- as imagens das colunas laterais têm quase todas links ..
- nas páginas 'autónomas' (abaixo) vou recolhendo posts recuperados do 'vento 1', acrescentando algo novo ..

31/05/13

a 1 de Junho, mudar o mundo!



We urge all citizens, with or without party, with or without a job, with or without hope, to join us. We urge all political organizations, social movements, unions, parties, collectives, informal groups, to join us. -- fonte


Exortamos todos os cidadãos, com ou sem partido, com ou sem emprego, com ou sem esperança, a juntarem-se a nós. 
Exortamos todas as organizações políticas, movimentos sociais, sindicatos, colectividades, grupos informais, a juntarem-se a nós.


http://www.publico.es/internacional/454448/primero-de-junio-cita-europea-contra-la-austeridad



 
Vorm Norden bis zum Süden Europas, auf die Straßen gegen Austerität!

Do norte ao sul da Europa, 
nas ruas contra a austeridade!





Quinta-feira, 30 de Maio de 2013 
Boaventura Sousa Santos apoia a manifestação internacional de 1 de Junho 

"As manifestações convocadas para o próximo dia 1 de Junho em muitas cidades europeias são o contributo importante para travar o assalto à nossa esperança e à nossa dignidade. Queremos derrubar os governos conservadores ao serviço do capital financeiro mas queremos sobretudo mudar de política.
Queremos tornar claro que:
- Entre mercados e cidadãos não há opção.
- A vida está acima da dívida.
- A crise é uma burla. Que a pague quem a inventou.
- Apliquemos as taxas de solidariedade aos bancos. Nunca às pensões.
- Inventaram os paraísos fiscais para mandar o povo para o inferno. 

Um abraço muito solidario,
Boaventura"

Terça-feira, 28 de Maio de 2013 
Pilar de Río apoia a Manifestação Internacional Povos Unidos Contra a Troika a 1 de Junho


  • Não aceitamos os planos excludentes de organismos que não elegemos; 
  • Não queremos que gente sem rosto e sem alma nos governe; 
  • Não permitimos que entrem nas nossas vidas; 
  • Não têm carta branca dos cidadãos, ainda que os governos se tenham entregado; 
  • Não os queremos nos nossos países; 
  • Que voltem para os seus gabinetes sem janelas e sem oxigénio: nós optamos pela vida; 
  • Não nos lixarão: dizemos, sim, Que Se lixe a Troika!" 
Pilar del Río




Mensagem de Apoio da Associação José Afonso à Manifestação Internacional de 1 de Junho

"Em 1985 José Afonso – o poeta, andarilho e cantor – numa entrevista a Viriato Teles publicada no semanário "SE7E", avisava:  


"O que é preciso é criar desassossego. Quando começamos a procurar álibis para justificar o nosso conformismo, então está tudo lixado! Acima de tudo, é preciso agitar, não ficar parado, ter coragem, quer se trate de música ou de política. E nós, neste país, somos tão pouco corajosos que, qualquer dia, estamos reconduzidos à condição de homenzinhos e mulherzinhas. Temos é que ser gente, pá!" 
Hoje, em 2013, no país de uma coisa chamada “troika” continua, infelizmente, a haver lugar para se cantar os “Vampiros”.
É por isso que a Associação José Afonso vem por este meio declarar o seu apoio à Manifestação de dia 1 de Junho “Que se Lixe a Troika”. 
Juntos seremos muitos, juntos seremos alguém! 

Setúbal, 28 de Maio de 2013 
Pela Associação José Afonso (AJA)
Francisco Fanhais"

Segunda-feira, 27 de Maio de 2013
Noam Chomsky apoia manifestação de 1 de Junho

Noam Chomsky enviou-nos uma mensagem de apoio à manifestação internacional de 1 de Junho, "Povos Unidos contra a troika":

«Numa entrevista ao jornal Wall Street, o presidente do BCE, Mario Draghi, declarou ufanamente que o estado social europeu, um dos maiores contributos da Europa moderna para a civilização actual, está "obsoleto" e tem de ser descartado. Eis uma das previsíveis consequências dos cruéis e selvagens programas de austeridade impostos às populações mais vulneráveis da Europa, juntamente com o também previsível agravamento da crise causado sobretudo pelas instituições financeiras, corruptas e predatórias. Chegou o tempo de as vítimas se erguerem e unirem em protesto, abrindo caminho para o futuro mais justo que está, seguramente, ao seu alcance


«Mudar. Mudar-nos. Porque é urgente.»

recebido via e-mail
Obrigada, Sílvia!
Picasso, Don Quixote

por Myriam Zaluar

Ontem à noite, o meu filho, antes de se deitar, veio ter comigo e disse-me, com aquele ar gozão que eu conheço tão bem e que ele usa sem se dar conta para atenuar emoções demasiado intensas: "Mãe, estou muito orgulhoso de ti e dos teus amigos marginais que passam a vida a tentar mudar o país.'' 
E eu, tantas vezes preguiçosa, tantas vezes displicente, eu que tantas vezes tenho vivido abaixo das minhas capacidades, eu, que tantas vezes tenho deixado a cozinha por limpar e o carro por aspirar, que tenho deixado textos para escrever amanhã, que tenho até chegado a pensar que mais vale arrumar as botas, eu verifico que nesta simples frase está tudo. Tudo. 

O orgulho do meu filho. Da minha filha. Tudo o que eu quero. Tudo o que eu preciso. É por eles que saio à rua. Por eles continuo a levantar-me todas as manhās para trabalhar de olhos fechados num emprego que detesto e que nada tem a ver comigo. Por eles adio o meu sonho vezes sem conta. Por eles cometo a incoerência de prosseguir alimentando um sistema que abomino e que nos está a destruir, a mim, a eles e a ti que me lês, talvez. 

Mas ele tem orgulho em mim, muito, foi o que ele disse. E eu orgulho-me que ele se orgulhe de mim. Que mais pode querer uma māe? 

Que mais pode querer? Pode querer muito. Pode querer tudo. Menos que isso é desistir do mundo. É desistir da vida. E eu nāo desisto. Há quem queira, quem tudo faça para que eu desista, mas nāo, eu nāo. Os meus filhos merecem o mundo que eu sonhei. Eu mereço o mundo que sonhei. O que me foi prometido. Eles merecem crescer acreditando que vāo ser felizes, como eu cresci. Acreditando que vāo realizar os seus sonhos, como eu cresci. E para isso bater-me-ei todos os dias da minha vida. 

Os meus amigos. O Luis que está na prateleira. O Joāo que foi despedido. O Miguel que queria ser actor e que todos os dias afoga a frustraçāo num mar de cerveja. 
As minhas amigas. A Sara que está desempregada. A Rita que se mata a trabalhar. A Inês que queria montar um pequeno negócio. A Mariana que está doente e nāo pode parar para se tratar porque se o fizer nāo terá como dar de comer à filha. 
Tanto talento, tanta energia desperdiçados. Tanta gente a viver abaixo, abaixo das suas expectativas, abaixo das suas necessidades, abaixo das promessas com que crescemos. Abaixo. 

Marginais. É verdade. Somos marginais. Nāo queremos trabalhar. Nāo queremos trabalhar sem os direitos pelos quais morreram os nossos antepassados. Nāo queremos trabalhar até cairmos de exaustāo. Nāo queremos trabalhar até morrermos de velhos sem termos vivido. Nāo queremos trabalhar em ambientes podres, doentes, doentios, que nos cortam as asas, a criatividade, a motivaçāo. Nāo queremos trabalhar a troco de salários miseráveis, nem a troco de talões de supermercado. Nāo queremos trabalhar 60 horas por semana. Nāo queremos trabalhar para criar a riqueza com que os patrões se banqueteiam à nossa conta enquanto nós contamos os cêntimos. Nāo queremos só comida, queremos comida, diversāo e arte, queremos a imaginaçāo ao poder, queremos o descrescimento. Sim, somos marginais. Somos marginais porque pensamos à margem. Somos marginais porque somos mantidos à margem. Marginais porque as margens nos comprimem. Marginais mas nāo violentos. Apenas queremos mudar o país, disse ele. Mudar o mundo. Mudar. 

Mudar. Mudar-nos. Mudar para dentro, mudar para fora. Mudar para melhor, porque para pior já basta assim. Mudar porque é possível. Porque é preciso. Porque é urgente. Porque é devido. Sábado saio à rua. Sábado começo a mudar o país. Sábado começo a mudar o mundo. Sábado reclamo a minha vida. A dos meus filhos. A dos meus pais. A dos meus amigos. A tua. Sábado deixo de ser marginal, deixo de ser margem, torno-me rio. Rio de multidāo lutando com a história na māo. Sábado quero encontrar-te. Vens?

Myriam Zaluar

greve às avaliações: perguntas e respostas

DeLacroix, A Liberdade Guiando o Povo
recebido via e-mail,

Documento assinado pelas “organizações Sindicais de Professores” 

  • Que tipo de greve é esta? 
Na verdade não se trata de uma greve mas de várias. Teremos as greves de dias 7, 11, 12, 13 e 14 de Junho que são Greves Nacionais de Professores do Ensino Básico e Secundário, com incidência no serviço de avaliações dos alunos. A sua marcação com um pré-aviso de greve para cada dia pretende permitir que os professores adiram à greve apenas no período destinado ao serviço de avaliações. A greve de dia 17 de Junho é uma Greve Geral de Educadores de Infância, dos Professores dos Ensinos Básico, Secundário e Superior e dos Investigadores Científicos.  
  • Por que é importante haver um pré-aviso para cada dia? 
Porque desse modo, para além do já referido antes, os professores poderão aderir à greve num dia, não aderir no seguinte e voltar a aderir no terceiro ou no quarto. Já em relação ao dia 17, o apelo é a adesão de todos os educadores, professores e investigadores.
  • E durante um dia de greve é possível a um docente ir trabalhar durante um período fazendo greve noutro período? 
Sim, é possível. Um professor pode por exemplo desempenhar determinada tarefa de manhã e aderir à greve de tarde. O que não pode é estar ao serviço, fazer de seguida greve e apresentar-se de novo ao serviço no mesmo dia, nem o contrário, isto é, estar em greve, apresentar-se de seguida ao serviço e voltar de novo a entrar em greve no mesmo dia. 
  • Um professor que, nas greves de dias 7, 11, 12, 13 e 14 (com incidência no serviço de avaliações) adira à greve, qual o desconto que lhe é feito no salário? 
Apenas o proporcional às horas a que faz greve. O facto de o artigo 94.º do ECD considerar a falta a reuniões de avaliação sumativa dos alunos como falta a um dia, a adesão à greve não configura uma falta, pois “a greve suspende o contrato de trabalho de trabalhador aderente, incluindo o direito à retribuição e os deveres de subordinação e assiduidade” (artigo 536.º do Código do Trabalho). Ou seja, estando suspenso o dever de assiduidade, em caso de greve não há lugar à marcação de falta, pois o trabalhador tem suspensa a sua relação laboral com a entidade patronal. Assim, tendo o professor trabalhado parte do dia em atividade letiva ou outra não relacionada com as avaliações, essa atividade terá de lhe ser paga. Isto é, apenas lhe será deduzido o valor correspondente às horas em que aderiu à greve. 
  • O que significam os serviços mínimos? 
Os serviços mínimos são aqueles que durante a greve devem ser assegurados para garantir o funcionamento dos órgãos ou serviços que se destinem à satisfação de necessidades sociais impreteríveis (artigo 355º da Lei 59/08 de 11 de Setembro). 
  • Na educação há serviços mínimos? 
A educação não consta da lista de órgãos ou serviços sujeitos a serviços mínimos contida no nº2 do artigo referido no ponto anterior. 
  • Por que razão vem o MEC exigir que os sindicatos definam serviços mínimos? 
Existe um acórdão do Tribunal Constitucional (que não é lei!), datado de 2007, que entende que a realização de exames configura uma necessidade social impreterível. Contudo, esse acórdão do TC não se refere à Educação como uma atividade passível de exigência de serviços mínimos e apenas se pronuncia sobre a questão da realização de exames. 
  • Poderá o MEC, com base nesse acórdão, definir serviços mínimos? 
Não! Os sindicatos contestam, logo à partida, a necessidade de serviços mínimos por considerarem que esse não é o espírito da Lei (artigo 399º da Lei 59/08 de 11 de setembro). Por outro lado, mesmo que se considere a legalidade da existência de serviços mínimos, a posição agora assumida pelo MEC é manifestamente contrária ao que a Lei estipula, relativamente à forma como se processa a definição desses serviços.
Segundo o artigo 400º, nº 2, da mesma Lei 59/08 de 11 de setembro, há trâmites que têm necessariamente de ser cumpridos na definição dos serviços mínimos: após receber o Pré-Aviso de Greve, o MEC tem 24 horas para o comunicar à DGAEP / Ministério das Finanças. Compete depois ao Secretário de Estado da Administração Pública, desenvolver uma tentativa de acordo entre Sindicatos e MEC e, na sua ausência, ao fim do 3.º dia, requerer a intervenção de um colégio arbitral.
É este colégio arbitral que poderá decidir da existência ou não de serviços mínimos. Se decidir pela existência, só ele poderá estabelecer a sua dimensão. Sublinha-se, pois, que estes procedimentos são desencadeados pelo membro do Governo responsável pela área da Administração Pública, pelo que o procedimento que o MEC tornou público na sexta-feira dia 24 de maio de 2013, a concretizar-se, seria completamente ilegal, pelo que os sindicatos recorreriam aos tribunais para travar esse procedimento.  
  • Estes serviços mínimos que o MEC pretendia impor só se referem à greve de dia 17? 
Sim. O MEC quer reportar-se ao acórdão anteriormente referido. Sublinha-se, mais uma vez, que um acórdão não faz lei; um Tribunal pode hoje decidir de forma diferente. E, independentemente disso, só o colégio arbitral antes referido pode decidir nesta matéria, nunca o MEC ou qualquer outro membro do governo. 
  • Se houver serviços mínimos os professores são impedidos de fazer greve? 
Não! Havendo serviços mínimos os trabalhadores necessários para cumprir serão designados até 24 horas antes do início do período de greve (artigo 400.º, n.º 5, da Lei 59/08 de 11 de setembro). Se essa designação não for feita pelos Sindicatos (a FENPROF não o fará), compete ao MEC fazê-lo. 
  • Nas greves às avaliações quantos professores terão de estar em falta no Conselho de Turma para a reunião não se realizar? 
Sobre a avaliação de alunos dispõem os artigos 8.º, 14.º e 15.º do Despacho Normativo 24-A/2012 (1.º, 2.º e 3.º ciclos) e o artigo 19.º da Portaria 243/2012, de 10 de agosto (Ensino Secundário). De acordo com o que estabelecem aqueles quadros legais, a lei prevê que o Conselho de Turma seja adiado caso se verifique a ausência de um dos seus membros por motivos imprevistos e que não sejam de longa duração.
  • A adesão à greve constitui um motivo imprevisto? 
Sim, a adesão à greve constitui um motivo imprevisto, pois é ilegal efetuar qualquer levantamento prévio sobre a eventual adesão de um trabalhador, podendo este tomar essa decisão apenas no momento em que iniciaria a atividade. Deverá, após se constatar a não realização da reunião, ser convocada nova reunião no prazo de 48 horas.
  • As direções dos agrupamentos/escolas não agrupadas poderão exigir a entrega antecipada das classificações atribuídas aos alunos? 
Não. O facto de ser solicitada essa informação não obriga os docentes a fornecê-la, visto não existir qualquer disposição legal nesse sentido. No contexto de luta que estamos a viver, o professor deverá reservar a atribuição das classificações aos alunos para os momentos de reunião. 
  • As direcções dos agrupamentos/escolas não agrupadas podem antecipar as reuniões de avaliação? 
A lei estipula que a avaliação de alunos se processa após o termo das atividades letivas. Deste modo, não se afigura possível antecipar uma reunião e preencher documentos com data posterior, pois configuraria um crime de falsificação de documento, punível pelo Código Penal. Ver, a este propósito, esclarecimento específico.
  • Poderão ser marcadas reuniões para sábado ou domingo? 
Não! O domingo é, nos termos da lei, dia de descanso e o sábado é dia suplementar de descanso, pelo que só excecionalmente seria possível marcar serviço para esses dias. Há ainda outro impedimento legal à marcação de reuniões para esse dia: o artigo 76.º, n.º 2 do ECD refere que “O horário semanal dos docentes integra uma componente letiva e uma componente não letiva e desenvolve-se em cinco dias de trabalho”. 

28.05.2013
As organizações sindicais de professores

ORGANIZAÇÃO DA GREVE ÀS AVALIAÇÕES

recebido via e-mail
--
Proposta de uma colega de Odivelas. Proposta sensata, a meu ver, se é que pretendemos realmente contestar as medidas do governo, as já implementadas e as em via de implementar.


Caros Colegas de Norte a Sul do País! 


LUTEMOS POR UMA ESCOLA PÚBLICA QUALIFICADA 
E POR UMA CARREIRA DOCENTE CONDIGNA! 

Bem sabemos que estamos todos cheios de trabalho e que o final do ano está aí, sabemos o quanto a LUTA gera perplexidade, instabilidade, stress, contrariedades, mas, que outra alternativa temos?

Este é o NOSSO TEMPO E A NOSSA OPORTUNIDADE, não podemos nem devemos desperdiçá-los, em DEFESA de uma ESCOLA PÚBLICA DE QUALIDADE!

Deste modo ponho à vossa consideração a seguinte proposta: que em cada uma das Escolas do País, em RGP, ou qualquer outra via, se constitua:
  • um núcleo de professores com o objetivo de sensibilizar e mobilizar o maior número de colegas possível para fazer greve às Avaliações, 
  • que seja feito um plano de adesão à greve, com economia de professores em greve. Relembro-vos que na década de 90 esta estratégia funcionou muito bem, porque previamente nos organizámos e estipulámos quem faria greve em cada reunião (conseguimos que muitos Conselhos de Turma não se realizassem com uma economia inteligente de professores em greve). Basta que um professor esteja em greve para que o CT não se realize, 
  • que seja constituído um fundo em cada Escola para ajudar a suportar os custos, 
  • que divulguemos uns aos outros ( via sites, blogues, e-mails, etc) as iniciativas implementadas em cada Escola. 
     
  • Aproveito para relembrar o site de professores em luta da Escola Secundária de Odivelas: 


Reencaminhem, por favor, a todos os vosso contactos, 
só unidos poderemos VENCER! 

Célia Tomás

do prejuízo de uma geração

de Luís Costa,
recebido via e-mail, título e tudo:


30/05/13

Aquilino Ribeiro, o mestre esquecido

Aquilino Ribeiro morreu há 50 anos. Dele dizem ser um mestre da língua portuguesa e um dos grandes prosadores do século XX, mas é hoje um escritor esquecido e fora de moda. 

por Valdemar Cruz 
20:01 Segunda feira, 27 de maio de 2013
fonte  

Aquilino, por Artur Bual
Aquilino Ribeiro gostava das verdades duras como punhos. Se fosse vivo, e como nunca fora homem de mandar recados por ninguém, não teria por certo dúvidas em desdenhar o epíteto de "mestre" que hoje lhe atribui uma sociedade que não lê os seus livros, ignora a riqueza do vocabulário por ele introduzido nos seus romances, e há muito depositou a sua obra num muito reverenciado mausoléu. 

Não é sina, nem destino. É algo que acontece, mesmo a grandes escritores como o foi Aquilino Ribeiro, cujo ex-líbris era desde logo uma afirmação de persistência e vontade: "alcança quem não cansa". 

Se fosse vivo, o escritor teria agora 127 anos. O seu tempo já não é deste tempo, sobretudo quando se percebe que o facto de ter passado de moda tem a ver, não tanto com a qualidade da escrita ou a originalidade dos temas, mas sobretudo com a desvalorização da ruralidade num imaginário português que se quer atribuir a si próprio um estatuto cada vez mais urbano. 

Desaparecido das estantes 

Aquilino deixou de ser lido. As livrarias deixaram de o ter nas estantes. Os estudantes só com muito esforço conseguem aproximar-se do universo deste homem que soube como poucos conjugar a palavra liberdade. Fazia-o no modo como concebia o seu empenhamento cívico e político, ou na agudeza com que levava as suas personagens a contestarem o estabelecido, a questionarem os autoritarismos. 

Aquilino Ribeiro nasceu a 13 de setembro de 1885 no concelho de Sernancelhe, freguesia de Carregal, e morreu a 27 de maio de 1963, num ano de muitas homenagens públicas a que com gosto assistia. 

Após o 25 de abril de 1974 o povo de Soutosa, para onde Aquilino foi viver com dez anos de idade, e onde está agora a Casa Museu com o seu nome, viveu uma festa nunca antes vista. Muitos terão despertado ali para a circunstância de respirarem o mesmo ar que tantos anos fora respirado pelo génio que naquela altura se homenageava com a colocação de um busto. 

Para trás ficava a história longa daquele que muitos especialistas continuam a considerar um dos maiores prosadores portugueses do século XX. 

Sessenta e nove livros 

Publicou em vida 69 livros distribuídos por áreas tão diversas como a ficção, jornalismo, crónica, memórias, ensaio, estudos de etnologia e história, biografias, crítica literária, teatro, literatura infantil, polémicas a que nunca se furtava e traduções (às vezes muito livremente recriadas) do latim, grego, espanhol (o D. Quixote, por exemplo), francês e italiano. 

Com uma vida pessoal rica e intensa, Aquilino estudou no Liceu de Lamego, depois iniciou os estudos de filosofia em Viseu. A pedido da mãe foi para os seminário de Beja, mesmo se o que menos se lhe conhecia era vocação religiosa. 

Acusado de bombista em 1907, devido à explosão em sua casa de uns caixotes de explosivos que levaram à morte de dois correligionários, acabou detido por fazer parte do Partido Republicano. 

Não descansou enquanto não se evadiu da cadeia e encontrou refúgio em Paris. Depois de proclamada a República veio a Portugal, mas frequentara já na Sorbonne os cursos de Filosofia e Sociologia. Entretanto conhece Grete Teuidemann, com quem acaba por residir na Alemanha e de quem tem um primeiro filho. 

Os exílios de Paris 

Espírito sempre inquieto e avesso a ditaduras, vê-se de novo em fuga política e refugiado na Beira Alta, e depois de novo em Paris, devido às suas posições contra a ditadura militar que se instalara no país após o golpe de 1926. 

Nestas andanças tem um período em que se esconde em Soutosa e depois fica viúvo. Sempre em revolta, sempre em contestação, conhece uma vez mais o exílio. Em Paris casa com Jerónima Dantas Machado, filha de Bernardino Machado, presidente da República destituído com o golpe militar de 1926. 

Enquanto vivia a vida, Aquilino escrevia e fazia-o como poucos. Da sua pena saíram obras magistrais, como "Quando os Lobos Uivam", "Via Sinuosa, "Tombo no Inferno", ou "O Arcanjo Negro", entre muitas outras.

O escritor morreu há meio século. Há uma eternidade na sua obra, que as momentâneas vivências ou exigências do atual quotidiano têm feito esquecer. 

Nada a que não consiga resistir o trabalho de um homem que se assumia como uma força da natureza, e para quem a natureza era o palco maior da vida que em cada instante imaginava e reconstruía.

O ESTADO MORREU

retirado da pg facebook de Telmo Vaz Pereira 


por Maria José Morgado 

Trabalho num serviço de aplicação repressiva da lei criminal onde as pessoas têm gosto em servir o interesse público e a justiça penal. Desde que começou a aplicação do Programa de Ajustamento Económico e Financeiro — o PAEF — que a dignidade, a resistência e a eficiência continuam a ser valores que opomos à desvalorização cega e ao sofrimento enquanto política de gestão da máquina administrativa.

Vamos substituindo a degradação das contas públicas de um Estado laxista por um Estado fantasma e impotente. O Estado é a raiz do mal, pois matemos o Estado. E com quê? Com mais Estado cobrador, num totalitarismo atípico deslizante.

Sinto esse fantasma todos os dias. A moralização na gestão das finanças públicas desfigurou-se de tal forma que fez ricochete num PAEF sem a bússola de valores intangíveis como a justiça, justiça fiscal e segurança social. Perdeu-se o objetivo de uma administração pública qualificada e motivada.

Os resultados da execução orçamental do último trimestre não são mais do que uma radiografia deste mal. Porquê?

Porque só um Estado sem função fica encarcerado no financiamento direto com base quase exclusiva nas receitas do IRS que representam 39,1% do crescimento da receita e dos impostos diretos que representam 22,3% do mesmo crescimento. No meio da tempestade fiscal que nos atravessa regista-se uma subida raquítica da receita fiscal de 3,3 milhões de euros — no aumento crescente do sofrimento das pessoas depois da destruição de empresas e de trabalho.

Neste cenário, além da dita ida aos mercados, ainda assim financiada a juros predadores, os únicos pilares financiadores do Estado são afinal o habitual grupo de pessoas, cada vez mais afunilado. Efeito de boomerang da austeridade sem metas de reorganização de um Estado, de uma justiça e de uma máquina administrativa que funcionem. Situações desta natureza pulverizam todas as funções de autoridade, equidade, segurança jurídica, proteção da sociedade e respeito pelos valores sociais e económicos.

A corrupção, em parceria com a fraude fiscal, tende a medrar no túnel das quimioterapias orçamentais. Basta cruzar aqueles dados com os resultados oficiais do programa de combate à fraude e à evasão fiscal do ano de 2011: os processos-crime por combate à fraude representam 9,45%, por combate à fraude qualificada 2,69% e por abuso de confiança fiscal 84,74%. Os resultados do combate à fraude fiscal são insignificantes numa justiça focada quase exclusivamente no ataque aos impostos diretos em falta. O mesmo estigma.

Sem reformas administrativas efetivas, sem qualificação da função pública, sem respeito pelas funções públicas substantivas, sem estímulos, sem Estado com função resta-nos o medo, a perigosa anemia da autoridade com a paralisia dos serviços administrativos públicos. Um Estado sem função pendurado na guilhotina do défice?

Despojos de um Estado velho e apodrecido incapaz de se proteger da tempestade e de construir um novo com a ajuda dos seus melhores. Um Estado que morreu.

 http://www.leituras.eu/

29/05/13

A crise da Europa é a crise da social-democracia

Quarta feira, 29 de maio de 2013
por Daniel Oliveira
fonte

Na semana passada, no balanço de um ano de mandato, François Hollande defendeu um governo económico da Europa. O "governo económico da Europa" é como as "reformas estruturais". Dá para tudo e para o seu contrário. Dá para a defesa de uma verdadeira solidariedade económica entre os países para vencer a crise e dá para um reforço do poder da Alemanha sobre a União. Dá para uma democratização das instituições e dá para um reforço do poder dos burocratas que impõem um programa que ninguém sufragou. Dá para os eurobonds e dá para Tratado Orçamental. 

Diz o presidente francês que quer uma convergência das políticas sociais, por cima, na Europa. Aplaudo. Mas, ao mesmo tempo, pretende continuar a política de cortes nas despesas sociais francesas e a austeridade começada pelo seu antecessor. 

Hollande quer uma harmonização fiscal na Europa e um combate sem tréguas à evasão. Excelente ideia. Mas a sua tentativa de taxar as grandes fortunas e combater os paraísos fiscais acabou por chocar com o facto de ter como ministro destas bandeiras um homem que fugia aos impostos pondo a sua fortuna em offshores. 

Hollande defende um orçamento a sério para a zona euro. Mas de nada vale um orçamento da zona euro se a ele não corresponder a mutualização da dívida. Tudo o que se faça será inútil se a Europa continuar a deixar os países periféricos com uma moeda forte e única mas desprotegidos na sua relação com o mercado das dívidas soberanas. De nada serve uma excelente tripulação se o barco estiver cheio de buracos. 

Hollande defende a união política. Seria, há uns anos, uma boa ideia. Mas tenciona continuar a tratar de tudo isto com a Alemanha sem dar cavaco a mais ninguém, não contrariando a tutela do diretório sobre a União. Tutela que matou a confiança dos povos no projeto europeu e que impediu que a Europa reagisse a tempo ao início desta crise. 

Na realidade, Hollande tenta adaptar o seu discurso à chegada da crise a França e à sua própria impopularidade. Faz algumas propostas tendentes a contrariar a ortodoxia da austeridade. Mas parece ser incapaz de avançar com uma ruptura que permita que a Europa tenha uma política expansionista para contrariar a crise. 

Seguro e Hollande foram ao 150º aniversário do SPD. É um dos mais antigos partidos democráticos do Mundo e nasceu e cresceu no movimento operário alemão. Hoje é incapaz de apresentar uma proposta realmente alternativa a Merkel. Durante os últimos anos comprou a narrativa dos conservadores sobre a crise, ajudando à hegemonia do discurso que responsabiliza o endividamento dos países periféricos pelo Estado comatoso da Europa. Nos dias que correm, é quase impossível encontrar um alemão que não tenha interiorizado esta falsa ideia. É por isso que quase toda a gente aposta, caso os liberais do FDP não consigam entrar no parlamento, num governo CDU/SPD. Que não será menos insensível aos problemas dos países periféricos. 

Quem aposte na dilatação de prazos para as medidas impostas pela troika, esperando que entretanto alguma coisa mude na política alemã e francesa, vai ter grandes desilusões. Nem a França vai obrigar a Alemanha a mudar de rumo - nada do que Hollande tem feito aponta para uma posição firme -, nem o SPD vai, caso se venha a aliar a Merkel, mudar a política alemã. 

A aposta que eu faria é esta: tal como tem acontecido com a Grécia, as exigências vão sendo aligeiradas ou agravadas o suficiente para deixar os países intervencionados ligados à máquina. Nos mínimo dos mínimos. É o que tem acontecido com os gregos, é o que está, com as mudanças nos limites ao défice, a acontecer com Portugal. Um programa impossível de cumprir tem de ir simulando a sua própria viabilidade. 

Os políticos alemães sabem que se qualquer país sair do euro isso poderá ter um efeito de bola de neve que seria uma tragédia para Alemanha, que precisa da moeda única bem mais do que os seus parceiros parecem perceber. Mas nunca será feito nada para resolver os problemas dos países intervencionados. Porquê? Porque a opinião pública alemã e do resto do norte da Europa não aceitará, graças à retórica que lhes foi oferecida nos últimos anos, nenhuma decisão mais radical. O próximo perdão de dívida à Grécia pode mesmo criar uma crise política na Alemanha. 

As coisas poderiam mudar se a social-democracia tivesse um discurso relmente alternativo à austeridade. Mas não tem. Basta ouvir o elogio recente de Hollande às reformas laborais de Gerard Schroder, responsáveis pela contração salarial na Alemanha que a Europa está a pagar com um desequilíbrio das suas trocas comerciais, para perceber que o presidente francês, como o resto da social-democracia europeia, ainda não se livrou da "Terceira Via". Aquela que a tornou numa irrelevância ideológica. Porque se é para este serviço a direita é bem mais eficaz e decidida. 

A crise da Europa é a crise da social-democracia, que não só construiu, quando dominava os governos da maioria dos países europeus, Maastricht e esta moeda presa por arames, como, refém dos interesses financeiros, tem sido incapaz de liderar uma alternativa ao neoliberalismo que domina instituições europeias e os governos da maioria dos Estados membros. Ouvindo François Hollande, Peer Steinbruck ou António José Seguro temos razões para suspeitar que a refundação da social-democracia europeia não está para próximo. E sem ela, não há futuro para União Europeia. 

Ontem, Hollande disse que "a geração do pós-crise vai ajustar contas com os governantes de hoje". Está a ser otimista. A geração da crise está a ajustar contas com os que, nos governos ou fora deles, festejam os 150 anos do primeiro partido social-democrata do mundo no mesmo momento em que, por ação ou omissão, contribuem para destruir os três maiores legados que deviam defender: o Estado Social, os direitos dos trabalhadores e a democracia na Europa.

* * * * * * * *

pois se até já nos países ricos do norte..

Swedish riots rage for fourth night 

Police attacked and cars torched in Stockholm suburbs as unrest sparked by long-term youth unemployment and poverty spreads

A car burns in the Stockholm suburb of Kista: Sweden's capital has been hit by some of its worst riots in years. Photograph: Scanpix Sweden/Reuter:


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Um problema de consciência

retirado daqui
por Álvaro Cunhal


Num mundo em que não há risos sem lágrimas, a felicidade nunca pode ser uma situação com caracteres próprios e momentâneos. A felicidade não pode existir, não existe, como situação particular: nem quando depende de factos estranhos à própria vontade; nem como ideia abstracta. A felicidade só pode existir como um atributo de toda uma vida. Só a satisfação pela vida que se vive poderá tornar feliz. 

Há então que não subordinar as acções ao alcance dum prazer. Mas antes amoldar a ideia de felicidade à vida que se vive. 

Quando não nos sentimos meros joguetes da evolução mas, pelo contrário, sentimos que, mesmo ao de leve, as nossas energias modificam o seu ritmo. Quando sabemos ser leais, rectos e solidários. Quando amamos profunda e extensamente e nos sentimos capazes de sacrificadas demonstrações do nosso amor. Somos felizes porque não desejamos outra vida, porque sentimos preenchida a própria função humana. A felicidade só existe assim como condição da consciência da própria utilidade. Não dispersar actividades. Proceder com um critério. Ser coerente em todas as atitudes. Agir com uma só linha de conduta. Ter fé na própria vontade, embora aceitando as suas determinantes. Convicção de impotência e felicidade excluem-se. 

Assim far-se-á da própria vida uma vida feliz. Feliz nas horas de ascenso e nas horas de derrota. Feliz na alegria e na tristeza. Porque, na felicidade, prazer e dor interpenetram-se. Até o estertor final pode conduzir à felicidade pela convicção de que se morre bem. Não pode haver felicidade sem dor, porque esta é inseparável da vida. Que se sofra! Mas que as vontades saibam amordaçar o sofrimento para triunfar. E, para isso, é necessário forjar nos peitos o desinteresse pessoal por prazeres efémeros, a rijeza do aço para lutar, o esclarecimento das exigências dos sentidos. Através da dor e da angústia, corações ao alto! 

Se a felicidade é dada pela satisfação da linha de conduta, pela satisfação de que se procede bem, nada, nada, nem os gritos da própria carne esfacelada, nem lágrimas de emoção, nem a revolta instante e desesperada, podem destruí-la. Porque, acima dos próprios gritos, das próprias lágrimas, do próprio desespero, fica sempre a certeza duma vida voluntariosa e independente ou – se se preferir a expressão – recta, leal, digna. 

Então suporta-se a dor e ama-se a vida. Podem as leis da Natureza esfrangalhar o corpo. Podem os órgãos começar cansando. E as pernas vergando de fadiga. Amortecendo-se a percepção. O corpo começar em vida o seu desagregamento. Poderá bailar ante os olhos a perspectiva da morte e o fim especar-se num amanhã irremissível. 

E haverá sempre vontade de continuar procedendo sempre e sempre duma forma escolhida, marchando sempre para um destino humano e uma missão terrena voluntariosamente traçados. Haverá sempre anseio de continuidade e aperfeiçoamento. 

Atravessar-se-ão tragédias com lágrimas nos olhos, um sorriso nos lábios e uma fé nos peitos.” 

ÁLVARO CUNHAL
retirado daqui 
por António Pinho Vargas

As palavras que Pacheco Pereira raramente usa. 

Julgo que José Pacheco Pereira será talvez dos políticos/comentadores aquele que faz as melhores e mais certeiras análises da situação política portuguesa. Mas penso igualmente que, apesar da sua perspectiva muito crítica sobre este governo de radicais neoliberais ser correcta de vários pontos de vista, lhe falta, quase sempre, o uso de algumas palavras, de alguns conceitos, sem os quais fica por perceber a crise na sua total dimensão europeia e global.

Palavras que lhe faltam quase sempre: o capitalismo actual , a ideologia neoliberal, a desregulação catastrófica dos mercados no Consenso de Washington em 1983, Maastricht como institucionalização do triunfo da visão neoliberal na Europa e finalmente uma análise das dívidas como aspecto essencial do triunfo do capitalismo financeiro. Este projecto inicial consistiu em transformar as populações em consumidores compulsivos com dinheiro virtual: Compre agora! 0% de juros. 

Depois da crise de 2008, o outro lado da moeda neoliberal: dinheiro virtual afinal inexistente, bancos em crise, recapitalização do sistema financeiro à custa dos impostos dos Estados e plano na Europa neoliberal para fazer baixar os salários de grandes camadas da população do Sul. 

Sem isto fica difícil perceber por que é que não é apenas Portugal que sofre este tipo de ataques, que sucumbe debaixo da troika global, que outros países com vidas políticas internas muito diferentes e sem a peculiar ignorância e incompetência do governo terrorista social que temos, apesar disso, defrontam igualmente programas de austeridade e problemas muito similares. 

Cada país tem de travar as suas lutas próprias, é certo, mas num momento como este é forçoso compreender o carácter sistémico do projecto dos países do Norte, da Alemanha em particular: o empobrecimento das populações do Sul da Europa e, sobretudo, é preciso dizê-lo bem alto. Caso contrário, ainda caímos na asneira de pensar que é tudo "culpa de Gaspar". Não é, tal como antes não foi tudo "culpa de Sócrates". Pensar com bodes espiatórios é uma tentação. Mas, se assim fosse, teríamos de lhes atribuir poderes deveras extraordinários: estes dois culpados em Portugal, mas também na Grécia, na Espanha, na Itália, na Irlanda, em Chipre, mesmo em França e na Inglaterra? Não me parece que isso tenha sentido. Eles têm responsabilidades locais. Gaspar é mão (radical e cega) que executa o plano europeu mais vasto que põe em perigo o estado social e a democracia, não apenas aqui, mas em todo o lado. 

Se a Europa está a mudar, como dizem alguns, então que mude de forma que se veja, que se sinta, e mais depressa. Só conversa não chega. Por isso, como desconfio de anúncios mil vezes repetidos, só vendo. Antes de ver, prefiro não acreditar já. Para terminar é raro - pelo menos para mim - ouvir Pacheco Pereira referir estes aspectos cruciais. É uma pena porque é o capitalismo e o seu estado actual de guerra que permite explicar a maior parte das coisas que se passam (parece-me). 

António Pinho Vargas

24/05/13

Avoila quer a taça

 
Expresso.pt
por Daniel Oliveira


O ataque aos funcionários públicos é de tal dimensão (com perdas salariais em apenas dois que estarão entre os 10% e os 15%, o roubo aos seus pensionistas e a preparação de um despedimento cobarde e à margem de qualquer lei) que é difícil imaginar que mais do que meia dúzia de funcionários do Estado deixem de fazer greve quando ela for marcada. Não sei se há condições, porque isso resulta em mais perdas salariais, para ir mais longe do que a greve simbólica de um dia. Saberá quem está no terreno. Sei que nunca alguma greve dos funcionários públicos foi tão justificada e que ela deve ser tão firme quanto possível para travar esta loucura. Não são apenas os funcionários públicos que estão em causa. Somos todos nós. 

A primeira regra para quem esteja convicto de que este governo é uma catástrofe para o País e para quem lhe queira resistir é pôr pequenas guerras de protagonismo de lado e tentar que tão amplo descontentamento seja plenamente representado. A eleição do novo secretário-geral da UGT e os primeiros encontros entre as duas centrais sindicais são, desse ponto de vista, uma boa notícia. Só espero que sejam consequentes. 

Mas não foi preciso passarem muitos dias para que, no terreno, se sentisse o pior da vida política nacional. Ana Avoila, que representa a Frente Comum de Sindicatos da Função Pública, decidiu anunciar uma greve sem informar os restantes sindicatos. Perguntada se não seria mais eficaz uma greve marcada por todos respondeu, sem grandes justificações: "Não acho nenhuma greve conjunta melhor". Perguntada porque não informou os restantes sindicatos, alguns deles bastante representativos, disse, num tom de arrogância quase infantil: "Eu não tenho de dizer, digo se quiser". E concluiu: "Nós decidimos a nossa greve". Como se a greve fosse um brinquedo seu e não um direito, que se traduz em sacrifícios, dos trabalhadores. 

É provável que os sindicatos que Avoila acha que não interessam acabem por seguir a marcação da greve da Frente Comum. Fazem bem. Há valores que devem ser postos à frente da guerra de protagonismos. Defender os funcionários públicos e os trabalhadores é muito mais importante do que estas pequenas guerras. Mas obrigo-me, como alguém que aqui já várias vezes criticou a postura da UGT e dos seus sindicatos face ao que está a ser feito, a deixar esta nota: Com esta postura, a sindicalista Ana Aivola não se comportou como uma sindicalista. Comportou-se como uma preciosa aliada de Vítor Gaspar. Porque contribuiu para a divisão entre trabalhadores e deu uma péssima imagem dos sindicatos que os devem representar. 

Infelizmente, o que vem aí é demasiado grave. Felizmente, a revolta e a determinação dos funcionários públicos estará acima destas coisas. Felizmente ou infelizmente, Ana Avoila é demasiado trapalhona (para não dizer outra coisa mais desagradável) para conseguir disfarçar o absurdo da sua indecorosa posição. Também é por estas e por outras que o sindicalismo vive tempos difíceis. É que não são apenas alguns patrões e o governo que veem esta crise como uma oportunidade. Há quem, quando se opõe a ele, não resista a querer levar uma taça para casa.

da responsabilidade cívica e das 'direc-taduras'

de F. Botero
Impressionante!! Raça canalha a dos dire-ctadores, miséria de classe que tudo aceita e não bufa!


Fenprof recorre aos tribunais para travar reuniões de avaliação ilegais 


A Fenprof admitiu hoje recorrer aos tribunais para travar a marcação de reuniões de avaliação nas escolas fora do período legal, situação, denunciou a estrutura sindical, que já se verifica em algumas escolas. 

"Há casos de escolas absolutamente ilegais, que anteciparam reuniões para 31 de maio, como é o caso de uma no distrito de Aveiro. Há também reuniões para 05 e 06 de junho. 

Isso é ilegal e nesses casos e não é preciso pré-aviso de greve, basta que os professores se recusem", disse hoje o secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira, que admitiu vir a interpor providências cautelares para impedir estas situações. 

O sindicalista falava à saída da reunião no Palácio das Laranjeiras com o Secretário de Estado da Administração Escolar, João Casanova de Almeida, e o Secretário de Estado Administração Pública, Hélder Rosalino, a primeira de uma ronda negocial dedicada à negociação das novas regras a aplicar à função pública, incluindo os professores. 

A Fenprof entrega na sexta-feira o pré-aviso de greve, acrescentando mais um dia de paralisação aos já previstos, antecipando para 07 de junho o início da greve às avaliações, para evitar que estas se realizem no último dia de aulas. Ao marcar uma greve para 07 de junho, último dia de aulas, a Fenprof pretende evitar que após o fim das atividades letivas desse dia as escolas possam ainda realizar avaliações e lançar notas. 

O secretário-geral da Fenprof adiantou que até 31 de maio vai fazer chegar uma proposta ao Ministério da Educação e Ciência (MEC) e que a 06 de junho volta a reunir-se com o Governo. Nogueira afirmou que a desconvocação da greve é possível se o Governo desistir da mobilidade especial para os professores. "Não aceitamos a mobilidade especial, até a pretexto do que ouvimos aqui, que foi que o MEC considera que não há professores a mais", declarou. "Se não há professores a mais e se é sua [do Governo] convicção de que a mobilidade especial não se aplicará em setembro, então perguntamos porque têm que a regulamentar e porque têm tanta pressa", acrescentou. 

Mário Nogueira disse ainda que o despacho que regulamenta o ano letivo, "instrumento fundamental para perceber o que vai acontecer aos professores no próximo ano" continua "no segredo dos deuses". A justificação, continuou, prende-se com a proposta apresentada para o aumento do horário de trabalho na função pública, incluindo para os setores com horários específicos, como é o caso dos professores. "Se isto tiver reflexo nos professores é um aumento de 14% no horário de trabalho e só aqui são 10 a 12 mil postos de trabalho extintos", disse. 

 "Quanto à mobilidade geográfica, Nogueira adiantou que a Fenprof está apenas disposta a aceitar o limite já aplicável à função pública, que fixa as deslocações num limite de 60 quilómetros". O líder da Fenprof considerou ainda que o ministro Nuno Crato foi substituído na reunião de hoje pelo Secretário de Estado Hélder Rosalino, com "estatuto semelhante ao de um ministro e que não quis deixar por bocas alheias aquilo que queria dizer". "Acho que a sua presença aqui é também um atestado de desconfiança e menoridade política passado a este ministério", defendeu.  
fonte

«Passos, ladrão, o teu lugar é na prisão!»

Também acho.
E gosto, gosto! - destes slogans!
«Fora, fora, fora daqui - a fome, a miséria e o FMI!»

Pois .. aconteceu na Feira do Livro de Lisboa. Pergunto-me: o que é que o imbecil do Passos tem de ir conspurcar um espaço que é da cultura, do pensamento livre, dos escritores e dos livros, de um público informado --> crítico -- raro, raro e, por isso, precioso-- que os lê?

os mercados, senhores!!

Por que não comprar dívida pública em mercados primários?

Ou seja, por que é que os portugueses não podem comprar a dívida pública aos mesmos juros que os bancos ganham com o negócio? 
Porque os bancos não querem concorrência? Ohhhhh, quem diria?!!
Haja mais com o (bem-vindo!) "mau feitio" do José Gomes Ferreira!

E vejam como 'entope' o jovem - competent-íííssimo 
e com certeza muiiiito bem remunerado - presidente do IGCP :
1 de Maio de 2013

23/05/13

RIP, Georges Moustaki




A canção francesa está mais pobre: morreu Georges Moustaki

Vítor Belanciano 23/05/2013
- 10:18 (actualizado às 11:34) 

Era um dos vultos maiores da canção popular francesa. Tinha 79 anos. Milord ou Le Métèque, símbolo do Maio de 68, tinham a sua assinatura. Edith Piaf, Serge Reggiani ou Juliette Gréco devem-lhe alguns dos seus maiores êxitos. -- ler mais

da greve dos professores


O Professor Santana Castilho foi ontem (17h13') o convidado do programa Assembleia Geral, no ETv - canal 16. Podem ainda vê-lo via 'gravações automáticas' , até à próxima 4ª feira.

Foram vários os assuntos abordados, nomeadamente o refutar do sacrossanto argumento de que haverá professores a mais..

Registo aqui (enquanto não está disponível o vídeo) parte das declarações de Santana Castilho, no caso as que se prendem mais directamente com a anunciada greve dos professores às avaliações e ao exame nacional de Português (12º ano), no dia 17 de Junho.
(foram feitas pequenas adaptações do discurso oral para registo escrito)

*           *           *

-- sobre a hipótese de requisição civil para prestação de "serviços mínimos" e artigo de Maria de Lurdes Rodrigues:

«O ministro Nuno Crato não tem feito outra coisa que não seja prosseguir aquilo que de pior herdou do consulado de Maria de Lurdes Rodrigues, que, aliás, já o veio aconselhar neste aperto em que agora vai entrar - refiro-me à greve dos professores - já o veio aconselhar, ignorante das alterações legais que entretanto aconteceram, a socorrer-se de um despacho de 2005 que invalidou (bom, não invalidou, porque entretanto os professores titubearam...) uma greve que esteve prevista aos exames.

A senhora (MLR) (...) esqueceu-se de ver que a lei entretanto foi mudada (...) 
Os funcionários públicos no geral e os professores em particular são alvo de autêntico terrorismo social, mas o país ainda não está propriamente em 'regime de excepção', embora muitas das medidas dêem a entender isso. E, portanto, há leis! 
Está vigente a lei que define o que são 'serviços mínimos', que define o que é uma 'requisição civil' e quando é que pode ser feita. Nessa lei eu não vejo (...) nenhuma hipótese de o governo invalidar um direito que é um direito constitucional - ainda é um direito constitucional! - se a memória não me falha, o artigo 57 da Constituição da República, que diz que a greve é um direito dos portugueses.
Tudo aquilo de que se tem falado -- aliás o ministro (Nuno Crato) já disse que não ia permitir que os alunos fossem prejudicados -- tudo o que tem sido feito, em minha leitura, é para colocar obstáculos à adesão dos professores à greve.
Penso que os professores têm estado adormecidos .. Espero que, desta vez, acordem e que, com a responsabilidade social que têm, e com a responsabilidade ética acrescida que têm, dêem um exemplo ao país, dizendo que nem tudo é possível. Que há um momento em que, de facto, temos que parar, temos que inverter, porque o 25 de Abril, todas as aquisições civilizacionais conseguidas neste país não são para retroceder desta maneira bárbara que estamos a presenciar actualmente.
(...)
Entendamo-nos: conhece alguma greve que seja 'simpática'? (...)
É evidente que uma greve aos exames tem um impacto maior. Os exames não são nada que não se possa resolver noutra altura. É óbvio que é um incómodo para as famílias e para os alunos..
Toda a política e toda a acção do Ministério da Educação, designadamente do ministro Nuno Crato e deste governo tem prejudicado muitíssimo mais os alunos portugueses, as crianças portuguesas e as famílias portuguesas, do que a greve que os professores pretendem fazer.
É preciso que os portugueses percebam, que os pais percebam e que os cidadãos percebam que, das políticas deste governo, o que está a resultar é claramente a criação de uma escola para ricos e de uma escola para pobres. Uma escola-mínima para pobres e uma outra escola que possa ser paga pelos ricos.»

-- A escola para pobres será a Escola Pública?

« É a escola que já temos aí. Há dois ou três dias, uma colega minha do ensino superior falou comigo, perfeitamente esmagada pelo acontecimento: um aluno dela tinha desmaiado com fome - no ensino superior! Isto aconteceu numa escola pública!
Nós temos casos constantes de crianças (isso é do domínio geral!) que apenas na escola têm uma refeição.
Nós tivemos uma diminuição drástica de todo o tipo de serviços que eram prestados para ajudar aqueles alunos que têm condições socio-económicas mais débeis a superar dificuldades. Tudo isso está a desaparecer.
As necessidades educativas especiais, hoje em dia, são uma sombra daquilo que eram há meia dúzia de anos..
Esta autêntica escravatura que se propõe para os professores vai obviamente reflectir-se na qualidade do ensino, no tratamento que é dispensado às crianças.
Portanto, este, sendo aparentemente um problema dos professores, é um problema dos pais, é um problema dos alunos, é um problema do cidadão que tenha consciência cívica.
Nós não caímos ainda numa república onde tudo é válido, tudo se pode fazer porque dois senhores basicamente, Passos Coelho e Vítor Gaspar, entendem que os portugueses estão depois da reverência à troika, à senhora Merkel e, enfim, aos senhores do dinheiro, aos grandes ditadores de Passos Coelho.
(...)

Há um problema na Europa... Tenho consciência - todos temos consciência - de que o problema do país é um problema de índole económica, de falta de crescimento; é um problema que não se consegue resolver sem que as coisas na Europa mudem também. 
Agora, quando as questões, aqui, começam a pôr-se ao nível dos mínimos éticos, dos mínimos morais, então alguma coisa tem que acontecer! E eu espero que esta acção dos professores sirva para despertar consciências, porque nós precisamos de despertar a consciência dos portugueses.
É evidente que aqueles que sofrem este quadro de despedimento, aqueles que não têm dinheiro para dar de comer aos filhos, esses não precisam de ser despertados. Infelizmente, não são esses que têm instrumentos para levar a que estes governantes mudem de política e percebam que, antes de prestar vassalagem ao poder do dinheiro, têm que servir os portugueses. É esta a questão que se coloca. »
.

Alvos em movimento

Crónica DIANAFM
23 Maio 2013

de Eduardo Luciano (Notas)


Alvos em movimento

A estratégia não é nova e se alguma coisa esta maioria parlamentar lhe acrescentou foi apenas mais violência e crueza na sua implementação. 

Os trabalhadores dos diversos sectores da função pública voltam a estar na mira do governo, que parece ser o único patrão com as possibilidades que todos os patrões desejariam ter. 

De facto, o Estado é a única entidade patronal com o poder de mudar a legislação laboral para a adequar aos seus interesses mais imediatos. 

Se decide despedir, aumentar o horário de trabalho ou criar condições para empurrar trabalhadores para regimes de mobilidade basta-lhe legislar no sentido de criar as condições para que tal aconteça. 

É o único patrão que tem ao seu dispor os mecanismos que lhe permitem alterar unilateralmente as condições contratuais estabelecidas com os seus trabalhadores, que se pode dar ao luxo de romper o contrato social que outorgou com os seus reformados e pensionistas. 

O ataque é de tal ordem que até a sempre bem comportada UGT admite recorrer a formas de luta convergentes com os sindicatos filiados na CGTP. 

Entre outros tiros aos trabalhadores da administração pública, está agora a ser alvo da fuzilaria do governo o aumento da jornada de trabalho. 

Acompanhado de uma campanha demagógica que pretende atirar trabalhadores do sector privado contra trabalhadores do sector público, esta medida é anunciada como um acto de justiça perante o que consideram ser uma situação de discriminação inaceitável. 

A eficácia desta estratégia pode medir-se pelo número de observações e comentários nas redes sociais contra os “malandros” dos funcionários públicos ou pelo nível das intervenções dos participantes em programas do género da antena aberta. 

Também acho que seria da mais elementar justiça equiparar as jornadas de trabalho de todos os trabalhadores por conta de outrem, independentemente da entidade patronal. 

Não me parece justo que um mecânico no sector privado esteja sujeito a um horário de 40 horas semanais, enquanto um trabalhador com as mesmas funções na administração pública trabalhe 35 horas por semana. Parece-me por isso da mais elementar justiça equiparar os horários de trabalho, aplicando aos que trabalham no sector privado o mesmo horário dos que trabalham na administração pública, ou seja, 35 horas semanais para todos. 

Assim já não lhes convém? Não percebo porquê se o objectivo é apenas uma questão de acabar com uma iniquidade. 

Ou esta coisa de nivelar quando se trata de salários é por baixo e quando se trata de horários de trabalho é por cima? 

 Espero bem que os trabalhadores da administração pública se mexam e lutem, já que têm de ser alvos que o sejam em movimento. Até para a semana
 .

march against MONSANTO

img. daqui

Está na altura de marchar contra a Monsanto pelo MUNDO todo!

Informem-se aqui

e na página Stop Monsanto Portugal.



Marcha a começar com 
concentração no Largo de Camões - sábado, às 14h
e a terminar em frente a Assembleia da República, em São Bento. 

MONSANTO (Quem é?) 
Indústria multinacional de agricultura e biotecnologia situada nos Estados Unidos.
É líder mundial na produção do herbicida glifosato (Roundup®).
É líder de produção de sementes geneticamente modificadas (OGM) de milho, soja, algodão e colza.

The company also formerly manufactured controversial products such as the insecticide DDT, PCBs, Agent Orange, and recombinant bovine somatotropin. - fonte
Política da empresa? 
Preencher as crescentes necessidades de alimentos e fibras;
Preservar os recursos naturais;
Melhorar o meio ambiente;

Na verdade… 
Criação de sementes suicidas (Terminator) – morte da semente após a colheita;
Toxicidade ambiental;
Perda da biodiversidade;
Doenças nos animais, incluindo na espécie Humana: problemas gastrointestinais, no sistema imunitário, infertilidade, problemas mentais (Alzheimer, Parkinson, depressão, autismo), cancro, obesidade, problemas de pele e cardíacos…

O que fazer? 
Consumir produtos biológicos;
Trocar sementes biológicas;
Fazer hortas em casa/comunitárias;
Informar sobre as marcas associadas à Monsanto e não consumir produtos dessas marcas.

Porquê/Soluções/Outros locais:

-->Quem quiser ajudar a organização por favor mande mensagem para Leonor Tomahawk ou Marisa Neves
Coisas como: fazer flyers, distribui-los, partilhar informação ou simplesmente dar ideias

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RSVP to the main event: http://on.fb.me/ZUxe3o Find a local march in your city: http://bit.ly/ZTDsk8 Read our full mission statement: http://on.fb.me/10oCMRb

Aos meus professores... e aos outros

Comentário de  José Luís Ferreira  aposto ao artigo do Professor Santana Castilho,

retirado daqui


inst. Museu da Cidade de Almada
«Nem de propósito... Tal Grécia, tal Portugal. 

Carta aberta de um estudante liceal grego (Traduzida de "Echte Democratie Jetzt")»: 

Aos meus professores... e aos outros: 

O meu nome é K. M., sou aluno do último ano num liceu em Drapetsona, Pireu. 

Decidi escrever este texto porque quero exprimir a minha fúria, a minha revolta pelo atrevimento e pela hipocrisia daqueles que nos governam e daqueles jornalistas e media mainstream que os ajudam a pôr em prática os seus planos ilegais e imorais em detrimento dos alunos, dos estudantes e de todos jovens. 

A minha razão para escrever é a intenção dos meus professores de fazer greve durante o período dos exames de admissão à Universidade e os políticos e jornalistas que choram lágrimas de crocodilo sobre o meu futuro, o qual "estaria em causa" devido à greve.* 

De que falam vocês? Que espécie de futuro tenho eu devido a vocês? E quem é que verdadeiramente pôs em causa o meu futuro? 

Deitemos uma vista de olhos sobre quem, já há muito tempo, constrói o futuro e toda a nossa vida:
- Quem construiu o futuro do meu avô?
- Quem vestiu o seu futuro com as roupas velhas da administração das Nações Unidas para a ajuda de emergência e reconstrução e o obrigou a emigrar para a Alemanha?
- Quem governou mal e estripou este país?
- Quem obrigou a minha mãe a trabalhar do nascer ao pôr-de-sol por 530 euros por mês? Dinheiro que, uma vez paga a comida e as contas, nem chega para um par de sapatos, para já não falar num livro usado que eu queria comprar numa feira de rua.
- Quem reduziu a metade o ordenado do meu pai?
- Quem o caluniou, quem o ameaçou, quem o obrigou a regressar ao trabalho sob a ameaça da requisição civil, quem o ameaçou de despedimento, juntamente com todos os seus colegas dos serviços de transportes públicos quando eles, que apenas queriam viver com dignidade, entraram em greve?
- Quem procurou encerrar a universidade que o meu irmão frequenta para atingir alguns dos seus sonhos?
- Quem me deu fotocópias em vez de manuais escolares?
- Quem me deixa enregelar na minha sala de aula sem aquecimento?
- Quem carrega com a culpa de os alunos das escolas desmaiarem de fome?
- Quem lançou tanta gente no desemprego?
- Quem conduziu 4.000 pessoas ao suicídio?
- Quem manda de volta para casa os nossos avós sem cuidados médicos e sem medicamentos?
Foram os meus professores que fizeram tudo isto? Ou foram VOCÊS que fizeram tudo isto?
Vocês dizem que os meus professores vão destruir os meus sonhos fazendo greve.
Quem vos disse alguma vez que o meu sonho é ser mais um desempregado entre os 67% de jovens que estão no desemprego?
Quem vos disse que o meu sonho é trabalhar sem segurança social e sem horários regulares por 350 euros por mês, como determinam as vossas mais recentes alterações às leis laborais?
Quem vos disse que o meu sonho é emigrar por razões económicas? Quem vos disse que o meu sonho é ser moço de recados? 

Gostaria de dirigir algumas palavras aos meus professores e aos professores em toda a Grécia: 

Professores, vocês NÃO devem recuar um único passo no vosso compromisso para connosco. Se recuarem agora na vossa luta, então sim, estarão verdadeiramente a pôr em causa o meu futuro. Estarão a hipotecá-lo. 

Qualquer recuo vosso, qualquer vitória que o governo obtenha, roubará o meu sorriso, os meus sonhos, a minha esperança numa vida melhor e em combater por uma sociedade mais humana. 

Aos meus pais, aos meus colegas e à sociedade em geral tenho a dizer o seguinte: 

Quereis verdadeiramente que aqueles que nos ensinam vivam na miséria? 

Quereis que sejamos moldados nas salas de aulas como mercadorias de produção maciça? 

Quereis que eles fechem cada vez mais escolas e construam cada vez mais prisões? 

Ides deixar os nossos professores sozinhos nesta luta? É para isso que nos educais, para que recusemos a nossa solidariedade? 

Quereis que os nossos professores sejam para nós um exemplo de respeito por nós próprios, de dignidade e de militância cívica? Ou preferis que nos dêem um exemplo de escravidão consentida? 

Finalmente, quereis que vivamos como escravos? 

De amanhã em diante, todos os alunos e pais deviam ocupar-se de apoiar os professores com uma palavra de ordem: "Avançar e derrotar a tirania fascista!" 

Lutemos juntos por uma educação de qualidade, pública e livre. Lutemos juntos para derrubar aqueles que roubam o nosso riso e o riso dos vossos filhos. 


PS: Menciono as minhas notas do ano lectivo 2011/12, não por vaidade mas para cortar a palavra àqueles que avançarem com o argumento ridículo de que "só quero escapar às aulas": Comportamento do aluno: "Muito Bom". Classificação média: 20 ("Excelente") [a nota mais alta nos liceus gregos].


texto original:  http://enough14.org/2013/05/19/piraus-griechenland-offener-brief-eines-gymnasiasten/

tradução de José Luís Ferreira