- as imagens das colunas laterais têm quase todas links ..
- nas páginas 'autónomas' (abaixo) vou recolhendo posts recuperados do 'vento 1', acrescentando algo novo ..

17/06/13

a poesia de um GUERREIRO

Segunda-feira, 17 de Junho de 2013
às 8:57

de Santana Castilho (Notas)


Aos professores do meu país, 
em luta pelo futuro dos seus alunos
 
No dealbar deste Dia, retomo palavras que dirigi aos professores do meu país, noutro Dia, não distante: 

Se eu fosse músico, apanhava todos os sons do riso das crianças, mais os gritos de raiva que abalam a Injustiça, o bater do coração que finalmente alcança, juntava tudo num cantar de Esperança e, neste dia, enchia com ele o ar à tua volta. 

Mas, sabes bem, eu sou apenas mais um… Podia ser pintor e agarrar o Sol, o Mar e o Voo, meter-lhes dentro a alma da tua Escola, marcá-los com o brilho dum olhar – claro como gelo ao sol do despertar, quente como fogo a arder no peito de quem vive - e encher com as suas cores o espaço do teu mundo

Mas, sabes bem, eu sou apenas mais um… 

Se eu fosse escritor, sim! Inventava as palavras que dizem a Justiça por que anseias – desde a raiz da Vida até ao fim do Tempo –, as mesmas palavras que dizem Liberdade e Razão, e com essas palavras que inventasse, fazia da Vida que constróis o teu Poema

Mas, sabes bem, eu sou apenas mais um… 

Santana Castilho

16/06/13

o dia em que TUDO pode mudar

Day &Night, de Man Ray

É amanhã que tudo se joga neste braço-de-ferro entre o ministro da educação/governo e os professores. 


Tento pôr-me no lugar do 'outro', dos professores que vão boicotar a greve. 

Habituei-me, durante anos, a ouvir-lhes os argumentos tíbios, disparatados, que os levavam a não lutar nunca por coisíssima nenhuma.
A vê-los, mais tarde, surpreenderem-se com a tempestade que lhes desabava em cima, desacautelados. Enraiveci-me com a sua apatia-sempre, a sua bovina aceitação de absolutamente tudo.
Indignei-me, praticamente sozinha, perante os muitos que, a qualquer novo desvario do ministério, me contrapunham o arrazoado do «É a lei, tem de se cumprir!». E fui-me habituando a ser olhada como irrealista e utópica, demasiado 'revolucionária', praticamente uma louca furiosa e contestatária, uma 'outsider' naquele rebanho manso. 

Sei que há professores que não fazem greve "porque sim". Que há professores que nunca fizeram greve, "porque não". 

Mas fui-os ouvindo a todos, também durante anos, a queixarem-se das políticas do ministério, da vida na escola, dos alunos. A queixarem-se sistematicamente, na sala dos professores, à mesa do café.
Vi-os em todas as mega-manifestações dos tempos de MLR, protestando. E vi-os, logo depois, regressarem às escolas, o rabinho entre as pernas, cumprindo tudo aquilo contra o que, na véspera, se tinham insurgido.

E fui-os vendo deprimirem-se, cada vez mais stressados e impotentes, cada vez mais vencidos. Vi-os chorarem a meio de reuniões, à saída das salas de aula. Vi-os emagrecerem até aos ossos ou comerem compulsivamente, as olheiras um poço fundo de cansaço e desânimo, as caras fechadas, a depressão adentrando-se.

Sei-os cada vez mais esmagados de trabalho, afundados em papéis, enterrados em reuniões.
Não sei se eles sabem que o que lhes estão a 'cozinhar' lhes vai tornar o purgatório em que agora se debatem (iniciado pela sinistra MLR, convém não esquecer..) num inferno ainda mais insuportável:
o desemprego para uns, mesmo os que nunca o esperariam agora, depois de 20 ou 30 anos de ensino,
a sobrecarga de trabalho para os que ficarem, as turmas em maior número e sobre-lotadas, os alunos cada vez mais indisciplinados, seleccionados "por baixo" quando os que ainda aspiram a alguma coisa se transferirem para o privado.. 

Pergunto-me o que irá pela cabeça dos professores que, amanhã, não vão fazer greve .. 
Esperarão eles que os outros, os colegas que agora e de novo atraiçoam, consigam sozinhos as vitórias por que todos anseiam? 
Estarão eles tão anestesiados, que só se arrependerão de não terem ido à luta quando não puderem pagar a hipoteca da casa, a comida, os estudos dos filhos? 
Quando forem a bater com a cara no chão, o esgotamento ou o AVC anunciados, previsíveis? 
Terão eles medo da própria sombra? De "dar a cara" por uma causa? De que lhes cobrem 'ousadias' ou os apedrejem em praça pública os vizinhos, a cabeleireira, o merceeiro? 

Tento pôr-me no lugar do 'outro', não consigo.
Não aceito a falta de solidariedade, a inviabilização da luta dos colegas.
Não concebo que profissionais com um elevado nível de escolarização, com a responsabilidade cívica que lhes advém da própria profissão, possam revelar-se tão insensíveis, tão ignorantes de tudo o que está em jogo nesta luta, basicamente, a sobrevivência do estado social, da democracia, do próprio país. E da dignidade. 
A dignidade de dizer BASTA!
A dignidade de recusarem a chantagem dos que da lei respeitam NADA. Dos que deles sempre têm feito um capacho e se preparam agora para os esmagar DEFINITIVAMENTE, assim haja quem, como gado para um matadouro, corra, solícito e borrado de medo, a acatar a ignóbil convocatória.

A deriva autoritária

por António Pinho Vargas
15/6/2013

A deriva autoritária actual consiste nos recentes passos . 
O governo toma uma decisão qualquer. 
As entidades reguladoras do estado ou os cidadãos, no uso dos seus direitos legais reajem, contestam e/ou contrariam a decisão do governo, conforme os casos, através dos meios próprios: declarando ilegais ou inconstitucionais algumas medidas do orçamento, nuns casos, protestando contra outras decisões, noutros casos, recorrendo aos meios legais de a contestar. 

O autoritarismo verifica-se quando o governo ameaça, não de modo velado sequer mas com todas as palavras, mudar de seguida o quadro legal existente; mudar as leis, de modo a conseguir mais tarde tornar legal, o ilegal ou o contestável que queria fazer já. 

Este modo de actuar é idêntico, no capítulo da farsa, ao método de Berlusconi - mudar as leis susceptíveis de o condenar em tribunal antes dos julgamentos - e, no capítulo da tragédia, remete, para já ao longe, para as práticas antigas dos vários tipos de regimes totalitários do século XX: "se o povo não nos aceita, nem nos compreende, muda-se o povo". 

O facto de isto - muda-se a lei - poder não apenas ser pensado (em segredo), mas poder mesmo ser dito com clareza e desfaçatez, mostra o fundo ideológico extremamente autoritário que preside ao governo

A actual ofensiva discursiva contra "a greve má" enquanto se proclama, na teoria, o direito à "greve boa", é uma consciente mistura demagógica de valores e argumentos de tipos diversos, e é um sinal preocupante que nos leva a colocar a seguinte pergunta: até onde é que eles poderão ir? Até onde é que eles conseguirão ir? O caso de Berlusconi citado, que foi repetidamente real enquanto foi PM, põe em sérias dúvidas as proclamadas virtudes da democracia e do quadro de direito para o impedir. Mudam-se, dizem. 

APV

A VELHA TOLICE E O DIZ-QUE-DISSE

um fantástico texto, lúcido e dorido, um apelo e um alerta aos professores..

por Luís Costa

Se necessário fosse, os últimos dias seriam esclarecedores quanto à força social que nós, os professores, temos atualmente. Nenhum partido do dito arco da governação veio a terreiro para nos apoiar. Só os “mais pequenos” o fizeram e de forma bem explícita. Há, de facto, um pacto tácito relativamente à Educação, e não é, por certo, aquele que mais favorece a Escola Pública.

O Partido Socialista, que tem tentado passar entre os pingos de chuva, forçado pelas circunstâncias, lá acabou por dar a cara: a de António José Seguro, anémica de todo, e a de Francisco Assis, com vermelhão próprio de quem deu de beber ao seu alter ego. O homem soltou a língua para dizer que considera ignóbil a convocação da greve para um dia de exames. Não o fez por menos o destacado militante do PS:”IGNÓBIL”.
Não é absolutamente desprezível este tipo de declarações contra os professores. Longe disso, não só pela ofensa que encerram, como pelo que revelam do nosso estatuto. A facilidade, a ligeireza, a soltura e o desprendimento com que muitas com que muitas “entidades” se nos dirigem mostram bem a importância que nos dão, que é a mesma que dão à Escola Pública; mostram quão irrelevantes nos consideram neste xadrez sociopolítico; mostram também que nada receiam da nossa luta. Para “eles”, ela não passa do estrebuchar de condenados sem remissão. Cabe-nos a nós, portanto, contrariar estas expectativas. Seremos capazes?

Os nossos sindicatos, que começaram com grito uníssono imediatamente ouvido e seguido, deixaram-se — apesar da união apresentada ontem nos Restauradores — cair novamente na estratégia da “ronda negocial”; deixaram-se arrastar, novamente, para o “diz-que-disse” póstumo; permitiram que o ministro e seus secretários pudessem compor feições mais sorridentes e um brilhozinho nos dentes aqui e ali. Quem prometeu que não se volta a portar mal?

Chegados a este ponto, ou seguimos em frente, até ao fim, ou resvalamos para sarjeta, levando connosco o futuro dos pequenos deste país.

15/06/13

aos 'amarelos'..

---- sempre achei que as conquistas de quem lutou NÃO DEVIAM SER EXTENSÍVEIS aos q se acomodaram, se acagaçaram, boicotaram as lutas dos outros!!

 

DECLARACÃO ANTIGREVE 

(Para os que não fazem greve...) 


Eu,_____________________________________________, NIF ______________, Trabalhador/a da empresa ________________________________________________________________, 


DECLARO:

QUE estou absolutamente contra qualquer coação que limite a minha liberdade de trabalhar. QUE, por isso, estou contra as greves, piquetes sindicais e qualquer tipo de violência que me impeçam a livre deslocação e acesso ao meu posto de trabalho. QUE por um exercício de coerência com esta postura, e como mostra da minha total rejeição às violações dessas liberdades. 

EXIJO:
1.º QUE me seja retirado o benefício das 8 horas de trabalho diário, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e que me seja aplicada a jornada de 15 horas diárias em vigor antes da injusta obtenção deste benefício. 
2.º QUE me seja retirado o benefício dos dias de descanso semanal, dado que este beneficio foi obtido, por meio de greves, piquetes e violência, e que me seja aplicada a obrigação de trabalhar sem descanso de domingo a domingo. 
3.º QUE me seja retirado o benefício das férias, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e me seja aplicada a obrigação de trabalhar sem descanso os 365 dias do ano. 
4.º QUE me seja retirado o benefício dos Subsídios de Férias e de Natal, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e me seja aplicada a obrigação de receber apenas 12 salários por ano. 
5.º QUE me sejam retirados os benefícios de Licença de Maternidade, Subsídio de Casamento, Subsídio de Funeral dado que estes benefícios foram obtidos por meio de greves, piquetes e violência, e me seja a plicada a obrigação de trabalhar sem usufruir destes direitos. 
6.º QUE me seja retirado o benefício de Baixa Médica por doença, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e me seja aplicada a obrigação de trabalhar mesmo que esteja gravemente doente. 
7.º QUE me seja retirado o direito ao Subsídio de Baixa Médica e de Desemprego, dado que estes benefícios foram obtidos por meio de greves, piquetes e violência. Eu pagarei por qualquer assistência médica e pouparei para quando estiver desempregado/a. 
8.º E, em geral, me sejam retirados todos os benefícios obtidos por meio de greves, piquetes e violência que não estejam contemplados por escrito. 
9.º DECLARO, também, que renuncio de maneira expressa, completa e permanente a qualquer benefício actual ou futuro que se consiga por meio da greve do dia 17 de Junho de 2013.
Alice Vieira

 ___________________________, ____ de _______________ de 20____ ___________________________________________________

A greve, o presente e o futuro dos alunos


 de Santana Castilho (Notas)
- Sábado, 15 de Junho de 2013 às 10:23



Em dia de manifestação de professores, em véspera da greve de tantas discórdias, permito-me lançar ao vento estas perguntas:

  • Não foi mau para o presente e futuro dos alunos cortar os planos de estudo dos ensinos básico e secundário? 
  • Não foi mau para o presente e futuro dos alunos diminuir a carga horária de algumas disciplinas, sem que os respectivos programas tenham sido alterados? 
  • Não foi mau para o presente e futuro dos alunos aumentar o número de alunos por turma? 
  • Não foi mau para o presente e futuro dos alunos amputar as escolas de apoios pedagógicos antes dispensados aos que tinham mais dificuldades? 
  • Não foi mau para o presente e futuro dos alunos tornar os passes escolares mais caros e aumentar as propinas no ensino superior? 
  • Não foi mau para o presente e futuro dos alunos aumentar o horário de trabalho dos professores?
  • Não foi mau para o presente e futuro dos alunos reduzir o número de funcionários auxiliares? 
  • Não foi mau para o presente e futuro dos alunos despedir os pais e deixar milhares de lares sem pão?
  • Não foi mau para o presente e futuro dos alunos o aparecimento da “mobilidade especial”, simples eufemismo manhoso para despedir, iludindo a lei? 
  • Não foi mau para o presente e futuro dos alunos o Governo dizer-lhes que a alternativa ao chicote da troika é fugirem do seu próprio país? 
  • Não foi mau para o presente e futuro dos alunos um ministro míope transformar paulatinamente a Escola numa simples unidade de trabalho intensivo, quase escravo?
Onde estavam tantos, que agora invocam o interesse dos alunos, quando estas e tantas outras medidas foram tomadas? 
Onde estava o Presidente da República? Onde estava Paulo Portas? Onde estava Marques Mendes? Onde estava Manuela Ferreira Leite? Onde estava Francisco Assis?
Só é mau o incómodo presente deste acordar (tardio) da classe docente?

O meu sentimento face ao momento que a Escola Pública vive está sintetizado

aqui: http://www.rtp.pt/play/p469/e120294/antena-aberta 

aqui: http://youtu.be/mLkIurcPqnQ
aqui: http://www.youtube.com/watch?v=7TxnzRoCMbM 
e aqui: http://www.youtube.com/watch?v=K3W9OwvFX5o

Santana Castilho

Santana Castilho implode Crato

TVI24,
7 de Junho de 2013

parte 1
 
parte 2
   
  parte 3
 

14/06/13

amanhã, pelo futuro!

 

SEJA BEM-VINDO QUEM VIER POR BEM!

«Estudo no 12º ano, tenho 18 anos.(...)»

fonte



Estudo no 12º ano, tenho 18 anos. Sou uma entre os 75 mil que têm o seu futuro a ser discutido na praça pública. 

Dizem que sou refém! Dizem que me estão a prejudicar a vida! Todos falam do meu futuro, preocupam-se com ele, dizem que interessa, que mo estão a prejudicar… 

Ando há 12 anos na escola, na escola pública. 
Durante estes 12 anos aprendi. Aprendi a ler e a escrever, aprendi as banalidades e necessidades que alguém que não conheci considerou que me seriam úteis no futuro. Já naquela altura se preocupavam com o meu futuro. Essas directivas eram-me passadas por pessoas, pessoas que escolheram como profissão o ensino, que gostavam do que faziam. 
As pessoas que me ensinaram isso foram também aquelas que me ensinaram a importância do que está para além desses domínios e me alertaram para a outra dimensão que uma escola “a sério” deve ter: a dimensão cívica. 

Eu não fui ensinada por mágicos ou feiticeiros, fui ensinada por professores! Esses professores ensinaram-me a mim e a milhares de outros alunos a sermos também nós pessoas, seres pensantes e activos, não apenas bonecos recitadores! 

Talvez resida ai a minha incapacidade para perceber aqueles que se dizem tão preocupados com o meu futuro. Talvez resida no facto de não perceber como é que alguém pode pôr em causa a legitimidade da resistência de outrem à destruição do futuro e presente de um país inteiro! 
Onde mora a preocupação com o futuro dos meus filhos? Dos meus netos? Quem a tem? 
Onde morava essa preocupação quando cortaram os horários lectivos para metade e mantiveram os programas? 
Onde morava essa preocupação quando criaram os mega-agrupamentos? 
Onde morava essa preocupação quando cortaram a acção social ou o passe escolar? 
Onde mora essa preocupação quando parte dos alunos que vão a exame não podem sequer pensar em usá-lo para prosseguir estudos pois não têm posses para isso? 
Não somos reféns nessa altura? 
E a preocupação com o futuro dos meus professores? Onde morava essa preocupação quando milhares de professores foram conduzidos ao desemprego e o número de alunos por turma foi aumentado? 

Todas as atrocidades que têm sido cometidas contra nós, alunos, e contra a qualidade do ensino que nos é leccionado não pode ser esquecida nunca mas especialmente em momentos como este! 

Os professores não fazem greve apenas por eles, fazem greve também por nós, alunos, e por uma escola pública que hoje pouco mais conserva do que o nome. Fazem greve pela garantia de um futuro! 

De facto, Crato tem razão quando diz que somos reféns, engana-se é na escolha do sequestrador! 

E em relação aos reféns: não são só os alunos; são os alunos, os professores, os encarregados de educação, os pais, os avós, os desempregados, os precários, os emigrantes forçados... Os reféns são todos aqueles que, em Portugal, hipotecam presentes e futuros para satisfazer a "porra" de uma entidade que parece não saber que nós não somos números mas sim pessoas! 

Se há momentos para ser solidária, este é um deles! Estou convosco* 

Inês Gonçalves

No dia 17, à mesma hora do exame ...

recebido via e-mail:

Colegas,
sem professores não há Educação!

Em inúmeras escolas as greves às reuniões de avaliação têm sido um êxito devido à iniciativa e mobilização da classe e de diversos colegas que se dispuseram autonomamente a organizá-la. Desta forma construiu-se também a unidade entre todos os professores, sindicalizados ou não, efetivos ou precários. É decisivo para a classe docente prosseguir este caminho! 

Daquela forma deram-se assim os primeiros passos para travar os famigerados planos deste governo ao serviço da troika e dos banqueiros - de despedimento e aumento do horário de trabalho e da "mobilidade". No ano passado, milhares de professores com 5, 10 ou mais anos de serviço já foram despedidos. Há anos que se mantêm o congelamento das carreiras e o roubo salarial. 

Ao contrário da demagogia de Passos Coelho, Crato e Cavaco Silva, o que estes realmente temem é a lição e exemplo que pode constituir a greve dos professores do dia 17 para todos aqueles milhões de portugueses (pais e alunos...) que são vítimas do empobrecimento que a troika nos está a impor e que nos está a levar à situação da Grécia! 

É possível a derrota do governo da precariedade, desemprego e empobrecimento! Discutir e organizar a luta na base e escolas, alargar a nível concelhio e região aquela auto-organização, lutar para que as assembleias de base decidam sobre o futuro da luta... é este o caminho! 

No dia 17, à mesma hora do exame, pelas 8,15h, façamos em cada escola reuniões amplas de debate e mobilização pelo prosseguimento da luta! 
Na manifestação de sábado, dia 15, no M. Pombal pelas 14,30 vamos demonstrar a unidade da classe! 
Participa com o Movimento 3Rs! 14,30h junto ao DN, na Av. da Liberdade!

13/06/13

Santana Castilho hoje, na Antena 1


o ditadorzinho das birras
Antena Aberta 
O ministro da educação garante que os professores vão vigiar os exames marcados para segunda-feira, dia de greve. O governo já deu orientações às escolas nesse sentido, enquanto recorre para o Tribunal Central Administrativo da decisão do colégio arbitral.
Primeira Emissão: 13 Jun 2013
Duração: 55m 
 ouvir aqui
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Acabei de ouvir, gravei, transcrevo a intervenção de SANTANA CASTILHO: fantástica, lúcida, contundente, inflamante -- a divulgar, absolutamente!!

Jornalista: Como é que observa todo este diálogo que houve entre ministério e sindicatos a propósito da greve de 2ª-feira , nas últimas semanas?

«O diálogo entre os sindicatos e o ministério veio muito tarde. A educação e a escola pública há muito tempo que têm sido alvo de uma perseguição feroz por parte deste governo completamente incompetente.
Em minha análise, os sindicatos cometeram um erro ao circunscreverem os motivos pelos quais decretaram (finalmente!, em minha opinião)  a greve,  à questão da mobilidade especial e das 40 horas. O problema é muito mais grave do que isso. As razões são muito mais fundas e duram há muito tempo

Nós temos um governo que, em meu entender, tem feito autêntico terrorismo social. E os professores e os funcionários públicos foram, em minha análise, as duas classes mais marcadas por isso. Os professores têm sido humilhados como nenhuma outra classe profissional o foi. 
Os professores fazem esta greve, porque têm um receio legítimo sobre a sobrevivência do ensino público. Porque, na prática, os quadros de nomeação definitiva foram completamente pulverizados. Os professores rejeitam a vulgarização da precariedade como forma de esmagar salários, que tem sido, de facto, a política dominante deste governo em relação a toda a gente.
Aquilo que o governo quer fazer ao funcionalismo público, ele faria aos privados se pudesse! E, para isso, mente despudoradamente pela boca do ministro da educação.

Quando o ministro da educação vem, como veio à televisão, com falinhas mansas, dizer que ele até tinha vinculado 600 professores no último concurso, mentiu despudoradamente. Como se os portugueses fossem estúpidos! Aquilo que ele fez foi um despacho para uma pré-vinculação de 600 professores contratados - dos 15 mil que já despediu no último ano! - dos 28 mil que, desde que chegou ao ministério, liquidou, varreu do sistema! O que ele fez foi, no mesmo despacho, abrir 600 vagas, mas não falou das 12 mil que fechou na mesma altura! E, por outro lado, estas 600 vagas, de momento, não vincularam ninguém. Só em Setembro, se os professores arranjarem uma escola onde ficar é que passarão a estar vinculados. E é óbvio que não vão arranjar! Ou, pelo menos, a grande maioria não vai arranjar, de facto, vaga em escola nenhuma.

Concretamente em relação à greve, àquilo que a vossa abertura do programa noticiou, de que os professores teriam sido convocados massivamente (pelo júri nacional de exames) para estarem presentes no próximo dia 17:
em minha opinião, o júri nacional de exames não tem nenhum vínculo hierárquico com os directores das escolas nem com os professores, para fazer isso.
Aquilo que foi feito foi uma 'orientação'. É esse o título de um e-mail que chegou às escolas: uma 'orientação'. Ora isto, em meu entender, não obriga as escolas. Isto denota uma grande cobardia por parte de um ministro que, além de mentiroso, de facto, é cobarde. Incumbe um júri nacional de exames de tomar uma medida que vale o que vale. 
Os professores em greve não têm que comparecer na escola.
Aliás, é ridículo - e é desonesto, em minha opinião - que um ministro e um governo que aceitam um colégio arbitral, como está na lei, para decidir sobre os 'serviços mínimos', depois da decisão do colégio que eles aceitaram!! , venha agora apelar para um tribunal administrativo porque, depois de a decisão ser «Não há serviços mínimos», então agora ela não vale! Quer dizer, isto é de uma desonestidade, de uma brincadeira contra uma coisa que é séria, que são as leis deste país, contra uma Constituição... - e isso de que me fala, através do júri nacional de exames, não é mais do que um expediente para causticar a totalidade dos professores! 
Quer dizer, em resumo: o que é que ..»

Jornalista: Funciona como  instrumento de pressão?
«Funciona como um instrumento de pressão, mas um  instrumento de pressão deplorável, de gente que não é honesta e que não sabe perder. O governo perdeu, de facto. Este governo desde o princípio que desrespeita as leis do país. Um governo que, por várias vezes - duas, pelo menos! - em instrumentos seriíssimos e importantes como o Orçamento, é corrigido pelo Tribunal Constitucional..
É um governo que sistematicamente tenta, de maneira clandestina, governar como se o país estivesse em 'estado de excepção', que ultimamente tem recebido o suporte do senhor presidente da República. É curioso verificar que uma pessoa que, no estrangeiro, nunca se refere às questões internas do país, ontem, em Estrasburgo, permitiu-se - no estrangeiro - falar sobre a greve dos professores ... »

Jornalista: Precisamente, e deixar um recado aos professores: "que não gosta de ver os jovens utilizados como meios para alcançar fins"..

«Pois, mas eu teria preferido ver o presidente da República a não gostar de ver os sistemáticos ataques que este governo tem feito à escola pública e aos professores! Mas enfim, o senhor presidente da República naturalmente que é livre de fazer aquilo que entender, tal como eu sou livre de ler o significado das coisas que ele faz.
De facto, os professores estão em greve. Não defendem fundamentalmente a sua mobilidade especial. Aliás, a 'mobilidade especial' é uma figura que se aplica aos chamados 'professores do quadro'. Mas a questão não é essa! É que nós, depois de o ministro Crato ter varrido do sistema quase 30 mil professores, temos agora 13 mil e tal professores que estão contratados; que são essenciais nas escolas portuguesas e que estão em risco de, em Setembro, estarem na rua!
E depois não é (só) isso! É que esta gente, sistematicamente e porque tudo tem sido mole e tem sido frouxo, tem feito aquilo que eu qualifiquei no início da minha intervenção como terrorismo social
É isso que está aqui em causa. É isso que se joga! É defender uma escola pública para todos os portugueses! Que é um valor constitucional, é um valor civilizacional, é um instrumento da soberania do país! E impedir que se instaure uma escola privada para os ricos e uma escola limitada para os pobres. É esta a questão! É isto que os portugueses têm que perceber e é por isto que os professores estão em luta!»

Jornalista: É então isso que está em causa?

«É isso que está aqui em causa, de facto, em minha análise, E ESPERO BEM QUE OS PROFESSORES PORTUGUESES PERCEBAM A RESPONSABILIDADE QUE TÊM NESTA ALTURA. Foi tarde, mas finalmente, parece que alguma coisa está a acontecer neste país!»

12/06/13

Professores, O MOMENTO DA VERDADE

recebido via email: 

A 17 DE JUNHO SOMOS NÓS QUE “VAMOS A EXAME ”


DEPOIS DE 17 DE JUNHO 
TEREMOS O QUE ESCOLHERMOS 


de Kirchner
COLEGAS, confrontados com uma “pérola” que dá pelo nome de Mensagem n.º 8 do JNE, o dia 17 de junho tornou-se para todos (mesmo todos) o dia da afirmação ou do “achincalhamento” definitivo da classe docente.

Não pode haver qualquer convocatória que interfira com o direito à greve constitucionalmente definido. Uma convocatória, seja de quem for, não é requisição civil nem configura serviços mínimos. Portanto, só não faz greve quem não quer
Só se efetuarão exames se NÓS quisermos. O dia 17 servirá para “separar o trigo do joio”.

No dia 17, com todos convocados, saberemos quais são aqueles que avalizam as medidas que pretendem “espezinhar” os professores e subverter completamente o ensino público em Portugal.

No dia 17 não haverá contratados ou efetivos ou QZP’S. Seremos todos apenas PROFESSORES, sem qualquer distinção de vínculo ou função exercida, desde quem leciona a quem dirige.

Depois do dia 17 teremos aquilo que NÓS, OS PROFESSORES ESCOLHERMOS. No dia 17 cada um de NÓS terá que fazer uma escolha. 
Mas depois do dia 17, cada um terá que viver com a escolha que fizer nesse dia. Cada um terá que ter “arcaboiço” para aguentar com as consequências menos boas que advenham da sua própria escolha. E nenhum dos que escolherem pelo facilitismo e pelo “deixa andar que não é nada comigo”, poderá no futuro esperar qualquer gesto de compreensão ou apoio por parte dos que não viram a cara à luta, quando se virem sem horário, sem emprego, sem rendimento ou com o rendimento reduzido, ou quando os mandarem “requalificar-se”. 

A HORA DA ESCOLHA SERÁ NO DIA 17 

João M. Aristides Duarte

SENTIDO DE DEVER

por Luís Costa

O Sr. Jorge Ascensão, presidente da CONFAP, veio hoje a terreiro apelar ao «sentido de dever» dos professores. É, no meu entender, um apelo lamentável, apesar de parecer muito assertivo.

Em primeiro lugar, se há profissionais em Portugal com elevado «sentido de dever», os professores estarão, certamente, à cabeça desse honroso grupo.

Em segundo lugar, é precisamente por causa desse elevado «sentido de dever» que os professores estão, de novo, em luta frontal com o Ministério da Educação. Acima de tudo, é a qualidade do serviço prestado aos alunos (logo, aos encarregados de educação e à sociedade em geral) que está em causa. Se os docentes não pudessem usar esta “arma”, então a Escola Pública estaria, doravante, completamente à mercê daqueles que a querem esmifrar, a favor do ensino privado, criando, desse modo, dois Estados dentro do Estado: o dos que podem (com escolas de qualidade) e o dos que não podem (com escolas escanzeladas, inseguras e sem condições de promover a tão propalada igualdade de oportunidades dos cidadãos). Bastaria calendarizar para esta altura todos os saques à Escola Pública. Estaríamos todos de mãos atadas.

Em terceiro lugar, lamento profundamente que a CONFAP apele ao «sentido de dever» dos professores e ignore o sentido de justiça e de dever do Governo, uma vez que é “dali” que, nos últimos cinco anos, têm vindo todas as pragas que têm depauperado a nossa Escola Pública. 

A CONFAP só tem de estar do lado dos alunos e de mais nenhum. É esse o seu tesouro. Por isso mesmo é que estranho muito que não esteja agora — como não tem estado, por norma — ao lado daqueles que dão, diariamente, corpo, alma e até o tempo da família pela Escola que protege, acarinha, alimenta, conforta, ensina e educa as crianças deste país que não podem, ou não querem (porque têm direito a uma Escola Pública de qualidade) refugiar-se nas privadas. Lamento muito que todos corram a encostar-se ao poder, em vez de engrossarem as fileiras daqueles que têm hasteadas as bandeiras com o rosto dos seus educandos.

Luís Costa

das RAZÕES dos PROFESSORES



por Santana Castilho
(ler artigo completo aqui)


« (...) chega-me a decência mínima para lhes explicar o óbvio, isto é, que os professores, humilhados como nenhuma outra classe profissional nos últimos anos, decidiram, finalmente, dizer que não aceitam mais a desvalorização da dignidade do seu trabalho.  

  • Porque se sentem governados por déspotas de falas mansas, que instituíram clandestinamente um estado de excepção.  
  • Porque, conjuntamente com os demais funcionários públicos, se sentem alvo da raiva do Governo, coisas descartáveis e manipuláveis, joguetes no fomento das invejas sociais que a fome e o desemprego propiciam.  
  • Porque têm mais que legítimo receio quanto à sobrevivência do ensino público.  
  • Porque viram, na prática, os quadros de nomeação definitiva pulverizados pelo arbítrio.  
  • Porque rejeitam a vulgarização da precariedade como forma de esmagar salários e promover condições laborais degradantes.  
  • Porque foram expedientes perversos de reorganização curricular, de aumento do número de alunos por turma e de cálculo de trabalho semanal que geraram os propalados horários-zero, que não a diminuição da natalidade, suficientemente compensada pelo alargamento da escolaridade obrigatória e pela diminuição da taxa de abandono escolar.  
  • Porque a dignidade que reivindicam para si próprios é a mesma que reclamam para todos os portugueses que trabalham, sejam eles públicos ou privados.  
  • Porque sabem que a tragédia presente de professores despedidos será o desastre futuro dos estudantes e do país.  
  • Porque a disputa por que agora se expõem defende a sociedade civilizada, as famílias e os jovens. »

(excerto de "Os três pastorinhos e a greve dos professores")
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11/06/13

Manifesto: Obrigado, professores!

*  *  *
Professores, 'bora lá 
DIVULGAR estes 
escritores, 
músicos, 
cineastas, 
musicólogos, 
autores,
artistas plásticos,

jornalistas, 
editores, 
produtores , 
fotógrafos, 
realizadores,

 estes AMIGOS : 
amor com amor se paga!

*  *  *

Personalidades da arte e da cultura solidárias com a greve dos professores 

Manifesto: Obrigado professores 


Sem Educação não há país que ande para a frente. E é para trás que andamos quando o governo decide aumentar o número de alunos por turma, despedir milhares de professores e desumanizar as escolas, desbaratando os avanços nas qualificações que o país conheceu nas últimas décadas. Não satisfeito, continua a sua cruzada contra a escola pública. Ameaça com mais despedimentos e com o aumento do horário de trabalho dos que ficam. 

de Cruzeiro Seixas
Ao atacar os professores o governo torna os alunos reféns. Com menos apoios educativos e menos recursos para fazer face à diversidade de estudantes, é a escola pública que sai enfraquecida. Querem encaixotar os alunos em turmas cada vez maiores com docentes cada vez mais desmotivados. Cortam nas disciplinas de formação cívica e do ensino artístico e tecnológico, negando aos jovens todos os horizontes possíveis. 

Os professores estão em greve pela qualidade da escola pública e em nome dos alunos e das suas famílias. Porque sabem que baixar os braços é pactuar com a degradação da escola. Os professores fazem greve porque querem devolver as asas aos seus alunos que o governo entretanto roubou. Esta greve é por isso justa e necessária. É um murro na mesa de quem está farto de ser enganado. É um murro na mesa para defender um bem público cada vez mais ameaçado. 

Por isso, estamos solidários. Apoiamos a greve dos professores em nome de uma escola para todos e onde todos cabem. Em nome de um país mais informado e qualificado, em nome das crianças que merecem um ensino de qualidade e toda a disponibilidade de quem sempre esteve com elas. É preciso libertar a escola pública do sequestro imposto pelo governo e pela troika. Aos professores dizemos “obrigado!” por defenderem um direito que é de todos. 

Subscritores:
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António Pinho Vargas, Compositor
Bruno Cabral, Realizador
Camilo Azevedo, Realizador, RTP
Carlos Mendes, Músico
David Bonneville, Cineasta
Eurico Carrapatoso, Compositor
Hélia Correia, Escritora
Leonel Moura, Artista plástico
Luís Varatojo, Músico, A Naifa 
Luísa Ortigoso, Actriz
Jacinto Lucas Pires, Escritor
Joana Manuel, Actriz
João Salaviza, Cineasta
José Luís Peixoto, Escritor
José Mário Branco, Músico
José Vítor Malheiros, Jornalista
Marta Lança, Editora e produtora
Messias, Músico, Mercado Negro 
Nuno Artur Silva, Autor e produtor
Pedro Pinho, Cineasta
Rui Vieira Nery, Musicólogo
Raquel Freire, Cineasta
Sérgio Godinho, Músico
Valter Vinagre, Fotógrafo
Zé Pedro, Músico, Xutos e Pontapés.

fonte: SPGL,  https://www.facebook.com/spgl.fenprof/posts/596213840410798

10/06/13

do ser Professor

para que se saiba.. não se esqueça.. memórias que fui recolhendo em duas páginas aqui no blogue:

do SER Professor: 
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de Paula Rego

deste ESTAR Professor:
texto de 2009, encurtado e actualizado:

Aspectos que toda a gente parece ignorar sobre a profissão de Professor e que será bom esclarecer:

  • Esta é uma profissão em que a imensa maioria dos seus agentes trabalha (em casa e de graça, entenda-se) aos sábados, domingos, feriados, madrugada adentro e muitas vezes, até nas férias! 
  • É a única profissão em que se tem falta por chegar cinco minutos atrasado 
  • É uma profissão que exclui devaneios do tipo “hoje preciso de sair meia hora mais cedo”, ou o corriqueiro “volto já” justificando a porta fechada em horas de expediente. 
  • É uma profissão que não admite faltas de vontade e motivação ou quaisquer das 'ronhas' que grassarão, por exemplo, no ME (quem duvida?) ou na transparente AR.
  • É uma profissão de enorme desgaste, intelectual, psicológico..
  • É uma profissão que há muito deixou de ser acarinhada ou considerada, humana e socialmente. 
  • É uma profissão em que se tem de estar permanentemente a 100%, que não se compadece com noites mal dormidas, indisposições várias (físicas e psíquicas) ou problemas pessoais … 
  • É uma profissão em que, de hora a hora, se tem de repetir o processo, exigente e desgastante, quer de chegar a horas, quer de "conquistar" , várias vezes ao longo de um mesmo dia de trabalho, um novo grupo de 30 alunos (e todos ao mesmo tempo, não se confunda uma aula com um qualquer 'atendimento' individual ou a gestão familiar de 1, 2, ‘n’ filhos...) 
  • É uma profissão em que é preciso ter sempre a energia suficiente (às vezes sobre-humana) para, em cada turma, manter a disciplina e o interesse, gerir conflitos, cumprir programas, zelar para que haja material de trabalho, atenção, concentração, motivação e produção. 
  • É a profissão que forma todas as outras, que enforma o futuro de um país.

Os professores merecem ser acarinhados, apoiados nas suas reivindicações. A sua luta pela estabilidade, por melhores condições de trabalho, é a luta de todos. É a defesa de uma escola pública de qualidade. 
Sem professores não há futuro!

quem tem medo dos professores?

______ sobre a greve às avaliações e respectivos ecos na imprensa, na opinião pública .......

de Helena Almeida

.. pois.. QUEM TEM MEDO DOS PROFESSORES?

Pelos vistos, todos. 
Quando a classe se une; 
quando a inércia se sacode; 
quando a doentia tendência que os professores têm para cumprirem tudo, aceitarem tudo sem um queixume - se transforma na revolta de quem já não aguenta mais; 
quando os professores tomam consciência do poder que detêm - e o exercem, o país treme.

Tremem os políticos ao verem escapar-se-lhes debaixo das garras dominadoras a classe que (justificadamente, diga-se..) acreditavam mais submissa, a mais sensível à chantagem emocional. Os direitos dos jovens, pois claro!
Tremem os pais ao verem ameaçados .. basicamente, os seus organizadinhos planos de férias, pois que outra coisa?

Hipócritas, uns e outros.
Não os comovem as crianças com fome, a única refeição diária retirada das escolas, a ASAE que há anos se pôs a medir batatas e encerrou ou inviabilizou as boas cantinas escolares, agora reféns da normalizada  fast food de empresas duvidosas.
Não os comovem as escolas fechadas, as crianças deslocadas, as escolas-fábrica em que cada aluno não é sequer um número, o interior do país desertificado, as longas viagens de e para casa, o tempo com a família, inexistente.
Não os comovem os livros deitados fora, que deixaram de servir porque sim: o novo programa de matemática para quê se o outro dava mostras de funcionar, o (des)acordo ortográfico para benefício de quem..
Não os comovem os professores massacrados que lhes aturam os filhos todo o dia, : «Já não sei o que fazer dele, dela.., em casa é a mesma coisa.. »
Não os comovem os alunos que querem aprender e não podem, a indisciplina na sala de aula e os professores esgotados, deprimidos, muitas vezes doentes, os professores que desabam a chorar no meio da aula, a tensão, as pulsações que disparam e como é que se pode ensinar assim?
Não os comovem os professores hostilizados publicamente por ministras, escritores, comentadores, opinadores - e já lá vão anos de enxovalhamento!
Não os comovem as políticas aberrantes do ministério da Educação, as constantes alterações aos curricula, aos programas, as disciplinas de uma hora semanal a fingir que existem e os professores que se adaptam aos caprichos todos, formações atrás de formações, obrigatórias todas, pagas do próprio bolso algumas;
Não os comovem as condições de trabalho e de saúde de quem lhes zela pelos filhos, as horas insanas passadas na escola, as tarefas sem sentido e as outras, o tempo e a disposição que depois faltam para tudo o resto que fazem em casa, preparar aulas, orientar trabalhos, corrigir testes, as noites que não dormem e amanhã aguenta-te que não são papéis que tens à frente, mas sim pessoas!
Não os comovem vidas inteiras de andar 'com a casa às costas', 10, 20, 30 anos contratados (dantes chamavam-se 'provisórios'), de Trás-Os-Montes ao Algarve e é se queres ter emprego, SEMPRE assim foi até conseguirem um lugar no quadro de efectivos numa escola - e agora aos 40, 50, à beira de vínculo nenhum! - as regras que mudam, a reforma que se alonja, a carreira de há muito congelada, os sucessivos cortes no salário, os impostos uns atrás dos outros e depois ......
cara alegre que tens a responsabilidade de ensinar, formar, educar os nossos jovens, futuro deste país ou de outro para onde emigrem, será mais certo.

E eu digo, professora que fui, professora que serei sempre e já não vos aturo: VÃO-SE FODER com as vossas preocupações da treta, a vossa chantagem e as vossas ameaças, os vossos apelos aviltantes. E não, não peço desculpa pela linguagem, que outra não há que dê a medida da raiva.

Quem é que vocês, políticos, associações de pais, pensam que são?
Vocês, que destroem tudo o que de bom se tinha conseguido neste país? Que promovem o regresso à miséria, ao cinzentismo, à ignorância? Que se estão borrifando para os alunos e as famílias, a qualidade do ensino nas nossas escolas públicas? Que tiram ao estado para darem aos privados? Que acabam com apoios onde eles eram vitais, aos alunos mais pobres, aos alunos com deficiências? Que despedem psicólogos e professores do ensino especial? Que, em exames, recusaram tempo extra aos alunos que a ele tinham direito? Que não fazem nada para promover a educação, os vossos podres serviços públicos reféns do vosso oportunismo, da vossa falta de valores, do vosso cinismo?
Vocês, que atacam os professores mas lhes confiam os vossos filhos? Que não os educam em casa, mas esperam que eles o façam na escola? Que agora defendem a "mobilidade especial" quando antes defendiam a estabilidade, se queixavam de que as crianças mudavam de professores todos os anos? Que não percebem que um professor maltratado é um profissional menos disponível para os alunos que tem à frente? Que a luta dos professores é a luta pelos vossos filhos, pela qualidade da sua educação, pelas oportunidades do seu futuro?

E vocês, opinadores 'de bancada' que continuam a achar que os professores trabalham pouco e ganham muito, por que se queixam agora desta greve (três meses de férias, é?!), quando nunca antes se queixaram das condições miseráveis em que vocês próprios sempre viveram?
Porque não se queixam dos dinheiros mal-gastos destes políticos?
Porque não se queixam de um serviço público de televisão que vos embrutece e vos torna prisioneiros de quem vos engana todos os dias, vos impede de terem pensamento próprio?
Porque não se queixam da razia deste governo sobre os  funcionários públicos, dos serviços que vão funcionar muito pior, das horas de espera que vão aumentar, nos hospitais, nos centros de saúde, nos correios e nas repartições todas, a 'má-cara' de quem, maltratado, vos vai atender com pouca paciência e muito cansaço?
A vocês, que pelos vistos não sabem o que é uma greve, nunca vos vi defenderem os professores do vosso país. Vi-vos aplaudirem uma ministra que vos 'ganhou', 'perdendo-os'. Vi-vos porem-se contra eles, ao lado dos filhos que vocês não souberam nem se preocuparam em educar. Vi-vos irem às escolas apenas para insultarem ou ameaçarem os que nela todos os dias 'dão o litro' para que os vossos filhos sejam melhores que vocês, tenham as condições de vida que vocês não puderam ter.

Os professores não estão de férias, como vocês, que tudo julgam saber, gostam de apregoar.
Os Professores estão em greve. Finalmente!
Os Professores levaram anos a aguentar pauladas. Anos e anos a serem, eles, prejudicados.
Agora fazem greve, dizem BASTA!
Vocês, deviam fazer o mesmo, assim a educação que a escola pública vos proporcionou vos tenha garantido sentido crítico, pensamento autónomo e DIGNIDADE.

as ameaças do ditador-mor


A "outra medida" do coelho: pôr os polícias a fazer as vigilâncias e os muito-bem-pagos-acessores-do-ME a corrigir as provas. Que tal? A mim parece-me bem! :-)))))
Ah! -- e outra coisa que Jerónimo de Sousa não terá dito: o 'prejuízo' dos alunos advirá, sobretudo, de professores desgastados até ao limite, sobrecarregados de trabalho e confrontados com turmas sobrelotadas, angustiados pela incerteza do seu futuro.

fonte: DN
Actualizado em 8 de Junho, às 14:26

Passos Coelho ameaça professores

professor a ser arrastado para as vigilâncias


Líder do PCP condena declarações do primeiro-ministro que admite tomar "outra medida" para garantir os exames nacionais em dias de greve.

O secretário-geral do PCP considerou hoje que as palavras do primeiro-ministro sobre a possibilidade de o Governo tomar "outra medida" para assegurar a normal realização dos exames nacionais "contêm, naturalmente, um sentido de ameaça". 

Ainda quanto à greve dos professores, Jerónimo de Sousa apontou como "uma hipocrisia tremenda" o facto de Pedro Passos Coelho invocar o prejuízo dos alunos. 

O secretário-geral do PCP assumiu estas posições em declarações aos jornalistas, no final da cerimónia de inauguração da Avenida Álvaro Cunhal, na freguesia do Lumiar, em Lisboa. 

Na sexta-feira, o chefe do executivo PSD/CDS-PP disse esperar que a comissão arbitral fixe os serviços mínimos para a greve dos professores assegurando a normal realização dos exames nacionais do ensino secundário e que não seja necessário o Governo adoptar "outra medida", que não especificou. 

Por outro lado, Pedro Passos Coelho sugeriu aos professores que canalizem o seu protesto para a greve geral marcada para dia 27 deste mês, e "não para uma greve que tenderá a penalizar sobretudo os estudantes e as suas famílias". 

Segundo o secretário-geral do PCP, "exercitar o prejuízo dos alunos é, de facto, de uma hipocrisia tremenda". 

Jerónimo de Sousa referiu que o Governo "tem encerrado escolas, tem aumentado as propinas, tem elevado os custos da educação para níveis incomportáveis". 

 "É preciso ter muita hipocrisia para vir afirmar que são os professores que estão a prejudicar os alunos. Não, quem está a prejudicar os alunos, os nossos jovens é este Governo, com esta política", reforçou. 

De acordo com o secretário-geral do PCP, "o senhor primeiro-ministro gostaria que os professores fizessem greve quando já não existisse ano lectivo, que não fizessem greve no momento em que estão a ser aprovadas medidas brutais contra as suas carreiras, contra o seu futuro".

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a imagem acima é de F. Botero e não tem a legenda aposta 
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«não sei em que país vive o dito Gaspar..»

recebido via e-mail: 

8 de Junho de 2013
em As Minhas Leituras

NÃO SEI EM QUE PAÍS vive o dito Gaspar. Talvez um país habitado por gnomos, fadas, ministros alemães e jogadores do Benfica. Ou por sujeitos de fato e grava­ta que emergem dos carros e mergu­lham nas garagens e nos gabinetes e daí para os hotéis e condomínios fechados, ou os aviões, e nunca encontram gente. Dessa que paga impostos, taxas e contri­buições de solidariedade para ajudar as pessoas que precisam, ou seja, eles mesmos entre outros. Não me chateia que o Benfica perca jogos, nem por solidariedade com o dito Gaspar, chateia-me que quando vou arrumar o carro venha não o arrumador do costume, um chunga a fazer pela vida, e sim um reformado. Um velhote, uns são mais tesos do que outros, que fica agradecido pelo euro e dá um grande bom-dia em troca. Conviria mandar para cima destes trocos uma taxa de arrumação gratuita, ou colocar os jovens da EMEL, a ganhar à multa, viva o empreendedorismo, a multar os arrumado­res reformados. Fica aqui a ideia. E podem acrescentar os porteiros, guardas, choferes, moços de recados e ajudantes com mais de 75 anos. Há muitos. Chateia-me a senhora que amanhece no néon da costuraria, agora chamada de retoucherie por todos os centros comer­ciais, e que me diz que nunca sabe se vai ter ordenado. Teria idade para estar reformada mas enquanto existirem óculos de ver ao perto, devidamente não comparticipados, ao contrário do pacemaker grátis do homem mais rico de Portu­gal, que ficou chocado por o sistema nacional de saúde lho oferecer, oh indig­nação oh abominação, mas não se lem­brou de devolver o dinheiro ou doá-lo ao hospital. Conviria verificar se a costureira ganha o salário mínimo, porque o salário mínimo, na opinião do dito Borges, é demasiado. Quem quer bons salários vai fazer consultoria de privatizações e não corte e costura. Empregos de mulheres ociosas. A costura, não a consultoria. Na caixa do supermercado estou sempre a ver caras novas nos mesmos dias da semana, ou seja, ou têm empregados a mais ou têm contratados a menos. É um emprego com grande agilidade e mobili­dade, ninguém fica por ali a aquecer o lugar. Será como noutras lojas em que os empregados trabalham seis meses e a seguir são despedidos e vem uma nova leva, fresca e prontinha a ser despedida? Chateia-me o miúdo de 20 anos que guiava o táxi e disse que trabalhava de noite para ver se conseguia continuar a estudar de dia. De noite, era mais perigo­so. O que lhe fazia impressão era trans­portar a malta da idade dele que andava pelo bairro a divertir-se, miúdos e miú­das mais ricos, alguns embriagados, que nem o viam nem viam a idade dele. Se eles soubessem como gostaria de não estar ali, àquela hora, ao volante de um carro de aluguer.

O Gaspar e os que o acompanham, com os seus mestrados de luxo, chamam a isto falta de iniciativa, ser pobre. Não é, é só falta de dinheiro. Nunca ninguém se lembrará de convidar um pobre para falar sobre a pobreza num seminário da universidade. São sempre os ricos, os abastados, os privilegiados, que falam em nome deles. Que escrevem tratados e compêndios em nome deles. Que inventam a solidariedade em nome deles, mas não a solidariedade que o Gaspar nos pede por causa da derrota do Benfica, outra. E ficam agastados quando o pobre não é virtuoso e agradecido e quer gastar dinheiro nas mesmas coisas que um rico, sei lá, um concerto ou uma viagem. Chateia-me a gente de olhos baixos. A gente de olhos mortos, que espera cansada por qualquer coisa que não se vai materializar. A gente que teme pelos pais e pelos filhos, e que vive amedrontada. A gente carimbada como excedentária, parasitária, protozoária. A gente pária. Perdulária. Portugal resolvia-se se tivesse menos cinco milhões de pessoas e se os reforma­dos, funcionários públicos envelhecidos, doentes com doenças exorbitantes, desem­pregados e outros subsidiados e excluídos, jovens com sonhos de educações superio­res, simplesmente desaparecessem mor­rendo ou emigrassem vivendo. Se metade da população portuguesa fosse dizimada pela peste isto resolvia-se. Reconvertia-se. Sobreviviam os empreendedores, os filósofos do empreendimento, os financia­dores e financeiros, os teólogos da austeri­dade e respetivas famílias, mesmo velhas e excedentárias, as grávidas, os católicos e demais religiosos reprodutivos, os funcio­nários superiores e os consultores. E seus assessores. E os jogadores do Benfica que comovem o dito Gaspar. Mais meia dúzia de artistas oficiais patrocinados e restaura­dores da confiança nacional. Com os banqueiros e os grandes industriais e retalhistas. As pequenas e médias empre­sas não falidas, porque o país está em processo de… reconversão. Ajustamento. Consolidação. Estas coisas da reconversão são como os filmes de Hollywood, aca­bam sempre bem. O mesmo não se dirá dos jogos do Benfica.

Clara Ferreira Alves

Crato revelou-se pérfido e ignorante


de Santana Castilho
em Notas

Quarta-feira, 5 de Junho de 2013 
às 20:06


Crato foi ontem entrevistado pelo jornalista Paulo de Magalhães, na TVI 24. A má- fé, a perfídia e a ignorância exalaram do que disse. Tivera alguém informado a possibilidade de o contraditar no momento e o pavão do “Plano Inclinado” teria sido reduzido à sua circunstância: um espanador manhoso. Brevemente, fica algum antídoto ao veneno: 

1. Crato, se fosse sério, falaria de “alguns sindicatos”, referindo-se aos que tomaram a iniciativa de convocar a greve, quando sabe que, entre eles, estão as duas maiores estruturas sindicais de professores, as quais, em conjunto, representam mais de 90% dos sindicalizados? Falaria tanto de diálogo e de abertura, cometendo do mesmo passo a grosseria de dizer que os professores fazem dos alunos seus reféns? Mostrar-se-ia, ontem, um menino do coro, tal era a disponibilidade para conversar com os professores, para hoje os ignorar como destinatários do despacho de lançamento do próximo ano-lectivo (foram os jornalistas que o disponibilizaram aos sindicatos)? 

2. Crato, ministro de coisa nenhuma, desconhece que História e Geografia estão no mesmo “saco” no 2º ciclo do básico. Foi deprimente ouvi-lo dizer que as escolas podem dar mais tempo a uma ou a outra disciplina, como se houvesse duas. 

3. Crato repetiu ad nauseam a expressão “no limite”. Só no “limite” é que serão enviados professores para a mobilidade especial, disse. Deu a entender à opinião pública que foi lançado o alarmismo e que, afinal, tudo ficará em paz excelsa. Ora a mobilidade especial aplica-se aos professores dos “quadros”. A questão que passou de fininho, sem pio, é o que acontecerá aos actuais 13.943 contratados. Que “limite” invocaria o espertalhão se a pergunta lhe tivesse sido feita? 

4. Crato, magnânimo, lembrou ter vinculado 600 professores. Abjecta mentira. Os professores que concorreram aos QZP só estarão vinculados em Setembro … se arranjarem vaga numa escola. E tudo prenuncia que não a terão. Hoje estão contratados. Ontem, Crato disse-os vinculados. Veremos quantos estarão desempregados em Setembro. E Crato não disse, nem com tal foi confrontado, que, quando “vinculou” esses 600, … “desvinculou” … 12.000. 

Quando Crato chegou tinha 139.837 professores. Hoje são 111.704. Já limpou 28.133. 

5. A Crato parece normal enviar um professor para trabalhar a 200 Km da sua residência, mesmo desconhecendo o limite territorial das zonas pedagógicas. Crato reconheceu que os professores já trabalham mais que 40 horas (quando só lhes paga 35). Crato confessou que deve milhões, que deviam ser pagos como trabalho extraordinário. Mas não vai pagar. Crato não se incomoda com o tráfico negreiro da nova era. 

6. Crato, ignorante, disse haver “jurisprudência” sobre serviços mínimos na educação. Não há coisa nenhuma. Houve decisões de tribunais, há anos, que não fizeram jurisprudência. Hoje podem ser diferentes. Pelos vistos, 1 milhão, 71 mil 995 euros e 42 cêntimos, que tem por mês para pagar estudos e pareceres, não chegam para pagar uns trocos a um estagiário de direito, que lhe explique o que é jurisprudência. Sugiro-lhe que se aconselhe com o seu ex-patrão, Isaltino Morais, jurista com tempo para lhe explicar a coisa, actualmente. 

Entendamo-nos: se vierem a ser estabelecidos serviços mínimos (em manifesto atropelo à lei vigente, em meu entender) e os professores não os cumprirem, que pode acontecer? Nada! Ou melhor, requisição civil. E aí é que os professores a terão que cumprir. Mas já Crato, nessa altura, terá engolido a bazófia, porque os exames, naquela data, não se realizarão.

https://www.facebook.com/notes/santana-castilho/crato-revelou-se-p%C3%A9rfido-e-ignorante/560014924048823

as pensões dos velhos - carta aos filhos

recebido via e-mail:

de Salvador Dali

Meu filho, 

Chegaste a casa empolgado da manifestação, vieste com os olhos brilhantes a falar da mudança do sistema e do grande crime que as gerações mais velhas cometeram para com os da tua idade. 

Vieste a falar do ?massacre geracional? e dos benefícios dos reformados que serão vocês que sustentam. 

Disseste até que são explorados hoje e que, quando for a vossa vez, não terão o dinheirinho da reforma à vossa espera. 

Pois, filho, deixa que te diga umas coisas para acrescentares à tua reflexão. 

Eu e a tua mãe vivemos sempre do que pudemos ganhar com o nosso trabalho

Eu entrei para o Ministério como auxiliar de contabilidade, depois de tirar o curso à noite, a trabalhar de dia como vendedor, porque o meu pai, pobre agricultor, mal ganhava para o sustento dos meus irmãos mais pequenos. 

Nunca gostei de contabilidade, gostava era de vender, mas era uma profissão certa e eu tinha família para sustentar. 

A tua mãe ficou em casa, a cuidar de ti e da tua irmã, porque não havia escolas para os pequenitos e as vizinhas já não podiam tomar conta de mais crianças. 

Sempre sonhei montar o meu escritório de contabilista mas o que queres? 

Como funcionário teria direito à pensão para a qual descontava, a minha família beneficiava da ADSE, para a qual descontei, era a segurança da minha velhice e da tua mãe. 

Fiquei, fiquei 42 anos e reformei-me como chefe de repartição, a tua mãe com muito menos porque só descontou 20 anos como auxiliar numa escola. 

Com a velhice assegurada, ainda que modestamente, pagámos os teus estudos até tarde, já tinhas mais de 25 anos quando acabaste o curso na Universidade privada porque nunca tiraste média para ir para o ensino público. 

Foi com o meu salário que te compramos a mota, depois te demos a carta e o automóvel, foi porque pensámos que não precisaríamos de juntar para a velhice mais do que o que descontávamos que te pagámos os anos de inglês, o karaté, as viagens nas férias com os teus amigos. 

Sim filho, deixa que te diga, acusaste-me tantas vezes de ser conformado, de ir para a repartição e ter um salário modesto, querias que arriscasse, abrisse um negócio, como o pai da Elsa, a rapariga de quem estás divorciado, mas se eu deixasse tudo lá se ia a minha pensão e a protecção na saúde, teria que juntar para a minha velhice e da tua mãe e não poderia dar-te e à tua irmã o que tanto gostavam. 

Comprámos a casa a crédito porque já não suportavas o bairro modesto, a casa alugada e velha, querias viver bem, a tua irmã dizia que tinha vergonha de levar lá os amigos do colégio, pagámos a casa mesmo a tempo de te ajudar a comprar a tua, quando casaste e o pai da Elsa já estava em sarilhos com os seus negócios. 

Ainda te disse para ficarem lá em casa, até endireitarem a vida, a tua irmã já estava a estudar fora, no Algarve, no curso que escolheu, com um esforço acomodávamo-nos todos, mas não quiseste, gritaste que eu era mangas-de-alpaca, que nunca teria uma vida capaz, a prova é que nunca saí da repartição, a contar com a reforma e as pantufas. 

Pois é, filho, desculpa, pensei que podia gastar contigo e com a tua irmã o que os meus pais não puderam gastar comigo. 

Pensei que tinha uma reforma e por isso não precisava de proteger mais os meus anos de velho. 

O que eu não sabia era que te estava a explorar. 

Agora gritas que me sustentas, e à minha reforma e eu não sei porquê mas talvez tenhas razão, eu devia ter sido mais prudente e guardar para mim e para a tua mãe o que te dei com tanto amor. 

 A contar que não te seria pesado, que não terias que me sustentar como eu fiz com os meus pais e a tua mãe com os dela, lembras-te? Vieram viver cá para casa, admiraram-se com a nossa casa tão grande, com o nosso nível de vida, e dividimos com eles o que havia. 

Ainda bem que terei uma reforma, pensei tantas vezes, posso gastar com eles o que ganho, e com os meus filhos, talvez com os meus netos se precisarem. 

Nunca levei a tua mãe ao México, ou ao Brasil, nem sequer a Paris, gasta com os garotos, dizia ela, eles têm que viver o tempo deles, a gente não precisa. 

Tu foste, foste a tantos lados, ficavas 6 meses e mais, dizias que era dos estudos, depois voltavas cheio de ideias para comprar um computador novo, um plasma, uns sofás novos, pai, dizias, os tempos são outros, se tens dinheiro compra, para que te agarras ao dinheiro se vais ter uma reforma? 

Desculpa, filho, acho que te estou a massacrar, e à tua geração mas deixa que te diga que me preocupa muito a tua mãe, quando eu morrer ela só vai ficar com metade do que eu recebo, se ainda a deixarem receber isso, e não chega, não chega para te ajudar a pagar as pensões de alimentos aos meus netos, não chega, filho, não chega. 

Deixa que te diga que te dei tudo o que tinha, com orgulho e com amor. 

Hoje, filho, quando te ouço, penso quem me dera ter poupado para a minha velhice e da tua mãe, em vez de te ser tão pesado agora, com a minha pensão. 

05/06/13

Os três pastorinhos e a greve dos professores

..
O artigo que segue não é só um belíssimo texto. É uma bandeira, um grito de alerta, a representação do que devia ser uma consciência colectiva. Este é o cravo vermelho que os professores deviam ostentar, orgulhosos e unidos nesta luta que é a de um povo e de um país, e tem em Santana Castilho - de novo e sempre - o seu paladino e o seu arauto MAIOR! 

 in Público,
5 de Junho de 2013

Santana Castilho *

Os três pastorinhos e a greve dos professores


Depois do presidente Cavaco, que não é palhaço como sugeriu Miguel Sousa Tavares, ter atribuído à Nossa Senhora de Fátima a inspiração da trindade que nos tutela para fechar a sétima avaliação, vieram três pastorinhos (Marques Mendes, Portas e Crato) pregar no altar do cinismo, a propósito da greve dos professores: “ … marcar uma greve para coincidir com o tempo dos exames nacionais … não é um direito … é quase criminoso … é uma falta de respeito … ” (Marques Mendes); “… se as greves forem marcadas para os dias dos exames, prejudicam o esforço dos alunos, inquietam as famílias …” (Portas); “… lamentamos que essa greve tenha sido declarada de forma a potencialmente criar problemas aos nossos jovens, na altura dos exames …” (Crato). Marques Mendes “redunda” quando afirma que a greve é um direito constitucional. Mas depois qualifica-a de abuso e falta de respeito. Que propõe? Que se ressuscite o papel selado para que Mário Nogueira e Dias da Silva requeiram ao amanuense Passos a indicação da data que mais convém à troika? Conhecerá Portas greves com cores de arco-íris, acetinadas, que sejam cómodas para todos? Que pretenderia Crato? Que os professores marcassem a greve às aulas que estão a terminar? Ou preferia o 10 de Junho? A candura destes pastorinhos comove-me. Sem jeito para sacristão, chega-me a decência mínima para lhes explicar o óbvio, isto é, que os professores, humilhados como nenhuma outra classe profissional nos últimos anos, decidiram, finalmente, dizer que não aceitam mais a desvalorização da dignidade do seu trabalho. 
  • Porque se sentem governados por déspotas de falas mansas, que instituíram clandestinamente um estado de excepção. 
  • Porque, conjuntamente com os demais funcionários públicos, se sentem alvo da raiva do Governo, coisas descartáveis e manipuláveis, joguetes no fomento das invejas sociais que a fome e o desemprego propiciam. 
  • Porque têm mais que legítimo receio quanto à sobrevivência do ensino público. 
  • Porque viram, na prática, os quadros de nomeação definitiva pulverizados pelo arbítrio. 
  • Porque rejeitam a vulgarização da precariedade como forma de esmagar salários e promover condições laborais degradantes. 
  • Porque foram expedientes perversos de reorganização curricular, de aumento do número de alunos por turma e de cálculo de trabalho semanal que geraram os propalados horários-zero, que não a diminuição da natalidade, suficientemente compensada pelo alargamento da escolaridade obrigatória e pela diminuição da taxa de abandono escolar. 
  • Porque a dignidade que reivindicam para si próprios é a mesma que reclamam para todos os portugueses que trabalham, sejam eles públicos ou privados. 
  • Porque sabem que a tragédia presente de professores despedidos será o desastre futuro dos estudantes e do país. 
  • Porque a disputa por que agora se expõem defende a sociedade civilizada, as famílias e os jovens. 

Rejeito a modéstia falsa para afirmar que poucos como eu terão acompanhado o evoluir das políticas de educação dos últimos tempos. Outorgo-me por isso autoridade para afirmar que é irrecuperável a desarmonia entre Governo e professores. A confiança, esse valor supremo da convivência entre a sociedade civil e o Estado, foi definitivamente ferido de morte quando a incultura, a falta de maturidade política e o fundamentalismo ideológico de Passos, Gaspar e Crato trouxeram os problemas para o campo da agressão selvagem. Estes três agentes da barbárie financeira vigente confundiram a legitimidade eleitoral, que o PSD ganhou nas urnas, com a legitimidade para exercer o poder, que o Governo perdeu quando escolheu servir estrangeiros e renegar os portugueses e a sua Constituição. Com muitos acidentes de percurso, é certo, a Nação cimentada pela gestão solidária de princípios e valores de Abril está a ser posta em causa por garotos lampeiros, apostados em recuperar castas e servidões. Alguém lhes tem que dizer que a educação, além de direito fundamental, é instrumento de exercício de soberania. Alguém lhes tem que dizer que princípios que o Ocidente levou séculos a desenvolver não se podem dissolver na gestão incompetente do orçamento. Alguém lhes tem que dizer que o desemprego e a fome não são estigmas constitucionais. Que sejam os professores, que no passado se souberam entender por coisas bem menores do que aquelas que hoje os ameaçam, esse alguém. Alguém suficientemente clarividente para vencer medos e comodismos, relevar disputas faccionárias recentes, pôr ombro a ombro contratados com “efectivos”, velhos com novos, os “a despedir” com os já despedidos. Alguém que defenda o direito a pensar a mais bela profissão do mundo sem as baias da ignorância. Alguém que diga não à transformação da educação em negócio. Alguém que recuse transferir para estranhos aquilo que nos pertence: a responsabilidade pelo ensino dos nossos alunos. 

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)