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10/08/13

Urbano Tavares Rodrigues, RIP


Há menos de um ano Urbano Tavares Rodrigues deu esta entrevista ao Negócios. Poucos meses antes de fazer 90 anos, o escritor faleceu. O Negócios volta a publicar a entrevista. Leia na íntegra: aqui




Destino
I
Trago na fonte
e estrela do fogo
da minha revolta
Nunca aceitaria qualquer tirania
nem a do dinheiro
nem a do mais justo ditador
nem a própria vida eu aceito...
tal como ela é
com todas as promessas
do amor e da juventude
e a parda doença
de envelhecer
a morte em cada dia
antecipada

II
Na mais lebrega alfurja
ou na cama de folhas macias
da floresta
onde a chuva te adormeceu
há sempre um idamante de sol
cujos raios te penetram de
ventura
ao sonhares a palavra
liberdade

III
Quando a terra poluída
tiver sorvido
toda a água dos lagos e das
fontes
hei-de levar o meu fantasma
até ao porto sonoro
onde a esperança cai a pique
sobre o mar dos desejos sem limite

Urbano Tavares Rodrigues, in "Horas de Vidro" -- fonte



Público,
09/08/2013 - 11:14 (actualizado às 19:22) 

Morreu Urbano Tavares Rodrigues, um humanista da escrita  

Em Dezembro faria 90 anos, tinha 61 anos de carreira literária.
por Isabel Lucas , Isabel Coutinho , Sérgio C. Andrade e Catarina Moura ------ (um texto "a 4 mãos" muito mal escritinho, que em nada honra a memória desse escritor-maior, agora desaparecido.. Enfim, vale pela informação..)


O escritor, jornalista e militante do PCP Urbano Tavares Rodrigues morreu na manhã desta sexta-feira, no Hospital dos Capuchos, em Lisboa. Estava a poucos meses de completar 90 anos. (...) A notícia foi conhecida através da página de Facebook "Urbano Tavares Rodrigues - escritor" e foi publicada pela filha, a escritora Isabel Fraga.

Numa entrevista ao Ípsilon [ver em baixo] em Outubro do ano passado, Urbano Tavares Rodigues dizia: “Mereço amplamente o Prémio Camões”. A frase saiu a meio de uma conversa sobre livros e política. Reflectia o sentimento de uma justiça por fazer. Não era a primeira vez que deixava cair o desabafo. Fazia, então, 60 anos de obra literária (...)

Urbano Tavares Rodrigues nasceu em Lisboa, a 6 de Dezembro de 1923, filho de uma família de grandes proprietários agrícolas de Moura, Alentejo. Foi, aliás, em Moura que fez a escola primária. Depois, já em Lisboa, ingressou no Liceu Camões, onde foi colega de Luís Filipe Lindley Cintra e do irmão de Vasco Gonçalves, António.

Licenciou-se na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa onde cursou Filologia Românica. Desde cedo começou a militar na oposição ao Estado Novo. Isso valeu-lhe o impedimento de trabalhar como professor. Passou pela prisão em Caxias e foi para um longo exílio em França. Em Paris, conheceu alguns dos intelectuais da década de 1950, caso de Albert Camus, de quem foi amigo e que era presença frequente nas suas conversas. Foi professor na Faculdade de Letras, crítico literário e esteve sempre ligado ao Partido Comunista Português.

O escritor, autor de Os Insubmissos, era amigo de Mário Soares. “É para mim uma grande e profunda tristeza o falecimento de Urbano Tavares Rodrigues, de quem fui amigo desde a minha juventude. Era um amigo íntimo e muito querido, uma pessoa com muitas virtudes”, disse esta sexta-feira ao PÚBLICO o antigo Presidente da República. 
(...)
Autor de uma vasta obra, onde se destaca o romance, a prosa poética, o conto e a poesia, Urbano Tavares Rodrigues era um crítico atento e presença regular nas páginas dos jornais. Ao PÚBLICO, Manuel Alegre lembra que foi Urbano o autor do primeiro texto publicado sobre a Praça da Canção. “Saiu no República, em pleno fascismo”, lembra o poeta, recordando “um grande amigo, grande camarada, um escritor que marcou o século XX; um grande prosador que sempre tomou partido e não se fechou nunca numa torre de marfim e que combateu pela liberdade, pela acção e pela palavra.”

O escritor e ex-deputado salienta ainda a enorme atenção de Urbano Tavares Rodrigues às novas gerações de escritores. a enorme atenção de Urbano Tavares Rodrigues às novas gerações de escritores. Foi para ele que José Luís Peixoto enviou um exemplar da edição de autor de Morreste-me, o seu primeiro livro publicado em edição de autor. E seria Peixoto a apresentar o último título de Urbano Tavares Rodrigues, A Imensa Boca dessa Angústia e outras Histórias, editado em Abril passado pela D. Quixote. “A minha mãe era leitora do Urbano. Havia muitos livros dele lá em casa. Parte da minha formação foi feita a lê-los. Na minha adolescência encontrava ali o Alentejo que era a minha realidade”, disse o escritor ao PÚBLICO.

Também dessa geração mais nova é o escritor e realizador Possidónio Cachapa, autor do documentário O Adeus à Brisa, uma produção Filmes Tejo para a RTP, de 2009.  (...) “Urbano Tavares Rodrigues é muito mais do que alguns rótulos que se lhe possam colocar. Ele fez o que fez pelo seu sentido de humanidade, pelo coração. O irmão dele diz que Urbano chega ao Partido Comunista Português pelo coração e não pela ideologia. Tinha a visão do que devia ser uma humanidade harmoniosa e ao mesmo tempo deparava-se com um sistema que não funcionava.

Na entrevista que deu ao Ípsilon em 2007, Urbano Tavares Rodrigues confessou que o momento mais difícil no interior do Partido Comunista Português foi “quando se começou a saber, por cá, a realidade imposta pelo Estaline.” E quando questionado sobre os seus heróis, respondeu: “Os meus heróis? O meu irmão e Álvaro Cunhal! Fiquei encantado com o Gorbatchov! Mas, volvidos estes anos, em questões de poder, a Rússia de Putin inspira sérias preocupações. Não gosto nada dele.”

O escritor Mário Cláudio lamenta muito a sua morte, mesmo se ela estava anunciada devido à sua doença. "Foi um amigo do coração, mestre de escrita, de coragem, de profissionalismo, de companheirismo, de humanidade, de espírito de conciliação para além de todo o sectarismo", disse ao PÚBLICO o escritor num depoimento por telefone. Urbano Tavares Rodrigues "era alguém de quem se dizia bem em vida – o que não é habitual entre nós –, não só como escritor mas também no plano cívico. Nunca usou o seu posicionamento político, que era bem conhecido, para fazer qualquer espécie de segregacionismo. Há melhor? Não há. Parecido? Também não. Quase não se acredita que fosse português. Mas era. Por isso, nem toda a esperança está perdida."

O que Mário Cláudio também acha admirável em Urbano Tavares Rodrigues é que ele manteve a sua oficina de escrita até ao fim, e também o seu contacto com os amigos e companheiros de escrita. "Nos anos 50/60, ele surgiu como uma lufada de ar fresco na literatura portuguesa, tendo conseguido superar o modelo neo-realista, estabelecendo pontes com a literatura francesa da época e o realismo mágico da América Latina. E enfrentou de forma aberta, sem falsos pudores, o tema do sexo e do erotismo." "Uma figura assim não podia escapar a determinadas agressões: morderam-lhe os calcanhares – era fatal que isso acontecesse. Mas Urbano Tavares Rodrigues foi sempre superior a tudo isso. Deixou um itinerário de excelência", concluiu Mário Cláudio.

Da Amazónia, onde está a participar num festival, José Luís Peixoto lamenta a morte do amigo, lembra a generosidade do homem que nos últimos anos tinha “alguma mágoa por ver a vida afastar-se de si”. Sinal dessa vitalidade que agora se manifestava apenas na escrita, lembra, Peixoto, é o filho de Urbano Tavares Rodrigues, António. Para ele Urbano deixou uma carta. Falava muito dela. Dizia que era a grande herança que lhe deixava. António que agora tem sete anos, deveria abri-la aos dez anos. A mensagem é a da tolerância.

A académica Maria Alzira Seixo foi sua aluna no primeiro ano da Faculdade de Letras de Lisboa. Contou ao Ípsilon que o professor passava por ela e dizia: "Sabe, trago sempre comigo a pasta de dentes e o pijama.” A aluna naquela época, finais dos anos 50, achava desconcertante o desabafo. E nesse artigo do Ípsilon, em 2007, explicava ainda que quando, em 1958, apareceu Uma Pedrada no Charco, com que Urbano Tavares Rodrigues ganhou o seu primeiro prémio, o Ricardo Malheiros, da Academia de Ciências, percebeu o que o seu professor lhe queria dizer: “No mesmo dia o Urbano era chamado e às vezes preso pela PIDE [a ex-polícia política da ditadura de Salazar].”

“Portugal perde um grande escritor e um homem exemplar. Lutou sempre pelas suas convicções com um grande sentido humanista”, diz ao PÚBLICO o editor Manuel Alberto Valente, que perdeu um grande amigo. “Julgo que Portugal não lhe prestou a merecida homenagem em vida e espero que agora se lembre de lha prestar”, acrescenta o director da Porto Editora. “Enquanto isso, espero que as pessoas o possam homenagear lendo os seus livros."

O Urbano tinha uma coragem moral e física invulgares, que nem sempre se acompanham”, disse à agência Lusa o escritor e jornalista Baptista-Bastos, que recordou o “amigo e camarada exemplar”. “As coisas de inveja não eram com ele”, afirmou. (...) Baptista-Bastos recordou ainda à Lusa alguns dos “feitos” do autor de Bastardos do Sol. Como quando, “numa das vezes em que foi preso pela PIDE [Polícia Internacional de Defesa do Estado]”, a polícia política da ditadura, antes do 25 de Abril de 1974, “Urbano, rodeado de ‘pides’ virou-se para eles, e disse: ‘Antes que me batam, levam com esta cadeira’, e partiu-a em dois ou três daqueles ‘mariolas’, mas - é claro -, depois levou uma monumental tareia”.

Outro dia, lembra ainda Baptista-Bastos, vários escritores e advogados da oposição juntaram-se à porta da livraria Sá da Costa, em Lisboa, e viram o Urbano a descer o Chiado na direcção deles. “De repente, vimo-lo voltar atrás e entrar na pastelaria Bénard e, dali a pouco, ouvimos um ‘catrapaz, catrapuz!’ e fomos ver. Tinha sido o Urbano que se virara ao Manuel Múrias [crítico do jornal Diário da Manhã, matutino oficioso do regime ditatorial] que era um homem corpulento de dois metros de altura”, contou Baptista-Bastos à Lusa. “O caso tinha sido que o Múrias tinha feito uma crítica ignóbil a um livro da Maria Judite de Carvalho, [então] mulher do Urbano, na qual sugeria que, em vez de escrever livros, devia ficar em casa a fazer filhos, uma coisa que é de uma ordinarice total”, desabafou Baptista-Bastos.

Urbano Tavares Rodrigues “não era um homem para graças, era um homem de grande fibra”.

Em 2007 começaram a ser publicadas pela Dom Quixote as suas Obras Completas. Entre os cerca dos cem títulos que publicou destacam-se Bastardos do Sol, Dissolução, Estrada de morrer, Agosto no Cairo: 1956, O Tema da Morte na Moderna Poesia Portuguesa, integrado depois em O Tema da Morte: Ensaios, O Algarve na Obra de Teixeira Gomes, A Saudade na Poesia Portuguesa, A Natureza do Acto Criador, O último dia e o primeiro, Contos da solidão, Os insubmissos, Tempo de cinzas, Torres Milenários, Bastardos do Sol, O Algarve em poema, Os Cadernos Secretos do Prior do Crato. Nessa altura, Urbano Tavares Rodrigues disse ao Ípslion que era a concretização de um sonho antigo.

A despedida no novo livro: "E tudo será luz"
No início de Julho passado fez chegar à sua editora na Dom Quixote, Cecília Andrade, aquele que será o seu último livro, Nenhuma Vida, a publicar ainda este ano, divulgou nesta sexta-feira a editora. Esse romance, que será lançado para assinalar os 90 anos do escritor, aborda questões que Urbano Tavares Rodrigues tratou na sua obra, mas também ao longo da sua vida, como as lutas políticas e sociais, a solidariedade, as relações humanas, mas também a sexualidade e o erotismo. “É um romance muito curto e onde está todo o espírito do autor”, diz Cecília Andrade, acrescentando que apesar de as personagens não serem auto-biográficas, as questões abordadas têm muito da experiência do autor. Tem um prefácio escrito pelo próprio e que é já uma despedida. "Daqui me vou despedindo, pouco a pouco, lutando com a minha angústia e vencendo-a, dizendo um maravilhado adeus à água fresca do mar e dos rios onde nadei, ao perfume das flores e das crianças, e à beleza das mulheres. Um cravo vermelho e a bandeira do meu Partido hão-de acompanhar-me e tudo será luz".


06/08/13

a espécie humana é basicamente má ?


Foi há 68 anos, num mês de Agosto:
HIROSHIMA (6)  e  NAGASAKI (9)


Foi .. injustificável.

Uma corrida contra o tempo para ver quem matava mais, americanos ou russos, bombas ou lutas no terreno.
Um alhear-se do sofrimento, homens, mulheres, crianças, velhos e jovens todos inexistindo, todos sem peso em tudo o que fosse decisão política ou operação militar. 
A pele que lhes pendia como panos brancos dos membros e do tronco, os que não foram logo pulverizados, multiplicando-se na terra aquele inferno de primeira vez. E o de segunda ..
As feridas impossíveis, eles todos, recusados, "sujos" onde lhes não conheciam a doença, muito menos a cura.
Crimes de guerra não assumidos, inimputados.
Miséria de raça, miséria.

Hoje, 9 países têm a bomba atómica. O arsenal mundial é constituído por 20 mil ogivas, o suficiente para matar toda a população da terra vezes e vezes sem conta  (fonte)
..

voz de Ney Matogrosso sobre poema de Vinicius de Moraes:
Rosa de Hiroshima



Em Agosto de 1945, duas bombas com nomes de brincadeirinha, Little Boy e Fat Man, uma de urânio, outra de plutónio, são lançadas com intervalo de 3 dias sobre duas cidades japonesas. O horror sem nome, os milhares de mortos e feridos no imediato, os efeitos radioactivos depois, os cancros, as mutações genéticas, o medo ..
Harry Truman, presidente dos EU, no dia do bombardeamento de Hiroshima, 6 de Agosto de 1945: «Having found the atomic bomb, we have used it. We have used it against those who attacked us without warning in Pearl Harbour.» - fonte   Resumindo: «já que a descobrimos, usámo-la.» . Assim, sem o mais pequeno laivo de um remorso..
HIROSHIMA, MON AMOUR, de Alain Resnais:

Três dias depois do horror de Hiroshima e alvo por azar, Nagasaki é atacada com uma 2ª bomba atómica. Porquê???
Basicamente, para testar a potência destrutiva do outro 'brinquedo' de guerra do Projecto Manhattan, a bomba de plutónio: «Scientists at Los Alamos were also intrigued as to which type of bomb was the better - a uranium or plutonium based bomb. 'Little Boy' showed its effectiveness at Hiroshima but another bombing mission was needed to see what damage a plutonium bomb could do.» - ler mais

Nagasaki: the forgotten bomb:

Dois massacres evitáveis, que aconteceram pelos joguinhos de interesses, a teimosia e a sede de poder e de hegemonia dos senhores da guerra do Japão, Estados Unidos e Rússia:
  • A prioridade dos EU, afastar a URSS (um "aliado pouco confiável") do Japão, assim contrariando a expansão Soviética no extremo Oriente: «- Pofessor Tsuyoshi Hasegawa: "Com a bomba atómica, Truman podia acabar a guerra sem os soviéticos." Mas, para isso acontecer, os EU tinham de lançar a bomba antes de 15 de Agosto, a data em que a URSS  dizia que se juntaria aos EU na guerra contra o Japão.»
  • A aspiração da URSS, estender o seu domínio aos territórios ocupados pelos Japoneses, nomeada e principalmente a China. A invasão da Manchúria (ocupada pelo Japão) acontece antes do previsto e 'prometido', precisamente a 9 de Agosto de 1945, horas antes do ataque a Nagasaki.
  •  A preocupação n.º 1 do Japão, manter o imperador e o seu sistema político.
*
A história 'aceite' é de que as duas bombas sobre o Japão levaram ao fim da guerra, assim salvando milhares de vidas (americanas e japonesas) que, de outra forma, se teriam perdido com uma invasão por terra do Japão. 
Tsuyoshi Hasegawa, historiador, autor e professor na Universidade da Califórnia, St. Barbara, contesta o 'mito', depois de ter passado anos a vasculhar os arquivos americanos, russos e japoneses: «Não é o horror da bomba atómica que leva à rendição japonesa, mas sim a ameaça colocada pela invasão soviética. A entrada da União Soviética na guerra do Pacífico fez com que o imperador Hirohito percebesse como era perigoso continuar a guerra: comunismo e imperialismo não são compatíveis, e o sistema imperial estaria seriamente comprometido com os russos no terreno.»
--- mais informação no vídeo acima, do National Geographic Channel, Nagasaki, The Forgotten Bomb 


Barton Bernstein, historiador e professor na Stanford University: «o acto de lançar a segunda bomba atómica em Nagasaki depois da invasão soviética foi trágico e inteiramente fútil.»
 Nagasaki antes e depois da bomba:
fonte

 

lá como cá ..

img. daqui

Mudar só as moscas não basta

no i
publicado em 5 Ago 2013
por Tomás Vasques *

A ministra das Finanças, cuja nomeação para o cargo esteve na origem da crise política desencadeada pelo líder do CDS-PP, acabou por se afogar na sopa dos swaps 

bad night, de Telmo Vaz Pereira
Parecia estar o governo posto em sossego, pelo menos neste mês de Agosto, colhendo o doce fruto do "novo ciclo", iniciado após as tomadas de posse do vice-primeiro-ministro, de novos ministros e de secretários de Estado, abençoadas pelo senhor Presidente da República. O processo culminou na aprovação de uma patética moção de confiança, apenas destinada a dar à luz a "nova coesão" da coligação que nos governa, expressa em sorrisos fingidos e palmadinhas nas costas cinicamente ensaiadas. Nem as sondagens publicadas nos primeiros dias deste mês da preguiça apresentavam oscilações em relação a anteriores que tirassem o sono aos protagonistas da bizarra crise política de Julho. Passos Coelho descontraiu, foi a banhos para o Algarve. O senhor Presidente da República, também. O governo, a meio gás, às voltas com os cortes na despesa de Estado para apresentar à troika, ficou nas mãos de Paulo Portas, que entretanto se instalou no palácio do conde de Farrobo. Mas, parafraseando o poeta, o sossego foi apenas engano da alma, que a Fortuna não deixou durar muito: foi denunciada a presença no governo, recentemente empossado, de um secretário de Estado altamente "tóxico". 

Dois dias depois de a senhora ministra das Finanças se ter enredado, na inútil comissão de inquérito, pela segunda vez, em duvidosas explicações sobre os swaps, e quando tudo parecia amainar, acabou-se o sossego. A revista "Visão" noticiou que o novo secretário de Estado do Tesouro, escolhido pela dita senhora ministra, tinha sido vendedor, ao serviço de um banco, daqueles contratos de gestão de riscos financeiros a empresas públicas e ao Estado, na sua modalidade mais "tóxica" e imoral: mascarar o défice orçamental e as contas públicas. Foi doloroso ver o novo secretário de Estado do Tesouro explicar aos jornalistas, num daqueles encontros propagandísticos montados pelo ministro Poiares Maduro, as suas responsabilidades passadas: não sei, não fui eu que concebi o produto, não respondo, não me lembro. A cena foi tão triste de se ver, o embaraço e a pedra no sapato foi tal, que até um dos nossos conselheiros Acácios, o comentador Marques Mendes, veio defender a demissão do homem. É caso para dizer que a senhora ministra das Finanças, cuja nomeação para o cargo esteve na origem da crise política desencadeada pelo líder do CDS-PP, acabou por se afogar na sopa dos swaps. 

Hoje é claro para quase todos o embuste da tese propalada por este governo segundo a qual a maioria dos portugueses tinha de empobrecer porque "vivia acima das suas possibilidades". O brutal empobrecimento dos portugueses, através do saque fiscal e do aumento dos transportes, da energia e de tudo o mais, a que foram sujeitos nos últimos dois anos, destinou-se sobretudo a pagar os deboches de um grupo que circula entre os bancos, a administração de empresas públicas e o governo, numa promiscuidade imoral e eticamente decadente. Tanto estão nos bancos a vender swaps "tóxicos" ao governo, como passam rapidamente para a gestão de uma empresa pública onde "negoceiam" contratos de parcerias público-privadas com os bancos onde trabalharam, como são ministros e secretários de Estado incumbidos de resolver junto dos bancos os contratos desastrosos que com estes anteriormente firmaram. 

Foi esta teia de interesses obscuros, esta gente que não está sujeita a qualquer escrutínio democrático, mas usa o dinheiro dos contribuintes a seu bel-prazer, que nos trouxe até aqui e que, a continuar, nos arrastará para uma miséria ainda maior e afundará o regime democrático. No estado em que estamos, a alternativa deixou de ser entre austeridade e crescimento. A alternativa é entre a decência, a moral e a ética política e esta pantominice que nos tem conduzido à desgraça. Se mudarmos só as moscas, fica tudo na mesma. -- fonte

*  Jurista, escreve à segunda-feira

«Mais umas poucas Dúzias de Homens Ricos»

por Almeida Garrett (1799-1854)


My Field, de Telmo Vaz Pereira

Não: plantai batatas, ó geração de vapor e de pó de pedra, macadamizai estradas, fazei caminhos de ferro, construí passarolas de Ícaro, para andar a qual mais depressa, estas horas contadas de uma vida toda material, maçuda e grossa como tendes feito esta que Deus nos deu tão diferente do que a que hoje vivemos. 
Andai, ganha-pães, andai; reduzi tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de interesse corporal, comprai, vendei, agiotai. No fim de tudo isto, o que lucrou a espécie humana? Que há mais umas poucas dúzias de homens ricos. 

E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar a miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico? 

- Que lho digam no Parlamento inglês, onde, depois de tantas comissões de inquérito, já devia andar orçado o número de almas que é preciso vender ao diabo, número de corpos que se tem de entregar antes do tempo ao cemitério para fazer um tecelão rico e fidalgo como Sir Roberto Peel, um mineiro, um banqueiro, um granjeeiro, seja o que for: cada homem rico, abastado, custa centos de infelizes, de miseráveis. 

 Almeida Garrett, in 'Viagens na minha Terra'

A história de uma farsa

no Sol-Sapo 
30 de Julho, 2013 

por Luís Osório
Feitiços Raivosos, de Telmo Vaz Pereira


Todos os actores conheciam o guião e, desde o primeiro minuto, desempenharam-no como se não soubessem como ia terminar a peça que levaram à cena. 

Num contexto de profunda crise da cultura portuguesa, a começar pelas artes cénicas, é de aplaudir o esforço e talento dos protagonistas – isto para não falar de um guião que, não tendo sido escrito por Aaron Sorkin, autor de Os Homens do Presidente, foi eficaz e mobilizou atenções de um país desesperado. 

Recapitulo. 

Paulo Portas bateu irrevogavelmente com a porta. Maçado com o ‘autismo’ do primeiro-ministro que, em vez de o consultar, escolheu Maria João Luís para substituir o ministro das Finanças que se demitira dias antes. O líder do partido mais frágil da coligação, farto de não ser tratado da forma como julga merecer, disse que já não jogava mais – com o pormenor de ter levado a bola para os outros meninos também não poderem brincarem. 

Ao que se sabe, alguns dos militantes mais destacados do CDS, na maior parte dos casos talentos descobertos ou potenciados por Portas, vieram a terreiro, com orgulho pátrio, afirmar que a posição apenas ao líder pertencia; o Presidente da República podia comprar-lhes outra bola porque, por eles, o jogo continuava. 

Este pontapé de saída superou as melhores expectativas dos críticos. Surpreendeu a audiência, deixou o país em suspenso, a Europa de sobreaviso e os cobradores de fraque preparados para voos picados. A acrescentar a este tanto, assistíamos à aparente derrocada de Paulo Portas dentro de um partido que pensávamos o trataria com água de rosas até ao fim dos dias. 

A partir daí os burocratas tomaram conta da acção – o espectáculo teve ainda assim momentos altos, mas o cunho de imprevisibilidade decaiu. 

O Presidente, Cavaco Silva, falou com todos e depois ao país: em Portugal propunha-se fazer o que o Rei Lear fizera na Grã-Bretanha. A Pátria precisava de ser salva e, como Shakespeare, ofereceu os destinos do país a Goneril, Regan e Cordélia, irmãs de sangue a quem pediu, como Lear, que lhe expressassem gratidão e amor aceitando uma solução a três. Foi bom. Eloquente e incisivo. Nos telejornais do dia, vários comentadores concluíram que, afinal, tínhamos Presidente. 

Pedro, Paulo e António (filhos de um Lear moderno e sem poder) aceitaram as recomendações de diálogo. E entraram em cena para cumprir o tempo previsto para a encomenda do Palácio de Belém. 

Dentro de cada um dos exércitos partidários o clima foi de violência pronta a explodir. Nas tropas de Pedro, antes da reunião da Comissão Nacional, prometia-se sangue e havia até quem exigisse a cabeça do Presidente numa bandeja – para evitar mais comoções cerebrais, Pedro Passos Coelho (Goneril) apareceu de surpresa e desempenhou o papel de domador de feras: tranquilos, pediu gravemente. 

No PS, os grandes senhores revoltaram-se contra a hipótese de Seguro (Cordélia) poder aceitar o canto da sereia de Cavaco (Lear). Se tal enormidade acontecesse, Mário Soares e outros generais socialistas, como o ex-inimigo Manuel Alegre, provocariam uma cisão nas fileiras socialistas – foi então que o coro gritou em espanto, ‘Soares pode sair, Soares pode sair, tragédia, tragédia’. 

Já no CDS, após incendiar as avenidas, Portas (Regan), remeteu-se ao silêncio, devolveu a bola e retomou o controlo aparente da situação. 

Os exércitos negociaram apenas para inglês ver. Passos enviou Jorge Moreira da Silva, Seguro escolheu Alberto Martins, Portas mandatou Mota Soares e até Cavaco quis que um seu oficial, David Justino, estivesse presente. Pela composição deste grupo de salvação nacional, percebeu-se que nada de relevante se iria decidir – todos estavam a cumprir a sua parte do trato e a empatar jogo. Concordarão que colocar aqueles homens juntos (respeitáveis cidadãos, diga-se) poderia servir para uma adorável e importante discussão acerca da Filosofia da Linguagem ou da importância da Lógica em Wittgenstein, nunca para a bocejante selva de números em que nos movemos. 

Mesmo assim, para que não existisse a tentação de tantos veneráveis cidadãos terem a tentação de se entender, Pedro chamou de urgência Maria João a uma reunião. A coisa estava a correr tão bem, com tantas leituras e ideias trocadas, quando a bonita senhora tratou de colocar as coisas no seu desagradável sítio. 

O Presidente voltou ao plano inicial. Entrou pela mesma porta. Fez a mesma pausa para beber água a meio do discurso. Elogiou tudo e todos pelo esforço e, por trás do pano, lavou as mãos do futuro. Se as coisas piorarem, a partir daqui, ninguém poderá dizer que não tentou. Essa é a sua leitura, a mesma de Pilatos. Foi, como ele, inteligente, matreiro e político. 

Pedro e Paulo podem dizer que tentaram, mas que o PS não quis o ónus da governação e recusou o apelo para fazer parte da solução. Ganharam tempo e mantêm-se ligados à máquina e à esperança. Já estiveram piores. 

António pode dizer ao país que tentou virar a cabeça dos que mergulharam o país numa tragédia. E deixa os seus adversários beberem da cicuta até ao último gole. Também precisa de tempo, seria uma chatice ter o poder agora. 

Partido Comunista e Bloco de Esquerda precisam que a tragédia continue. Quanto pior, melhor. Não por serem maus e comerem crianças ao pequeno-almoço, mas por acreditarem que a revolução só poderá chegar quando se chegar ao fundo dos fundos. Para eles, está bem. 

Todos estão contentes. E o país? Isso é outra coisa, isso é a realidade. 

fonte

«o fascismo a bater-nos ao de leve à porta»


no DN
03 agosto 2013
por Óscar Mascarenhas *


Poiares Maduro e Lomba são tão-somente o fascismo 
a bater-nos ao de leve à porta   


Aldrabões. Não faço por menos. Mandam as artes e manhas dos artigos de opinião que não se diga logo ao que vem o autor, para manter o leitor agarrado ao prazer do texto. Mas desta vez, iconoclasta como me quero, finto as regras e vou direto ao assunto: os senhores (professores doutores ou doutorandos e mais o que desejarem ser no currículo e na mercearia do bairro) 

Miguel Poiares Maduro e Pedro Lomba, nos poucos dias que levam de governo, já deram provas de terem sido aldrabões. Não digo que o sejam, que não sou tão pateta e desajeitado que abra um alçapão legal sob os meus próprios pés perante juristas assim ditos tão eminentes: afirmo que o foram. Episódica e admito que corrigivelmente. 

E vou mais longe: nos poucos dias em que estes governantes exerceram o poder, o fascismo deu um passo em frente. Nem lhes vou dizer que limpem as mãos à parede, porque podem espalhar a peste, a cólera e a tinha. Lavem-nas, com sabão azul e branco e, de caminho - vão ao banho! 

m-p-maduro
Caro leitor: custou muito chegar à liberdade de imprensa e ainda mais firmar em lei os valores civilizacionais que não deixassem que certos produtos nascidos de uma faísca de ferradura de um cavalo da guarda a raspar no basalto de uma viela os pudessem alterar a seu bel-prazer. Impusemo-nos, jornalistas, liderados pelo Sindicato menos corporativo que conheço - e mais atacado pelos que venderam a alma e o talento por dois réis de mel coado ao patrãozinho querido ou ao governozinho de ocasião - normas de respeito pelos direitos do público que raros são os países que as têm. Há os que falham - há muitas falhas -, mas os jornalistas e, mais importante do que eles, o público, sabem dizer quando falham. 

E, no meio desta longa e custosa aprendizagem e tentativa de bem servir, sai de vez em quando uma personagem de Gil Vicente, o Parvo, e diz: "Quem sabe disto sou eu. Os jornalistas têm de aprender comigo." E, depois, vomita imbecilidades num esforço medíocre de ser Goebbels, nem chegando ao tacão do António Ferro, que teve o background de vir da Orpheu, escorregando, fruto dos tempos, para o fascismo. Estes de agora foram diretamente para o fascismo, sem passarem pela casa Orpheu (ai, credo!, que será isso?) 

p-lomba
Vejamos quem são estes figurões de que falo - e o leitor trace a opinião sobre o civismo, carácter, ou o que lhe aprouver deles. Miguel Poiares Maduro, ministro, colega de sala de um tal irrevogável Paulo Portas, que preferiu trocar a sua reputação pela salvação da pátria, numa espécie de martírio de Santa Maria Goreti mas ao contrário, no corpinho frágil de São Domingos Sávio que se finou aos quinze anitos. (Este mostra-se mais resistente, sinal de que o Senhor hesita em chamá-lo para junto de si, transferindo o ónus para a tolerante e inexcedível bondade de Cavaco Silva, sempre bem aconselhado pela sua nunca por demais citada esposa, não eleita pelo voto mas calculo que pelo coração de uma cabina telefónica cheia de portugueses, pelo menos!) Paz às almas! Miguel Poiares Maduro, igualmente colega de carteira de um tal Chancerelle Machete que, de ainda mais maduro, se atascou na podridão, ipsis verbis, de uma coisa que dá pelas siglas de SLN e BPN e o qual, diz o WikiLeaks, tem uma reputação tão elevada junto dos americanos que, quando eles quiserem fazer qualquer negócio em Portugal, não duvidarão em consultar certo escritório de advogados porque, como dizem os ianques naquela língua-de-trapos, every man has his price e... money is no problem. Gostaria patrioticamente de estar enganado, mas, em diplomacia, o que parece... é o que diz o WikiLeaks. O outro: Pedro Lomba, colega de Agostinho Branquinho, a criatura que não sabia o que era a Ongoing e teve de ter emprego na Ongoing para perceber o que é a Ongoing. E ser colega de tal figura é coisa para se trazer ao peito, com orgulho, como um broche de bom latão. 

Os dois, Poiares Lomba e Pedro Maduro, são herdeiros - com pouco jeito - de Miguel Relvas, que, com muito menos estudos do que eles, lhes deu lições de como fazer política nestes tempos. 

Pois os colegas de Portas, Machete e Branquinho - e aprendizes de Relvas - deram-se à missão de gerir a informação ao povo, através dos jornalistas, prometendo briefings diários que duraram dois dias e que retomaram agora, com a honradez da palavra que os caracteriza, em encontros diários duas vezes por semana, não sei se o leitor entende. (Como é aquela palavra que tu utilizaste, Miguel Sousa Tavares? Palha-de-aço? Não era bem isto, mas andava lá perto. No plural, na circunstância.) 

Aqui é que estes grandes educadores dos jornalistas aldrabaram. Começaram por dizer - ponho no plural porque tão aldrabão foi o secretário de Estado que disse, como o ministro que mandou dizer ou, pelo menos, não o desautorizou - que os briefings com os jornalistas seriam umas vezes em on - isto é, podia dizer-se quem disse o quê - outras vezes em off (que na sabedoria analfabeta do secretário de Estado e do ministro não sei de quê nem interessa se convertia numa figura nova em que suas excelências expenderiam umas quantas patacoadas espremidas dos seus notáveis bestuntos e os jornalistas papagueá-las-iam, mas sem dizer quem esvurmou tais pústulas de sabedoria). E disseram, ex cathedra, que era assim que se fazia em Inglaterra. Aldrabaram. (Vês, Pedro Tadeu, que há uma palavra ainda mais forte do que "mentiram"? Quando a falta à verdade é rasca e torpe, a palavra é "aldrabice".) Os briefings em Inglaterra são sempre atribuídos ao PMS (Prime Minister Spokesperson), isto é, ao porta-voz oficial do primeiro-ministro, pessoa conhecida e identificada - e as respostas são sempre factuais, nada de divagações onanistas de ministros ou secretários de Estado fala-barato armados em palestrantes. 

E, com esta aldrabice, intrujaram: no segundo dia de briefing, levaram uma conceituada jornalista da rádio a reproduzir todos os vómitos e regurgitações opinativas do ministro ou do secretário de Estado, atribuindo-os sempre a "fonte do Governo". Intrujaram a jornalista, que, eventualmente, por temor reverencial ou mau conselho, se esqueceu dos seu dever deontológico de não reproduzir comentários sem identificar a autoria. E intrujaram o público, fazendo passar uma mensagem da maneira que Don Basilio, em O Barbeiro de Sevilha, explicava o que era uma calúnia: È un venticello,un"auretta assai gentile, che insensibile, sottile, leggermente, dolcemente, incomincia a sussurrar. 

(Estou para saber porque é que fui gastar o meu escasso italiano com tão toscos governantes. Ainda lhes inspiro uma ideia mais fascizante...) 

Mas não se fica por aqui a impertinência e a incivilidade destes dois cavalheiros: mais recentemente, o ministro Maduro esticou-se nas pontas do pés, esganiçou--se e verberou jornalistas sobre as perguntas que deveriam ou não fazer! 

 Mas quem é ele? 

E, pior do que isso, porque é que não houve nenhum jornalista presente que dissesse a Sua Impertinência que lhe cabe responder ou não às perguntas dos Senhores Jornalistas (com maiúsculas, perante tão vulgar e efémero ministro) e não dizer-lhes o que devem ou não perguntar? 

Aviso solene aos jornalistas do Diário de Notícias - e estou seguro de ser levado a sério: manda o nosso Código Deontológico, no seu ponto 3, que "o jornalista deve lutar contra as restrições no acesso às fontes de informação e as tentativas de limitar a liberdade de expressão e o direito de informar. É obrigação do jornalista divulgar as ofensas a estes direitos." 

Venham os Poiares Pedros ou os Lombas Maduros que vierem, jornalista do DN que se acobarde perante este fascismo com pés de lã, pode ter a certeza, à fé de quem sou, que fica com o nome num pelourinho de cobardolas que prometo expor aos leitores. Porque é dos direitos dos leitores que estamos a falar. Enquanto estiver nesta casa e nela tiver voz, o fascismo não entra de esguelha. 

Estamos a viver tempos perigosos. Em Espanha, o alegado recebedor por baixo da mesa Mariano Rajoy proíbe que se fotografe, que se grave, não sei mais quê. Em Itália, é o que sabe do império Berlusconi (ou é Burlesconi?). Na Grécia, silencia-se a televisão e mesmo com ordens do tribunal não se reabre. 

O fascismo anda por aí. 

É bem visível no ovo da serpente. Já não há a Europa da liberdade: somos governados por filhos de Putin. 

Inúmeros filhos de Putin. 

Cabazes de filhos de Putin. 

Em Portugal, os devotos de Putin, discípulos de Miguel Relvas, condiscípulos de Agostinho Branquinho e quejandos chamam-se, entre outros, Miguel Poiares Maduro e Pedro Lomba, lamentáveis expoentes de um passado que parecia inconformista e rebelde, transformados num estalar de dedos em esbirros da política da mordaça, assim que os convidaram a sentar-se num mocho cambaio a metro e meio da mesa do orçamento com direito a côdea bolorenta. 

É de calcular que os senhores Miguel Poiares Maduro ou Pedro Lomba digam em voz alta, por escrito ou simplesmente resmoneiem entre dentes que de mim não recebem lições de civismo, nem disto nem daquilo. 

Erram. 

Recebem lições de mim, como eu as recebo de toda a gente, até deles se forem capazes de produzir sabedoria que me faça proveito. Aliás, não recebo: tomo eu próprio a iniciativa de colher lições de toda a gente, muitas de simplórios que nem se dão conta de que me estão a ensinar e algumas que descubro úteis deixadas escapar por académicos de capelo e borla. 

Insisto: de mim recebem lições. De jornalismo, de civismo, de muitas coisas. Podem não as assimilar. Tanto pior para eles. Mas esta é uma maldição que me acompanha: aparece-me sempre um ou outro aluno muito engelhado na compreensão. 

Alguns já terão chegado a catedráticos, sabe-se lá! 

Mas posso estar a ser injusto com Poiares Maduro e Lomba: talvez eles não estejam a resvalar involuntariamente para o fascismo, por uma qualquer insuficiência cultural ou impreparação cívica. Pode dar-se o caso de quererem mesmo ser o que aparentam. E não disponho de pastilhas de 25 de Abril para os salvar. 

fonte 

* provedor do leitor

05/08/13

«Se podría ..»

Texto escrito por Lucía Etxebarría (escritora)

 "Sábado por la noche. Me pillé la mano con la puerta de la cocina (soy muy propensa a los accidentes domésticos: soy sagitario y no tengo “conciencia de peri cuerpo”). Me presenté sola en el hospital de Sant Pau porque mi compañero se quedaba a cuidar de mi hija. Me pasaron a la sala de espera. Allí había una niña, venga a... llorar.... Le pregunté su edad. Tenía 18 años, estudiaba en Barcelona, tenía una otitis. Llevaba dos horas allí. Su familia estaba en Girona. Yo sé que las otitis duelen muchísimo, he pasado alguna. Pero creo que también lloraba porque estaba asustada y sola. Me presenté ante la enfermera. Le dije que por favor le dieran un calmante a esa chica. Me dijo que como enfermera ella no podía administrar nada sin autorización del médico. “¿Y dónde está el médico?”. “Ocupado, y aún puede tardar horas”. Y luego me miró: “Tú eres escritora, ¿no? Escríbelo. Cuenta cómo está la situación”. Y eso he decidido hacer.
Vamos a aclarar las cosas. No están haciendo recortes en sanidad porque la cosa esté así de mal, sino porque la sanidad es un gran negocio, y si se privatiza, al estilo de Estados Unidos, muchos se van a hacer multimillonarios.
Se podría recortar de muchas otras partidas.
Los toros se subvencionan: las fiestas taurinas nos cuestan 564 millones al año en subvenciones.
Los clubes de futbol también, de forma indirecta. Deben 750 millones a Hacienda y 11 millones a la Seguridad Social. De hecho, la UE ya ha propuesto investigar al fútbol español por presuntas ayudas del Estado.
Se podría eliminar los sueldos y pensiones vitalicias y prohibir por ley que los ex presidentes cobren de la empresa privada a la vez que disfrutan de su pensión vitalicia: González y Aznar siguen sin renunciar al sueldo de 80.000 € mientras reciben altas retribuciones de Gas Natural y Endesa, por ejemplo.
Se podría prohibir que un político cobre del Estado y de la empresa privada: Acebes cobra del Congreso y de Iberdrola, por ejemplo.
Se podría recortar sueldos de cargos políticos. Si un ciudadano tiene que cotizar 35 años para percibir una jubilación, no veo por qué los diputados lo hacen a los siete, ni por qué no tributan un tercio de su sueldo del IRPF, como hacemos los demás.
Se podría endurecer las penas contra el fraude fiscal. El 72% de este fraude proviene de las grandes empresas que facturan más de 150 millones de euros al año, y de la banca. Ahorraríamos 90.000 millones de euros.
Se podría eliminar el concordato con el Vaticano. El ahorro final estaría entre los 6.000 y los 10.000 millones de euros. Jesús predicaba la pobreza, y la Iglesia se debe mantener mediante las aportaciones de los fieles, como ya dijo el propio San Pablo.
Esa niña que lloraba en urgencias podría ser su hija. Peor aún, usted podría padecer leucemia. Y si la padeciera, un seguro privado no le ayudaría, porque los mejores especialistas están en la Seguridad Social. Lo sé porque se trata de una enfermedad que he vivido de cerca.
Usted que me lee: tome conciencia, por favor. El fútbol es un negocio. Los toros, una tortura. Los gastos del Congreso, un lujo innecesario. Las pensiones vitalicias, una enorme falta de ética. La fe es una opción. Pero la salud es un derecho." 

Lo mismo podría decirse de la educación. ¿En serio vais a permitirlo? ¿o es que os dan alergia las manifestaciones? Luchemos por lo nuestro, es nuestro derecho. Por una democracia real.

fonte

02/08/13

haja vergonha! Pois .. haja..

recebido via e-mail:

O caso BPN continua a queimar as mãos de muita gente. Tanto que, quando alguém que esteve ligado ao banco vai para um lugar público e tem de divulgar o seu curriculum, elimina cuidadosamente essa atividade do seu passado. 
Foi isto que fez Rui Machete, foi isto que fez Franquelim Alves, passando aos jornalistas um atestado de incompetência e aos cidadãos um atestado de estupidez. 
de Escher

Não está em causa a compra ou venda de ações de uma instituição bancária. Mas está em causa saber 
1) se toda a gente podia comprar ações do BPN; 
2) se toda a gente que comprou as viu recompradas pelo dobro ou pelo triplo do seu valor original; 
3) se esses ganhos assentavam na atividade normal do banco. 

Ora para quem não se lembra, o BPN não estava cotado em bolsa. Por isso, só comprava ações do banco quem a administração convidava para tal. Foi assim com Cavaco Silva, que comprou e vendeu ações do BPN tratando diretamente do assunto com o presidente da instituição, Oliveira Costa. Depois, a compra de ações de ações pelo banco por valores muito superiores aos que as tinha vendido não resultava do livre funcionamento do mercado - mas de uma decisão da administração e, em particular, de Oliveira Costa. 

Quer isto dizer que o presidente do BPN beneficiou quem quis - e beneficiou seguramente os seus amigos. Não por acaso, todos (ou a esmagadora maioria) os beneficiados com a venda de ações altamente valorizadas ou com vultuosos empréstimos não reembolsados são membros ou simpatizantes do PSD. E suponho que não é preciso dizer os nomes. Por isso, se tudo fosse tão normal e transparente, Rui Machete não teria eliminado do seu curriculum as funções que ocupou no BPN. Por isso, também não devia ter dito que isto revelava a podridão da sociedade portuguesa. 

É que se este caso revela alguma coisa é a podridão com que altas figuras do PSD ligadas ao Estado ganharam muito dinheiro com um banco fantasma que era liderado por uma grupo de malfeitores. E é esse dinheiro fácil que está agora a ser pago, com língua de palmo, por todos os contribuintes. Mais de 4 mil milhões de euros dos nossos impostos servem para pagar as mais-valias e os empréstimos não reembolsados que o BPN concedeu. 

 Por isso, seria de muito bom tom que todos os que lucraram com o BPN se calassem e que não nos tentassem convencer que tudo foi limpo e transparente no dinheiro que ganharam. É que, como de costume, os senhores privatizaram os lucros. E deixaram para os contribuintes a socialização dos imensos prejuízos. Haja vergonha! 

fonte: http://expresso.sapo.pt/quem-se-julga-esta-gente=f824233#ixzz2ap2lsxhN

31/07/13

O ministro da Educação-mercadoria

 
no Público de
31 de Julho de 2013,

por Santana Castilho*



O ministro da Educação-mercadoria

As coreografias políticas de inferior qualidade, geradas pela irresponsabilidade de Gaspar, Portas, Passos e Cavaco, varreram o importante sério em função do urgente falso. O país viveu as últimas semanas à espera da salvação e acabou condenado. Os pequenos delinquentes políticos foram premiados. Tudo voltou ao princípio. Os mesmos de sempre ficaram satisfeitos. Passos Coelho, qual garoto a quem perdoaram a última traquinice, retomou a sua natureza profunda. Foi escasso o tempo necessário para o ouvir recuperar o discurso de ódio à Constituição e aos funcionários públicos. Sem vergonha, resgatou a União Nacional. 

Com tal e eloquente fundo, surpreendem os dias de desespero que Nuno Crato vem laboriosamente oferecendo aos professores e à escola pública? Só a quem tem memória curta. E são, infelizmente, muitos. Atropelam-se os exemplos. 

1. Repito o que já escrevi: não houve nem há qualquer concurso nacional de professores. Houve, e continua a haver, um enorme logro. Uma espécie de dança macabra para dividir a classe, tornando mais fácil reduzir e despedir. Navegar por entre a teia kafkiana da legislação aplicável é um desesperante exercício de resistência. Só legisladores mentalmente insanos e socialmente perversos a podem ter concebido, acrescentando sempre uma nova injustiça à anteriormente perpetrada. O caso da Educação Especial é um belo exemplo. De um decreto exigente (nº 95/97), que uns respeitaram, a um despacho permissivo (nº 866/2013), que outros aproveitaram, vai apenas o poder discricionário do pequeno secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar. Professores com formação sólida e prática longa nas diferentes vertentes da Educação Especial estão a ser ultrapassados por colegas, oriundos de outros grupos de recrutamento, com especializações bem menos exigentes e sem prática no sector. Pelo meio, reclamações sobre o mesmíssimo problema decididas pelo ministério de forma oposta, recurso a tribunais e a deputados, que expressam indignação mas nada fazem, e a confiança no Estado reduzida a zero. 

2. Nos últimos dias, as escolas foram literalmente abalroadas com a imposição ministerial da redução do número de turmas e cursos profissionais. Trata-se de alunos já matriculados e aceites no pré-escolar, 1º ciclo, cursos de educação e formação e planos de currículos alternativos. A leviandade do ministério, promotor da autonomia das escolas pelo discurso e ferozmente dela castrador, pela prática centralizadora, deita fora o trabalho já feito para preparar o ano-lectivo. Para os poucos professores ainda contratados, adensa-se a negritude do futuro. Sobre o destino a dar aos alunos que escolheram as escolas públicas, só a mente capta de Crato nos poderá esclarecer. Colégios privados? IEFP? Recorde-se ao cidadão incauto, vítima da desinformação que se vai seguir, que isto ocorreu na véspera da publicação das turmas, na véspera da comunicação das necessidades de professores, na véspera dos concursos de Agosto, na véspera da concepção dos horários. Os directores dizem-se chocados. Mas até ao momento em que escrevo, não conheço um só que se tenha demitido. 

3. O Estado de direito é constantemente posto em causa pelo Ministério da Educação e Ciência. No caso vertente, que acima citei, o despacho nº 5048-B/2013 acaba de ser incumprido pelo ministro e pelos dois ajudantes que o assinaram. Nada lhes acontece. E o trio ri-se na cara dos directores, professores, pais e alunos. 

A 13 de Março transacto, denunciei aqui um caso grave em que o director-geral dos Estabelecimentos Escolares, José Alberto Duarte, foi alvo de queixa disciplinar. Que aconteceu? Gaveta funda do esquecimento. O ministro, o dito, seu amigo de estimação, e o secretário de Estado Casanova riram-se da cidadã que se queixou. Aparentemente, apenas se divisa uma consequência: as juntas médicas, pelo menos na jurisdição de Lisboa e Vale do Tejo, eclipsaram-se misteriosamente. Seria bom saber porquê e tornar clara a estranha relação com a estranha clínica que as executava. 

Sucedem-se cenas canalhas envolvendo directores (a última que me chegou refere-se ao Agrupamento de Escolas de Lagares e tem de tudo, droga e sexo incluídos). O arrastamento destes episódios, invariavelmente com disputas entre lóbis locais, sem esclarecimento e apuramento da verdade, deteriora a vida nas escolas, a níveis inaceitáveis. A Inspecção parece estar, neste e noutros casos, em licença sabática. O ministro cala-se, sem entender que a liberdade não pode ser apenas formal. Pais, professores ou alunos que não tenham dinheiro para procurar a Justiça nos tribunais, não têm, verdadeiramente, liberdade. Quem não tem dinheiro para pagar a justiça fora da Escola, por injustiças geradas na Escola, não tem liberdade para exigir justiça dentro da Escola. Nuno Crato não entende isto. Preocupa-o um só poder: o absoluto dos credores. É ministro da Educação-mercadoria. 

* Professor do ensino superior

30/07/13

ecos do fb: despedimentos na FP

de Keith Haring

Começou hoje o processo de demissão em massa da função pública. A TVI está a dizer que
já foram dadas ordens aos serviços para começarem a praticar as 40 horas e indicarem, a seu belo prazer, os excedentários. Para estes não haverá férias. São as "poupanças" de PPC que significam 30.000 despedimentos e 3.000 milhões de euros "economias" até 2015. E
tudo isto é feito sem qualquer estudo. E as escolhas dos despedidos ao que parece serão arbitrárias.

A "Elite" governamental não precisa de estudos nem instrumentos de medida. Tem muito "feeling" e sabe ao que vem. O seu objectivo não é a organização do Estado, mas a sua destruição. Para isso quanto menos ciência melhor, que atrapalha, vai a olhómetro... Agora, sem ironia. Donde virá tanta frieza e indiferença pelo país e as gentes? Quem prega a mentira que se alimenta de engordar a dívida e a insolvência, para gerar o caos? Quem são os testas de ferro que detêm os bens destes senhores das trevas que pisam os portugueses com botas cardadas? Nesses despedimentos não estará ninguém do aparelho do poder e muitos entrarão ainda, por despudor e a qualquer pretexto. 5 milhões de portugueses dependem economicamente, das decisões do governo que se confunde com o Estado. São os reféns que o poder usa para se salvar, agindo. Isto explica a inacção e silêncio- Vivemos tempos de abandono e desesperança. 

Filipe Tourais

Com toda a pressa, aproveitando o facto dos protestos estarem de férias, a maioria parlamentar PSD e CDS aprovou nesta segunda-feira as duas propostas de lei que alteram o período de trabalho dos funcionários públicos para 40 horas semanais sem qualquer acréscimo remuneratório, assim como o denominado "regime de mobilidade especial na administração pública", que mais não é do que a consagração da figura do despedimento sem justa causa em larga escala. Porque estão mesmo com pressa, uma semana antes, na semana passada, o Ministério das Finanças já tinha dado indicações às direcções-gerais e regionais dos diferentes serviços da Administração Central do Estado para que apresentem , até à próxima Sexta-feira, os horários de trabalho reformulados à luz da nova legislação, bem como o "plano de racionalização de efectivos", que é como quem diz as listas de pessoal a dispensar e respectiva calendarização. E toda esta pressa mais não é do que pressa de se irem embora. O Governo sabe que não resistirá a nova constatação de que a Constituição da República Portuguesa não está suspensa. Toda a oposição se prontificou a enviar os dois diplomas para apreciação do Tribunal Constitucional, com especial realce para o PS que, na sua última passagem pelo Governo, desmantelou as carreiras na Administração Pública e substituiu o regime de nomeação definitiva pelo regime de contrato de trabalho em funções públicas. Foi o PS que criou as condições que possibilitaram a este Governo avançar sobre os funcionários públicos. Pelo visto, fazem questão de serem eles a terminar a obra que deixaram inacabada. Também estão com pressa. -- fonte

29/07/13

polémicas à beira-Tejo

em O Economista Português
por Um Economista Pouco Conhecido :
 
Terminal de Contentores da Trafaria: 
Um Frete aos Lobis do Aço

O fecho da Golada e o terminal da contentores da Trafaria teriam efeitos mais dramáticos na paisagem do Tejo do que o mostrenguinho da Silopor* (em segundo plano, à direita)

* os silos da Trafaria

-- imagem e texto aqui

 * * * * * * * * * *

em Revista de Marinha
pelo Almirante Francisco Vidal Abreu
fonte

O Porto de Lisboa e a Golada do Tejo

1. Introdução

Há questões que são abordadas ciclicamente pela Comunicação Social, a que se seguem posições mais ou menos apaixonadas de quem pouco ou nada sabe da matéria. Seguem-se depois intervenções essencialmente técnicas em Academias, Sociedades ou outros "fora" de pensamento e debate e, fica tudo na mesma. Se o tema regressa de tempos a tempos é sinal que é importante e, também, que não ficou resolvido. E, se assim sucede, é porque não existe o hábito de avaliar o custo das não decisões. O fecho da Golada do Tejo é uma destas questões.


2. Um pouco de história

Mostram as cartas hidrográficas dos finais dos anos vinte e trinta do século XX que a golada (ligação entre a Trafaria e o farol do Bugio) se encontrava fechada. Uma vasta língua de areia consolidada, embora parte dela apenas emersa em baixa-mar, permitia que se fosse a pé de um ponto a outro perto dos estofos da maré baixa. Esta mesma situação ouvi-a eu repetir por diversas vezes aos mais velhos, já nascidos em pleno século XX, corroborando escritos da época de que tal possibilidade se mantinha com pequenas variações durante várias décadas, pelo menos de finais do século XIX até aos finais da década de quarenta do século passado (ver figuras 1 e 2). Porque se alterou então a situação e a golada abriu? É ponto assente entre os técnicos que tal se deveu à retirada dessa zona de enormes quantidades de areia para a realização de aterros na margem direita do Tejo, entre Belém e Algés, no início dos anos quarenta e, eventualmente mais tarde, para outras situações, desfazendo assim um equilíbrio dinâmico que tinha levado séculos a construir. Foi um erro? Foi, certamente por não compreensão do processo em que se estava a interferir e da gravidade das suas consequências. Mas erro maior é, com os conhecimentos hoje existentes, nada fazer para corrigir o erro cometido, repondo a situação anterior.
( . . . )
Este caso da reposição das condições de fecho da Golada do Tejo, parece ser claramente um bom exemplo que, situando-se na área portuária, sector dos transportes, requer um relativamente baixo investimento público, embora se possa constituir num claro potenciador do desenvolvimento nacional. Curiosamente, e tomando como base o que se passou há 20 anos, é daqueles projectos que, ganha a vontade do decisor político, pode ser estudado, decidido, executado e ver iniciada a exploração das condições criadas, tudo numa legislatura. Haja a vontade, haja o querer.
ler artigo completo aqui

28/07/13

"contentores na Trafaria, NÃO!"


Os contentores na TRAFARIA significariam o aniquilamento da sua população (já por demais martirizada), do seu comércio, do seu modo de vida, do seu bom peixe; implicariam o fim da ligação turística com Belém e o desaparecimento de Porto Brandão, a destruição das praias de S. João, St. António e centro da C. Caparica; águas poluídas e mais frias. Os lisboetas perderiam o refúgio desta descompressão, os habitantes da Trafaria e C. Caparica a sua qualidade de vida. 


"contentores na Trafaria, NÃO!"

Assine aqui a Carta Aberta ao 1º Ministro: 
 
Trafaria, o parente pobre (e massacrado) da Margem Sul



 *
Estudo encomendado pelo porto de Lisboa 
arrasa terminal de contentores da Trafaria 

26 Julho 2013, 18:12 por Alexandra Noronha | anoronha@negocios.pt 

depois deste, o monstro q se segue.. foto
Documento elaborado pela A.T. Kearney diz que investimento só será competitivo com recurso aos transportes rodoviários. 

O terminal da Trafaria (TCT), que foi apresentado pelo Executivo há alguns meses para alargar o porto de Lisboa, só é viável com o recurso ao transporte rodoviário. 

A conclusão está num estudo que a Administração do Porto de Lisboa (APL) encomendou à consultora A.T. Kearney, datado de Junho deste ano, e a que o Negócios teve acesso. “O modo intermodal de/para o TCT mais interessante para os agentes económicos é a rodovia (mais barato e operacionalmente mais eficiente), não se apresentando outras soluções (ferrovia, barcaça, RoRo) economicamente competitivas”, diz o documento. 

O mesmo estudo adianta mesmo que “a não serem criadas as acessibilidades rodoviárias, o TCT perderá significativamente competitividade a favor de portos alternativos”. Recorde-se que o presidente da Refer, Rui Loureiro, disse em Maio que a solução para a ligação ferroviária entre o futuro terminal de contentores da Trafaria e Lisboa terá custos associados de cerca de 152 milhões de euros, a que se somariam outros oito milhões para expropriações. - ler mais 

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foi ontem, e muito concorrido.. 
A presidente de Almada esteve lá e foi entrevistada pelas tvs .. 

Surfistas preparam manifestação na Costa de Caparica


Ação visa protestar contra o projeto do terminal de contentores na Trafaria que põe em causa o surf naquelas praias. Terá lugar no próximo sábado, 27 de Julho, pelas 10h,na Praia do CDS, na Costa de Caparica o "Círculo Surfista", um protesto dos surfistas contra o projeto do terminal de contentores na Trafaria. 

O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, anunciou que o porto de contentores de Lisboa será transferido para zona da Trafaria. Após o cancelamento da requalificação de uma das zonas (desaproveitadas) com mais potencial turístico do País, esta obra, segundo Associação Contentores na Trafaria NÃO!, será um crime e atentado para o meio ambiente mas principalmente, para o surf na maior praia urbana do país: a Costa de Caparica. 

O anúncio do governo da construção de 1 mega terminal de contentores na Trafaria (7 vezes a dimensão da Alcântara) e de uma linha férrea para trazer os contentores para Lisboa coloca em causa a prática de surf na Costa da Caparica devido à remoção de areias para permitir um canal com calado para os megabarcos de 400 metros, o que fará desaparecer a areia das praias do norte e do centro da Caparica
C. Caparica, praias de St. António c/ Lx ao fundo

Trata-se também de um atentado ambiental numa zona protegida da arriba fóssil que já teve a oposição de associações ambientalistas como a Quercus e o Geota. 

O projecto é uma parceria público-privada com um investimento público à partida de 200 milhões de euros. De acordo com os especialistas portuários, as soluções deveriam passar pelo melhor aproveitamento do porto de Sines ou pelo desenvolvimento de Lisboa+Setúbal e não por um mega investimento num local inapropriado que vai exigir uma linha férrea com um custo de 160 milhões de euros, segundo o Presidente da Refer no Parlamento (mais do dobro do preço por km da linha de TGV entre o Poceirão e Caia). 

Como forma de protesto, a Associação Contentores Trafaria NÃO, em conjunto com clubes e escolas de surf da Costa de Caparica, com a colaboração da SOS – Salvem o Surf e o apoio da Câmara Municipal de Almada, irá organizar uma concentração de forma a protestar contra este projecto, que para além de não ser sustentado em estudos de impacto ambiental e para o qual existem outras opções mais válidas e adequadas, irá com toda a certeza colocar o surf da Costa de Caparica em causa.

Segundo Pedro Dionísio, membro da Direcção da Associação Contentores na Trafaria NÃO!, “Fizemos um apelo a todos os surfistas como amantes de valores como o ambiente, as praias, as ondas para que se unam contra este atentado ambiental, participando no círculo surfista no sábado dia 27 de Julho, às 10h, uma iniciativa em colaboração com os 2 clubes de surf da Caparica e da maioria das escolas de surf e de windsurf. Vão à nossa página no facebook e assinem a carta aberta ao 1ºMinistro”. 
Ponto de Concentração: Praia do CDS, Centro Internacional de Surf – Sábado (27 de Julho) às 10h00.

 *
ler também:

Almada: Autarca quer explicações de novos ministros sobre contentores: 

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=647058

27/07/13

uma dívida por pagar

Discurso a Europa del Cacique Guaicaipuro Cuatemoc 


desigualdades na suposta democracia

A incrível pirâmide da desigualdade global 
– 24 de julho de 2013

fonte


Milionários são apenas 0,6% da população, mas abocanham doze vezes mais riqueza que 69,3% dos habitantes da Terra. Concentração e consumismo podem tornar civilização insustentável Por José Eustáquio Diniz Alves, no EcoDebate  ---  ler mais

20/07/13

the best -- ever !!!




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let's dance & rock!

o láparo "mariola"

http://expresso.sapo.pt/o-dr-passos-e-um-estadista-e-um-mariola=f821447

O dr. Passos é um estadista. E um mariola. 
por Nicolau Santos
10:56 Sexta feira, 19 de julho de 2013


Na sua voz grave de barítono, o dr. Passos fez ontem um discurso perante o Conselho Nacional do PSD, transmitido para todo o excelentissimo público, que lhe mudou radicalmente a imagem. 

A partir de 18 de Julho de 2013, o dr. Passos não mais será acusado de ser líder de uma facção do PSD. Ou um mero político. Ou um simples primeiro-ministro. A partir de agora, o dr. Passos passará a ser olhado como um estadista. Um estadista equiparado aos melhores estadistas mundiais. 


E que disse o dr. Passos para fazer dele um estadista? Verdades duras como punhos. Que o PSD tem sido o garante da estabilidade do país. Que tem sido o partido responsável entre os irresponsáveis. Que o ajustamento está a correr muito bem e a caminho do sucesso absoluto. E que marcar eleições a partir de Junho de 2014, como fez o Presidente da República, é introduzir desde já incerteza junto dos investidores que pode comprometer o regresso do país aos mercados. 
de F. Botero

 "Não há nada mais incerto do que eleições", disse ainda o dr. Passos, carregado de razão. E assim mostrou ao Presidente que a solução de salvação nacional que ele apadrinha só devia ter dois pés: o das eleições antecipadas era dispensável. 

E isto acontece logo agora, quando as divergências entre a coligação foram superadas, as avaliações positivas da troika se sucedem e já foram cumpridos dois terços do programa de ajustamento, disse ainda gravemente o dr. Passos. 

Tem o dr. Passos toda a razão. O dr. Portas é demasiado irrevogável. O dr. Seguro demasiado inseguro. O senhor Presidente demasiado complicado. 

Não foi o dr. Passos que tomou decisões sem consultar o dr. Portas. Não foi o dr. Passos que desprezou o PS e os parceiros sociais ao longo destes dois anos. Não foi o dr. Passos que viu o seu ministro das Finanças demitir-se dizendo que os objetivos do ajustamento tinham falhado. Não foi o dr. Passos que sempre apoiou o caminho traçado pelo dr. Gaspar. Não foi o dr. Passos que nomeou a dra. Maria Luís contra a opinião do dr. Portas. Não foi o dr. Passos que criou os megaministérios. 

Tudo isto prova que o dr. Passos é um estadista, o único que nos resta. O dr. Passos quer uma coligação posta em sossego, um Partido Socialista venerador e obrigado, parceiros sociais agradecidos, um Presidente da República para sempre nas Selvagens. Só assim pode cumprir o grande desígnio que tem para Portugal. Repito: o dr. Passos é um estadista. Um estadista mariola, mas um estadista. Agradeçamos esta dádiva dos deuses. 

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