- as imagens das colunas laterais têm quase todas links ..
- nas páginas 'autónomas' (abaixo) vou recolhendo posts recuperados do 'vento 1', acrescentando algo novo ..

13/08/13

Passos taxi driver

JN,
12 de Agosto de 2013
por Alfredo Leite

Passos precisa estagiar na Noruega

Já passou um terço do mês de agosto e, estranhamente, há poucos sinais da cíclica "silly season". É certo que o fim do verão ainda está longe e que já este fim de semana a imprensa nos brindou com uma longa matéria sobre a palpitante e extraordinária existência de 500 anões a viver em Portugal, mas a explicação para não termos dado pela "patética estação" pode ter a ver com habituação. De tanto disparate nos entrar pela vida adentro, este ano não há "silly season" capaz de nos surpreender. Vem isto a propósito de uma notícia publicada ontem à tarde na edição digital do Jornal de Notícias. Desta vez, a aparente tolice (e era mesmo só aparente) vinha da Noruega, onde o primeiro-ministro decidiu revelar que, recentemente, se tinha disfarçado de taxista de Oslo, para aferir das preocupações dos seus conterrâneos. Sem intermediários. Contava a notícia do JN.PT que Jens Stoltenberg vestiu um uniforme de taxista e colocou óculos de sol, ainda que o disfarce não tenha enganado todos. As conversas do inusitado motorista com os seus passageiros foram gravadas por uma câmara oculta, para uso posterior num vídeo da campanha para a reeleição de Stoltenberg. A explicação para a aventura do primeiro-ministro é simples: "Se há um sítio onde as pessoas dizem realmente o que pensam sobre quase tudo, é no táxi". 

A 3600 quilómetros de Oslo, há outro líder de Governo que nem disfarçado conseguiria evitar ouvir as queixas dos seus compatriotas. Chama-se Pedro Passos Coelho e usa óculos de sol, mas para encarar a claridade do dia no Algarve, onde se encontra a gozar férias. Merecidas, claro, após um ano de cortes intensos e trabalhosas remodelações sem fim à vista. Ontem, a segurança do veraneante ilustre afastou uns prudentes 100 metros da casa na Manta Rota, onde Passos descansa, os elementos da Comissão de Utentes da Via do Infante que, uma vez mais, saíram à rua para contestar as portagens naquela importante estrada. O protesto será certamente inglório. Um dos membros da dita comissão queixava-se de já no ano passado ter tentado, sem sucesso, entregar a Passos Coelho uma carta. Este ano, insistiu na façanha, mas vai certamente ficar a falar sozinho. Se fosse na Noruega, pouparia o megafone, as panelas e os cartazes. Bastaria apanhar um táxi. E, para que não restassem dúvidas, seria o próprio governante, como fez Stoltenberg, a colocar no Facebook, Twitter e YouTube o resultado do contacto com o povo. 

Cá, onde a classe política faz de conta que usa as modernas ferramentas para comunicar com as pessoas, seria certamente diferente. Passos Coelho, que também está no Facebook, resolveu baldar-se para os eleitores que lhe deram os votos e os "likes" e, mal começou a ser contestado no mundo digital - como se fosse diferente das ruas -, decidiu deixar de atualizar a página. Parou a 26 de Dezembro do ano passado, após uma patética mensagem de Natal que mereceu qualquer coisa como 28 mil comentários, para não dizer insultos. Imagine-se o que seria desde então com tanta trapalhada governativa... 

É também nas redes que Jens Stoltenberg revela que em Oslo nenhum dos passageiros do camuflado chefe de Governo pagou a corrida. Por cá, não temos a mesma sorte e a coisa vai piorar. É só esperar pelo Orçamento do Estado para ver quantas corridas vamos ter que pagar a Passos Coelho.
fonte
"quem não deve, não teme!"

11/08/13

"O corte das reformas explicado aos tansos"



por FERREIRA FERNANDES

Os cortes são, portanto, para todos os reformados do Estado. Todos? Isso, todos. Mas mesmo todos, todinhos? Todinhos, com exceção de juízes, magistrados do Ministério Público, militares e diplomatas, claro. Claro porquê? Claro porque as reformas desses estão indexadas ao salário dos trabalhadores no ativo. E isso quer dizer o quê? O que está lá escrito, preto no branco: as reformas desses estão indexadas ao salário dos trabalhadores no ativo. As palavras já ouvi, mas que querem dizer? Eu traduzo: Muzyk yn de brede sin fan it wurd. OK, OK, mas porquê beneficiar exatamente militares? Porque são das Forças Armadas. E...?! Parecem-me duas boas razões. Que duas? O forças e o armadas. E os juízes e os magistrados, também são forças armadas? Não, esses é por estarem vivos. Mas todos os funcionários que recebem reforma estão vivos, ou não? Sim, respiram, estrebucham, mas não há razões para os privilegiarmos por isso. E então os juízes e os magistrados que vida especial têm? Uma vida que faz prova de vida, a prova de vida deles. Prova de vida deles?! É, há sempre um Tribunal Constitucional que declara isto inconstitucional aqui, um Ministério Público que abre inquérito acolá, eles estão vivos e estão sempre a dizê-lo. Então? Então, nós reconhecemo-los. Reconhecem como? Com pensões especiais para que não estejam tão vivos. Última pergunta, e os diplomatas? Esses é mais por uma questão estética, ficam sempre bem num grupo.

antes o inferno!


de Egon Schiele
Na primeira noite, eles vêm 
e colhem uma flor do nosso jardim. 

E não dizemos nada. 

Na segunda noite, já não se escondem, 
pisam as flores, matam o nosso cão.

E não dizemos nada. 

Até que um dia, o mais frágil deles 
entra sozinho em nossa casa, 
rouba-nos a lua, 
e, conhecendo o nosso medo, 
arranca-nos a voz da garganta. 

E porque não dissemos nada, 
já não podemos dizer nada. 

Maiakovski (1893-1930)
 
É assim .. primeiro foram os negros, depois foram os judeus, agora são os homossexuais. E houve os índios e os ciganos e as mulheres. Há o ódio, o medo, os bullies e os neonazis, a irracionalidade, a violência sem paralelo desta espécie animal auto-denominada superior.
Vejo na net as fotos das agressões, agora, na Rússia. Leio sobre os achincalhamentos, a discriminação, a cumplicidade da polícia, a cobertura dos políticos.
As vítimas são os homossexuais. Podiam ser os imigrantes os sem-abrigo os velhos os doentes os pobres as mulheres.
Alguém que não é nada, que nunca será nada, escolheu-os para alvo. Nada mais do que isto. Como merda exposta num passeio, os agressores atraem os vermes mais nojentos seus iguais, nazis como eles, como os outros de há 60 anos. O número como única coragem. E batem e seviciam e sequestram e matam: pela diferente cor da pele, crença religiosa, opção sexual. Século 21, planeta terra, espécie humana. Nojo.

as notícias:

da defesa dos direitos humanos,

Prefiro o inferno a um paraíso homofóbico”, diz Nobel da Paz e líder religioso africano. Desmond Tutu, um dos principais ativistas na luta contra o apartheid, participa de campanha internacional da ONU pela comunidade LGBT -- ler mais
Papa Francisco contra a marginalização dos homossexuais --- ler

Stephen Fry apela a boicote aos Jogos Olímpicos de Inverno na Rússia devido a leis anti-gay -- fonte     


das reacções às leis anti-gay na Rússia:
notícias do jornal inglês The Guardian:

Antropóloga comenta estupidez da cura gay

 Postado em: 27 jun 2013

A cura gay é um esconderijo para os que sofrem com o armário — em vez de romperem a prisão do medo, vão lançar-se numa gaiola na qual, quem se apresenta como cuidador, é um algoz do sexo! 

Não há cura para a homossexualidade, simplesmente porque não há doença nem perturbação ou perversão a serem tratadas.

Por Débora Diniz

Uma leitura rápida não é capaz de decifrar o objeto da controvérsia do Projeto de Decreto Legislativo nº 234/2011, recentemente ressuscitado pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Há pelo menos duas formas de entendê-lo. A primeira segue a literalidade dos três parágrafos do texto: ao sustar artigos da Resolução nº 1/1999 do Conselho Federal de Psicologia, o projeto autoriza tratamentos psicológicos para gays. Seria uma vigilância do Legislativo a atos supostamente abusivos dos conselhos profissionais. Mas é a segunda leitura que descortina o segredo da proposta. Não se trata de um texto sobre liberdade profissional de psicólogos, mas de uma artimanha moral. Em nome do livre exercício profissional, institui-se a cura gay.

Cura gay foi o nome dado às iniciativas para patologizar a homossexualidade, isto é, para descrevê-la como doença. Falsamente se pressupõe que a heterossexualidade seria a única sexualidade saudável, para daí se classificar as outras formas de vivência como anormais. O destino dos desviantes seria a clínica gay. Uns poucos psicólogos solitários sustentam haver tratamento psíquico para a homossexualidade e reclamam ser cerceados em sua liberdade profissional. Ora, não há liberdade profissional para práticas discriminatórias ou charlatanices — o papel dos conselhos profissionais é exatamente este: discernir a boa da má prática profissional. O Conselho Federal de Psicologia não tem dúvidas e decretou que psicólogos não podem se lançar como terapeutas da cura gay. Isso foi há mais de uma década e já 20 anos depois de a Organização Mundial da Saúde ter banido a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças. 

Leia também 

O tema da cura gay voltou à pauta nacional no mesmo dia em que a democracia se movimentava nas ruas. Eram milhões de jovens reclamando igualdade — fosse no transporte, na educação ou, simplesmente, na vida. Alheios ao clamor nacional, alguns deputados se reuniram e deram vida à homofobia travestida de democracia. Erra quem imagina que essa é uma disputa sobre liberdade profissional. O projeto não visa garantir o livre exercício profissional de psicólogos convictos de que homossexualidade é doença. Essa é só a peça final de um jogo de obscuridades. O que importa é classificar práticas sexuais entre pessoas do mesmo sexo como patológicas. Ser gay passaria a ser um tipo psicológico desviante. A clínica do desvio sexual se instauraria como uma nova especialidade no Brasil. 

Max Ernst, the Virgin spanking Infant Jesus
O psicólogo da cura gay acredita que há sexualidades abjetas. É um sujeito paralisado pela moral que falsamente supõe ser a heterossexualidade o destino dos corpos. Imagino-o como alguém assustado com a nova ordem social — os gays se casam, têm filhos, param as ruas para reclamar seus direitos. Esse vasto contingente se recusará a procurar a clínica de cura gay. Será difícil um psicólogo conseguir vencer a recusa dos gays em se reconhecerem como patológicos e ainda sobreviver à permanente crítica de colegas de profissão. Mas nem todos os gays saíram do armário, anunciaram-se em suas escolhas ou mesmo são livres para fazê-las. É para esses sujeitos que o projeto de cura gay é uma temeridade. 

A cura gay instaura a dúvida injusta de a homossexualidade ser uma doença e, assim sendo, se os indivíduos deveriam se medicar. Ela perturba as famílias ainda inquietas com a sexualidade de filhos adolescentes ao prometer um atalho para a mudança de mentalidades. A cura gay é um esconderijo para os que sofrem com o armário — em vez de romperem a prisão do medo, se lançarão em uma gaiola na qual quem se apresenta como cuidador é um algoz do sexo. Não há cura para a homossexualidade, simplesmente porque não há doença nem perturbação ou perversão a serem tratadas. No entanto, descrevê-la como desvio patológico é perturbar uma ordem inquieta sobre a sexualidade. 

Acredito que a resistência à cura gay não virá apenas dos corpos que se declaram como homossexuais, mas de toda a nova rede de relações que reconhece a homossexualidade como vivência legítima dos corpos e dos sexos. Não me espanta saber que havia poucos manifestantes gays na plenária que votou o projeto enquanto o país estava nas ruas. Só não será fácil para os deputados levarem o projeto da cura gay adiante. As ruas ainda se manterão cheias nos próximos dias, mas nossos olhos se abriram para a democracia que se exercita no Congresso Nacional. O grito das ruas anuncia que estamos fartos de injustiças. Se 20 centavos mobilizaram multidões, o que dizer de um projeto que ameaça a igualdade de milhões que movimentam as paradas gays pelo país? 

fonte

*DEBORA DINIZ – Antropóloga, professora da Universidade de Brasília, pesquisadora da Anis (Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero). Para o jornal Correio Braziliense

Rússia, a "caça às bruxas" - vergonha!!!

de Antoni Tàpies

Quando pensamos que a EVOLUÇÃO da espécie humana só pode ser no sentido da TOLERÂNCIA - para com o outro, as suas diferenças, somos confrontados com as mais abjectas atitudes e leis discriminatórias, demonstrações medievas de um obscurantismo que suporíamos /desejaríamos irradicado do século XXI. 

A Rússia, país onde se vão realizar os próximos Jogos Olímpicos de Inverno, não só tolera as mais violentas agressões - assassinatos incluídos!! - contra a sua comunidade gay e outras pessoas que a apoiam, como aprova leis discricionárias que as legitimam! 

...........
No seguimento da aprovação, em Junho, da nova lei anti-gay, na Rússia é ilegal dar informações sobre homossexualidade a menores de 18 anos. (fonte).
É .. vivesse eu na Rússia, e já estava presa, com tantos debates que fiz sobre homossexualidade nas "aulas de substituição"! (e continuaria a fazer, estivesse eu ainda no activo ..)

«Actos homossexuais são agora puníveis com prisão. Há mesmo considerações sobre retirar os filhos a pais suspeitos de homossexualidade.»  --fonte

«Putin está assustadoramente a repetir o mesmo crime insano de Hitler, só que, desta vez, contra russos LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e trans-sexuais). Espancamentos, assassinatos e humilhações são ignorados pela polícia. Qualquer defesa ou discussão isenta sobre homossexualidade são contra a lei.» --- Stephen Fry ---- fonte
 .......................
do El País:

Grupos neonazis acossam adolescentes gay na Rusia e difundem as agressões na internet

  • Um jovem morreu no seguimento das torturas, segundo uma ONG de defesa dos direitos humanos 
  • Os atacantes actuam com impunidade, animados pelas leis anti-gay de Putin 
(...)
«A ONG acrescenta que, apesar de ter dado conhecimento às autoridades, estas não fazem nada, e que a aprovação das leis que proíben a “propaganda homossexual” (de facto, qualquer acto que implique falar de homossexualidade como algo natural) são um caldo de cultura ideal para estes movimentos.» -- ler mais

Russia: the anti-gay Olympics?

Ao presidente Putin, políticos russos e todos os líderes mundiais:

  • ELIMINEM TODAS AS LEIS ANTI-GAY 
  • FAÇAM PRESSÃO PARA QUE TODOS OS CIDADÃOS SEJAM PROTEGIDOS CONTRA A VIOLÊNCIA E A DISCRIMINAÇÃO NA RÚSSIA

assinar a petição aqui 
PELOS DIREITOS HUMANOS!

LIBERTÉ , ÉGALITÉ , FRATERNITÉ

AR: "centro de corrupção"


Paulo Morais acusa Parlamento de ser "centro de corrupção" 
Publicado em 2011-06-19 

O ex-vice-presidente da Câmara do Porto Paulo Morais afirmou sexta-feira à noite, no Porto, que "o centro de corrupção em Portugal tem sido a Assembleia da República, pela presença de deputados que são, simultaneamente, administradores de empresas". 

"Felizmente, este parlamento vai-se embora. Dos 230 deputados, 30%, ou seja 70, são administradores ou gestores de empresas que têm directamente negócios com o Estado", denunciou Paulo Morais, num debate sobre corrupção organizado pelo grupo cívico-político Porto Laranja, afecto ao PSD. 

Para o professor universitário, o parlamento português "parece mais um verdadeiro escritório de representações, com membros da comissão de obras públicas que trabalham para construtores e da comissão de saúde que trabalham para laboratórios médicos." 

Paulo Morais acusou o Grupo Lena de ser o maior fornecedor do Estado português (dados de 2009) e os políticos de criarem "legislação perfeitamente impercetível", com "muitas regras para ninguém perceber nada, muitas excepções para beneficiar os amigos e um ilimitado poder discricionário a quem aplica a lei". 

"A legislação vem dos grandes escritórios de advogados, principalmente de Lisboa, que também ganham dinheiro com os pareceres que lhes pedem para interpretar essas mesmas leis e ainda ganham a vender às empresas os alçapões que deixaram na lei", criticou. 

Para o vice-presidente da organização não governamental Transparência Internacional em Portugal (TIP), "os deputados estão ao serviço de quem os financiou e não de quem os elegeu", sendo a lei do financiamento dos partidos "a lei que mais envergonha Portugal". 

 "Há uma troca permanente de cadeiras entre o governo e os bancos e construtoras, que são quem financia os partidos", afirmou Paulo Morais, citando os casos de Jorge Coelho e Valente de Oliveira, administradores da Mota Engil, e de José Lello, administrador da BST. 

Paulo Morais deu como exemplo de corrupção a renegociação que o governo de José Sócrates fez com as concessionárias das antigas autoestradas sem custos para o utilizador (SCUT), assinando em Julho de 2010 anexos aos respectivos contratos que substituem a contagem de tráfego por estimativas de passagem. 

"As concessionárias das SCUT são as mesmas que financiam os partidos", sublinhou, defendendo que o novo Governo deve renegociar de novo esses contratos, porque apenas beneficiam as construtoras e obrigam o Estado a pagar muito mais. 

Paulo Morais criticou também as "vigarices" na área do urbanismo praticadas por muitos municípios, acusando-os de "valorizar terrenos à ordem dos dois mil por cento sem qualquer dificuldade", apenas para beneficiar um determinado "predador imobiliário". 

"Este tipo de máfia só existe em dois tipos de negócios em Portugal: no urbanismo e no tráfico de droga", frisou, criticando a "promiscuidade absoluta entre Estado e privados". 

Paulo Morais revelou que a TIP está a preparar um portal na Internet, inspirado no site usaspend.gov que o então senador Barack Obama lançou há alguns anos para tornar públicos todos os gastos governamentais nos Estados Unidos, em que será possível encontrar de forma rápida e fácil a informação "aparentemente pública, mas que não é escrutinável". 

O portal deverá ficar online ainda este ano, estando neste momento a ser trabalhada a ferramenta de pesquisa. 

Segundo o responsável, nos últimos 10 anos, Portugal desceu nove lugares no Índice de Perceção de Corrupção da Transparência Internacional, estando actualmente na 34.ª posição a nível mundial e numa das piores posições na Europa (estão atrás apenas a Itália, Grécia e alguns países de Leste). 

O bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, que também participou no debate, defendeu que os advogados devem deixar de exercer a profissão quando são eleitos deputados. 

Marinho Pinto criticou também que as obras públicas em Portugal sejam pagas sempre por preços superiores aos das adjudicações, afirmando que "isto só é possível num país onde não há opinião pública e os partidos estão comprometidos até à medula".  -- fonte

Portugal corrupto

25 anos de Portugal europeu

Combate à corrupção: entre a perceção e a realidade 


 por Marina Marques
07 agosto 2013

Os indicadores oficiais do Banco Mundial colocam Portugal numa posição que pode considerar-se confortável quanto ao combate à corrupção, a meio da tabela. E até as estatísticas nacionais da justiça vão nesse sentido. Mas a perceção que os cidadãos têm desta realidade é bem diferente. De entre os seis indicadores de governança, é na qualidade regulatória que Portugal surge pior 

Oito em cada dez portugueses dizem que a corrupção aumentou. Há um mês, esta foi a principal conclusão do Barómetro Global da Corrupção, apresentado em Portugal pela TIAC - Transparência e Integridade, Associação Cívica. Uma perceção da realidade que parece não bater certo com a 13.ª posição ocupada por Portugal no conjunto da UE27 (ver gráfico), no indicador "controlo da corrupção" do Banco Mundial. 

"O papel da comunicação social explica, em parte, a perceção que a sociedade tem da corrupção", explica António João Maia, sociólogo e colaborador do OBEGEF - Observatório de Economia e Gestão de Fraude. "Alguns casos, pela sua dimensão ou pelas pessoas envolvidas ganham mais destaque, sobretudo no início da investigação. Mas depois acabam por cair no esquecimento e a perceção que tende a ficar nas pessoas é de um grande alarido, mas sem quaisquer consequências ao nível da justiça". 

No entanto, refere, "quando se analisam as estatísticas da justiça, deparamo-nos com uma outra realidade". "Em média, um em cada três processos iniciados por suspeita de ocorrência de crime de corrupção chegam a julgamento. E de entre os suspeitos acusados, cerca de 65% acabam condenados", sustenta António João Maia. "Resta saber se são os pequenos ou os grandes casos de corrupção que estão entre esses 65%, mas não tenho dados que me permitam fazer essa leitura", remata. 

Paulo Morais, vice-presidente da TIAC, destaca um outro dado: "Em termos de corrupção percecionada, do Índice de Perceção da Corrupção, Portugal passou da 23.ª posição, em 2000, para o 33.º lugar que ocupa atualmente. Foi mesmo o país do mundo que mais deteriorou a sua posição". "É por isso", continua, "que não percebo Pedro Passos Coelho, Cavaco Silva ou Paulo Portas quando dizem que Portugal recuperou a sua credibilidade externa. Para ser credível, o País tem de ser confiável e sério". 

Apesar de reconhecer a concretização de algumas medidas de caráter legislativo nos últimos anos - "que não saem do papel", sublinha - Paulo Morais avança com algumas sugestões em concreto para um mais eficaz combate à corrupção: simplificação legislativa, sobretudo ao nível dos contratos da administração pública, criação de tribunais com competências especializadas para a área da corrupção e com os meios ajustados e a aplicação efetiva da lei de recuperação de ativos, publicada em 2010, "mas da qual não se conhecem resultados". 

De entre os seis indicadores de governança do Banco Mundial destacados pelo estudo "25 anos de Portugal europeu", da Fundação Francisco Manuel dos Santos, "o atraso de Portugal [em relação aos parceiros iniciais da coesão] é mais visível na qualidade regulatória que avalia a capacidade das autoridades governativas em gerar políticas e enquadramentos regulatórios que promovam um ambiente económico e empresarial favorável". Neste ponto, Portugal surge na 23.ª posição. E relativamente aos parceiros iniciais da coesão, só a Grécia tem pior desempenho. --- fonte

assim vai este país..

.
"ética, promiscuidade e transparência"
.

10/08/13

Urbano Tavares Rodrigues, RIP


Há menos de um ano Urbano Tavares Rodrigues deu esta entrevista ao Negócios. Poucos meses antes de fazer 90 anos, o escritor faleceu. O Negócios volta a publicar a entrevista. Leia na íntegra: aqui




Destino
I
Trago na fonte
e estrela do fogo
da minha revolta
Nunca aceitaria qualquer tirania
nem a do dinheiro
nem a do mais justo ditador
nem a própria vida eu aceito...
tal como ela é
com todas as promessas
do amor e da juventude
e a parda doença
de envelhecer
a morte em cada dia
antecipada

II
Na mais lebrega alfurja
ou na cama de folhas macias
da floresta
onde a chuva te adormeceu
há sempre um idamante de sol
cujos raios te penetram de
ventura
ao sonhares a palavra
liberdade

III
Quando a terra poluída
tiver sorvido
toda a água dos lagos e das
fontes
hei-de levar o meu fantasma
até ao porto sonoro
onde a esperança cai a pique
sobre o mar dos desejos sem limite

Urbano Tavares Rodrigues, in "Horas de Vidro" -- fonte



Público,
09/08/2013 - 11:14 (actualizado às 19:22) 

Morreu Urbano Tavares Rodrigues, um humanista da escrita  

Em Dezembro faria 90 anos, tinha 61 anos de carreira literária.
por Isabel Lucas , Isabel Coutinho , Sérgio C. Andrade e Catarina Moura ------ (um texto "a 4 mãos" muito mal escritinho, que em nada honra a memória desse escritor-maior, agora desaparecido.. Enfim, vale pela informação..)


O escritor, jornalista e militante do PCP Urbano Tavares Rodrigues morreu na manhã desta sexta-feira, no Hospital dos Capuchos, em Lisboa. Estava a poucos meses de completar 90 anos. (...) A notícia foi conhecida através da página de Facebook "Urbano Tavares Rodrigues - escritor" e foi publicada pela filha, a escritora Isabel Fraga.

Numa entrevista ao Ípsilon [ver em baixo] em Outubro do ano passado, Urbano Tavares Rodigues dizia: “Mereço amplamente o Prémio Camões”. A frase saiu a meio de uma conversa sobre livros e política. Reflectia o sentimento de uma justiça por fazer. Não era a primeira vez que deixava cair o desabafo. Fazia, então, 60 anos de obra literária (...)

Urbano Tavares Rodrigues nasceu em Lisboa, a 6 de Dezembro de 1923, filho de uma família de grandes proprietários agrícolas de Moura, Alentejo. Foi, aliás, em Moura que fez a escola primária. Depois, já em Lisboa, ingressou no Liceu Camões, onde foi colega de Luís Filipe Lindley Cintra e do irmão de Vasco Gonçalves, António.

Licenciou-se na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa onde cursou Filologia Românica. Desde cedo começou a militar na oposição ao Estado Novo. Isso valeu-lhe o impedimento de trabalhar como professor. Passou pela prisão em Caxias e foi para um longo exílio em França. Em Paris, conheceu alguns dos intelectuais da década de 1950, caso de Albert Camus, de quem foi amigo e que era presença frequente nas suas conversas. Foi professor na Faculdade de Letras, crítico literário e esteve sempre ligado ao Partido Comunista Português.

O escritor, autor de Os Insubmissos, era amigo de Mário Soares. “É para mim uma grande e profunda tristeza o falecimento de Urbano Tavares Rodrigues, de quem fui amigo desde a minha juventude. Era um amigo íntimo e muito querido, uma pessoa com muitas virtudes”, disse esta sexta-feira ao PÚBLICO o antigo Presidente da República. 
(...)
Autor de uma vasta obra, onde se destaca o romance, a prosa poética, o conto e a poesia, Urbano Tavares Rodrigues era um crítico atento e presença regular nas páginas dos jornais. Ao PÚBLICO, Manuel Alegre lembra que foi Urbano o autor do primeiro texto publicado sobre a Praça da Canção. “Saiu no República, em pleno fascismo”, lembra o poeta, recordando “um grande amigo, grande camarada, um escritor que marcou o século XX; um grande prosador que sempre tomou partido e não se fechou nunca numa torre de marfim e que combateu pela liberdade, pela acção e pela palavra.”

O escritor e ex-deputado salienta ainda a enorme atenção de Urbano Tavares Rodrigues às novas gerações de escritores. a enorme atenção de Urbano Tavares Rodrigues às novas gerações de escritores. Foi para ele que José Luís Peixoto enviou um exemplar da edição de autor de Morreste-me, o seu primeiro livro publicado em edição de autor. E seria Peixoto a apresentar o último título de Urbano Tavares Rodrigues, A Imensa Boca dessa Angústia e outras Histórias, editado em Abril passado pela D. Quixote. “A minha mãe era leitora do Urbano. Havia muitos livros dele lá em casa. Parte da minha formação foi feita a lê-los. Na minha adolescência encontrava ali o Alentejo que era a minha realidade”, disse o escritor ao PÚBLICO.

Também dessa geração mais nova é o escritor e realizador Possidónio Cachapa, autor do documentário O Adeus à Brisa, uma produção Filmes Tejo para a RTP, de 2009.  (...) “Urbano Tavares Rodrigues é muito mais do que alguns rótulos que se lhe possam colocar. Ele fez o que fez pelo seu sentido de humanidade, pelo coração. O irmão dele diz que Urbano chega ao Partido Comunista Português pelo coração e não pela ideologia. Tinha a visão do que devia ser uma humanidade harmoniosa e ao mesmo tempo deparava-se com um sistema que não funcionava.

Na entrevista que deu ao Ípsilon em 2007, Urbano Tavares Rodrigues confessou que o momento mais difícil no interior do Partido Comunista Português foi “quando se começou a saber, por cá, a realidade imposta pelo Estaline.” E quando questionado sobre os seus heróis, respondeu: “Os meus heróis? O meu irmão e Álvaro Cunhal! Fiquei encantado com o Gorbatchov! Mas, volvidos estes anos, em questões de poder, a Rússia de Putin inspira sérias preocupações. Não gosto nada dele.”

O escritor Mário Cláudio lamenta muito a sua morte, mesmo se ela estava anunciada devido à sua doença. "Foi um amigo do coração, mestre de escrita, de coragem, de profissionalismo, de companheirismo, de humanidade, de espírito de conciliação para além de todo o sectarismo", disse ao PÚBLICO o escritor num depoimento por telefone. Urbano Tavares Rodrigues "era alguém de quem se dizia bem em vida – o que não é habitual entre nós –, não só como escritor mas também no plano cívico. Nunca usou o seu posicionamento político, que era bem conhecido, para fazer qualquer espécie de segregacionismo. Há melhor? Não há. Parecido? Também não. Quase não se acredita que fosse português. Mas era. Por isso, nem toda a esperança está perdida."

O que Mário Cláudio também acha admirável em Urbano Tavares Rodrigues é que ele manteve a sua oficina de escrita até ao fim, e também o seu contacto com os amigos e companheiros de escrita. "Nos anos 50/60, ele surgiu como uma lufada de ar fresco na literatura portuguesa, tendo conseguido superar o modelo neo-realista, estabelecendo pontes com a literatura francesa da época e o realismo mágico da América Latina. E enfrentou de forma aberta, sem falsos pudores, o tema do sexo e do erotismo." "Uma figura assim não podia escapar a determinadas agressões: morderam-lhe os calcanhares – era fatal que isso acontecesse. Mas Urbano Tavares Rodrigues foi sempre superior a tudo isso. Deixou um itinerário de excelência", concluiu Mário Cláudio.

Da Amazónia, onde está a participar num festival, José Luís Peixoto lamenta a morte do amigo, lembra a generosidade do homem que nos últimos anos tinha “alguma mágoa por ver a vida afastar-se de si”. Sinal dessa vitalidade que agora se manifestava apenas na escrita, lembra, Peixoto, é o filho de Urbano Tavares Rodrigues, António. Para ele Urbano deixou uma carta. Falava muito dela. Dizia que era a grande herança que lhe deixava. António que agora tem sete anos, deveria abri-la aos dez anos. A mensagem é a da tolerância.

A académica Maria Alzira Seixo foi sua aluna no primeiro ano da Faculdade de Letras de Lisboa. Contou ao Ípsilon que o professor passava por ela e dizia: "Sabe, trago sempre comigo a pasta de dentes e o pijama.” A aluna naquela época, finais dos anos 50, achava desconcertante o desabafo. E nesse artigo do Ípsilon, em 2007, explicava ainda que quando, em 1958, apareceu Uma Pedrada no Charco, com que Urbano Tavares Rodrigues ganhou o seu primeiro prémio, o Ricardo Malheiros, da Academia de Ciências, percebeu o que o seu professor lhe queria dizer: “No mesmo dia o Urbano era chamado e às vezes preso pela PIDE [a ex-polícia política da ditadura de Salazar].”

“Portugal perde um grande escritor e um homem exemplar. Lutou sempre pelas suas convicções com um grande sentido humanista”, diz ao PÚBLICO o editor Manuel Alberto Valente, que perdeu um grande amigo. “Julgo que Portugal não lhe prestou a merecida homenagem em vida e espero que agora se lembre de lha prestar”, acrescenta o director da Porto Editora. “Enquanto isso, espero que as pessoas o possam homenagear lendo os seus livros."

O Urbano tinha uma coragem moral e física invulgares, que nem sempre se acompanham”, disse à agência Lusa o escritor e jornalista Baptista-Bastos, que recordou o “amigo e camarada exemplar”. “As coisas de inveja não eram com ele”, afirmou. (...) Baptista-Bastos recordou ainda à Lusa alguns dos “feitos” do autor de Bastardos do Sol. Como quando, “numa das vezes em que foi preso pela PIDE [Polícia Internacional de Defesa do Estado]”, a polícia política da ditadura, antes do 25 de Abril de 1974, “Urbano, rodeado de ‘pides’ virou-se para eles, e disse: ‘Antes que me batam, levam com esta cadeira’, e partiu-a em dois ou três daqueles ‘mariolas’, mas - é claro -, depois levou uma monumental tareia”.

Outro dia, lembra ainda Baptista-Bastos, vários escritores e advogados da oposição juntaram-se à porta da livraria Sá da Costa, em Lisboa, e viram o Urbano a descer o Chiado na direcção deles. “De repente, vimo-lo voltar atrás e entrar na pastelaria Bénard e, dali a pouco, ouvimos um ‘catrapaz, catrapuz!’ e fomos ver. Tinha sido o Urbano que se virara ao Manuel Múrias [crítico do jornal Diário da Manhã, matutino oficioso do regime ditatorial] que era um homem corpulento de dois metros de altura”, contou Baptista-Bastos à Lusa. “O caso tinha sido que o Múrias tinha feito uma crítica ignóbil a um livro da Maria Judite de Carvalho, [então] mulher do Urbano, na qual sugeria que, em vez de escrever livros, devia ficar em casa a fazer filhos, uma coisa que é de uma ordinarice total”, desabafou Baptista-Bastos.

Urbano Tavares Rodrigues “não era um homem para graças, era um homem de grande fibra”.

Em 2007 começaram a ser publicadas pela Dom Quixote as suas Obras Completas. Entre os cerca dos cem títulos que publicou destacam-se Bastardos do Sol, Dissolução, Estrada de morrer, Agosto no Cairo: 1956, O Tema da Morte na Moderna Poesia Portuguesa, integrado depois em O Tema da Morte: Ensaios, O Algarve na Obra de Teixeira Gomes, A Saudade na Poesia Portuguesa, A Natureza do Acto Criador, O último dia e o primeiro, Contos da solidão, Os insubmissos, Tempo de cinzas, Torres Milenários, Bastardos do Sol, O Algarve em poema, Os Cadernos Secretos do Prior do Crato. Nessa altura, Urbano Tavares Rodrigues disse ao Ípslion que era a concretização de um sonho antigo.

A despedida no novo livro: "E tudo será luz"
No início de Julho passado fez chegar à sua editora na Dom Quixote, Cecília Andrade, aquele que será o seu último livro, Nenhuma Vida, a publicar ainda este ano, divulgou nesta sexta-feira a editora. Esse romance, que será lançado para assinalar os 90 anos do escritor, aborda questões que Urbano Tavares Rodrigues tratou na sua obra, mas também ao longo da sua vida, como as lutas políticas e sociais, a solidariedade, as relações humanas, mas também a sexualidade e o erotismo. “É um romance muito curto e onde está todo o espírito do autor”, diz Cecília Andrade, acrescentando que apesar de as personagens não serem auto-biográficas, as questões abordadas têm muito da experiência do autor. Tem um prefácio escrito pelo próprio e que é já uma despedida. "Daqui me vou despedindo, pouco a pouco, lutando com a minha angústia e vencendo-a, dizendo um maravilhado adeus à água fresca do mar e dos rios onde nadei, ao perfume das flores e das crianças, e à beleza das mulheres. Um cravo vermelho e a bandeira do meu Partido hão-de acompanhar-me e tudo será luz".


06/08/13

a espécie humana é basicamente má ?


Foi há 68 anos, num mês de Agosto:
HIROSHIMA (6)  e  NAGASAKI (9)


Foi .. injustificável.

Uma corrida contra o tempo para ver quem matava mais, americanos ou russos, bombas ou lutas no terreno.
Um alhear-se do sofrimento, homens, mulheres, crianças, velhos e jovens todos inexistindo, todos sem peso em tudo o que fosse decisão política ou operação militar. 
A pele que lhes pendia como panos brancos dos membros e do tronco, os que não foram logo pulverizados, multiplicando-se na terra aquele inferno de primeira vez. E o de segunda ..
As feridas impossíveis, eles todos, recusados, "sujos" onde lhes não conheciam a doença, muito menos a cura.
Crimes de guerra não assumidos, inimputados.
Miséria de raça, miséria.

Hoje, 9 países têm a bomba atómica. O arsenal mundial é constituído por 20 mil ogivas, o suficiente para matar toda a população da terra vezes e vezes sem conta  (fonte)
..

voz de Ney Matogrosso sobre poema de Vinicius de Moraes:
Rosa de Hiroshima



Em Agosto de 1945, duas bombas com nomes de brincadeirinha, Little Boy e Fat Man, uma de urânio, outra de plutónio, são lançadas com intervalo de 3 dias sobre duas cidades japonesas. O horror sem nome, os milhares de mortos e feridos no imediato, os efeitos radioactivos depois, os cancros, as mutações genéticas, o medo ..
Harry Truman, presidente dos EU, no dia do bombardeamento de Hiroshima, 6 de Agosto de 1945: «Having found the atomic bomb, we have used it. We have used it against those who attacked us without warning in Pearl Harbour.» - fonte   Resumindo: «já que a descobrimos, usámo-la.» . Assim, sem o mais pequeno laivo de um remorso..
HIROSHIMA, MON AMOUR, de Alain Resnais:

Três dias depois do horror de Hiroshima e alvo por azar, Nagasaki é atacada com uma 2ª bomba atómica. Porquê???
Basicamente, para testar a potência destrutiva do outro 'brinquedo' de guerra do Projecto Manhattan, a bomba de plutónio: «Scientists at Los Alamos were also intrigued as to which type of bomb was the better - a uranium or plutonium based bomb. 'Little Boy' showed its effectiveness at Hiroshima but another bombing mission was needed to see what damage a plutonium bomb could do.» - ler mais

Nagasaki: the forgotten bomb:

Dois massacres evitáveis, que aconteceram pelos joguinhos de interesses, a teimosia e a sede de poder e de hegemonia dos senhores da guerra do Japão, Estados Unidos e Rússia:
  • A prioridade dos EU, afastar a URSS (um "aliado pouco confiável") do Japão, assim contrariando a expansão Soviética no extremo Oriente: «- Pofessor Tsuyoshi Hasegawa: "Com a bomba atómica, Truman podia acabar a guerra sem os soviéticos." Mas, para isso acontecer, os EU tinham de lançar a bomba antes de 15 de Agosto, a data em que a URSS  dizia que se juntaria aos EU na guerra contra o Japão.»
  • A aspiração da URSS, estender o seu domínio aos territórios ocupados pelos Japoneses, nomeada e principalmente a China. A invasão da Manchúria (ocupada pelo Japão) acontece antes do previsto e 'prometido', precisamente a 9 de Agosto de 1945, horas antes do ataque a Nagasaki.
  •  A preocupação n.º 1 do Japão, manter o imperador e o seu sistema político.
*
A história 'aceite' é de que as duas bombas sobre o Japão levaram ao fim da guerra, assim salvando milhares de vidas (americanas e japonesas) que, de outra forma, se teriam perdido com uma invasão por terra do Japão. 
Tsuyoshi Hasegawa, historiador, autor e professor na Universidade da Califórnia, St. Barbara, contesta o 'mito', depois de ter passado anos a vasculhar os arquivos americanos, russos e japoneses: «Não é o horror da bomba atómica que leva à rendição japonesa, mas sim a ameaça colocada pela invasão soviética. A entrada da União Soviética na guerra do Pacífico fez com que o imperador Hirohito percebesse como era perigoso continuar a guerra: comunismo e imperialismo não são compatíveis, e o sistema imperial estaria seriamente comprometido com os russos no terreno.»
--- mais informação no vídeo acima, do National Geographic Channel, Nagasaki, The Forgotten Bomb 


Barton Bernstein, historiador e professor na Stanford University: «o acto de lançar a segunda bomba atómica em Nagasaki depois da invasão soviética foi trágico e inteiramente fútil.»
 Nagasaki antes e depois da bomba:
fonte

 

lá como cá ..

img. daqui

Mudar só as moscas não basta

no i
publicado em 5 Ago 2013
por Tomás Vasques *

A ministra das Finanças, cuja nomeação para o cargo esteve na origem da crise política desencadeada pelo líder do CDS-PP, acabou por se afogar na sopa dos swaps 

bad night, de Telmo Vaz Pereira
Parecia estar o governo posto em sossego, pelo menos neste mês de Agosto, colhendo o doce fruto do "novo ciclo", iniciado após as tomadas de posse do vice-primeiro-ministro, de novos ministros e de secretários de Estado, abençoadas pelo senhor Presidente da República. O processo culminou na aprovação de uma patética moção de confiança, apenas destinada a dar à luz a "nova coesão" da coligação que nos governa, expressa em sorrisos fingidos e palmadinhas nas costas cinicamente ensaiadas. Nem as sondagens publicadas nos primeiros dias deste mês da preguiça apresentavam oscilações em relação a anteriores que tirassem o sono aos protagonistas da bizarra crise política de Julho. Passos Coelho descontraiu, foi a banhos para o Algarve. O senhor Presidente da República, também. O governo, a meio gás, às voltas com os cortes na despesa de Estado para apresentar à troika, ficou nas mãos de Paulo Portas, que entretanto se instalou no palácio do conde de Farrobo. Mas, parafraseando o poeta, o sossego foi apenas engano da alma, que a Fortuna não deixou durar muito: foi denunciada a presença no governo, recentemente empossado, de um secretário de Estado altamente "tóxico". 

Dois dias depois de a senhora ministra das Finanças se ter enredado, na inútil comissão de inquérito, pela segunda vez, em duvidosas explicações sobre os swaps, e quando tudo parecia amainar, acabou-se o sossego. A revista "Visão" noticiou que o novo secretário de Estado do Tesouro, escolhido pela dita senhora ministra, tinha sido vendedor, ao serviço de um banco, daqueles contratos de gestão de riscos financeiros a empresas públicas e ao Estado, na sua modalidade mais "tóxica" e imoral: mascarar o défice orçamental e as contas públicas. Foi doloroso ver o novo secretário de Estado do Tesouro explicar aos jornalistas, num daqueles encontros propagandísticos montados pelo ministro Poiares Maduro, as suas responsabilidades passadas: não sei, não fui eu que concebi o produto, não respondo, não me lembro. A cena foi tão triste de se ver, o embaraço e a pedra no sapato foi tal, que até um dos nossos conselheiros Acácios, o comentador Marques Mendes, veio defender a demissão do homem. É caso para dizer que a senhora ministra das Finanças, cuja nomeação para o cargo esteve na origem da crise política desencadeada pelo líder do CDS-PP, acabou por se afogar na sopa dos swaps. 

Hoje é claro para quase todos o embuste da tese propalada por este governo segundo a qual a maioria dos portugueses tinha de empobrecer porque "vivia acima das suas possibilidades". O brutal empobrecimento dos portugueses, através do saque fiscal e do aumento dos transportes, da energia e de tudo o mais, a que foram sujeitos nos últimos dois anos, destinou-se sobretudo a pagar os deboches de um grupo que circula entre os bancos, a administração de empresas públicas e o governo, numa promiscuidade imoral e eticamente decadente. Tanto estão nos bancos a vender swaps "tóxicos" ao governo, como passam rapidamente para a gestão de uma empresa pública onde "negoceiam" contratos de parcerias público-privadas com os bancos onde trabalharam, como são ministros e secretários de Estado incumbidos de resolver junto dos bancos os contratos desastrosos que com estes anteriormente firmaram. 

Foi esta teia de interesses obscuros, esta gente que não está sujeita a qualquer escrutínio democrático, mas usa o dinheiro dos contribuintes a seu bel-prazer, que nos trouxe até aqui e que, a continuar, nos arrastará para uma miséria ainda maior e afundará o regime democrático. No estado em que estamos, a alternativa deixou de ser entre austeridade e crescimento. A alternativa é entre a decência, a moral e a ética política e esta pantominice que nos tem conduzido à desgraça. Se mudarmos só as moscas, fica tudo na mesma. -- fonte

*  Jurista, escreve à segunda-feira

«Mais umas poucas Dúzias de Homens Ricos»

por Almeida Garrett (1799-1854)


My Field, de Telmo Vaz Pereira

Não: plantai batatas, ó geração de vapor e de pó de pedra, macadamizai estradas, fazei caminhos de ferro, construí passarolas de Ícaro, para andar a qual mais depressa, estas horas contadas de uma vida toda material, maçuda e grossa como tendes feito esta que Deus nos deu tão diferente do que a que hoje vivemos. 
Andai, ganha-pães, andai; reduzi tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de interesse corporal, comprai, vendei, agiotai. No fim de tudo isto, o que lucrou a espécie humana? Que há mais umas poucas dúzias de homens ricos. 

E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar a miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico? 

- Que lho digam no Parlamento inglês, onde, depois de tantas comissões de inquérito, já devia andar orçado o número de almas que é preciso vender ao diabo, número de corpos que se tem de entregar antes do tempo ao cemitério para fazer um tecelão rico e fidalgo como Sir Roberto Peel, um mineiro, um banqueiro, um granjeeiro, seja o que for: cada homem rico, abastado, custa centos de infelizes, de miseráveis. 

 Almeida Garrett, in 'Viagens na minha Terra'

A história de uma farsa

no Sol-Sapo 
30 de Julho, 2013 

por Luís Osório
Feitiços Raivosos, de Telmo Vaz Pereira


Todos os actores conheciam o guião e, desde o primeiro minuto, desempenharam-no como se não soubessem como ia terminar a peça que levaram à cena. 

Num contexto de profunda crise da cultura portuguesa, a começar pelas artes cénicas, é de aplaudir o esforço e talento dos protagonistas – isto para não falar de um guião que, não tendo sido escrito por Aaron Sorkin, autor de Os Homens do Presidente, foi eficaz e mobilizou atenções de um país desesperado. 

Recapitulo. 

Paulo Portas bateu irrevogavelmente com a porta. Maçado com o ‘autismo’ do primeiro-ministro que, em vez de o consultar, escolheu Maria João Luís para substituir o ministro das Finanças que se demitira dias antes. O líder do partido mais frágil da coligação, farto de não ser tratado da forma como julga merecer, disse que já não jogava mais – com o pormenor de ter levado a bola para os outros meninos também não poderem brincarem. 

Ao que se sabe, alguns dos militantes mais destacados do CDS, na maior parte dos casos talentos descobertos ou potenciados por Portas, vieram a terreiro, com orgulho pátrio, afirmar que a posição apenas ao líder pertencia; o Presidente da República podia comprar-lhes outra bola porque, por eles, o jogo continuava. 

Este pontapé de saída superou as melhores expectativas dos críticos. Surpreendeu a audiência, deixou o país em suspenso, a Europa de sobreaviso e os cobradores de fraque preparados para voos picados. A acrescentar a este tanto, assistíamos à aparente derrocada de Paulo Portas dentro de um partido que pensávamos o trataria com água de rosas até ao fim dos dias. 

A partir daí os burocratas tomaram conta da acção – o espectáculo teve ainda assim momentos altos, mas o cunho de imprevisibilidade decaiu. 

O Presidente, Cavaco Silva, falou com todos e depois ao país: em Portugal propunha-se fazer o que o Rei Lear fizera na Grã-Bretanha. A Pátria precisava de ser salva e, como Shakespeare, ofereceu os destinos do país a Goneril, Regan e Cordélia, irmãs de sangue a quem pediu, como Lear, que lhe expressassem gratidão e amor aceitando uma solução a três. Foi bom. Eloquente e incisivo. Nos telejornais do dia, vários comentadores concluíram que, afinal, tínhamos Presidente. 

Pedro, Paulo e António (filhos de um Lear moderno e sem poder) aceitaram as recomendações de diálogo. E entraram em cena para cumprir o tempo previsto para a encomenda do Palácio de Belém. 

Dentro de cada um dos exércitos partidários o clima foi de violência pronta a explodir. Nas tropas de Pedro, antes da reunião da Comissão Nacional, prometia-se sangue e havia até quem exigisse a cabeça do Presidente numa bandeja – para evitar mais comoções cerebrais, Pedro Passos Coelho (Goneril) apareceu de surpresa e desempenhou o papel de domador de feras: tranquilos, pediu gravemente. 

No PS, os grandes senhores revoltaram-se contra a hipótese de Seguro (Cordélia) poder aceitar o canto da sereia de Cavaco (Lear). Se tal enormidade acontecesse, Mário Soares e outros generais socialistas, como o ex-inimigo Manuel Alegre, provocariam uma cisão nas fileiras socialistas – foi então que o coro gritou em espanto, ‘Soares pode sair, Soares pode sair, tragédia, tragédia’. 

Já no CDS, após incendiar as avenidas, Portas (Regan), remeteu-se ao silêncio, devolveu a bola e retomou o controlo aparente da situação. 

Os exércitos negociaram apenas para inglês ver. Passos enviou Jorge Moreira da Silva, Seguro escolheu Alberto Martins, Portas mandatou Mota Soares e até Cavaco quis que um seu oficial, David Justino, estivesse presente. Pela composição deste grupo de salvação nacional, percebeu-se que nada de relevante se iria decidir – todos estavam a cumprir a sua parte do trato e a empatar jogo. Concordarão que colocar aqueles homens juntos (respeitáveis cidadãos, diga-se) poderia servir para uma adorável e importante discussão acerca da Filosofia da Linguagem ou da importância da Lógica em Wittgenstein, nunca para a bocejante selva de números em que nos movemos. 

Mesmo assim, para que não existisse a tentação de tantos veneráveis cidadãos terem a tentação de se entender, Pedro chamou de urgência Maria João a uma reunião. A coisa estava a correr tão bem, com tantas leituras e ideias trocadas, quando a bonita senhora tratou de colocar as coisas no seu desagradável sítio. 

O Presidente voltou ao plano inicial. Entrou pela mesma porta. Fez a mesma pausa para beber água a meio do discurso. Elogiou tudo e todos pelo esforço e, por trás do pano, lavou as mãos do futuro. Se as coisas piorarem, a partir daqui, ninguém poderá dizer que não tentou. Essa é a sua leitura, a mesma de Pilatos. Foi, como ele, inteligente, matreiro e político. 

Pedro e Paulo podem dizer que tentaram, mas que o PS não quis o ónus da governação e recusou o apelo para fazer parte da solução. Ganharam tempo e mantêm-se ligados à máquina e à esperança. Já estiveram piores. 

António pode dizer ao país que tentou virar a cabeça dos que mergulharam o país numa tragédia. E deixa os seus adversários beberem da cicuta até ao último gole. Também precisa de tempo, seria uma chatice ter o poder agora. 

Partido Comunista e Bloco de Esquerda precisam que a tragédia continue. Quanto pior, melhor. Não por serem maus e comerem crianças ao pequeno-almoço, mas por acreditarem que a revolução só poderá chegar quando se chegar ao fundo dos fundos. Para eles, está bem. 

Todos estão contentes. E o país? Isso é outra coisa, isso é a realidade. 

fonte

«o fascismo a bater-nos ao de leve à porta»


no DN
03 agosto 2013
por Óscar Mascarenhas *


Poiares Maduro e Lomba são tão-somente o fascismo 
a bater-nos ao de leve à porta   


Aldrabões. Não faço por menos. Mandam as artes e manhas dos artigos de opinião que não se diga logo ao que vem o autor, para manter o leitor agarrado ao prazer do texto. Mas desta vez, iconoclasta como me quero, finto as regras e vou direto ao assunto: os senhores (professores doutores ou doutorandos e mais o que desejarem ser no currículo e na mercearia do bairro) 

Miguel Poiares Maduro e Pedro Lomba, nos poucos dias que levam de governo, já deram provas de terem sido aldrabões. Não digo que o sejam, que não sou tão pateta e desajeitado que abra um alçapão legal sob os meus próprios pés perante juristas assim ditos tão eminentes: afirmo que o foram. Episódica e admito que corrigivelmente. 

E vou mais longe: nos poucos dias em que estes governantes exerceram o poder, o fascismo deu um passo em frente. Nem lhes vou dizer que limpem as mãos à parede, porque podem espalhar a peste, a cólera e a tinha. Lavem-nas, com sabão azul e branco e, de caminho - vão ao banho! 

m-p-maduro
Caro leitor: custou muito chegar à liberdade de imprensa e ainda mais firmar em lei os valores civilizacionais que não deixassem que certos produtos nascidos de uma faísca de ferradura de um cavalo da guarda a raspar no basalto de uma viela os pudessem alterar a seu bel-prazer. Impusemo-nos, jornalistas, liderados pelo Sindicato menos corporativo que conheço - e mais atacado pelos que venderam a alma e o talento por dois réis de mel coado ao patrãozinho querido ou ao governozinho de ocasião - normas de respeito pelos direitos do público que raros são os países que as têm. Há os que falham - há muitas falhas -, mas os jornalistas e, mais importante do que eles, o público, sabem dizer quando falham. 

E, no meio desta longa e custosa aprendizagem e tentativa de bem servir, sai de vez em quando uma personagem de Gil Vicente, o Parvo, e diz: "Quem sabe disto sou eu. Os jornalistas têm de aprender comigo." E, depois, vomita imbecilidades num esforço medíocre de ser Goebbels, nem chegando ao tacão do António Ferro, que teve o background de vir da Orpheu, escorregando, fruto dos tempos, para o fascismo. Estes de agora foram diretamente para o fascismo, sem passarem pela casa Orpheu (ai, credo!, que será isso?) 

p-lomba
Vejamos quem são estes figurões de que falo - e o leitor trace a opinião sobre o civismo, carácter, ou o que lhe aprouver deles. Miguel Poiares Maduro, ministro, colega de sala de um tal irrevogável Paulo Portas, que preferiu trocar a sua reputação pela salvação da pátria, numa espécie de martírio de Santa Maria Goreti mas ao contrário, no corpinho frágil de São Domingos Sávio que se finou aos quinze anitos. (Este mostra-se mais resistente, sinal de que o Senhor hesita em chamá-lo para junto de si, transferindo o ónus para a tolerante e inexcedível bondade de Cavaco Silva, sempre bem aconselhado pela sua nunca por demais citada esposa, não eleita pelo voto mas calculo que pelo coração de uma cabina telefónica cheia de portugueses, pelo menos!) Paz às almas! Miguel Poiares Maduro, igualmente colega de carteira de um tal Chancerelle Machete que, de ainda mais maduro, se atascou na podridão, ipsis verbis, de uma coisa que dá pelas siglas de SLN e BPN e o qual, diz o WikiLeaks, tem uma reputação tão elevada junto dos americanos que, quando eles quiserem fazer qualquer negócio em Portugal, não duvidarão em consultar certo escritório de advogados porque, como dizem os ianques naquela língua-de-trapos, every man has his price e... money is no problem. Gostaria patrioticamente de estar enganado, mas, em diplomacia, o que parece... é o que diz o WikiLeaks. O outro: Pedro Lomba, colega de Agostinho Branquinho, a criatura que não sabia o que era a Ongoing e teve de ter emprego na Ongoing para perceber o que é a Ongoing. E ser colega de tal figura é coisa para se trazer ao peito, com orgulho, como um broche de bom latão. 

Os dois, Poiares Lomba e Pedro Maduro, são herdeiros - com pouco jeito - de Miguel Relvas, que, com muito menos estudos do que eles, lhes deu lições de como fazer política nestes tempos. 

Pois os colegas de Portas, Machete e Branquinho - e aprendizes de Relvas - deram-se à missão de gerir a informação ao povo, através dos jornalistas, prometendo briefings diários que duraram dois dias e que retomaram agora, com a honradez da palavra que os caracteriza, em encontros diários duas vezes por semana, não sei se o leitor entende. (Como é aquela palavra que tu utilizaste, Miguel Sousa Tavares? Palha-de-aço? Não era bem isto, mas andava lá perto. No plural, na circunstância.) 

Aqui é que estes grandes educadores dos jornalistas aldrabaram. Começaram por dizer - ponho no plural porque tão aldrabão foi o secretário de Estado que disse, como o ministro que mandou dizer ou, pelo menos, não o desautorizou - que os briefings com os jornalistas seriam umas vezes em on - isto é, podia dizer-se quem disse o quê - outras vezes em off (que na sabedoria analfabeta do secretário de Estado e do ministro não sei de quê nem interessa se convertia numa figura nova em que suas excelências expenderiam umas quantas patacoadas espremidas dos seus notáveis bestuntos e os jornalistas papagueá-las-iam, mas sem dizer quem esvurmou tais pústulas de sabedoria). E disseram, ex cathedra, que era assim que se fazia em Inglaterra. Aldrabaram. (Vês, Pedro Tadeu, que há uma palavra ainda mais forte do que "mentiram"? Quando a falta à verdade é rasca e torpe, a palavra é "aldrabice".) Os briefings em Inglaterra são sempre atribuídos ao PMS (Prime Minister Spokesperson), isto é, ao porta-voz oficial do primeiro-ministro, pessoa conhecida e identificada - e as respostas são sempre factuais, nada de divagações onanistas de ministros ou secretários de Estado fala-barato armados em palestrantes. 

E, com esta aldrabice, intrujaram: no segundo dia de briefing, levaram uma conceituada jornalista da rádio a reproduzir todos os vómitos e regurgitações opinativas do ministro ou do secretário de Estado, atribuindo-os sempre a "fonte do Governo". Intrujaram a jornalista, que, eventualmente, por temor reverencial ou mau conselho, se esqueceu dos seu dever deontológico de não reproduzir comentários sem identificar a autoria. E intrujaram o público, fazendo passar uma mensagem da maneira que Don Basilio, em O Barbeiro de Sevilha, explicava o que era uma calúnia: È un venticello,un"auretta assai gentile, che insensibile, sottile, leggermente, dolcemente, incomincia a sussurrar. 

(Estou para saber porque é que fui gastar o meu escasso italiano com tão toscos governantes. Ainda lhes inspiro uma ideia mais fascizante...) 

Mas não se fica por aqui a impertinência e a incivilidade destes dois cavalheiros: mais recentemente, o ministro Maduro esticou-se nas pontas do pés, esganiçou--se e verberou jornalistas sobre as perguntas que deveriam ou não fazer! 

 Mas quem é ele? 

E, pior do que isso, porque é que não houve nenhum jornalista presente que dissesse a Sua Impertinência que lhe cabe responder ou não às perguntas dos Senhores Jornalistas (com maiúsculas, perante tão vulgar e efémero ministro) e não dizer-lhes o que devem ou não perguntar? 

Aviso solene aos jornalistas do Diário de Notícias - e estou seguro de ser levado a sério: manda o nosso Código Deontológico, no seu ponto 3, que "o jornalista deve lutar contra as restrições no acesso às fontes de informação e as tentativas de limitar a liberdade de expressão e o direito de informar. É obrigação do jornalista divulgar as ofensas a estes direitos." 

Venham os Poiares Pedros ou os Lombas Maduros que vierem, jornalista do DN que se acobarde perante este fascismo com pés de lã, pode ter a certeza, à fé de quem sou, que fica com o nome num pelourinho de cobardolas que prometo expor aos leitores. Porque é dos direitos dos leitores que estamos a falar. Enquanto estiver nesta casa e nela tiver voz, o fascismo não entra de esguelha. 

Estamos a viver tempos perigosos. Em Espanha, o alegado recebedor por baixo da mesa Mariano Rajoy proíbe que se fotografe, que se grave, não sei mais quê. Em Itália, é o que sabe do império Berlusconi (ou é Burlesconi?). Na Grécia, silencia-se a televisão e mesmo com ordens do tribunal não se reabre. 

O fascismo anda por aí. 

É bem visível no ovo da serpente. Já não há a Europa da liberdade: somos governados por filhos de Putin. 

Inúmeros filhos de Putin. 

Cabazes de filhos de Putin. 

Em Portugal, os devotos de Putin, discípulos de Miguel Relvas, condiscípulos de Agostinho Branquinho e quejandos chamam-se, entre outros, Miguel Poiares Maduro e Pedro Lomba, lamentáveis expoentes de um passado que parecia inconformista e rebelde, transformados num estalar de dedos em esbirros da política da mordaça, assim que os convidaram a sentar-se num mocho cambaio a metro e meio da mesa do orçamento com direito a côdea bolorenta. 

É de calcular que os senhores Miguel Poiares Maduro ou Pedro Lomba digam em voz alta, por escrito ou simplesmente resmoneiem entre dentes que de mim não recebem lições de civismo, nem disto nem daquilo. 

Erram. 

Recebem lições de mim, como eu as recebo de toda a gente, até deles se forem capazes de produzir sabedoria que me faça proveito. Aliás, não recebo: tomo eu próprio a iniciativa de colher lições de toda a gente, muitas de simplórios que nem se dão conta de que me estão a ensinar e algumas que descubro úteis deixadas escapar por académicos de capelo e borla. 

Insisto: de mim recebem lições. De jornalismo, de civismo, de muitas coisas. Podem não as assimilar. Tanto pior para eles. Mas esta é uma maldição que me acompanha: aparece-me sempre um ou outro aluno muito engelhado na compreensão. 

Alguns já terão chegado a catedráticos, sabe-se lá! 

Mas posso estar a ser injusto com Poiares Maduro e Lomba: talvez eles não estejam a resvalar involuntariamente para o fascismo, por uma qualquer insuficiência cultural ou impreparação cívica. Pode dar-se o caso de quererem mesmo ser o que aparentam. E não disponho de pastilhas de 25 de Abril para os salvar. 

fonte 

* provedor do leitor

05/08/13

«Se podría ..»

Texto escrito por Lucía Etxebarría (escritora)

 "Sábado por la noche. Me pillé la mano con la puerta de la cocina (soy muy propensa a los accidentes domésticos: soy sagitario y no tengo “conciencia de peri cuerpo”). Me presenté sola en el hospital de Sant Pau porque mi compañero se quedaba a cuidar de mi hija. Me pasaron a la sala de espera. Allí había una niña, venga a... llorar.... Le pregunté su edad. Tenía 18 años, estudiaba en Barcelona, tenía una otitis. Llevaba dos horas allí. Su familia estaba en Girona. Yo sé que las otitis duelen muchísimo, he pasado alguna. Pero creo que también lloraba porque estaba asustada y sola. Me presenté ante la enfermera. Le dije que por favor le dieran un calmante a esa chica. Me dijo que como enfermera ella no podía administrar nada sin autorización del médico. “¿Y dónde está el médico?”. “Ocupado, y aún puede tardar horas”. Y luego me miró: “Tú eres escritora, ¿no? Escríbelo. Cuenta cómo está la situación”. Y eso he decidido hacer.
Vamos a aclarar las cosas. No están haciendo recortes en sanidad porque la cosa esté así de mal, sino porque la sanidad es un gran negocio, y si se privatiza, al estilo de Estados Unidos, muchos se van a hacer multimillonarios.
Se podría recortar de muchas otras partidas.
Los toros se subvencionan: las fiestas taurinas nos cuestan 564 millones al año en subvenciones.
Los clubes de futbol también, de forma indirecta. Deben 750 millones a Hacienda y 11 millones a la Seguridad Social. De hecho, la UE ya ha propuesto investigar al fútbol español por presuntas ayudas del Estado.
Se podría eliminar los sueldos y pensiones vitalicias y prohibir por ley que los ex presidentes cobren de la empresa privada a la vez que disfrutan de su pensión vitalicia: González y Aznar siguen sin renunciar al sueldo de 80.000 € mientras reciben altas retribuciones de Gas Natural y Endesa, por ejemplo.
Se podría prohibir que un político cobre del Estado y de la empresa privada: Acebes cobra del Congreso y de Iberdrola, por ejemplo.
Se podría recortar sueldos de cargos políticos. Si un ciudadano tiene que cotizar 35 años para percibir una jubilación, no veo por qué los diputados lo hacen a los siete, ni por qué no tributan un tercio de su sueldo del IRPF, como hacemos los demás.
Se podría endurecer las penas contra el fraude fiscal. El 72% de este fraude proviene de las grandes empresas que facturan más de 150 millones de euros al año, y de la banca. Ahorraríamos 90.000 millones de euros.
Se podría eliminar el concordato con el Vaticano. El ahorro final estaría entre los 6.000 y los 10.000 millones de euros. Jesús predicaba la pobreza, y la Iglesia se debe mantener mediante las aportaciones de los fieles, como ya dijo el propio San Pablo.
Esa niña que lloraba en urgencias podría ser su hija. Peor aún, usted podría padecer leucemia. Y si la padeciera, un seguro privado no le ayudaría, porque los mejores especialistas están en la Seguridad Social. Lo sé porque se trata de una enfermedad que he vivido de cerca.
Usted que me lee: tome conciencia, por favor. El fútbol es un negocio. Los toros, una tortura. Los gastos del Congreso, un lujo innecesario. Las pensiones vitalicias, una enorme falta de ética. La fe es una opción. Pero la salud es un derecho." 

Lo mismo podría decirse de la educación. ¿En serio vais a permitirlo? ¿o es que os dan alergia las manifestaciones? Luchemos por lo nuestro, es nuestro derecho. Por una democracia real.

fonte