trans-posts do 'vento 1'
29/05/14
22/05/14
Europa
retirado do facebook
por Carlos Esperança
por Carlos Esperança
As eleições europeias e a política nacional
Sou dos que acreditam que não podemos viver sem a Europa nem esta sem Portugal. Os que veem na UE a causa de todos os males esqueceram depressa o que lhe devemos, o país «orgulhosamente só», saído da ditadura, da guerra colonial e do atraso ancestral.
Os que veem a Europa acriticamente, como mero pretexto para a conquista do poder e a satisfação das suas ambições, são incapazes de tentar corrigir-lhe a deriva nacionalista e prevenir os demónios totalitários que despertaram. A diplomacia comum e uma política de defesa integrada são instrumentos de coesão de um espaço que se desagrega, se para, e regressa às lutas intestinas, se teme avançar.
A moeda comum, que parecia o mais difícil e pode não ter sido o mais acertado, é hoje a antecâmara de uma tragédia, se soçobrar. Sair do euro é, para Portugal, como sair de um comboio de alta velocidade, em marcha, é ceder à voragem dos especuladores a cotação de nova moeda e lançar na miséria pensionistas e detentores de vencimentos fixos, cujos aumentos jamais seguirão a inflação. É tornar o país o laboratório de uma nova ditadura.
A paz que se seguiu à devastadora guerra de 1939/45 foi ameaçada pela demência que se observou na desintegração da Jugoslávia, obsessão alemã e vaticana, que os europeus sancionaram e repetiram levianamente na Ucrânia, com desfecho imprevisível e feridas abertas.
Acredito numa Europa que aprofunde a inclusão política, social e económica, que não concorra entre si mas no mundo global, que não seja bombeiro do capital financeiro em risco mas das pessoas em dificuldades.
Se, pelas razões apontadas, se exige uma votação progressista, há razões nacionais que responsabilizam quem não aproveitar a oportunidade para derrotar o Governo, o PR e o presidente da Comissão Europeia, cúmplices de uma política incompetente, malévola e trágica, gente que preferiu ao PEC IV ir além da troika e da capacidade de sofrimento do país.
Só uma hecatombe dos (ir)responsáveis no poder, poderá obrigar a eleições legislativas antecipadas, impedindo-os de destruir o que falta e retirando o poder a quem os protege.
Está nas mãos dos eleitores, não o futuro radioso que nos prometem mas um módico de oxigénio que nos permita respirar e influenciar a União Europeia, para arrepiar caminho nas políticas que permitiram o crescimento da extrema-direita, a lembrar o ambiente que precedeu a Segunda Grande Guerra.
21/05/14
Se eles esquecem, lembremos nós!
21 de Maio de 2014
por Santana Castilho *
Se eles esquecem, lembremos nós!
No domingo voltamos às urnas para eleger os deputados de um parlamento com pouco poder para operar as mudanças, muitas, de que a Europa carece. Sendo assim no plano político-burocrático, blindado para servir os poderosos, a cidadania europeia teria uma oportunidade ímpar (utopia a minha!) para recuperar a dignidade que a ganância levou e a solidariedade desaparecida, que alimentou outrora o sonho europeu. Mas a campanha dos partidos do Governo está a ser um desolador mar de esquecimentos.
Sendo o estado social um dos princípios fundadores da ideia europeia e uma das vertentes mais abalroadas pela intervenção que acabamos de sofrer, não ouvimos sobre o tema uma ideia nova, muito menos um par de soluções avançadas.
Sendo certo que está a chegar nova onda de fundos comunitários, esperava eu que a campanha servisse para os candidatos se pronunciarem sobre a forma como encaram as prioridades para os utilizar. E não se tendo dado relevância que baste aos efeitos sociais da crise e ao acentuar dos desequilíbrios entre ricos e pobres, cada vez mais estratificados nos seus mundos, julgava eu que os ia ouvir falar sobre o que se proporiam fazer, uma vez eleitos, para defenderem a coesão social em risco.
Sendo o sistema monetário europeu impeditivo de uma desvalorização da moeda, que tornasse as nossas exportações mais competitivas e desincentivasse as importações, não vimos discutida (porque, entendamo-nos, a matéria não é tabu, menos ainda em tempo de eleições) a permanência no euro, nem sequer abordada a necessária reformulação das políticas que o suportam, a começar pelo papel do Banco Central Europeu, que empresta a um para que nos reemprestem a cinco.
Sendo o chamado “pacto orçamental” mais suicida ainda para a nossa economia que as medidas selvagens de austeridade económica impostas pelo mainstream bem pensante (e bem remunerado), entenderam os candidatos que seria mais interessante perorarem retoricamente sobre quem chamou a troika que explicar aos eleitores as consequências draconianas que esse pacto terá sobre os desesperados a quem pedem o voto.
Sendo a União Europeia, no dizer esclarecido de Pacheco Pereira, “um monstro híbrido e perigoso, controlado por uma burocracia que detesta a democracia e que acha que ela (a burocracia, clarifico eu) é que sabe como se deve governar a Europa e cada país em particular”, não julgaram os democratas candidatos ao Parlamento Europeu que seria obrigatório discutir o insustentável défice democrático europeu. Preferiram, com essa omissão assassina para a democracia, reforçar a ideia de que a única matéria que na União se sujeita ao voto popular é a sua eleição.
Sendo nós, portugueses, um dos povos que mais sofreram com as políticas erradas da União Europeia, digam os candidatos o que disserem, mais ainda face aos esquecimentos que os assolaram, o escrutínio de domingo será sobre um Governo que foi além da troika. Mesmo com um protocandidato a recomendar “desabafem nas redes sociais, mas não deixem de votar neles” e outro a proclamar “dever cumprido”, muitos dos que não considerarem inútil o escrutínio de domingo não vão esquecer o que o duo europeu (Comissão Europeia mais Banco Central Europeu) da troika fez ao país e que ficou fora da indigência discursiva dos candidatos dos partidos do Governo:
Compulsando os orçamentos de Estado de 2011 a 2014, verifica-se que o volume dos juros pagos aos credores (28.528 milhões de euros) é quase idêntico ao volume obtido com o corte da despesa pública mais o aumento de impostos (28.247 milhões de euros). Dito de outro modo, a degradação do Serviço Nacional de Saúde e da escola pública, o fecho de maternidades, centros de saúde e repartições de finanças, entre tantos outros serviços, a redução de salários e pensões e o aumento brutal de impostos, com nuances confiscatórias em muitos casos, serviu para pagar só juros aos nossos “benfeitores”, sem que um cêntimo tenha sido abatido ao montante da dívida.
Apesar do discurso impante do Governo e da troika, (o que se compreende porque o falhanço de um é síncrono com o falhanço da outra) em três anos de aplicação de uma receita que não conseguiu cumprir um só dos seus múltiplos objectivos, a dívida da administração pública cresceu à razão média de 23.236 milhões de euros anuais, ou seja, aumentou 69.708 milhões de euros.
Três anos de ajustamento expulsaram do nosso país 250.000 cidadãos e elevaram o desemprego jovem para o número quase redondo dos 50%. Ao mesmo tempo que alguns banqueiros transferiram créditos tóxicos para a nossa dívida pública, a coberto dos golpes que, sendo públicos, persistem impunes, 2 milhões de concidadãos estão condenados sem apelo nem recurso ao limiar da pobreza e a classe média está quase extinta. Salvam-se, reconheçamos, os mais ricos: cresceu o fosso que separa os 10% mais ricos dos 10% mais pobres. E não é só porque diminuiu a “riqueza” dos últimos. É sobretudo porque aumentou, e muito, a dos primeiros.
* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)
15/05/14
Uma ideia de sociedade não solidária
retirado do fb,
por António Pinho Vargas
Hoje o Público inclui um artigo de Vanessa Rato sobre Cultura e o Estado (p.38-9)
APV,
compositor; Professor na Escola Superior de Música de Lisboa
por António Pinho Vargas
Hoje o Público inclui um artigo de Vanessa Rato sobre Cultura e o Estado (p.38-9)
Dentre os vários aspectos abordados - importantes - ressaltou-me uma intervenção no Parlamento de Catarina Martins (BE), de 3 minutos, sobre a qual se refere que "no breve tempo que demorariam as suas palavras Portugal teria gasto mais em juros da dívida pública do que aquilo que investe em criação artística em todo um ano".
Não deixa de ser impressionante. Algumas conclusões se podem tirar.
As instituições financeiras que regulam a dita ajuda não brincam em serviço. "Ajuda" e "ajustamento" no discurso; paguem os juros, se faz favor, na realidade.
O seu projecto de transferência de dinheiro dos pobres para os ricos - acolhido e celebrado por este governo e já levado a cabo - concretiza-se em muitas áreas: emprego/desemprego, pensões de reforma/cortes, impostos cada vez maiores, diminuição de apoios à actividade e à criação cultural até atingir os valores mais baixos de uma década.
Uma ideia de sociedade não solidária - incentivos discursivos às querela intergenacionais, novos contra velhos, pensionistas contra empregados, funcionários púbicos contra privados, etc - ciências de aplicação imediata - economia e gestão contra todas as chamadas Humanidades, História, Filosofia, Artes, etc, aspectos, aliás, em que grassa no próprio governo e em grande parte dos economistas e gestores, uma enorme ignorância.
Bem pode o governo vir agora com um discurso próximo do patético-eleitoral anunciar o "sucesso" e baixas putativas de impostos, ao mesmo tempo que se sabe, ou se pode prever que, como diz quem manda (a troika) que a austeridade é para continuar. Será preciso ser muito estúpido para acreditar neste discurso enganoso. Como bem disse a mesma Catarina Martins "a palavra do primeiro ministro não vale nada".
Da mesma CM a intervenção resume a importância da criação: "a criação é uma forma de conhecimento, uma forma de qualificação e uma forma de soberania, porque é uma forma de pensarmos sobre nós, de nos projectarmos e termos um lugar no mndo. Os cortes põem em causa a capacidade de o nosso país se pensar".
Não posso estar mais de acordo. Nem tudo deriva ou depende do apoio do Estado, nem todos os problemas estariam resolvidos com esse apoio - as suas formas podem e devem ser melhoradas e escrutinadas - mas a sua actual ridícula dimensão é o outro lado do espelho que favorece a infantilização da população - o titytainmnent - esse sim, o programa cultural do governo e em geral do capitalismo. Favorecer a autoridade, favorecer a passividade e a depressão perante as várias formas de poder do estado, das chefias das grandes empresas, das chefias dos bancos, de todas as formas de poder disseminado. A minha impotência face às dificuldades de colocar os CDs recentes simplesmente à venda (!) é apenas um mero grão de areia neste quadro geral muito mais vasto.
O voto nas próximas eleições apresenta, para mim, 4 possibilidades plausíveis de oposição de diversos graus e matizes: PS, PC, BE e Livre. Decidirei conforme decidir.
Na Grécia há o Syrisa em disputa pelo primeiro lugar nas sondagens. Honra à lucidez e capacidade das esquerdas gregas.
APV,
compositor; Professor na Escola Superior de Música de Lisboa
14/05/14
Abstenção: os dados não estão todos lançados
no i online,
publicado em 14 Maio 2014
Por Carlos Moreno *
* Juiz conselheiro jubilado do Tribunal de Contas
Escreve quinzenalmente à quarta-feira
publicado em 14 Maio 2014
Por Carlos Moreno *
Os candidatos eleitorais, sob pena de serem responsáveis por uma abstenção recorde, não poderão deixar de apresentar propostas concretas e credíveis
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| de Botero, Rapto de Europa |
No plano do funcionamento da democracia, as eleições europeias voltarão a trazer, com toda a probabilidade, um problema que, em termos de adesão, vivência e confiança no regime democrático, parece cada vez mais inquietante, perturbador e crescentemente insolúvel - o da abstenção, que poderá atingir níveis recorde, à volta dos 65%, já a 25 de Maio!
Habituámo-nos, no passado, sobretudo imediatamente a seguir a actos eleitorais, a análises e comentários teoricamente angustiados sobre elevadas percentagens de abstenção e do crescente divórcio entre cidadãos e participação activa na vida política. Cumpridos, porém, os lamentos da praxe, esquecemos tudo rapidamente, passamos uma esponja sobre o assunto e nada fazemos para minorar o problema e muito menos para o resolver de forma adequada antes de novas eleições, a seguir às quais voltamos às lamúrias e a procurar novas explicações para os elevados e repetidos níveis de abstenção.
A democracia está indissociavelmente ligada ao voto popular e sem ele ou com o seu decréscimo sucessivo e cada vez mais expressivo murcha e pode até secar. Todavia, o voto dos cidadãos tem de ser regado e adubado e continuamente reconquistado de forma eficiente e eficaz pelos agentes políticos.
Como entendo que mais vale prevenir que remediar e prefiro sugestões construtivas avançadas previamente a chorar sobre leite derramado, alinho seguidamente breves propostas que, na minha leitura da realidade actual, porventura demasiado inocente, poderiam ainda ser tidas em consideração pelos concorrentes às europeias de 25 de Maio com vista a minorar o divórcio que parece à vista no terreno da campanha eleitoral entre o povo e os candidatos à conquista dos seus votos.
Duas atitudes deviam passar, com verdade e convicção, a ser a chave do relacionamento na campanha entre os concorrentes às eleições de 25 de Maio e o povo: a apresentação de um caderno de encargos seguramente com poucas medidas, mas as mais urgentes e prioritárias, e respectivo calendário de execução e a assunção inequívoca do dever de responsabilidade.
Os portugueses confrontam-se actualmente com vários problemas gravíssimos para alguns dos quais exigem respostas imediatas, no quadro europeu e nacional. Destaco o da pobreza, o do desemprego jovem e de longa duração e o da queda continuada da taxa de natalidade. Os candidatos eleitorais, sob pena de serem responsáveis por uma abstenção recorde, não poderão deixar de apresentar propostas concretas e credíveis no quadro europeu e nacional, para tentar minorar estas carências socialmente insuportáveis, em vez de se digladiarem durante duas semanas sobre os culpados das misérias portuguesas e quais de entre eles são os mais puros, os mais sérios e os que mais merecem receber cheques em branco dos eleitores.
Ao estado a que a vida política, económica e social chegou não bastará, porém, para cativar mais votos do povo, que os candidatos às próximas eleições apresentem um caderno de encargos claro, credível e que seleccione as medidas prioritárias, realizáveis a curto e médio prazo. Será também indispensável que acrescentem a garantia inequívoca e convincente de que no caso de serem eleitos cumprirão as suas promessas e, se por qualquer razão o não conseguirem, assumirão sem desculpas ou álibis as suas responsabilidades pelo insucesso, demitindo-se.
Pelo que acima proponho sei que muitos me apelidarão de ingénuo. Mais civicamente intolerável para mim seria ficar comodamente calado à espera que a catástrofe acontecesse para depois criticar inteligentemente os seus fautores.
Abstenção recorde nas próximas eleições? É provável. Mas os dados, numa visão sonhadora, podem não estar ainda todos lançados. -- fonte
* Juiz conselheiro jubilado do Tribunal de Contas
Escreve quinzenalmente à quarta-feira
08/05/14
o-silva-de-boliqueime
retirado do facebook,
por Amadeu Homem
em 6/5
em 7/5
por Amadeu Homem
em 6/5
RESPOSTA AO SILVA DE BOLIQUEIME
O Silva de Boliqueime, com aquele pendor pimpão, persecutório e faccioso que se lhe conhece, aproveitou estas redes sociais para perguntar , muito ufano , o que têm agora a dizer os adversários das políticas governamentais a esta "vitória de Pirro" da "saída limpa".
Olha, Boliqueimes, desde o 25 de Abril que não me era dado assistir a uma operação mais miserável, mais infame, mais medíocre do que esta que, ao que parece, tu vanglorias.
de F. Botero
Antes de te "armares à fotografia", Boliqueimes, pergunta às estatísticas quantos pobres a mais fizeram essas políticas ; quantos novos emigrantes produziram ; quantos empregos queimaram ; quantas famílias da classe média foram sacrificadas ; quantos trabalhadores por conta de outrém desesperaram ou se suicidaram ; quantas crianças ficaram por nascer ; quantos velhos partiram mais cedo para o Além ; quantos licenciados, quantos mestres, quantos doutores deixaram de ser utilizados no próprio País ; quantas pessoas , outrora auto-suficientes, tiveram de remexer em caixotes de lixo para encontrarem comida.
Se tivesses um pingo que fosse de vergonha nessa cara imunda, tu, Boliqueimes, não farias tal pergunta. Porias os olhos no chão e calavas-te muito caladinho.
Mas tu és o que és e jamais poderás ser outra coisa : um traste que foi colocado por outra meia dúzia de trastes na Presidência da República do meu País.
em 7/5
UM CROMO MUITO SUJO
Houve quem tivesse estranhado uma verbalização "demasiadamente agreste" no modo como foi redigida a postagem "Resposta ao Silva de Boliqueime".Passo a explicar que tal personagem não me merece a menor ponta de respeito ou de consideração. Não o encaro como um Presidente da República. Tenho-o como um moço de fretes do actual Governo. O tipo nem sequer consegue ser fiel à palavra dada. Recordarão, certamente, que este Silva opinou e fez constar que, em sua opinião, a saída da Troika deveria ser acompanhada de um programa cautelar. Esta opinião, à partida tão respeitável como qualquer outra, foi divulgada e comentada em todos os órgão de comunicação social. O Silva de que falamos, acoitado lá por Belém, tomou depois conhecimento que o actual governo se decidira por uma saída "limpa". Esperava-se que o Silva, fiel às suas opiniões e convicções, ao menos se calasse. Pois se, tão recentemente, acabara por pronunciar-se por um programa cautelar !!! Mas não ! Este Silva, putativo Presidente da República Portuguesa, entendeu que, contra as suas próprias palavras, era necessário "apresentar serviço". E vai daí, faz uma postagem miserável, em contradita com as suas opiniões anteriores, onde blasonava esta roncadeira : "Que têm agora a dizer os que sempre duvidaram de uma saída "limpa" ?" (não sei se as palavras foram exectamente estas, mas o sentido foi-o, seguramente). Mas não fora ele próprio a ponderar que era melhor, para Portugal - a República de que é infeliz e nulo Presidente ... - que a saída fosse precavida com um porograma cautelar?O Silva quis ficar bem na fotografia de "ministro sem pasta" deste governo.O Silva é apenas um saco de inépcias, que nem sequer tem o pundonor de se bater pelas convicções pessoais. Se amanhã, este governo lhe atirar um osso, este Silva "põe-se a quatro" e vai a correr colher a benesse, de rabo a abanar muito. Para agradar. Para que lhe atirem, seguidamente, outro osso.O Silva não é uma figura política. É um cromo. Sujo. Muito, muito sujo !
07/05/14
A higiene necessária para lidar com a “saída limpa”
no Público,
7 de Maio de 2014
por Santana Castilho *
7 de Maio de 2014
por Santana Castilho *
As 10 estratégias de manipulação, segundo Chomsky, são presença profusa na acção do Governo. O processo de saída do programa de assistência financeira e o discurso de Passos Coelho, que o anunciou, ilustram-no.
“Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto-circuito na análise racional e pôr fim ao sentido crítico dos indivíduos”, diz Chomsky. Passos tentou-o quando aproveitou a comunicação ao país para vender esperança que não cola e dramatizar com o medo que a fome e o desemprego espalharam. Mas porque a sua palavra está totalmente desacreditada, não o conseguiu. Quando disse “hoje, em Conselho de Ministros, o Governo decidiu que sairemos do Programa de Assistência sem recorrer a qualquer programa cautelar”, todos sabemos que manipulou a verdade. O Governo não decidiu. Decidiram a Alemanha e a Finlândia e, por elas, a Europa. Quando disse “temos reservas financeiras para um ano, que nos protegem de qualquer perturbação externa”, omitiu que essa almofada financeira, de 10 mil milhões de euros, custa 850 milhões de juros por ano, retirados à educação, à saúde e à protecção dos mais fracos.
O discurso de Passos Coelho foi patética propaganda ferida de credibilidade mínima pelas mentiras da véspera, que o Documento de Estratégia Orçamental 2014-2018 evidenciou. Nada do que ele ou o Governo digam merece crédito. Garantiram que a carga fiscal não aumentaria. Mas subiram o IVA e a TSU. Compararam pateticamente a saída da Troika, a 17 de Maio, ao 25 de Abril e a 1640. Até inauguraram relógios em contagem decrescente. E agora, afinal, todos sabemos o que eles sabiam desde o princípio: que a tutela da Comissão Europeia e do FMI vai manter-se até 2037 e 2021, respectivamente.
“Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para o seu controlo e escravidão” é estratagema para manter os cidadãos na ignorância, insiste Chomsky. Há 3 anos que Passos assim procede, querendo fazer-nos acreditar que o sonho de modernizar o país foi um erro, que devíamos ter continuado pobres e sem ambições, numa palavra, que fomos irresponsáveis e vivemos acima das nossas possibilidades. Mas diz-nos uma outra análise, mais fina, que a verdadeira história é diversa. Que o modelo de união monetária (sem união política verdadeira, sem união fiscal e sem união bancária) intensificou as desigualdades entre as economias europeias, com o norte a apossar-se das empresas produtivas dos países periféricos. É este desequilíbrio que acentuou o défice comercial dos países do sul e gerou excedentes nos do norte, particularmente na Alemanha. Com este pano de fundo, surgem os irresponsáveis alternativos aos cidadãos “irresponsáveis” do sul: os bancos alemães e todos os bancos que se financiaram junto dos bancos alemães. Com efeito, a grande quantidade de dinheiro drenada para os bancos alemães pela assimetria descrita (700 mil milhões de euros) foi usada para especular, financiando dívida de bancos irlandeses, bolha imobiliária espanhola e mil e um negócios de outros bancos, que se aprovisionaram junto dos bancos alemães. Foi este sôfrego desatino (de bancos que não de cidadãos comuns) que encheu a banca alemã de activos tóxicos. E não resisto a abrir um parêntesis para recordar que Jonathan Alpert, conhecido como o terapeuta de Wall Street, citado pelo Expresso de 17/9/11, disse, referindo-se aos que gerem o modelo económico que nos domina, que “eram gente impulsiva, narcisista, que mede o sucesso pela quantidade de dinheiro, que adora o risco e tem dificuldade em gerir o equilíbrio dos vários elementos da vida (família, trabalho e lazer), cuja maioria (60%), consome drogas, álcool e gasta milhares de dólares em prostitutas".
Quando a crise rebentou, Merkel protegeu os seus banqueiros e todos os banqueiros estrangeiros. Os bancos, irresponsáveis pela forma imprudente com que emprestaram sem rei nem roque, não faliram. Mas os países resgatados (e logo os cidadãos respectivos) ficaram com as suas dívidas. Os nacionais de cada país pagaram aos bancos alemães. E os coelhos deste mundo, reverentes a Merkel, agradeceram-lhe a “ajuda” e acusaram os seus povos de terem vivido acima das suas possibilidades. Mais ainda. Foi a mesma Alemanha que impediu o Banco Central Europeu de fazer o que devia e com isso criou nova e escandalosa vantagem para si mesma: enquanto os juros da divida pública dos outros foram subindo, os seus foram descendo.
No próximo dia 25 de Maio, a Europa vai a votos e com ela as suas políticas de austeridade. Diga o Governo o que disser, é altura de proceder à higiene mínima necessária para lidar com a nossa “saída limpa”. Uma “saída limpa” suja por três anos de voragem, que imolaram os jovens, desempregaram os pais, perseguiram os avós, reduziram o PIB, aumentaram a pobreza e colocaram o país dependente de decisões de fora, com uma dívida pública que cresceu em vez de diminuir.
* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)
06/05/14
o retrocesso dos Direitos Humanos na Europa
entrevista
06/05/2014
Portugal cala-se sobre violações de direitos em África por "razões económicas"
João Manuel Rocha06/05/2014
Salil Shetty, secretário-geral da Amnistia Internacional, considera que os direitos humanos estão em retrocesso na Europa e lamenta que mesmo líderes europeus “com visões progressistas” fiquem “em silêncio por medo de perderem votos”.
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| Salil Shetty: “Os Governos têm de ter a transparência máxima e não o secretismo máximo” |
É por “razões económicas” que Portugal nada diz sobre violações de direitos humanos em países africanos a que está ligado. A denúncia é do secretário-geral da Amnistia Internacional, Salil Shetty, que ontem se encontrou com o primeiro-ministro, Passos Coelho. Horas antes, falou ao PÚBLICO sobre assuntos como a discriminação na Europa e disse que as políticas migratórias actuais consistem em “empurrar as pessoas para fora”, o que é um erro porque “mais imigração representaria mais sucesso económico”.
Nos contactos que tem mantido em Lisboa, Shetty, 53 anos, indiano, lembra que a Amnistia foi criada em 1961, depois de o fundador, Peter Benenson, ter lido uma notícia sobre a detenção de estudantes portugueses. “Não existiríamos sem Portugal.” Em véspera de eleições para o Parlamento Europeu falou também sobre assuntos como a Síria – “provavelmente a maior tragédia do nosso tempo” – e os programas de vigilância global em larga escala. Edward Snowden “está do lado certo do direito internacional”, afirma.
Veio falar sobre discriminação na Europa. Como avalia a situação e como acha que se deve lidar com ela?imagem e texto daqui
Estamos muito preocupados com os retrocessos dos direitos humanos desde há uns anos. Estamos focados em duas dimensões: o tratamento de refugiados, imigrantes e requerentes de asilo; e a discriminação contra ciganos. São exemplos da inversão dos valores fundamentais da inclusão e igualdade. E a crise económica agravou a situação.
Esses valores estão em perigo?
Sim. Os membros da Amnistia em Portugal contaram-me que quando vão às escolas falar da pena de morte, jovens de 15 e 16 anos acham que a pena de morte é uma coisa boa. Pensaríamos que na Europa isso seria coisa do passado, mas essas ideias estão a voltar. Vimos em Lampedusa [ilha italiana, importante porta de entrada de imigrantes] pessoas que vinham a fugir de perseguições, de violência, da pobreza, literalmente empurradas de volta para o mar e muitos morreram… Diz-se que a Europa está cheia e não pode receber mais gente mas o número dos que acolhe é muito pequeno. O caso dos ciganos é também um exemplo de discriminação e aí a questão institucional é importante: há legislação anti-discriminação mas não é utilizada. Veja-se o caso da República Checa.
Critica a Europa pelas suas políticas migratórias e de asilo e por achar que a resposta à vaga de refugiados da Síria foi inadequada. O que é que a Europa podia fazer diferente?
As políticas actuais assentam na detenção, em empurrar as pessoas para fora, o que leva a graves violações dos direitos humanos e não corresponde aos padrões europeus. A detenção é um último recurso. Em Junho, o Conselho Europeu vai discutir estas políticas e o que propomos é que o sistema de busca e resgate existente serva para proteger os imigrantes, refugiados e requentes de asilo e não para os manter à distância. O apoio que é dado pela Europa aos países por onde entram é muito fraco, deve ser reforçado. Outra dimensão é o outsourcing que a Europa tenta fazer do problema: procura manter os imigrantes em países como a Líbia, Marrocos, Turquia, para não virem, mas isso não pára a imigração. Erguer barreiras não funciona. O que defendemos é que deve haver mais formas de permitir que as pessoas entrem legalmente.
Em que medida é que a crise influencia as políticas de asilo?
As políticas existentes foram definidas antes da crise. A crise foi usada por grupos populistas para atacar pessoas. O argumento económico contra a imigração é muito fraco. Na maior parte dos países, mais imigração representaria mais sucesso económico. Quando há crise aparece esse argumento de que os imigrantes devem partir mas a verdade é que os imigrantes normalmente fazem os trabalhos que mais ninguém quer fazer. Toda a gente beneficia.
Falou de sentimentos anti-imigração. Como encara o crescimento de grupos extremistas?
O bom da democracia é que todos podem expressar os seus pontos de vista mas precisamos de liderança. Infelizmente mesmo líderes com visões progressistas ficam em silêncio por medo de perderem votos. A liderança implica não estar apenas preocupado com a próxima eleição mas com a próxima geração. Se se acredita em valores não se pode ter políticas de imigração e de asilo contrárias a esses valores, que contrariem os direitos das pessoas.
A Europa vai ter agora eleições. Qual é melhor cenário pós-eleitoral em matéria de direitos humanos? Se considerar por exemplo a austeridade, que é um problema sério em muitos países, como Portugal, Espanha, Grécia, Irlanda, e me perguntar o que é um bom resultado nesses países, digo-lhe que não importa quem ganhe, o que importa é que sejam pessoas sensíveis aos direitos das pessoas vulneráveis porque infelizmente a austeridade foi provocada por alguns mas as consequências atingem os mais vulneráveis. Precisamos de Parlamento Europeu de pessoas sensíveis aos direitos humanos e que os promovam. É esse o melhor cenário.
a mentira
retirado do facebook,
por Miguel Vale de Almeida
por Miguel Vale de Almeida
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| de Helena Almeida |
Admiramo-nos, e bem, com a capacidade para a mentira e a ausência de escrúpulos do governo. No entanto, se pensarmos bem, a cultura em que o meio social do governo cresceu e vive não vê a mentira como mentira nem a ausência de escrúpulos como tal.
Uma cultura de sucesso empresarial e profissional, bem como de status e aparências, guia-se pelo objetivo e pelos resultados finais, nunca pelo processo ou pelos valores éticos de base. O sucesso da minha empresa mede-se pelos lucros, o que justifica todas as estratégias e táticas usadas para lá chegar - assim como o meu sucesso estatutário se mede pelo reconhecimento das aparências certas pelos outros, nunca pelas contradições, hipocrisias, segredos, ou atos contrários à moralidade propagada pela narrativa das aparências.
É também por isto que é bem possível que não tenham consciência - uma consciência moral, reflexiva - das mentiras que propagam, dos escrúpulos que abandonam. Sabem que mentem, sim, mas a mentira é instrumentalmente justificada. É nisto que reside o horror.
05/05/14
de "saídas limpas" e outras estranhezas
no DN,
02 maio 2014
por Viriato Soromenho Marques
02 maio 2014
por Viriato Soromenho Marques
Mais perdas do que ganhos
.
Depois destes três anos de voragem, todos temos a obrigação de estabelecer um balanço do "programa de ajustamento".Na minha leitura, os ganhos são frágeis e conjunturais, enquanto as perdas são estruturais, e algumas até irreparáveis.O equilíbrio das contas externas é a nota positiva, mas uma análise mais fina revela que ele só ocorreu devido a uma redução das importações, em virtude da contração da procura interna.Por outro lado, a redução da despesa pública, como na saúde e na educação, ultrapassou em muitos casos a linha vermelha da entropia de instituições e serviços.A redução do défice foi obtida através de uma austeridade mais baseada no aumento dos impostos do que em cortes inteligentes da despesa.Os falhanços estruturais são imensos. Desde logo uma dívida pública que não cessa de aumentar (e a redução da dívida foi o motivo deste programa!), e cuja gestão futura se assemelha a uma roleta russa.O aumento vertiginoso do desemprego e a explosão da emigração criam problemas sociais permanentes e alienam recursos humanos válidos e insubstituíveis por um período que só poderá ser de longa duração.A redução do PIB e o aumento da pobreza demorarão anos a ser compensados por taxas anémicas de crescimento.Uma trajetória que arrisca a deflação, aumenta ainda mais os custos do crédito e do investimento, que seriam indispensáveis para o aumento da competitividade.Como coroa do desaire, a gestão danosa dos ativos públicos, através de privatizações que lesam o interesse nacional, reduzem o Estado a uma entidade virtual, incapaz de se assumir como um criador de estratégias que compensem a total dependência em que o País se encontra de decisões alheias.E o facto de este cândido balanço não ser unânime revela que, mesmo no plano da ética pública, nenhuma lição parece ter sido aprendida. -- fonte
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