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trans-posts do 'vento 1'
30/01/12
25/01/12
tha American Dream at risk
In State of the Union address, Obama says ‘basic American promise’ is at risk
By Holly Bailey (Senior Political Reporter)
6 hrs ago
President Obama warned in his State of the Union address Tuesday that the nation's middle class is at risk because of growing economic inequality, and argued that the government must do more to preserve the basic American dream.
In a speech that is likely to set the theme of his 2012 re-election bid, Obama said "the basic American promise" that hard work can allow one to own a home and support a family are at risk if the government doesn't do more to balance the scale between the nation's rich and poor.
"The defining issue of our time is how to keep that promise alive. No challenge is more urgent. (ler mais)
23/01/12
apatia congénita
(...)
José Saramago, no lançamento de 'A Viagem do Elefante' (entrevista ao DN 5 Nov)
«Se andássemos por aí a dizer exactamente o que pensamos - quando valesse a pena - teríamos outra forma de viver... Estamos numa apatia que parece que se tornou congénita e sinto-me obrigado a dizer o que penso sobre aquilo que me parece importante.»
José Saramago, no lançamento de 'A Viagem do Elefante' (entrevista ao DN 5 Nov)
20/01/12
19/01/12
notícias da Islândia
--- e de como eles estão a vencer a crise:
retirado daqui
a receita é, basicamente, imaginação e empreendedorismo. Depois, há aquela mentalidade desempoeirada dos nórdicos, aquela ausência de 'penachismo' em que "o que parece, é!" No caso aqui transcrito, um ex-político que, atingido pela crise (1ª diferença cá com o burgo..) criou uma empresa e passou a exportar esperma de bacalhau - e não, não acha que por isso lhe caiam na lama os parentes! - e é esta a 2ª, básica diferença ..
retirado daqui
Iceland’s New Entrepreneurs (para ver foto, ir ao link acima)
Armann Olafsson is a prime example of a revitalized Iceland. During the boom years, Olafsson was a politician; now he exports delicacies like cod sperm.
Ruin'Arte
Carregado por ExpressoMultimedia em 16/10/2009
«"Ruin'Arte" é um projecto de livro que já conta com fotografias de perto de centena e meia de estruturas deixadas ao abandono. É um retrato desolador do país, ainda que marcado por uma beleza decadente.» O fotógrafo chama-se Gastão de Brito e Silva
18/01/12
uma lufada de ar fresco
... que pudesse ser um murro, um grito, uma bofetada na cara destes todos adormecidos. Santana Castilho, mais uma vez, com a frontalidade que o caracteriza, num serviço público que, por grosso, o país ignora, burro. Tivesse eu dinheiro, e punha-o todos os dias num canal de televisão. Quem sabe, ouvindo-o, esta gente que o não lê acordasse desta insuportável letargia, se indignasse a sério, pusesse esta 'nata' política no olho da rua, lhes confiscasse os bens, os julgasse, prendesse. Em Portugal, a pouca vergonha, a imoralidade, não têm limites. A pacholice bovina dos portugueses, pelos vistos, também não.
no Público (18/1/2012)
Santana Castilho *
A relação entre a consciência individual e a lei é abordada por Peter Singer no livro “Ética Prática” (Gradiva, 2002). A dado passo (p. 317), o autor formula esta pergunta: “Temos alguma obrigação moral de obedecer à lei quando a lei protege e sanciona coisas que achamos totalmente erradas?” Peter Singer responde a si próprio pela escrita de Henry Thoreau (Civil Disobedience: Theory and Practice, Nova Iorque, 1969, p. 28), assim: “Terá o cidadão de entregar a sua consciência ao legislador, nem que seja por um só momento ou no grau mínimo? Para que terá então todo o homem uma consciência? Penso que devemos ser em primeiro lugar homens e só depois súbditos. Não é desejável cultivar o respeito pela lei nem pelo direito. A única razão que tenho o direito de assumir é a de fazer sempre aquilo que penso ser justo”.
A questão levantada não é só teórica. Pode tornar-se prática quando a democracia se confunde com penúria e miséria moral. Não se afirmando o Estado sem a marca da autoridade, é imperioso que os seus agentes não a exerçam ultrapassando as baias do escândalo e atirando na lama a ética mínima, como se vem fazendo em Portugal.
Acusado de dar guarida aos fiéis, remunerando-os a preceito, é confrangedor ver Passos Coelho afirmar que está a fazer o que prometeu, exibindo um gráfico de nomeações e questionando se é crime ser-se filiado num partido político. Não se trata da lei. Trata-se da consciência. Os documentos são abundantes e mostram, sem hipótese de controvérsia, como enganou os eleitores. Bom para ele que a consciência não lhe pese. Mau para a democracia que assim seja.
É ridícula a explicação sobre o processo de escolha do Conselho Geral e de Supervisão da EDP. Só duas hipóteses são plausíveis, para quem não seja parvo: ou o Governo pressionou os accionistas para que fossem aqueles os contemplados, ou estes escolheram aqueles pensando na continuidade das suas benesses monopolistas. Razão assiste a Eduardo Catroga, quando afirma que “tudo se resumiu a uma questão de caras conhecidas”. Caras e coroas. Em quantidades obscenas.
Ainda Catroga, Celeste Cardona, Teixeira Pinto, Rocha Vieira, Braga de Macedo e Ilídio Pinho estavam em cena e já a roleta política ditava dois novos vencedores: a Manuel Frexes (PSD) e Álvaro Castello-Branco (CDS-PP) saiu a Águas de Portugal. Mais uma vez, Passos apressou o passo, não fosse alguém lembrar-lhe que defendera em campanha a necessidade de despartidarizar a Administração Pública. Com a autoridade que os assaltos partidários à Caixa Geral de Depósitos e aos hospitais lhe granjearam e a experiência que colheu no transparente negócio do BPN, considerou vantajoso o que aos indígenas pareceu escandaloso: Manuel Frexes, agora administrador da Águas de Portugal, é o mesmo que, enquanto presidente da Câmara Municipal do Fundão, ficou a dever à mesma Águas de Portugal 7,5 milhões de euros. Coisa pouca! Nada impeditivo da nomeação. Outrossim, vantagem acrescida. Disse Passos, do mesmo passo.
De fininho está a passar um erro colossal: mal o dito acaba de entrar em execução e já uma derrapagem de mais de 500 milhões de euros se verifica no Orçamento de Estado para 2012. Gaspar, o rei mago do rigor, enganou-se nas contas. Inebriado com os milhares de milhões que rapou do fundo dos bancos, passou-lhe a inscrição de umas quantas centenas para pagar as reformas dos bancários, em 20012. Resultado? O défice consentido de 4,5 pulou para 5,2 por cento. Preparemo-nos para as medidas suplementares de austeridade que se seguem, descontado o atropelo das justificações.
Queria ainda falar do pouco senso de um secretário de Estado, que reclama a 117 mil portugueses, com pensões de miséria, que devolvam, em 30 dias, 570 milhões de euros com que o Estado incompetente os iludiu durante anos. Da inabilidade comunicacional da senadora Manuela Ferreira Leite que, na televisão, implicitamente sugeriu que se deixem morrer os maiores de 70 anos, que não possam pagar a diálise vital. Da eleição de Ribau Esteves, anterior secretário-geral do PSD, para presidente da Associação Oceano XXI, em substituição de outro ilustre laranja, Nogueira Leite, ambos exímios navegadores de muitas águas. Da ética deplorável de Braga de Macedo, que usou dinheiros públicos, via Instituto de Investigação Científica Tropical, que dirige, para financiar a carreira artística da própria filha. De duas listas que circulam na Net e confirmei por amostragem suficiente: uma alinha a longa fila de filhos de políticos notáveis, que engrossam os quadros da PT e da TMN; a outra mostra o friso de assessores (todos com passado laranja) e “especialistas” (com idades de 20 e poucos anos) contratados pelo Governo, remunerados com quantias mais que discutíveis face à experiência profissional e à conjuntura que o país vive. Da decisão infeliz do governador do Banco de Portugal, que pagou aos seus, de primeira, aquilo que o Estado cortou a todos os outros, de segunda. Queria falar de todo este cortejo de sinais de degradação moral da política portuguesa, mas não o permite a ditadura do espaço. Os últimos (espaços) reservo-os para o Álvaro, das “natas”. Depois das bandeirinhas nacionais espetadas em tudo o que exportássemos e da transmutação do “Allgarve” na Florida europeia, o nosso ministro quer pôr o mundo a comer pastéis de nata, quem sabe se convencido que o êxito da Alemanha foi antecedido pelo franchising das bolas de Berlim. Alguém lhe devia explicar que o problema de Portugal não é de “natas”, mas desta nata política.
* Professor do ensino superior. s.castilho@netcabo.pt
prosema, poerosa, proserso, a magia da língua portuguesa
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ao contrário do A.O. (e eu gosto de reticências só em duplo, assim .. )
Bernardo Soares
Prefiro a prosa ao verso
retirado daqui: http://arquivopessoa.net/textos/4527
Fernando Pessoa, Carta a Adolfo Casais Monteiro
Lisboa, 13 de Janeiro de 1935
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ao contrário do A.O. (e eu gosto de reticências só em duplo, assim .. )
Bernardo Soares
Prefiro a prosa ao verso
retirado daqui: http://arquivopessoa.net/textos/4527
Prefiro a prosa ao verso, como modo de arte, por duas razões, das quais a primeira, que é minha, é que não tenho escolha, pois sou incapaz de escrever em verso. A segunda, porém, é de todos, e não é - creio bem - uma sombra ou disfarce da primeira. Vale pois a pena que eu a esfie, porque toca no sentido íntimo de toda a valia da arte.Considero o verso como uma coisa intermédia, uma passagem da música para a prosa. Como a música, o verso é limitado por leis rítmicas, que, ainda que não sejam as leis rígidas do verso regular, existem todavia como resguardos, coacções, dispositivos automáticos de opressão e castigo. Na prosa falamos livres. Podemos incluir ritmos poéticos, e contudo estar fora deles. Um ritmo ocasional de verso não estorva a prosa; um ritmo ocasional de prosa faz tropeçar o verso.Na prosa se engloba toda a arte - em parte porque na palavra se contém todo o mundo, em parte porque na palavra livre se contém toda a possibilidade de o dizer e pensar. Na prosa damos tudo, por transposição: a cor e a forma, que a pintura não pode dar senão directamente, em elas mesmas, sem dimensão íntima; o ritmo, que a música não pode dar senão directamente, nele mesmo, sem corpo formal, nem aquele segundo corpo que é a ideia; a estrutura, que o arquitecto tem que formar de coisas duras, dadas, externas, e nós erguemos em ritmos, em indecisões, em decursos e fluidezas; a realidade, que o escultor tem que deixar no mundo, sem aura nem transubstanciação; a poesia, enfim, em que o poeta, como o iniciado em uma ordem oculta, é servo, ainda que voluntário, de um grau e de um ritual.Creio bem que, em um mundo civilizado perfeito, não haveria outra arte que não a prosa. Deixaríamos os poentes aos mesmos poentes, cuidando apenas, em arte, de os compreender verbalmente, assim os transmitindo em música inteligível de cor. Não faríamos escultura dos corpos, que guardariam próprios, vistos e tocados, o seu relevo móbil e o seu morno suave. Faríamos casas só para morar nelas, que é, enfim, o para que elas são. A poesia ficaria para as crianças se aproximarem da prosa futura; que a poesia é, por certo, qualquer coisa de infantil, de mnemónico, de auxiliar e inicial.Até as artes menores, ou as que assim podemos chamar, se reflectem, múrmuras, na prosa. Há prosa que dança, que canta, que se declama a si mesma. Há ritmos verbais que são bailados, em que a ideia se desnuda sinuosamente, numa sensualidade translúcida e perfeita. E há também na prosa subtilezas convulsas em que um grande actor, o Verbo, transmuda ritmicamente em sua substância corpórea o mistério impalpável do universo.
Livro do Desassossego, por Bernardo Soares. (18-10-1931)
Vol.I. Fernando Pessoa. (Recolha e transcrição dos textos de Maria Aliete Galhoz e Teresa Sobral Cunha. Prefácio e Organização de Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1982.
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Sou a cena viva onde passam vários actores representando várias peças.
Bernardo Soares
Fernando Pessoa, Carta a Adolfo Casais Monteiro
Lisboa, 13 de Janeiro de 1935
foto e texto retirados daqui“O meu semi-heterónimo Bernardo Soares, que aliás em muitas cousas se parece com Álvaro de Campos, aparece sempre que estou cansado ou sonolento, de sorte que tenha um pouco suspensas as qualidades de raciocínio e de inibição; aquela prosa é um constante devaneio. É um semi-heterónimo porque, não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e a afectividade. A prosa, salvo o que o raciocínio dá de ténue à minha, é igual a esta, e o português perfeitamente igual […]”
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17/01/12
16/01/12
Minha pátria é a língua portuguesa
por Fernando Pessoa/ Bernardo Soares
Minha pátria é a língua portuguesa
Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas. Talvez porque a sensualidade real não tem para mim interesse de nenhuma espécie - nem sequer mental ou de sonho -, transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os escuta de outros. Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand fazem formigar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer inatingível que estou tendo. Tal página, até de Vieira, na sua fria perfeição de engenharia sintáctica, me faz tremer como um ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida.
Como todos os grandes apaixonados, gosto da delícia da perda de mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente. E, assim, muitas vezes, escrevo sem querer pensar, num devaneio externo, deixando que as palavras me façam festas, criança menina ao colo delas. São frases sem sentido, decorrendo mórbidas, numa fluidez de água sentida, esquecer-se de ribeiro em que as ondas se misturam e indefinem, tornando-se sempre outras, sucedendo a si mesmas. Assim as ideias, as imagens, trémulas de expressão, passam por mim em cortejos sonoros de sedas esbatidas, onde um luar de ideia bruxuleia, malhado e confuso.
de Helena Almeida
Não choro por nada que a vida traga ou leve. Há porém páginas de prosa que me têm feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noite em que, ainda criança, li pela primeira vez numa selecta o passo célebre de Vieira sobre o rei Salomão. "Fabricou Salomão um palácio..." E fui lendo, até ao fim, trémulo, confuso: depois rompi em lágrimas, felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquele movimento hierático da nossa clara língua majestosa, aquele exprimir das ideias nas palavras inevitáveis, correr de água porque há declive, aquele assombro vocálico em que os sons são cores ideais - tudo isso me toldou de instinto como uma grande emoção política. E, disse, chorei: hoje, relembrando, ainda choro. Não é - não - a saudade da infância de que não tenho saudades: é a saudade da emoção daquele momento, a mágoa de não poder já ler pela primeira vez aquela grande certeza sinfónica.
Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a ortografia sem ípsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.
Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.
"Livro do Desassossego", por Bernardo Soares. Vol. I, Fernando Pessoa
texto retirado daqui
de Fernando Pessoa --- pensinamentos
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."Na vida de hoje, o mundo só pertence aos estúpidos, aos insensíveis e aos agitados. O direito a viver e a triunfar conquista-se hoje quase pelos mesmos processos por que se conquista o internamento num manicómio: a incapacidade de pensar, a amoralidade e a hiperexcitação."
F.P. - "Autobiografia sem Factos". Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 173
"Pesa-me, realmente me pesa, como uma condenação a conhecer, esta noção repentina da minha individualidade verdadeira, dessa que andou sempre viajando sonolentamente entre o que sente e o que vê. E, por fim, tenho sono, porque, não sei porquê, acho que o sentido é dormir."
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Livro do Desassossego, de Bernardo Soares (semi-heterónimo de FP)
Irrita-me a felicidade de todos estes homens que não sabem que são infelizes. A sua vida humana é cheia de tudo quanto constituiria uma série de angústias para uma sensibilidade verdadeira. Mas, como a sua verdadeira vida é vegetativa, o que sofrem passa por eles sem lhes tocar na alma [...]
Por isto, contudo, os amo a todos. Meus queridos vegetais!
Bernardo Soares, Livro do Desassossego
Arquivo Pessoa - OBRA ÉDITA
.Vol.I. Fernando Pessoa. (Recolha e transcrição dos textos de Maria Aliete Galhoz e Teresa Sobral Cunha. Prefácio e Organização de Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1982.
15/01/12
'FOP', apelo
.. que recebi por mail:
Hola, necesito que pases esto. muchas gracias
Maria Jose Fernandez-Pacheco Gallego
Subdirectora de Enfermería
HOSPITAL GENERAL de CIUDAD REAL
Teléfono: 926 278202 926 278202 ext. 79201 fax. 926 278503
email: mjfernandezp@sescam.jccm.es
MI ENFERMEDAD SE LLAMA "FOP" (Fibrodisplasia Osificante Progresiva) Y NECESITO CONTACTAR CON TRES FAMILIAS QUE LA PADEZCAN PARA COMPLETAR UNA CADENA DE DIEZ FAMILIAS. SOLO ASÍ PODRÍAMOS ENCONTRAR LOS GENES QUE LA ORIGINAN Y UNA SOLUCION.
TAL VEZ YO NO PUEDA CONOCERTE NUNCA, PERO MUCHAS GRACIAS.
"hacktivistas": formas de luta que o são
![]() |
| the false mirror, by Magritte |
Uma violação na segurança nacional do Reino Unido e dos Estados Unidos expôs endereços de e-mail e passwords encriptadas de 221 funcionários militares britânicos e 242 funcionários da NATO.
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Segundo o jornal britânico The Guardian, os hackers responsáveis pela revelação das informações online terão ligações ao grupo activista Anonymous (ler mais)
Portugal: tirar aos pobres para dar aos ricos
Portugal é o único país onde a austeridade exigiu mais aos pobres do que aos ricos. A conclusão é de um estudo da própria Comissão Europeia, que foi dado a conhecer pelo Jornal de Negócios.
2012-01-03
fonte
2012-01-03
fonte
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12/01/12
um fenómeno de auto-reclusão
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While total social withdrawal has been claimed to be mainly a Japanese phenomenon, there are reports of similar phenomena developing in South Korea, Taiwan and China. Moreover, clinically speaking, there is little difference between hikikomori and more formal clinical definition of people suffering from acute social withdrawal due to depression.
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Sometimes referred to as a kind of social problem in Japanese discourse, the hikikomori phenomenon has a number of possible contributing factors. Young adults may feel overwhelmed by modern Japanese society, or be unable to fulfil their expected social roles as they have not yet formulated a sense of personal honne and tatemae - one's "true self" and one's "public façade" -- both of which are needed to cope with the daily paradoxes of adulthood..
Sometimes referred to as a kind of social problem in Japanese discourse, the hikikomori phenomenon has a number of possible contributing factors. Young adults may feel overwhelmed by modern Japanese society, or be unable to fulfil their expected social roles as they have not yet formulated a sense of personal honne and tatemae - one's "true self" and one's "public façade" -- both of which are needed to cope with the daily paradoxes of adulthood.
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When a BBC program claiming that hikikomori was a Japanese phenomenon was aired in Britain, the BBC home page received numerous messages from viewers in the United Kingdom saying that they had personal experience with hikikomori and that it was hardly a phenomenon particular to Japan. Even the most casual search of anglophonic materials will show similar phenomenon may be found in the United States, Australia, Canada, Britain...
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youtube, Comentários Principais:
i sleep in the day time and stay up at night time so obviously i am a hikikomori. i mostly just get on the computer or watch movies until i go to bed. i do talk to people occasionally but i wouldn't consider the people to talk to my friends. usually just workers and school students. i really don't have any friends.
(scatcoitus --há 2 anos)
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11/01/12
Universidade dos Pés-Descalços
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fonte
Em Rajasthan, na Índia, uma escola extraordinária ensina mulheres e homens do meio rural - muitos deles analfabetos - a tornarem-se engenheiros solares, artesãos, dentistas e médicos nas suas próprias aldeias. Chama-se Universidade dos Pés-Descalços, e o seu fundador, Bunker Roy, explica como funciona:
10/01/12
a crise longe ou o temido 'estado social'
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| Paul Klee, 1914 |
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Tem dois filhos a estudar, um com 17, outro com 13 anos. O mais velho está a tirar um curso profissional, depois seguirá, talvez, para a universidade. Pelo estágio do presente curso pagam-lhe 750 CHF/mês.
Apesar disso, esta imigrante portuguesa (que, tanto quanto percebi, tem já também a nacionalidade suíça) recebe abono de família pelos dois filhos: 400 francos suíços por um e 300 pelo outro (1 CHF = 0,82346 EUR). Abono esse que dura até eles acabarem os estudos, em princípio aos 25 anos. «E em 2012 vai aumentar. Lá tiram, aqui aumentam!», esclarece, enquanto eu faço um esforço para não deixar cair o queixo. (Não sei se se lembram, mas aqui retiraram o fantástico abono de família aos privilegiados que auferem um salário superior a 600 euros)
Apesar disso, esta imigrante portuguesa (que, tanto quanto percebi, tem já também a nacionalidade suíça) recebe abono de família pelos dois filhos: 400 francos suíços por um e 300 pelo outro (1 CHF = 0,82346 EUR). Abono esse que dura até eles acabarem os estudos, em princípio aos 25 anos. «E em 2012 vai aumentar. Lá tiram, aqui aumentam!», esclarece, enquanto eu faço um esforço para não deixar cair o queixo. (Não sei se se lembram, mas aqui retiraram o fantástico abono de família aos privilegiados que auferem um salário superior a 600 euros)
O marido deixou-a, anos atrás. «Agora está bem arrependido!». Voltou para Portugal e não pagou nunca pensão de alimentos e o mais que era suposto para ajudar a criar os filhos. «Ele não dá nada, o estado Suíço paga-me.». Não perguntei quanto, mas, a julgar pelos números anteriores, a deserção do marido foi a sorte grande que lhe calhou..
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Pois é.. a Suíça. O meu filho é médico lá desde Outubro passado (antecipou-se aos conselhos do nosso PM sobre "descartagem de cérebros"), está a tirar a especialidade. Ganha dois ordenados mínimos (3.200 CHFx2). Desconta, para impostos e seguros (obrigatórios) uma percentagem maior que a senhora do café de Genève. Ainda assim, leva para casa bastante mais do dobro do que eu. Muitas vezes trabalha 12 horas por dia. Se calha estar "de banco" dois dias seguidos, sábado e domingo, por exemplo, folga à 2ª feira. Volta e meia tem uma semana de férias, viaja: os voos são muito baratos para países próximos, França, Itália, Bélgica... Os comboios são caros (+/- 50 euros por uma viagem de 100 km) para os turistas, mas os residentes (ainda que estrangeiros) têm direito a uma espécie de passe com viagens a preços reduzidos.
O meu filho paga mais ou menos 250 euros por um quarto que lhe arranjou a entidade empregadora, num edifício anexo ao hospital onde trabalha. Almoça na cantina do hospital (se não me falha a memória, menos de 9 euros por uma refeição completa). Calcula poder poupar uns 1500 euros por mês. Voltar para Portugal não lhe passa sequer pela cabeça.
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O meu filho paga mais ou menos 250 euros por um quarto que lhe arranjou a entidade empregadora, num edifício anexo ao hospital onde trabalha. Almoça na cantina do hospital (se não me falha a memória, menos de 9 euros por uma refeição completa). Calcula poder poupar uns 1500 euros por mês. Voltar para Portugal não lhe passa sequer pela cabeça.
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Eu .. talvez vá trabalhar uns tempos para a Suíça, quando a reforma que já espero me seja insuficiente para viver. Eu, professora, licenciatura de 5 anos, 34 ao serviço do estado português.
imagem retirada daqui
a crise longe - impressões de Neuchâtel
Pelo natal estive na Suíça, fui ver o meu filho. A cidade chama-se Neuchâtel, é pequena, acolhedora, tem casas antigas bonitas, bem conservadas, telhados que me encantaram, uma harmonia na arquitectura, as coisas pensadas. Há um enorme lago, barcos parados, veleiros e o que aqui seriam cacilheiros, gaivotas, corvos, patos, montanhas nevadas em frente, lindo. Faz frio, chuva de neve, vento, às vezes um insuficiente sol e gente sentada cá fora onde ele aquece, as poucas esplanadas abertas em dias feriados, o domingo que transportam para a segunda. É assim, por lá. Dão-se coisas às pessoas, pequenos ou grandes carinhos, um dia de folga reposto que seja..
Talvez por isso a cidade é tão calma, tão silenciosa. Em quatro dias que lá estive não ouvi uma ambulância, uma sirene da polícia, bombeiros. Há dois hospitais, número de habitantes não sei, calculo-os poucos. Na cidade as pessoas passeiam-se sem pressas, novos e velhos alguns de bengala, canadianas, caminham. Há pais empurrando carrinhos, crianças que não choram, não fazem birras. E cães. Que não ladram, não andam à solta. Que têm uma espécie de aulas de civismo, contaram-me. Que por isso podem entrar em todo o lado, museus, restaurantes.
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É véspera de Natal e não se vê o corropio nas lojas, o frenesim nas ruas, as caras fechadas de cá, o trânsito louco. Só à noite a cidade embarulhece, grupos de jovens cá fora fumando e bebendo, os bares cheios, as bebidas que se servem até à uma da manhã. À noite vêem-se carros desgovernados, alcoolizados, jovens todos eles, nativos, imigrantes de todas as nacionalidades, muitos portugueses. Ainda assim, nem brigadas de trânsito, controle anti-álcool, buzinadelas. Só uma velocidade inusitada, garrafas partidas pelo chão, transgressões varridas bem cedo na manhã seguinte, a ordem, a placidez reencontradas.O silêncio.
As pessoas que não falam aos gritos, os telemóveis discretos, escassos.
Os cafés, os restaurantes cheios, mesa só com reserva. Os preços, a quantidade de comida, excessivos.
A crise que não há, as pessoas calmas, bem dispostas, simpáticas. Cumprimentam-se quando entram nos comboios.
Pena o frio, o sol só às vezes.
As pessoas que não falam aos gritos, os telemóveis discretos, escassos.
Os cafés, os restaurantes cheios, mesa só com reserva. Os preços, a quantidade de comida, excessivos.
A crise que não há, as pessoas calmas, bem dispostas, simpáticas. Cumprimentam-se quando entram nos comboios.
Pena o frio, o sol só às vezes.
07/01/12
A subserviência dos jornalistas perante o poder económico
8:00 Sexta feira, 6 de janeiro de 2012
por Daniel Oliveira
Daniel Oliveira (www.expresso.pt)
fonte : http://aeiou.expresso.pt/a-subserviencia-dos-jornalistas-perante-o-poder-economico=f698062#ixzz1ilFtoj6E
por Daniel Oliveira
Guardo para o Expresso em papel desta semana a minha opinião sobre o caso Jerónimo Martins. A um triplocomendador devemos garantir um estatuto especial. Por agora, queria apenas escrever sobre a reação de alguns jornalistas e comentadores ao caso.
Perante a justificada indignação de muita gente, mais por a figura em causa se ter dedicado, no último ano, a repetidas lições de patriotismo a políticos e cidadãos do que por o caso em si, os relações públicas da Jerónimo Martins tiveram a vida facilitada. Dali vieram apenas os primeiros "esclarecimentos". Ainda o caso não era caso e já abundavam notícias contraditórias, explicações de fiscalistas e artigos de opinião que oscilavam entre as acusações a um Estado que teima em ainda cobrar alguns impostos a grandes empresas e o derradeiro e infantil argumento de que "os outros fazem o mesmo". Sempre que está em causa um grande empresário a cena repete-se: a reação em defesa da sua honra é imediata e empenhada.
Nada de mal. Todos têm direito ao contraditório (e é dele que nasce o esclarecimento público), mesmo quando a defesa da incoerência de comportamentos parece difícil. O que espanta é que este empenhamento pelo pluralismo na defesa do bom nome de quem é criticado não se alargue a todos os sectores da sociedade e seja sempre muito mais militante quando estão em causa pessoas com um enorme poder económico.
Por causa deste caso, estive a rever entrevistas na imprensa e na televisão feitas a Alexandre Soares dos Santos. Como costumo prestar pouca atenção aos conselhos que esta gente dá à Nação - cada um dá atenção a quem quer e, com todo o respeito por merceeiros, não os considero mais habilitados do que qualquer outro cidadão para o debate político -, tinha matéria para rever. Fiquei atónito. Não se pode dizer que tenha lido e ouvido entrevistas. Os jornalistas (quase sempre de economia) pedem conselhos e dizem frases para as quais esperam a aprovação do senhor. É uma amena cavaqueira onde nada de difícil, embaraçoso ou aborrecido é perguntado. Nunca é confrontado com contradições, incoerências ou dificuldades. Nada se pergunta sobre a relação da sua empresa com os produtores nacionais, com os seus trabalhadores ou com o Estado. E havia tantas coisas para perguntar. Não se trata de uma entrevista a um empresário, com interesses próprios, mas a um "velho sábio" que o País deve escutar com todo o respeito.
Trata-se de um padrão e não de um tratamento especial ao dono da Jerónimo Martins. Se ouvirmos as entrevistas a banqueiros ou outros grandes empresários acontece o mesmo. O que me leva a perguntar: de onde vem esta bovina subserviência de tantos jornalistas perante o poder económico, que não tem paralelo com qualquer outro poder, sobretudo com o poder político?
Explica-se de três formas: dependência, concorrência e imitação.
A dependência é a mais simples de explicar e talvez a menos relevante. A comunicação social não depende do poder político. Não é ele que lhes paga as contas. Depende de quem detém os órgãos de comunicação social e de quem neles anuncia. Claro que há notícias más para os empresários. Se não houvesse, dificilmente teríamos alguma pergunta embaraçosa a fazer a este senhor. Mas perante este poder o jornalista pensa duas vezes, vê os dois lados da questão e procura todas as fragilidades da informação que dispõe - coisa que, sendo outros os sujeitos, tantas vezes se esquece de fazer. Isto, claro, se for sério. Se não o for fecha o assunto na gaveta e não pensa mais no assunto.
A concorrência tem mais a ver com o poder político. A ideia de que a comunicação social é um contrapoder é absurda. E a de que é um quarto poder é um equívoco. Os media não são um poder autónomo, são um salão onde se cruzam os vários poderes. E o poder político também. Por isso, é com este, que tem a legitimidade representativa que falta aos jornalistas, que os jornalistas concorrem.
A imitação vive mais do simbólico. Os jornalistas são uma classe muito particular: a proximidade que têm dos poderes - que os namoram e seduzem - dá-lhes a ilusão de poder. A sua fragilidade profissional (cada vez maior, com a crescente proletarização da profissão) torna-os extraordinariamente fracos. A sua osmose com o poder dominante fá-los repetir o discurso hegemónico de cada momento. E esse discurso é definido pelo poder mais forte de cada momento. E esse poder é, hoje, o económico e financeiro. Sendo de classe média, o jornalista de economia tende a pensar como um rico. Não representando ninguém, o jornalista de política tende a pensar como se fosse eleito.
É por tudo isto que devemos ter em atenção três premissas. A primeira: a independência do jornalista não depende de quem é o seu empregador. Nem a empresa privada garante maior autonomia que o Estado nem a coragem de um jornalista depende do seu patrão. Ou tem, ou não tem. A segunda: sendo a comunicação social fundamental para a democracia ela não substitui a democracia. A opinião de um jornalista não é mais descomprometida e livre do que a de qualquer outra pessoa, incluindo os agentes políticos tradicionais. E a opinião publicada (a minha incluída) não é a mesma coisa que a opinião pública. A terceira: os jornalistas não têm como única função fiscalizar o poder político, mas fiscalizar todos os poderes. Incluindo o seu. Quando não o fazem tornam-se inúteis.
Daniel Oliveira (www.expresso.pt)
fonte : http://aeiou.expresso.pt/a-subserviencia-dos-jornalistas-perante-o-poder-economico=f698062#ixzz1ilFtoj6E
06/01/12
o beijo do sol
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"A música é a minha vida!" Foi esta a mensagem simples que o maestro Pedro Osório deixou na homenagem que a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) lhe prestou a 18 de Novembro, quando já estava muito debilitado. Durante sete anos lutou contra o cancro. Até ontem: morreu aos 72 anos, no Hospital São Francisco Xavier, Lisboa.- fonte
da corda que há-de rebentar
Ando sem vontade para escrever, visitar facebooks, ler mails .. Cheguei a um ponto de saturação que me dá alergias, me põe fisicamente doente. Já não suporto mais más notícias, rádio, tv, jornais. Não espero nada do novo ano. Nada que não seja esta agressão, este constante aviltar-me, a mim e aos outros todos, pobre povo, nação cadente. Os 'coronéis' que nos mandam emigrar, nos invadem a casa, a alma, os nervos, anunciando medidas de austeridade atrás de medidas de austeridade, torpes. Penúria só para nós, entenda-se, que eles continuam-bem-graças-a-deus. Olho para as minhas colegas, na escola, vejo-me ao espelho. A mesma desesperança muda, o olhar vazio, o ar cansado. Desejos de bom natal, feliz ano novo, soam como insultos, irreverências. Não falamos do que nos preocupa, a prestação da casa, as contas, a electricidade o supermercado os transportes os medicamentos os filhos. Olhamo-nos, o tempo breve antes que as lágrimas saltem.
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O Zé Mário Branco diz, numa carta aí abaixo: «Não creio que se possa descer mais fundo, e isso dá-me esperança.» Eu .. vacilo entre a esperança e o medo. Sei que uma corda demasiado esticada acaba inevitavelmente por partir. Que pouco faltará para que se reproduzam aqui os conflitos que agora assolam os Estados Unidos, como no verão passado a Grã Bretanha e há um par de anos a França. Conflitos que serão uma raiva a extravasar, mais que justificada. Mas aí, será o meu opel corsa velho de quase 10 anos que vai ser queimado nas ruas, as modestas montras dos modestos comerciantes meus conhecidos que vão ser partidas. Os responsáveis por isto tudo, os políticos os gestores os banqueiros os comparsas todos - incompetentes, corruptos, aproveitadores, ladrões de casaca - esses, não vão sofrer um beliscão. Esses vão continuar a sua política de enganos para papalvos ignorantes, entorpecidos.
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O Zé Mário Branco diz, numa carta aí abaixo: «Não creio que se possa descer mais fundo, e isso dá-me esperança.» Eu .. vacilo entre a esperança e o medo. Sei que uma corda demasiado esticada acaba inevitavelmente por partir. Que pouco faltará para que se reproduzam aqui os conflitos que agora assolam os Estados Unidos, como no verão passado a Grã Bretanha e há um par de anos a França. Conflitos que serão uma raiva a extravasar, mais que justificada. Mas aí, será o meu opel corsa velho de quase 10 anos que vai ser queimado nas ruas, as modestas montras dos modestos comerciantes meus conhecidos que vão ser partidas. Os responsáveis por isto tudo, os políticos os gestores os banqueiros os comparsas todos - incompetentes, corruptos, aproveitadores, ladrões de casaca - esses, não vão sofrer um beliscão. Esses vão continuar a sua política de enganos para papalvos ignorantes, entorpecidos.
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Eu .. já não tenho ânimo, há muito que perdi a alma e a esperança de poder mudar o que quer que seja. Apenas um assomo de inquietude me leva a publicar, agora, coisas de outros mais resistentes do que eu, textos, canções que espero possam ainda ... Não, não espero. Não espero nada. Et pourtant.. aí ficam, para quem as (des?)conheça.... Martin Luther King Jr, a propósito da atitude de rebeldia de Rosa Parks em 1955:
"Actually, no one can understand the action of Mrs. Parks unless he realizes that eventually the cup of endurance runs over, and the human personality cries out, 'I can take it no longer.'"- MLK, Stride Toward Freedom, 1958 - fonte
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é.. e pergunto-me: quantas mais gotas de água serão precisas para que o copo finalmente transborde?
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Podem estar certos que estão errados
jornal Público, 4 de Janeiro de 2012
Santana Castilho *
O ministro da Educação referiu a revisão da estrutura curricular que concebeu como um primeiro passo de alterações mais profundas, que ainda irão ser estudadas. Quando fixou horas de leccionação antes de estabelecer metas e programas, errou. Agiu como um curioso. Mas a este erro técnico, grave, acrescenta-se um erro político de base, bem maior: Passos Coelho teve um discurso e um programa para a Educação até pouco tempo antes das eleições. Era um todo coerente, servido por uma política que acomodava as imposições financeiras da troika, a breve prazo, sem sacrificar uma via de desenvolvimento estratégico, a médio e longo. Estava alicerçado em estudos sólidos e fundamentados, financeiros e pedagógicos, e tinha uma visão política de profunda mudança estrutural. Mentindo aos professores e mentindo ao país, Passos Coelho abandonou esse programa e assumiu a Educação como mero adereço do xadrez contabilístico em que se move. A montante das intervenções casuísticas que têm sido feitas, os verdadeiros problemas jazem na paz dos anestesiados. Vejamos um exemplo. Sabemos que, até agora, cerca de metade dos alunos que terminam o 9º ano se “perdem” pelo caminho e não concluem o 12º. Mas este ano vão chegar ao ensino secundário os primeiros a quem se aplica a escolaridade obrigatória de 12 anos. Significa isso que duplicará o número daqueles que se vão “arrastar”, algures, entre o 10º, 11º e 12º anos. Será um desastre nacional manter coercivamente no sistema quem não quer estudar mais. Mas decretado o erro pela Assembleia da República, a resposta de qualquer Governo responsável só podia ser uma: reformar profundamente a estrutura curricular do secundário e, sobretudo, criar um ensino profissional eficaz e moderno, em estreita articulação com as empresas. Como o problema é grande, Nuno Crato puxou pela cabeça e ficou-se pelo “fazer mais com menos”. Por seu lado, Passos Coelho decidiu representar uma comédia de disfarces, aconselhando os professores a emigrarem e dizendo ao país que diminuiu o número de alunos nas escolas. Só que os dados estatísticos são tão úteis quanto perigosos. É frequente vê-los invocados por ignorantes ou por manipuladores, que induzem em erro a opinião pública. Urge pois parar este jogo de ilusões e desmentir os farsantes. O número de alunos não diminuiu e a tendência é para que aumente. Vejamos alguns dados objectivos, que sustentam a afirmação, para além do que acima referi.
1. O número é pouco expressivo e pontual. Mas Paulo Jorge Nogueira e Ana Lisette Santos Oliveira, trabalhando dados do Instituto Nacional de Estatística, revelaram que, em 2010, registaram-se em Portugal mais 1931 nascimentos que no ano anterior (“Natalidade, Mortalidade Infantil, Fetal e Perinatal. 2006/2010”. Direcção-Geral de Saúde, Dezembro de 2011)
2. Independentemente da validade dos métodos usados e da qualidade dos resultados obtidos, é patente e expressiva nas estatísticas educacionais a diminuição da taxa de abandono e saída precoce dos estudantes do ensino básico. Sendo certo que a orientação desejável é que se prossiga nesse esforço, é de admitir que o ganho de alunos para o sistema supere a “natalidade negativa” (terminologia inadequada usada por Passos Coelho, certamente para se referir ao saldo entre os que morrem e os que nascem, mesmo assim escamoteando que, pelo menos até 2009, esse saldo foi anulado pelos movimentos migratórios em direcção a Portugal).
3. É preciso muito cuidado quando se fala do rácio professor – aluno. Estou cansado de ver a transposição pura e simples do conceito contabilístico (que estabelece relações entre dois valores através do coeficiente simples entre eles) para o campo da Educação, onde as coisas não são assim lineares. Quantos professores estão ao serviço das estruturas administrativas do próprio ministério, quantos executam tarefas que antes pertenciam aos serviços das secretarias das escolas, quantos integram equipas de apoio a alunos com necessidades educativas especiais, aos planos tecnológicos, às bibliotecas escolares e a toda uma panóplia de missões a que não corresponde qualquer ponderação quando o rácio é determinado? Quem escreve, cita e compara dados com ligeireza, ignorando ou omitindo o contexto em que são colhidos e desconhecendo por que não são comparáveis (como foi feito, por exemplo, por José Manuel Fernandes, neste jornal, em 23.12.11), não ajuda a informar com rigor. Um exemplo, para ilustrar do que falo: 200 mil alunos do ensino básico foram, no ano transacto, sujeitos a planos de recuperação, sem que a circunstância tenha provocado qualquer correcção na determinação do rácio.
4. As oficialíssimas últimas estatísticas do Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação (GEPE), referidas aos anos – lectivos entre 2005/06 e 2008/09, mostram o que Passos Coelho desconhece: chegaram ao sistema 303.526 novos alunos. Apesar da demografia menos favorável, que motivou uma diminuição das matrículas no 1º ciclo do ensino básico, verificou-se um substancial acréscimo dos alunos do secundário. Nos últimos anos não houve, portanto, diminuição, antes aumento dos alunos. E nos próximos? Dependerá das políticas seguidas. Se respeitarem o alargamento da escolaridade como previsto, se quiserem combater o insucesso como necessário e se se consolidar o empobrecimento galopante da classe média e consequente abandono dos colégios, o número de alunos do sistema de ensino público aumentará.
Por razões diferentes, Passos Coelho e Nuno Crato podem estar certos que estão errados.
* Professor do ensino superior
Acorda Portugal
recebido via e-mail, título e tudo ..
Alteração da Constituição de Portugal para 2012 para poder atender ao seguinte, que é da mais elementar justiça:
1. O deputado será pago apenas durante o seu mandato e não terá reforma proveniente exclusivamente do seu mandato.
2. O deputado vai contribuir para a Segurança Social de maneira igual aos restantes cidadãos. Todos os deputados ( Passado, Presente e Futuro) passarão para o actual sistema de Segurança Social imediatamente. O deputado irá participar nos benefícios do regime da S. Social exactamente como todos os outros cidadãos. O fundo de pensões não pode ser usado para qualquer outra finalidade. Não haverá privilégios exclusivos.
3. O deputado deve pagar seu plano de reforma, como todos os portugueses e da mesma maneira.
4. O deputado deixará de votar o seu próprio aumento salarial.
5. O deputado vai deixar o seu seguro de saúde atual e vai participar no mesmo sistema de saúde como todos os outros cidadãos portugueses.
6. O deputado também deve estar sujeito às mesmas leis que o resto dos portugueses
7. Servir no Parlamento é uma honra, não uma carreira. Os deputados devem cumprir os seus mandatos (não mais de 2 mandatos), e então procurar um emprego.
O tempo para esta alteração à Constituição é AGORA. Forcemos os nossos políticos a fazerem uma revisão constitucional e CORRIGIR ESTE ABUSO INSUPORTÁVEL DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA.
Se concorda com o acima exposto, por favor, mantenha** ISTO A CIRCULAR**.
"Le creux de la vague"
recebido via e-mail:
pessoal, junto envio uma carta do Zé Mário dirigida ao 15 O e um comentário meu sobre o conteúdo da mesma, remetido a quem me deu a carta a conhecer
abraços
Meus caros, o Zé Mário diz coisas muito acertadas que, para os mais novos podem parecer derrotistas. Mas não são.
É preciso pensar no mundo de hoje, nas suas características, do capitalismo, do poder, da "soberania" e de nós próprios. Muitos de nós ainda não chegaram a 2012 em termos políticos, organizativos e de compreensão da realidade; há quem viva no pós-guerra, outros no PREC, outros no mundo dos sonhos. Falta essencialmente suor - aprender, aprender, aprender e, ir muito para além do FB, do email, das leituras em diagonal, do telejornal emitido pela caixa que embrutece o mundo, da repetição da lógica e da prática da "esquerda" institucional
Essa colagem à agenda dessa "esquerda", a convivência na Plataforma com pessoal que sofre dos seus tiques (ou obedece aos seus controleiros) irá estiolar o 15 O; recordo a insanidade política de quem disse publicamente ir construir um novo partido e contar com pessoal que anda nas Acampadas e no 15 O, forma excelente de lançar desconfiança sobre a Plataforma.
Fazer manifs regularmente, sem um projecto político claro, democrático, capaz de anular a influência do sistema, nomeadamente através dos seus "infiltrados" ou coniventes ideológicos é, manifestamente curto. É um suor que seca depressa
No princípio dos anos 80 convidaram-me a integrar a UDP e eu respondi que a diferença entre a dita cuja e o PC é que quando este exigia um dia de greve, a UDP pedia três. A maior quantidade nem sempre gera mudança de qualidade
Cito o Zé Mário: "- ou perderam em radicalidade o que ganharam em "realismo", que é o eufemismo que usam para designar a capitulação e a adaptação ao capitalismo;
- ou se confinaram e estiolaram em pequenos grupúsculos, seitas e partidecos que, perdendo o contacto com o real, se satisfazem autofagicamente a proclamar verdades definitivas, directivas infalíveis para as massas e são totalmente incapazes de viverem hoje do modo como dizem querer que seja a sociedade de amanhã, prefigurando-a desde já em si mesmos"
Quem esteve no dia 15 O em S. Bento ouviu decerto as propostas reformistas (a auditoria, por exemplo) ou panfletárias (nacionalizações). E na Plataforma há muito pessoal que joga em naipes desse baralho.
As verdades constroem-se no diálogo, na diversidade, entre quem esteja disposto a aprender com o outro, de espíritos livres. Salvo raras excepções, o pessoal com espírito e pertença a partidos só conhece a Verdade e portanto não são os elementos mais aptos ao diálogo e a aprender; o seu papel reduz-se ao controlo e à arregimentação de gente para o engrandecimento da Causa.
Se querem entrar o diálogo com outros, dispam-se da partidarite e actuem fraternalmente com os "não organizados". Os partidos são um produto histórico cujas virtualidades acabaram com a extrema complexidade da realidade actual, que não cabe dentro de nenhum partido, como se chegou a pretender; nem as pessoas, pelo seu grau de conhecimentos, distantes dos proletários analfabetos de antes, estão assim tão dispostas a aceitar disciplinas e imposições de ungidos.
É preciso discutir política antes e como suporte à ação; colar cartazes ou fazer pichagens é interessante, gera adrenalina mas é um instrumento, não um objectivo.
SE tiverem paciência vejam:
Para um novo paradigma político; a re-criação da democracia
abraços
VL
José Mário Branco, músico e poeta
Tenho acompanhado com interesse, evidentemente, todas as tentativas e experiências que têm vindo a ser feitas por todo o mundo na sequência da "primavera" do Cairo. Mas na minha experiência há um sarro do passado.
Meti-me na política aos 17 anos, estive preso pela PIDE, fugi para França em 1963 e voltei em 1974. Desde 64-65 e até há poucos anos, estive sempre ligado à extrema-esquerda de inspiração maoista. Como não sou realmente um político, mas sim músico, letrista e cantor, nessas pertenças e fidelidades fui sempre guiado por duas coisas:
- os grandes valores que, num artista, naturalmente convocam um lastro de radicalidade e, por outro lado,
- a fidelidade a homens políticos cujos escritos e posições públicas me foram parecendo melhor exprimir politicamente essa radicalidade.
O que me levou a ir entrando e saindo de colectivos onde me sentia em casa. Mas como afirmei pouco antes de deixar o último, que ajudei a fundar: "eu nunca saí de partido nenhum, os partidos é que foram saindo de mim".
As organizações políticas em que participei foram saindo de mim por duas razões principais, e supostamente opostas embora me pareça que são a mesma razão com sinais inversos, razões essas que nada têm de novas porque já vêm desde o último quartel do séc. XIX:
- ou perderam em radicalidade o que ganharam em "realismo", que é o eufemismo que usam para designar a capitulação e a adaptação ao capitalismo;
- ou se confinaram e estiolaram em pequenos grupúsculos, seitas e partidecos que, perdendo o contacto com o real, se satisfazem autofagicamente a proclamar verdades definitivas, directivas infalíveis para as massas e são totalmente incapazes de viverem hoje do modo como dizem querer que seja a sociedade de amanhã, prefigurando-a desde já em si mesmos.
A história da Praça Tahrir é diferente, e eu, que vivi o Maio 68 em Paris e o PREC em Portugal, regozijei-me, como toda a gente de bem, por mais uma queda de um ditador conseguida pelo clamor e pela coragem das ruas. Tempos novos, formas de luta novas.
Tenho tentado reflectir sobre isso e o seu alcance, à luz da única coisa que mantenho bem viva: a minha recusa da iniquidade do capitalismo, a minha exigência de "outra coisa" que "essa é que é linda" (ver, por exemplo, http://passapalavra.info/?p=40478).
Mantenho também um interesse continuado - mas forçosamente à distância - pelos poderosos movimentos sociais de base do povo pobre do Brasil, da Argentina, do México, e de outros países, que têm vindo a lutar por coisas essenciais como terra para cultivar, tecto para se abrigar, direito à água, à cidade, ao trabalho, ao descanso, etc.
Estes, só posso segui-los à distância porque, em Portugal, há tanto tempo que não há nada que se pareça; o povo parece apático, cheio de medo, sem raiva nem desconcerto, sempre bem enquadrado por uma elite de burocratas que há 30 anos o fazem gritar que "o custo de vida aumenta, o povo não aguenta" e a classe dominante a rir-se lá em casa respondendo "aguenta sim senhor, a prova é que gritam o mesmo há 30 anos!".
Convenço-me de que, neste longo caminho aos sacões, deixou de haver - por muito tempo - lugar para generalidades, para proclamações (gerais), para grandes desígnios colectivos. Há lugar, sim, para lutar começando pelo que está perto, pelo que está em baixo, pelo que está agora: o que está mal na minha casa, no meu prédio, no meu bairro; o que está mal na minha empresa, onde por definição não existe democracia, mas que é o centro da minha sobrevivência; na minha escola, seja eu aluno (força de trabalho em formação) seja eu professor (formador de força de trabalho), aquele o produto, este o produtor. Um período que será longo, de lutas defensivas e de lenta reacumulação de forças. O selo de qualidade daquilo a que se chama "lutas" é agora, para mim, a sua concretude, porque a maior parte daqueles que se dizem militantes confundem acção com actividade - e não é de agora.
Plataformas como a 15O são somatórios que só podem ter o peso que é, no melhor dos casos, a soma do peso das suas parcelas. O mesmo direi do que poderão ser o 21 de Janeiro e outras datas afins. O grande erro - parece-me - é que quase toda a gente pensa "o que é que eu vou lá buscar?", quando deveriam pensar "o que é que eu vou lá levar?". É como nos grupos artísticos: a criação colectiva resulta do que se vai pondo na cesta comum ao longo dos dias, esses dias em que parece não se passar nada. É esta a minha visão, completamente wilhelm-reichiana.
E isto passa-se mais assim nas revoltas de "classe média" do que propriamente nas revoltas dos pobres-mesmo-pobres. E acho que percebi porquê. É que, contrariamente aos pobres cuja vida toda é dar sem receber, as "classes médias", que têm ainda muito a perder, não sabem como se pratica o verso de Fernando Pessoa: "Só guardamos o que demos". Duvido até que o compreendam. Por isso "vão lá buscar", em vez de "irem lá levar".
Para o capitalismo, ou antes, para os capitalistas, a produção de bens imateriais (serviços, cultura, lazer) tornou-se desde há muito uma produção em massa para uma massa de consumidores (que são, em grande parte, os seus produtores), como se fossem pão, detergentes, casas ou carros. Mas a "classe média", que está a sofrer um lento processo de proletarização, tem vindo a ser proletarizada (incluindo os profissionais liberais - advogados, médicos, professores, artistas plásticos ou performativos) mas ainda não teve tempo nem experiência para deixar de ser pequeno-burguesa - individualista, idealista, socialmente apática e pusilânime.
[NOTA: eu não estou a afirmar que os proletários têm consciência proletária, bem pelo contrário, infelizmente a esmagadora maioria deles está também impregnada de uma cultura e de uma moral burguesa que lhes é injectada em doses cavalares a toda a hora; mas a própria vida prática se encarrega de lhes tornar evidente a classe a que pertencem; só que, não vislumbrado como sair disso, não se arriscam.]
Daí que, nas acampadas, haja aquele ar de carnaval sociocultural, onde se fala de coisas muito sérias, o que é bom, mas onde o carburante são as palavras em si mesmas, e não o gesto. Não é radicalidade, mas sim e apenas uma transgressão, uma aparência de radicalidade. Vou para o meio de uma praça, levo à boca as mãos em concha e grito "Quero mudar o mundo!"; mas as formiguinhas vão passando de lado, no seu afã de escravas; só fica, eventualmente, quem não precisa de fazer o gesto imediato da sobrevivência. Passe a conversa à Raúl Brandão... mas estou enganado?
O meu tema actual - que, como a palavra indica, está cheio de promessas - é o vazio. "Le creux de la vague". Não, ainda, o súbito recuo do mar na praia antes do tsunami, mas um intervalo côncavo de duração não mensurável entre dois ciclos históricos. Não creio que se possa descer mais fundo, e isso dá-me esperança. É preciso que a juventude "média" dê o salto para o lado de lá, onde estão os pobres a sofrer, muito calados, sem (des)tino. "Vou ao fundo da lama / Do outro lado / Do outro lado da mente / Do outro lado da gente / Do lado da gente do outro lado / Do lado da gente que vive de frente / Da gente que vive o futuro presente" (Margem de Certa Maneira, 1972 (!!!)).
Por isso... talvez apareça, não prometo. Estou a tratar do que está aqui perto: fazer música e mais música, inventar novas canções, novos espectáculos, ajudar outros músicos a serem melhores. Ler e ouvir música. Cantar de vez em quando as canções que tenho para dar ao público. É isso.
JMB
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