- as imagens das colunas laterais têm quase todas links ..
- nas páginas 'autónomas' (abaixo) vou recolhendo posts recuperados do 'vento 1', acrescentando algo novo ..

20/07/13

the best -- ever !!!




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let's dance & rock!

o láparo "mariola"

http://expresso.sapo.pt/o-dr-passos-e-um-estadista-e-um-mariola=f821447

O dr. Passos é um estadista. E um mariola. 
por Nicolau Santos
10:56 Sexta feira, 19 de julho de 2013


Na sua voz grave de barítono, o dr. Passos fez ontem um discurso perante o Conselho Nacional do PSD, transmitido para todo o excelentissimo público, que lhe mudou radicalmente a imagem. 

A partir de 18 de Julho de 2013, o dr. Passos não mais será acusado de ser líder de uma facção do PSD. Ou um mero político. Ou um simples primeiro-ministro. A partir de agora, o dr. Passos passará a ser olhado como um estadista. Um estadista equiparado aos melhores estadistas mundiais. 


E que disse o dr. Passos para fazer dele um estadista? Verdades duras como punhos. Que o PSD tem sido o garante da estabilidade do país. Que tem sido o partido responsável entre os irresponsáveis. Que o ajustamento está a correr muito bem e a caminho do sucesso absoluto. E que marcar eleições a partir de Junho de 2014, como fez o Presidente da República, é introduzir desde já incerteza junto dos investidores que pode comprometer o regresso do país aos mercados. 
de F. Botero

 "Não há nada mais incerto do que eleições", disse ainda o dr. Passos, carregado de razão. E assim mostrou ao Presidente que a solução de salvação nacional que ele apadrinha só devia ter dois pés: o das eleições antecipadas era dispensável. 

E isto acontece logo agora, quando as divergências entre a coligação foram superadas, as avaliações positivas da troika se sucedem e já foram cumpridos dois terços do programa de ajustamento, disse ainda gravemente o dr. Passos. 

Tem o dr. Passos toda a razão. O dr. Portas é demasiado irrevogável. O dr. Seguro demasiado inseguro. O senhor Presidente demasiado complicado. 

Não foi o dr. Passos que tomou decisões sem consultar o dr. Portas. Não foi o dr. Passos que desprezou o PS e os parceiros sociais ao longo destes dois anos. Não foi o dr. Passos que viu o seu ministro das Finanças demitir-se dizendo que os objetivos do ajustamento tinham falhado. Não foi o dr. Passos que sempre apoiou o caminho traçado pelo dr. Gaspar. Não foi o dr. Passos que nomeou a dra. Maria Luís contra a opinião do dr. Portas. Não foi o dr. Passos que criou os megaministérios. 

Tudo isto prova que o dr. Passos é um estadista, o único que nos resta. O dr. Passos quer uma coligação posta em sossego, um Partido Socialista venerador e obrigado, parceiros sociais agradecidos, um Presidente da República para sempre nas Selvagens. Só assim pode cumprir o grande desígnio que tem para Portugal. Repito: o dr. Passos é um estadista. Um estadista mariola, mas um estadista. Agradeçamos esta dádiva dos deuses. 

fonte 

19/07/13

beutiful PJ Harvey

ora bem! ;)

Os cérebros mais eficazes são os das pessoas mais distraídas 

Saúde
de George Grosz, mov. Dada
Autor: João Miguel Ribeiro
fonte

As pessoas com maior memória operacional têm maior tendência a distraírem-se. Um estudo recente demonstrou que quem realiza mais raciocínios em simultâneo tem menor capacidade para absorver a informação durante as tarefas de rotina. 

Quem consegue captar mais informação e trabalhá-la é, também, quem mais facilmente se distrai. Segundo um estudo científico publicado na revista Psychological Science, os investigadores Daniel Levinson e Richard Davidson (universidade de Wisconsin-Madison, EUA) e Jonathan Smallwood (instituto Max Planck, Suíça) estabeleceram a ligação entre a maior memória operacional e a tendência do cérebro em dispersar-se por diversos pensamentos. 

"Os nossos resultados sugerem que o tipo de planificação que as pessoas fazem frequentemente na vida diária, como quando estão no autocarro, vão de bicicleta para o trabalho ou tomam duche, é, provavelmente, efetuado através da memória operacional", afirmou Jonathan Smallwood, explicando que "os cérebros estão a tentar alocar recursos nos problemas mais prementes". 

Esta forma de definir prioridades leva a que a maior memória operacional atribua uma maior capacidade para a realização de diversos raciocínios em simultâneo, tendo como consequência a dispersão da concentração. "É quase como se a atenção estivesse tão absorvida por outros pensamentos que não sobrasse espaço para recordar o que pretendiam estar a ler", referiu Daniel Levinson. 

Isto porque a tendência de dispersão é maior quanto mais rotineira é a tarefa. Neste caso, o investigador referia-se a uma das conclusões observadas no estudo, em que os voluntários com maior memória operacional demonstraram um maior esquecimento de um livro que haviam lido durante a experiência. Esta conclusão foi reforçada com a introdução de fatores de distração sensorial, os quais vieram diminuir a tendência para a dispersão. 

O estudo teve por base a observação dum grupo de voluntários que tinha de repetir algumas tarefas básicas, como premir um botão ao ler determinada letra num ecrã ou ao ritmo de cada inspiração. Registados quais os voluntários que mais se dispersavam da tarefa a executar, os investigadores passaram a medir a memória operacional, através da memorização de séries de letras enquanto resolviam problemas matemáticos.

comentadores que me gustán

todos intervindo no facebook,
todos preferíveis aos tv-residentes:
de Malevitch, mov. Dada


Primeiro resultado da manobra de Cavaco (tão elogiada agora, passado o período da difícil hermenêutica): o governo suicidário e tresloucado (demissões de Gaspar, de Portas, política errada assumida pelo Chicago Boy himself, etc.) deixou de ser visto pela imensidão de comentadores como responsável destes acontecimentos e da desgraça do país: a sua memória dura poucos dias; passou a ser o PS. Deixem-me rir. E não se trata de defender o PS. Não farei esse papel, pura e simplesmente (porque ele não merece, com dizia a piada dos anos 70). Trata-se apenas de não nos tomarem por estúpidos. 
Com esta comédia das negociações e das visitas de topo às cagarras, há muita e boa gente que está a esquecer o fundamental : as próximas eleições autárquicas. Do seu resultado depende, em larguíssima medida ( e depende em muito mais larga medida do que a existência ou a inexistência de acordos) , depende em larguíssima medida - repito - o futuro de Portugal.

Não sei se o PR terá conhecimento do que hoje se passou na AR. Este PSD e este CDS disseram ao PR que se cale porque têm a confiança do Parlamento, a única de que precisam. PP quis derrubar o governo para ser vice-1º Ministro. Vai conseguir o que pretendeu. E o PR que quis resolver o problema desta falta de vergonha vai ter de ceder e engolir os sapos de PPC e PP nomeando este Vice-1º Ministro. Está aberto o precedente: daqui a um mês PP volta a demitir-se e sobe a 1º Ministro.

Se o PS se entender com o PSD/CDS, a frase do velho Guerra Junqueiro volta a ter actualidade : eles ficam a parecer-se tanto uns com os outros como as duas metades DE UM MESMO ZERO ...

Os portugueses não devem ser apenas pagadores de impostos, nem objecto de austeridade estúpida, de resultados contrários aos pretendidos, nem de desemprego humilhante, nem de falências em série, nem de ausência de investimento em bens transacionáveis, nem de empobrecimento, nem de emigração aos milhares de quadros formados à sua custa, nem de acordos negociados nas suas costas. O QUE SABIA VG, PPC, PP, o PR e agora AJS e mais uns quantos, QUE NÓS NÃO SABEMOS? NÓS QUE OS SUSTENTAMOS À CUSTA DO NOSSO SUOR? A DEMOCRACIA É TRANSPARENTE. A CRISE, MAIS ESTA APARENTEMENTE IRRACIONAL CRISE ,JÁ LEVA 18 DIAS E OS PORTUGUESES ANDAM A VER NAVIOS...ATÉ QUANDO?

"Os Privilegiados"

http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=25&did=114965

de Marcel Duchamp, mov. Dada
Há uma linha que separa os negócios da política?

Livro "Os Privilegiados", do jornalista Gustavo Sampaio, descreve como os políticos e ex-políticos gerem interesses, movem influências e beneficiam de direitos adquiridos. 

16-07-2013 23:49 
por Sandra Afonso

Mais de metade dos deputados têm outros cargos no sector privado e 16 das 20 empresas do principal índice bolsista têm ex-políticos na administração. Estes são alguns exemplos referidos no livro "Os Privilegiados", que vai ser apresentado esta quarta-feira. 

Um trabalho do jornalista Gustavo Sampaio, que descreve como os políticos e ex-políticos gerem interesses, movem influências e beneficiam de direitos adquiridos. 

Os conflitos de interesses entre a política e os negócios começam logo na casa da democracia. Em 230 deputados, 117 acumulam outros cargos, dezenas são remunerados por empresas que beneficiam de iniciativas legislativas, subsídios ou contratos adjudicados por empresas públicas. Há ainda quem trabalhe para empresas fiscalizadas por comissões parlamentares onde participam, explica Gustavo Sampaio. 

O jornalista chama-lhes "políticos em part-time". Depois há os ex-políticos, que passam dos corredores do poder para os conselhos de administração. 

Das 20 empresas cotadas no principal índice bolsista, 16 têm ex-políticos na administração. “São cerca de 50 cargos ocupados por ex-políticos”, refere. Entre eles há cinco ex-governantes em bancos, empresas do sector da energia, comunicações e multimédia. 

O livro "Os Privilegiados" descreve ainda como surgiram e como funcionam as subvenções vitalícias dos políticos. 

“Essa legislação foi criada numa altura em que Portugal estava sob assistência financeira do FMI. Na altura com um Governo de bloco central, a subvenção aos 60 anos duplica de valor. As subvenções foram revogadas em 2005, mas o número de beneficiários continua a aumentar. Com a pressão da imprensa, os dados dos beneficiários passaram a ser secretos”, explica Gustavo Sampaio. 

Esta pesquisa chega ainda ao actual Governo, que prometeu nomeações transparentes e por mérito, e colocou cerca de 140 militantes do PSD e do CDS em cargos de direcção da administração pública. 

O livro termina com um olhar para outros países europeus. O autor cita deputados suecos, dinamarqueses e britânicos, que dizem não ter tempo para acumular cargos, porque a política ocupa-lhes toda a agenda.

17/07/13

«As escolhas de Cavaco Silva»

no Público,
17 de Julho de 2013

por Santana Castilho *


Há pessoas com propensão para escolhas infelizes. Cavaco Silva, quando líder do PSD, escolheu Dias Loureiro para Secretário-Geral do partido e apadrinhou Duarte Lima no percurso que o levou a líder do respectivo grupo parlamentar. Já presidente da República, Cavaco Silva convidou João Rendeiro para dirigir a EPIS – Empresários pela Inclusão Social. Dias Loureiro não é propriamente alheio às trapalhadas que originariam a gigantesca burla do BPN. Duarte Lima é presidiário de luxo e suspeito de crime de homicídio. A fraude BPP tem um responsável: João Rendeiro. 

A 10 de Julho, 4 dias antes da comemoração da tomada da Bastilha (quem sou eu para lhe sugerir que revisite a França de 1789?), Cavaco disse branco e fez negro. Gritou por estabilidade e afundou todos em mais instabilidade: partidos, Governo em gestão e país em agonia. Não aceitando nenhuma das soluções que tinha, inventou a pior que alguém podia imaginar. O raciocínio que desenvolveu é mais uma das infelizes escolhas em que a sua vida política é pródiga. O compromisso que pediu significaria que, votar no PS, no CDS ou no PSD seria votar num programa único de Governo. O compromisso que pediu significaria o varrimento liminar do quadro democrático dos restantes partidos políticos, que desprezou. A escolha que fez significa que se atribuiu o poder, que não tem, de convocar eleições antecipadas em 2014, sem ouvir os partidos políticos nem o Conselho de Estado. Para quem jurou servir a Constituição, é, generosamente, uma escolha infeliz. 

A monumental trapalhada política, em que Gaspar, Portas, Passos e Cavaco mergulharam o país, tem múltiplas causas remotas e uma próxima. Esta chama-se reforma do Estado e apresentaram-na ultimamente sob forma de número mágico: 4.700 milhões de euros. Mas tem história. Como elefante em loja de porcelana, Passos Coelho começou por a associar à sua indefectível revisão constitucional e nomear revisor: Paulo Teixeira Pinto, artífice emérito da desgraça do BCP, apoiante da monarquia, conselheiro privado de D. Duarte Pio de Bragança e presidente da Causa Real. Escolha adequada, via-se, para cuidar da Constituição da República. Quando explicaram a Passos Coelho que a revisão da Constituição não podia ser decretada pelo putativo presidente da Assembleia da República, que o génio de Relvas arrebatou à Assistência Médica Internacional e ele, Passos, já havia elegido em nome dos deputados que ainda não tinham sido eleitos, a reforma do Estado mudou de rumo: o objectivo passou a ser “enxugar” o monstro por via da exterminação de organismos. O desastre ficou para os anais do insucesso, sociedades de advogados e consultores contentes, parcerias público-privadas presentes, rendas da energia crescentes e empresas parasitárias resistentes. Como camaleão que muda de ramo pachorrentamente, a reforma do Estado foi-se metamorfoseando: Passos chamou-a de “refundação do memorando com a troika” a seguir, “refundação do Estado”, depois, para chegar ao simples corte acéfalo, cego, bruto, da despesa pública, com que se estatelou no muro da realidade. Relvas ridicularizado. Gaspar em frangalhos. Portas de reputação mínima irrevogável. Povo exausto. Portugal pior. O que uniu desde sempre estes Irmãos Metralha da reforma do Estado foi a sua insubordinação militante relativamente à legalidade, à confiança dos cidadãos no Estado, à prevalência do interesse público sobre o privado. Foi o seu preconceito ideológico contra o Estado social, servido pelo vazio total de ideias sobre o funcionamento seja do que for, da Educação à Saúde, da Justiça à Segurança Social, da Economia à Cultura. 

Afogado em tanta lama, quando as circunstâncias parecem pesar mais que a ética e o carácter, o País está suspenso e alheio à educação dos seus filhos. 

Os resultados dos exames nacionais do 12º ano são preocupantes. São baixíssimas as médias nacionais em muitas disciplinas. Seria motivo para alarme nacional. Mas não foi. 

No site da Direcção-Geral da Administração Escolar, relatórios médicos sensíveis e confidenciais, relativos às doenças incapacitantes de que sofrem cerca de 3 centenas de professores ou familiares deles dependentes, estiveram expostos à devassa pública. Não tentem rotular de acidente aquilo que a tecnologia actual, definitivamente, pode impedir. Trata-se de incompetência inqualificável, que devia ser punida. Mas não foi. 
O mesmo ministério da Educação, que exigiu a crianças de 9 anos um termo de responsabilidade, escrito, garantindo que não eram portadores de telemóveis, antes de se sentarem a fazer o exame nacional do 4ºano, permitiu que alunos do 6º e 9º, chumbados em cumprimento das regras vigentes, por o terem usado durante a prova de Português, a repetissem na 2ª fase. Quem assim decide, começa cedo a industriar os pequenos no caminho da corrupção. Devia ser punido. Mas não foi. 

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

16/07/13

fonte

«Salvação, disse ele»

 15/07/13 00:05 | 


O homem que tem como principal responsabilidade assegurar o regular funcionamento das instituições democráticas decidiu inovar e optou por uma terceira via: a do irregular funcionamento das instituições. 

Na comunicação da passada quarta feira, Cavaco optou por ignorar o elefante na sala - a atual crise política é uma consequência e não uma causa dos problemas do país - e reafirmou a sua falta de cultura democrática. 

Com o governo em acelerada decomposição, e ante uma remodelação mal-amanhada, em que Portas, depois da estrepitosa demissão de Gaspar, assumiria, de facto, o cargo de primeiro ministro, Cavaco tinha duas hipóteses: ou aceitava o único acordo com apoio maioritário que o atual parlamento é capaz de produzir ou dissolvia o parlamento e devolvia a palavra aos portugueses. Mas o homem que tem como principal responsabilidade assegurar o regular funcionamento das instituições democráticas decidiu inovar e optou por uma terceira via: a do irregular funcionamento das instituições. 

Para Cavaco, o país não precisa de pôr termo ao processo de destruição em curso, nem precisa de ouvir os portugueses e saber o que estes querem para o seu futuro. Nada disso. O que Portugal precisa, diz-nos Cavaco, é de gente séria que cumpra (custe o que custar) o que o atual governo acordou com a troika, isto é, Portugal tem de manter e reforçar o desastre dos últimos dois anos e avançar, rápido e em força, para o corte de 4700 milhões de euros em salários e pensões - o tal corte que Gaspar entendeu não ter condições para concretizar, o tal corte que explica a atual crise política, o tal corte que, de acordo com um estudo do Banco de Portugal, será mais recessivo do que tudo o que foi feito nos últimos dois anos. Em suma: Cavaco entende que devemos caminhar todos, de mãos dadas, para o abismo. 

Deficitário de cultura democrática, Cavaco acha que esta escolha só não é patrioticamente assumida pelos partidos porque estes estão mais empenhados na intriga política, não porque seja social, económica e politicamente insustentável fazê-lo. Perante isto, Cavaco optou por pôr o atual (des)governo sob tutela presidencial, forçando-o a prosseguir a agenda que levou à sua implosão, e quer arrastar o PS para esse compromisso de desastre nacional. 

Para seduzir o PS, Cavaco promete eleições antecipadas em 2014. Mas, como não dá ponto sem nó, o Presidente de uma parte dos Portugueses (Bloco e PCP não entram nas contas) diz que só convocará eleições se estiver previamente assegurado, mediante um acordo de médio prazo entre os partidos do ‘arco da governação', que estas não servem para nada. 

Se o PS se comprometer a não alterar uma vírgula à política da atual maioria, então Cavaco convocará eleições. Não para que os portugueses escolham o que quer que seja, mas para que todas as escolhas que verdadeiramente importam não estejam ao dispor dos cidadãos e da democracia. Cavaco, que jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa, tem um plano, acontece que esse plano não é compatível com a democracia. E não poderá salvar Portugal.

* deputado do PS

http://economico.sapo.pt/noticias/salvacao-disse-ele_173418.html

14/07/13

P.A.R-Rasca

 do fb ..
recolha do anedotário nacional:

«EXIGIMOS A DEMISSÃO IMEDIATA! 
Apenas uma rectificação: A nossa Presidente da A.R. está ligeiramente distraída. É que a senhora não foi eleita. Foi convidada pelos "compadres" do partido... 
Pois é. A arrogância tirana deste governo continua. "Temos de rever as regras de acesso às galerias" ou "não nos podemos deixar atrasar pelos nossos CARRASCOS", foram expressões da presidente da A.R. e aplaudidas pelas bancadas PSD e CDS PP.» -- fonte

Exma. Sra. Presidente da Assembleia da República,
o lugar mais nobre do Parlamento são as galerias pois é lá que se senta o POVO da República Portuguesa.
O assento dos deputados é o lugar dos que lá deveriam estar para SERVIR e não para se servir. Cumprimentos.
Daniel Catalão  -- fonte

DO MOVIMENTO DOS INDIGNADOS

a "carrasca" A. Esteves

.. ou: ao que isto chegou, realmente!

RTP
11 Jul, 2013, 19:17 /
atualizado em 12 Jul, 2013, 09:05

O director-adjunto do Expresso, Nicolau Santos, acusou a presidente da Assembleia da República de “autoritarismo” e condenou duramente a citação em que Esteves equiparava a “carrascos” a centena de manifestantes que hoje interrompeu durante mais de dez minutos o debate parlamentar. 
Segundo Santos, a presidente do parlamento demonstrou que “não merece seguramente ocupar o segundo cargo na hierarquia de um Estado democrático” 
Assunção Esteves aconselhara o líder da bancada social-democrata a não intervir sobre a interrupção e a manter-se dentro da ordem de trabalhos que dizia respeito à mobilidade na Função Pública. E fundamentara o conselho com uma citação de Simone de Beauvoir: "Não podemos deixar que os nossos carrascos nos criem maus costumes". 

Nicolau Santos lembra que Simone de Beauvoir se referia com a frase citada à “opressão nazi sobre os franceses durante a II Guerra Mundial”. E acrescenta: “equiparar cidadãos portugueses que se manifestavam na casa da democracia a torturadores e carrascos nazis é inadmissível - e é totalmente inaceitável que seja a presidente da Assembleia da República a fazer essa comparação”. 
O jornalista considera, em consequência, que “o povo português merece seguramente um pedido de desculpas por parte de Assunção Esteves” e que esta não merece presidir ao parlamento. -- ler mais

pois..

fonte



CHUCHO VALDÉS - piano
REINALDO MELIÁN ALVAREZ - trumpet
CARLOS MANUEL MIYARES HERNANDEZ - tenor sax
LÁZARO RIVERO ALARCÓN - bass
DREISER DURRUTHY BOMBALÉ - percussion, batá, vocals
JUAN CARLOS ROJAS CASTRO - drums
YAROLDY ABREU ROBLES - percussion
MAYRA CARIDAD VALDÉS - vocals
fonte

Gustav Klimt

«Happy birthday to Gustav Klimt born 14 July 1862. Here's his famous painting The Kiss superimposed by Tammam Azzam onto an image of a Syrian bomb site»

da "mediocridade moral e política das elites"


por BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS*
12/07/2013 - 00:00 

Desculpe, Presidente Evo Morales

Esperei uma semana que o Governo do meu país lhe pedisse formalmente desculpas pelo ato de pirataria aérea e de terrorismo de Estado que cometeu, juntamente com a Espanha, a França e a Itália, ao não autorizar a escala técnica do seu avião no regresso à Bolívia depois de uma reunião em Moscovo, ofendendo a dignidade e a soberania do seu país e pondo em risco a sua própria vida. Não esperava que o fizesse, pois conheço e sofro o colapso diário da legalidade nacional e internacional em curso no meu país e nos países vizinhos, a mediocridade moral e política das elites que nos governam, e o refúgio precário da dignidade e da esperança nas consciências, nas ruas e nas praças, depois de há muito terem sido expulsas das instituições. Não pediu desculpa. Peço eu, cidadão comum, envergonhado por pertencer a um país e a um continente que são capazes de cometer esta afronta e de o fazer de modo impune, já que nenhuma instância internacional se atreve a enfrentar os autores e os mandantes deste crime internacional. O meu pedido de desculpas não tem qualquer valor diplomático mas tem um valor talvez ainda superior, na medida em que, longe de ser um ato individual, é a expressão de um sentimento coletivo, muito mais vasto do que pode imaginar, por parte de cidadãos indignados que todos os dias juntam mais razões para não se sentirem representados pelos seus representantes. O crime cometido contra si foi mais uma dessas razões. Alegrámo-nos com seu regresso em segurança a casa e vibrámos com a calorosa acolhida que lhe deu o seu povo ao aterrar em El Alto. Creia, senhor Presidente, que, a muitos quilómetros de distância, muitos de nós estávamos lá, embebidos no ar mágico dos Andes. 

O senhor Presidente sabe melhor do que qualquer de nós que se tratou de mais um ato de arrogância colonial no seguimento de uma longa e dolorosa história de opressão, violência e supremacia racial. Para a Europa, um Presidente índio é sempre mais índio do que Presidente e, por isso, é de esperar que transporte droga ou terroristas no seu avião presidencial. Uma suspeita de um branco contra um índio é mil vezes mais credível que a suspeita de um índio contra um branco. Lembra-se bem que os europeus, na pessoa do Papa Paulo III, só reconheceram que a gente do seu povo tinha alma humana em 1537 (bula Sublimis Deus), e conseguiram ser tão ignominiosos nos termos em que recusaram esse reconhecimento durante décadas como nos termos em que finalmente o aceitaram. Foram precisos 469 anos para que, na sua pessoa, fosse eleito presidente um indígena num país de maioria indígena. Mas sei que também está atento às diferenças nas continuidades. A humilhação de que foi vítima foi um ato de arrogância colonial ou de subserviência colonial? Lembremos um outro "incidente" recente entre governantes europeus e latino-americanos. Em 10 de Novembro de 2007, durante a XVII Cimeira Iberoamericana realizada no Chile, o Rei de Espanha, desagradado pelo que ouvia do saudoso Presidente Hugo Chávez, dirigiu-se-lhe intempestivamente e mandou-o calar. A frase "Por qué no te callas" ficará na história das relações internacionais como um símbolo cruelmente revelador das contas por saldar entre as potências ex-colonizadoras e as suas ex-colónias. De facto, não se imagina um chefe de Estado europeu a dirigir-se nesses termos publicamente a um seu congénere europeu, quaisquer que fossem as razões. 

O senhor Presidente foi vítima de uma agressão ainda mais humilhante, mas não lhe escapará o facto de que, no seu caso, a Europa não agiu espontaneamente. Fê-lo a mando dos EUA e, ao fazê-lo, submeteu-se à ilegalidade internacional imposta pelo imperialismo norte-americano, tal como, anos antes, o fizera ao autorizar o sobrevoo do seu espaço aéreo para voos clandestinos da CIA, transportando suspeitos a caminho de Guantánamo, em clara violação do direito internacional. Sinais dos tempos, senhor Presidente: a arrogância colonial europeia já não pode ser exercida sem subserviência colonial. Este continente está a ficar demasiado pequeno para poder ser grande sem ser aos ombros de outrem. Nada disto absolve as elites europeias. Apenas aprofunda a distância entre elas e tantos europeus, como eu, que veem na Bolívia um país amigo e respeitam a dignidade do seu povo e a legitimidade das suas autoridades democráticas. 

*Director do Centro de Estudos Sociais, Laboratório Associado, da Universidade de Coimbra

12/07/13

IRENA SENDLER - in memoriam

Irena Sendler, também conhecida como "O Anjo do Gueto de Varsóvia," foi uma activista dos direitos humanos durante a Segunda Guerra Mundial.
em polaco: Irena Sendlerowa  
(1910 - 2008)
In 2007, foi nomeada para receber o Prémio Nobel da Paz. Durante a cerimónia, Elzbieta Ficowska, que tinha apenas 6 meses de idade quando foi salva por Irena Sendler, leu uma carta por ela enviada:
“Cada criança salva com a minha ajuda é a justificação da minha existência neste mundo, não um título para a glória,” Irena Sendler dizia na carta, Passou mais de meio século desde o inferno do Holocausto, mas o seu espectro ainda pende sobre o mundo, não nos permitindo esquecê-lo.”  

Quando a Alemanha Nazi invadiu o país em 1939, Irena era assistente social no Departamento de Bem Estar Social de Varsóvia, trabalhava com enfermeiras e organizava espaços de refeição comunitários da cidade com o objectivo de responder às necessidades das pessoas que mais necessitavam. Graças a ela, esses locais não só proporcionavam comida para órfãos, anciãos e pobres como lhes entregavam roupas, medicamentos e dinheiro. Ali trabalhou incansavelmente para aliviar o sofrimento de milhares de pessoas.
Em 1942, os nazis criaram um gueto em Varsóvia, e Irena, horrorizada pelas condições em que ali se sobrevivia, uniu-se ao Conselho para a Ajuda aos Judeus, Zegota. Quando Irena caminhava pelas ruas do gueto, levava uma braçadeira com a estrela de David, como sinal de solidariedade e para não chamar a atenção sobre si própria. Pôs-se rapidamente em contacto com famílias, a quem propôs levar os seus filhos para fora do gueto, já que, se ficassem, o seu destino mais certo seria a morte. (...)
Ao longo de um ano e meio, até à evacuação do gueto no Verão de 1942, conseguiu resgatar mais de 2.500 crianças por várias vias: começou a recolhê-las em ambulâncias como vítimas de tifo, mas logo se valia de todo o tipo de subterfúgios que servissem para os esconder: sacos, cestos de lixo, caixas de ferramentas, carregamentos de mercadorias, sacos de batatas, caixões... nas suas mãos qualquer elemento transformava-se numa via de fuga.
Irena vivia os tempos da guerra pensando nos tempos de paz e por isso não fica satisfeita só por manter com vida as crianças. Queria que um dia pudessem recuperar os seus verdadeiros nomes, a sua identidade, as suas histórias pessoais e as suas famílias. Concebeu então um arquivo no qual registrava os nomes e dados das crianças e as suas novas identidades.
Os nazis souberam dessas actividades e em 20 de Outubro de 1943; Irena Sendler foi presa pela Gestapo e levada para a prisão de Pawiak onde foi brutalmente torturada. Ela, a única que sabia os nomes e moradas das famílias que albergavam crianças judias, suportou a tortura e negou-se a trair seus colaboradores ou as crianças ocultas. Quebraram-lhe os ossos dos pés e das pernas, mas não conseguiram quebrar a sua determinação.
Foi condenada à morte. Enquanto esperava pela execução, um soldado alemão levou-a para um "interrogatório adicional". Ao sair, gritou-lhe em polaco "Corra!".No dia seguinte Irena encontrou o seu nome na lista de polacos executados. Os membros da Żegota tinham conseguido deter a execução de Irena subornando os alemães, e Irena continuou a trabalhar com uma identidade falsa.
Em 1944, durante a revolta de Varsóvia, colocou as suas listas em dois frascos de vidro e enterrou-os no jardim de uma vizinha para se assegurar de que chegariam às mãos indicadas se ela morresse. Ao acabar a guerra, Irena desenterrou-os e entregou as notas ao doutor Adolfo Berman, o primeiro presidente do comité de salvação dos judeus sobreviventes. Lamentavelmente, a maior parte das famílias das crianças tinha sido morta nos campos de extermínio nazis.

Em 2007, Irena Sendler foi apresentada como candidata para o prémio Nobel da Paz pelo governo polaco. Esta iniciativa contou com o apoio oficial do Estado de Israel e da Organização de Sobreviventes do Holocausto residentes em Israel. As autoridades de Oświęcim (Auschwitz) expressaram o seu apoio a esta candidatura, já que consideraram que Irena Sendler era uma dos últimos heróis vivos da sua geração, e que tinha demonstrado uma força, uma convicção e um valor extraordinários frente a um mal de uma natureza extraordinária.
O prémio desse ano, no entanto, foi dado a Al Gore pela sua defesa do meio-ambiente.
-- fonte

11/07/13

o Zeca.. - sempre!

 

Os eunucos
(José Afonso)

Os eunucos devoram-se a si mesmos
Não mudam de uniforme, são venais
E quando os mais são feitos em torresmos
Defendem os tiranos contra os pais

Em tudo são verdugos mais ou menos
No jardim dos haréns os principais
E quando os mais são feitos em torresmos
Não matam os tiranos pedem mais

Suportam toda a dor na calmaria
Da olímpica visão dos samurais
Havia um dono a mais na satrapia
Mas foi lançado à cova dos chacais

Em vénias malabares à luz do dia
Lambuzam da saliva os maiorais
E quando os mais são feitos em fatias
Não matam os tiranos pedem mais

do anedotário nacional: discurso do PR

por Amadeu Homem



Max Ernst, Le Triomph du Surréalisme
Olha, Boliqueimes, eu não passei a admirar-te. És um marau e vais acabar como tal. Mas não posso deixar de confessar que hoje, contra o costume, conseguiste surpreender-me.
Os corrilhos partidários estavam todos mais armados do que Minerva ao sair da cabeça de Zeus. A Esquerda, esfregava as mãos de contente e dizia : "O Fulano vai fazer as vontadinhas todas ao Láparo e ao Portas. A seguir, a gente escacha-o". E toca a juntar azagaias, atiradeiras, fundas, tomates podres. Por seu turno, a Direita, desde o Pires de Lima ao mentor do Láparo - que é aquele gajo feio e gordo , que fala bem e cita filósofos - declarava : "São favinhas contadas. Levamos o Portas num andor, entoamos o 'Laos Deo' e a governança é mais certa do que o Bruma fora do Sporting". 

Eu não acredito que tenhas consultado a Maria, que é só eficaz a fazer ponto de cruz. Mas alguém te conchavou que tu não podias continuar a ser o pau-mandado da Esquerda para bater e da Direita para bajular. 

Vai daí, falaste. Falaste e puseste tudo à rasca. O Seguro era para ir a um arraial qualquer lá para os lados de Alhos Vedros. Não foi. O Jerónimo reciclou o discurso que já tinha feito, acrescentando-lhe o tempero do Seguro ou da segurelha (não sei bem). O Portas encostou o rabinho à parede e, recordando jornadas heróicas, só perguntava à Cristas : "Como é possível ? Mas como é isto possivel ?". O Láparo, cheio de comichões, contemplava ao longe a Europa dos lugares cativos e interpelava o Mundo : " Mas que mal é que eu fiz à Merkel para merecer uma destas?". 

Olha Boliqueimes, tu tens de ter algum cuidado. Porque, por um lado, as tuas safadezas são proverbiais e ninguém tas perdoa; e porque, por outro lado, quando fizeres o tal governo de iniciativa boliqueimica, vais ser mais visado do que o fantoche de feira, a quem a Marília dos Apalpões coloca em linha de fogo com a interpelação: - Oh, freguês, vai um tirinho ?" Tu nem sabes bem no que te meteste, oh Boliqueimes. Mas isto de querer ter coluna vertebral cobra o seu preço ... E o teu torcicolo é enorme!

09/07/13

Execração de Paulo Portas


por Mário de Carvalho
texto e imagem daqui 

Vamos lá gastar alguma cera com esta criatura. Mais uma concessão ao efémero. Começo por estranhar a benevolência relativa com que ela tem sido tratada. Como se um instinto nato de harmonia obrigasse a atenuar a flagrância do mau gosto. Um querido amigo meu, a certo desabafo, sugeriu que o meu desprezo era «emocional». Havia aqui uma sugestão de parcialidade política. Devo defender-me disso. Na verdade, até aprecio e respeito algumas pessoas que se dizem amigas do doutor Portas. E verifico que ele tem esta particularidade estranhíssima: todos os seus amigos são melhores que ele. 
Recordo os tempos muito catitinhas de «O Independente», cheios de peripécias e partes gagas. Costuma evocar-se – e com razão – o rasgo inovador e dinâmico do jornal. Pouca referência se faz – e sem razão – ao lastro de frioleira e alarvidade que lhe pesava como chumbo. 
Portas esteve por então envolvido numa campanhazinha muito marota e fraldiqueira contra a «meia branca». Estas coisinhas davam-lhe muito prazer. Em dada altura dedicou-se à política (em revogação do desdém pedante antes manifestado) e é hoje -- com Jardim e Cavaco -- um dos políticos de mais longo exercício. Ainda tenho nos ouvidos os gritinhos de «ó Margarida», «ó Margarida!» com que ele pontuou uma entrevista qualquer, dada a uma jornalista que viria a ter um fim infeliz. 

Narciso, de Caravaggio
Toda a sua vida pública (e provavelmente a outra) é feita em permanente pose. Tem atitudes; olhares longamente estudados; máscaras de sisudez de Estado; esgares trabalhadíssimos; soslaios de palco amador; sorrelfas; sorrisinhos desdenhosos; trejeitinhos manhosos; «boquinhas e olhinhos»; meneios de cabeça; artifícios retóricos como o de perguntar repetidamente «sabe que…?». Às vezes tenta o furor tribunício, mas a voz não lhe dá para tanto; experimenta a pose imperial, mas é pequenote mesmo para Napoleão. Ainda é um homem novo. Quando for mais velho lembrará uma deprimente figura de actor que aparece na «Roma» de Federico Fellini. 
Talvez a exposição pública da política exija um certo histrionismo. Mas então, que se seja bom actor. E não se deixe no ar esta grande vontade de pedir a devolução da entrada. 

Já o vi a exaltar a «lavoura» em vezos saudosistas (menos insinceros do que parece); já o vi a ajoelhar, numa capela, com os dois joelhos, numa compunção beata; já o vi a bramir, numa cena movimentada, contra «os ciganos do rendimento mínimo»: já o vi em festarolas de aldeia, ou em obscenas rondas de lares de idosos, ou a debitar banalidades de dentadura a rebrilhar. Já o vi a dizer (e a fazer) trinta por uma linha. 

E já o vi a disparatar abertamente, quando, evitando o russo «troika» (alguém o convenceu de que a atrelagem russa era uma palavra «soviética»…) optou por «triunvirato», solução histórica tradicionalmente catastrófica. Apesar de tudo, sempre é melhor que a ridícula revogação da decisão «irrevogável». 

Esperava-se que ocupasse a Administração Interna, depois de a direita ter feito histérica algazarra (ora obnubilada…) sobre a segurança. Não. Foi para os Negócios Estrangeiros, para se descomprometer e fazer de conta (sempre o fingimento, o obsessivo, doentio, fingimento) que era alheio às mexerufadas da famulagem financeira. A seu tempo ressurgiria em atitude messiânica, como resgatador dos infelizes. Sempre o calculozinho. Contas furadas. 

Deixou uma nota de subserviência a manchar a diplomacia portuguesa com o caso Snowden. Em tempo de crise política interna, a situação foi minimizada, ninguém estava a espreitar. Mas as consequências para os interesses de Portugal (já não falo nos princípios) serão lastimáveis. Creio que Freitas do Amaral nunca se prestaria a esse papel. Mas há gente na direita que considera natural a farronca para com os mais fracos e servilismo rasteiro para com os mais fortes. Paulo Portas não a desmentiu, neste ziguezague da sua carreira, que se espera abreviada. 

Ao longo de quase vinte anos, houve a universidade Moderna, as deslealdades para com dirigentes políticos afins, a fotocópia de toneladas de documentos da República Portuguesa, a questão dos submarinos. Por estes interstícios, o doutor Portas tem deslizado como enguia em sargaço. Com uma certa complacência, é preciso dizê-lo, da comunicação social. Agora aí o temos, repescado para o governo em circunstâncias equívocas. A existência deste homem tem sido, aliás, amalgamada de equívocos. Dir-se-ia que não é capaz de viver de outra maneira. Há nele uma vertiginosa atracção pelo Mal. 
Para usar a velha comparação americana da venda do automóvel usado, creio que se o doutor Portas tivesse um carro em bom estado para vender, não deixaria de o avariar, por puro fascínio do ludíbrio. 
E sobre a personagem, fiquemos por aqui. Seria fácil (demasiado fácil) usar uma fotografia ilustrativa das milhentas disponíveis na NET. Mas prefiro deixar-vos com o Narciso de Caravaggio que também vem a propósito. Para ser franco, preferia ter tido a oportunidade de dizer algum bem, em vez de execrar. 

Mário de Carvalho

03/07/13

Um Governo swap

in Público,
3 de Julho de 2013

por Santana Castilho*

Um Governo swap

1. O fim da greve dos professores, primeiro, e a demissão de Gaspar, depois, atiraram para o limbo do quase esquecimento o escândalo do exame de Português do 12º ano. Mas a consciência obriga-me a retomar o tema, no dia (escrevo a 2 de Julho) em que se branqueia a iniquidade. Que teria feito a Inspecção, que aparecia sempre e este ano sumiu, se verificasse que se efectuaram exames sem o funcionamento regulado dos respectivos secretariados? Que houve vigilantes desconhecedores das normas básicas, socorridos no acto … pelos próprios examinandos? Que se realizaram exames sem a presença de professores coadjuvantes? Que professores de Português vigiaram exames? Que não foi garantida a inexistência de parentesco entre examinados e vigilantes? Que não houve um critério uniforme para determinar quem fez e quem não fez o exame a 17 de Junho? Que o sigilo, desde sempre regra de ouro, foi grosseiramente quebrado pela comunicação, em ambiente de tumulto público, entre o exterior e examinandos? Que se prestaram provas em locais inadequados e proibidos pelas regras vigentes? Que não foi respeitada a hora de início da prova? Que teria feito, afinal, a Inspecção, se … existisse? O óbvio, isto é, a recomendação da anulação do exame e o apuramento dos responsáveis pela derrocada do que se julgava adquirido. Consumada a trapalhada inicial, transformada a Inspecção em submissão, prosseguiu a farsa com o Despacho 8056/2013, que, preto no branco, contrariou a lei e mandou admitir à repetição da prova todos, sem excepção, que a não tinham feito, independentemente do motivo. A última palavra, corrigindo o despacho, deu-a … o Gabinete de Imprensa do ministério. Tudo brilhante, em nome do rigor, sob a responsabilidade política do ministro do rigor. Espanta isto no dia em que Maria Luís Albuquerque substitui Gaspar? Claro que não. Este é um Governo swap. Um Governo que troca o que lhe dá jeito, particularmente a ética, pela sobrevivência a qualquer custo. 

2. É ainda a consciência que me dita uma palavra sobre a greve dos professores. Fora eu dado ao swap e ficaria calado, que era mais fácil. Mas não sou. Os motivos invocados pelos sindicatos para decretarem a greve foram próximos e curtos. As razões que levaram 100.000 professores a abraçá-la foram remotas e longas. Remontam a toda uma política que Maria de Lurdes Rodrigues começou e Crato prosseguiu e reforçou com denodo. É minha convicção que a expressão da adesão à greve surpreendeu Governo e sindicatos. Não é pois possível medir-lhe os resultados sem a consideração do que é mais profundo, do que está para lá do recente. E aí chegados, a insatisfação assoma. Eu explico porquê. 

Há hoje um grupo de bem-pensantes que desconhece ou esqueceu a história do sindicalismo. Para eles, o exercício do direito à greve não deve ultrapassar o simbolismo coreográfico que terminou nos acordos anteriores. Mas a consciência política que os terá surpreendido, disse-lhes que há 100.000 que não aceitam trocar por lentilhas aquilo que outros conseguiram com décadas de padecimento e sacrifícios. Não há greves cómodas. Não há greves com resultados se não forem para doer. Esta greve poderia ter ido mais além. A bolsa dos professores não aguentaria muito mais tempo? Talvez! O protelamento das reuniões do 5º ao 11º anos, não passaria de um simples acumular de trabalho? Talvez! Mas … e se os conselhos de turma do 12º ano ainda não se tivessem realizado? 

A direcção de turma passou a estar incluída na componente lectiva? Mas era lá que estava há nada de tempo! Passou para 100 minutos? Mas antes da passagem recente para hora e meia, cifrava-se em duas horas! E que ganho objectivo resulta para os horários disponíveis, se a direcção de turma for atribuída (como é possível segundo o negociado) no quadro dos 100 minutos previstos para apoio pedagógico? Não fica anulado o efeito sobre a potencial recuperação de horários disponíveis? Ganhou-se o limite de 60 quilómetros para a mobilidade exigível aos vinculados, depois de se ter perdido uma estabilidade com mais de meio século? Mas é isso que já existia para todos os funcionários públicos! E 120 quilómetros de deslocação são aceitáveis para o dia-a-dia de quem trabalha? E os contratados, com vidas de mobilidade permanente? É decente, sequer concebível à luz das leis do trabalho, terem contratos sucessivos, durante 20 anos, com o mesmo patrão, que despoticamente lhes recusa estabilidade de emprego? Quando o Papa proclama, em boa hora, que não há mães solteiras, mas tão-só mães, não foi desta que se gritou que não há professores de primeira e professores de segunda, mas tão só professores. Ou cairemos, com o regozijo de termos evitado o vandalismo que o Governo projectava, na armadilha de calar as aspirações legítimas de uns com o retrocesso das aquisições de outros? 

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)