- as imagens das colunas laterais têm quase todas links ..
- nas páginas 'autónomas' (abaixo) vou recolhendo posts recuperados do 'vento 1', acrescentando algo novo ..

23/04/14

capitães de Abril

da Associação 25 de Abril:

desmentido
Desmentindo a notícia publicada pelo jornal "Correio da Manhã" na última página da sua edição de 23 do corrente (hoje), informamos que mantemos a decisão de não comparecer na sessão solene da Assembleia da República, comemorativa dos 40 anos do 25 de Abril.

Perante a falsidade da notícia, que lamentamos profundamente, decidimos não tecer qualquer comentário.

Relembramos que se mantém a homenagem aos Militares de Abril falecidos, na pessoa de Fernando Salgueiro Maia, no dia 25, às 11h00, no Largo do Carmo, seguida de intervenção de Vasco Lourenço e de homenagem, na rua António Maria Cardoso, aos cidadãos assassinados pela PIDE/DGS no dia 25 de Abril de 1974;

25 de Abril

https://www.facebook.com/A25Abril?fref=photo

do i online:

Capitães vão evocar Salgueiro Maia 

em cerimónia paralela à da Assembleia 


Estas celebrações em simultâneo com S. Bento foram decididas depois de os partidos da maioria terem vetado a possibilidade de os capitães de Abril intervirem no plenário na sessão solene 

A cerimónia que os capitães de Abril vão realizar no Largo do Carmo , paralela à sessão solene na Assembleia da República, inclui uma evocação a Salgueiro Maia, anunciou esta quinta-feira a Associação 25 de Abril (A25A). 

A sessão solene no parlamento para comemorar os 40 anos da revolução está agendada para as 10 horas da manhã e a homenagem a Salgueiro Maia, promovida pelos militares, está marcada para às 11h00

“A direcção da Associação 25 de Abril informa que decidiu levar a efeito uma evocação a Salgueiro Maia, nela personificando a homenagem a todos os militares de Abril, no Largo do Carmo, no dia 25 de Abril às 11.00, evento para o qual desafia toda a população”, refere o comunicado da associação. 

Estas celebrações em simultâneo com S. Bento foram decididas depois de os partidos da maioria terem vetado a possibilidade de os capitães de Abril intervirem no plenário na sessão solene. 

“Como a vontade do parlamento não correspondeu à iniciativa da dra. Assunção Esteves, mantendo-se a recusa em dar voz aos militares de Abril, a Direcção da Associação reitera a sua decisão de não aceitação do convite”, justifica a associação. 

Assim, e além da evocação a Salgueiro Maia, os militares vão também discursar no Largo do Carmo, através do presidente da Direcção da A25A, Vasco Lourenço, que, esclarece o comunicado, “proferirá uma intervenção de fundo na linha da que seria feita na sessão solene na Assembleia da República”. 

Ao fim da tarde, após o desfile na Av. da Liberdade, está prevista também uma romagem ao edifício onde funcionava a PIDE/DGS, na Rua António Maria Cardoso, para lembrar “os cidadãos ali assassinados”. 

Mensagem da Associação 25 de Abril

 - 25 de Abril de 2014 -
22 de Abril de 2014 às 15:52

Mensagem da Associação 25 de Abril

MENSAGEM
Passados 40 anos depois da madrugada que deu origem a “o dia inicial inteiro e limpo/onde emergimos da noite e do silêncio/e livres habitamos a substância do tempo” qual o tempo que hoje nos é dado?
Cada dia que passa, assistimos à destruição do positivo que foi construído, em resultado da acção libertadora de há 40 anos!
O país está vendido, em grande parte e a pataco, ao estrangeiro!
A emigração de muitos portugueses consuma-se, levando consigo muito do saber e da capacidade indispensáveis à desejada recuperação de Portugal!
Os roubos permanentes a que os portugueses são sujeitos, da parte dos que deviam protegê-los e prover pelo seu bem-estar estão a destruir a esperança no futuro!
A ausência de uma justiça igual para todos provoca o descrédito do que deveria ser um Estado de Direito!
Os detentores do poder assumem-se, cada vez mais, como herdeiros dos vencidos em 25 de Abril de 1974!
As desigualdades, consumadas no aumento do enriquecimento dos que já têm tudo e no cada vez maior empobrecimento dos mais desfavorecidos, transforma a nossa sociedade num barril de pólvora que apenas será sustentável numa nova ditadura opressiva, com o desaparecimento das mais elementares liberdades.
O medo, pelo futuro, cada vez mais, propaga-se em variados sectores da sociedade!
Como há já alguns anos, manifestamos a nossa indignação face aos acontecimentos que se estão vivendo em Portugal e configuram, sem a menor dúvida, um enorme e muito grave descrédito dos representantes políticos, um logro à confiança dos cidadãos e um desprestígio para o nosso País.
A Democracia baseia-se num pacto social, onde os cidadãos elegem os que consideram os mais indicados para gerir os assuntos públicos e para os representar durante um período de tempo previamente acordado.
A Democracia não é, nem pode ser jamais, a concessão a uns quantos de uma patente de pilhagem para se enriquecerem durante quatro anos ou mais!
A Democracia tem o seu fundamento na confiança que os representados têm nos seus representantes e na lealdade destes perante quem os elegeu.
Quando essa confiança é traída e essa lealdade desaparece, o prestígio e a legitimidade moral da classe política desmoronam-se e o cimento da Democracia apodrece.
Tudo isto tem-se agravado, cada ano que passa.
Porque continuamos a considerar que a antecâmara do totalitarismo surge quando num Estado de Direito a classe política perde o seu prestígio, porque se transforma numa espécie de casta que deixa de servir os interesses de todos para servir apenas os seus próprios interesses.
E, porque queremos lutar pela manutenção da Democracia, que apenas será viável pela reafirmação dos valores de Abril, proclamamos a imperiosa necessidade de:
Assunção de um compromisso nacional na defesa e manutenção do Estado Social que legitimamente satisfaça as necessidades básicas, erradique a pobreza “vergonha de nós todos”, e abra um caminho de esperança e de luz para o sector mais desprotegido da sociedade portuguesa que lhe possibilite o acesso à formação, educação e emprego.
Assunção de um compromisso nacional para a promoção de um duradouro programa de educação e investigação científica, para qualificação dos jovens nas áreas fundamentais da globalização.
Assunção de um compromisso nacional para a promoção de um programa duradouro do sistema judicial, de forma a tornar a justiça mais célere e mais próxima dos cidadãos, sem descriminação entre pobres e ricos.
Assunção de um compromisso nacional duradouro de um programa de emprego agregador e integrador dos vários saberes e competências acumuladas, que incentive o regresso de milhares de “cérebros” forçados à emigração, que incorpore jovens licenciados, agregue adequados programas de formação para jovens que abandonaram os estudos, e para trabalhadores activos que necessitem actualizar e melhorar saberes e competências.
Assunção de um compromisso nacional e duradouro de um programa de desenvolvimento económico sustentável à adopção dos objectivos enunciados para a manutenção do Estado Social e dos programas de educação, justiça e emprego.
O governo e a cobertura que lhe é dada pelo Presidente da República protagonizam os fautores do “estado a que isto chegou” razão pela qual não serão eles a quem possa continuar a confiar-se os destinos de Portugal.
Torna-se, por isso, urgente uma ampla mobilização nacional para sermos capazes de aproveitando as armas da Democracia mostrar aos responsáveis pelo “estado a que isto chegou” um cartão vermelho, que os expulse de campo!
Temos de ser capazes de expulsar os “vendilhões do templo”!
Os desmandos e a tragédia da actual governação não podem continuar!
Igualmente, temos de ser capazes de retornar às Presidências de boa memória de Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio!
O 25 de Abril foi libertação e festa, passou por participação e desenvolvimento, mas passou também por retrocesso e desilusão, fruto da corrupção e esbanjamento.
Hoje sofre revanchismo, roubo e destruição.
Que se consubstancia em despudorados ataques à saúde pública, à educação, à segurança social, ao direito ao trabalho, ao direito a uma velhice sossegada, e aponta para o fim das liberdades, da soberania e da democracia.
Temos de ser capazes de ultrapassar os sectarismos, temos de ter a capacidade de, contrariamente ao que normalmente acontece, e reconhecer o inimigo comum, mesmo antes de sermos totalmente derrotados.
Vencendo o conformismo, temos de ser capazes de resistir de novo, reconquistar as utopias, arriscar a rebeldia e renovar a esperança!
Recolocados os valores da madrugada libertadora, nessa altura, vencido o medo, poderemos então retomar a esperança de continuar a construir Abril!

Viva Portugal!
Viva o 25 de Abril!

25 de Abril de Abril de 2014

O 25 de Abril e a escola de Durão Barroso e Nuno Crato

no Público,
23 de Abril de 2014

por Santana Castilho *

Tornou-se um lugar-comum dizer que a história da Educação da democracia é a história de sucessivas reformas avulsas, quase sempre descontextualizadas e elaboradas sem o concurso dos docentes. Mas a esta característica consensual veio acrescentar-se a desolação dos anos de Crato. Os constrangimentos impostos pela crise sofreram a interpretação de um fanático dos resultados quantitativos que, incapaz de ponderar os efeitos das suas políticas, está a produzir sérias disfunções no sistema de ensino, que nos reconduzem à escola de 24 de Abril, aquela que Durão Barroso evocou e celebrou há pouco, no antigo Liceu Camões. Porque ambos nos querem fazer acreditar que o sonho de modernizar o país foi um erro, que estava acima das nossas possibilidades, que devíamos ter continuado pobres e sem ambições, a eles e a todos os que olham a Educação como mercadoria, aos que ainda não tinham nascido em Abril de 74 e hoje destroem Abril com a liberdade que Abril lhes trouxe, importa recordar, serenamente, o que Abril fez: 

Em 1974 existiam apenas cerca de 100 escolas técnicas e liceus, para 40.000 alunos. Em 40 anos de democracia construíram-se mais de 1.000 novas escolas, para mais de milhão e meio de alunos. 

Em 1974 havia apenas 26.000 professores. Desses, apenas 6000 eram profissionalizados. Em 40 anos de democracia formaram-se e profissionalizaram-se milhares de professores. Antes dos predadores que hoje governam, eram 150.000. 

Em 1974 imperava o livro único e 4 anos bastavam. Em 40 anos de democracia chegámos a uma escolaridade obrigatória de 12 anos. 

Em 1974 fechavam-se crianças nos galinheiros e a taxa de cobertura do pré-escolar era 8%. Em 40 anos de democracia essa taxa ultrapassou os 80%, graças a uma rede de pré-escolar que acolhe hoje cerca de 270.000 crianças. 

Em 1974 a taxa de escolaridade aos 17 anos era 28%. Em 40 anos de democracia passou para 80%. 

Em 1974 a universidade era para uma escassa elite e para homens. Em 40 anos de democracia trouxemos para a universidade cerca de 370.000 portugueses, dos quais mais de metade são mulheres. 

A trave mestra do desenvolvimento da sociedade portuguesa, a Educação, foi liminarmente implodida pelo actual Governo, que rejeitou uma das bandeiras de Abril, a educação para todos. Agora que Abril dobra a esquina dos 40, é urgente que a denominada sociedade civil desperte para o sombrio que mancha a paisagem humana das nossas escolas: preocupantes sinais de violência na relação entre alunos e no seu relacionamento com professores e funcionários; esgotamento físico e psíquico do corpo docente, vergado pelo grotesco burocrático de tarefas inúteis, impostas por políticas despóticas; êxodo precoce dos professores mais experientes; clima de luta insana por uma carreira sem futuro, donde se esvaiu a cooperação e a confiança que cimentava a comunidade humana dos docentes. 

Celebrar Abril, adiado para a Educação até um dia, passará, imperiosamente por: 

- Gerar um compromisso nacional duradouro entre as forças partidárias quanto às políticas que estruturam o sistema de ensino, despolitizando os serviços técnicos, desburocratizando a vida das escolas e protegendo a administração superior da volatilidade da política. 

- Reestruturar a Inspecção-Geral da Educação, orientando-a prioritariamente para a supervisão pedagógica organizada em áreas científicas e colocando-a sob dupla tutela (Assembleia da República e Governo). 

- Subtrair o financiamento básico do ensino obrigatório à lógica casuística de qualquer Governo, para que a escola inclusiva, para todos, não seja presa fácil de derivas de austeridades de ocasião. 

- Adoptar a verdadeira e sempre adiada autonomia das escolas, como alternativa à municipalização do ensino, vertente falsa da falácia da desconcentração do poder. 

- Reverter a política de privatização da escola pública, separando claramente o que é público do que é privado e clarificando os modelos de financiamento: financiamento público para o que é público, financiamento privado para o que é privado. 

- Reorganizar globalmente os planos de estudo e os programas disciplinares, em sede de estrutura profissionalizada e especializada em desenvolvimento curricular, dando-lhes coerência, recuperando a dignidade das humanidades e das expressões e adequando-os, em extensão, ao que a psicologia do desenvolvimento postula como limites. 

- Devolver dignidade e autoridade aos professores, devolver-lhes a confiança do Estado e devolver-lhes espaço e tempo para a indispensável reflexão sobre a prática profissional e sobre o ensino que professam. 

- Devolver às escolas a democraticidade perdida, adequando a natureza dos órgãos às realidades sociais existentes e abandonando a lógica concentradora do poder num só órgão. 

- Reverter a solução dos mega-agrupamentos, que provocaram custos humanos inaceitáveis para alunos, famílias, professores e funcionários. 

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt).

17/04/14

"Deflação, sim ou não, eis a questão"

no jornal i
publicado em 16 Abr 2014 

por Carlos Moreno*

Com toda a simplicidade, deflação é o processo oposto à inflação e consubstancia-se na desaceleração continuada do ritmo de aumento dos preços
Pensei dedicar este artigo a alguns temas ou notícias que marcam a actualidade. Por exemplo, aos resultados da sondagem publicitada por este jornal na segunda-feira passada que expressam a má imagem que o povo tem da classe política dos tempos da democracia; ao espanto de muita gente ao descobrir que o salário mínimo actual valia menos 50 euros que o fixado em 1974; à quebra perigosa de quase 10% nos salários dos licenciados, só em dois anos; às mudanças no regime de pensões e reformas, ao seu kafkiano processo de introdução na praça pública em simultâneo com inquietante opacidade sobre o respectivo conteúdo; ao choque de se saber que mais de 120 mil crianças só com a ajuda de instituições de solidariedade puderam comer em 2013; à dúvida não dissipada sobre se a atracção de investimento estrangeiro, vital, continua um patinho demasiado feio ou se transfigurou num cisne branco de neve; enfim, à vexata questio da renegociação da dívida pública e da interpretação e aplicação futuras do Tratado Orçamental europeu. 

Acabei por optar por um alerta relativo a um tema que alguns consideram já uma panela de pressão que poderá rebentar na Europa - o da deflação. 

Com toda a simplicidade, deflação é o processo oposto à inflação e consubstancia-se na desaceleração continuada do ritmo de aumento dos preços. A inflação, que todos conhecemos bem, reduz o valor real do dinheiro com o tempo e obriga a comprar menor quantidade de bens e serviços com o mesmo montante. Ao contrário, a deflação aumenta o valor real do dinheiro e permite comprar uma quantidade maior de produtos com o mesmo montante de moeda. 

Nos últimos anos, na Europa, um euro forte, salários baixos e procura fraca originaram crescimento anémico ou até negativo e níveis de inflação baixos. 

Ultimamente, verificou-se que os preços, já baixos, após terem recuado 0,1% em Fevereiro, voltaram a cair, 0,4%, em Março, comparativamente com igual mês do ano precedente, o que representou a maior queda homóloga dos últimos quatro anos. As campainhas de alarme soaram. 

Uma crise de deflação ou de preços em queda continuada é, como expressivamente resumiu o Dr. Pedro Santos Guerreiro no último "Expresso", "mais perigosa que a hiperinflação, porque há menos ferramentas para a resolver. Como os produtos vão ser mais baratos amanhã, os consumidores não gastam hoje - e portanto não gastam nunca. As empresas deixam de vender, de produzir, de empregar; as receitas dos impostos caem, os estados entram em défice, endividam-se... um inferno". 

Na Europa as taxas de juro estão perto de zero, pelo que ao Banco Central Europeu mais não restará, para fazer frente a uma tal eventualidade, que injectar moeda, ou seja, adoptar um plano de expansão monetária e de compra de activos financeiros, em moldes parecidos com o que foi feito nos EUA e no Reino Unido, para tentar fazer subir preços e desvalorizar o euro. 

Mesmo contrariando tudo o que jurou nunca fazer, o BCE, na semana passada, entreabriu as portas à possibilidade de injectar moeda. Mas, segundo analistas credíveis, parece apavorado com a eventual baixa prolongada de preços e, para já, atira o problema para debaixo do tapete. 

O BCE não pode menosprezar a realidade europeia actual, marcada pelo risco de deflação ou de inflação baixa durante período prolongado e continuar a ignorar os alertas que têm sido protagonizados pelo FMI e por diversas instituições ligadas à investigação económica. 

Saber ouvir e agir tempestivamente poderá salvar a Europa de nova e mais dura catástrofe económica e social - a de uma espiral deflacionista. Deflação, sim ou não, é pois questão fulcral no actual momento europeu. Nem eleições europeias a 25 de Maio a devem escamotear. -- fonte

*Juiz conselheiro jubilado do Tribunal de Contas 
Escreve quinzenalmente à quarta-feira

16/04/14

antigamente NÃO era bom!

... Published on 18 Apr 2012

pelo grande Ary dos Santos, Poeta da Revolução:

«De tudo o que Abril abriu, ainda pouco se disse. 
E só nos faltava agora que este Abril não se cumprisse!»



***
a ver:
 no facebook, 
testemunhos do Portugal do "antes do 25 de Abril":

Antigamente É Que Era "bom"


***
.

Donos de Portugal

«Donos de Portugal é um documentário de Jorge Costa sobre cem anos de poder económico. O filme retrata a proteção do Estado às famílias que dominaram a economia do país, as suas estratégias de conservação de poder e acumulação de riqueza.
Mello, Champalimaud, Espírito Santo -- as fortunas cruzam-se pelo casamento e integram-se na finança. Ameaçado pelo fim da ditadura, o seu poder reconstitui-se sob a democracia, a partir das privatizações e da promiscuidade com o poder político. Novos grupos económicos -- Amorim, Sonae, Jerónimo Martins - afirmam-se sobre a mesma base.
No momento em que a crise desvenda todos os limites do modelo de desenvolvimento económico português, este filme apresenta os protagonistas e as grandes opções que nos trouxeram até aqui. Produzido para a RTP 2 no âmbito do Instituto de História Contemporânea» - fonte

Donos de Portugal 

Cem Anos de Corrupção Política e Poder Económico

15/04/14

"um Cícero que nos convoque"!

retirado daqui

por Carlos Esperança
em 15 de Abril de 2014


Os netos do salazarismo vingam os pais 


Chegados ao poder, depois de assistirem ao silêncio magoado dos pais, derrotados em sucessivas eleições livres, os mais reacionários de sempre, estão aí para se desforrarem de 37 anos que, apesar dos solavancos, decorreram com o 25 de Abril como referência.

Hoje, carregados de ódio e ignorância, ressentidos com as conquistas dos trabalhadores e as liberdades conquistadas, querem vencer pelo medo os que ainda não se vergam, não se ajoelham e recusam andar de rastos.

Tiram-nos tudo, o direito à saúde, à segurança social e ao ensino. A saúde, esquartejada entre bancos e IPSS, o ensino entregue às sotainas e ao capital e a segurança social à mercê da sopa dos pobres e à caridadezinha, para quem não pode pagar seguros.

O problema é nosso, na placidez bovina com que lhes toleramos as ofensas aos militares de Abril, na mansidão com que mostrámos quando nos extorquiram os feriados do 5 de Outubro e do 1.º de Dezembro e deixámos que nos desafiassem com o roubo das datas identitárias.

Os portugueses deixaram de nascer com vergonha e medo dos que nos governam e, os que ainda vivemos no desassossego dos que nos querem mortos ou emigrados, somos incapazes de julgar o gangue do PPN, os partidos que ele subsidiou e as pessoas cujas campanhas eleitorais patrocinou.

“Até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência?”, ou em latim, como o secretário de Estado que experimentou a reação dos portugueses perante a transformação dos cortes provisórios das pensões, em definitivos: “Quosque tandem abutere, Catilina, patientia nostra” ?

Falta-nos um Cícero que nos convoque.

Dia de raiva

no i online
publicado em 15 Abr 2014

por Nuno Ramos de Almeida*

A democracia está em crise porque está esvaziada. O governo dos credores transformou-a num simulacro. É preciso recuperá-la.

de Júlio Pomar
Um dos dados mais preocupantes da sondagem sobre o 25 de Abril publicada pelo i e realizada pela Pitagórica é que apenas pouco mais de 1% dos inquiridos consideram a liberdade de expressão uma das conquistas mais importantes da Revolução. Numa entrevista que fiz recentemente, uma jovem dizia que a liberdade de expressão é importante, a única coisa que falhava é que depois não ouviam o que as pessoas expressavam. O povo sente que a liberdade não serve para nada. 

Não fechemos os olhos: 40 anos depois da Revolução temos uma democracia que está esvaziada, em que as pessoas foram afastadas dos centros de decisão. A liberdade e a democracia são jogos catárticos que servem para dar uma ilusão de livre arbítrio num regime em que tudo se decide nos conselhos de administração dos sítios do costume e no seu braço armado, que são as instituições da troika servidas pelo governo. 

Só assim se percebe que uma crise que começou devido à especulação desenfreada tenha sido paga pelos cidadãos. Verificou-se uma espécie de inversão do conhecido slogan da extrema-esquerda: "Os ricos que paguem a crise." Aqui são os que menos têm que pagam tudo. Como dizia o filósofo Slavoj Zizek, temos uma espécie de comunismo para banqueiros, em que os prejuízos são nacionalizados, pagos por todos nós, e os lucros são privatizados e vão só para os ricos. Exemplo disso é este facto revelado pelos jornais: no pico da pior crise nacional, os salários e as reformas baixaram abruptamente, mas os rendimentos dos mais ricos e dos gestores de topo subiram exponencialmente. Sobre estes dados publicados na segunda-feira, o jornalista Filipe Paiva Cardoso escreve: "É de salientar que no período analisado [2006 a 2012] os gestores das empresas portuguesas na bolsa passaram de receber o equivalente a 25,5 salários médios dos seus colaboradores para o equivalente a 44 salários - isto quando grande parte dos trabalhadores viu o salário reduzido." 

Sempre que há eleições, brindam-nos com um dia de reflexão para podermos meditar sobre as consequências do voto. Não vá um espirro afectar a calma resignação dos nossos neurónios. Nos dias que se seguem ao sufrágio, oferecem- -nos as soluções do costume, independentemente da nossa vontade. Dizem--nos: "Não vamos subir os impostos", e sobem-nos até à estratosfera. Garantem-nos: "Honraremos o nosso compromisso com os reformados", e cortam sistematicamente as reformas. Prometem: "Não vamos aumentar o desemprego", e produzem afincadamente desempregados e garantem que quem trabalhe possa receber até menos que o salário mínimo. 

É importante que isto seja completamente diferente nas próximas eleições em Maio. Mais que de um dia de carneiros precisamos de um dia de raiva. Aqueles que não estão contentes com a sangria dos reformados, com a destruição dos serviços públicos, com o enriquecimento dos agiotas, devem poder expressar-se e dizer basta. Garantem-nos que as manifestações não servem para nada, e que mudar de voto não leva a lado nenhum. Mas cada vez mais a gente tem menos a perder, e as imagens que circulam por todo o mundo provam-nos que quando um povo é encostado à parede a rua que instaurou a liberdade e a democracia em Portugal pode voltar a expressar-se. Mais que de um dia de reflexão, precisamos de um dia de raiva que mostre que nas nossas veias corre sangue, e que não aceitamos este roubo continuado daqueles que menos têm, dos trabalhadores e de todos aqueles que trabalharam uma vida inteira. 

A palavra "democracia" quer dizer poder do povo. Limpemos a sujidade que a envolve e possa o povo ser quem mais ordena, como diz a canção, nas ruas e nas urnas. -- fonte

*Editor-executivo 
Escreve à terça-feira

os big brothers de hoje


ora bem ..

---
recebi via e-mail, tem todo o ar de ser mentira .. so what? -- apeteceu-me..

Economia paralela vai sortear um carro muito melhor 

pelos contribuintes que não peçam fatura 



«O que é que o Governo oferece? É um Aude? Um BM? Uma mercedolas? A gente oferece um Lamborghini, daqueles que abrem as portas para cima», anunciaram esta sexta-feira vários empresários ligados à economia paralela, na apresentação de um concurso que vai premiar os contribuintes que não peçam faturas.
“Fatura do Azar”, chama-se o sorteio lançado por este grupo de empresários da economia paralela. Questionados sobre a razão para lançarem este concurso e para não quererem que os contribuintes peçam fatura, os empresários são perentórios: «É por causa da floresta, porque cada vez que se emite uma fatura, cai uma árvore.»

14/04/14

ao povo o que o povo quer

... Ora nem mais! E .. pois .. continuem a votar nos 2 (+1) do costume, continuem, mas, depois, façam o favor de não se queixarem!!
de Roman Morhardt

recebido via e-mail:

Desde 2002, foram mais de 6500 as antigas escolas primárias que deixaram de funcionar. 
A reorganização arrancou pela mão de David Justino, no executivo liderado por Durão Barroso (PSD-CDS) e afectou principalmente as regiões norte e do interior do país. 

No primeiro governo de José Sócrates, com Maria de Lurdes Rodrigues, foram fechadas mais 2500, ao passo que com Isabel Alçada encerraram 700 escolas. 

Nos primeiros dois anos de mandato, o ministério de Nuno Crato fechou mais de 500 escolas. Fez um intervalo de um ano lectivo, mas os encerramentos de escolas voltam em força no ano que vem. 

Escolas frequentadas por menos de 21 alunos, independentemente de terem ou não colégios com contratos de associação financiados pelo Estado nas vizinhanças a roubarem-lhes alunos, serão desactivadas. O Governo continua a desviar da Escola pública recursos à margem da lei para financiar escolas privadas desnecessárias. 

O Governo não tem um plano de incentivo à natalidade. 

O Governo não tem uma estratégia de combate à desertificação do interior. 

Mas ao povo o que o povo quer. 
É precisamente neste interior desertificado pelas suas políticas que PSD, CDS e PS, sobretudo os dois primeiros, se é que actualmente existe alguma diferença entre os três, têm uma dimensão eleitoral mais expressiva. O interior desertifica-se muito por vontade própria. 

fonte:
http://opaisdoburro.blogspot.pt/2014/04/o-povo-e-quem-mais-ordena.html

09/04/14

O Estado Novo II, o Atlas e um truque com chancela de Cambridge

no Público,
9 de Abril de 2014

por Santana Castilho *

O Estado Novo II, o Atlas e um truque com chancela de Cambridge

1. A associação Empresários Pela Inclusão Social (EPIS) encomendou ao Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova (CESNOVA) um Atlas da Educação. Fiz leitura suficiente para encontrar informação importante e útil. Mas há três aspectos (custo dos “chumbos”, denominada “cultura de retenção” e responsabilização do centralismo pelo falhanço de sucessivas políticas reformistas) que são abordados com uma narrativa pouco cuidada, indutora de leituras menos rigorosas e, uma vez mais, responsabilizando implicitamente, por falta de uma clarificação que era exigível, os mesmos de sempre: os professores.
De todo o documento, o que foi “puxado” para título por dois jornais de referência (Público e Jornal de Notícias) foi o alegado valor anual do custo da “cultura de retenção” vigente. A leitura apressada das notícias poderá levar a inferir que professores pouco diligentes preferem chumbar os alunos a maçarem-se demasiado. Mas não é isso que se retira da produção académica das ciências sociais (universo a que pertencem os autores do estudo) e da própria OCDE, que consideram as variáveis de natureza cultural e socioeconómica como influenciadoras decisivas no desempenho dos alunos, contrariamente ao discurso oficial, que desvaloriza o peso dessas variáveis e privilegia indicadores de eficiência e eficácia. Os titereiros do Estado Novo II, em véspera de mais cortes na Educação (já anunciados pelo arauto das novidades, Marques Mendes), devem ter ficado agradados com os “sound bites” que o Atlas proporcionou: 250 milhões anuais de “gorduras”, que podem ser poupados se as relapsas escolas forem reeducadas e libertadas da “cultura de retenção”.
Que é isso de cultura de retenção? Só pode ser uma coisa: resultado de um sistema de ensino que não dispõe de instrumentos e recursos para remover os obstáculos que impedem que o aluno aprenda. A decisão de reprovar um aluno é dos professores. Mas a “decisão” de não aprender é multifactorial e deve-se, para além do que já referi, a: alunos que não querem aprender; famílias que não sabem, não podem ou não querem intervir, de modo a que os seus filhos cheguem à escola com comportamentos civilizados, que não perturbem as aulas com a indisciplina que os teóricos dos estudos não aguentariam dois dias seguidos, quanto mais uma vida, se tivessem que lhes dar aulas; famílias desestruturadas para quem a escola nada significa para além da obrigatoriedade de a frequentar, se querem receber o rendimento social de inserção; aumento da fome e da pobreza; políticas estúpidas de meritocracia estúpida, que retira meios e créditos horários às escolas com piores resultados, onde estudam os alunos de risco, que não entram nas privadas, quando eram aquelas que precisariam de reforço de recursos; diminuição criminosa de equipas multidisciplinares, que prevejam as situações que conduzem ao “chumbo”, tratado sempre como “despesa”, sem contraponto do cálculo do “investimento” que o evite. Era isto que o Atlas devia ter clarificado quando falou de “cultura de retenção”. Porque isto não é da responsabilidade dos professores. É da responsabilidade dos políticos, designadamente dos vários ex-ministros que integram o conselho científico da EPIS, que encomendou o Atlas, e do ex-ministro, que chefiou a equipa que o produziu.
O grupo de investigadores do CESNOVA destaca as “características muito marcantes de gestão centralizada” do sistema de ensino, para, subliminarmente, lhes atribuir “o insucesso dos grandes planos de reforma” (produzidas, acrescento eu, pelo seu coordenador e pelos outros ex-ministros que agora são responsáveis pela EPIS). E David Justino, o coordenador, em entrevista superveniente, mostra-se entusiasmado com a municipalização do ensino, em experiência anunciada. Estou cansado de ver ex-ministros colarem-se, depois de saírem de funções, à bondade de políticas que poderiam ter executado. A descentralização de que o sistema carece é por via autonómica efectiva das escolas, que nenhum dos ministros de que falo teve coragem de promover. Mas não precisa de municipalização, metáfora do Estado Novo II para substituir um monolitismo por vários caciquismos.

2. À boa maneira do Estado Novo, o Estado Novo II tem-se afanado em recrutar, obrigatoriamente, voluntários para corrigirem os exames de Cambridge, a que se irão sujeitar os alunos do 9º ano. Passemos ao largo do provincianismo que paga agora a Cambridge, aquilo que os professores portugueses sempre fizeram e bem. Mas denunciemos o truque. O exame que os alunos vão fazer chama-se, na tipologia de Cambridge, Key for Schools. Corresponde, na descrição do Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas Estrangeiras, ao nível A2. As Metas Curriculares de Inglês, aprovadas por Crato, dizem que este nível deve ser cumprido pelos estudantes do 7º ano de escolaridade. E que dizem para os do 9º ano? Que o nível a cumprir é o B1, que corresponde, na nomenclatura de Cambridge, a um exame denominado Preliminary for Schools. Ou seja, os alunos do 9º ano vão fazer o exame desenhado para os do 7º. Terão, obviamente, bons resultados. É este o rigor de Crato, chancelado por Cambridge.
* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

08/04/14

as portas que Abril abriu


... e o governo que temos quer fechar a toda a força

Published on 3 Apr 2014 

Professor SANTANA CASTILHO,
Testemunho na Sessão Comemorativa dos 40 anos do 25 de Abril 

 ...
TODO O PODER SÓ SE CONSTRÓI
SOBRE O CONSENTIMENTO DAQUELES QUE OBEDECEM!
.

a 24, todos os rios vão dar ao Carmo


confluência de rios:
Largo do Carmo 
 (Lisboa)
Quinta-feira, 24 de Abril  
às 22:00



Na noite de 24 de Abril saltam rios de vários pontos da cidade. Vários rios de gente que quer estar na rua neste dia – em vez de estar sozinha em sua casa – e que, com panelas, instrumentos, pancartas, vozes e vontades, desaguam no Largo do Carmo. 
Não é por acaso que queremos regressar a este sítio. Não só porque faz 40 anos que este largo se encheu de gente que não obedeceu às indicações de ficar em casa do Movimento das Forças Armadas, mas também porque queremos viver e reclamar o espaço público. 
Participa, traz as tuas ideias e vontades, instrumentos, comida, bebida e um saco do lixo.
 *
mais fotos aqui
Um rio de poesia partirá do Largo do Chiado com destino ao Largo do Carmo.
--- às 20h30m
Traz os teus poemas e músicas de intervenção. 
Traz os poemas de outros para lermos por aí. 
Traz um megafone se tiveres, traz o teu instrumento musical. a guitarra às costas como o Zeca, uma pandeireta, castanholas, tachos, panelas, um pequeno instrumento de percussão, apenas a tua voz ou um assobio. 
Traz outro amigo também. 
Os poemas não têm que ser revolucionários, apenas de intervenção mais ou menos declarada. 
Vem engrossar o caudal deste rio e que a poesia siga rio acima até ao Carmo para se juntar a outros rios que vão lá dar.

Evento geral: https://www.facebook.com/events/432399456863106/?fref=ts

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foto daqui

Junta-te ao afluente do Que Se Lixe a Troika! 

às 21h00
no Tribunal Constitucional - R. de O Século, 111, Lisboa 










RIOS AO CARMO:

- Curto e Grosso 450 
Faculdade de Belas Artes (Lisboa), 17h
https://www.facebook.com/events/1437368439837122/ 

- Bairro 25 de Abril 
Parque Catarina Eufémia (Barreiro), 20h
https://www.facebook.com/events/817053454983282 

- E o asfalto é tão largo... 
Largo da Achada (Lisboa), 20h30
https://www.facebook.com/events/1538797589680050

mais rios aqui

05/04/14

cretinices de um rato mentecapto

de S. Dalí
Pois é .. o sr. ministro da educação acha-se muito esperto.. No seu afã de servir as corporações privadas (e ainda estou para descobrir a negociata que suspeito ter havido com esta estória dos exames do Cambridge..) o sr. Nuno Crato mete a pata na poça a torto e a direito e depois não sabe como sair do atoleiro..
Claro que quem se lixa sempre, no meio disto tudo, são os professores.. Professores que bem podiam recusar-se a prestar-se à farsa, diga-se de passagem .. Pois não preferiu o ministério da Educação pagar pela elaboração de uns exames que antes tinha de graça? Na mesma lógica, então que arranje correctores entre o pessoal do Cambridge, digo eu.. E .. os professores de inglês precisam de formação para corrigir as provas? Que atestado de incompetência nos passa, senhor ministro!! 
E pensa o senhor que dentro de uma década é que vai ter "professores qualificados"? Olhe que não, OLHE QUE NÃO!! O senhor e a sua antecessora tudo fizeram para retirar do sistema precisamente os professores mais qualificados, os das licenciaturas de 5 anos - a "geração do 25 de Abril", por falar nisso: os que gozam agora de uma mísera reforma antecipada, mas que optaram por não vergar. Que recusaram o prolongamento das indignidades tantas a que os sujeitam e sujeitaram. Os que bateram com a porta, senhor ministro, são os que, para além de uma sólida formação científica e pedagógica, eram também pessoas críticas, humanistas interventivos, profissionais reivindicativos. Salvo honrosas e raríssimas excepções, saiba o senhor que os que sobraram no sistema - e sobretudo os que aí virão! - são a massa amorfa e conformista, - proletarizada e amansada - que se aceita escrava dos vossos desvarios, dos vossos "podres poderes". Que, carneiros em tudo contrários ao que se esperaria de educadores, tudo farão, tudo cumprirão sem hesitações. Bons profissionais? Bem pode prolongar-lhes os mestrados bem-pagos e diminuir-lhes o tempo de licenciatura .. Os que aí virão mais não serão que bons propagadores da "voz do dono", tristes representantes desse pobre povo português a perpetuar-se no retrato traçado por Guerra Junqueiro: «humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante (...) »

1.
do Público,
5/4/14

Professores de Inglês "voluntários à força" 

para a correcção da prova


Sem candidatos à correcção do teste elaborado pela Universidade de Cambridge, o Ministério da Educação e Ciência está a telefonar aos directores das escolas dizendo-lhes para indicarem professores para aquela actividade, que, de acordo com os diplomas legais, é voluntária.
(...)
A indicação, que está a ser dada por telefone e depois por email, já foi recusada por alguns directores, apurou o PÚBLICO. -- ler mais

2.
do meu amigo Luís Costa,
retirado daqui

PIURSO COM O DISCURSO DE CRATO 

Crato diz que, numa década, vai “ter a geração de professores mais bem qualificada de sempre”. O que é que isto quer dizer? A meu ver… nada. Não teremos já hoje a geração de professores “mais bem qualificada de sempre”? Defina-me o que entende por “qualificada”, senhor ministro.

Todos nós sabemos que Crato é “filho zorro” de Maria de Lurdes Rodrigues. Tem os tiques da mãe, sobretudo no que toca a fazer frases que são palimpsestos de subtis insultos à classe. Ambos gostam muito de alardear a nossa “negligência médica”. Eu até estaria disposto a embarcar na ideia da supercompetência dos professores futuros, se a realidade presente não fosse tão cruel com a minha fé: baixíssimo prestígio social; precariedade crescente; miserável salário; péssimas perspetivas de carreira; desprofissionalização; progressiva imposição do generalismo académico; aumento do número de alunos por professor; aumento da carga horária; alargamento das funções dos professores para áreas que, dantes, estavam a cargo dos contínuos; subtração dolosa do poder e da autoridade dos professores; abandalhamento das escolas públicas, onde grassa a desordem, a indisciplina, o desinteresse, o ruído, o lixo… Enfim, a realidade caminha em sentido inverso, é a antítese do que diz Crato.

Quem será capaz de corresponder àquilo que o nosso ministro profetiza? Os descartáveis: máquinas plásticas de barbear, lenços e guardanapos de papel, palitos dos dentes, pensos higiénicos, fraldas… Não tenho dúvidas de que, apesar de serem já muito bons, ainda serão melhores na próxima década.