- as imagens das colunas laterais têm quase todas links ..
- nas páginas 'autónomas' (abaixo) vou recolhendo posts recuperados do 'vento 1', acrescentando algo novo ..

29/11/11

24 de Novembro, direito de resposta

recebido via e-mail

Retirado de: http://pt.indymedia.org/conteudo/newswire/6154


COMUNICADO SOBRE OS ACONTECIMENTOS DO DIA DA GREVE GERAL DE 24 DE NOVEMBRO DE 2011

Considerando a manifestação de 24 de Novembro em Lisboa, dia de greve geral, os momentos de brutalidade policial que aí ocorreram, a difusão mediática destes acontecimentos e a natureza das acusações formuladas contra os manifestantes, sentimo-nos obrigados a reclamar o "direito de resposta" para impedir a calúnia gratuita e a perseguição política.

Acreditamos, por aquilo que vemos, ouvimos e lemos todos os dias, que a televisão e os jornais são poderosos meios de intoxicação, de controlo social e de propagação da ideologia e do imaginário capitalista. A maioria das vezes recusamo-nos a participar no jogo mediático. Desta vez a natureza e gravidade das acusações impele alguns de nós a escrever este comunicado. A leitura que fazemos da realidade e daquilo que é dito sobre os acontecimentos do dia da greve geral tornam evidente que:

I. Está em curso acelerado a mais violenta banalização de um estado policial com recurso a agentes infiltrados, detenções arbitrárias, espancamentos, perseguições, bem como a justificação política de detenções e a construção de processos judiciais delirantes sustentados em mentiras.

II. Sobe de escala a montagem jornalístico-policial que visa incriminar, perseguir e reprimir violentamente - veremos mesmo se não aprisionar - pessoas que partilham um determinado ideário político, pelo simples facto de partilharem esse ideário. A colaboração entre jornalistas e polícias na construção de um contexto criminalizante tem o seu expoente máximo nas narrativas delirantes da admirável Valentina Marcelino do Diário de Notícias e das suas fontes, como José Manuel Anes do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo.

III. A participação na construção deste discurso por parte de inúmeras instâncias de poder, desde sindicatos e partidos até ao mais irrelevante comentador de serviço, cria o clima ideal para que o anátema lançado sobre os "anarquistas" ou os "extremistas de esquerda" ajude a legitimar a montagem de processos judiciais, a invasão de casas, as detenções sumárias. Ao contrário do que a maioria pensa, são realidades com as quais convivemos há já algum tempo.

Por isso mesmo, vimos deste modo dar a nossa versão do que aconteceu no dia 24 de Novembro. Sendo que acreditamos que estamos especialmente bem colocados para falar do que aconteceu porque criámos um "Grupo de Apoio Legal", que acompanhou a manifestação e está a procurar defender judicial e publicamente os detidos nesse dia por forças da ordem pública.

Fazemo-lo não por se tratar de companheiros "anarquistas". Aliás, não só nenhum deles se conhecia entre si antes de ser detido, como nenhum de nós conhecia previamente nenhum dos detidos - a própria polícia será testemunha de que nem sabíamos os seus nomes.

Fazemo-lo porque - ao contrário dos sindicatos - consideramos que é nossa responsabilidade, enquanto indivíduos lúcidos, activos e organizados, apoiar e mostrar solidariedade com todas as pessoas que se juntam a uma greve que nós também convocámos. Sobretudo para com aqueles que foram vítimas de repressão e perseguição na sequência desse dia.

Temos por isso acesso aos processos e estamos neste momento a reunir provas e testemunhos que possam repor a "verdade legal" que, sabemos já, chegará tarde de mais para ser atendida pelos ritmos e critérios jornalísticos. Sobre o que aconteceu no dia 24 Novembro em São Bento temos testemunhos, vídeos e fotos que documentam o seguinte:

_Não sabemos exactamente o que aconteceu nos segundos de agitação em que as grades de contenção foram derrubadas. Infelizmente não estávamos no local e não pudemos participar. Sabemos apenas que, na sequência dessa confusão, um grupo de três polícias infiltrados apontou um alvo, num canto oposto a onde se deu o derrube (na rampa junto à Calçada da Estrela). Esse alvo era um rapaz de 17 anos, estudante no Liceu Camões. Poucos minutos depois, já fora da manifestação e em plena Calçada da Estrela, os três homens não identificados abordaram o rapaz e enfiaram-no num carro sem anúncio prévio de detenção. Várias pessoas, entre elas alguns colegas e professores, manifestaram-se contra essa detenção, aparentemente injustificada. Mais tarde, outro homem com cerca de 30 anos é detido de forma idêntica.

_Pode-se ainda observar claramente em vários vídeos que as três detenções que tiveram lugar no local onde as barreiras policiais foram derrubadas foram levadas a cabo por agentes não identificados que entraram no corpo da manifestação para deter, arrastar e algemar sem qualquer aviso os manifestantes. Segundo as leis que os próprios dizem defender, qualquer detenção com estas características tem um nome: sequestro.

_Já no fundo da Calçada da Estrela, três jovens dirigiam-se ao Minipreço da Rua de S. Bento quando um grupo de quatro homens que não se identificaram como agentes policiais, agarrou um deles e o encostou à parede. Enquanto um dos agentes à paisana afastava os outros dois, um rapaz com 21 anos de origem alemã era agredido brutalmente, como foi testemunhado por várias pessoas e registado em vídeo. Tudo indica que o agente que a polícia diz ter sido ferido se magoou na sequência desta detenção ilegal no momento em que o rapaz alemão procurava resistir a uma agressão sem sequer perceber ainda o que lhe estava a acontecer. A polícia veio mais tarde justificar a sua acção pelo facto de o rapaz ser perigoso e procurado pela Interpol.

Parece-nos da ordem do fantástico que todos os jornalistas e comentadores que se pronunciaram sobre o sucedido pareçam acreditar que um juiz de instrução possa libertar imediatamente alguém procurado pela INTERPOL.

O que para nós fica claro, após os acontecimentos descritos, é que se preparam novos métodos de contenção social e se assiste a uma escalada na repressão de qualquer gesto de contestação.

Neste contexto, o anúncio de que o ataque às montras de repartições de finanças foi obra de "anarquistas extremistas" é o corolário de uma operação que visa marginalizar e criminalizar toda a dissidência e toda a oposição activa ao regime que se procura impor. Não é apresentada nenhuma prova, nenhum indício que sustente sequer uma suspeita, quanto mais uma acusação.

Tornou-se uma evidência nestes anos de crise que os Estados e os seus gabinetes de finanças, têm em curso um roubo organizado das populações, através de impostos que servem em grande medida para cobrir os grandes roubos nas altas esferas do poder e da economia. Neste sentido, a criminalização dos anarquistas, e a sua identificação como o inimigo interno, serve sobretudo para isolar esses acontecimentos do crescente sentimento de revolta e da tomada de consciência social que atravessa a sociedade no seu todo.

Dito isto, é preciso salientar que um "anarquista" é, antes de tudo, um defensor da liberdade individual, da autonomia e da organização horizontal e igualitária; Que, não existindo nenhum partido ou organização central que emita uma posição correspondente àquilo que "todos os anarquistas" pensam, este comunicado é apenas uma visão parcial de alguns indivíduos que partilham um património filosófico e social que são as ideias anarquistas. Uma versão naturalmente sujeita a críticas e discussão por parte dos nossos amigos e companheiros.

Por fim, gostávamos apenas de recordar a todas as pessoas que lutam para manter a sua lucidez, que o regime implantado no dia 28 de Maio de 1926 começou precisamente por se justificar com a necessidade de combater a anarquia e de reprimir os anarquistas, que nessa altura se organizavam em torno da Confederação Geral do Trabalho. Hoje é fácil perceber a natureza desse regime, nessa altura não o era.

Ontem como hoje, cada um de nós tem que decidir individualmente se toma posição activa contra o que está a acontecer ou se, com a sua passividade, colabora com o estado de coisas.

Grupo de Apoio Legal para o 24N
Lisboa, 28 de Novembro de 2011

ao ataque!!

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«Olá, mundo.

somos LulzSecPortugal.

sejam bem-vindos à nossa caravela ... embarquem connosco rumo à nova era dos descobrimentos. vamos conquistar uma terra que desconhecemos a quem pertence. Portugal.. (...) »

um sítio que promete! - a visitar - definitiva e frequentemente!!
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26/11/11

o cheiro nauseabundo das comadres desavindas ..

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Expresso
14 de outubro de 2011  

Luís Mira Amaral (ver biografia) escreveu uma carta aberta dirigida a António Sérgio Azenha, autor do livro "Como os políticos enriquecem em Portugal".

O jornalista investigou e analisou os rendimentos de 15 políticos antes e depois de passarem pelo Governo português.

Mira Amaral, antigo ministro de Cavaco Silva, é um dos visados no livro da editora Lua de Papel. E responde:        (ler mais)



Bom, tratando-se de uma carta aberta, calculo que a posso pôr aqui..

Exmo. Senhor António Sérgio Azenha,

Estou verdadeiramente chocado com a inclusão do meu nome no livro que acabou de escrever. É que a sua análise sofre dum grave erro metodológico. Com efeito, a sua análise sobre rendimentos deveria incidir sobre a totalidade da vida profissional, antes e depois do governo e não apenas a comparação entre o que se recebia no governo e depois do governo.

Comparar o magro vencimento que tinha no governo em 1994 [magro ... assim como... quanto?] com um vencimento perfeitamente “normal” [ou seja...???] num grupo privado em 2001 é comparar alhos com bugalhos. [pois eu, professora, tinha, em 1994, um vencimento magrérrimo - em comparação com o senhor - , mas ainda assim maior do que o que aufiro em 2011!!!] Recordo‐me aliás do meu colega Engº Alves Monteiro no dia em que saiu comigo do governo e regressar ao Banco de Fomento como Director duplicar o vencimento em relação ao que ganhava como meu Secretário de Estado da Indústria!
É que eu já trabalhava antes de ir para o governo. Fui quadro da EDP e do Banco de Fomento e quando cheguei ao governo já tinha 16 anos de vida profissional. E toda a gente sabe que no governo se ganha menos do que na vida empresarial, onde já estava antes de ter tido essa infeliz ideia.
Se tivesse feito uma análise dinâmica desse tipo, começando pela minha vida profissional antes do governo, concluiria facilmente que só perdi dinheiro com a passagem pelo governo.
Se tivesse comparado a minha posição profissional antes de entrar no governo com a de outros colegas meus nessa altura e depois verificasse a evolução deles, concluiria facilmente que aquilo que auferi depois do governo teve um atraso e no fundo foi inferior ao desses colegas. A dinâmica profissional que tive depois do governo não se deveu pois apenas a este mas sim às minhas competências e, como referido, nem sequer consegui obter posições idênticas às desses colegas que tiveram o bom senso de não aceitarem cargos políticos.
Ao sair do governo, regressei ao meu banco de origem, aquele em que estava antes, o qual foi depois comprado pelo Grupo BPI e onde cheguei a Administrador. Não andei pois como gestor público em empresas públicas.
Tive depois a infeliz ideia de ir ajudar o governo na CGD, onde perdi dinheiro em relação ao pacote financeiro que tinha no BPI, tendo sido aí enxovalhado e vigarizado pelos governos PSD/PP. Aí nesses dois anos como gestor público ganhava menos do que auferia no sector privado. [a sério?!! Então mas os funcionários do sector público não são uns privilegiados???!!!]
Reformei‐me da CGD, ao abrigo do regime de pensão unificada, para o qual contaram as contribuições que fiz ao longo de 38 anos de carreira contributiva para a Segurança Social e para a Caixa Geral de Aposentações. Esse é o erro factual do seu texto pois a minha reforma não é devida apenas aos dois anos da CGD mas sim aos 38 anos de carreira contributiva para a qual contam obviamente os dois anos da CGD.


Infelizmente, a minha reforma não é de 18 000 euros como diz mas sim de 11 000 euros. Se não tivesse ido para a CGD, ter‐me‐ia reformado como Administrador do BPI com 10 000 euros, apenas menos 1 000 euros! Como vê, fui mais uma vítima duma especulação e de uma pulhice inqualificável desse senhor Bagão Félix. (ver biografia)
Ao contrário de outros, alguns referidos no livro, eu não conheci a banca e a energia depois do governo. Já lá estava antes.
Ao contrário do que o inqualificável pulha [uauuuuuuuuuuuuu!!! no charges pressed?!!!] Bagão Félix diz, a minha reforma, pelos factos que lhe expliquei, não é pornográfica, mas serão pornográficas duas situações de dois amigos dele: [ora agora, esguardai, senhores! Se eles começam a descobrir as carecas uns aos outros, não há chapéus que lhes valham!! - e eu, obviamente, rio-me!]
• A do jovem Paulo Teixeira Pinto que se reformou do BCP aos 49 anos com cerca de 35 000 euros mês (!) tendo recebido de indemnização, ao que dizem, 10 milhões de euros. Só conheceu a banca depois do governo…
• A de Vitor Martins, amigo do Bagão Félix que este colocou como Presidente da CGD, sem nunca antes ter trabalhado num banco, e que saiu de lá ao fim de um ano com 900 mil euros de indemnização, como o DN noticiou na altura!!
Em suma, aquilo que diz sobre mim é factualmente correcto com excepção da explicação da minha reforma, obtida pela legislação aplicável a qualquer cidadão nas minhas condições, mas enferma do grande erro metodológico de não ter começado a análise antes da minha ida para o governo, e de não fazer uma comparação com as dinâmicas profissionais de colegas meus que não tiveram o azar de ir para o governo.
Não sou rico, sempre vivi do meu trabalho, não enriqueci com a passagem pela política, antes pelo contrário, mas obviamente que com o seu livro sou mais uma vez metido muito injustamente na classe dos que enriqueceram com a política. Cada dia que passa, mais me arrependo de lá ter passado. Não sou um político mas sim um quadro técnico que serviu transitoriamente o país em funções políticas.
É também sistematicamente esquecido que fui eu que ao fim de dois anos de trabalho difícil e esgotante, sem receber um cêntimo em troca, resolvi o problema de Cahora‐Bassa fazendo entrar no Tesouro Português 900 milhões de dólares quando antes se pensava que iriamos entregar a preço zero Cahora‐Bassa a Moçambique.
Espero que compreenda este desabafo de quem nunca se serviu dos cargos públicos, antes pelo contrário, mas que, como não foi servil nem “yes‐man” do cavaquismo e do bloco central político-financeiro que manda no país desde o governo Guterres, foi enganado, enxovalhado e vítima duma vil e infame campanha com vista ao seu assassinato mediático por parte do Bagão Félix, do cavaquismo e desse bloco central político‐financeiro. Infelizmente não sou rico, apenas pertenço a uma classe média [*] que sempre viveu do seu trabalho.
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Lisboa, 13 de Outubro de 2011
LUÍS MIRA AMARAL **
fonte

[*] pois ... eu, professora (no dizer de MST uma das inúteis mais bem pagas do país!!) também não sou rica. Também pertenço a uma classe que sempre viveu do seu trabalho. Agora, se o senhor Mira Amaral se considera da classe "média", então aquela a que pertenço eu não chega sequer a 'classe baixa'! Comparando os ordenados e respectivas reformas dos 'servidores políticos' e dos 'servidores públicos', a classe em que se integram os professores é uma "raiz quadrada" da deles - elevada à enésima potência!!


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Ministro do Trabalho e Segurança Social -X Governo Constitucional
Ministro da Indústria e da Energia - XI e XII G.C. (1.º ministro dos 2 governos: o ex-querido amigo Cavaco Silva: 1985-1995)
Filiação partidária: PSD
Profissão: Engenheiro e Gestor
*
"Como os Políticos Enriquecem em Portugal", de António Sérgio Azenha.
Com Prefácio de e apresentado por Henrique Neto e Luís de Sousa presidente da associação cívica TIAC, cuja visão é um Portugal mais transparente, íntegro e responsável.

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Ser Doido-Alegre, que Maior Ventura!

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de António Aleixo  (ler sobre o poeta em vidas lusófonas)

Ser doido-alegre, que maior ventura!
quadro de Malevitch
Morrer vivendo p'ra além da verdade.
É tão feliz quem goza tal loucura
Que nem na morte crê, que felicidade!

Encara, rindo, a vida que o tortura,
Sem ver na esmola, a falsa caridade,
Que bem no fundo é só vaidade pura,
Se acaso houver pureza na vaidade.

Já que não tenho, tal como preciso,
A felicidade que esse doido tem
De ver no purgatório um paraíso...

Direi, ao contemplar o seu sorriso,
Ai quem me dera ser doido também
P'ra suportar melhor quem tem juízo.

António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..."

retirado daqui
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23/11/11

“Bunga-bunga” governamental

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Mais um artigo demolidor, no melhor estilo de Santana Castilho.. E como eu gostava de ouvir estes mesmos argumentos, estas 'provas provadas', este desassombro e esta coragem na boca dos pivots de serviço aos principais noticiários, dos comentadorzinhos políticos (também de/ao serviço), na boca dos titubeantes líderes das nossas centrais sindicais, dos deputados da branda oposição!

Como diz Miguel Torga (e cito de memória..): "Quantos seremos? - Não importa! Um só que fosse.." - Pois ele aí está, e chama-se SANTANA CASTILHO:

no Público de 23/11/2011:

“Bunga-bunga” governamental

Vão chegar mais oito mil milhões de euros. Para uns, são fruto do sucesso da execução do acordo com a troika. Para outros são um degrau na escada descendente da fatalidade que nos marca. Olhando para fora e para dentro, entendo melhor os segundos. 

A austeridade fez implodir num ápice, pela via eleitoral, os governos de três países: Irlanda, Portugal e Espanha. E aliada à necessidade de tranquilizar os mercados, testou, poupando o tempo e a maçada da ida às urnas, sem protestos visíveis e com êxito, o caminho perigoso de substituir sem votos os de outros dois: Grécia e Itália. Papademos, o chefe do executivo grego, veio do Banco Central Europeu e da Comissão Trilateral, de David Rockefeller. Tem por isso a confiança dos mercados. Monti, que chefia o governo italiano, conquistou-a enquanto comissário europeu. Ambos passaram pelo Goldman Sachs, como convém. Passos, obedecendo à troika e bajulando Merkel, esforça-se por merecê-la. Nenhum dos três tem, porém, legitimidade democrática para governar. Os dois primeiros por construção. Passos, por acção. Porque tudo o que prometeu e usou para ser eleito pôs de lado e incumpriu. Porque a política, como forma de melhorar a vida dos cidadãos, não é paradigma que o entusiasme. 

As desilusões e as evidências têm um efeito acumulativo, que afasta a esperança: vi, vezes suficientes, intervenções presidenciais que preteriram o direito dos cidadãos em benefício do desvario do poder; estou ferrado por sucessivas interpretações de juízes do Tribunal Constitucional, doutos que eles sejam, leigo que eu sou, mais concordantes com os interesses das áreas políticas que os indigitaram que com a Constituição que deviam defender; não confio num Parlamento que à saciedade já provou jogar um jogo e não servir um povo, votando como lhe ordenam. Tudo visto, a Democracia e o Estado de Direito estão em licença sabática. Resta que a quarta República lhe ponha cobro. Porque a mãe de todas as crises é a crise de um regime podre. De um regime de contabilistas, manobrado por maçons, irmãos da “Opus Dei” e jogadores da “opus money”. 

A fixação na contabilidade única está a gerar uma espécie de “bunga-bunga” governamental. O ministro da economia ainda consulta as resmas de gráficos e tabelas que trouxe do Canadá para decidir se caímos para os serviços, se retornamos às batatas e ao mar, ou se voltamos a esgravatar as entranhas da terra à procura de ferro, ouro, gás e petróleo. Com saudades de Manuel Pinho, vaticinou que “2012 vai certamente marcar o fim da crise”. O ministro das finanças faz com a banca a quadratura do círculo: aceita-lhe o liberalismo quando toca a especular e corre a protegê-la quando o jogo dá para o torto. Mantendo esfíngica serenidade, contenta-se com o anúncio da gestão da emergência: mais impostos, mais desemprego, mais afundamento da economia, mais cortes salariais, mais recuo das funções do Estado. Na educação não superior, um trio de múmias governantes afunda o futuro e soçobra incapaz ao CAPI, à ANC, ao PTE, às TIC, às AEC, ao PIEC, PIEF e PREMAC, aos EFA e aos CNO, siglas que não traduzo a bem da sanidade mental dos leitores, mas que designam parte da teia de esquemas e burocracias que não desenredam e tolhem a gestão das escolas. O ministro da pasta admitiu agora fechar escolas independentemente do número de alunos (até aqui o indicador era menos de 21) e disse estar “ a prever encerrar uma parte substancial das mais de 400 que sobraram” (aquelas cujo fim suspendeu no início do mandato). De resto, o corte na educação é tão colossal que nos devolve, em percentagem do PIB, ao clube dos subdesenvolvidos. Exceptuam-se, por crescerem, as verbas para o ensino privado e para as direcções-regionais de educação, cuja extinção foi anunciada, pasme-se. Face a fortes restrições orçamentais, centenas de alunos de comunidades emigrantes estão sem aulas de Português. O Governo pretende suprimir os cursos ministrados fora dos horários escolares. Se se consumar a iniciativa, porque é esta modalidade a mais frequentada, estaremos perante o quase desaparecimento do ensino da língua materna aos luso-descendentes. Só na Europa, estima-se que já tenham sido afectados metade dos cerca de 50 mil estudantes que existiam há um ano. O secretário de Estado do emprego contou no Parlamento uma anedota que fez rir os mais sorumbáticos: disse que o salário mínimo nacional (485 euros mensais) não é baixo. O secretário de Estado do desporto e da juventude, num assomo de patriotismo, convidou os jovens a zarparem do solo pátrio. O secretário de Estado da administração pública anunciou a intenção de mexer nas tabelas salariais dos funcionários públicos. O ministro Gaspar desmentiu-o e chamou-o de especulador público. 

Simbólicas e absolutas são, afinal, as palavras mágicas que o governante do discurso a 33 rotações soletrou ao retornado de Vancouver, perguntando-lhe, dizem, qual das três não entendia: não há dinheiro! As mesmas que amocharam, conformada, parte da sociedade. Mas que começam a levantar outra parte, que rejeita a suspensão instrumental da Constituição e gritará nas ruas, amanhã, que não aceita o confisco de salários para que o Estado devolva a alguns o que perderam em especulações fracassadas e reponha no balanço da divida o que outros, impunemente, roubaram. Eis o óbvio moral que os ditadores de circunstância fingem não entender, esmagando direitos constitucionais e civilizacionais que tomam por privilégios e ignorando, quando não decretando novos, os verdadeiros privilégios. 

s.castilho@netcabo.pt

rigor, responsabilidade, verdade --- parole, parole

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do twitter pré-eleitoral do agora excelentissssimo 1.º ministro, 10 frases curtas - ou.. o que eu digo, ainda que o tenha escrito, NÃO É para levar a sério!  - ou seja: o senhor é um pantomineiro!

Pois então aqui fica mais um exemplo da falta de vergonha na cara de Passos Coelho, desta vez posta a nu por António Filipe, deputado pelo PCP, na crítica ao OE para 2012:

24 de Março:
«A pior coisa é ter um governo fraco. Um governo mais forte imporá menos sacrifícios aos contribuintes e aos cidadãos!»
30 de Março:
«A ideia que se foi gerando de que o PSD vai aumentar o IVA não tem fundamento.»
1 de Abril:
«Já ouvi dizer que o PSD quer acabar com o 13.º mês, mas nós nunca falámos disso e é um disparate!!!!»
12 de Abril:
O PSD 'chumbou o PEC IV, porque «Tem que se dizer basta!!» «A austeridade não pode incidir sempre no aumento de impostos e no corte dos rendimentos!»
2 de Maio:
«Se formos governo, posso garantir que não será necessário despedir pessoas, nem cortar mais salários para sanear o sistema português!»
5 de Maio
«Portugal não pode ter 700 mil desempregados!»
10 de Maio:
«Para salvaguardar a coesão social, prefiro onerar os escalões mais altos do IRS, de modo a desonerar a classe média e baixa!»
--
«Aceitarei reduções nas deduções no dia em que o governo anunciar que vai reduzir a carga fiscal às famílias!»
12 de Maio:
«Escusam de vir agitar mentiras! O PSD quer que as pessoas sejam tratadas como merecem, seja na área pública ou privada!
1 de Junho:
«Ninguém nos verá impor sacrifícios aos que mais precisam! Os que mais têm terão de ajudar os que têm menos!»

and .. last but not least .. a pergunta que P. Passos Coelho fez quando andava a enganar-nos a todos, fingindo-se oposição:

«Como é possível manter um governo em que o 1.º ministro mente??» 

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Pois, como é possível?
Ainda que a greve geral de amanhã possa não vir a ter outras consequências, pelo menos servirá para atirar à cara do seu despudorado autor aquela mesmíssima pergunta. Como se fosse uma pedra, ou um murro, ou um tiro.
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22/11/11

sei que pareço um ladrão, mas há muitos que eu conheço... *

da lucidez .. em forma de anedota (recebido por e-mail )

A Professora pergunta na sala de aulas:
- Luisinho, qual é a profissăo de teu pai?
- Advogado, Sra. Professora.
- E a do teu pai, Mariazinha?
- Engenheiro.
- E o teu, Aninhas?
- O meu pai é médico
-E o teu pai, Pedrinho, o que faz?
-Ele... Ele é dançarino numa boite gay!
- Como assim? (pergunta a Professora, surpresa)
- Sra. Professora, ele dança na boite vestido de mulher, com uma cuequinha minúscula de lantejoulas; os homens passam a măo nele e enfiam dinheiro no elástico da calcinha e depois saem para se divertirem juntos.

A Professora rapidamente dispensou todos os alunos, menos o Pedrinho. 
Caminha até ao miúdo e novamente pergunta:
- Ora diz-me lá, o teu pai realmente faz isso?
- Năo, Sra. Professora. Agora que a sala está vazia, eu posso dizer-lhe:
Ele é Deputado na Assembleia da República..... Mas eu tenho vergonha de dizer isso na frente dos outros!!!

do 'acrescento' que se seguia, refiro só o mais elucidativo:

"A Assembléia da República é um lugar em que, se se puxar o autoclismo, năo sobra ninguém!"

.....

(*) do título do 'post', a sabedoria do poeta popular António Aleixo:

Sei que pareço um ladrão...
mas há muitos que eu conheço
que, sem parecer o que são,
são aquilo que eu pareço.
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retirado daqui
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09/11/11

Nuno-Nada de sua graça

Nuno Crato "passado a limpo", numa desmontagem do seu vácuo discurso em entrevista recente (aqui) e uma radiografia inequívoca da sua «impreparação, ignorância e manipulação da realidade» - para quem ainda tivesses dúvidas ..

Público, 9/11/2011

Santana Castilho *
O DESÍGNIO DE CRATO É CORTAR

Nuno Crato encheu de nada e de cortes três páginas deste jornal. Lê-lo a 31 de Outubro traveste-lhe a graça para Nuno Cortes. Quando não identifica medidas para cortar, responde que não sabe. Nuno Nada, tão-pouco destoava para sua nova graça. Que desgraça!

Tirando o desígnio de castrar, despedir e poupar, não há na entrevista a mais ligeira ideia consistente sobre Educação. Perguntado sobre como se vai cumprir a escolaridade obrigatória até aos 18 anos, responde com profundidade: “Está tudo em aberto”. Interrogado sobre a verdadeira grandeza da redução orçamental, riposta com rigor: “Depende do quadro que se leia”. Questionado sobre o número de professores estritamente necessário, que antes havia invocado, é preciso: “É um bocado menos do que temos hoje. Não consigo quantificar”. Solicitado a esclarecer o objectivo que propõe para um novo modelo de financiamento do ensino superior, que acabara de preconizar, repete-se: “Está tudo em aberto”. À insistência dos entrevistadores, que querem conhecer os critérios a incluir no tal modelo, responde filosoficamente: “Vamos pensar nisso”. Quando lhe perguntam se já começou a pagar as bolsas de estudo, é negativamente claro: “ Ainda não”. Quando lhe perguntam se tem ideia de quantos alunos perdem o direito à bolsa, é claro, negativamente: “Ainda não”. 

“Estamos a estudar”, “estamos a ver”, “estamos a identificar”, “temos de ver” “temos que pensar” e “vamos ter de repensar” são fragmentos frásicos abundantes na entrevista, que ilustram a vacuidade predominante. Mas há passagens concretas, que patenteiam impreparação, ignorância e manipulação da realidade. Passo a fundamentar. 

Comecemos pela impreparação. Nuno Crato confessa que era inconsciente, quando crítico do anterior poder. Para tentar estabelecer coerência entre o que dizia e o que agora faz, afirma-se fiel aos seus princípios de sempre e deixa implícito que os actos que pratica, que contradizem tais princípios, são ditados por uma realidade que desconhecia. É uma quadratura do círculo, donde emerge impreparação crassa. Vista do lado do crítico, o ministro fica sem crédito. Vista do lado do ministro, o crítico virou a casaca. A seriedade mínima conclui pela implosão recíproca. 

Passemos à ignorância, com dois exemplos. No primeiro caso, é deprimente constatar o desconhecimento do ministro sobre a gestão do currículo do ensino básico. Nuno Crato assevera que poupou, com a supressão do Estudo Acompanhado, 15 milhões de euros no 2º ciclo e 17 no 3º. Afirma, preto no branco, que “o Estudo Acompanhado era dado por dois professores no 2º ciclo”. Ora o que todos sabemos é que o Estudo Acompanhado continua a existir para o 2º ciclo e é acompanhado pelos mesmíssimos dois professores. Termos em que uma supressão que não existiu, senão na mente capta do ministro, não pode originar 15 milhões de poupança, senão nas virtuais contas deste economista, especialista em Matemática e arauto do rigor. No segundo caso, é embaraçoso ver Nuno Crato referir que a escolaridade obrigatória é de nove anos. Pena que um assessor não tenha tido a oportunidade de o esclarecer que já é de 12.

Vejamos agora a manipulação da realidade, também com dois, de vários exemplos possíveis:

1. Nuno Crato deixa cair, com ar dramático: «Quase metade (46,7 por cento) do pessoal da administração central está no Ministério da Educação. É um valor extraordinário. Isso significa que as reduções têm de ser, em grande parte, em pessoal e que têm de se reflectir na educação.» Mas não justifica seja o que for. A Educação tem cerca de dois milhões de utentes directos. Como se comparam estes números com os outros serviços públicos? Como se comparam estes números com dados internacionais? Como se enquadram estes números no que ele, como definidor das politicas educativas, quer do sistema? Sobre isso disse nada. 

2. Nuno Crato branqueia o quadro da Parque Escolar, qual copista do surrealismo. Revela-se um verdadeiro artista. Diz que a dotação do Orçamento de Estado de 2012 para aquele monstro é zero. E mostra como chega a este zero. Explica, com candura, que mandou “prolongar as obras por mais tempo, de forma a não concentrar todos os custos neste ano”. Esclarece, qual vestal, que 95 milhões de euros são receitas próprias da Parque Escolar, como se não soubéssemos todos que resultam da saloia engenharia financeira que obrigou, por decreto, as escolas a pagar-lhe rendas, que saem, obviamente, do Orçamento do Estado para 2012. E acrescenta que 80 milhões virão de endividamento ao Banco Europeu de Investimento, que não serão pagos pelo condomínio do meu prédio, digo eu. Brilhante. Em linha com o sofisma clássico: “Todo o cavalo raro é caro. Um cavalo barato é raro. Logo, um cavalo caro é barato!” 

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

07/11/11

o internacionalismo vampiresco

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partindo do post anterior, fui pesquisando umas coisas sobre gente milionária em países de povos paupérrimos .. e .. fui várias vezes confrontada com esta msg de erro:
 503
Site momentanément indisponible>

É a mensagem que aparece sempre que se tenta aceder a algum site sobre a disparidade social em Angola. A pesquisa pode ser : "milionários em Angola"; "milionários nos países mais pobres do mundo", ou uma pergunta directa: "Angola é um país pobre?", que há 3 meses recebeu a resposta mais votada (aqui), abaixo transcrita:

«Angola é um pais rico ***com povo pobre. É um país com grande possibilidade de desenvolvimento.

Cerca de um milhão de barris de petróleo exportados por dia, multinacionais petrolíferas que vão render 20 mil milhões de dólares em cinco anos, diamantes em abundância - pareceriam suficientes para dar bem estar aos angolanos. No entanto, a quase totalidade do crude desaparece imediatamente para as refinarias do Texas e Luisiana, seguindo a antiga rota dos escravos. A corrupção e a guerra somaram sequelas. Hoje, 83% da população vive abaixo do nível da pobreza. Os jornalistas Serge Michel e Serge Engerlin, do Le Temps, que fizeram uma grande investigação durante cinco meses sobre a rota do ouro negro, desde o Texas ao Iraque, estiveram em Angola e dão uma visão desse país

da uma olhada nesse site - aki fala tudo sobre guerra civil, corrupção, ricos de angola »

Bom, o problema: clicam no link, e lá vem o "erreur 503" !!! - por que será, I wonder?!!
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indo por outras vias (os nomes dos jornalistas), vem-se parar aqui. Transcrevo um excerto do texto de indispensável leitura!!! - muitíssimo elucidativo e a 'fonte' para a resposta acima transcrita :

24 de Julho de 2003
(...)
Luanda, a capital
Miami Beach na Ilha de Luanda (foto Net)
Os ricos da capital amontoam-se em Miami Beach. Este restaurante situa-se quase no final da Ilha, uma franja de terra em frente à capital. Esta tarde, todas as cadeiras de praia estão ocupadas e guardadas por homens armados (?!!!?) e não há nenhuma mesa livre na sala aberta à sombra dos coqueiros. Num país sem petróleo, tais clientes, capazes de gastar a metade de um salário médio numa refeição e uma garrafa de vinho, seriam industriais, banqueiros ou profissionais de alto gabarito. Mas em Angola, basta ser um depredador, quer dizer, um beneficiário das generosidades de um dos três centros de poder: Futungo, como se chama aqui a presidência; Sonangol, a companhia petrolífera nacional, ou o exército.

O sistema, que tem por único objectivo a manutenção no poder do regime, consiste em alimentar um número limitado de privilegiados e reprimir todos os demais. Foi chamada "a república dos dominantes". Algumas centenas de famílias podem assim enviar os seus filhos a estudar para Inglaterra, comprar bons automóveis com ar condicionado, telefones celulares e produtos de marca em lojas discretas, tão bem fornecidas como perfeitamente impossíveis de encontrar para quem não conhece a direcção e a contra senha que permitirá abrir a porta.  (ou comprar bancos portugueses, e é só mais um exemplo ...)

A corrupção perverteu a economia do país e fez de Luanda uma das cidades más caras do mundo. Devora cada mês milhões de petro dólares. A organização londrinense Global Witness revelou em Março de 2002 que faltavam nas contas do Estado em 2001, 1,4 mil milhões de dólares. Quanto ao processo Elf e o "affaire" de Angolagate (um caso relativo à venda de armas russas a Luanda por intermédio dos empresários Pierre Falcone e Arcadi Gaydamak - ler aqui), a que se agarram a Justiça francesa e a Suiça, dizem que o presidente José Eduardo dos Santos não se esqueceu de encher os seus bolsos – é o cidadão mais rico do país – e que as petrolíferas ocidentais se dedicam em grande ao jogo dos pagamentos ocultos.

Fonte: Le Temps, diário suíço surgido da fusão, em 1998, de Noveau Quotidien, Journal de Geneve e Gazette de Lausanne. É um importante meio de informação, com boas investigações sobre temas internacionais.

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os 20 países mais pobres do mundo
 
Anualmente, a ONU publica o IPH ( Índice de Pobreza Humana ) , que indica a privação da população de um país em três elementos essenciais: longevidade, conhecimento e padrão de vida adequado. O IPH é dado a partir de uma média simples desses três elementos. Quanto maior a percentagem obtida, maior a pobreza do país. Ultimamente, é considerado nesse cálculo também o número de morte de recém nascidos, percentagem de adolescentes com escolaridade básica, crianças abaixo do peso e a renda familiar.
A maioria dos países com os piores índices são do continente africano, destacando-se apenas três países não africanos: Timor Leste, Bangladesh e Papua Nova Guiné  -   (retirado daqui  e daqui


Índice de Pobreza Humana – 2008  :
  1. Chade – 56.9%
  2. Mali – 56.4%
  3. Burkina Fasso – 55.8%
  4. Etiópia – 54.9%
  5. Níger – 54.7%
  6. Guiné – 52.3%
  7. Serra Leoa – 51.7%
  8. Moçambique – 50.6%
  9. Benin – 47.6%
  10. Guiné-Bissau – 44.8%
  11. Central Africano República – 43.6%
  12. Senegal – 42.9%
  13. Timor-Leste – 41.8%
  14. Zâmbia – 41.8%
  15. Gâmbia – 40.9%
  16. Bangladesh – 40.5%
  17. Papua Nova Guiné – 40.3%
  18. Zimbábue – 40.3%
  19. Angola – 40.3% 
  20. Costa do Marfim – 40.3%
fonte :  Centro Regional de Informação das Nações Unidas (UNRIC)
- mapas e lista de países por Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) - aqui
- sobre IDH (IPH) em África e tabela de cálculo - aqui


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do Portal oficial dos Serviços de Apoio ao Presidente da República de Angola -aqui
(...)
petróleo, diamantes, ouro e outros minerais
Angola é um país eminentemente rico em recursos minerais. Estima-se que o seu subsolo alberga 35 dos 45 minerais mais importantes do comércio mundial entre os quais se destacam o petróleo, gás natural, diamantes, fosfatos, substâncias betuminosas, ferro, cobre, manganésio, ouro e rochas ornamentais.
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Plataforma petrolífera na Baía de Luanda (foto Net)
Com depósitos substanciais de ouro, minério de ferro, fosfatos, manganésio, cobre, quartzo, gesso, mármore, granito negro, berílio, zinco e numerosos metais estratégicos. Angola tem sido descrita como um dos maiores e menos desenvolvidos dos paraísos minerais ainda existentes.
Energia
Angola possui um enorme potencial hidroelétrico graças aos grandes e poderosos rios que atravessam o País. Angola gera. em condições normais, mais energia do que necessita
Pescas
as águas territoriais de angola, detêm um enorme potencial ao longo dos seus 1.650 km de costa, com presença abundante de plâncton.
Agricultura
As Nações Unidas estimam um potencial de 5 a 8 milhões de hectares de terras de "prime agriculture" bem como áreas extensivas.

o 19.º país mais pobre do mundo  - porquê? 

Já lá vão mais de três décadas e meia de independência. Para além da guerra civil, a guerrilha da Unita e o conflito com Cabinda, alguma relação com o que segue? U decide! ..

1.
Angola é o segundo maior produtor de petróleo e exportador de diamantes da África Subsariana. Segundo o FMI, mais de 4 mil milhões de dólares teriam desaparecido do fundo de tesouraria de Angola na década de 2000.

2.
José E. dos Santos c/ A. Merkel
José Eduardo dos Santos (Sambizanga, Luanda, 28 de Agosto de 1942) é um engenheiro e político angolano e actual presidente da República de Angola, cargo que exerce desde 10 de Setembro de 1979.

Enquanto presidente do país, José Eduardo dos Santos é também comandante em chefe das Forças Armadas Angolanas (FAA) e presidente do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), o partido no poder desde a independência do país, em 11 de Novembro de 1975.

Nas eleições legislativas em Angola em Setembro de 2008, (as primeiras eleições legislativas desde 1992), o MPLA venceu com 81,64% dos votos, conquistado 191 dos 220 lugares da Assembleia Nacional de Angola. (...) Em inícios de 2010 foi adoptada uma nova constituição. Esta abandona, por um lado o princípio democrático fundamental da divisão entre os poderes legislativo, executivo e judiciário, concentrando os poderes efectivos no presidente. Por outro lado, esta constituição já não prevê eleições presidenciais, mas um mecanismo pelo qual o presidente do partido mais votado se torna presidente do Estado. As próximas eleições legislativas foram entretanto agendadas para 2012, tendo José Eduardo dos Santos dado a conhecer a sua intenção de não voltar a candidatar-se, apontando como seu sucessor Manuel Domingos Vicente, actual presidente da Sonangol.
3.
a primogénita, Isabel dos Santos

foto retirada daqui
Filha do presidente angolano José Eduardo dos Santos e da sua primeira esposa Tatiana Kukanova, natural do Azerbaijão, Isabel dos Santos viveu grande parte da sua vida em Londres, onde a sua mãe reside agora, e onde estudou gestão económica e engenharia. Foi também em Londres que ela conheceu Sindika Dokolo, nacional da República Democrática do Congo, com quem se casou em 2003 em Luanda. O casamento, uma festa de quatro milhões de dólares, com mil convidados, foi um dos maiores casamentos na história de Angola. Muitos dos convidados que vieram de fora de Angola foram trazidos em aviões especialmente fretados, e entraram em Angola sem vistos. O padrinho de casamento era o então ministro da Economia do Petróleo angolano, Desidério Costa. - fonte
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  • Filha de José Eduardo dos Santos compra posição no BPI - aqui
  • Banca e energia são alguns dos sectores onde a filha do presidente angolano tem negócios. -aqui 
  • Marido de Isabel dos Santos na administração da Amorim Energia - aqui 
  • Isabel dos Santos é a 18ª figura mais poderosa da economia portuguesa - aqui
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do blogue MPDA (movimento para a paz e a democracia em Angola) - aqui :
«O jornal independente angolano Folha 8 comentava a pessoa Isabel dos Santos sobre a sua pilhagem dos fundos públicos com cumplicidade do seu pai José Eduardo dos Santos.» 
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do site da rádio-cultura-angolana, aqui :

Isabel dos Santos diz: é bom ser filha do presidente
Sabe, cara senhora, que eu não duvido nem um bocadinho??
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Fome "alarmante" em Angola, Timor e Moçambique

12 Outubro 2011 - Angola, Timor-Leste e Moçambique são os países de língua portuguesa que integram a lista de Estados com uma situação de fome "alarmante", revela o último relatório do Instituto Internacional de Pesquisa sobre Alimentação. - fonte
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BANCO ALIMENTAR CONTRA A FOME EM ANGOLA no facebook - aqui
então e os riquíssimos manda-chuvas de Angola???!!!
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Angola: Pobreza sinónimo de SIDA 
15 Abril 2011 - A pobreza e o analfabetismo têm contribuído para o aumento da Sida em Angola - aqui

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Enquanto o país conquista o reconhecimento internacional pela sua economia em rápida expansão, dois terços da sua população continua a viver com menos de dois doláres por dia, segundo o Banco Mundial.- aqui
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Segunda, 11 Abril 2011
Angola: Malária é a primeira causa de mortalidade no país - aqui
Mais de três milhões de casos foram registados no ano passado e com um total de mais de seis mil mortes

enquanto milhões de angolanos morrem - de fome e doença,  
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a compatriota socialite festeja - "Caras Angola" - aqui

 MUNDO CÃO!
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«não divulgar é cumplicidade!»

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vem-me recorrentemente chegando via e-mail e é bom ir lembrando ...

os 'escravos' do costume ..

« É preciso que se saiba:


...Os portugueses comuns (os que têm a sorte de ter trabalho) ganham cerca de metade (55%) do que se ganha na zona euro.

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os 'gordos' do costume
Mas os nossos gestores recebem, em média, mais :
  • 32%      que os americanos;
  • 22,5%  que os franceses;
  • 55 %     que os finlandeses;
  • 56,5%  que os suecos;

(dados de Manuel António Pina, Jornal de Notícias, 24/10/09)

... E são estas "inteligências" que chamam a nossa atenção reclamando:

"Os portugueses gastam acima das suas possibilidades". »

Pois. E estamos cada vez mais terceiro-mundistas.. é só pensar em exemplos do antes-dito 3.º mundo: Idi Amin, José Eduardo dos Santos e filhinha, para não ir mais longe .. quanto mais povo esfomeado, explorado, escravizado, iletrado, doente de sida e etc, mais ostentação de mansões de luxo, torneiras de ouro, aviões particulares, roupas só de marca, casas em triplo, iates e etc, etc, etc .. MUNDO CÃO! .. E é nestas alturas que gostava de acreditar na justiça de um qualquer deus, profeta; que desejaria um inferno onde eles fossem todos esturricando devagarinho e ad eternum, sofrendo horrores .. todos os que enriquecem à custa da miséria dos outros, sejam eles angolanos, moçambicanos, brasileiros, portugueses!
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«Viva a Violência

Eu vivo - e sofro na carne - a violência que produz seres humanos
famintos, e é produzida por violentos abastados.
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A violência dos que transformam o País em campeão das desigualdades.
A violência da lei contra os humildes, e sua submissão a beneficiários da impunidade.
A violência dos herdeiros (da mentira) contra os posseiros (da verdade).
A violência das balas perdidas pela incompetência das autoridades.
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Eu vivo - e sofro na carne - a violência que escreve a estatística dos excluídos - mortos - e a que celebra a supervida dos privilegiados.»

Jésus Rocha, maio de 2004  (daqui)
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01/11/11

tecnologia e o futuro

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O futuro na ponta dos dedos
VÍDEO: Microsoft imagina o mundo em 2019
29 de Out de 2011
Ler mais: http://aeiou.visao.pt/video-microsoft-imagina-o-mundo-em-2019=f630514#ixzz1cRz0J9x2

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4ever DeadCanDanse

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Toward the Within was recorded in one take in November 1993 in the Mayfair Theatre in Santa Monica, California and was released by 4AD as an album and a video a year later. It was the last major event to take place in the Mayfair Theatre before it was fatally weakened in the earthquake a short time later and had to be demolished. The video was filmed by Mark Magidson and contains interviews with Lisa Gerrard and Brendan Perry.

This is the opening part, including Rakim and two declarations from Gerrard and Perry.

de coelho a salazar

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e ainda ..

http://youtu.be/_Lii0lDGGbI

http://youtu.be/ZCiAACFWaI4