- as imagens das colunas laterais têm quase todas links ..
- nas páginas 'autónomas' (abaixo) vou recolhendo posts recuperados do 'vento 1', acrescentando algo novo ..

26/04/13

O terceiro D do 25 de Abril

no Expresso,
Sexta feira, 26 de abril de 2013

por Daniel Oliveira  



Quando, há 39 anos, um conjunto de oficiais de baixa patente, apenas munido dos mais rudimentares conceitos ideológicos e sem qualquer experiência política, derrubou um regime que já mal se aguentava de pé, prometeu, num programa genérico, três coisas: descolonizar, democratizar e desenvolver Portugal.
Pior ou melhor, a descolonização tardia foi feita. A democracia, depois de um período conturbado mas pacífico quando comparado com outras revoluções, foi aceite por todos. E o desenvolvimento, a mais difícil das três tarefa, superou as melhores expectativas.  
Em menos de meio século, Portugal deu um salto assombroso. Um país atrasado, isolado, miserável e semianalfabeto chegou rapidamente ao restrito clube do primeiro mundo. Pobre entre os ricos, é verdade. Mas em tudo um contraste com o seu passado.
  • O saneamento básico e a eletricidade chegaram a todo o território. 
  • Foram construídas infraestruturas
  • A segurança social foi generalizada. 
  • Acabou-se com trabalho infantil
  • As barracas foram praticamente erradicadas. 
  • A pobreza e a desigualdade, que subsistem, não são comparáveis à miséria em que vivia grande parte da população. 
  • Passámos de um País de emigrantes para um País de imigrantes
  • Nasceu um Serviço Nacional de Saúde gratuito e universal. 
  • Os nossos indicadores de mortalidade infantil passaram dos piores para os melhores da Europa. 
  • O analfabetismo é hoje marginal e a nova Escola Pública formou a geração mais bem preparada, culta e instruída que Portugal conheceu em toda a sua história. 
Quem desmerece o que conseguimos nestas quatro décadas comete a pior das injustiças: a ingratidão consigo próprio. Em 40 anos fizemos o que a maioria das nações europeias levaram mais de um século a construir. 
Os três d's não eram três partes de um programa. Eram todos a mesma coisa. Não seria possível desenvolver Portugal e ter um Estado Democrático se teimássemos na guerra colonial. Num país tão atrasado e desigual, o desenvolvimento só foi possível porque os portugueses o exigiram no uso da sua liberdade. E a construção da democracia, numa nação que nunca a conhecera realmente, só prevaleceu porque trouxe bem estar. E o Estado Social foi o mais poderoso motor desta democratização tardia.
Quem acredita que a democracia vingaria no meio da miséria julga que ela se impõe pela sua indiscutível bondade. Que a história é justa e os povos sábios. Não, ela só resiste se conseguir garantir as condições materiais para o seu exercício. 
Nenhuma democracia sobrevive à destruição da classe média e ao empobrecimento geral da população. Nem à completa instabilidade social, imprevisibilidade pessoal e insegurança laboral. Nenhuma democracia sobrevive sem a confiança dos cidadãos no Estado e essa confiança depende, pelo menos em Portugal, do Serviço Nacional de Saúde, da Segurança Social e da Escola Pública. Nenhuma democracia sobrevive a um discurso castigador do poder, à ausência de esperança, a uma intervenção externa sem fim à vista e ao discurso da inevitabilidade, que torna as eleições numa mera formalidade sem conteúdo.
Quando se diz que os valores do 25 de Abril estão em perigo constata-se uma evidência: se o nosso caminho é empobrecer, temos de nos preparar para viver sem liberdade. Porque uma nação é como uma cidade: se à nossa volta só houver a miséria e o caos, até os mais ricos estão condenados a viver cercados por muros.

Sobre o esclarecedor discurso de Cavaco Silva no Parlamento escreverei na edução de amanhã do Expresso. 


era uma vez uma terra feliz e próspera..

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GENIAL! Um vídeo a não perder!

  
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publicado no Youtube por Alcides Santos, aqui

«Taxar os ricos: Um conto de fadas animado, narrado por Ed Asner, com animação de Mike Konopacki. Escrito e dirigido por Fred Glass para a Federação de Professores da Califórnia. Um vídeo de 8 minutos sobre como chegámos a este momento de serviços públicos mal financiados e ampliando a desigualdade econômica. As coisas vão para baixo numa terra feliz e próspera após os ricos decidirem que não querem pagar mais impostos. Dizem às pessoas que não há alternativa, mas as pessoas não têm assim tanta certeza. Esta terra tem uma semelhança surpreendente com a nossa terra. »

Para mais informações, www.cft.org.
O vídeo original está em http://www.youtube.com/watch?v=S6ZsXr...

25/04/13

carta do soldado Renato


de Marc Chagall
À da Canda, amor, aos morros do Seixel vai demoradamente fixar-se a amargura das noites de guerra.
Calambata, sabes?, é uma trégua fuzilada, um morto que não morre mas adormece. Aqui o tens vivo, as mãos fechadas sobre a sua metralhadora. Pior do que estar de sentinela, pior que tudo são as chamas ao longe, os olhos que me vigiam. Sente-se um homem espiado pelas próprias árvores, ouvindo carrilhões impossíveis na calada da noite. 
Escrevo-te, amor, por não saber nem o dia nem a hora. Com o medo de estar apenas vivendo à beira do medo. Que escrevo. Colunas partem à Magina, recebem de volta a notícia dos ataques aos quartéis do Norte, o M'Pozo, a Mama Rosa, a Madimba, o Luvo, e a gente pensa que há-de ser um dia também a destruição de Calambata, amor. Amor, diz-se já que Calambata é apenas o som da nossa respiração: ama-se a vida devagarinho, como nos repugna o cheiro a bálsamo dos mortos que partem a qualquer hora do dia. Palavras dispersas pingam da infusa do silêncio. Palavras. As palmeiras, por exemplo. Os imbondeiros, as mulembas. Perderam a memória dos séculos. 
Um dia, amor, as armas serão somente objectos de museu: os campos hão-de lavrar-se com charruas, nas oficinas trabalharão bigornas, puas, enxós, o esmeril das mãos que nos combateram, e a piaçaba dos cabelos encher-se-á da poeira das madeiras, nas serrações. Era bom, amor, que se ouvissem os guindastes nos cais, os alcatruzes das noras, o uivo do vento nas grandes searas do Sul. Bom que o mar erguesse a voz um pouco acima do sal até à alegria das lágrimas. 
Amor, é provável que não existam brancos inimigos nas picadas de Nambuangongo. Os brancos não podem, amor, continuar, aqui nas serras da Calambata, a alimentar a morte das minas, dos morteiros e dos canhões. Será chegado o tempo, de se cobrirem as crateras das granadas, de despoletar os trilhos, de pintar os furos das balas no corpo das árvores da Binda. 
Por isso te escrevo, amor, antes da minha morte. Nunca pisei uma lavra de milho ou mandioca, sabes? Escrevo. Não chicoteio o suor do negro da tonga. Não troco meu sapato velho, minha cerzida camisa, meu garrafão de aguardente, pelo corpo da menina no alembamento.
Escrevo, amor: reconstruí vós as sanzalas de quantos se foram embora, para que possam ainda regressar, viver. Pergunta-lhes por mim, amor. O que fazia. O que inventava por vezes. O que escrevi eu aqui. 
Que branco caçambuleiro esse, que diferente estava me chamar ainda?
Que branco esse, polícia lhe tinha raiva, lhe estava sempre xingar a voz da denúncia, quase mesmo ia caindo na prisão do esquecimento?
Que branco, amor? 
Minha pele tem o ardor das anchovas da ração de combate, da pasta de fígado (os perseguidos guerrilheiros sul-africanos, lembras-te, amor?). Mas tudo isso eu fui trocando pelo desejo e pelo gosto da moamba de galinha e pelo ácido do abacaxi com pancadinha discreta na curva do ombro, como a dizer: coragem! 
É o que escrevo aqui, sentado na noite. No sítio onde estou, amor. De frente para os morros que cercam Calambata cercada de guerra pelo Norte. A pensar, amor, que há em mim um morto que não morre. 

João de Melo
in Autópsia de Um Mar de Ruínas (da guerra colonial em Angola)

24/04/13

Salgueiro Maia, depoimento


"A marcha para o Carmo foi extraordinária pelo apoio popular que agregou, que contribuiu bastante para que o Carmo perdesse a vontade de resistir. Nunca tinha visto o povo a manifestar-se assim.
No Carmo, ao chegar, houve desde senhoras a abrir portas e janelas para colocar os homens nas posições dominantes sobre o Quartel, até ao simples espectador que enrouquecia a cantar o Hino Nacional. 
O ambiente que lá se viveu foi de tal maneira belo que depois dele nada mais digno pode acontecer na vida de uma pessoa. 
Fernando Salgueiro Maia,
CAPITÃO DE ABRIL
HISTÓRIAS DA GUERRA DO ULTRAMAR E DO 25 DE ABRIL,
Notícias Editorilal/ Diário de Notícias, Lisboa, 1997, pp 94 e 100

De regresso ao passado


In "Público" de 24.4.13
por Santana Castilho


1. Nuno Crato, antes de ser ministro, tinha um farol para a Matemática: o TIMMS (Trends in International Mathemathics and Science Study), programa prestigiado internacionalmente, que, de quatro em quatro anos, mede os resultados do ensino da Matemática, num conjunto extenso de países. Clamava pela necessidade de entrarmos nessa roda, onde, em 1995, ocupámos um dos últimos lugares. Talvez por isso, ficámos de fora em 1999, 2003 e 2007. Voltámos em 2011, ano da Graça em que Crato passou a ministro e emudeceu em relação ao TIMMS. Porquê? Porque as pessoas que ele denegriu e os métodos que ele combateu fizeram história no seio do TIMMS. Portugal, em 2011, foi 15º em 50 países. Portugal foi o primeiro na escala que mediu o progresso: foi o país que mais progrediu no universo dos 50 classificados. Portugal foi melhor que a Alemanha, Irlanda, Áustria, Itália, Suécia, Noruega e Espanha, entre outros. E que fez Nuno Crato? Acabou com o programa de Matemática do ensino básico, que contribuiu para um sucesso a que não estávamos habituados. Substituindo qualquer avaliação fundamentada por juízos de valor, alicerçados no “achismo” que o caracteriza. Surdo à indignação dos docentes. Contra as associações de professores da disciplina. Com um comportamento autocrático, guiado pela sua nova luz: a do regresso às décadas do Estado Novo. 

Em linguagem imprecisa e discurso sem rigor, o ministro justifica que o novo programa, que não é ainda conhecido, virá “complementar as metas curriculares”, cujo uso tem tido “resultados muito positivos nas escolas”. Um programa “complementa” metas? As metas a que se refere, ou não estão a ser aplicadas ou suscitam a perplexidade dos professores, que vêem nelas um retrocesso metodológico. Por onde anda o ministro? De que fala? Quem o informa? 

O presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática admitiu que o novo programa irá originar uma confusão desnecessária. A Sociedade Portuguesa de Investigação em Educação Matemática, em sede de discussão pública das metas, em Julho passado, denunciou a incoerência que representavam, face ao programa vigente. João Pedro da Ponte, um dos autores do programa, considera que as metas estabelecidas para a disciplina configuram um recuo de décadas. No juízo que formulou é acompanhado pela presidente da Associação dos Professores de Matemática, organização que, em Março, ameaçou interpor nos tribunais uma acção para impedir a aplicação das metas, por conflituarem com o programa. O ministro parece ter actuado com impulso vingativo. Invocam conflito entre metas e programa? Corrigem-se as metas? Não! Muda-se o programa! 

Borda fora, irresponsavelmente, vão milhares de horas de formação de professores e o envolvimento de anos de um enorme conjunto de instituições. Borda fora, levianamente, vai o financiamento de uma acção que deu resultados, internacionalmente reconhecidos. Borda fora irão os manuais escolares, há pouco aprovados. E alunos e professores aguentarão mais um experimentalismo, pedagogicamente criminoso, decidido por um rematado incompetente. 


2. Correm rios de tinta sobre o concurso de professores. Não repetirei o que é público, o que os directores mais corajosos já denunciaram e o que os mais informados já escreveram. Não há concurso nacional de professores. Há uma coreografia sinistra, uma espécie de dança macabra de lugares, para preparar um despedimento de mais 12.000 docentes. É isso que está em causa. Não as reais necessidades das escolas, muito menos as do país vindouro. As estatísticas disponíveis (DGEEC/MEC, PORDATA), permitem concluir que tínhamos no sistema público de ensino não superior, em 2000, 1.588.177 alunos para 146.040 professores. Em 2011 (últimos dados disponíveis), passámos a ter 1.528.197 alunos para 140.684 professores. Ou seja, o sistema perdeu 59.980 alunos e 5.356 professores, mantendo-se a relação professor/alunos. Não há dados publicados referidos ao momento presente. Mas sabemos que a alteração da escolaridade obrigatória terá considerável impacto na necessidade de professores, sendo certo que a invocada diminuição da natalidade não é expressiva entre 2011 e 2013. E o que aconteceu ao número de professores? Considerando os contratados e os que saíram do sistema, teremos, hoje, cerca de 111.600. Em dois anos, perdemos 29.084 professores. Diminuição da natalidade? Sejam honestos: exclusiva preocupação com a redução de custos, sem nenhuma sensibilidade para o futuro. Porque temos 3.500.000 portugueses com mais de 15 anos, que não têm qualquer diploma ou apenas concluíram o ensino básico. Porque temos 1.500.000 portugueses, entre os 25 e os 44 anos, que não concluíram o ensino secundário. Porque, apesar dos progressos, persiste uma Taxa de Abandono Precoce de 27,1%, a maior da Europa. Porque estamos de regresso ao passado.

23/04/13

hands off, troika!


publicado aqui em 20/04/2013
Esta semana os deputados europeus da esquerda manifestaram-se contra a troika. A revolta contra a austeridade já chegou ao Parlamento Europeu. Esta foto está a correr a Europa toda, mas alguém a viu na imprensa portuguesa ?

"Portugal suicidado"

tirando a guerra colonial, o retrato - desenhado magistralmente pela voz do saudoso Ary dos Santos - é um passado revisitado ..
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Zeca Afonso, mandato de captura pela PIDE

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no tempo do Estado Novo .. 3 anos antes da revolução de 25 de Abril de 1974 :



A dívida e o crescimento

Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff argumentaram que os países mais endividados têm menor crescimento. Ora, o artigo que escreveram está errado. Um artigo crítico demonstra como o crescimento (e a dívida) variam intensamente com o ciclo económico. 

Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff, ela académica e ele ex-quadro de topo do FMI, publicaram um livro influente sobre a dívida ao longo da história (“This Time is Different”, já foi traduzido em português). Já citei esse livro quanto à sua demonstração de que quase todos os países desenvolvidos já renegociaram e reestruturaram unilateralmente as suas dívidas, quando precisaram de o fazer.
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Mas o que agora está sob grande atenção pública nos Estados Unidos é outro argumento: o de que os países mais endividados têm menor crescimento, que resumiram num artigo com grande impacto, "Growth in a Time of Debt". Os republicanos têm citado esse artigo para fundamentarem a sua proposta de proibição de acréscimos da dívida pública.
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Ora, o artigo está errado. A sua base de dados foi mal concebida, a folha Excel em que fizeram os seus cálculos foi mal programada, a estatística é defeituosa e as conclusões não são verdadeiras. Michael Ash, o diretor do departamento de economia da Universidade de Amherst em Massachussets, com dois colegas, publicou uma crítica devastadora sobre o trabalho de Reinhart e Rogoff: http://www.peri.umass.edu/236/hash/31e2ff374b6377b2ddec04deaa6388b1/publication/566/
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O que esta crítica demonstra é que os países estudados e com mais de 90% de rácio de dívida/PIB não tiveram, entre 1946 e 2009, um crescimento médio de -0.1% (como tinham calculado Reinhart e Rogoff) mas sim de 2.2%. Esse crescimento foi menor do que o dos países sem dívida significativa (que atingiu 4.2%): foi cerca de metade. Mas houve crescimento e, portanto, a dívida alta pode não estar relacionada com o colapso da economia: simplesmente, depende de como é paga, do juro, do financiamento futuro e das decisões económicas e políticas. Para mais, há diversas razões para as diferenças entre as taxas de crescimento e podem ser o inverso do que sugerem Reinhart e Rogoff: o crescimento baixo alimenta a dívida, porque pequena receita fiscal cria défice. Ou a sangria provocada pela perda de recursos públicos para o pagamento da dívida, despesa que pode não ter efeito na economia nacional, acentua as dificuldades e as recessões.
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Por outro lado, este artigo crítico demonstra como o crescimento (e a dívida) variam intensamente com o ciclo económico: de 1946 para cá houve um período de grande crescimento e vários períodos de recessão intensa e de desaceleração. E reforça portanto o argumento contra a austeridade, que está a criar a recessão de 2013.

22/04/13


  

se Portugal tivesse mar..


por JOÃO QUADROS . NEGÓCIOS ONLINE

"Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) demonstram que o Pingo Doce (da Jerónimo Martins) e o Modelo Continente (do grupo Sonae) estão entre os maiores importadores portugueses."

Porque é que estes dados não me causam admiração? Talvez porque, esta semana, tive a oportunidade de verificar que a zona de frescos dos supermercados parece uns jogos sem fronteiras de pescado e marisco.
Uma ONU do ultra-congelado. Eu explico.
Por alto, vi: camarão do Equador, burrié da Irlanda, perca egípcia, sapateira de Madagáscar, polvo marroquino, berbigão das Fidji, abrótea do Haiti?

Uma pessoa chega a sentir vergonha por haver marisco mais viajado que nós. Eu não tenho vontade de comer uma abrótea que veio do Haiti ou um berbigão que veio das exóticas Fidji. Para mim, tudo o que fica a mais de 2.000 quilómetros de casa é exótico. Eu sou curioso, tenho vontade de falar com o berbigão, tenho curiosidade de saber como é que é o país dele, se a água é quente, se tem irmãs, etc.

Vamos lá ver. Uma pessoa vai ao supermercado comprar duas cabeças de pescada, não tem de sentir que não conhece o mundo. Não é saudável ter inveja de uma gamba. Uma dona de casa vai fazer compras e fica a chorar junto do linguado de Cuba, porque se lembra que foi tão feliz na lua-de-mel em Havana e agora já nem a Badajoz vai. Não se faz. E é desagradável constatar que o tamboril (da Escócia) fez mais quilómetros para ali chegar que os que vamos fazer durante todo o ano.

Há quem acabe por levar peixe-espada do Quénia só para ter alguém interessante e viajado lá em casa. Eu vi perca egípcia em Telheiras. Fica estranho. Perca egípcia soa a Hercule Poirot e Morte no Nilo. A minha mãe olha para uma perca egípcia e esquece que está num supermercado e imagina-se no Museu do Cairo e esquece-se das compras. Fica ali a sonhar, no gelo, capaz de se constipar.

Deixei para o fim o polvo marroquino. É complicado pedir polvo marroquino, assim às claras. Eu não consigo perguntar: "tem polvo marroquino?", sem olhar à volta a ver se vem lá polícia. "Queria quinhentos de polvo marroquino" - tem de ser dito em voz mais baixa e rouca. Acabei por optar por robalo de Chernobyl para o almoço. Não há nada como umas coxinhas de robalo de Chernobyl.

Eu, às vezes penso:
O que não poupávamos se Portugal tivesse mar.

(TEXTO ESCRITO EM COMPLETO DESACORDO ORTOGRÁFICO)
POESIA III


Hoje acordei na dispersão cinzenta
dum dia decepado...Com o corpo dividido,
as imagens sem olhos,
os gestos a fugirem-me dos dedos
- e a sombra esquecida no quarto ao lado.


Desatado de mim,
andei todo o dia assim
com os passos nas nuvens,
os pés na terra,
as mãos a estrangularem o nevoeiro,
e os olhos... Ah! os meus olhos onde estão?


(Só há momentos me encontrei por inteiro
num charco a evaporar-se do chão...)


JOSE GOMES FERREIRA

comemorar o 39º aniversário do 25 de Abril

ESCLARECIMENTO

O Conselho Executivo da Escola Secundária Vitorino Nemésio vem, por esta forma, esclarecer a comunidade escolar, órgãos de comunicação social e a quem possa interessar, que a ordem de serviço em que se determinava o fim das turmas mistas e a separação por sexos no espaço escolar foi, desde o início, forjada para obter exactamente o efeito que se pretendia para comemorar o 39º aniversário do 25 de Abril: uma indignação o mais generalizada possível. 

Uma medida que seria inconstitucional e ilegal, para além de o órgão executivo da escola nem ter competência para a implementar, revoltou alunos, professores, funcionários, pais e encarregados de educação . Os alunos indignaram-se nas salas de aula, povoaram corredores com desejos de manifestação imediata. A Associação de Estudantes reuniu a fim de tomar posição. Os jovens abriram uma página no facebook para promover um evento de contestação à medida, havendo comentários do género “nunca vi um evento juntar tanta gente”. Os pais mobilizaram-se, alertaram órgãos de comunicação social e membros do governo. E tudo isto perante uma decisão que seria IMPOSSÍVEL DE IMPLEMENTAR nos nossos dias, em que vivemos em democracia e liberdade. 

Repare-se estar em causa uma medida que vigorava há apenas 39 anos. Mas não passa pela cabeça de ninguém que pudesse haver qualquer retrocesso no caminho da igualdade entre os cidadãos deste País. Ninguém pode ser discriminado em função do sexo, assim dispõe a Constituição. Mas se é assim, é-o apenas porque muitos lutaram para assim ser. A única forma de lutarmos pelos nossos direitos é termos a consciência de que houve um tempo em que não os tínhamos . E termos como certo que, se não os defendermos, poderemos perdê-los. 

Não se tratou, assim, de uma brincadeira. Tratou-se, sim, de uma coisa muita séria : comemorar o Dia da Liberdade, que se aproxima, não de uma forma morna, de calendário, mais um feriado, mas sim de forma activa, empenhada, de consciência. Aliás, no dia 24 de Abril, haverá um recital de poesia no Auditório da Escola, em que alunos e professores dirão poemas alusivos à Liberdade. 

O Conselho Executivo congratula - se por toda a indignação que a sua “medida” originou. O que se pretendia foi atingido. Desejamos todos que qualquer atentado aos nossos direitos fundamentais tenha, por parte dos atingidos, este tipo de reacção. Porque a Liberdade não é uma palavra. É um compromisso de presente, visando o futuro. Que nos indignemos perante os direitos que podemos perder. Que nos indignemos pelos direitos que já perdemos nos últimos 39 anos, e que todos julgávamos adquiridos para sempre. E não deixa de ser irónico que se tenham revoltado tanto perante DIREITOS IMPOSSÍVEIS DE PERDER tantos cidadãos que aceitaram sem grande indignação A PERDA DE DIREITOS QUE EFECTIVAMENTE JÁ NÃO TÊM , embora os julgassem adquiridos. 

Viva a Liberdade.
fonte

18/04/13

.. uns caloteiros, estes alemães! - dívidas da 1ª guerra

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in Expresso.Sapo

Alemanha deve 2,3 mil milhões de euros a Portugal 
por indemnizações da I Guerra 

por Paulo Gaião
Sexta, 12 de Abril de 2013 
img. daqui


Não é só a Grécia que tem dinheiro a receber da Alemanha por indemnizações da II Guerra Mundial. 

Portugal também é credor da Alemanha por compensações financeiras da I Guerra. 

O historiador Filipe Ribeiro de Meneses recorda que o Tratado de Versalhes fixou em cerca de mil milhões de marcos-ouro o valor a pagar pela Alemanha a Portugal. Porém, "pouco deste dinheiro entrou nos cofres do Estado devido às sucessivas revisões da dívida alemã" adianta o historiador. 

Este valor de mil milhões de marcos-ouro corresponderá hoje a cerca de 2,3 mil milhões de euros, o equivalente a 1,8 do PIB português (números apurados pelo jornalista do Expresso João Silvestre). 

Dava para cobrir o valor do chumbo do Tribunal Constitucional às normas constitucionais do OE 2013 e ainda sobravam mil milhões de euros. 

Filipe Ribeiro de Meneses relembra que as pretensões de Afonso Costa, representante português em Versalhes, em relação à Alemanha eram de 8 mil e 500 milhões de marcos-ouro, oito vezes mais que o valor obtido, "pois a guerra tinha causado - alegadamente - a morte de 273.547 portugueses da metrópole e colónias, uma cifra que os Aliados rejeitaram por completo". 

Afonso Costa ainda recorreu à arbitragem internacional mas a Alemanha acabou por ganhar a batalha legal.

Parece evidente que Portugal apresentou números de vítimas de guerra totalmente fantasiosos (terão morrido na I Guerra Mundial entre 10 mil e 15 mil portugueses) mas os valores monetários apurados no Tratado de Versalhes também deverão estar áquem do que Portugal teria direito mas que como país pouco influente não teve peso para impor. 

Portugal recebeu apenas 0,75 do total das compensações financeiras a serem pagas pela Alemanha, segundo refere Ribeiro de Meneses. Mais um factor que a Alemanha terá que ponderar quando chegar a altura de o nosso país renegociar o actual pacote de resgate financeiro. [terá / teria / mas não vai!, digo eu..]

a Europa em 1914 (antes da guerra)
 A primeira Grande Guerra: 1914 - 1918

Para quem queira saber da 1ª Guerra Mundial (e devíamos, todos..), aqui ficam as ligações para dez capítulos de um documentário com a garantida qualidade da BBC.
Até agora, vi todo o primeiro 'capítulo' e partes do último. 
As minhas notas: 
  • quem começa a guerra é a Áustria-Hungria (assim lhe chamam) em retaliação pelo assassinato do herdeiro do império (ironicamente um acérrimo defensor da paz nos Balcãs) . 
  • A Áustria-Hungria pede apoio à Alemanha, prevenindo um ataque da Rússia, principal aliada da Sérvia (o país a que a Áustria-Hungria declara guerra), mas também da França. 
  • No 10º capítulo já não se fala da "Áustria-Hungria". É a Alemanha que, no fim, aparece como a grande responsável pala Primeira Grande Guerra: não vi ainda o que mudou entretanto para alterar protagonismos.. [da Wikipedia: Desastrosa durante grande parte da guerra, a participação italiana acabou sendo importante, na medida em que o país derrotou e forçou o Império Austro-Húngaro à capitulação na batalha de Vittorio Veneto, causando a desagregação do mesmo. A capitulação da Áustria-Hungria foi um duro golpe na Alemanha, que passaria a lutar sozinha - fonte]
  • É aqui (10º e última parte) que se fala de compensações a pagar aos 'Aliados', condições de rendição tão duras para a Alemanha, que explicariam o germinar do nacional-socialismo, que viria a dar origem à 2ª guerra mundial, isto depois de quase 20 anos de uma república democrática (a República de Weimar, instituída depois de o kaiser se exilar na Holanda)
  • O armistício é assinado em 11 de Novembro, 1918. 
  • A população alemã festejou nas ruas o armistício e celebrou o derrube do seu kaiser. O próprio exército se virou contra ele e recusou investir sobre os manifestantes revolucionários que exigiam o fim da guerra, corria o ano de 1918. 

a Europa em 1919 (depois da guerra)
Bem interessante! A bem dizer, um documentário a não perder por inteiro! São 10 capítulos legendados em português-brasileiro, cada um durando cerca de 50 minutos.
do youtube:
«Excelente série de documentários da TV Inglesa BBC sobre o Primeiro Grande Conflito Mundial, que ocorreu entre os anos de 1914-1918. Diferentemente dos documentários produzidos até hoje, que sempre retrataram a Primeira Guerra Mundial sob a óptica norte-americana, este retrata diferentes visões do conflito, mostrando a guerra na Rússia, na Arábia, em África, entre outros países. A Primeira Guerra Mundial não se ateve somente aos seus 4 anos cronológicos, teve conseqüências muito graves para além dos milhares de mortes que causou. A pior dessas conseqüências foi a preparação para o maior conflito armado que a humanidade já viveu.»

1ª parte: 
2ª parte: 
3ª parte: 
4ª parte (onde, nos países do império Otomano, se fala já em Jihad!): 
5ª parte: 
6ª parte: 
7ª parte: 
resumo aqui
8ª parte (onde se fala em revoluções no interior dos países envolvidos na guerra- e da vontade de lhe pôr fim; os revolucionários dos respectivos países passaram a ser encarados como "o inimigo número um", mais ainda que os países do 'outro lado' *)- 1917: as tropas russas param de lutar 
9ª parte: a última jogada da Alemanha (basicamente p/ dar cabo dos ingleses) 
10ª parte: 

* tal como, de resto, viria a acontecer na 2ª Guerra Mundial: a enorme desconfiança em relação à aliada União Soviética culminando na prova de força "indispensável" que constituiu o lançamento das duas bombas atómicas no Japão (a de Nagasaki apenas 3 dias depois da  terrível, chocante devastação de Hiroxima!) - um acto terrorista de que os EUA não se retrataram nunca!

1ª Grande Guerra em espanhol, com boas fotos:
nas trincheiras, c/ máscaras anti-gás
http://html.rincondelvago.com/primera-guerra-mundial_33.html
Confederação Germânica
Áustria-Hungria 
Império Russo
Império Otomano
Sérvia
cronologia da 1ª Guerra Mundial

No Congresso de Viena de 1815 (que estabeleceu o Concerto da Europa como uma tentativa de conservar a paz depois dos anos das Guerras Napoleónicas), estiveram presentes as 'grandes potências' europeias da época: Reino Unido, Áustria, Prússia, França, e Rússia -- fonte

Os objectivos que levaram os responsáveis políticos portugueses a entrar na guerra saíram gorados na sua totalidade. A unidade nacional não seria conseguida por este meio e a instabilidade política acentuar-se-ia até à queda do regime democrático em 1926. -- fonte
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17/04/13

Assembleia Popular no 25 de Abril

daqui:
https://www.facebook.com/events/564410356913869/?notif_t=plan_user_invited 

«Aproxima-se o 25 de Abril e a realização da Assembleia Popular que se deseja aconteça nesse dia no Largo do Carmo pelas 18H30
Nesse sentido uma vez mais se convidam todos os cidadãos, grupos e movimentos sociais a se juntarem para acertar os detalhes daquilo que queremos seja uma Assembleia, livre e participada e onde todos possam manifestar as suas opiniões e apresentar as suas propostas e alternativas. A tua presença é importante. Aparece e colabora. Todos nunca seremos demais. »
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...
Assembleia Popular 25 de Abril

eu quero um Mujica aqui!

img. daqui

Protesto-relâmpago no Ritz contra a troika

O grupo Que se Lixe a Troika convocou uma "ação-relâmpago" para o fim da tarde de ontem em frente ao hotel de luxo onde estão hospedados os emissários da troika.

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16/04/13

Clarice Lispector

Oportunidade para lembrar esta escritora fantástica, numa altura em que a Gulbenkian lhe rende também homenagem com uma exposição: CLARICE LISPECTOR, "A Hora da Estrela" (3ª-dom, das 10h às 18h | de 5 Abr a 23 Jun) ..

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«Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro. »
«Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa, ou forte como uma ventania, depende de quando, e como, você me vê passar!».
«Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma para sempre...» 
«Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro...»
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1920: Nasce Clarice Lispector, no dia 10 de dezembro [.. como uma que eu cá sei ..] de 1920, em Tchechelnik, uma aldeia da Ucrânia, terra de seus pais, Pedro e Marieta Lispector. - 1921: Em fevereiro, com apenas dois meses, chega a Maceió, Alagoas, com seus pais e suas duas irmãs, Elisa e Tânia. E o português do Brasil será a língua materna da menina Clarice.
(biografia: vidas lusófonas e releituras)

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CLARICE LISPECTOR (10/12/1920 - 9/12/1977) continua sendo algo estranho e fascinante na literatura brasileira. Dotada de especial sensibilidade, sua preocupação maior nunca esteve no enredo, no linear das coisas. Exigiu, ao contrário, que o leitor se entregasse em meditação à aventura de ler, se quisesse desfrutar da profundidade dos conceitos que se multiplicavam.

Alguém chegou mesmo à ousadia de dizer que CL era uma grande escritora à procura de um tema  ( ... )




Clarice Lispector: uma cosmovisão
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AQUI e AGORA
Estou tentando captar a quarta dimensão do instante-já. Meu tema é o instante? Meu tema de vida. Procuro estar a par dele, divido-me milhares de vezes, em tantas vezes quanto os instantes que decorrem, fragmentária que sou e precários os momentos – só me comprometo com a vida que nasça com o tempo e com ele cresça: só no tempo há espaço para mim.
Domingo é o dia dos ecos – quentes, secos, e em toda a parte zumbidos de abelhas e vespas, gritos de pássaros e o longínquo das marteladas compassadas – de onde vêm os ecos de domingo? Eu que detesto domingo por ser oco.
Nada existe de mais difícil do que entregar-se ao instante. Esta dificuldade é dor humana. É nossa. Eu me entrego em palavras e me entrego quando pinto.

ASPIRAÇÃO – I
Quero apossar-me do é da coisa.
Quero possuir os átomos do tempo.
Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada.
Mas bem sei o que quero aqui: quero o inconcluso. Quero a profunda desordem que no entanto dá a pressentir uma ordem subjacente.
Um dia eu disse infantilmente: eu posso tudo. Era a antevisão de poder um dia me largar e cair num abandono de qualquer lei. Elástica.


EROS
Só no ato do amor – pela límpida abstração de estrela do que se sente – capta-se a incógnita do instante que é duramente cristalina e vibrante no ar e a vida é esse instante incontável, maior que o acontecimento em si.
No amor o instante de impessoal jóia refulge no ar, glória estranha de corpo, matéria sensibilizada pelo arrepio de instantes.
Escuta: eu te deixo ser, deixa-me ser então.
O anel que tu me deste era de vidro e se quebrou e o amor acabou. Mas às vezes em seu lugar vem o belo ódio dos que se amaram e se entredevoraram.
Olha para mim e me ama. Não: tu olhas para ti e te amas. É o que está certo.

VERBUM – I
A palavra é a minha quarta dimensão.
O que pintei nessa tela é passível de ser fraseado em palavras? Tanto quanto possa ser implícita a palavra muda no som musical.
E eis que percebo que quero para mim o substrato vibrante da palavra repetida em canto gregoriano.
Minhas desequilibradas palavras são o luxo do meu silêncio.
O que te falo nunca é o que te falo e sim outra coisa. 
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compilado por Márcio José Lauria

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Clarice ...  por ...  Clarisse:
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Temperamento impulsivo
“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade. Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”

Lúcida em excesso
“Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior do que eu mesma, e não me alcanço. Além do quê: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano — já me aconteceu antes. Pois sei que — em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade — essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém.”.
C.L. pintada por Giorgio de Chirico

Ideal de vida
“Um nome para o que eu sou, importa muito pouco. Importa o que eu gostaria de ser. O que eu gostaria de ser era uma lutadora. Quero dizer, uma pessoa que luta pelo bem dos outros. Isso desde pequena eu quis. Por que foi o destino me levando a escrever o que já escrevi, em vez de também desenvolver em mim a qualidade de lutadora que eu tinha? Em pequena, minha família por brincadeira chamava-me de ‘a protetora dos animais’. Porque bastava acusarem uma pessoa para eu imediatamente defendê-la. [...] No entanto, o que terminei sendo, e tão cedo? Terminei sendo uma pessoa que procura o que profundamente se sente e usa a palavra que o exprima. É pouco, é muito pouco.”
ler mais:

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Não entendo
Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender.
Entender é sempre limitado.
Mas não entender pode não ter fronteiras.
Sinto que sou muito mais completa quando não entendo.
Não entender, do modo como falo, é um dom.
Não entender, mas não como um simples de espírito.
O bom é ser inteligente e não entender.
É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida.
É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice.
Só que de vez em quando vem a inquietação:
quero entender um pouco.
Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.

Clarice Lispector
(1920-1977)

retirado daqui
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Perdoando Deus

“ Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria – e não o que é. É porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele.”- CL
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Em 1° de fevereiro de 1977, Clarice comparece aos estúdios da TV Cultura, canal 2, em São Paulo, para um debate e acaba concedendo entrevista ao jornalista Júlio Lerner para o programa Panorama Especial. No entanto, pede ao entrevistador que a entrevista só vá ao ar após a sua morte. Este se tornaria o único registro audiovisual da autora, que aí se mostra reservada, imprevisível e extremamente angustiada. O pedido foi atendido e a TV Cultura só exibiu a entrevista no dia 28 de dezembro, 19 dias após a sua morte.
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No total são 5 vídeos que emocionam os fãs de Clarice Lispector.
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Parte 1 - http://www.youtube.com/watch?v=9ad7b6kqyok
Parte 2 - http://www.youtube.com/watch?v=TvLrJMGlnF4
Parte 3 - http://www.youtube.com/watch?v=2Orgxd9bD_c
Parte 4 - http://www.youtube.com/watch?v=ptCJzf20rbY
Parte 5 - http://www.youtube.com/watch?v=TbZriv5THpA
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- Clarice Lispector por Aracy Balabanian (ouvir!)
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13/04/13

a amiga de Pinochet .. e de Cavaco Silva

É, convém não esquecer também a lusa 'liaison' .. MT, uma das directamente interessadas na construção/localização da ponte Vasco da Gama (engendrada para retirar trânsito à 25 de Abril, lembram-se?) , no tempo em que o agora presidente da república era primeiro ministro ..

recebido via e-mail: 

in TRAÇO GROSSO
tracogrosso.blogspot.pt

por Alfredo Barroso
10 de Abril de 2013

Na morte de Thatcher, amiga de Pinochet 

MORREU Margaret Thatcher, uma das principais responsáveis pela contra-revolução neoliberal que há mais de 30 anos vem devastando os regimes democráticos ocidentais, distorcendo a economia, tornando as sociedades democráticas cada vez mais desiguais, destruindo a coesão social, impondo o «casino da especulação monetária» e a ditadura dos mercados financeiros globais que hoje mandam em nós. 

Morreu, além disso, a amiga de Pinochet, um dos ditadores mais sanguinários e corruptos da América Latina, que permitiu que o Chile se tornasse banco de ensaio das políticas ultraliberais preconizadas pela famigerada «escola de Chicago» e levadas a cabo pelos «Chicago boys», apadrinhados por Milton Friedman e Friederich von Hayek, figuras tutelares do pensamento de Margaret Thatcher, além da mercearia do pai. 

Não faço esta acusação de ânimo leve. São factos conhecidos, designadamente a sua acendrada admiração por Augusto Pinochet, como se projectasse nele aquilo que ela desejaria impor, mas nunca poderia conseguir, na velha democracia inglesa. Há muitas fotos em que aparecem ambos sorridentes, lado a lado, quer quando o ditador estava no poder, quer quando o detiveram em Londres na sequência do pedido de extradição efectuado pelo juiz espanhol Baltazar Garzon, que o acusou de ser responsável, durante a ditadura, pelo assassínio e desaparecimento de vários cidadãos espanhóis. 

Esta mulher a quem chamaram «dama de ferro», como poderiam ter chamado «de zinco» ou «de chumbo», nutria um profundo desprezo pelos grandes intelectuais ingleses do seu tempo, designadamente Aldous Huxley, John Maynard Keynes, Bertrand Russell, Virgínia Woolf e T. S. Eliot, conhecidos como o «círculo de Bloomsbury» (do nome do famoso bairro londrino de editores e livreiros e de boémia intelectual). A frustração dela perante o talento e a inteligência que irradiavam deles, e que ela não conseguia captar, levaram-na a considerá-los «intelectuais estouvados, que conduziram o Reino (Unido) pelos caminhos nada recomendáveis da segunda metade do século XX». Ao diabo as «literatices» da «clique de Bloomsbury», dizia ela. «O meu Bloomsbury foi Grantham» (onde o pai tinha a famosa mercearia) (…) Para compreender a economia de mercado, não há melhor escola do que a mercearia da esquina». Deve ser por isso que as mercearias estão a falir… 

Thatcher considerava «a distância entre ricos e pobres perfeitamente legítima» e proclamava «as virtudes da desigualdade social» como motor da economia. A verdade dos números é, no entanto, bastante diferente. Como salienta John Gray, um dos mais importantes pensadores contemporâneos, na Grã-Bretanha da chamada «dama de ferro» os níveis dos impostos e das despesas públicas eram tão ou mais altos, ao fim de 18 anos de governos conservadores, do que quando os trabalhistas deixaram o poder, em 1979. Ao mesmo tempo, nos EUA de Ronald Reagan, co-autor da «contra-revolução neoliberal», o mercado livre e desregulado destruiu a civilização de capitalismo liberal baseada no New Deal de Roosevelt, em que assentou a prosperidade do pós-guerra. 

Convém dizer que John Gray, autor de vários livros editados em português, entre os quais Falso Amanhecer (False Dawn), chegou a ser uma das figuras dominantes do pensamento da chamada «Nova Direita», que teve uma grande influência nas políticas que Thatcher pôs em prática. Mas ficou desiludido e alarmado com as terríveis consequências dessas políticas e tornou-se um dos críticos mais lúcidos e implacáveis dos «mercados livres globais», cuja desregulação tem causado os efeitos mais perversos nas sociedades contemporâneas, provocando a desintegração social e o colapso de muitas economias. O capitalismo global parece funcionar, segundo Gray, de acordo com as regras da selecção natural, destruindo e eliminando os que não conseguem adaptar-se e recompensando, quase sempre de maneira desproporcionada, os que se adaptam com sucesso. Estas são, logicamente, as inevitáveis consequências do pensamento de Thatcher, ao pôr em prática «as virtudes da desigualdade social» como motor da economia. 

A pesada herança de Margaret Thatcher, tal como a de Ronald Reagan - adoptadas não apenas pela direita ultraliberal, mas também por uma certa esquerda neoliberal (Tony Blair, Gerhard Schröder e alguns discípulos da Europa do Sul, designadamente lusitanos) - é esta crise brutal em que a UE e os EUA estão mergulhados há já cinco anos. E o mais terrível é que é o pensamento dos principais responsáveis por esta crise que continua e prevalecer na maioria dos governos que prometem acabar com a crise através da austeridade, do empobrecimento dos cidadãos e do confisco dos seus direitos sociais. Thattcher foi um ser maléfico e não deixa saudades. 

Lisboa, 8 de Abril de 2013 
AFIXADO POR ALFREDO BARROSO QUARTA-FEIRA, ABRIL 10, 2013

12/04/13

reformados - melhor matá-los, não?

filhos de todas as putas e mais uma! (sem desculpas pela linguagem nem ofensa p'ras ditas!)

Governo quer reformados a pagar pelas suas reformas 

RTP 12 Abr, 2013, 08:15 

O Governo quer impor uma espécie de taxa social única aos pensionistas, uma forma de os reformados contribuírem para a sua própria reforma. A notícia faz a manchete da edição de hoje do Jornal de Negócios e levantará certamente alguma polémica nos próximos dias. 

de Marcel Duchamp
Segundo o jornal, a proposta que está a ser estudada pelo Governo passa pela criação "de uma contribuição permanente para a Segurança Social e a Caixa Geral de Aposentações (CGA), o que faria com que, na prática, passasse a haver três tipos de agentes a financiar o sistema: trabalhadores, empresas e os próprios beneficiários, os reformados". 

O Jornal de Negócios faz contas a uma eventual taxa de 5 por cento sobre todas as reformas da CGA e da Segurança Social e chega à conclusão que uma medida desse tipo teria um potencial de receita de 950 milhões de euros. O Governo, diz o jornal, está a pensar que esta medida será para vigorar a partir de 2014, em substituição da contribuição extraordinária de solidariedade que o Tribunal Constitucional autorizou em regime temporário e de exceção. 

Segundo alguns constitucionalistas ouvidos pelo Negócios, que não são citados na notícia, não será possível ao Governo cortar nas pensões e salários, mas o facto de o Tribunal Constitucional (TC) ter aceite uma taxa transitória que é, no fundo, uma contribuição dos próprios reformados para a Segurança Social. "O facto de o sistema previdencial assentar em quotizações de trabalhadotres e contribuições das empresas, não obsta a que possa recorrer a outras fontes de financiamento", diz o acórdão do TC. 

«A madrasta-Gaspar»

retirado do facebook
publicado por Amadeu Homem 
11 de Abril de 2013

EMBRULHAR O GASPAR

Na historieta da "Gata Borralheira" , aparecia uma madrasta, resmungona e de maus fígados, que desejava a todo o custo que o sapato que essa Cinderela tinha perdido no baile, depois de bailar com o príncipe, servisse no sapato de uma das filhas, durázias e feias, mas desejosas de vir a ser princesas. O Gaspar das Finanças acaba de ocupar o lugar da madrasta malévola. Ele gostaria de ter um idílio com os juízes do Tribunal Constitucional. Mas estes, com a Constituição à cintura, disseram ao Gaspar que ele não tinha o porte suficiente para valsar. Fartava-se de pisar os calos aos concidadãos, fazendo-o inconstitucionalmente, ou seja, de forma ilegal. A madrasta-Gaspar agarrou no sapato do orçamento e fez esforços inauditos para nos convencer a todos, nós que somos seus filhos e filhas - porque pagamos a factura - , que o sapato do OE era justo e adequado. Como o Tribunal Constitucional desenganou Gaspar, este tratou de se vingar, que é o caminho sempre seguido pelos infinitamente pequenos. E vai daí, este Gigante das Finanças, este Ciclope dos gráficos, disse para os seus botões : "Ah, escumalha, vocês vão já ver como elas vos mordem". E ejaculou um despacho que dá bem a dimensão liliputiana do seu gigantismo... Nos termos dele, todos os serviços oficiais precisarão de pedir uma autorização prévia para adquirirem bens essenciais, desde as hortaliças para se fazerem as sopas dos estudantes, até ao papel higiénico , com o qual todos os juízes ( e não só) limpam o respeitável traseiro. 

E foi assim que todos nos vemos, depois do baile oferecido a Gaspar e demais tropa fandanga governamental pelos juízes constitucionais, sem alfaces, sem pepinos e sem papel higiénico onde possamos ... embrulhar o Gaspar. 

O Gaspar bolsou um despacho vingativo. Ora bem : é imperioso que nós nos vinguemos do Gaspar ( e dos outros ) embrulhando-o. Embrulhando-os de vez.

fonte

11/04/13

Veja as diferenças! Grande Mujica !!!

ou .. lá como cá ..
ou .. Mujica muitos mil, Cavaco+Coelho zero .. 

O post estava no facebook, na pg "Juventude Sustentável"
 
O português (brasileiro) do texto não é grande coisa, mas a informação compensa largamente. 
Um presidente que me honraria ter!

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« Conhecido como "Pepe" Mujica, é Presidente do Uruguai, recebe 12.500 dólares mensais por seu trabalho à frente do país, mas doa 90% de seu salário, ou seja, vive com 1.250 dólares ou 2.538 reais ou ainda 25.824 pesos uruguaios. 

O restante do dinheiro é distribuído entre pequenas empresas e ONGs que trabalham com habitação. -“Este dinheiro me basta, e tem que bastar porque há outros uruguaios que vivem com menos”, diz o presidente. 

Aos 77 anos, Mujica vive de forma simples, usando as mesmas roupas e desfrutando a companhia dos mesmos amigos de antes de chegar ao poder. Além de sua casa, seu único patrimônio é um velho Volkswagen avaliado em pouco mais de mil dólares. Como transporte oficial, usa apenas um Chevrolet Corsa. Sua esposa, a senadora Lucía Topolansky também doa a maior parte de seus rendimentos. 

Poucos quilômetros fora da capital Montevidéu, já saindo do asfalto. Na curva, se avista um campo de acelga. Mais à frente, um carro da polícia e dois guardinhas: o único sinal de que alguém importante vive na região. O morador ilustre é José Alberto Mujica Cordano, conhecido como Pepe Mujica, presidente do Uruguai. 

Perguntado sobre quem é esse Pepe Mujica, ele responde: “Um velho lutador social, da década de 50, pelo menos, com muitas derrotas nas costas, que queria consertar o mundo e que, com o passar dos anos, ficou mais humilde, e agora tenta consertar um pouquinho alguma coisa”

Ainda jovem, Mujica se envolveu no MLN - Movimento de Libertação Nacional - e ajudou a organizar os tupamaros, grupo guerrilheiro que lutou contra a ditadura. Foi preso pela ditadura militar e torturado. “Primeiro, eu ficava feliz se me davam um colchão. Depois, vivi muito tempo em uma salinha estreita, e aprendi a caminhar por ela de ponta a ponta”, lembra o presidente uruguaio.

No bairro Prado, a paisagem é de casarões antigos, da velha aristocracia uruguaia. É onde está a residência Suarez y Reyes, destinada aos presidentes da República. Esse deveria ser o endereço de Pepe Mujica, mas ele nunca passou sequer uma noite no local. O palácio de arquitetura francesa, de 1908, só é usado em reuniões de trabalho. Mujica tem horror ao cerimonial e aos privilégios do cargo. Acha que presidente não tem que ter mais que os outros. “A casinha de teto de zinco é suficiente”, diz ele. -“Que tipo de intimidade eu teria em casa, com três ou quatro empregadas que andam por aí o tempo todo? Você acha que isso é vida?”, questiona Mujica. 

A vida simples não é mera figuração ou tentativa de construir uma imagem, seguindo orientações de um marqueteiro. Não, ela faz parte da própria formação de Mujica. No dia 24 de maio de 2012, por ordem de Mujica, uma moradora de rua e seu filho foram instalados na residência presidencial, que ele não ocupa por seguir morando no sítio. Ela só saiu de lá quando surgiu vaga em uma instituição. 

Neste início de inverno, a casa e o Palácio Suarez y Reyes, onde só acontecem reuniões de governo, foram disponibilizadas por Mujica para servir de abrigo a quem não tem um teto

Em julho de 2011, decidiu vender a residência de veraneio do governo, em Punta del Este, por 2,7 milhões de dólares. O banco estatal República comprou e transformará a casa em local de escritórios e espaço cultural. Quando ao dinheiro, será inteiramente investido – por ordem de Mujica, claro – na construção de moradias populares, além de financiar uma escola agrária na própria região do balneário

  • O Uruguai ocupa o 36ª posição do ranking de EDUCAÇÃO da Unesco, enquanto o Brasil ocupa a 88ª posição. 
  • Já no ranking de DESENVOLVIMENTO HUMANO, o Uruguai ocupa o 48º lugar, o Brasil o 84º. 

Enquanto isso, no Brasil, políticos reclamam que recebem um salário baixo para o cargo que exercem. VERGONHA! »

Estas são algumas fontes que usei * para escrever essa postagem:

*Juventude Sustentável