- as imagens das colunas laterais têm quase todas links ..
- nas páginas 'autónomas' (abaixo) vou recolhendo posts recuperados do 'vento 1', acrescentando algo novo ..

29/09/12

tudo em 'pratos limpos', por José Gomes Ferreira


JGF: «Esta é a história de um grande conluio entre alguns políticos, bancos, construtoras, consultoras e grandes gabinetes de advogados, (...)» 
« ... chega ao desplante de a troika vir dizer: "se não conseguirem cortar estes contratos (os tais que Cavaco Silva paulatinamente assinou!), chamem a opinião pública para pressionar estes senhores!" Somos todos cidadãos, é um dever de todos nós! » - Vamos a isso, pessoal? 

31.05.2012 
- 23:14 

José Gomes Ferreira / Análise à auditoria do Tribunal de Contas sobre PPP

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26/09/12

A OCDE põe a nu afirmações falsas do ministro

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A OCDE põe a nu afirmações falsas do ministro 

por Santana Castilho *
Público, 26/9/2012

A OCDE publicou o seu habitual relatório Education at a Glance, com o qual pretende influenciar as políticas seguidas pelos países membros, em obediência aos dogmas da economia de livre mercado. Se é certo que a educação não pode ignorar as realidades económicas, não menos certo é que a sua missão primeira é desenvolver pessoas, que não mercados. Eis a razão por que olho com reserva o que a OCDE conclui sobre os sistemas educativos. Porém, é de estudos da OCDE, adulterados ou parcialmente lidos, que os detractores dos professores e da escola pública se socorrem muitas vezes para envenenar a opinião pública. Por isso, faz sentido trazer a público alguns dados que desmentem as últimas atoardas propaladas.

São as escolas mais autónomas? Não! 78 por cento das decisões são tomadas a nível central e 22 por cento a nível das escolas (dados de 2011, gráfico D6.1, publicação em análise). A autonomia das escolas melhorou, como diz o discurso oficial? Não! Foi reduzida para metade! Em 2007, as escolas tomavam 43 por cento das decisões (gráfico D6.6). 

Nuno Crato disse na TVI que a população escolar tinha diminuído em 200 mil alunos nos últimos três anos. Não é verdade. A população escolar teve um crescimento de 71.883 alunos, como fundamentei no meu artigo de 12.9.12. Ao “Sol” (7.9.12) disse o ministro: “… A natalidade diminuiu, o número de estudantes diminuiu, daqui a quatro anos vai diminuir ainda mais …”. Falso, diz também a OCDE! Nas projecções que estabelece para 2015 (gráfico C1.3) consta um decréscimo de alunos (dois por cento) na faixa etária dos cinco aos 14 anos, largamente compensado com o acréscimo (10 por cento ou mais) para a classe dos 15 aos 19 anos. A OCDE, comentando o quadro citado, refere como excepção aos reflexos da demografia no número de alunos matriculados os casos da Dinamarca, Noruega, Israel, Luxemburgo, México, Portugal e Turquia. Nuno Crato ignorou que acabaram de chegar ao sistema os primeiros alunos atingidos pela extensão do ensino obrigatório até aos 18 anos. E ignorou que cerca de 50 por cento da população jovem ainda não completa o ensino secundário. É grave, seja qual for a razão por que o fez. 

A frase malévola “temos menos alunos por professor do que a Áustria”, deixada cair por Nuno Crato na entrevista ao “Sol”, é esclarecida pela OCDE, no que importa. O tamanho médio das turmas portuguesas em 2010, antes portanto das alterações determinadas por Nuno Crato, é superior, portanto pior, à média da OCDE e ao tamanho das turmas na Áustria (gráfico D2.2). Se nos ativermos ao ensino básico, a posição da Áustria é mais favorável (10 níveis de diferença) que a de Portugal (gráfico D2.1). Com o aumento do número de alunos decretado por Nuno Crato, sairemos do meio para a cauda da tabela. Que pretendeu o ministro, que não tem carência de conhecimento para interpretar indicadores estatísticos, quando se alistou no grupo dos que confundem a dimensão das turmas, com que os professores realmente trabalham, com uma relação descontextualizada entre os números totais de professores e alunos? Confundir, deliberada e maliciosamente, a opinião pública? Essa relação directa só permitiria comparações quando corrigida por variáveis que Nuno Crato não pode ignorar, a saber, entre outras: número de disciplinas por aluno (uma só turma pode ter uma dezena de professores); professores absorvidos pela infernal máquina administrativa do ministério; professores destacados em sindicatos; professores afastados do sistema, por desempenho de outras funções públicas não relacionadas com a educação; professores com horários exíguos, contabilizados como se tivessem horários completos; professores com redução da componente lectiva, por problemas de doença; professores envolvidos no Programa Integrado de Educação e Formação (último recurso para jovens problemáticos, que supõe turmas muito pequenas e tutorias especiais); professores que suprem necessidades educativas especiais (cegos, surdos, deficientes motores ou mentais, por exemplo) e número de horas consumidas pelos professores em tarefas burocráticas, grotescamente inúteis. 

Observada no conjunto dos indicadores, a fotografia do país não é boa. Mas quando os gráficos reflectirem as inevitáveis consequências sobre os alunos da degradação da actividade profissional dos docentes e da precariedade e insegurança que Nuno Crato lhes vem impondo, ficará bem pior. Portugal tem, pelo menos, três talibans no Governo: Gaspar, Passos e Crato. Vivem obcecados por um problema circunstancial, financeiro, sem entenderem que os cortes cegos em áreas estratégicas, como é a educação, comprometem o futuro e pioram o imediato. Do seu consulado vão resultar jovens menos autónomos e felizes e adultos mais pobres e desesperados. É inaceitável para Portugal. 

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

25/09/12

"Embaraçoso"?!! Criminoso!!

Finanças 

Nova sede do BCE derrapa 40% e vai custar 1.200 milhões 

de Antoni Tàpies

O custo de construção da nova sede do Banco Central Europeu (BCE), em Frankfurt [imagino que a antiga estaria a cair de podre .. ^-^] , derrapou e não foi só um bocadinho. O valor vai ficar 40% acima daquilo que estava previsto, ultrapassando os mil milhões de euros. 
 
«Financial Times» diz que é embaraçoso que membro da troika anuncie este desvio quando é tão exigente com Portugal, Grécia e Irlanda.        - notícia aqui

23/09/12

«É a injustiça, estúpido!»

É a injustiça, estúpido!

Por José Vítor Malheiros

No passado sábado, horas antes das ruas portuguesas se encherem com os gritos de indignação de centenas de milhares de manifestantes, o futurólogo americano Andrew Zolli fazia no Centro Cultural de Belém uma conferência no âmbito do encontro Presente no Futuro - Os Portugueses em 2030.

Zolli mencionou um estudo hoje clássico do primatólogo holandês Frans de Waal, onde dois macacos, em jaulas contíguas, são treinados para realizar uma dada tarefa, recebendo como recompensa um pedaço de pepino. Os macacos fazem a tarefa repetidamente sem problema. A dada altura, a recompensa muda: um dos macacos recebe na mesma um pedaço de pepino, mas o outro recebe uma uva, um alimento que estes macacos capuchinhos adoram. A reacção do outro macaco é de espanto e agitação e acaba por atirar ao tratador com raiva o pedaço de pepino que lhe é dado. Quando a cena se repete, o macaco pura e simplesmente entra em greve e deixa de realizar a tarefa, recusando o pepino, furioso com o tratamento desigual.

A experiência, que teve um enorme impacto no mundo da biologia e das ciências sociais, sugere que o sentimento de justiça, de equidade, é um sentimento natural, extremamente poderoso e com raízes muito anteriores às que a civilização, a cultura ou a religião possam ter criado. Talvez mais espantosamente ainda, em certas repetições desta experiência há casos em que o próprio macaco que recebe as uvas se recusa a trabalhar se não houver equidade no tratamento - numa demonstração de empatia e solidariedade que não pode deixar de nos fazer pensar. E que poderia fazer pensar Pedro Passos Coelho ou Vítor Gaspar para além dos seus clichés, caso o exercício os motivasse.

Vem isto a propósito das manifestações de dia 15 e do sentimento que as provoca. Parece evidente que a enorme dimensão das manifestações deve muito a uma motivação egoísta, à defesa dos interesses individuais próprios dos cidadãos - uma motivação totalmente legítima - e não escondo que me teria sentido mais emocionado se tivesse visto manifestações desta dimensão perante os cortes no RSI, os aumentos das taxas moderadoras na Saúde, os cortes no apoio a pessoas com deficiências ou os cortes na educação, mesmo quando estas medidas iníquas não nos afectam a todos. Mas o que acontece - e o que o Governo não percebe - é que a indignação das pessoas não se deve apenas aos cortes em si, mas à sua iniquidade, à sua injustiça - bem exemplificada no caso da TSU. Deve-se à falta de vergonha com que se cortam os salários dos trabalhadores para os entregar aos patrões; ao descaramento com que se taxam os rendimentos do trabalho para poupar os do capital; à imoralidade com que se corta o RSI mas se permite que as empresas mais ricas do país deixem de pagar impostos em Portugal e inscrevam (legalmente mas desonestamente) as suas empresas na Holanda; à abjecção com que se corta nos subsídios de férias e Natal de assalariados e pensionistas mas se conferem em discretos despachos essas mesmas benesses aos filhos-família contratados pelos gabinetes ministeriais; à crueldade com que se fecham serviços e se despedem professores mas se continua a permitir a especulação bolsista sem freio; à desfaçatez com que se mantêm as rendas das empresas dos amigos do Governo mas se aumenta a energia e os transportes públicos; à desonestidade com que se defende a concorrência e o mercado mas se garantem lucros vitalícios sem risco às empresas das PPP; à subserviência com que se defende o dever sagrado de pagar ágios a bancos parasitas mas se recusa qualquer obrigação de protecção dos cidadãos mais frágeis; à vileza de recusar negociar o memorando da troika mas rasgar sem hesitar o contrato social que está na base da sociedade e da democracia.

As manifestações de dia 15 vieram sem dúvida dizer que há um limite para os sacrifícios e que ele já foi atingido. Mas vieram principalmente dizer que o limite para a iniquidade foi ultrapassado há muito. Há situações onde as sociedades conseguem levar os seus sacrifícios a extremos muito mais dolorosos do que os que vivemos hoje em Portugal, mas quando conseguem fazer isso é porque o fazem em nome de um objectivo definido e partilhado por todos, é com base num princípio de solidariedade que não admite excepções, é quando existe uma confiança total na justiça da distribuição dos sacrifícios. Este Governo não tem - nunca teve - essa confiança. Até a pobreza pode ser suportada com dignidade, mas nenhum homem pode aceitar a injustiça, porque isso seria garantir um futuro de escravidão para os seus filhos. O que os portugueses começaram a dizer é que não serão escravos.

Esquecer que existe um forte e animal sentimento de justiça em todos os homens e mulheres é apenas um dos seus pecados. O pecado que todos os fanáticos como Vítor Gaspar cometem, o pecado que todos os políticos servis como Pedro Passos Coelho cometem, porque pensam que a força dos fortes os protegerá sempre da fúria dos fracos. Mas isso nunca acontece para sempre.

Santana Castilho na Covilhã, 27 Set


a foto de Covilhã é cortesia do TripAdvisor
Covilhã Imagens
biblioteca municipal

«A "Troca de Palavras" do mês de Setembro terá lugar no dia 27 (5ª feira) , na Biblioteca Municipal, com início marcado para as 21:30 horas. 


Esta tertúlia, a que a Biblioteca já nos habituou nas últimas Quintas-feiras de cada mês, conta com a presença de SANTANA CASTILHO, que fará uma abordagem reflexiva sobre "O estado da Educação: erros e alternativas". »



Quem puder ir, não perca! É sempre um privilégio ouvi-lo, sobretudo assim 'informalmente' e ao vivo, com tempo e disponibilidade para uma "troca de palavras"!


assim, sim! Viva a Suíça e os seus referendos!


 e viva a França, também!  (ver última frase da notícia)

Eu .. (mas quem sou eu, ñ é? ..) acho que, quando há exemplos de países em que a democracia não é palavra vã e funciona, só devíamos era ter a humildade de lhes pedir lições e autorização para 'plagiá-los' -- simples, não? A solução para todos os nossos problemas! Por que razão não o fazem os nossos doutos desgovernantes, não sei. (mentira, claro que sei! ..) Sei que podíamos votar NOUTROS que se comprometessem com a premissa acima .. Vocês que acham?

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no Expresso - Actualidades:
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12:16 Domingo, 23 de setembro de 2012 

 Suíços votam hoje fim de benefícios fiscais para estrangeiros 

Os suíços votam hoje o fim do pacote fiscal que permite que estrangeiros ricos paguem impostos mais baixos no país.
A célebre localidade de Gstaad começou a tremer, segundo a AFP. Este é o local preferido dos "exilados fiscais" estrangeiros, como o cantor de rock francês Johnny Hallyday, e o eventual fim deste pacote fiscal poderá ter um grande impacto na região.
Os eleitores do cantão de Berna, que inclui Gstaad, votam hoje o fim do pacote fiscal, que é considerado uma injustiça por permitir pagar menos impostos apenas aos estrangeiros.
O pacote fiscal é um sistema de tributação assente no estilo de vida e de despesas do contribuinte na Suíça e não sobre as suas receitas reais.
A maior parte dos beneficiários deste sistema no cantão de Berna residem em Gstaad, uma zona de desportos de inverno bastante conhecida e onde mora, por exemplo, o realizador Roman Polanski.
Em 2010, a Suíça tinha 5445 "exilados fiscais" a beneficiar do pacote fiscal.
Este tema voltou à ribalta após a intenção do bilionário francês Bernard Arnault em pedir a nacionalidade belga, numa altura em que o Governo francês pretende aplicar um imposto de 75% aos rendimentos elevados.
          --  fonte

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Para que toda a população possa participar na vida política, a Suíça tem um sistema único no Mundo de democracia directa. É muito frequente a realização de referendos, quer a nível federal, quer a nível cantonal. Além do mais, os resultados de um referendo federal não implicam a obediência de uma lei referendada por um cantão que tenha votado contra. Por exemplo se um cantão votar contra uma lei e em todos os outros cantões fora aceite, essa lei não entra no cantão que tenha votado efectivamente contra. Já em relação aos assuntos externos, é necessário haver a aprovação de todos os cantões como no caso da adesão da Suíça à União Europeia. Para a realização de um referendo nacional com o objectivo de alterar uma lei na Constituição Federal, é necessário que haja cem mil assinaturas[70] a pedir salvo se for um referendo pedido pelo Governo Federal ou por cada um dos cantões.



  • sobre a (história da) Suíça (Confederação Helvética : CH) -- aqui  e sobretudo aqui  
  • sobre Gstaad -- aqui
The Bernese Oberland (Bernese Highlands) is the higher part of the canton of Bern, Switzerland, in the southern end of the canton: the area around Lake Thun and Lake Brienz, and the valleys of the Bernese Alps. The Bernese Oberland is well known for touristic reasons, including the following destinations: Gstaad-Saanenland, (...) - fonte

«BARDAMERDA E CALADINHOS !»

 
Eu .. acho o máximo, aplaudo. A frase foi proferida em directo por um empresário português, a propósito das brilhantes medidas de PPC. E isto, há dez dias atrás, ainda a procissão ia no adro!


Como um patrão classificou a austeridade em 30 segundos na SIC Notícias 

Veja o exemplo que Jorge Rebelo de Almeida, da Conferação de Turismo e presidente do Grupo Vila Galé, foi buscar para classificar a austeridade, ontem durante o programa de José Gomes Ferreira, "Negócios da Semana", na SIC Notícias. 

17:28 Quinta feira, 13 de setembro de 2012

                                       com vídeo, aqui
enviado via e-mail pelo grazia tanta

O sonho de Pedro Passos Coelho 


por José Vítor Malheiros 

 «Um terço é para morrer. Não é que tenhamos gosto em matá-los, mas a verdade é que não há alternativa. se não damos cabo deles, acabam por nos arrastar com eles para o fundo. E de facto não os vamos matar-matar, aquilo que se chama matar, como faziam os nazis. Se quiséssemos matá-los mesmo era por aí um clamor que Deus me livre. Há gente muito piegas, que não percebe que as decisões duras são para tomar, custe o que custar e que, se nos livrarmos de um terço, os outros vão ficar melhor. É por isso que nós não os vamos matar. Eles é que vão morrendo. Basta que a mortalidade aumente um bocadinho mais que nos outros grupos. E as estatísticas já mostram isso. O Mota Soares está a fazer bem o seu trabalho. Sempre com aquela cara de anjo, sem nunca se desmanchar. Não são os tipos da saúde pública que costumam dizer que a pobreza é a coisa que mais mal faz à saúde? Eles lá sabem. Por isso, joga tudo a nosso favor. A tendência já mostra isso e o que é importante é a tendência. Como eles adoecem mais, é só ir dificultando cada vez mais o acesso aos tratamentos. A natureza faz o resto. O Paulo Macedo também faz o que pode. Não é genocídio, é estatística. Um dia lá chegaremos, o que é importante é que estamos no caminho certo. Não há dinheiro para tratar toda a gente e é preciso fazer escolhas. E as escolhas implicam sempre sacrifícios. Só podemos salvar alguns e devemos salvar aqueles que são mais úteis à sociedade, os que geram riqueza. Não pode haver uns tipos que só têm direitos e não contribuem com nada, que não têm deveres. 

Estas tretas da democracia e da educação e da saúde para todos foram inventadas quando a sociedade precisava de milhões e milhões de pobres para espalhar estrume e coisas assim. Agora já não precisamos e há cretinos que ainda não perceberam que, para nós vivermos bem, é preciso podar estes sub-humanos. 

Que há um terço que tem de ir à vida não tem dúvida nenhuma. Tem é de ser o terço certo, os que gastam os nossos recursos todos e que não contribuem. Tem de haver equidade. Se gastam e não contribuem, tenho muita pena... os recursos são escassos. Ainda no outro dia os jornais diziam que estamos com um milhão de analfabetos. O que é que os analfabetos podem contribuir para a sociedade do conhecimento? Só vão engrossar a massa dos parasitas, a viver à conta. Portanto, são: os analfabetos, os desempregados de longa duração, os doentes crónicos, os pensionistas pobres (não vamos meter os velhos todos porque nós não somos animais e temos os nossos pais e os nossos avós), os sem-abrigo, os pedintes e os ciganos, claro. E os deficientes. Não são todos. Mas se não tiverem uma família que possa suportar o custo da assistência não se pode atirar esse fardo para cima da sociedade. Não era justo. E temos de promover a justiça social. 

O outro terço temos de os pôr com dono. É chato ainda precisarmos de alguns operários e assim, mas esta pouca-vergonha de pensarem que mandam no país só porque votam tem de acabar. Para começar, o país não é competitivo com as pessoas a viverem todas decentemente. Não digo voltar à escravatura - é outro papão de que não se pode falar -, mas a verdade é que as sociedades evoluíram muito graças à escravatura. Libertam-se recursos para fazer investimentos e inovação para garantir o progresso e permite-se o ócio das classes abastadas, que também precisam. A chatice de não podermos eliminar os operários como aos sub-humanos é que precisamos destes gajos para fazerem algumas coisas chatas e, para mais (por enquanto), votam - ainda que a maioria deles ou não vote ou vote em nós. O que é preciso é acabar com esses direitos garantidos que fazem com que eles trabalhem o mínimo e vivam à sombra da bananeira. Eles têm de ser aquilo que os comunistas dizem que eles são: proletários. Acabar com os direitos laborais, a estabilidade do emprego, reduzir-lhes o nível de vida de maneira que percebam quem manda. Estes têm de andar sempre borrados de medo: medo de ficar sem trabalho e passar a ser sub-humanos, de morrer de fome no meio da rua. E enchê-los de futebol e telenovelas e reality shows para os anestesiar e para pensarem que os filhos deles vão ser estrelas de hip-hop e assim. 

O outro terço são profissionais e técnicos, que produzem serviços essenciais, médicos e engenheiros, mas estes estão no papo. Já os convencemos de que combater a desigualdade não é sustentável (tenho de mandar uma caixa de charutos ao Lobo Xavier), que para eles poderem viver com conforto não há outra alternativa que não seja liquidar os ciganos e os desempregados e acabar com o RSI e que para pagar a saúde deles não podemos pagar a saúde dos pobres. 

Com um terço da população exterminada, um terço anestesiado e um terço comprado, o país pode voltar a ser estável e viável. A verdade é que a pegada ecológica da sociedade actual não é sustentável. E se não fosse assim não poderíamos garantir o nível de luxo crescente da classe dirigente, onde eu espero estar um dia. Não vou ficar em Massamá a vida toda. O Ângelo diz que, se continuarmos a portarmo-nos bem, um dia nós também vamos poder pertencer à elite."» 

José Vítor Malheiros 
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PS - Não é um terço, é quase metade, calculei em junho de 2007. -- (grazia tanta)

22/09/12

o povo culto

da pg FB de Ricardo Cardoso

«é cada vez MAIS importante acreditar na CULTURA como ferramenta que tudo MUDA (…) . é preciso invadir este tempo LIBERAL com os saberes da VIDA simples . SIGA A RODA PELA FORÇA MOTRIZ INSCRITA NA PALAVRAS SEMPRE IMORREDOIRAS DE AGOSTINHO DA SILVA …» 
Ricardo Cardoso

21/09/12

porque a cantiga é uma arma!


A Cantiga é uma Arma

  

 FMI

  

  Eu vi este Povo a Lutar

  

e.. por que não?:
Avante Camarada
  
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internacionalismo proletário


Para quem não sabe, em 1974, depois da "Revolução dos Cravos", as ruas de Lisboa foram' invadidas' por milhares e milhares de estrangeiros, sobretudo europeus que queriam partilhar connosco aqueles momentos únicos de euforia, fazer, também um pouco sua, aquela revolução única, exemplar, em que os únicos tiros foram disparados por pides ..

Havia manifs quase todos os dias (aviso já que eu estive em todas, os meus 19 anos transbordantes de força e de esperança, a confiança cega no futuro, aquele querer e acreditar poder mudar o mundo: O POVO / UNIDO / JAMAIS SERÁ VENCIDO !!) -- slogan que se ouviu hoje, de novo, uma e outra e outra vez!
Em 1974, para além das nossas músicas de protesto (o Zeca, acima de todos os outros!), ouviam-se muitas outras dos participantes estrangeiros (e como éramos, então, uma internacionalidade de povos!) ,  canções universais contando histórias de resistência, o apelo à luta, a unidade do povo trabalhador. Muita da letra não se percebia, mas que importava, então? Que importa agora, , também,  quando as devíamos cantar de novo?

Por isso as ponho aqui, em nome .. da esperança .. do que pode ainda ser .. se este povo assim quiser! E  não importa se os regimes comunistas adulteraram tudo (como, de resto, a igreja católica fez à doutrina cristã!!) -- , a teoria continua a ser perfeita!

L'Internazionale   - ler


Bandiera Rossa - ler

  


"Bella ciao" is an Italian partisan song of World War II. - ler

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A Galopar - ler (em catalão)
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Javier Parra: « La derecha española sigue su caminar torpe, suicida y destructor de todo lo que se haya levantado en este país con el sudor y la sangre de sus hombres y mujeres y de cualquier rastro de dignidad que haya quedado impregnado en las ciudades y pueblos de España. Lo hace con el convencimiento de quien se cree invencible pero se sostiene sobre unos pies de barro tan débiles como su honradez y su convencimiento democrático.» -- ler mais

Viva a malta e trema a terra

Canta camarada canta
canta que ninguém te afronta
que esta minha espada corta
dos copos até à ponta

Eu hei-de morrer de um tiro
Ou duma faca de ponta
Se hei-de morrer amanhã
morra hoje tanto conta

Tenho sina de morrer
na ponta de uma navalha
Toda a vida hei-de dizer
Morra o homem na batalha

Viva a malta e trema a terra
Aqui ninguém arredou
nem há-de tremer na Guerra
Sendo um homem como eu sou

Zeca Afonso 
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VAMPIROS, ZECA AFONSO

No céu cinzento
Sob o astro mudo
Batendo as asas
Pela noite calada
Vem em bandos
Com pés veludo
Chupar o sangue
Fresco da manada

Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles comem tudo 
Eles comem tudo 
Eles comem tudo 
E não deixam nada 

A toda a parte Chegam os vampiros
Poisam nos prédios
Poisam nas calçadas
Trazem no ventre Despojos antigos
Mas nada os prende
Às vidas acabadas

São os mordomos
Do universo todo
Senhores à força
Mandadores sem lei
Enchem as tulhas
Bebem vinho novo
Dançam a ronda
No pinhal do rei

Eles comem tudo Eles comem tudo Eles comem tudo E não deixam nada

No chão do medo
Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos
Na noite abafada
Jazem nos fossos
Vítimas dum credo
E não se esgota
O sangue da manada

Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

Eles comem tudo Eles comem tudo Eles comem tudo E não deixam nada

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17/09/12

EU QUERO SER TERRORISTA!!!


.. bom .. no auge da fúria ñ me dei conta de q a notícia é de 2009 .. 
Ainda assim, acho q justifica a indignação ..

Crise (act.) - qual crise, o caraças?

Banco de Portugal empresta mil milhões ..

..  ao FMI !!!!!????

mas esta gente PASSOU-SE??


Cristina Barreto
01/12/09 17:40
notícia aqui

O Banco de Portugal assinou hoje um acordo para emprestar 1,06 mil milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI). [mas que é isto ????????????!!!!!!!!!!!!!!!]

Este acordo faz parte de um compromisso assumido pelos países da União Europeia em Março de 2009 para reforçarem a capacidade de financiamento do FMI, com fundos até 75 mil milhões de euros.

Até agora, os Estados-membros já assinaram contratos de empréstimos com a instituição liderada por Dominique Strauss-Kahn, no montante total de 50 mil milhões de euros.

O compromisso assumido pela União Europeia no sentido de reforçar o capital do FMI foi estabelecido no âmbito da reunião do G20 em Abril último, tendo como objectivo ajudar os países mais afectados pela crise financeira e pela recessão mundial. [mas que é isto??????????!!!!!!!!!!!!!!  Então nós não somos um dos "países mais afectados??!! E afinal temos dinheiro para emprestar? E ao FMI???!!!]

Se bem entendo, NÓS EMPRESTAMOS AO FMI - e eles depois 'emprestam-nos' o que nós lhes emprestámos, mas com juros a decuplicar!! -- é isso, ou sou eu que já treslouco????

eu queria ser Anonymous!


porque 'eles' dizem/fazem coisas importantes, e certas, e justas
que eu gostava de saber e ter a coragem de fazer também..
oiça/leiam .. meditem ..
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  • «Ser 'Anonymous' não faz de si um "hacker", nem significa que você seja um criminoso.
  • Ser 'Anonymous' significa, simplesmente, que se partilham e valorizam os princípios da liberdade, a sua defesa e a sua busca.
  • Somos pessoas comuns, preocupadas com o estado deste mundo. Ansiamos pela mudança, uma mudança que, por uma vez, sirva o interesse dos povos deste mundo.»
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OUSAR PENSAR .. OUSAR MUDAR!

esta é a parte didáctica explicada às crianças..


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.. este é o apelo didáctico aos adultos: nas próximas eleições,
OUSEM PENSAR, OUSEM  MUDAR!
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(o M.) F.A. está com o povo! (será?)


Austeridade

Militares vão “envolver-se na resistência” à austeridade

 Rita Paz
cartaz do 25 Abril
17/09/12 13:14 

Manuel Cracel, da Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA), diz que as últimas medidas de austeridade são “extorsão pura”.

"Estamos revoltados com aquilo que nos afecta e penaliza porque isto são medidas que confirmam uma extorsão pura e vêem seguidas de outras medidas que já afectam e muito os militares, desde 2005", declarou Manuel Cracel ao Económico.

25 Abril, 1974
Diz o responsável que apesar de os militares estarem sujeitos a certas restrições que o comum dos cidadãos não partilha, "vamos envolver-nos na resistência dos movimentos cívicos" para protestar contra a austeridade.

"Tudo faremos para chamar à razão o poder de decisão. Esta é uma inversão económica e financeira que está a subjugar o país, o que só nos pode deixar revoltados. Vamos avaliar a situação e reagir em conformidade utilizando todos os meios democráticos que nos são permitidos", afirma o porta-voz da AOFA.

Manuel Creacel acrescenta ainda que "além de os dirigentes e elites deste país estarem apostados em empobrecer-nos a todos pondo em causa a soberania, [a austeridade] põe também em causa um dos pilares fundamentais deste país que são as Forças Armadas ".

notícia aqui 
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alô centrais sindicais!

Álvaro Cunhal
... Estão à espera de quê??!! E por que é que, desde há demasiado tempo, os sindicatos vão, não "à proa" como deviam!! , mas "a reboque" dos movimentos de cidadãos? 
Por que se mostram tão tolhidos, inoperantes, vazios de ideias, acções, propostas de lutas?
Serão agora a CGTP, a UGT, os "radicais pequeno-burgueses" abaixo referidos por Álvaro Cunhal? Tenham a coragem da radicalização a que apelava o líder comunista, [e, note-se, então numa conjuntura bem menos desesperada que esta que agora vivemos!] 
Ousem des-parecerem-se com os partidos políticos, ousem .. OUSAR! E, se vierem a convocar uma greve geral, façam o favor de ser lúcidos!, que não seja só por um dia! Dessas já se viu a eficácia, só servem para alimentar os cofres do Estado!
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«No papel é fácil escrever e ao microfone é fácil gritar: “chegou a hora do assalto final!” 
Para o assalto final, não basta escrever ou gritar. É preciso, além de condições objectivas, que exista uma força material, a força organizada, para se lançar ao assalto, ou seja, um exército político ligado às massas e as massas radicalizadas, dispostas e preparadas para a luta pelo poder, para a insurreição (…) 
Os radicais pequeno-burgueses são incapazes de compreender que os objectivos fundamentais da revolução não se alcançam reclamando-os, mas conquistando-os.»

Álvaro Cunhal, «O Radicalismo Pequeno-Burguês de Fachada Socialista», 1970.

16/09/12

para que se saiba e não se esqueça!


o silêncio sobre a Islândia -- porquê?!



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Publicado em 02/09/2012 por Zlia BR

A recusa do povo da Islândia a pagar a dívida que as elites abastadas tinham contraído com a Grã Bretanha e a Holanda gerou muito medo no seio da União Europeia. Prova deste temor foi o absoluto silêncio na mídia sobre o que aconteceu. Nesta pequena nação de 320.000 habitantes a voz da classe política burguesa tem sido substituída pela do povo indignado perante tanto abuso de poder e roubo do dinheiro da classe trabalhadora. O mais admirável é que esta guinada na política sócio-económica islandesa aconteceu de um jeito pacífico e irrevogável. Uma autêntica revolução contra o poder que conduziu tantos outros países maiores até a crise atual.
Este processo de democratização da vida política que já dura há dois anos é um claro exemplo de como é possível que o povo não pague a crise gerada pelos ricos.

-- aqui .. a Troika, o Passos ..


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DESTROIKA - MITOS E DESMITOS DA TROIKA.
Porque é importante ouvir o que nos dizem, o que é a realidade e como é preciso dizer que já chega de tanta mentira e mal-viver, só para que a riqueza continue a ir parar às mãos dos de sempre.

eu já sabia .. U..?

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Numa palestra TED impressionante Nick Hanauer desmorona um dos mitos mais malignos associados ao capitalismo: de que os ricos merecem ter privilégios tais como impostos reduzidos para que possam continuar a desempenhar a sua suposta função social num sistema capitalista que é a de criar postos de trabalho.

Nick Hanauer é um empreendedor americano especializado em capital de risco. No dia 1 de Março de 2012 deu esta palestra numa das famosas conferências TED e os responsáveis desta organização sem fins lucrativos recusaram-se a publicá-la.

Nick afirma que é falsa a ideia de que "os ricos são criadores de emprego e que por isso não devem pagar impostos". Afirma antes que o verdadeiro criador de emprego é o consumidor da classe média.


.. pois ..

img daqui

a única dívida q é minha é a da casa onde vivo!

foto daqui

12/09/12

A Nini de Pedro e a linhagem de Crato

Público, 12/9/2012

A Nini de Pedro e a linhagem de Crato

Santana Castilho *

Depois da desastrosa comunicação ao país do Primeiro-Ministro, o “Pedro” (são a mesma pessoa) escreveu banalidades no “facebook” e foi alegremente cantar a “ Nini dos meus 15 Anos” para o Tivoli. Depois do ministro da Educação passar um ano a destruir o ensino público, o filho do primo-sobrinho-trineto em 2º grau do 1.º Barão e 1.º Visconde de Nossa Senhora da Luz (são a mesma pessoa, esclarece a “Wikipédia”) falou ao “Sol” e à “TVI”, como se fosse coisa boa o que até aqui fez. Assim começa o pior ano-lectivo da democracia, para os que sobrevivam a Passos e Crato. 

Crato, interrogado no “Sol” sobre as causas do despedimento colectivo de 5.147 professores, disse que isso era consequência de “várias coisas”, mas só referiu uma: “… redução da população escolar em cerca de 200 mil alunos nos últimos anos…”. Quando voltou ao mesmo na “TVI”, manteve o número, mas clarificou o período: três últimos anos. Ora ou as estatísticas dos serviços que dirige estão erradas, ou mente. Eis os números (GEPE/ME, citado por PORDATA): no ensino básico tivemos um decréscimo de 10.000 alunos (1.051.384 em 2008 e 1.041.384 em 2011); no secundário registou-se um aumento de 80.265 alunos (289.714 em 2007 e 369.979 em 2010, números usados por não haver dados de 2011); e no pré-escolar verificou-se um aumento de 1.618 alunos (141.854 em 2008 e 143.472 em 2011). Será certamente oculta a ciência a que o matemático insigne recorreu para falar como falou. À Estatística não foi, certamente. 

Crato já mostrou ser um acrobata dos melhores com as piruetas que deu desde os tempos do “Plano Inclinado”. Mas não é convincente como ilusionista. Com débil honestidade intelectual, comparou capciosamente a relação professor-alunos de Portugal e Áustria. Ora ele sabe que isso depende de outras variáveis (dispersão e extensão do curriculum, por exemplo) que não só do número de professores. E sabe que se quer falar de riqueza, o indicador válido é o que o Estado gasta por aluno. E sabe que estamos na cauda da Europa, 16 níveis abaixo da Áustria, bem abaixo da média da União Europeia a 27 (Eurostat, 2009). Invocar a Áustria neste contexto é tão infeliz e desajustado como ir cantar a “Nini” depois de pisotear quem já estava de rastos.

A imprensa noticiou que os alunos que durante os primeiros seis anos de escolaridade obrigatória (11 anos de idade) tivessem registado duas reprovações seguidas ou três alternadas aprenderiam uma profissão até ao nono ano. No 10º poderiam voltar à via “regular”, se quisessem prosseguir estudos. Essa solução, obrigatória para os casos descritos, estaria ainda ao alcance de quem a preferisse e iria ser testada numa dúzia de escolas experimentais. Nuno Crato vem agora dizer que nada será obrigatório, mas tão-só se os pais anuírem. Mas associar o ensino profissionalizante aos maus alunos é mau. Porque cola a aprendizagem de uma profissão a insuficiência intelectual. Iniciar nessa via uma criança de 11 anos é prematuro. Queremos uma formação básica que rasgue horizontes ou que gere, precocemente, mão-de-obra barata? Não será paradoxal a coexistência da obrigatoriedade de permanecer na escola até aos 18 anos com o início precoce da aprendizagem de uma profissão? Imaginemos um jovem que conclui o 6º ano com 11 anos e escolhe o tal curso profissionalizante de três. Termina-o com 14 anos, mas não pode trabalhar. Que faz até aos 18? Aprende outra profissão? Todas as profissões requerem períodos de formação de três anos? Acresce que, depois de tudo o que se tem feito para limpar administrativamente as reprovações no ensino básico, os casos de dois chumbos seguidos ou três intercalados têm expressão diminuta. O ministro desconhece essa realidade? Ou prevê que as alterações que introduziu façam disparar o número de reprovações? O ministro devia ter pensado nisto e dizer-nos, fundamentadamente, o que pensou. Do que acha, estamos fartos. 

Em Fevereiro transacto, Nuno Crato mudou as regras de acesso ao ensino superior para os alunos do ensino recorrente. A medida entendia-se para corrigir uma gritante injustiça (a via regular exigia exames nacionais e a recorrente dispensava-os). Mas só deveria servir para futuro e nunca alterar as regras a meio do jogo. Prepotentemente, Crato traiu a confiança dos jovens no Estado. Muitos anularam as matrículas e desistiram. Alguns recorreram para tribunal. Todos os que o fizeram, 295, ganharam. Cerca de 3.700 aceitaram a ilegalidade e apresentaram-se a exames. Crato prometeu vagas supervenientes aos alunos do ensino regular que se consideraram prejudicados pelos 295 colegas. Sobre os 3.700, disse nada. Querem maior trapalhada? Que sentido de equidade e de justiça tem este homem? Eis o rigor de Crato: quem não chora não mama!

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

11/09/12

Ele é um empresário de sucesso. Eu era uma simples professora de inglês, mas numa coisa estamos de acordo: ver sublinhado. Só o sr Passos não vê. Nem os lacaios dos seus economistas .. e eu pergunto-me se é assim tão transcendente enxergar o mais-que-óbvio!

Austeridade

Belmiro de Azevedo lamenta “erros permanentes” 

nas medidas tomadas


11.09.2012 - 09:00 Por Lusa

Belmiro lembra que "quando se tira dinheiro ao povo falta dinheiro para comprar coisas"

B. A. (Foto: Nelson Garrido)



O chairman da Sonae, Belmiro de Azevedo, disse na segunda-feira que Portugal não tem uma estrutura de avaliação dos impactos das medidas que implementa, alertando que apenas se faz “navegação à vista” e há “erros permanentes”.


À margem da conferência “Portugal e os Desafios da Segurança Energética”, no Porto, Belmiro de Azevedo foi questionado pelos jornalistas sobre se a descida da Taxa Social Única (TSU) para as empresas, anunciada na sexta-feira pelo primeiro-ministro, vai ajudar à criação de emprego. “Portugal não tem uma estrutura estatística nem de avaliação dos impactos. Quando se faz uma coisa, o que é que altera no outro lado? E esse é que é o problema. Nós verificamos que há erros permanentes”, respondeu.

O presidente do conselho de administração da Sonae (proprietária do PÚBLICO) questionou o que é que acontece com a economia “quando se sobe uma taxa ou se desce uma taxa”, afirmando, por exemplo, que “quando se tira dinheiro ao povo falta dinheiro para comprar coisas, quer seja na economia quer seja nas empresas”. “Isso depois tem um impacto tremendamente negativo para a actividade económica, que desaparece. Nós não temos instrumentos de estudo em Portugal como muitos países têm. É tudo navegação à vista. Faz, não dá certo, corrige porque não há informação”, sublinhou.

Na opinião de Belmiro de Azevedo, Portugal tem “um problema, mais genericamente falando, que é de arranjar algum dinheirinho para resolver esse tipo de problemas”, referindo-se à questão do emprego.

“Portugal é um país relativamente pequeno. Nós temos é que melhorar a rentabilidade daquilo que é nosso. Da floresta, do mar, da agricultura e deixemo-nos de devaneios. Já temos estradas que cheguem. E isso resolve até problemas sociais importantes, porque nós podemos empregar muitos trabalhadores portugueses em tarefas muito interessantes”, sugeriu.

Segundo notícias divulgadas na segunda-feira, que dão nota das contas feitas pelo BES Investimento, as empresas mais endividadas e com mais mão-de-obra vão ser as mais beneficiadas com a redução da TSU de 23,75% para 18%. Entre as cotadas no PSI20, Sonae, BCP e EDP são as que mais beneficiam com a redução da TSU, poupando a empresa de Belmiro de Azevedo 20 milhões de euros, de acordo com o mesmo estudo. -- fonte

10/09/12

Santana Castilho na Antena 1

em 10-09-2012, aqui:

Antena 1 - Entrevista a Santana Castilho


sobre a abertura do novo ano lectivo:

«Tenho a sensação de que há um ensandecimento colectivo.» - SC

"Estas medidas são um erro"

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«ousar lutar, ousar vencer!»

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L'estaca, popular e histórica canción compuesta en 1968
por el cantautor catalán Lluís Llach (n. Gerona, 7 de mayo de 1948).

Esta canción, que se ha traducido a multitud de idiomas, ha llegado a popularizarse tanto que en muchos sitios se considera autóctona. Fue compuesta en plena dictadura del General Franco en España y es un llamamiento a la unidad de acción para liberarse de las ataduras, para conseguir la libertad. Se ha convertido en un símbolo de la lucha por la libertad.

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L'ESTACA (letra em catalão)


L'avi [avô] Siset em parlava
de bon matí al portal
mentre el sol esperàvem
img. daqui
i els carros vèiem passar.

Siset, que no veus l'estaca
on estem tots lligats?
Si no podem desfer-nos-en
mai no podrem caminar!

Si estirem tots, ella caurà
i molt de temps no pot durar,
segur que tomba, tomba, tomba
ben corcada deu ser ja.

Si jo l'estiro fort per aquí
i tu l'estires fort per allà,
segur que tomba, tomba, tomba,
i ens podrem alliberar.

Però, Siset, fa molt temps ja,
les mans se'm van escorxant,
i quan la força se me'n va
ella és més ampla i més gran.

Ben cert sé que està podrida
però és que, Siset, pesa tant,
que a cops la força m'oblida.
Torna'm a dir el teu cant:

Si estirem tots, ella caurà...
Si jo l'estiro fort per aquí...

L'avi Siset ja no diu res,
mal vent que se l'emportà,
ell qui sap cap a quin indret
i jo a sota el portal.

I mentre passen els nous vailets
estiro el coll per cantar
el darrer cant d'en Siset,
el darrer que em va ensenyar.

Si estirem tots, ella caurà...
Si jo l'estiro fort per aquí...

letra retirada da pg oficial de Lluis Llach, aqui
no vídeo acima, 'legendada' em  em espanhol

09/09/12

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foto retirada daqui
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desobediencia y rebelión

"Para cuantos conocen la historia, la desobediencia es la virtud original del hombre. Mediante la desobediencia se ha realizado el progreso; con la desobediencia y la rebelión.
Oscar Wilde
foto retirada daqui: Humor Indignado 99%

08/09/12

a nova roubalheira Relvas / Coelho


Ana Drago põe o dedo na ferida e explica que este novo roubo declarado é inconstitucional. E aos lucros do capital continuam sem pagar um cêntimo de impostos. Só o Trabalho paga. O Capital e a Alta Finança não pagam nada. Isto é um claro e declarado crime de lesa-população - daqui

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veja as diferenças: 1892 - 2011


imagem retirada daqui

NÃO É A TROIKA, É O PASSOS!!

Aviso já q este post vai em linguagem vernácula. É que não há outra possível, depois da comunicação de suaexcelênciaoprimeiroministro!

ACORDEM, pá!
E REVOLTEM-SE, porra!!!
E NÃO É COM MANIFS, É COM GREVES!!
E greves que doam, uma semana, um mês, o tempo que for preciso! A "mansidão", a "carneirice", as "manifezinhas" têm-vos/nos levado onde? A vossa/nossa vida não vai de mal a pior? E vêem algum dos "grandes", dos "tubarões", a fazer sacrifícios? A sofrer na pele a austeridade que vos/nos impõem a nós?
Pois então, agora é o tempo da INDIGNAÇÃO, da DESOBEDIÊNCIA, de uma REVOLTA que o seja e se veja!  (* na senda de Gandhi e Luther King, ver ao fundo)

E prendam-me, se quiserem. Ou matem-me. Não me calo.


a notícia da comunicação que ontem fez PPC está aqui 
(tudo o que vai a azul são acrescentos meus)

Anúncio de Passos Coelho -- [cognome, o coveiro]
Trabalhadores do privado vão perder um salário [este era o destaque, assim como a sugerir que os trabalhadores do sector público não seriam também vítimas deste terrorismo de Estado! - os jornalistas a fazerem pela vidinha? .. ]

07.09.2012 - 19:32 Por Sofia Rodrigues, Nuno Ribeiro, Ana Rita Faria, Pedro Crisóstomo

O Governo decidiu aumentar a contribuição dos trabalhadores para a Segurança Social e reduzir a das empresas [ora que surpresa!] , para compensar o corte dos subsídios de férias e de Natal [compensar? compensar quem? como???!!! Mas não há jornalista que chame os bois pelos nomes??? Isto, estas «medidas» são uma filhadaputice sem nome e ninguém o diz, assim, preto no branco?] e tentar reduzir o desemprego no país. [Mas eles ainda não aprenderam nada? Não percebem que sem o poder de compra do grosso da população as empresas vão à falência? Que é isso que causa mais desemprego? Não é isto óbvio?!] Para os trabalhadores do privado, isto equivale a perder um salário mensal. 
Os trabalhadores públicos continuam a ser mais penalizados.
[A frase acima transcrita vinha de mansinho no parágrafo, sem destaque de cabeçalho, sub-título, o que fosse...  Porquê, srs jornalistas?! Porque já é imoral roubar sempre os mesmos, dá vergonha de escrever? Para que o destaque dado às perdas do privado continue a alimentar a senha contra os funcionários públicos? Para invisibilizá-los nestas medidas, abrindo caminho a futuros impostos/taxas/cortes-só-para-eles, de novo??!!]

A contribuição dos trabalhadores passará dos actuais 11% para 18%. Isto permitirá reduzir a contribuição das empresas também para 18%, dos actuais 23,75%. A medida será incluída no Orçamento do Estado para 2013, para compensar [?????!!!!!] a suspensão dos subsídios de férias e Natal em 2013 e 2014, que foram considerados ilegais pelo Tribunal Constitucional (TC). [Ou seja, os bandidos de serviço, na prática, não acatam as decisões do TC. Assumem-se acima e à margem de qualquer outro órgão soberano. Tomam medidas para se auto-compensarem. E põem o cínico chefe de orquestra a anunciá-lo assim - falaciosa e dubiamente para que ninguém lhes perceba as alarves artimanhas. São os vampiros do momento, ó Zeca Afonso!, « os mordomos do universo todo, senhores à força, mandadores sem lei.» , hienas rindo o seu riso de escárnio, abutres esperando encher o bandulho de carne putrefacta! ]
Na prática, os trabalhadores públicos ficarão sem o equivalente a dois subsídios – ou seja, na mesma situação de agora. [Ou seja, contrariando as deliberações do Tribunal Constitucional. Mas não é isto um atentado contra a Democracia? Uma razão mais-que-suficiente para um impeachment-já? Mais justificadamente ainda, uma REVOLUÇÃO????] Os trabalhadores privados, por sua vez, perdem um salário.

Para os pensionistas e reformados, o corte dos subsídios de Natal e de férias mantém-se. [Pois, com certeza. Pensionistas e reformados têm mais é que morrer, e quanto mais cedo melhor, não é, senhor passos coelho? O seu pai (que tanto lhe gabou a honestidade nas tvs ainda o senhor não era coronel-leone..) será o primeiro a dar o exemplo, calculo. Não morrerá à fome como os demais, morrerá de vergonha!]

“O que propomos é um contributo equitativo, um esforço de todos por um objectivo comum, como exige o Tribunal Constitucional. Mas um contributo equitativo e um esforço comum que nos levem em conjunto para cima, e não uma falsa e cega igualdade que nos arraste a todos para baixo”, justificou. [Bom, esta frase, então, tira-me completamente do sério!!! Mas você, senhor Passos Coelho, julga que somos todos parvos? Cegos? O 'esforço' não é, nunca foi nem nunca será (sobretudo consigo no poder!) "equitativo". Não há isso do "todos" coisa nenhuma! Você sim, já está "em cima" há muito, muito tempo. A nós, e deixe-se de tretas, não os 'todos' mas os 'outros', você calca e empurra e enterra e espezinha de cada vez que vem com as suas medidinhas selectivas (qual equitativas?!!). A sua perfídia sem remorso nem consciência são nauseantes e nauseabundas.]
O cinismo do seu discurso, a demagogia, a desonestidade moral e intelectual, a falta de qualquer princípio ético - servidos assim como favores, iludidos como esperança, só me levam a desejar uma coisa: que você, senhor primeiro-ministro, desapareça daqui bem depressa e vá morrer longe! E quero-lhe uma morte lenta e tão dolorosa como aquela que nos está a infligir a nós, a "todos os outros", que não os da sua comandita. 
Entretanto, não me venha com tretas para imbecil  consumir. 
E, sobretudo, NÃO ME INCLUA no seu plural.. Eu não sou da sua laia!

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Agora, mais do que nunca desde 1974, o ZECA e Os Vampiros


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Gandhi (1869-1948):

  • Civil disobedience is the assertion of a right which law should give but which it denies.  (A desobediência civil é o reclamar de um direito que a lei devia garantir, mas nega)
  • Civil disobedience becomes a sacred duty when the State becomes lawless corrupt. (A desobediência civil torna-se um dever sagrado quando o Estado se torna corrupto e sem respeito pela lei)
  • Non-cooperation with evil is as much a duty as is cooperation with good. ( A não-cooperação com o mal é um dever igual ao da cooperação com o bem)

Luther King (1929-1968):
  • One has not only a legal but a moral responsibility to obey just laws, but conversely, one has a moral responsibility to disobey unjust laws. (Temos, não só uma responsabilidade legal mas também moral de obedecer a leis justas. Do mesmo modo, temos a responsabilidade moral de desobedecer às leis injustas.)
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07/09/12

o que eu teria gostado de escrever ao meu pai

- e o que chorei, choro ainda, ao ler esta carta .. Parabéns, Adriano, parabéns, Isabel. e obrigada..

recebido via e-mail


in Público, 6 de Setembro de 2012

Para o meu pai, que se chama Adriano Moreira


Nos 90 anos de Adriano Moreira, que hoje se comemoram, pedimos a Isabel Moreira, deputada independente do PS, que escrevesse sobre o seu pai. Ele, que foi ministro do Ultramar e presidente do CDS, é o homem da sua vida
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Adriano Moreira
Não envelhece quem envelhece ao nosso lado
Adriano Moreira

Pois não.
Sugeriram-me que escrevesse um texto sobre o Adriano Moreira, que completa agora 90 anos, sem que olhando os seus olhos jamais tivesse dito esse nome, porque o meu Adriano Moreira chama-se pai.

Difícil, por isso, escrever sobre quem é de certa forma de todos, mas é, em tantas coisas, só meu; difícil não abrir as portas de uma intimidade que me salva todos os dias, difícil agradecer, também aqui, para além da gratidão que expresso a um trasmontano que ecoa nas minhas escolhas, nas minhas alegrias, nas minhas dores, nas minhas palavras e nos meus silêncios.

Somos civilizacionalmente dados a datas, a marcos no tempo que passa, como que para o parar por uns instantes: os números redondos de aniversários são caso disso - 90 anos. O meu pai era igual aos 89 e será igual aos 110, mas faz 90 anos e por isso paramos um instante, como que para fazer uma inscrição da pessoa, do menino que veio da aldeia para estudar, filho de pais heróis e que teve a vida esplendorosa que não me cabe contar.

Isabel Moreira
Posso dar o testemunho do que o meu pai fez à minha vida, posso explicar melhor por que razão escrevi numa dedicatória que o meu pai é o homem da minha vida, posso explicar melhor como os princípios essenciais que norteiam a minha vida pública e privada foram bebidos daquele trasmontano, que é ansioso como eu, mas mais contido: limita-se a enrolar os polegares um no outro que subitamente são os do seu pai, o meu avô.

Se é verdade que a política rouba muito tempo à família, aconteceu-me interessar-me pelo fenómeno muito cedo e seguir o meu pai em comícios pelo país fora na campanha de 1987. Eu tinha 11 anos e queria saber tudo, o que tinha sido aquilo da moção de censura do PRD, por que é que era mau as eleições europeias e as nacionais serem no mesmo dia (voto útil), queria fazer sondagens pessoais, mas queria, sobretudo, ouvir. Durante essas eleições, e mais tarde, ouvi o meu pai defender o privilégio dos pobres.

Com 11 anos não entendia o significado total da reclamação, mas fui compreendendo que o combate à pobreza teria de estar sempre no topo da lista das obrigações da governação. Por isso percebi também o que era aquilo da esperança concreta - que de resto influenciou a minha tese de mestrado -, a exigência de direitos sociais concretizados: eis a habitação; eis a escola pública; eis os cuidados de saúde, etc..

Outro princípio que ficou gravado na minha carne foi o de que o voto útil só é útil para quem o recebe.

Esta moldura social e política era e é concretizada na forma como o meu pai vive a sua vida, o que me traçou - até com alguma violência - a certeza de que tudo o que somos e fazemos é ideológico.

Não se pode pregar contra o capitalismo selvagem e ter por moral uma vida de luxos exuberantes que nos diferenciem do outro. Daí a frase do meu pai, que terá aprendido do seu avô Valentim: "O que nos define é a maneira como vivemos a vida e não como ganhamos a vida".

Vendo o que o meu pai fez, faz e vai continuar a fazer com a sua vida pública e privada, recordando os princípios que enunciei e tantos outros, dou por mais simples concluir que o meu pai, essa palavra que persigo, norteou e norteia tudo o que toca de acordo com um princípio elementar de justiça.

Se isso faz dele uma espécie de oleiro do que procuro ser, há razões muito mais profundas para eu estar a escrever sobre o homem da minha vida. Elas estão espalhadas pelos livros que escrevi, as personagens estão sempre à procura do pai, e a mim aconteceu-me a circunstância de a referência masculina estável da minha vida que nunca quebrou uma palavra, que sempre me apoiou, não apesar de eu ser assim, mas sobretudo porque eu sou assim (chama-se amor, filha - diz-me), numa relação recíproca de reconhecimento da autenticidade da ideia que saia da boca do outro, foi o meu pai, que se chama Adriano Moreira.

A meu respeito escreve-se quase sempre a deputada independente do PS Isabel Moreira, filha do Professor Adriano Moreira. Às vezes com segundas intenções, mas não faz mal. A frase é, sem que o saiba quem a escreve, violentamente identitária.

Agora em discurso directo, obrigada, meu amor, parabéns, prometo plantar macieiras no dia seguinte ao dia pior da minha vida e não te esqueças disto, que um dia escrevi num sítio esquecido:

"Aprendi a sabedoria de dizer esta sou eu, sem medo, e queria que soubesses e sentisses que sou tão feliz na nossa ansiedade partilhada como o era após o jantar sentada no teu colo com a tua gravata gravada na minha face. Não há tempos díspares, portanto, entre nós, como um dia escreveram; há antes uma intensa proximidade, calhando apenas que eu falo mais porque conto com a tua prudência e porque sinto que te faz bem o choque emocional feito em verbo.

Sempre que nos sentamos a almoçar, observo-te reclamando toda a tua vida. Pareces-me pronto a explodir, digo. Mas quero explicar que é esse teu estado limite que te torna um ser com o rosto de que não prescindo à minha secretária. Escreves sobre o humanismo e a esperança que é sempre uma criança que nasce, mas no concreto da tua pele não foges, porque não podes, ao pessimismo que te assombra a visão do que esteve para ser e o acaso não permitiu ou do que simplesmente surge preto por mais que um poeta clame por claridade. É essa contradição remoída nos teus dedos que amo. Que faz de ti uma pessoa muito antes de seres um intelectual. E sei que essa dor sangra de uma ferida que se chama exigência. Hoje gostava que soubesses que sofro dessa ferida, dessa exigência violenta.

Não trocava a minha ansiedade e a dor dela pela calma feliz que tem o preço da não-reflexão.

O mesmo é dizer que gosto de ti sempre pronto a explodir".