguiria evitar ouvir as queixas dos seus compatriotas. Chama-se Pedro Passos Coelho e usa óculos de sol, mas para encarar a claridade do dia no Algarve, onde se encontra a gozar férias. Merecidas, claro, após um ano de cortes intensos e trabalhosas remodelações sem fim à vista. Ontem, a segurança do veraneante ilustre afastou uns prudentes 100 metros da casa na Manta Rota, onde Passos descansa, os elementos da Comissão de Utentes da Via do Infante que, uma vez mais, saíram à rua para contestar as portagens naquela importante estrada. O protesto será certamente inglório. Um dos membros da dita comissão queixava-se de já no ano passado ter tentado, sem sucesso, entregar a Passos Coelho uma carta. Este ano, insistiu na façanha, mas vai certamente ficar a falar sozinho. Se fosse na Noruega, pouparia o megafone, as panelas e os cartazes. Bastaria apanhar um táxi. E, para que não restassem dúvidas, seria o próprio governante, como fez Stoltenberg, a colocar no Facebook, Twitter e YouTube o resultado do contacto com o povo. 

Cá, onde a classe política faz de conta que usa as modernas ferramentas para comunicar com as pessoas, seria certamente diferente. Passos Coelho, que também está no Facebook, resolveu baldar-se para os eleitores que lhe deram os votos e os "likes" e, mal começou a ser contestado no mundo digital - como se fosse diferente das ruas -, decidiu deixar de atualizar a página. Parou a 26 de Dezembro do ano passado, após uma patética mensagem de Natal que mereceu qualquer coisa como 28 mil comentários, para não dizer insultos. Imagine-se o que seria desde então com tanta trapalhada governativa... 

É também nas redes que Jens Stoltenberg revela que em Oslo nenhum dos passageiros do camuflado chefe de Governo pagou a corrida. Por cá, não temos a mesma sorte e a coisa vai piorar. É só esperar pelo Orçamento do Estado para ver quantas corridas vamos ter que pagar a Passos Coelho.
fonte
"quem não deve, não teme!"

11/08/13

"O corte das reformas explicado aos tansos"



por FERREIRA FERNANDES

Os cortes são, portanto, para todos os reformados do Estado. Todos? Isso, todos. Mas mesmo todos, todinhos? Todinhos, com exceção de juízes, magistrados do Ministério Público, militares e diplomatas, claro. Claro porquê? Claro porque as reformas desses estão indexadas ao salário dos trabalhadores no ativo. E isso quer dizer o quê? O que está lá escrito, preto no branco: as reformas desses estão indexadas ao salário dos trabalhadores no ativo. As palavras já ouvi, mas que querem dizer? Eu traduzo: Muzyk yn de brede sin fan it wurd. OK, OK, mas porquê beneficiar exatamente militares? Porque são das Forças Armadas. E...?! Parecem-me duas boas razões. Que duas? O forças e o armadas. E os juízes e os magistrados, também são forças armadas? Não, esses é por estarem vivos. Mas todos os funcionários que recebem reforma estão vivos, ou não? Sim, respiram, estrebucham, mas não há razões para os privilegiarmos por isso. E então os juízes e os magistrados que vida especial têm? Uma vida que faz prova de vida, a prova de vida deles. Prova de vida deles?! É, há sempre um Tribunal Constitucional que declara isto inconstitucional aqui, um Ministério Público que abre inquérito acolá, eles estão vivos e estão sempre a dizê-lo. Então? Então, nós reconhecemo-los. Reconhecem como? Com pensões especiais para que não estejam tão vivos. Última pergunta, e os diplomatas? Esses é mais por uma questão estética, ficam sempre bem num grupo.

antes o inferno!


de Egon Schiele
Na primeira noite, eles vêm 
e colhem uma flor do nosso jardim. 

E não dizemos nada. 

Na segunda noite, já não se escondem, 
pisam as flores, matam o nosso cão.

E não dizemos nada. 

Até que um dia, o mais frágil deles 
entra sozinho em nossa casa, 
rouba-nos a lua, 
e, conhecendo o nosso medo, 
arranca-nos a voz da garganta. 

E porque não dissemos nada, 
já não podemos dizer nada. 

Maiakovski (1893-1930)
 
É assim .. primeiro foram os negros, depois foram os judeus, agora são os homossexuais. E houve os índios e os ciganos e as mulheres. Há o ódio, o medo, os bullies e os neonazis, a irracionalidade, a violência sem paralelo desta espécie animal auto-denominada superior.
Vejo na net as fotos das agressões, agora, na Rússia. Leio sobre os achincalhamentos, a discriminação, a cumplicidade da polícia, a cobertura dos políticos.
As vítimas são os homossexuais. Podiam ser os imigrantes os sem-abrigo os velhos os doentes os pobres as mulheres.
Alguém que não é nada, que nunca será nada, escolheu-os para alvo. Nada mais do que isto. Como merda exposta num passeio, os agressores atraem os vermes mais nojentos seus iguais, nazis como eles, como os outros de há 60 anos. O número como única coragem. E batem e seviciam e sequestram e matam: pela diferente cor da pele, crença religiosa, opção sexual. Século 21, planeta terra, espécie humana. Nojo.

as notícias:

da defesa dos direitos humanos,

Prefiro o inferno a um paraíso homofóbico”, diz Nobel da Paz e líder religioso africano. Desmond Tutu, um dos principais ativistas na luta contra o apartheid, participa de campanha internacional da ONU pela comunidade LGBT -- ler mais
Papa Francisco contra a marginalização dos homossexuais --- ler

Stephen Fry apela a boicote aos Jogos Olímpicos de Inverno na Rússia devido a leis anti-gay -- fonte     


das reacções às leis anti-gay na Rússia:
notícias do jornal inglês The Guardian:

Antropóloga comenta estupidez da cura gay

 Postado em: 27 jun 2013

A cura gay é um esconderijo para os que sofrem com o armário — em vez de romperem a prisão do medo, vão lançar-se numa gaiola na qual, quem se apresenta como cuidador, é um algoz do sexo! 

Não há cura para a homossexualidade, simplesmente porque não há doença nem perturbação ou perversão a serem tratadas.

Por Débora Diniz

Uma leitura rápida não é capaz de decifrar o objeto da controvérsia do Projeto de Decreto Legislativo nº 234/2011, recentemente ressuscitado pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Há pelo menos duas formas de entendê-lo. A primeira segue a literalidade dos três parágrafos do texto: ao sustar artigos da Resolução nº 1/1999 do Conselho Federal de Psicologia, o projeto autoriza tratamentos psicológicos para gays. Seria uma vigilância do Legislativo a atos supostamente abusivos dos conselhos profissionais. Mas é a segunda leitura que descortina o segredo da proposta. Não se trata de um texto sobre liberdade profissional de psicólogos, mas de uma artimanha moral. Em nome do livre exercício profissional, institui-se a cura gay.

Cura gay foi o nome dado às iniciativas para patologizar a homossexualidade, isto é, para descrevê-la como doença. Falsamente se pressupõe que a heterossexualidade seria a única sexualidade saudável, para daí se classificar as outras formas de vivência como anormais. O destino dos desviantes seria a clínica gay. Uns poucos psicólogos solitários sustentam haver tratamento psíquico para a homossexualidade e reclamam ser cerceados em sua liberdade profissional. Ora, não há liberdade profissional para práticas discriminatórias ou charlatanices — o papel dos conselhos profissionais é exatamente este: discernir a boa da má prática profissional. O Conselho Federal de Psicologia não tem dúvidas e decretou que psicólogos não podem se lançar como terapeutas da cura gay. Isso foi há mais de uma década e já 20 anos depois de a Organização Mundial da Saúde ter banido a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças. 

Leia também 

O tema da cura gay voltou à pauta nacional no mesmo dia em que a democracia se movimentava nas ruas. Eram milhões de jovens reclamando igualdade — fosse no transporte, na educação ou, simplesmente, na vida. Alheios ao clamor nacional, alguns deputados se reuniram e deram vida à homofobia travestida de democracia. Erra quem imagina que essa é uma disputa sobre liberdade profissional. O projeto não visa garantir o livre exercício profissional de psicólogos convictos de que homossexualidade é doença. Essa é só a peça final de um jogo de obscuridades. O que importa é classificar práticas sexuais entre pessoas do mesmo sexo como patológicas. Ser gay passaria a ser um tipo psicológico desviante. A clínica do desvio sexual se instauraria como uma nova especialidade no Brasil. 

Max Ernst, the Virgin spanking Infant Jesus
O psicólogo da cura gay acredita que há sexualidades abjetas. É um sujeito paralisado pela moral que falsamente supõe ser a heterossexualidade o destino dos corpos. Imagino-o como alguém assustado com a nova ordem social — os gays se casam, têm filhos, param as ruas para reclamar seus direitos. Esse vasto contingente se recusará a procurar a clínica de cura gay. Será difícil um psicólogo conseguir vencer a recusa dos gays em se reconhecerem como patológicos e ainda sobreviver à permanente crítica de colegas de profissão. Mas nem todos os gays saíram do armário, anunciaram-se em suas escolhas ou mesmo são livres para fazê-las. É para esses sujeitos que o projeto de cura gay é uma temeridade. 

A cura gay instaura a dúvida injusta de a homossexualidade ser uma doença e, assim sendo, se os indivíduos deveriam se medicar. Ela perturba as famílias ainda inquietas com a sexualidade de filhos adolescentes ao prometer um atalho para a mudança de mentalidades. A cura gay é um esconderijo para os que sofrem com o armário — em vez de romperem a prisão do medo, se lançarão em uma gaiola na qual quem se apresenta como cuidador é um algoz do sexo. Não há cura para a homossexualidade, simplesmente porque não há doença nem perturbação ou perversão a serem tratadas. No entanto, descrevê-la como desvio patológico é perturbar uma ordem inquieta sobre a sexualidade. 

Acredito que a resistência à cura gay não virá apenas dos corpos que se declaram como homossexuais, mas de toda a nova rede de relações que reconhece a homossexualidade como vivência legítima dos corpos e dos sexos. Não me espanta saber que havia poucos manifestantes gays na plenária que votou o projeto enquanto o país estava nas ruas. Só não será fácil para os deputados levarem o projeto da cura gay adiante. As ruas ainda se manterão cheias nos próximos dias, mas nossos olhos se abriram para a democracia que se exercita no Congresso Nacional. O grito das ruas anuncia que estamos fartos de injustiças. Se 20 centavos mobilizaram multidões, o que dizer de um projeto que ameaça a igualdade de milhões que movimentam as paradas gays pelo país? 

fonte

*DEBORA DINIZ – Antropóloga, professora da Universidade de Brasília, pesquisadora da Anis (Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero). Para o jornal Correio Braziliense

Rússia, a "caça às bruxas" - vergonha!!!

de Antoni Tàpies

Quando pensamos que a EVOLUÇÃO da espécie humana só pode ser no sentido da TOLERÂNCIA - para com o outro, as suas diferenças, somos confrontados com as mais abjectas atitudes e leis discriminatórias, demonstrações medievas de um obscurantismo que suporíamos /desejaríamos irradicado do século XXI. 

A Rússia, país onde se vão realizar os próximos Jogos Olímpicos de Inverno, não só tolera as mais violentas agressões - assassinatos incluídos!! - contra a sua comunidade gay e outras pessoas que a apoiam, como aprova leis discricionárias que as legitimam! 

...........
No seguimento da aprovação, em Junho, da nova lei anti-gay, na Rússia é ilegal dar informações sobre homossexualidade a menores de 18 anos. (fonte).
É .. vivesse eu na Rússia, e já estava presa, com tantos debates que fiz sobre homossexualidade nas "aulas de substituição"! (e continuaria a fazer, estivesse eu ainda no activo ..)

«Actos homossexuais são agora puníveis com prisão. Há mesmo considerações sobre retirar os filhos a pais suspeitos de homossexualidade.»  --fonte

«Putin está assustadoramente a repetir o mesmo crime insano de Hitler, só que, desta vez, contra russos LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e trans-sexuais). Espancamentos, assassinatos e humilhações são ignorados pela polícia. Qualquer defesa ou discussão isenta sobre homossexualidade são contra a lei.» --- Stephen Fry ---- fonte
 .......................
do El País:

Grupos neonazis acossam adolescentes gay na Rusia e difundem as agressões na internet

  • Um jovem morreu no seguimento das torturas, segundo uma ONG de defesa dos direitos humanos 
  • Os atacantes actuam com impunidade, animados pelas leis anti-gay de Putin 
(...)
«A ONG acrescenta que, apesar de ter dado conhecimento às autoridades, estas não fazem nada, e que a aprovação das leis que proíben a “propaganda homossexual” (de facto, qualquer acto que implique falar de homossexualidade como algo natural) são um caldo de cultura ideal para estes movimentos.» -- ler mais

Russia: the anti-gay Olympics?

Ao presidente Putin, políticos russos e todos os líderes mundiais:

  • ELIMINEM TODAS AS LEIS ANTI-GAY 
  • FAÇAM PRESSÃO PARA QUE TODOS OS CIDADÃOS SEJAM PROTEGIDOS CONTRA A VIOLÊNCIA E A DISCRIMINAÇÃO NA RÚSSIA

assinar a petição aqui 
PELOS DIREITOS HUMANOS!

LIBERTÉ , ÉGALITÉ , FRATERNITÉ

AR: "centro de corrupção"


Paulo Morais acusa Parlamento de ser "centro de corrupção" 
Publicado em 2011-06-19 

O ex-vice-presidente da Câmara do Porto Paulo Morais afirmou sexta-feira à noite, no Porto, que "o centro de corrupção em Portugal tem sido a Assembleia da República, pela presença de deputados que são, simultaneamente, administradores de empresas". 

"Felizmente, este parlamento vai-se embora. Dos 230 deputados, 30%, ou seja 70, são administradores ou gestores de empresas que têm directamente negócios com o Estado", denunciou Paulo Morais, num debate sobre corrupção organizado pelo grupo cívico-político Porto Laranja, afecto ao PSD. 

Para o professor universitário, o parlamento português "parece mais um verdadeiro escritório de representações, com membros da comissão de obras públicas que trabalham para construtores e da comissão de saúde que trabalham para laboratórios médicos." 

Paulo Morais acusou o Grupo Lena de ser o maior fornecedor do Estado português (dados de 2009) e os políticos de criarem "legislação perfeitamente impercetível", com "muitas regras para ninguém perceber nada, muitas excepções para beneficiar os amigos e um ilimitado poder discricionário a quem aplica a lei". 

"A legislação vem dos grandes escritórios de advogados, principalmente de Lisboa, que também ganham dinheiro com os pareceres que lhes pedem para interpretar essas mesmas leis e ainda ganham a vender às empresas os alçapões que deixaram na lei", criticou. 

Para o vice-presidente da organização não governamental Transparência Internacional em Portugal (TIP), "os deputados estão ao serviço de quem os financiou e não de quem os elegeu", sendo a lei do financiamento dos partidos "a lei que mais envergonha Portugal". 

 "Há uma troca permanente de cadeiras entre o governo e os bancos e construtoras, que são quem financia os partidos", afirmou Paulo Morais, citando os casos de Jorge Coelho e Valente de Oliveira, administradores da Mota Engil, e de José Lello, administrador da BST. 

Paulo Morais deu como exemplo de corrupção a renegociação que o governo de José Sócrates fez com as concessionárias das antigas autoestradas sem custos para o utilizador (SCUT), assinando em Julho de 2010 anexos aos respectivos contratos que substituem a contagem de tráfego por estimativas de passagem. 

"As concessionárias das SCUT são as mesmas que financiam os partidos", sublinhou, defendendo que o novo Governo deve renegociar de novo esses contratos, porque apenas beneficiam as construtoras e obrigam o Estado a pagar muito mais. 

Paulo Morais criticou também as "vigarices" na área do urbanismo praticadas por muitos municípios, acusando-os de "valorizar terrenos à ordem dos dois mil por cento sem qualquer dificuldade", apenas para beneficiar um determinado "predador imobiliário". 

"Este tipo de máfia só existe em dois tipos de negócios em Portugal: no urbanismo e no tráfico de droga", frisou, criticando a "promiscuidade absoluta entre Estado e privados". 

Paulo Morais revelou que a TIP está a preparar um portal na Internet, inspirado no site usaspend.gov que o então senador Barack Obama lançou há alguns anos para tornar públicos todos os gastos governamentais nos Estados Unidos, em que será possível encontrar de forma rápida e fácil a informação "aparentemente pública, mas que não é escrutinável". 

O portal deverá ficar online ainda este ano, estando neste momento a ser trabalhada a ferramenta de pesquisa. 

Segundo o responsável, nos últimos 10 anos, Portugal desceu nove lugares no Índice de Perceção de Corrupção da Transparência Internacional, estando actualmente na 34.ª posição a nível mundial e numa das piores posições na Europa (estão atrás apenas a Itália, Grécia e alguns países de Leste). 

O bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, que também participou no debate, defendeu que os advogados devem deixar de exercer a profissão quando são eleitos deputados. 

Marinho Pinto criticou também que as obras públicas em Portugal sejam pagas sempre por preços superiores aos das adjudicações, afirmando que "isto só é possível num país onde não há opinião pública e os partidos estão comprometidos até à medula".  -- fonte

Portugal corrupto

25 anos de Portugal europeu

Combate à corrupção: entre a perceção e a realidade 


 por Marina Marques
07 agosto 2013

Os indicadores oficiais do Banco Mundial colocam Portugal numa posição que pode considerar-se confortável quanto ao combate à corrupção, a meio da tabela. E até as estatísticas nacionais da justiça vão nesse sentido. Mas a perceção que os cidadãos têm desta realidade é bem diferente. De entre os seis indicadores de governança, é na qualidade regulatória que Portugal surge pior 

Oito em cada dez portugueses dizem que a corrupção aumentou. Há um mês, esta foi a principal conclusão do Barómetro Global da Corrupção, apresentado em Portugal pela TIAC - Transparência e Integridade, Associação Cívica. Uma perceção da realidade que parece não bater certo com a 13.ª posição ocupada por Portugal no conjunto da UE27 (ver gráfico), no indicador "controlo da corrupção" do Banco Mundial. 

"O papel da comunicação social explica, em parte, a perceção que a sociedade tem da corrupção", explica António João Maia, sociólogo e colaborador do OBEGEF - Observatório de Economia e Gestão de Fraude. "Alguns casos, pela sua dimensão ou pelas pessoas envolvidas ganham mais destaque, sobretudo no início da investigação. Mas depois acabam por cair no esquecimento e a perceção que tende a ficar nas pessoas é de um grande alarido, mas sem quaisquer consequências ao nível da justiça". 

No entanto, refere, "quando se analisam as estatísticas da justiça, deparamo-nos com uma outra realidade". "Em média, um em cada três processos iniciados por suspeita de ocorrência de crime de corrupção chegam a julgamento. E de entre os suspeitos acusados, cerca de 65% acabam condenados", sustenta António João Maia. "Resta saber se são os pequenos ou os grandes casos de corrupção que estão entre esses 65%, mas não tenho dados que me permitam fazer essa leitura", remata. 

Paulo Morais, vice-presidente da TIAC, destaca um outro dado: "Em termos de corrupção percecionada, do Índice de Perceção da Corrupção, Portugal passou da 23.ª posição, em 2000, para o 33.º lugar que ocupa atualmente. Foi mesmo o país do mundo que mais deteriorou a sua posição". "É por isso", continua, "que não percebo Pedro Passos Coelho, Cavaco Silva ou Paulo Portas quando dizem que Portugal recuperou a sua credibilidade externa. Para ser credível, o País tem de ser confiável e sério". 

Apesar de reconhecer a concretização de algumas medidas de caráter legislativo nos últimos anos - "que não saem do papel", sublinha - Paulo Morais avança com algumas sugestões em concreto para um mais eficaz combate à corrupção: simplificação legislativa, sobretudo ao nível dos contratos da administração pública, criação de tribunais com competências especializadas para a área da corrupção e com os meios ajustados e a aplicação efetiva da lei de recuperação de ativos, publicada em 2010, "mas da qual não se conhecem resultados". 

De entre os seis indicadores de governança do Banco Mundial destacados pelo estudo "25 anos de Portugal europeu", da Fundação Francisco Manuel dos Santos, "o atraso de Portugal [em relação aos parceiros iniciais da coesão] é mais visível na qualidade regulatória que avalia a capacidade das autoridades governativas em gerar políticas e enquadramentos regulatórios que promovam um ambiente económico e empresarial favorável". Neste ponto, Portugal surge na 23.ª posição. E relativamente aos parceiros iniciais da coesão, só a Grécia tem pior desempenho. --- fonte

assim vai este país..

.
"ética, promiscuidade e transparência"
.

10/08/13

Urbano Tavares Rodrigues, RIP


Há menos de um ano Urbano Tavares Rodrigues deu esta entrevista ao Negócios. Poucos meses antes de fazer 90 anos, o escritor faleceu. O Negócios volta a publicar a entrevista. Leia na íntegra: aqui




Destino
I
Trago na fonte
e estrela do fogo
da minha revolta
Nunca aceitaria qualquer tirania
nem a do dinheiro
nem a do mais justo ditador
nem a própria vida eu aceito...
tal como ela é
com todas as promessas
do amor e da juventude
e a parda doença
de envelhecer
a morte em cada dia
antecipada

II
Na mais lebrega alfurja
ou na cama de folhas macias
da floresta
onde a chuva te adormeceu
há sempre um idamante de sol
cujos raios te penetram de
ventura
ao sonhares a palavra
liberdade

III
Quando a terra poluída
tiver sorvido
toda a água dos lagos e das
fontes
hei-de levar o meu fantasma
até ao porto sonoro
onde a esperança cai a pique
sobre o mar dos desejos sem limite

Urbano Tavares Rodrigues, in "Horas de Vidro" -- fonte



Público,
09/08/2013 - 11:14 (actualizado às 19:22) 

Morreu Urbano Tavares Rodrigues, um humanista da escrita  

Em Dezembro faria 90 anos, tinha 61 anos de carreira literária.
por Isabel Lucas , Isabel Coutinho , Sérgio C. Andrade e Catarina Moura ------ (um texto "a 4 mãos" muito mal escritinho, que em nada honra a memória desse escritor-maior, agora desaparecido.. Enfim, vale pela informação..)


O escritor, jornalista e militante do PCP Urbano Tavares Rodrigues morreu na manhã desta sexta-feira, no Hospital dos Capuchos, em Lisboa. Estava a poucos meses de completar 90 anos. (...) A notícia foi conhecida através da página de Facebook "Urbano Tavares Rodrigues - escritor" e foi publicada pela filha, a escritora Isabel Fraga.

Numa entrevista ao Ípsilon [ver em baixo] em Outubro do ano passado, Urbano Tavares Rodigues dizia: “Mereço amplamente o Prémio Camões”. A frase saiu a meio de uma conversa sobre livros e política. Reflectia o sentimento de uma justiça por fazer. Não era a primeira vez que deixava cair o desabafo. Fazia, então, 60 anos de obra literária (...)

Urbano Tavares Rodrigues nasceu em Lisboa, a 6 de Dezembro de 1923, filho de uma família de grandes proprietários agrícolas de Moura, Alentejo. Foi, aliás, em Moura que fez a escola primária. Depois, já em Lisboa, ingressou no Liceu Camões, onde foi colega de Luís Filipe Lindley Cintra e do irmão de Vasco Gonçalves, António.

Licenciou-se na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa onde cursou Filologia Românica. Desde cedo começou a militar na oposição ao Estado Novo. Isso valeu-lhe o impedimento de trabalhar como professor. Passou pela prisão em Caxias e foi para um longo exílio em França. Em Paris, conheceu alguns dos intelectuais da década de 1950, caso de Albert Camus, de quem foi amigo e que era presença frequente nas suas conversas. Foi professor na Faculdade de Letras, crítico literário e esteve sempre ligado ao Partido Comunista Português.

O escritor, autor de Os Insubmissos, era amigo de Mário Soares. “É para mim uma grande e profunda tristeza o falecimento de Urbano Tavares Rodrigues, de quem fui amigo desde a minha juventude. Era um amigo íntimo e muito querido, uma pessoa com muitas virtudes”, disse esta sexta-feira ao PÚBLICO o antigo Presidente da República. 
(...)
Autor de uma vasta obra, onde se destaca o romance, a prosa poética, o conto e a poesia, Urbano Tavares Rodrigues era um crítico atento e presença regular nas páginas dos jornais. Ao PÚBLICO, Manuel Alegre lembra que foi Urbano o autor do primeiro texto publicado sobre a Praça da Canção. “Saiu no República, em pleno fascismo”, lembra o poeta, recordando “um grande amigo, grande camarada, um escritor que marcou o século XX; um grande prosador que sempre tomou partido e não se fechou nunca numa torre de marfim e que combateu pela liberdade, pela acção e pela palavra.”

O escritor e ex-deputado salienta ainda a enorme atenção de Urbano Tavares Rodrigues às novas gerações de escritores. a enorme atenção de Urbano Tavares Rodrigues às novas gerações de escritores. Foi para ele que José Luís Peixoto enviou um exemplar da edição de autor de Morreste-me, o seu primeiro livro publicado em edição de autor. E seria Peixoto a apresentar o último título de Urbano Tavares Rodrigues, A Imensa Boca dessa Angústia e outras Histórias, editado em Abril passado pela D. Quixote. “A minha mãe era leitora do Urbano. Havia muitos livros dele lá em casa. Parte da minha formação foi feita a lê-los. Na minha adolescência encontrava ali o Alentejo que era a minha realidade”, disse o escritor ao PÚBLICO.

Também dessa geração mais nova é o escritor e realizador Possidónio Cachapa, autor do documentário O Adeus à Brisa, uma produção Filmes Tejo para a RTP, de 2009.  (...) “Urbano Tavares Rodrigues é muito mais do que alguns rótulos que se lhe possam colocar. Ele fez o que fez pelo seu sentido de humanidade, pelo coração. O irmão dele diz que Urbano chega ao Partido Comunista Português pelo coração e não pela ideologia. Tinha a visão do que devia ser uma humanidade harmoniosa e ao mesmo tempo deparava-se com um sistema que não funcionava.

Na entrevista que deu ao Ípsilon em 2007, Urbano Tavares Rodrigues confessou que o momento mais difícil no interior do Partido Comunista Português foi “quando se começou a saber, por cá, a realidade imposta pelo Estaline.” E quando questionado sobre os seus heróis, respondeu: “Os meus heróis? O meu irmão e Álvaro Cunhal! Fiquei encantado com o Gorbatchov! Mas, volvidos estes anos, em questões de poder, a Rússia de Putin inspira sérias preocupações. Não gosto nada dele.”

O escritor Mário Cláudio lamenta muito a sua morte, mesmo se ela estava anunciada devido à sua doença. "Foi um amigo do coração, mestre de escrita, de coragem, de profissionalismo, de companheirismo, de humanidade, de espírito de conciliação para além de todo o sectarismo", disse ao PÚBLICO o escritor num depoimento por telefone. Urbano Tavares Rodrigues "era alguém de quem se dizia bem em vida – o que não é habitual entre nós –, não só como escritor mas também no plano cívico. Nunca usou o seu posicionamento político, que era bem conhecido, para fazer qualquer espécie de segregacionismo. Há melhor? Não há. Parecido? Também não. Quase não se acredita que fosse português. Mas era. Por isso, nem toda a esperança está perdida."

O que Mário Cláudio também acha admirável em Urbano Tavares Rodrigues é que ele manteve a sua oficina de escrita até ao fim, e também o seu contacto com os amigos e companheiros de escrita. "Nos anos 50/60, ele surgiu como uma lufada de ar fresco na literatura portuguesa, tendo conseguido superar o modelo neo-realista, estabelecendo pontes com a literatura francesa da época e o realismo mágico da América Latina. E enfrentou de forma aberta, sem falsos pudores, o tema do sexo e do erotismo." "Uma figura assim não podia escapar a determinadas agressões: morderam-lhe os calcanhares – era fatal que isso acontecesse. Mas Urbano Tavares Rodrigues foi sempre superior a tudo isso. Deixou um itinerário de excelência", concluiu Mário Cláudio.

Da Amazónia, onde está a participar num festival, José Luís Peixoto lamenta a morte do amigo, lembra a generosidade do homem que nos últimos anos tinha “alguma mágoa por ver a vida afastar-se de si”. Sinal dessa vitalidade que agora se manifestava apenas na escrita, lembra, Peixoto, é o filho de Urbano Tavares Rodrigues, António. Para ele Urbano deixou uma carta. Falava muito dela. Dizia que era a grande herança que lhe deixava. António que agora tem sete anos, deveria abri-la aos dez anos. A mensagem é a da tolerância.

A académica Maria Alzira Seixo foi sua aluna no primeiro ano da Faculdade de Letras de Lisboa. Contou ao Ípsilon que o professor passava por ela e dizia: "Sabe, trago sempre comigo a pasta de dentes e o pijama.” A aluna naquela época, finais dos anos 50, achava desconcertante o desabafo. E nesse artigo do Ípsilon, em 2007, explicava ainda que quando, em 1958, apareceu Uma Pedrada no Charco, com que Urbano Tavares Rodrigues ganhou o seu primeiro prémio, o Ricardo Malheiros, da Academia de Ciências, percebeu o que o seu professor lhe queria dizer: “No mesmo dia o Urbano era chamado e às vezes preso pela PIDE [a ex-polícia política da ditadura de Salazar].”

“Portugal perde um grande escritor e um homem exemplar. Lutou sempre pelas suas convicções com um grande sentido humanista”, diz ao PÚBLICO o editor Manuel Alberto Valente, que perdeu um grande amigo. “Julgo que Portugal não lhe prestou a merecida homenagem em vida e espero que agora se lembre de lha prestar”, acrescenta o director da Porto Editora. “Enquanto isso, espero que as pessoas o possam homenagear lendo os seus livros."

O Urbano tinha uma coragem moral e física invulgares, que nem sempre se acompanham”, disse à agência Lusa o escritor e jornalista Baptista-Bastos, que recordou o “amigo e camarada exemplar”. “As coisas de inveja não eram com ele”, afirmou. (...) Baptista-Bastos recordou ainda à Lusa alguns dos “feitos” do autor de Bastardos do Sol. Como quando, “numa das vezes em que foi preso pela PIDE [Polícia Internacional de Defesa do Estado]”, a polícia política da ditadura, antes do 25 de Abril de 1974, “Urbano, rodeado de ‘pides’ virou-se para eles, e disse: ‘Antes que me batam, levam com esta cadeira’, e partiu-a em dois ou três daqueles ‘mariolas’, mas - é claro -, depois levou uma monumental tareia”.

Outro dia, lembra ainda Baptista-Bastos, vários escritores e advogados da oposição juntaram-se à porta da livraria Sá da Costa, em Lisboa, e viram o Urbano a descer o Chiado na direcção deles. “De repente, vimo-lo voltar atrás e entrar na pastelaria Bénard e, dali a pouco, ouvimos um ‘catrapaz, catrapuz!’ e fomos ver. Tinha sido o Urbano que se virara ao Manuel Múrias [crítico do jornal Diário da Manhã, matutino oficioso do regime ditatorial] que era um homem corpulento de dois metros de altura”, contou Baptista-Bastos à Lusa. “O caso tinha sido que o Múrias tinha feito uma crítica ignóbil a um livro da Maria Judite de Carvalho, [então] mulher do Urbano, na qual sugeria que, em vez de escrever livros, devia ficar em casa a fazer filhos, uma coisa que é de uma ordinarice total”, desabafou Baptista-Bastos.

Urbano Tavares Rodrigues “não era um homem para graças, era um homem de grande fibra”.

Em 2007 começaram a ser publicadas pela Dom Quixote as suas Obras Completas. Entre os cerca dos cem títulos que publicou destacam-se Bastardos do Sol, Dissolução, Estrada de morrer, Agosto no Cairo: 1956, O Tema da Morte na Moderna Poesia Portuguesa, integrado depois em O Tema da Morte: Ensaios, O Algarve na Obra de Teixeira Gomes, A Saudade na Poesia Portuguesa, A Natureza do Acto Criador, O último dia e o primeiro, Contos da solidão, Os insubmissos, Tempo de cinzas, Torres Milenários, Bastardos do Sol, O Algarve em poema, Os Cadernos Secretos do Prior do Crato. Nessa altura, Urbano Tavares Rodrigues disse ao Ípslion que era a concretização de um sonho antigo.

A despedida no novo livro: "E tudo será luz"
No início de Julho passado fez chegar à sua editora na Dom Quixote, Cecília Andrade, aquele que será o seu último livro, Nenhuma Vida, a publicar ainda este ano, divulgou nesta sexta-feira a editora. Esse romance, que será lançado para assinalar os 90 anos do escritor, aborda questões que Urbano Tavares Rodrigues tratou na sua obra, mas também ao longo da sua vida, como as lutas políticas e sociais, a solidariedade, as relações humanas, mas também a sexualidade e o erotismo. “É um romance muito curto e onde está todo o espírito do autor”, diz Cecília Andrade, acrescentando que apesar de as personagens não serem auto-biográficas, as questões abordadas têm muito da experiência do autor. Tem um prefácio escrito pelo próprio e que é já uma despedida. "Daqui me vou despedindo, pouco a pouco, lutando com a minha angústia e vencendo-a, dizendo um maravilhado adeus à água fresca do mar e dos rios onde nadei, ao perfume das flores e das crianças, e à beleza das mulheres. Um cravo vermelho e a bandeira do meu Partido hão-de acompanhar-me e tudo será luz".


06/08/13

a espécie humana é basicamente má ?


Foi há 68 anos, num mês de Agosto:
HIROSHIMA (6)  e  NAGASAKI (9)


Foi .. injustificável.

Uma corrida contra o tempo para ver quem matava mais, americanos ou russos, bombas ou lutas no terreno.
Um alhear-se do sofrimento, homens, mulheres, crianças, velhos e jovens todos inexistindo, todos sem peso em tudo o que fosse decisão política ou operação militar. 
A pele que lhes pendia como panos brancos dos membros e do tronco, os que não foram logo pulverizados, multiplicando-se na terra aquele inferno de primeira vez. E o de segunda ..
As feridas impossíveis, eles todos, recusados, "sujos" onde lhes não conheciam a doença, muito menos a cura.
Crimes de guerra não assumidos, inimputados.
Miséria de raça, miséria.

Hoje, 9 países têm a bomba atómica. O arsenal mundial é constituído por 20 mil ogivas, o suficiente para matar toda a população da terra vezes e vezes sem conta  (fonte)
..

voz de Ney Matogrosso sobre poema de Vinicius de Moraes:
Rosa de Hiroshima



Em Agosto de 1945, duas bombas com nomes de brincadeirinha, Little Boy e Fat Man, uma de urânio, outra de plutónio, são lançadas com intervalo de 3 dias sobre duas cidades japonesas. O horror sem nome, os milhares de mortos e feridos no imediato, os efeitos radioactivos depois, os cancros, as mutações genéticas, o medo ..
Harry Truman, presidente dos EU, no dia do bombardeamento de Hiroshima, 6 de Agosto de 1945: «Having found the atomic bomb, we have used it. We have used it against those who attacked us without warning in Pearl Harbour.» - fonte   Resumindo: «já que a descobrimos, usámo-la.» . Assim, sem o mais pequeno laivo de um remorso..
HIROSHIMA, MON AMOUR, de Alain Resnais:

Três dias depois do horror de Hiroshima e alvo por azar, Nagasaki é atacada com uma 2ª bomba atómica. Porquê???
Basicamente, para testar a potência destrutiva do outro 'brinquedo' de guerra do Projecto Manhattan, a bomba de plutónio: «Scientists at Los Alamos were also intrigued as to which type of bomb was the better - a uranium or plutonium based bomb. 'Little Boy' showed its effectiveness at Hiroshima but another bombing mission was needed to see what damage a plutonium bomb could do.» - ler mais

Nagasaki: the forgotten bomb:

Dois massacres evitáveis, que aconteceram pelos joguinhos de interesses, a teimosia e a sede de poder e de hegemonia dos senhores da guerra do Japão, Estados Unidos e Rússia:
  • A prioridade dos EU, afastar a URSS (um "aliado pouco confiável") do Japão, assim contrariando a expansão Soviética no extremo Oriente: «- Pofessor Tsuyoshi Hasegawa: "Com a bomba atómica, Truman podia acabar a guerra sem os soviéticos." Mas, para isso acontecer, os EU tinham de lançar a bomba antes de 15 de Agosto, a data em que a URSS  dizia que se juntaria aos EU na guerra contra o Japão.»
  • A aspiração da URSS, estender o seu domínio aos territórios ocupados pelos Japoneses, nomeada e principalmente a China. A invasão da Manchúria (ocupada pelo Japão) acontece antes do previsto e 'prometido', precisamente a 9 de Agosto de 1945, horas antes do ataque a Nagasaki.
  •  A preocupação n.º 1 do Japão, manter o imperador e o seu sistema político.
*
A história 'aceite' é de que as duas bombas sobre o Japão levaram ao fim da guerra, assim salvando milhares de vidas (americanas e japonesas) que, de outra forma, se teriam perdido com uma invasão por terra do Japão. 
Tsuyoshi Hasegawa, historiador, autor e professor na Universidade da Califórnia, St. Barbara, contesta o 'mito', depois de ter passado anos a vasculhar os arquivos americanos, russos e japoneses: «Não é o horror da bomba atómica que leva à rendição japonesa, mas sim a ameaça colocada pela invasão soviética. A entrada da União Soviética na guerra do Pacífico fez com que o imperador Hirohito percebesse como era perigoso continuar a guerra: comunismo e imperialismo não são compatíveis, e o sistema imperial estaria seriamente comprometido com os russos no terreno.»
--- mais informação no vídeo acima, do National Geographic Channel, Nagasaki, The Forgotten Bomb 


Barton Bernstein, historiador e professor na Stanford University: «o acto de lançar a segunda bomba atómica em Nagasaki depois da invasão soviética foi trágico e inteiramente fútil.»
 Nagasaki antes e depois da bomba:
fonte

 

lá como cá ..

img. daqui

Mudar só as moscas não basta

no i
publicado em 5 Ago 2013
por Tomás Vasques *

A ministra das Finanças, cuja nomeação para o cargo esteve na origem da crise política desencadeada pelo líder do CDS-PP, acabou por se afogar na sopa dos swaps 

bad night, de Telmo Vaz Pereira
Parecia estar o governo posto em sossego, pelo menos neste mês de Agosto, colhendo o doce fruto do "novo ciclo", iniciado após as tomadas de posse do vice-primeiro-ministro, de novos ministros e de secretários de Estado, abençoadas pelo senhor Presidente da República. O processo culminou na aprovação de uma patética moção de confiança, apenas destinada a dar à luz a "nova coesão" da coligação que nos governa, expressa em sorrisos fingidos e palmadinhas nas costas cinicamente ensaiadas. Nem as sondagens publicadas nos primeiros dias deste mês da preguiça apresentavam oscilações em relação a anteriores que tirassem o sono aos protagonistas da bizarra crise política de Julho. Passos Coelho descontraiu, foi a banhos para o Algarve. O senhor Presidente da República, também. O governo, a meio gás, às voltas com os cortes na despesa de Estado para apresentar à troika, ficou nas mãos de Paulo Portas, que entretanto se instalou no palácio do conde de Farrobo. Mas, parafraseando o poeta, o sossego foi apenas engano da alma, que a Fortuna não deixou durar muito: foi denunciada a presença no governo, recentemente empossado, de um secretário de Estado altamente "tóxico". 

Dois dias depois de a senhora ministra das Finanças se ter enredado, na inútil comissão de inquérito, pela segunda vez, em duvidosas explicações sobre os swaps, e quando tudo parecia amainar, acabou-se o sossego. A revista "Visão" noticiou que o novo secretário de Estado do Tesouro, escolhido pela dita senhora ministra, tinha sido vendedor, ao serviço de um banco, daqueles contratos de gestão de riscos financeiros a empresas públicas e ao Estado, na sua modalidade mais "tóxica" e imoral: mascarar o défice orçamental e as contas públicas. Foi doloroso ver o novo secretário de Estado do Tesouro explicar aos jornalistas, num daqueles encontros propagandísticos montados pelo ministro Poiares Maduro, as suas responsabilidades passadas: não sei, não fui eu que concebi o produto, não respondo, não me lembro. A cena foi tão triste de se ver, o embaraço e a pedra no sapato foi tal, que até um dos nossos conselheiros Acácios, o comentador Marques Mendes, veio defender a demissão do homem. É caso para dizer que a senhora ministra das Finanças, cuja nomeação para o cargo esteve na origem da crise política desencadeada pelo líder do CDS-PP, acabou por se afogar na sopa dos swaps. 

Hoje é claro para quase todos o embuste da tese propalada por este governo segundo a qual a maioria dos portugueses tinha de empobrecer porque "vivia acima das suas possibilidades". O brutal empobrecimento dos portugueses, através do saque fiscal e do aumento dos transportes, da energia e de tudo o mais, a que foram sujeitos nos últimos dois anos, destinou-se sobretudo a pagar os deboches de um grupo que circula entre os bancos, a administração de empresas públicas e o governo, numa promiscuidade imoral e eticamente decadente. Tanto estão nos bancos a vender swaps "tóxicos" ao governo, como passam rapidamente para a gestão de uma empresa pública onde "negoceiam" contratos de parcerias público-privadas com os bancos onde trabalharam, como são ministros e secretários de Estado incumbidos de resolver junto dos bancos os contratos desastrosos que com estes anteriormente firmaram. 

Foi esta teia de interesses obscuros, esta gente que não está sujeita a qualquer escrutínio democrático, mas usa o dinheiro dos contribuintes a seu bel-prazer, que nos trouxe até aqui e que, a continuar, nos arrastará para uma miséria ainda maior e afundará o regime democrático. No estado em que estamos, a alternativa deixou de ser entre austeridade e crescimento. A alternativa é entre a decência, a moral e a ética política e esta pantominice que nos tem conduzido à desgraça. Se mudarmos só as moscas, fica tudo na mesma. -- fonte

*  Jurista, escreve à segunda-feira

«Mais umas poucas Dúzias de Homens Ricos»

por Almeida Garrett (1799-1854)


My Field, de Telmo Vaz Pereira

Não: plantai batatas, ó geração de vapor e de pó de pedra, macadamizai estradas, fazei caminhos de ferro, construí passarolas de Ícaro, para andar a qual mais depressa, estas horas contadas de uma vida toda material, maçuda e grossa como tendes feito esta que Deus nos deu tão diferente do que a que hoje vivemos. 
Andai, ganha-pães, andai; reduzi tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de interesse corporal, comprai, vendei, agiotai. No fim de tudo isto, o que lucrou a espécie humana? Que há mais umas poucas dúzias de homens ricos. 

E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar a miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico? 

- Que lho digam no Parlamento inglês, onde, depois de tantas comissões de inquérito, já devia andar orçado o número de almas que é preciso vender ao diabo, número de corpos que se tem de entregar antes do tempo ao cemitério para fazer um tecelão rico e fidalgo como Sir Roberto Peel, um mineiro, um banqueiro, um granjeeiro, seja o que for: cada homem rico, abastado, custa centos de infelizes, de miseráveis. 

 Almeida Garrett, in 'Viagens na minha Terra'