- as imagens das colunas laterais têm quase todas links ..
- nas páginas 'autónomas' (abaixo) vou recolhendo posts recuperados do 'vento 1', acrescentando algo novo ..

06/02/13

a ler !

is 'work' really worth?



img retirada daqui

O pavor do desemprego que nos leva a aceitar trabalho escravo, condições sejam quais forem .. 
e
o conceito de trabalho que variou enormemente ao longo dos tempos, que agora é tão sobrevalorizado, "direito ao trabalho", reclama-se. Na Idade média e além reservado ao povo (escravos 'servos da gleba'), indigno de nobres e clero, "destruidor da alma" no dizer dos índios.
.
posto pela Madalena no fb:

Eu acreditei que podia amar
de Picasso - aqui
o teu corpo, o teu modo de insinuar o coração
nas palavras. Mas era apenas a forma como a noite
sublinhava as superfícies, eu nunca pude atravessar
essa espessura. Estavas ali para te dispores aos meus sentidos
mas crescias fora de alcance no teu próprio
pensamento. Uma distância que só serviria
aos lobos, um mau caminho arrancado às fragas.

Já só conhecia os dias onde tu os frequentavas, o sítio
em que me mantinhas era mais urgente
que o sangue. Sem dúvida que vinhas pelo meu desejo
mas eu perdia sempre alguma coisa
quando te ganhava. Às vezes era só
a minha vontade, outras vezes era toda a frase
do meu nome.

Rui Pires Cabral

05/02/13

HAARP, a nova arma de destruição de massas


«O Poder da Mensagem»
- TVI24, rubrica "Observatório do Mundo", uma parceria com a estação pública americana PBS.

Vi o programa no dia 25 de Janeiro, gostava de partilhar o imenso manancial de inquietação que ele sugere.

http://www.haarp.alaska.edu/
O que se desvendava aqui (parte 2) não eram já, apenas, as mensagens subliminares da publicidade, filmes, música, mas sim tecnologias militares altamente sofisticadas, maquiavelismos mais ou menos obscuros: o Commando SOLO nos aviões EC-130 (uma estação de rádio-televisão criada no ar) sobrevoando o Iraque e outras zonas de guerra, o Programa HAARP do Alasca (investigação de Aurora Activa de Alta Frequência): 180 antenas emitindo ondas para a ionosfera, manipulando-a. 
Biliões e biliões de dólares investidos com um único propósito: controlar o mundo e a mente humana, arrasar o 'inimigo' e criar sociedades de zombies. Isso mesmo, mais coisa, menos coisa.

Pasmei: a TVI, ainda que 24, a transmitir uma bomba assim? A incluir, quase no fim desta última parte, o apelo do personagem Howard Beale: «Desliguem a televisão (essa arma de controle por excelência),  desliguem-na e mantenham-na desligada, desliguem-na já a meio desta frase!» . 

Tomei notas, pesquisei sobre coisas de que nunca tinha ouvido falar. A densa informação deste programa é um rio debatendo-se entre escarpas. Urgente, porquanto libertadora: «To understand something is to be liberated from it

Aqui vai, então, em doses mais ou menos homeopáticas, começando pelas
palavras-chave:
  • ELF waves : extremely low-frequency waves (ondas de frequência extremamente baixa) are electromagnetic radiation (radio) waves - [ou, como eles diziam no programa, uma coisa assim como se a terra estivesse a ser permanentemente radiografada.. ] -- ler mais
  • ionospfere: «A ionosfera é composta por uma infinidade de íons criados a partir da radiação solar que incide nas moléculas de oxigênio e nitrogênio, liberando elétrons - fonte e ai o AO!!;  (e daqui: "It plays an important part in atmospheric electricity and forms the inner edge of the magnetosphere. It has practical importance because, among other functions, it influences radio propagation to distant places on the Earth. ")
  • High-frequency Active Auroral Research Program - um tal de programa HAARP que 'molda' a ionosfera (as antenas de alta frequência do HAARP enviam ondas para a ionosfera visando aquecê-la...-fonte) e pode, entre outras coisas, provocar fenómenos atmosféricos excessivos e, alegadamente, controlar a mente humana através de ondas (electromagnéticas) de frequência extremamente baixa. Holes In Heaven? HAARP and Advances in Tesla Technology -- texto e vídeo aqui
referências:
HAARP: site oficial em versão educativa, que não top-secret: http://www.haarp.alaska.edu/

The Military's Pandora's Box, um artigo sobre o livro "Angels Don't Play this Haarp", dos investigadores Dr. Nick Begich (do LAYinstitute for technology) e Jeane Manning -   aqui

«HAARP: o projeto militar dos EUA que pode ser uma arma geofísica - Futuro da comunicação ou arma de destruição em massa? - Saiba o que envolve um dos projetos mais polémicos do governo americano.» -- ler aqui

Haarp: Weather Modification Technology in Alaska
terramotos e furacões, cheias e secas devastadoras -- uma conspiração americana?
The Military's Mystery Machine - part 1
 .

 

fazer chover (a potes) no campo de batalha para pôr o 'inimigo' em apuros!
Haarp: 2ª parte - aqui
--- à suivre;) --------- 
continuação aqui  ---- o HAARP provocou o Katrina? O terramoto no Haiti? O tsunami no Japão? --------- Muito boa gente acredita que sim!!

censura?


O filme/documentário de Ross Ashcroft, "FOUR HORSEMEN" desapareceu do Youtube -- todas e cada uma das 3 partes do programa recentemente transmitido pelo canal Odisseia. A quem interessa impedir-lhe o acesso?  [ver 1.º post sb o assunto aqui]
A informação que aparece é de que "o utilizador retirou o vídeo" - pressões? Ameaças? Questão de direitos de autor?

Não sei. O que sim, sei, é que os canais pagos têm andado a passar "material escaldante" - quem sabe se inadvertidamente!?
Um foi este do Odisseia, sobre erros dos economistas neo-clássicos, basicamente - e que nos levaram à situação intolerável em que nos encontramos, mas também rico em críticas, análises objectivas, soluções para inverter o curso da história a nível global.
Outro foi "O Poder da Mensagem", um programa sobre o controle da mente, emitido pelo canal TVI24, rubrica "Observatório do Mundo" -- basicamente um levantar do véu sobre os projectos e os biliões de dólares gastos com o propósito único de nos tornarem a todos zombies, sociedades hipnotizadas pelas tvs e outros media, povos inteiros incapazes de uma análise, uma crítica, uma acção. (post em gestação ..)

Aqui fica, para quem o queira ver antes que desapareça de vez, o documentário de R. Ashcroft (legendas em português) , recuperado no Vimeo: http://www.mddvtm.org/detalhes-medida.html?id=298

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parte 1: aqui
parte 3: aqui 
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01/02/13

e-learning e o feliz que eu estou :)


Estou.. emocionad-felic-excitad-íssima!!! ;)

Umas páginas web que tinha feito para a minha escola no âmbito do e-learning - que desapareceram quando se finou a "malha atlântica" e que julgava para sempre perdidas - miraculously and incidentally popped out -- ainda que numa versão não actualizada, onde faltam todas as pgs de cultura portuguesa, com algumas disfunções e falhas  -- who cares? They're back!!! ;)



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31/01/13

Educa-te a ti próprio, altera o rumo da história!

Vi parte do programa ontem, no canal Odisseia, procurei avidamente o demais .-.
um sistema financeiro predador
extrema pobreza
extrema violência
colapso ecológico,
eis Os 4 Ginets do Novo-Apocalipse, título português do filme de Ross Ashcroft, "The Four Horsemen" (um documentário independente do Renegade Economist ) - absolutamente a não perder! por quem recuse continuar na "eterna dependência de organizações financeiras amorais".
 
os 4 cavaleiros do apocalipse bíblico - img. daqui
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transcrição parcial da apresentação do programa, retirada daqui:
"À medida que a economia mundial continua em queda livre, um maior número de vozes críticas tenta encontrar a solução para o problema. Vinte e três pensadores de todo o mundo  (...) descrevem em termos simples o que é necessário abordar nas nossas universidades, nos governos e nas estruturas corporativas, se não quisermos enfrentar um futuro ainda mais sombrio. 

O Odisseia oferece-lhe um interessante debate sobre as medidas que seria necessário tomar para a chegada de uma nova ordem económico-mundial, um sistema que permitiria melhorar substancialmente a qualidade de vida em todos os países."

A urgente mensagem/conselho principal:
«Educa-te a ti próprio! 
- sobretudo os clássicos, os primeiros economistas de que há registo (o filósofo Platão é um dos citados..)  e procura compreender.
Só assim estarás apto a QUESTIONAR as inevitabilidades que os media (dominados por interesses económicos e financeiros) se esforçam por transformar em verdades absolutas. 
E AGE para mudares o status quo

Não será preciso lê-los, digo eu, basta ver o documentário, ele próprio anunciando-se previsível futuro alvo de censura por 'demasiado socialista' ou mesmo 'comunista'! (de notar que a 3ª parte já foi retirada do Youtube .. coincidência?!)
-- um exemplo: «As causas do chamado terrorismo não serão resolvidas aumentando a desigualdade económica.» , diz-se no final deste vídeo onde Chomsky refere o "1º 9/11" (o atentado terrorista contra Salvador Allende e o seu governo, no Chile) e realça o facto de os americanos estarem formatados para ignorarem os crimes próprios e empolarem os alheios:
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-- do site oficial:
«Four Horsemen (...) reveals the fundamental flaws in the economic system which have brought our civilization to the brink of disaster. 23 leading thinkers (...) explain how the world really works.» (Quatro Cavaleiros põe a nu os erros fundamentais no sistema económico que arrastaram a nossa civilização para o limiar do desastre. 23 analistas (entre os quais Noam Chomsky, Herman Daly, Gillian Tett, Joseph Stiglitz, Ha-Joon Chang, Matthew Watson, Richard Murphy)  explicam a forma como o mundo realmente funciona.

Cada parte do programa (legendado em português) dura cerca de meia-hora, mas VALE A PENA vê-las todas. Aqui são desmistificados conceitos dos economistas "neo-clássicos" (de que V. Gaspar será fiel devoto..) - «inquestionados porque debitados por gente muito 'doutorada'».
«O que vocês estão a aprender nas universidades é precisamente aquilo a que devem opor-se. Estudem-no para conhecerem o 'inimigo'», diz um dos intervenientes no programa, economista outrora ao serviço do Banco Mundial.


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simplemente Mujer!


.. da pg fb da minha querida Cláudia, imagem partilhada daqui 

Ni Sirena ni Ballena, simplemente Mujer! 

vídeo c/ entrevista  aqui
Por favor, tómense tres minutos para leer lo siguiente: 

La modelo de la imagen es Tara Lynn
Esta foto salió publicada en la revista Elle France el 26 de marzo de 2010. El autor de la fotografía es David Oldham. La usamos para ilustrar esta anécdota porque nos parece una bellísima fotografía. ¿SIRENA O BALLENA? 

Hace algún tiempo a la entrada de un gimnasio se podía ver un cartel con la foto de una chica de físico espectacular con el escrito: "Este verano, ¿quieres ser sirena o ballena?" Se cuenta que una mujer, de la que no conocemos su aspecto físico, respondió a esta pregunta de la siguiente manera: "Estimados señores: las ballenas están siempre rodeadas de amigos (delfines, focas, humanos curiosos), tienen una vida sexual muy activa y crían a sus pequeños con mucho cariño. Se divierten como locas con los delfines y comen gambas hasta empacharse. Nadan todo el día y viajan hasta lugares fantásticos como la Patagonia, el mar de Barens o las barreras coralinas de Polinesia. Cantan estupendamente y algunas veces hasta graban CDs. Son animales impresionantes y muy queridos, a los que se defiende y admira en todo el mundo.
Las sirenas no existen. Pero si existieran harían cola en la consulta del psicólogo debido a un problema de desdoblamiento de la personalidad, ¿mujer o pescado? No tendrían vida sexual y no podrían tener hijos. Serian graciosas, es cierto, pero solitarias y tristes. Y además, ¿quien querría a su lado una chica que huele a pescado? Sin lugar a dudas, yo prefiero ser una ballena.
En una época en la que los medios de comunicación nos meten en la cabeza que solo las delgadas son bellas, yo prefiero comerme un helado con mis hijos, cenar con mi marido, comer y beber y divertirme con mis amigas. ¿Ustedes?"
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um blogue a conhecer

-- onde há inteligência, oportunidade, humor com fartura.

No alegrias e alergias
da minha amiga Maggie, 


em BD,  "Um Regresso aos Mercados?"

30/01/13

A bravata

in Público, 
30 de Janeiro de 2013

por Santana Castilho *

1. Em livro que escrevi em 1999, em plena euforia dos milhões diários que nos entravam porta dentro, afirmei ser pouco sério confundir essas imediatas vantagens financeiras com vantagens económicas de futuro. Admiti então, qual velho do Restelo, que subjacente a tanta prata fácil estava uma bem escondida estratégia hegemónica. E adiantei, contra-corrente, que se víssemos as coisas por esse ângulo não cairíamos na esparrela que se desenhava: ao longo dos anos fomos financiados para deixar de produzir e destruir a agricultura e a indústria. Ora se somos responsáveis pelo caminho que aceitámos, também a União Europeia o é, por nos ter induzido a trilhá-lo. Chegados onde estamos, é penoso ver que a bravata tapa a realidade. Podermos continuar a endividar-nos a um juro superior ao que agora pagamos à troika (4,891 versus 3,4 por cento) justifica a bravata? Se em Abril de 2011 fomos “expulsos” dos mercados, por que razão nos receberiam agora, quando a dívida, em lugar de diminuir, cresceu 25 mil milhões de euros e a economia se afunda a cada dia que passa? A resposta é Draghi, que anunciou em Setembro um programa de compra das dívidas soberanas e com isso constituiu o Banco Central Europeu como fiador sólido dos países em apuros. Todos os juros caíram a partir daí, os da Grécia inclusive. Nada foi graças a Passos ou Gaspar. Tudo foi apesar de Passos e Gaspar. O resto é bom negócio para quem empresta a cinco por cento e mau para quem terá que pagar cinco com a economia a decrescer dois. 

2. Se a credibilidade do relatório do FMI já era exígua, os acontecimentos recentes reduziram-na a zero. E o silêncio do Governo e de Carlos Moedas sobre os factos trouxe a destaque a falta de ética que juntou mandantes e mandados da vergonhosa manobra. Carlos Mulas-Granados, um dos autores da coisa, tinha dois heterónimos. Com um facturava euros. Com o outro dizia, à quarta, o contrário do que recomendava à terça. O homem, jovem professor de economia da Universidad Complutense de Madrid, desancou o primeiro-ministro inglês por este ter aumentado as propinas do ensino superior e reduzido as contribuições sociais. Com o heterónimo que não chegou a baptizar, recomendou ao primeiro-ministro português que aumentasse as propinas e reduzisse ainda mais as prestações sociais. Verdadeiro expoente do empreendedorismo moderno, criou uma versátil cronista virtual, de sua graça Amy Martin, que ao bom jeito da indústria financeira da moda facturava a três mil euros por peça artigos que nunca escreveu, sobre coisas tão diversas como cinema, energia nuclear, felicidade e economia. Foi agora demitido de director-geral da Fundación Ideas, do PSOE (Partido Socialista Obrero Españoll), por fraude. Mas não ouvimos uma palavra de Carlos Moedas, de reconsideração, sobre a porcaria que elogiou e assim fede a céu aberto. 

3. Os professores voltaram a sair à rua. Cerca de 40 mil, dizem. Divididos, é notório. Mas, sobretudo, sem resultados para a luta que travam desde os tempos de Maria de Lurdes Rodrigues. As evidências são lapidares: viram os salários diminuídos e o tempo de trabalho aumentado; conhecem o maior crescimento de desemprego de todas as classes profissionais (os números oficiais mostram que quadruplicou nos últimos anos; a variação homóloga no início do presente ano lectivo apontava para um aumento da ordem dos 70 por cento); continuam mergulhados em tarefas aberrantemente burocráticas e improdutivas; têm, como nunca, a dignidade profissional e a independência intelectual calcadas por políticas de terror social, a que se prestou um ministro que os traiu. E respondem com manifestações que se perdem na habituação que nada muda e lutos folclóricos de que se riem os que os escravizam. Permito-me recordar-lhes o que nestas colunas escrevi, não há muito: os professores sabem, têm a obrigação de saber, que todo o poder só se constrói sobre o consentimento dos que obedecem. 

Sei como é difícil combater o desânimo, quando as necessidades básicas são a preocupação diária. Sei que muitos dos que me podem vir a ler estão no desemprego, nunca tiveram vida estável e não sabem como dar de comer aos filhos. Mas é para parar tudo isso que urge fazer diferente. Reagir, dizer não, dizer basta. O que está no relatório do FMI é um incentivo a inverter o sucesso da Escola Pública, reconhecido em estudos recentes. Em 2013 podemos incorrer em erros semelhantes aos que denunciei em 1999, se não soubermos sustentar e defender que não temos professores a mais, que continuamos com licenciados a menos, que todos não somos demais para construir uma economia que pague o Estado social que querem destruir. Foi com investimento na Educação que os suíços, os dinamarqueses, os suecos, os noruegueses ou os finlandeses, têm hoje o que alguns dizem que nunca poderemos ter. 

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

29/01/13

no tempo dos tomates

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.. o gajo (P. Azevedo) era um pândego, um bronco ao bom estilo de muitos políticos de agora ou de há pouco tempo atrás.
Lembram-se do Pinho/ Lino (?) dos cornos na AR?
Ou o Alberto João, a bem dizer todos os dias ... ?

O Zé Povo é que parece ter perdido algum precioso apêndice.. Pena.
 .





Eu, de muito boa vontade (e ainda assim era pouco!!) sequestrava o P. Coelho mais o Gaspar o Crato o Relvas, o raio que os parta a todos! 

E digam-me lá se não é uma afronta a simples visão destas fronhas, o riso alarve, o olhinho manhoso, o fingimento, a imposição da psicopatia emanante, o auto-contentamento e a vida que, a eles, corre tão bem, PSDs, PSs e CDSs, tudo compadres neste festim ---  e não lhes pesam as vidas acabadas, fdpcõberasdemdera! - sorry, a raiva que só assim se sabe já exprimir ... há dias ...


E odeio-os de morte matada, de morte lenta-íssima. Esta gente desperta o que de pior há em mim, tivesse eu uma espingarda!
.. Nada, mais não mato que mosquitos; mas lá que me apetecia, apetecia.


Pois é. Já o fizemos. 
POR QUE NÃO AGORA, de novo? 
Ou já alguém por aí viu manifs satisfazerem reivindicações?! 


Em 1975 foi assim:
13 de Novembro:

"No seguimento da greve, 100000 operários de Construção Civil cercam S. Bento e sequestram os deputados da Assembleia Constituinte e o Primeiro Ministro.

Após 36 horas de cerco, Pinheiro de Azevedo é obrigado a ceder às reivindicações dos operários que exigiam a assinatura de um novo contrato colectivo de trabalho." 

- fonte e mais informação aqui 
- fotos -- todas menos uma no Público de 27 Jan. 
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img. daqui

foi de noite, numa noite ..



Abandono / Fado de Peniche - Amália Rodrigues 
letra de David Mourão Ferreira 

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Poema sobre os presos políticos de Peniche durante a ditadura fascista de Salazar
img. daqui

PORTUGAL 2013


25 de Janeiro de 2013

Por Miguel Urbano Rodrigues

Está em curso uma das mais ambiciosas operações de propaganda que o actual governo já levou a cabo. Quanto mais desastrosa é a situação do país, mais esta gente vem acenar com uma recuperação que ninguém vê. António Borges tem a desfaçatez de falar em "fim da austeridade". Essa "austeridade", que é o nome propagandístico da implacável política de saque que o governo leva a cabo, só terá fim quando esta política e as troikas que a apoiam forem efectivamente derrotadas. 

Portugal oferece nestas semanas a estrangeiros recém-desembarcados a imagem de um país onde o absurdo e o irracional marcam o quotidiano, empurrando o povo para uma catástrofe social sem precedentes.
Os jornais e a televisão tornam públicas diariamente notícias que comprovam o agravamento de uma crise medonha. O desemprego aumenta a cada dia, atingindo já mais de um milhão de trabalhadores; as falências de empresas sucedem-se em cadeia; escolas, centros de saúde, serviços hospitalares, farmácias, restaurantes fecham as portas; centenas de famílias são desalojadas das casas onde residiam por não pagarem à banca as prestações do contrato; o custo das propinas força milhares de estudantes a abandonarem as universidades; a produção industrial e a agrícola diminuem; a fome alastra nas cidades e aldeias do País; mais de 40 mil portugueses emigraram no ano passado. 
O Banco de Portugal informa que a quebra do PIB no ano corrente será quase o dobro da prevista no Orçamento do Estado; as receitas fiscais diminuem apesar do aumento dos impostos; as exportações também caem. 
O panorama é assustador. Mas o chefe do governo, o seu ministro das Finanças e demais membros do gabinete, proclamam monotonamente que a estratégia da coligação bicéfala é um êxito absoluto. E anunciam, eufóricos, que 2014 será um ano magnífico. 
A agressão semântica complementa a social e económica. A política de saque imposta em nome da troika é qualificada de "austeridade". A desvergonha é tamanha que os governantes, ignorando gigantescos protestos populares e greves em série, elogiam os trabalhadores pelo estoicismo com que suportam os "sacrifícios", isto é, o roubo. 
Enquanto se espera que o Tribunal Constitucional se pronuncie sobre a inconstitucionalidade de medidas constantes do Orçamento de Estado, o país tomou conhecimento de um relatório do FMI – encomendado pelo governo – que considera insuficiente a "austeridade" em curso e sugere como indispensável um pacote que destruiria o que resta do Serviço Nacional de Saúde e da Segurança Social e golpearia mortalmente a Educação. Propõe nomeadamente o despedimento de 150 mil trabalhadores da Função Publica e de uns 50 mil professores. 
Reagindo ao coro de indignação nacional, o primeiro-ministro derramou elogios sobre esse documento, anunciador de uma intensificação da ofensiva contra o povo. 
O PSD promoveu uma conferência "aberta à sociedade civil" para debater a "Reforma do Estado". Mas, a comunicação social não foi autorizada a acompanhar os debates. 
Passos, Portas e ministros dirigem-se ao mundo e aos portugueses como personagens de Jarry e Ionesco em palco de teatro de absurdo. 
O governo tudo leva à prática à revelia dos cidadãos e desconhecendo a existência de uma oposição. Mas o vice-presidente do PSD, Sr. Jorge Moreira da Silva, compareceu na SIC Noticias para afirmar que, devoto da democracia, o Executivo tem elevado o nível da participação popular e nada decide sem consulta ao povo. 
A Comunicação Social, controlada hegemonicamente pelo grande capital, demonstra incapacidade para cumprir a sua função. Nos serviços noticiosos, políticos do sistema, membros do governo e medidas por ele impostas são alvo de críticas, por vezes severas. Mas as direções dos media permanecem vigilantes. Uma contradição antagónica favorece o objetivo prioritário: anestesiar a consciência social, impedir a ruptura dos mecanismos da alienação. 
Os formadores de opinião, em programas de grande audiência, atacam o acessório, insurgem-se contra medidas, sugerem mudanças, defendem uma remodelação do governo, criticam, ocasionalmente com dureza, Passos, Portas e outros. Mas convergem em coro afinado na conclusão de que a "austeridade" é necessária, que o memorando com a troika, assinado por Sócrates e aprovado com entusiasmo por Passos & Portas, deve ser respeitado. Coincidem na opinião de que, afinal, a origem do mal está no estado Moloch, o monstro que deve ser desmontado, reconstruído. A linguagem não é a de Passos e sim do seu guru Gaspar. Mas eles reconhecem, dolorosamente, que cortar milhares de milhões de euros nos gastos sociais é uma exigência indeclinável da História, uma necessidade imposta pela lógica da sobrevivência. Pouco falta para aderirem à tese de Passos sobre a "Refundação do Estado". 
Entre outros formadores de opinião que criticam o acessório mas são solidários com o governo no fundamental, cito Marcelo Rebelo de Sousa, Miguel Sousa Tavares, José Manuel Fernandes, José Gomes Ferreira. Pacheco Pereira, o mais inteligente, é talvez o único comentador que, na hoste dos politólogos da burguesia, demonstra lucidez na crítica à escória humana que desgoverna Portugal. 
Neste contexto com matizes de surrealismo, o discurso do primeiro-ministro e o do seu guru Gaspar vão merecer, no futuro, assim o espero, estudo acurado de psicólogos e psiquiatras. Ambos, muito diferentes, merecem o qualificativo de “avis rara”. 
Passos é uma inflorescência. Pouco dotado intelectualmente, ignorante, mas desconhecedor da sua incompatibilidade com a cultura, tenaz, mesmo firme na defesa do absurdo – acredita, admito, nos benefícios do seu projeto de destruição do país. As suas falas, arrogantes, sincopadas, são cada vez mais um amontoado de palavras sem nexo. Com frequência dá o dito por não dito. Recentemente aconselhou os jovens a emigrarem. Na semana passada, em Paris, desmentiu-se, afirmando que nunca sugeriu tal coisa. 
O melífluo Gaspar, aritmeticamente sabedor, mas irracional na aplicação das leis da economia, é um discípulo atento do austríaco Friedrich Hayek e do norte-americano Milton Friedman. Politicamente pouco inteligente, as suas arengas em defesa de decisões catastróficas, a sua teimosa insistência em mascarar de rotundos êxitos fracassos transparentes, a sua habilidade em exercer o comando do governo nos bastidores trazem-me à memória personagens desamadas do teatro de Molière e Shakespeare e do nosso Gil Vicente. 
É compreensível que poucos estrangeiros consigam entender o Portugal do ano 2013. 
Um dia, sem data previsível no calendário, a farsa dramática em palco findará, antes que, espero, desemboque em tragédia. 
Será o povo nas ruas, na fidelidade a grandes rupturas da nossa história, serão as massas trabalhadoras a alavanca do fim do pesadelo.
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a má-raça humana

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28/01/13

o poder de que os professores tristemente abdicam


É foto de capa do Público de domingo, mas a notícia da manif de professores do dia 26 e correlativas razões vem relegada para a página 18.
Bem medidas, 3 colunas de texto inócuo - tantas quantas as dedicadas ao 'caso Liliana', contrastando em relevância e prioridade com, por exemplo, as 4 inteiras páginas dedicadas à crise na Madeira, as 3 à entrevista a J. F. do Amaral mais ao seu "choque cambial", 2 ao congresso do PS e respectivas desavenças .. 
É certo que há duas páginas sobre o efeito da austeridade na vida de dois professores -- dispensável, por não trazer nada de novo, mais uma historieta à maneira dos "flagrantes da vida real" do Reader's Digest ..

Pois. Assim se vê (vejo) a relevância dada pelos media à educação, a abordagem 'soft' como se de mais um fait-divers se tratasse, calculo que feita por jovens e mal pagos jornalistas, sem preparação sem tempo sem apetência para grandes investigações: as perguntas-chave deixadas de fora, o relevo dado às queixas de sempre, lamúrias de manifestantes-só, sem outra consequência que não seja a exposição pública das ditas.
Ah, e esclareço desde já: a Ana Lima entrevistada e citada na notícia não sou eu. Anas há muitas, Limas, pelos vistos, ainda mais - até em Goa, uma miríade deles, diz-me quem por lá andou.

O título da notícia é elucidativo:

Milhares de professores regressaram à rua com "medo do amanhã"

Ora tivesse sido eu a Ana Lima entrevistada, e não seria de medo que falava, mas sim de raiva e revolta. Raiva, a começar, pela paspalhice sem ideias da Fenprof e sindicatos afectos. Que é isso de "uma semana de luto nas escolas", a propósito? Os profs vestidos de negro?!! Para quê, pergunto-me .. É claro que das nêsperas lesmáticas da UGT (que assina pactos com esta corja de malfeitores!!) não vale a pena nem falar, travão que sempre têm sido a qualquer forma de luta que lhes prejudique a imagem de bons rapazes). Só no tempo da megera Lurdes se uniram todos, sindicatos e os entretanto cadavéricos e mais-que-enterrados "Movimentos" (cadê?). Porquê então e não agora, pergunto-me, se a situação nunca esteve pior para os professores e para a sobrevivência desse serviço público chamado Educação?

A resposta, lamento dizê-lo, só pode ser uma destas tristes duas:
  1. os professores são maioritariamente PSDs acéfalos que se curvam às ordens do dono (o que me custa a crer..)
  2. o medo, a ousadia zero dessa classe a que não deixarei nunca de pertencer, pese embora a minha actual situação de aposentada. E, pensando bem, saí (antecipadamente) também por causa disso, a apatia generalizada que me dava cabo dos nervos e às vezes da compostura, a desinformação, o oportunismo de tantos.. É, há de tudo na classe docente, como em todas as outras classes de trabalhadores.  
O que - isso sim! - sempre reconhecerei, a (quase) todos os professores deste país é a imensa dedicação, a preocupação primeira com os seus alunos, o trabalharem apesar-de-tudo, apesar-de-todos. 
Não lhes perdoo é o generalizado 'amenzismo', o cumprimento de absolutamente tudo, inquestionado, «é a lei, que queres?», e o que eu batalhei contra esse conformismo. O cansaço de lutar (quase) sozinha: «devíamos fazer x, y e z, Ana faz tu que escreves bem» e a Ana a fazer, sempre, a afixar textos cartazes notícias e panfletos, o inútil gasto de energias para tentar acordar os meus pares, desapercebidos condenados ao cadafalso a quem tem de se explicar o que é uma forca e o subsequente efeito nos respectivos pescoços. E não posso deixar de pensar com amargura e revolta nas greves decisivas que a Fenprof ainda convocava, por exemplo aquela, crucial, contra o segundo Estatuto da Carreira Docente imposto pela senhora que "ganhou o país perdendo os professores". Fomos doze num universo de 80 - isto numa escola da Margem Sul, histórica pela resistência ao fascismo em primeira linha, sempre, a profunda e arreigada consciência política dos seus habitantes, muitos deles filiados no PC. Não agora, não nas escolas deste lado do Tejo.

Então, tivesse sido eu a Ana Lima entrevistada, e diria ao jornalista, parafraseando Santana Castilho:  
«Os professores sabem, têm a obrigação de saber, que todo o poder só se constrói sobre o consentimento dos que obedecem!»  

Dir-lhe-ia, ainda, que, estando embora presente, não acredito que seja com manifestações (por mais gigantescas e representativas) que se conseguem vitórias.
Dir-lhe-ia que os professores têm de se consciencializar do enorme poder que detêm, e usá-lo, sem medos nem mesquinhices. Têm de arriscar perder alguma coisa, dois, três dias, uma semana de salário, se querem ganhar esta guerra de batalhas tantas que, pelo menos desde MLR, deviam ter ferozmente vindo a travar:
por condições de trabalho dignas e gratificantes:
  • com tempo e espaço para se dedicarem à única função que é a sua, por definição: ensinar; (recusando a panóplia de tarefas burocráticas, mais as horas infindáveis de reuniões para, e é praticamente a isto que agora se destinam, interpretarem leis que mudam a uma velocidade supersónica e ao sabor dos variáveis humores ministeriais e lhes infernizam a vida!)
  • com um número de alunos por turma 'sustentável' (e 28 ou 30, no universo português de alunos na sua maioria desinteressados e indisciplinados é qualquer coisa de 'ingovernável'..)
  • com apoio de técnicos especializados para os casos de necessidades educativas especiais (desde logo, para bem dos alunos que dele necessitam, mas também de todos os outros que integram a turma..)
  • com programas e curricula estáveis e pensados seriamente, exequíveis, objectivados, apostando sempre na qualidade do ensino (nomeadamente em cursos 'alternativos', profissionais ou de "educação e formação")
por um salário igualmente digno, considerando, nomeadamente, os anos de estudo requeridos para o exercício da profissão - mais as contínuas formações obrigatórias (muitas delas pagas pelos próprios), mais as actualizações voluntárias e a auto-valorização pessoal e profissional (sem as quais, diga-se de passagem, não é possível acompanhar, nem os tempos, nem as expectativas/exigências dos alunos..)
por pausas reais, à semelhança de outros países europeus, em que férias escolares são férias para todos: alunos, professores e demais funcionários. É triste dizê-lo, mas até o ditador Salazar assumia essa necessidade, bem como a condição desgastante da profissão: para além do direito de faltar 2 dias por mês (oh sim, e eu sou do tempo dessa 'benesse' - que existiu até 1988/9), havia as diuturnidades e as fases, umas acrescentando valor salarial, outras redução de horário. E não, não havia avaliação de desempenho, como não havia essa mirabolante divisão entre "componente lectiva e não-lectiva"! É por demais óbvio e sabido por quem esteja de boa fé que grande parte do trabalho em aula é /tem de ser!! produto de trabalho redobrado em casa. A kafkiano-quantificada componente "não-lectiva" inventada pela sinistra Mª L. Rodrigues mais não é do que um propositado achincalhamento da função docente e uma proletarização da classe (que não beneficia ninguém!), trabalhos sem sentido impostos diariamente aos professores e que os amarram ao espaço-escola por horas infindáveis (11, 12 horas num dia e uma aula no meio disso tive eu nos últimos anos..), assim os incapacitando, física e sobretudo psicologicamente, para o trabalho que continuam a (ter de) fazer em casa - madrugadas dentro, os fins-de-semana que não têm, as 35 horas semanais multiplicadas por muitas mil, e é bom que o saibam os tantos que ainda nos reputam de privilegiados!!
por uma re-dignificação da classe e o respectivo reconhecimento por parte da sociedade, com o inerente direito 
  • ao exercício legítimo da autoridade  
  • ao respeito devido por alunos e respectivos pais, pela direcção da escola e, last but not least, o ministério tutelar.
por um retorno à gestão democrática das escolas (e alguém pode fazer o favor de me explicar o que é que a Escola ganhou com a imposição dos directores?!)
pelo fim dessa aberração-maior que dá pelo nome de agrupamento de escolas !!!

É, homónima Ana Lima,  não era só o modelo de avaliação (ainda que esta seja uma vertente seriíssima, porquanto danificou radical e inapelavelmente as escolas, transformando o que era um colectivo de cooperação numa feroz arena de competitividade individual) que nos levava massivamente a Lisboa, no tempo de MLR.

De há muito que clamamos, também, POR UMA ESCOLA PÚBLICA DE QUALIDADE. E que conseguiríamos em menos de uma semana, assim os professores (e com eles os sindicatos) a isso estivessem dispostos!
 

26/01/13

pela Escola Pública


ponho aqui o cartaz, apesar de não acreditar nada, mesmo nada, neste tipo de acções como forma única de luta - que o não são! --- enfim .. mais uma manifestação, desta vez sem a presença dessa inefável coisa chamada UGT ..


imagem daqui

img. de Tugaleaks -- aqui

21/01/13

saudades ou .. à maneira de Cortázar,

.
, esse transgressor-mor da norma literária, autor de Rayuela ...  (*)

vinagre 'sobre' porcelana
.
Sempre que preparo ananás (que, em rigor, é invariavelmente abacaxi.. ;) lembro-me de ti, Alexandra:
As obras do andar de baixo estão a pôr-me louca. Devias sair, Ana Maria, vai-te vestir. A preguiça. As limpezas,
de como me ensinaste um dia a cortá-lo daquele modo rápido, eficaz, 
a água que me inundou a marquise, de 6ª para sábado.
4 partes iguais e um risco ao meio em cada uma.
O trabalho doméstico que é trabalho, sim, e até tem página no facebook.
Saudades vossas e de como nos aglutinavam vocês semanalmente, família.
O facebook, incrível,  como ele meteoricamente se substituiu a quase tudo, 
De como disseste: "vou sempre lá buscar mais qualquer coisa"..
como assinou a sentença de morte - por exemplo - dos blogues.
Penso-vos.
Escrevo para mim e para meia dúzia de amigos. Sei-o, dou-me ao luxo de  dizer o que me apetece,  interessante ou não. Tenho pena. 
As parcas visitas, os mails a que não respondem, a chamada skype que, se não for eu ....
Pena do que foi .. a biblioteca, os alunos, os comentários tantos, livros que li e dei a ler, lamechices ..
Dói-me a lonjura da minha sobrinhita pequena ..
Aos poucos, o barulho infernal do martelo pneumático - diz o Manuel, que é entendido (eu tinha-lhe chamado rebarbadora, 
aquela palavra nossa que tanto passei a usar e que ganhou adeptos, matadora de saudades: 
tão agressiva a palavra como o efeito que o ruído provoca em mim) 
execelóptimo, usá-la-ás tu, querida, nessas férias na neve que aqui não cai?
entranha-se-me, desespera-me.
"Adoro dançar", anuncias ao vento e no Skype, na tua página fb criada aos dez anos.
Penso em soluções para esta crise doméstica, vinganças, substitutos. 
Eu também, Matilde, eu também! 
Vou-me à minha recolha de "música para dançar" e 'conecto-me' em altos berros:  Bob Marley, Bill Haley, Jerry Lee Lewis, Chuck Berry.
E adoro-te a ti, ao teu pai e à tua mãe, ao teu irmão que não atende o tlm, não dá notícias ..
E danço - melhor dizendo, VOU FURIOSAMENTE DANÇAR, mal acabe este post.
Esta manhã estive a 'compor' o itinerário do Luís em Cuba.  
Não há melhor antídoto para a(s) crise(s), um bom exercício cardio além do mais,
Estás em Baracoa agora, amor, província de Guantánamo e as saudades tantas, tantas, filho, meu filho
diz o Manuel, querido, querido! 
andarilho, família de emigrantes, rai's parta'!

Vou-me, que já não os suporto mais ao seu barulho infernal. Tinha pensado que às 5.. não é de lei?
Aqui fica, para quem também precise e goste: reggae + ROCK 'N ROLL 4ever!!!!!


http://youtu.be/-mHrDpBPBAY
http://youtu.be/Ud_JZcC0tHI 
http://youtu.be/J-9S9PMwyMs 
http://youtu.be/I8JULmUlGDA


 * eu, que não possuo nem ouso a sua genialidade, separo os 'capítulos' por cores .. :)
.

18/01/13

alerta facturas!

roubado integralmente daqui
uma informação bem documentada, imprescindível:


Alguém acorde, Ficheiro SAF-T e privacidade  


Para quem não sabe, estou a trabalhar na área de software de gestão, e como tal, os meus últimos meses têm sido vividos um pouco à volta do ficheiro SAF-T.

Antes de mais, o que é um ficheiro SAF-T e a certificação de documentos:

Um software certificado coloca uma assinatura digital nas suas faturas, que, sem vos aborrecer com os detalhes técnicos, garante que a fatura não é modificada depois de emitida. 
O ficheiro SAF-T era, até 1 de Janeiro de 2013, um ficheiro de auditoria, que era fornecido ao inspector das finanças nos (muito raros) eventos de inspecção das finanças. Este ficheiro sozinho garante que a empresa não foge aos impostos (cruzando com dados multibanco e bancários), não altera os valores e dados das suas faturas e é ainda possível conferir mais uma série de dados. Os ficheiros SAF-T são gerados no momento, e podem ser gerados para períodos de tempo diferentes (1 ano, 1 mês, etc)

O que está dentro de um ficheiro SAF-T? 


  • Os dados gerais da empresa (morada, nome, nif, conservatória, etc)
  • Dados de todos os clientes da empresa (Nome, morada, contacto telefónico, email, nif)
  • Informação de todos os produtos ou serviços vendidos pela empresa (referencia, designação do produto)
  • Dados de faturação (para cada fatura:  data, hora, cliente e nif do cliente, produtos vendidos, valor, valor de iva, etc, etc)
O que acontecia até 1 de Janeiro ? Muitas empresas usavam os talões e vendas a dinheiro, cujo cliente é "consumidor final" e o nif é 99999990, ou seja, informação genérica.


O que aconteceu em 1 de Janeiro? Muito:
  1. Toda e qualquer transacção tem de ter emissão de fatura. Ou seja, os dados da fatura passam para o saf-t com o nº de contribuinte e nome do cliente. Existem as faturas simplificadas que podem ser feitas a um "consumidor final" mas podem ser usadas em apenas casos restritos
  2. Todos os SAF-T de todas as empresas nacionais são enviados para as finanças mensalmente
Vou dar um exemplo:
O Sr. Foo acordo num belo dia de férias de verão. Toma o pequeno almoço no café da esquina (fatura 1) e vai ali á sede do partido X pagar a sua cota mensal (fatura 2). Passa pelo templo da sua religião e paga o dízimo (fatura 3). Almoça no seu restaurante favorito (fatura 4), vai ao cinema ver um filme  (fatura 5), compra 2 "brinquedos" na sexshop da esquina (fatura 6) e janta uma mariscada á beira mar (fatura 7).

No fim do mês, as 7 empresas envolvidas no dia do Sr. Foo vão enviar o ficheiro SAF-T para as finanças, e lá vai a informação:
  • O que o Sr. Foo comeu nessa manhã, a que horas e em que local.
  • Qual a sua filiação política, e onde costuma pagar as cotas. 
  • A sua religião.
  • O que almoçou, a que horas, e em que local.
  • Que viu o filme Y.
  • Comprou "brinquedos" na loja tal.
  • Jantou uma mariscada, a que horas e em que local.
Isto num dia. Ao fim de um mês, passam a ter os hábitos de cada cidadão, ao fim de um ano? Têm na mão a vida de uma pessoa. Querem mais? Dois informáticos acabados de sair do curso, com acesso a estes dados rapidamente conseguiam fazer cruzamento de dados. Cruzando por exemplo, o Sr. Foo com a sua esposa, Sr.ª Boo:
  • Tomou o pequeno almoço com a esposa, pois foram 2 cafés e 2 croissants, isto porque a Sr.ª Boo comprou a "Maria" 30 minutos depois no quiosque a 50M do café. (todas as transacções têm de ter uma fatura, tudo é seguido)
  • Ela não pagou cotas políticas ou religiosas, o Sr. Foo está nisso sozinho. (cruzamento das faturas do Sr. Foo e Sr.ª Boo)
  • Não almoçaram juntos. Almoço foi 1 menu MacDonalds do Sr. Foo  e a Sr.ª Boo tem uma fatura de almoço no mesmo dia a 150km de distância.  (cruzamento das faturas do Sr. Foo e Sr.ª Boo)
  • O filme era sobre che guevara. Isto, aliado á filiação política e religiosa torna o Sr. Foo alguém a seguir no futuro. (Descrição dos artigos vai no ficheiro SAF-T)
  • A Sr.ª Boo continua com faturas a 150km de distância, os "brinquedos" e a mariscada para 2 ao jantar sugerem uma amante.
E se o Sr. Foo fosse o líder da oposição? Ou dono de uma empresa a concorrer num negócio do estado? Ou o presidente da república? Ou juiz num processo contra um deputado do partido do governo? Sou apenas eu que vê o PERIGO no envio de todas as faturas emitidas em portugal, mensalmente para o estado?

E quem tem estas bases de dados? É uma empresa privada? Quem está à frente disto, quem vai garantir a privacidade dos dados? Alguém acorde por favor, alguém nos defenda!

Os meus receios não ficam por aqui.O ficheiro SAF-T é guardado em plain text! Um curioso informático que ligue o wireless no centro comercial quando a farmácia está a enviar um saft apanha isto (parcial, o ficheiro saf-t inclui, por exemplo, os dados do customer 149):


SystemEntryDate>2012-12-14T19:27:53
        CustomerID>149
        ShipTo />
        ShipFrom />
        Line>
        LineNumber>1
        ProductCode>177
        ProductDescription>Viagra
        Quantity>1
        UnitOfMeasure>Un
        UnitPrice>370
        TaxPointDate>2012-12-14
        Description>Viagra
        CreditAmount>370


Isto não é só ridículo como grave! Não vi um deputado falar sobre isto. Não vi ninguém preocupado com a constituição:

Artigo 35.º
Utilização da informática
 1. Todos os cidadãos têm o direito de acesso aos dados informatizados que lhes digam respeito, podendo exigir a sua rectificação e actualização, e o direito de conhecer a finalidade a que se destinam, nos termos da lei.
3. A informática não pode ser utilizada para tratamento de dados referentes a convicções filosóficas ou políticas, filiação partidária ou sindical, fé religiosa, vida privada e origem étnica, salvo mediante consentimento expresso do titular, autorização prevista por lei com garantias de não discriminação ou para processamento de dados estatísticos não individualmente identificáveis.
4. É proibido o acesso a dados pessoais de terceiros, salvo em casos excepcionais previstos na lei.

 
Alguém acorde por favor, alguém nos defenda!