- as imagens das colunas laterais têm quase todas links ..
- nas páginas 'autónomas' (abaixo) vou recolhendo posts recuperados do 'vento 1', acrescentando algo novo ..

31/10/11

P-O-R-T-U-G-A-L

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País Onde Roubar, Tirar, Usurpar, Gamar e Aldrabar, é Legal!!!

enviado pela Teresa :)

one from the heart ..

.. gosto, gosto, gosto deste grupo!!!

Há quem os compare a The Smiths, Joy Division, Coldplay. Para mim têm um quê de Tom Waits, um quê de Radiohead, Dead Can Danse.. yo que sé ..
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The National is an indie rock band formed in Cincinnati, Ohio in 1999 and currently based in Brooklyn, New York. The band's lyrics are written and sung by Matt Berninger, a baritone. The rest of the band is composed of two pairs of brothers: Aaron and Bryce Dessner and Scott and Bryan Devendorf. Padma Newsome, from sister band Clogs, often contributes strings, keyboards, and other arrangements and instrumental flourishes. - fonte

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retirado daqui:
- Acho que nunca vamos deixar de ser uma banda de garagem. Nunca perdemos essa vibração, esse jeito low-fi, mesmo em "High violet" - garante Berninger (o vocalista), falando do disco, lançado originalmente em maio do ano passado e gravado no estúdio caseiro da banda, no Brooklyn, em Nova York.

O som agridoce do grupo - que tem seus discos lançados no exterior pela renomada gravadora independente 4AD - caiu também nas graças de Hollywood. Músicas do National já foram vistas em séries como "House", "Chuck" e "Brothers and sisters".
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CLOGS - "Last Song" (featuring Matt Berninger from The National)- lind-íssimo!
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do q se aprende no feisbuk

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da página do meu cyberfriend Dante :) , uma banda já extinta, mas q ainda assim .. SUMO

Sumo was a 1980s Argentine alternative rock band, merging post-punk with reggae and ska. Headed by Italian-born Luca Prodan, it remained underground for most of its short activity, but was extremely influential in shaping contemporary Argentine rock. Sumo introduced British post-punk to the Argentine scene, with almost the whole lyrics in English. And provided a visceral counterpoint to the progressive and nueva canción influences then dominant in Rock en Español. - fonte

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apontamento: os 7 pecados mortais

.. a propósito do post anterior ..
 e, bolas, a mentira não conta! a desonestidade também não .. ó sr. papa, ñ estará na altura de fazer uns acrescentos à lista? - incluir ainda, sff, corrupção e oportunismo.. e assassínio, roubo, pedofilia, bullying, puxa, que falta de visão, ó santa madre igreja!!


retirado daqui,
O papa Gregório Magno no século VI instituiu os sete pecados capitais, que são os princípios que ferem a Deus, a você e ao próximo.

Os sete pecados capitais (eu aprendi na catequese q eram 'mortais'!) são:

1) Gula: consiste em comer além do necessário e a toda hora;
2) Avareza: é a cobiça de bens materiais e dinheiro;
3) Inveja: desejar atributos, status, posse e habilidades de outra pessoa;
4) Ira: é a junção dos sentimentos de raiva, ódio, rancor que às vezes é incontrolável;
5) Soberba: é caracterizado pela falta de humildade de uma pessoa, alguém que se acha auto-suficiente;
6) Luxúria: apego aos prazeres carnais;
7) Preguiça: aversão a qualquer tipo de trabalho ou esforço físico.

Por Eliene Percília


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Bom, para q este ñ seja um post da treta, um condimento especial: o filme SEVEN, do realizador David Fincher, com Brad Pitt e Morgan Freeman em desempenhos magistrais.
Quanto ao filme, excelente, só para quem tenha muito estômago e não ande deprimido..

sinopse

crítica e outros cult movies, aqui
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NC: the show must go on!

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.. ou : as nucratinices de um contabilista armado em ministro - (e outras coisas lhe chamaria de bom grado - feias, muito feias) -

Contratações de docentes vão ser as "estritamente necessárias"
Por Clara Viana, João d"Espineye Miguel Gaspar

Nuno Crato diz que os cortes não são um sinal de "menosprezo pela educação" e que as reduções são, em grande parte, em pessoal [leia-se, professores!!!]

P: No próximo ano lectivo chega ao ensino secundário o primeiro grupo de alunos abrangido pela escolaridade obrigatória até aos 18 anos. Num contexto de contenção de custos vai ser possível cumprir este objectivo?

R: Está tudo em aberto. Estamos a estudar como será possível prolongar a escolaridade obrigatória com o que isso significa em número de turmas, de alunos, de professores. Não queremos que este prolongamento seja, pura e simplesmente, a continuação do ensino tal como existe hoje. Precisa de ser repensado em termos de oferta profissional. Estamos a ver quais são as possibilidades de diversificar a oferta também para que alguns alunos possam iniciar uma vida profissional ao mesmo tempo que continuam na escola. [tipo .. os já existentes, cheios de eficácia, "cursos profissionais"?!]

P: Os cortes propostos para a Educação são mais do que o triplo do previsto no acordo com a troika. Porque [não,  por   que .. ! = por  que  razão.. e estou farta de explicar isto, enfim..] é que foram mais longe?

pelo nojo, só mesmo o Bosch (1450-1516)
R: No memorando há um tecto que é estabelecido a partir da redução do défice e da dívida. Além deste tecto estão identificadas algumas áreas em que devem ser tomadas medidas de racionalização. Mas não está, de forma alguma, explícito ou implícito que, tomadas essas medidas, tudo está feito. Estas medidas são um subconjunto daquilo que é necessário fazer. São o que foi possível identificar na altura, pelo Governo, como sendo obrigatório fazer para atingir o objectivo geral. [pois. compreende-se. onde tirar para dar aos privados, às velhas e vetustas 'novas oportunidades' de, supongo, grossa negociata.. verdad, monsieur?]

P: A Educação não deveria ser considerada um sector estratégico e de alguma forma ser poupada a esse tipo de cortes?  [ah, tão querida .. santa ingenuidade, parceira! me 2, U know..? ]

R: Os sacrifícios têm de ser repartidos por todos. [não me diga!!?! ó nuno crato, essa foi demais! depois do que você e o seu patrão têm andado a fazer?! shame on you!!] É verdade que a educação é um sector estratégico, mas também a saúde ou a segurança pública. [ttttchchchchch!!! Que demagogia, menino!!! Se bem o entendo, o senhor está a querer introduzir na cabecinha dos portugueses a ideia de que "é preciso cortar na educação=dispensar professores - para que sobre dinheiro para a saúde, a segurança pública!!! Uauuuuu! Esta da segurança, então, é de mestre da pantominice!!!! 

E por  que será, I wonder, que os polícias parecem tão descontentes quanto os professores? E os médicos, então? E os enfermeiros?? A sangria desatada no SNS, as mi- + emi-grações que por aí vão, para os privados, as suíças e etc?  

Eu não queria chamar-lhe farsante, senhor ministro da educação, (por mim, veja se me entende!) mas sabe, para isso vou ter de parar de lhe ler as respostas. É que, além da alergia que me causa a sua lábia, já me estão a disparar as pulsações! E o senhor, definitivamente, NÃO MERECE que eu gaste consigo o meu latim. Muito menos que o seu (e é mau, muito mau!!) me ponha doente! 

A partir daqui, é convosco, leitores-se-tiverem-pachorra. Eu ponho as mãos no fogo - não vale a pena, só vão é conseguir que vos suba a tensão!] - FIM, pela parte que me toca! FIM e morra, PIM! 

 * 
a propósito, alguém sabe de cor os 7 pecados mortais? - vou pesquisar.. ah!!! e constou-me que o sr NC é opus dei ... será?!

*   *   *
continuação da "Farsa Diletante em 1.º acto"  (não recomendada, como atrás fiz saber!)
É óbvio que, quem quiser, a pode analisar por mim! - aproveitando a secção dos 'comentários', por exemplo..


Quase metade (46,7 por cento) do pessoal da administração central está no Ministério da Educação. É um valor extraordinário. Isso significa que as reduções têm de ser, em grande parte, em pessoal e que têm de se reflectir na educação. Não há nenhum menosprezo pela educação.

Qual é a ordem de grandeza da redução da dotação do ministério em 2012? É de 400, 600 ou mais de 800 milhões de euros?

Depende do quadro que se leia. Estamos a falar de 1500 milhões de euros. Temos três vectores. 644 milhões que derivam dos cortes dos subsídios de férias e de Natal. Depois temos 268 milhões que são aquilo que se pode chamar uma redução prudencial das receitas consignadas. Houve em 2011 uma sobrestimação da capacidade de obter fundos comunitários que nós agora não fazemos. E depois há 600 milhões de medidas de racionalização, das quais 150 milhões para o superior e 450 para o básico e secundário.

Uma das medidas previstas é a reorganização e racionalização dos currículos. Quais são os princípios que vão presidir a essa reorganização?

A lógica geral é independente desta lógica monetária. Defendo, independentemente de todos estes cortes, que é necessário reduzir o número de disciplinas no ensino básico, que é necessário concentrar nas disciplinas essenciais, que é necessário eliminar a dispersão na oferta curricular, que é necessário reforçar o Português e a Matemática, que é necessário dar mais atenção à História, à Geografia, às Ciências, ao Inglês. O princípio da reorganização é este: como é que vamos conseguir que os jovens saibam mais nestas questões centrais?

Mas esta reorganização também é apresentada como uma medida de poupança.

Também é uma medida de poupança. Por exemplo, a eliminação de Área de Projecto no 2.º e 3.º ciclo permite uma poupança de 50 milhões.

Em professores?

Em deslocamento de professores para outras áreas. São números brutais quando multiplicados por cinco mil escolas, 140 mil professores. É altura de se falar verdade e começar a ver que tudo isto tem um efeito brutal sobre o contribuinte. Num momento que estamos a tentar racionalizar tantas coisas, temos também de pensar no ensino o que é essencial. Mas claro que não estão em causa os lugares dos professores dos quadros. Não estamos a pôr nada disso em causa. Mas temos de tomar uma série de medidas para que apenas sejam contratados, para além dos professores dos quadros, aqueles que sejam estritamente necessários [serão cerca de 28 mil os professores que não estão nos quadros].

Está a dizer que temos professores a mais?

É preciso dizer isto com clareza: não estamos em época de contratar mais professores do que o estritamente necessário. Isto significa que vamos ter uma grande contenção na contratação de professores.

O número de disciplinas vai ser reduzido?

Existem duas medidas principais que estão em estudo neste momento. Uma diz respeito à disciplina de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) no 9.º ano de escolaridade. Nesta idade, a maioria dos jovens já domina os computadores perfeitamente e é questionável que seja necessário ter uma disciplina de TIC no 9.º ano.

A outra tem a ver com o chamado par pedagógico em Educação Visual e Tecnológica (EVT). Percebo que seja bom ter dois professores na sala de aula, mas não estamos em época de o fazer. Estamos em época de pensar se não se deverá separar curricularmente a Educação Visual e a Educação Tecnológica e os professores alternarem a docência.

O actual ministro Paulo Portas foi um dos que mais se insurgiram contra o fim do par pedagógico em EVT quando isso foi proposto pela sua antecessora.

Não me compete estar a defender ninguém, mas nós não estamos a pensar nos termos anteriores. Porque nos termos anteriores havia um currículo, um programa, que incluía o par pedagógico. E havendo um programa que o incluía, não fazia sentido acabar com ele. Estamos a pensar é numa reformulação curricular que permita ter as duas disciplinas em separado.
Hieronymus Bosch, final judgment 

Na sua opinião, qual é então o número de professores estritamente necessário?

É um bocado menos do que temos hoje. Não consigo quantificar. Apesar de todo o esforço que fizemos para racionalizar o recrutamento de professores, temos no sistema 1858 professores com horários zero. Era o número no final de Setembro. Isto é preocupante. Significa que há alguma insuficiência do sistema e não estamos em condições para poder ter estes 1858 professores sem horário.

Voltando ao corte dos 600 milhões de euros na despesa: falou de 50 milhões na Área de Projecto. Como é que chegamos aos 450 milhões no ensino básico e secundário?

Há uma série de medidas já identificadas de cerca de 100 milhões. Há uma série de medidas estudadas de outros 100 milhões. Há cerca de 150 milhões de fundos comunitários que estamos a tentar captar para o ensino profissional, fazendo a substituição de OE por estes fundos. E há 100 milhões de medidas que estamos a identificar.

Qual a poupança com a supressão de Estudo Acompanhado?

No 3.º ciclo é de cerca de 17 milhões. No 2.º ciclo, cerca de 15 milhões. Mas substituímos estas áreas [Área de Projecto e Estudo Acompanhado] pelo reforço de Português e Matemática, o que representa um acréscimo de despesa de 40 milhões. Foi obtida alguma poupança, mas sobretudo reforçaram-se as disciplinas fundamentais. O Estudo Acompanhado era dado por dois professores no 2. º ciclo. Uma turma de Matemática tem um professor. Uma hora de Estudo Acompanhado custava o dobro de uma hora de Matemática. Se utilizarmos de forma mais racional os professores do quadro, estamos a proteger o seu emprego e a evitar contratações suplementares.

Na proposta de OE defende-se a racionalização da rede escolar, aproveitando os recursos existentes. Isto significa que vão alargar os contratos de associação com escolas particulares?

Gostaríamos muito de ter um alargamento dos contratos de associação e de autonomia. Ao contrário de outras pessoas, não temos nada contra o ensino privado. Não vamos tentar suprir necessidades que já estão resolvidas, e bem, com o ensino privado. É uma função do Estado facultar o ensino a todos, mas isso também se pode fazer com os contratos de associação. Têm as mesmas obrigações das escolas públicas, acolher todos os alunos gratuitamente, e alguns têm resultados fantásticos.

Ao longo deste ano vamos avaliar os contratos de autonomia que foram feitos [com 22 escolas públicas] e estudar como esta pode ser prolongada e alargada. Um dos vectores fundamentais do programa do Governo, e daquilo que esta equipa quer fazer, é dar mais autonomia às escolas.

Outro factor fundamental é que os alunos saibam mais. Não é admissível um aluno chegar ao 9.º ano, ao fim da escolaridade obrigatória, e ter dificuldade em ler um jornal. Não podemos pactuar com esta situação.

No orçamento está inscrita uma poupança de 54 milhões com a rede escolar. Quantas escolas do 1.º ciclo vão ser encerradas?

Vamos tentar encerrar mais umas 300. Digo tentar, porque isto não se faz por decreto. É um processo em diálogo com as autarquias.

As autarquias também vão ser objecto de cortes. Algumas já alertaram que vão cortar, por exemplo, na área do transporte escolar. A oferta de serviços escolares não poderá ser afectada?

[suspiro com ar resignado] As autarquias estão com grandes dificuldades, sabemos disso. Herdámos uma dívida para as autarquias que estamos a tentar identificar e resolver. Vai ser um processo demorado. Nas actividades extracurriculares, que são da responsabilidade das autarquias, temos de ver também o que é essencial e o que é acessório. Se é só para manter as crianças nas escolas para ajudar os pais enquanto estão no trabalho, é uma coisa. Mas se é para lhes dar alguma componente educacional, então temos que pensar o que podemos fazer melhor.

E vai continuar o processo de fusão de agrupamentos?

O processo foi parado porque estava a ser conduzido de forma um pouco desconexa. É um processo que faz sentido quando permite uma melhor coordenação entre escolas. Vai continuar, mas com calma.

"Há de facto um choque com a realidade"
Nuno Crato diz que a sua acção é coerente com o que sempre defendeu
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A suspensão dos prémios de mérito dos alunos do secundário não está em contradição com o que sempre defendeu?

Não. Isso foi muito empolado e houve uma grande falha de comunicação. Nós não suspendemos os prémios de mérito. Queremos mesmo generalizá-los. O que achámos é que não fazia sentido retribuir o mérito com dinheiro. Não é a mensagem certa. As mensagens certas são duas. Primeira: és um bom aluno, mereces ser reconhecido como tal com um diploma. É o símbolo do orgulho que a sociedade tem em ti. Segunda: quem recebe o dinheiro deve ser apoiado mas face a programas específicos. Queremos apoiar quem precisa de dinheiro para prosseguir os seus estudos. As bolsas de acção social do ensino superior são a expressão disso.

Como viu a sociedade civil a mobilizar-se para pagar esses prémios?

Bem.

Mas era uma contestação à posição do ministério.

Houve casos em que isso aconteceu, mas a contestação em democracia é normal. No entanto, houve quem entregasse os prémios e dissesse que não era uma contestação ao ministério, como a Ordem dos Engenheiros.

Essa falha de comunicação que mencionou tem a ver com a máquina do ministério?

É uma máquina tão grande...

O que vai acontecer ao programa Novas Oportunidades?

A Agência Nacional de Qualificação, que agora vai mudar de nome e ser reorientada para a formação profissional de jovens, teve coisas positivas e negativas. É negativo estar a distribuir diplomas como que a vulgarizar algo que deve estar associado claramente à competência. Claro que é importante reconhecer as capacidades dos adultos.

Como é que o ministro Nuno Crato convive com o crítico da Educação com o mesmo nome?

Convivo bem [risos]. Eu acho que há uma coerência. O que há de novo em mim é uma consciência das dificuldades do país que eu não tinha, e que o país não tinha, há um ano. A preocupação com a qualidade do ensino, com o conhecimento, com o mérito, com a avaliação, mais exames e mais rigorosos, tudo isso é exactamente a mesma coisa.

Não teve um choque com a realidade que tenha mudado a sua perspectiva ao perceber que nem sempre se consegue fazer tudo aquilo que queremos...

Isso de certeza. Nem sempre conseguimos.

Não se vê como um mero executante dos cortes, como já se diz em alguns blogues de docentes?

Eu tenho que fazer as duas coisas. Tenho procurado fazer melhor com menos. É difícil mas vamos conseguir.

Está arrependido de ter aceite o desafio?

[risos] Não, não estou. Mas há de facto um choque com a realidade e com a tarefa imensa que tenho pela frente e que, como dizem os americanos, eu recebo com humildade.

Quer ficar até ao fim da legislatura?

Claro. Quando assumimos um compromisso destes é para toda a legislatura. Não fazia sentido assumi-lo de outra maneira.

Obras da Parque Escolar vão ser reavaliadas
Ministro garante que a dotação do Orçamento do Estado para a empresa é zero
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Já sabe o que vai fazer à Parque Escolar?

A Parque Escolar está a ser auditada pelo Tribunal de Contas e pela Inspecção-Geral de Finanças. O problema é o seguinte: deixada em roda livre, iria conduzir a um endividamento de 2500 a 3000 milhões de euros, que é uma coisa brutal. O que fizemos? Dissemos à Parque Escolar para suspender todos os concursos e para reavaliar os custos nas obras que estão em curso em 72 escolas. Seria completamente disparatado pará-las, mas é preciso procurar soluções mais económicas e eliminar partes não-essenciais da construção. Por exemplo, se estavam previstos dois auditórios, ver se é possível construir só um.

E prolongar as obras mais tempo, de forma a não concentrar todos os custos neste ano.

Faz ou não sentido haver uma empresa como a Parque Escolar?

Bosch, a nave dos loucos
Não vejo mal nenhum no modelo da empresa. O que vejo mal é partir-se do princípio de que o dinheiro é infinito e que se fazem obras luxuosas sem atender às limitações financeiras do país. Mas, neste momento, não há nenhuma verba para a Parque Escolar no orçamento de 2012. Existem receitas próprias de cerca de 95 milhões de euros: de rendas, que são um pagamento que se tem de fazer, e de outras receitas da empresa, O investimento do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional é de 333 milhões e 80 milhões de endividamento ao Banco Europeu de Investimento. Tudo isto faz 508 milhões. Mas a dotação do Orçamento do Estado é zero.

Modelo de financiamento para o ensino superior vai ser repensado no próximo ano
Por Clara Viana, João d"Espineye Miguel Gaspar
Ministro diz que há universidades a mais e que as fusões são um caminho para conseguirem ser competitivas a nível internacional
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Qual é o valor da redução das transferências do Orçamento do Estado para as universidades e politécnicos?

A redução anda à volta de 100 milhões (8,5%). O montante das transferências será de cerca de 861 milhões. Para as universidades, incluindo as três que são fundações, 596,1 milhões; politécnicos 240,1 milhões e para as escolas superiores não-integradas 24,3.

Os reitores e presidentes dos politécnicos estão muito preocupados com a dimensão dos cortes. O presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, António Rendas, afirma que Portugal vai perder competitividade com o resto da Europa. O reitor da Universidade de Lisboa, Sampaio da Nóvoa, diz que o "corte brutal" vai pôr em causa o funcionamento e a autonomia das universidades. No politécnico, há escolas que já fecharam e outras estão a caminho...

Compreendo que os reitores defendam as suas universidades. É perfeitamente legítimo e normal. Mas o que estamos a pedir a todos é que participem neste esforço conjunto. E julgo que as universidades têm demonstrado grande capacidade de inovação, de resistência, de funcionar mais com menos recursos e de obter mais receitas próprias. É preciso alguma racionalização de recursos, a par do encerramento de algumas ofertas e de pólos, que possam revelar-se menos necessários.

Há universidade e politécnicos que têm ofertas que não são necessárias?

Há algumas ofertas e alguns pólos que podem ser racionalizados.

Vai tomar a iniciativa de promover essa racionalização?

Já falámos várias vezes com os reitores e continuaremos a fazê-lo e a acompanhar os seus esforços. Há a autonomia universitária mas queremos dialogar com os reitores para identificar esses casos e tentar ver como podemos ter uma política de afectação de recursos que melhore o essencial da oferta, mesmo que algumas coisas tenham de ser sacrificadas.

Defende a fusão de universidades?

É um processo interessante. Em Lisboa está a decorrer uma tentativa interessante [Universidade Técnica e Universidade Clássica] que é o um protótipo. Temos duas universidades que muito facilmente se fundem, porque têm ofertas diferentes. O que se está a passar em Lisboa insere-se num movimento geral de reforço da massa crítica nas universidades. Estamos a viver um processo de competição a nível mundial porque a oferta de ensino é vista também como capacidade de exportação. O ensino é um bem transaccionável.

Por isso é que o presidente do CRUP diz que Portugal pode perder competitividade a nível europeu...

Estou a falar da fusão de universidades. O movimento de agrupamento das universidades não permite situá-las melhor nesta concorrência internacional e na procura dos grandes projectos internacionais. Para concorrer é necessário uma massa crítica que dê confiança e garantias aos parceiros internacionais e contratantes de que a universidade vai conseguir cumprir esse contrato. Mas ninguém defende cortes. Este é o orçamento possível e acarreta sacrifícios que tentamos minorar e repartir da melhor maneira possível.

O reitor de Lisboa diz que os cortes são de 25 por cento.

O corte líquido das transferências é de 8,5%. A esse corte podem-se somar outras parcelas. Mas há uma coisa importante que conseguimos e que corresponde às aspirações das universidades: na proposta de Orçamento do Estado conseguimos inserir a isenção das cativações sobre as receitas próprias. Isto é muito importante, porque existindo cativações nas receitas próprias há um menor incentivo à sua captação através de contratos de investigação, de projectos internacionais ou de consultoria. Há outro aspecto, quase semiótico, mas que é importante: quando a universidade tem uma certa dimensão, aparece mais bem situada nos rankings. O facto de termos poucas universidades de grande dimensão pode ser ultrapassado com estes movimentos.

Temos 15 universidades. Qual acha que deveria ser o número para um país como Portugal?

Quinze parece-me de mais. Mas não quero avançar um número.

O modelo de financiamento do ensino superior vai ser alterado?

Este ano fizemos o que era possível com o tempo que tínhamos. Foi olhar para a execução orçamental do ensino superior e distribuir o dinheiro pelas universidades de acordo com a mesma fórmula do ano passado. Seria completamente disparatado em um mês ou dois tentar repensar a fórmula de distribuição de dinheiro pelas universidades. Mas vamos ter de repensar isso tudo para o ano.

Com que objectivo?

Está tudo em aberto.

Que critérios é que poderão entrar?

Vamos pensar nisso.

Já começaram a pagar as bolsas de estudo?

Ainda não.

Tem ideia de quantos alunos perdem direito à bolsa com o novo regulamento?

Ainda não. O novo regulamento foi feito de forma a acomodar aproximadamente o mesmo número de alunos. E a acomodar as mesmas necessidades de uma forma mais justa. Não é um regulamento perfeito. Mas corrigimos algumas imperfeições.

Chegou a dizer que o valor da bolsa máxima se mantinha. Há quem diga que muitos alunos vão passar a receber 11 indexantes dos Apoios Sociais e não 12 como no anterior regulamento.

É natural que haja estudantes que passem a receber menos e outros que passem a receber mais. Não há um modelo perfeito. O valor mais alto de bolsa paga mantém-se o mesmo.

Já está concluída a investigação da Inspecção-Geral da Educação ao caso dos alunos de Medicina que entraram no ensino superior pela via do ensino recorrente?

A inspecção está a ser finalizada e os resultados serão conhecidos em breve, mas ficou claro que é preciso alterar as regras de acesso ao ensino superior. Estão a ser estudadas algumas mudanças, que entrarão em vigor progressivamente nos próximos anos.


Ministério quer manter compromissos quanto às bolsas na Ciência
Governo tenciona canalizar fundos comunitários para o sector
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Há bolseiros da Fundação para a Ciência e Tecnologia que se queixam de atrasos no pagamento das bolsas de investigação. O número de bolsas vai diminuir, tendo em conta que o orçamento da FCT caiu para os níveis de 2006?

Não quero adiantar coisas concretas sobre isso antes do Orçamento do Estado ser aprovado. O que posso dizer é que vamos procurar sobretudo duas coisas: manter os compromissos que temos tanto em bolsas como em contratos, parcerias, racionalizando e renegociando alguns; e vamos procurar continuar a apoiar e reforçar o apoio à excelência. Estamos a privilegiar o apoio aos cientistas, aos centros com classificação internacional de excelência. São essas áreas que no fundo puxam pelas outras e que nos permitem competir internacionalmente. Estamos a procurar que a Ciência seja particularmente protegida e que o investimento na melhor ciência não seja prejudicado.

Os cortes não põem em causa esse objectivo?

Com menos recursos podemos proteger as coisas essenciais na Ciência. Estamos a fazer um grande esforço para a substituição de fundos nacionais por comunitários. Julgo que vamos ultrapassar este momento difícil e manter o nível de apoio à Ciência. É uma área que foi muito protegida nos últimos 20 anos e que teve um carinho especial de sucessivos Governos. É uma área em que se fizeram grandes progressos e progressos sustentados. Há outras áreas em que se fizeram progressos, mas não foram sustentados.
Público de 31.10.11

was ist eigentlich 'Demokratie'?

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A nova ordem chegou em força à Europa
Por António Ribeiro Ferreira, publicado em 28 Out 2011

Grécia vai ser governada pelo directório alemão. Os outros países vão já a seguir

-- o artigo está aqui ; transcrevo parte do último parágrafo:
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« ...  Pobres almas sonhadoras. A bem ou mal, neste caso será a mal, vão finalmente perceber que o que tem de ser tem muita força e essas histórias de soberanias e democracias já conheceram melhores dias. Agora o que vale é a nova ordem imposta por Berlim. E a alternativa para quem não cumprir as ordens é a nomeação de uma comissão permanente que virá rapidamente e em força pôr na ordem quem não tem dinheiro para vícios democráticos.»
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"Vícios democráticos"  - ora aqui está o que se me afigura imensamente contestável, para além de uma contradição!

presupostos (meus, claro..) :
é o q temos, e NÃO É democracia!
1. O nosso sistema político é uma "democracia amputada" (JS), uma "falsa democracia" (SC), uma "tirania da maioria" .
2. O sistema político português tem vícios, sim, e muitos, mas não são democráticos! Antes produtos de ganância, corrupção, compadrios, desonestidade. Um vício é, por definição, uma coisa negativa; não pode / não deve aplicar-se a campos consignados na Declaração Universal dos Direitos do Homem, como os que parece sugerir o autor do artigo!
E é precisamente essa a confusão instalada: é que não são os gregos, não são os portugueses comuns - que têm os ditos 'vícios'
Não foi o povo grego, como não foi o povo português, que contraiu as dívidas que (n)os levaram à banca rota, que tomou medidas de protecção do capital ou de enriquecimento das elites políticas e financeiras à custa do erário público e além!
Não são os gregos, os portugueses 'em si', que continuam a esbanjar, a manter programas e apoios e cargos e empresas de seriedade/necessidade mais-que-duvidosa!
  • O despesismo, a falácia, a trafulhice das 'Novas Oportunidades', foi objecto de investigação, de ruptura? Não foi.
  • Os milhares de carros para serviço de políticos foram vendidos, os 'n' consultores de imagem e demais assessores dispensados? Não foram, nem uns, nem outros. 
  • Extintos os 'jobs for the boys'? Qual quê! 
  • Ajustadas contas aos magalhães, à Parque Escolar? Oh, por quem sois!!
  • Presos os reconhecidos responsáveis pelo descalabro do BPN, mais os gestores de más políticas, confiscados os seus bens? Nunca, jamais, em tempo algum!
  • Julgados e condenados os maus ministros, os 1ºs. e os outros? - alô MLR! - Todos mas é muiiito bem instalados na vida, promovidos por incompetência e péssimos serviços à nação!

Ora então ... ? Democracia, isto? Soberania destas para quê, para quem?

Fossem a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu mais o FMI, fosse a Angela Merkl, 'pessoa de bem' (hélas, não me parece que o sejam, nenhum deles!).. Viessem eles puxar as orelhas a este governo .. Impusessem eles moralidade ou, pelo menos, a equidade nos cortes, nas medidas de austeridade .. Derretessem eles, definitivamente, a gordura-verdadeiramente-gorda do estado, aquela que a gula e o apetite insaciável dos zzznossosarghhh governantes e públicos gestores indevidamente acumula(ra)m ..
    ..  e eu acolhia de braços abertos quantas comissões viessem! 

    • É que eu não sou da mesma laia dos senhores Passos Coelho, José Sócrates, Cavaco Silva, Durão Barroso! 
    • Eu não quero ser confundida com eles!!
      boneco do Kaos
    • Eu sou portuguesa. Eles bem podem ser apátridas nos seus globais desígnios, no seu interesse-sem-fronteiras. 
    • Eles não são democratas! 
    • Eles pedem-me sacrifícios, mas não os fazem! 
    • Eles enriqueceram e enriquecem, eu empobreço de ano para ano!
    • Eles vivem em Paris à custa do dinheiro que me roubaram, da minha carreira congelada!
    • Eles entretêm-se em visitas ao ami Sarkozy, à Freundin Merkl, ao mano Durão! 
    • Eles levam séquitos desmesurados e congratulam-se com a felicidade das vacas! 
    • Eles protegem-se entre si, Opus Deis e Maçonarias e Bilderbergers e con-partidários e etc
    • Eles estão-se borrifando para o povo
    • Eles triplicam os cortes na educação impostos pela troika!
    • Eles são o Robin Hood ao contrário!  
    • Eles não querem o meu bem, querem o meu sangue!

    *

    retirado daqui : da democracia que temos e da que era suposto termos!
    ´Unfortunately, a vast majority of countries that call themselves Representative Democracies are not true democracies according to the above definition. Most of them are actually just Elected Dictatorships. People can vote usually only once every four or five years. They do not vote on any issues. They just elect their so called representatives who then until the next elections have no obligations by law and little incentives to base their decisions on individual issues on the wishes on their electorate. They hardly ever bother to consult them on their stands on various issues. Therefore, legislative bodies composed of such "representatives" act in a very dictatorial manner between the elections. The only country that is quite close to the definition of Democracy is Switzerland (more or less since 1291). 
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    nota final:

    Sei alguma coisa da Alemanha, do seu sistema político, social. Já lá estive, conheço portugueses que já lá viveram, que lá vivem agora. Tenho amigos alemães. De tudo o que sei, vi e vejo, ouvi e oiço, a Alemanha parece-me ser um estado muito mais 'protector' do que o nosso, no que respeita, por exemplo, à saúde e à educação. Uma colega de faculdade que por lá tinha um namorado alemão arranjou emprego .. e os dentes! - de graça!!, num tempo em que nós ainda não fazíamos parte da União Europeia! Sei de quem lá esteja desempregado - emigrante português recebendo subsídio de desemprego e apoio para desintoxicação. E ainda agora passaram aqui duas semanas de férias (férias-férias!) dois amigos alemães, casal de professores.

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    A sra. Merkl que me dê semelhante protecção, e ficarei satisfeita, certamente muitíssimo - mas infinitamente mais - do que estou agora! 

    Não sou nacionalista, e quanto a soberanias, prefiro as consignadas pela revolução francesa: liberté, égalité, fraternité!
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    joguinhos e contradições

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    ..... ou .. um PS que não aprende
    ..... ou .. por que é que ainda te surpreendes?

    Partido Socialista vive dias de confronto interno
    José Sócrates pede ao PS que vote contra o Orçamento (entretanto parece que desmentido, o que, para o caso, tanto dá ...)
    30.10.2011 
    por São José Almeida - artigo completo aqui


    «Das informações recolhidas pelo PÚBLICO parece clara a tendência a que o PS acabe por não votar contra. Muito provavelmente, abstendo-se.» [claro, como Pilatos! .. nem sim, nem sopas!]
    (...)
    «Isto porque, consideram, não rejeitar o OE será uma forma de o PS aceitar tacitamente a tese do Governo de que houve um “desvio colossal” de mais de três mil milhões de euros. O que seria o enterrar pelos socialistas da herança do último governo e o reconhecimento de que, afinal, os PEC de Sócrates, em particular o PEC IV, não eram solução para a situação económica do país.» [um PS que o fosse, cujos deputados e influentes militantes tivessem um pingo de vergonha na cara, teria mais é que enterrar essa herança, e com inequívoco des-elogio fúnebre!...]

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    São José Almeida diz mais, muito mais sobre estas 'trocas e baldrocas', e o artigo vale bem uma leitura por inteiro.

    Para mim, o aqui transcrito é mais do que suficiente para confirmar a tese pessoal de que os políticos - muito particularmente os que se vêm alternando no poder - pertencem mesmo a uma 'má raça'. Uma espécie a quem apenas move o interesse, seja ele de hegemonia, poder e poleiro, tramóias e lucro.

    quadro de Renoir
    José António Seguro e os seus com-partidários empenharam-se em limpar a imagem do querido ex-líder, numa vergonhosa operação de branqueamento/endeusamento que em nada abona da génese do que vem sendo/é hoje o PS: um partido ziguezagueante e de indefinido posicionamento (esquerda-direita-centro), incapaz de uma auto-análise e ainda menos de auto-crítica, sem humildade, sem coragem, sem ideias e sem ideais.

    Perante erros cometidos - ainda por cima óbvios! - há que, acho eu, reconhecê-los, primeiro, e tentar, depois, remediá-los. O princípio aplica-se a todos, sejamos nós próprios ou os nossos pares. Isto, se pretendermos alguma credibilidade; se quisermos manter uma réstia de dignidade, honradez - cidadãos anónimos ou/e sobretudo, figuras públicas. 

    É o terem perdido de vista estes valores - para mim básicos, irrefutáveis - que 'irmana' os políticos deste país, os torna inapelavelmente inconfiáveis. Mudam os líderes dos partidos, mantém-se o lodaçal em que se espojam, a manjedoura que todos assaltam, esfaimados - PSs, PSDs, CDSs. 

    O PS virá eventualmente a ganhar as legislativas, quando o bem-burro povo português estiver enterrado até ao pescoço, farto até à ponta dos cabelos das cretinices de Passos Coelho. Virá a ganhá-las, não por mérito próprio, mas para inviabilizar as hipóteses do 'outro'. O 'outro' que entretanto se demitirá; cujo partido elegerá um novo 'salvador'. E o esforçado líder do partido 'ditosocialista' ocupará o lugar de primeiro ministro. E tudo, tudo, continuará exactamente igual ao que estava antes. Ou haverá uns ligeiríssimos ajustes fingindo-se mudança. O 'mal menor', hão-de alegar os eleitores 'ganhadores' - como o fizeram há + ou - quatro meses, para livrar-se do engenheiro. Só que NÃO HÁ 'mal menor'. Mal é mal, ponto. Nem tingimento que o atenue, nem razões para esperar que desta vez, quem sabe, pode ser que ..  Esperança, ilusões, só para os tontos, os ainda e apesar de tudo crentes na humanidade dos outros. Tonta que fui, 'n' vezes, que espero des-ser....
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    a depressiva hora de inverno

    Decisão do Presidente Medvedev
    Rússia vai manter hora de Verão o ano todo

    29.10.2011 -  Por PÚBLICO, aqui


    imagem retirada daqui
    (...)
    A Rússia não vai atrasar em uma hora os seus relógios este domingo. A partir deste ano, por decisão do Presidente Dimitri Medvedev, os russos vão passar a ter a mesma hora ao longo de todo o ano, pondo fim ao tradicional horário de Inverno em vigor nas últimas três décadas.
    Medvedev justificou a medida com base num relatório, publicado pela Academia Russa de Estudos Médicos, que revelou dados preocupantes: quando a hora muda no Inverno, o número de ataques cardíacos aumenta 1,5 vezes, a taxa de suicídios cresce 66 por cento.
    (...)
    Uma sólida maioria de russos apoia a supressão do horário de Inverno. Mas algumas empresas temem prejuízos por aumentar a diferença horária com os seus parceiros comerciais na Europa, onde os relógios vão recuar uma hora.
    Actualmente, 110 dos 192 países do mundo mudam a hora duas vezes por ano. A Islândia é o único país da Europa que não mexe nos seus relógios.

    29/10/11

    a felicidade

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    O Envelhecimento Saudável - JN

    O Envelhecimento Saudável - JN

    o link está aqui, 100% 'legal'; ainda assim, transcrevo o artigo de ANA SOUSA DIAS, a melhor entrevistadora portuguesa que conheço ( e que saudades do programa da 2,"Por Outro Lado"!)  e que agora integra a direcção do Jornal de Notícias ..


    Opinião

    O Envelhecimento Saudável
    2011-10-09

    Gosto do nome da instituição onde trabalha o cientista português Filipe Gomes Cabreiro, em Londres: Instituto do Envelhecimento Saudável. Num mundo onde milhões de pessoas sobrevivem sem as condições mínimas de saúde e, nas mesmas ou noutras latitudes e longitudes, se usa toda a espécie de intervenções para fingir que o tempo não deixa marcas, gosto de saber que há quem não fuja às palavras certas: envelhecimento saudável, aí está uma bela expressão.

    Cabreiro faz parte de uma equipa de investigação que concluiu que o gene do envelhecimento não existe, e que um elemento dado como "milagroso" afinal não tem o efeito que alguma indústria cosmética tem propagandeado. Eram, aliás, questões que estavam ainda em aberto, e cujo aparecimento tinha sido muito discutido.

    A equipa do português nascido em França e que estudou em Portugal - na Póvoa de Varzim e na Universidade do Porto - acaba de publicar na revista "Nature" um artigo com essas conclusões, suscitando de novo grande polémica na comunidade científica.

    Não é fácil ver publicado um artigo nesta como noutras revistas de topo da Ciência. Se for aceite para análise, será entregue a cientistas da mesma área que vão examiná-lo à lupa para avaliar a sua credibilidade. Uma teoria ali publicada recebe, digamos assim, uma garantia. Não será uma garantia absoluta e definitiva, porque a Ciência não funciona assim. O século XX provou que muito do que antes era dado como adquirido e provado foi ultrapassado por novas verdades que são sempre passíveis de nova avaliação. Acabo de ler "O Grande Inquisidor", uma obra do físico português João Magueijo, e senti de novo o deslumbramento pela permanente curiosidade que mudou a vida da humanidade.

    Regresso à ideia defendida pela equipa de Filipe Cabreiro e ao nome do instituto onde trabalha.

    Uma dermatologista que consultei explicou-me que os produtos cosméticos, na esmagadora maioria, têm um efeito praticamente nulo. O princípio activo que é anunciado na publicidade está ali numa percentagem tão baixa que não é possível ser eficaz.

    Este é um tema eterno - o elixir da vida, o combate ao envelhecimento. Hoje vive-se muito mais anos, há vacinas, medicamentos, tratamentos, é possível espreitar para dentro do nosso corpo e encontrar a origem de problemas que antes se sabia que existiam.

    A ciência trouxe-nos aqui. Sem ignorar as diferenças que os espelhos mostram, a ideia do envelhecimento saudável parece-me muito mais humana do que qualquer máscara, porque centra a preocupação no que é verdadeiramente importante. 
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    OS JARDINS DOS CAMINHOS QUE SE DIVIDEM




    - O PODER DO CENTRO

    exposição de

    TERESA DIAS COELHO

    em Almada (margem sul)
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    inauguração:  5 de Novembro, no Teatro Municipal

    twisted values

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    a foto estava no FB e é de Kevin Paterson:

    education otherwise

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    do Daily Mail de 2/9/11, as fotos das notícias, inequívocas:
    (clicar p/ ampliar)

    a 1ª, onde se fala de medidas para acabar com "o caos instalado na sala de aula" e com a "obsessão pelos direitos dos alunos". O que diz o título: «FINALMENTE! O PROFESSOR VOLTA A MANDAR.» (na sala de aula, entenda-se)

    Durante décadas andámos nós a importar-lhes (a eles, aos USA..) métodos, pedagogias que por lá se vinham de há muito revelando ineficazes, catastróficas. Medidas que desautorizavam os professores, legislação desinvestindo na educação, na escola pública (does it all 'ring a bell'?).. Tão insustentável se tornou por lá a profissão, que me lembro de há uns 3, 4 anos, ter lido anúncios em jornais portugueses pedindo professores para o Reino Unido .. As coisas por aqui repercutem-se uns dez anos depois, lá chegaremos ..
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    da 2ª foto, a tradução da frase em destaque, proferida por Michael Gove, secretário de estado para a educação: «o direito de cada criança a ser ensinada devidamente está a ser minado por uma minoria que precisa de aprender uma lição sobre quem é que manda»
    Entretanto aconteceram os terríveis distúrbios deste verão, os actos tresloucados de grupos de jovens que, pesem embora as razões na génese da sua delinquência - e são muitas e variadas,  extravasaram para as ruas de Londres, de outras cidades de Inglaterra, a violência gratuita, a fúria destrutiva, incendiária, assassina. Foi preciso acontecer o inferno para que os políticos, a sociedade, acordassem: é mais que tempo de acabar com a instalada cultura de desresponsabilização - em casa, na escola, na vida.

    Lamentável é que tenha de chegar-se a um extremo tão incontornável, que só outro extremo lhe sirva como resposta .. e, repito, lá chegaremos também nós, inevitavelmente..
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    a 3.ª, onde se refere uma medida extrema: escolas inteiramente regidas por antigos militares. Trata-se de uma "free school" (escola privada, com currículo diferenciado, subsidiada pelo estado) - ver artigo relacionado aqui

    27/10/11

    "the democratic system is not functioning"

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    foto retirada da pg facebook "artigo 21" - aqui


    a irrazoabilidade do impensável

    nota: «Menos de 24 horas depois (da situação abaixo descrita) , Paulo Pedro, professor na Escola Secundária Braancamp Freire, na Pontinha, Odivelas, era agredido a murro e pontapé por um aluno que havia expulsado da sala de aula»- notícia aqui

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    Pais agridem professora dentro de sala de aulas em Sesimbra

    antes da notícia (bastante mal escrita, diga-se de passagem), começo por transcrever um comentário que se lhe seguia:
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    Anónimo , Algures na Beira. 26.10.2011
     .
    É de esperar!
    Ainda há dias, um qualquer órgão de comunicação social referia que nas Astúrias um encarregado de educação tinha sido condenado a três anos de prisão por agredir um professor. Na mesma altura fazia a comparação com Portugal e referia a " bandalheira" que é a nossa justiça. Enquanto continuarmos assim, o que esperam? Pela minha parte, que sou um "serrano" professor há trinta e cinco anos, só espero que nunca me aconteça algo parecido, (...)

    *
    a notícia:
    26.10.2011 - 15:32 Por Lusa - aqui

    Situação arrasta-se há dois anos

    Uma professora da Escola Básica n.º 3 da Quinta do Conde, em Sesimbra, foi agredida dentro da sala de aula pelos pais de dois alunos, confirmou hoje à agência Lusa fonte da GNR. “Foi apresentada queixa à Guarda e a situação está a seguir os trâmites”, disse a mesma fonte.

    quadro de Malevitch
    Em declarações à Lusa, o director do agrupamento escolar da Quinta do Conde, Eduardo Cruz, explicou que “os pais de dois alunos [um rapaz e uma rapariga] dirigiram-se ontem [terça-feira] à sala e agrediram fisicamente a professora com estalos na cara em frente a toda a turma”.

    Segundo o responsável, esta é uma situação que se arrasta há dois anos e que já tem motivado reuniões com os pais em causa, com a Escola Segura (da PSP), com o coordenador da área educativa e com o gabinete de segurança do Ministério da Educação.
    Contudo, esta é a primeira vez que estes pais agridem fisicamente um funcionário da escola.
    “Qualquer brincadeira que envolva algum contacto físico com o filho motivava a ida do casal à escola para tirar dividendos da situação, mas das outras vezes insultavam as pessoas”, explicou Eduardo Cruz.
    Hoje de manhã, o director do agrupamento escolar esteve reunido com pais que “bloquearam o acesso à escola”, pelo que não houve aulas, mas à tarde a situação já está normalizada. O responsável adiantou à Lusa que alguns pais exigem a expulsão dos irmãos, mas assegurou que esse é um cenário “impensável”.
    “A escola é um direito que assiste às crianças e não é por aí que vamos”, afirmou.
    Para já, Eduardo Cruz accionou os “meios disponíveis para garantir a segurança na escola”, através da Escola Segura e do gabinete de segurança do Ministério da Educação, e apresentou queixa junto do Tribunal de Sesimbra.

    A GNR esteve hoje de manhã na escola para evitar desacatos, mas a situação esteve “pacífica e ordeira”.

    *
    Ora eu tenho algumas perguntas:
    1. Como foi possível aqueles pais chegarem à sala de aula? Que raio de segurança existe naquela escola? (pergunto, ainda que saiba a resposta; ainda que o mesmo já tenha acontecido na escola onde trabalho eu..)
    2. O que aconteceu à professora, depois desta sevícia de que foi vítima? Vai continuar a dar aulas a esta turma? Enfrentar as duas queridas-crianças-a-quem-tanto-direito-assiste? Aturar o rapazinho que, a "qualquer contacto físico" chama os papás (aparentemente muito desocupados..) para que vão à escola "tirar dividendos", "insultar pessoas"?
    3. Que atitude tomaram os outros professores? Que solidariedade 'efectiva' houve por parte dos colegas da mesma escola, das outras pertencentes ao agrupamento?
    4. Quem "serve" o senhor director com a sua postura de avestruz, os seus 'pachinhos quentes', a sua balofa protecçaozinha dos direitos todos/deveres nenhuns? «A escola é um direito que assiste às crianças»? E que direito assiste aos seus 'funcionários'?
    5. Que fez/fará a Associação de Pais (que este agrupamento de escolas certamente terá), para garantir que a situação não se repete, proteger os seus professores, o resto dos alunos? Que medidas irá tomar o órgão máximo-Conselho Geral para moralizar e dignificar a escola, limpar esta inaceitável mancha?
    .....

    Pois é, senhor director: se expulsar os dois alunos é um cenário “impensável”; se, depois desta gravíssima ocorrência, o senhor não tem uma ideia que seja para resolver o problema; se a única medida que lhe ocorre é accionar os mesmíssimos meios a que há dois anos vem recorrendo e cuja eficácia ficou agora amplamente demonstrada .. não acha que está na altura de se demitir?
    .
    Quanto aos restantes professores, espero que, em solidariedade para com a colega agredida, se tenham, pelo menos, recusado a dar aulas enquanto o assunto não seja seriamente, definitivamente resolvido. Os pais dos outros alunos "bloquearam o acesso à escola". Os professores desse agrupamento têm obrigação de fazer outro tanto e mais, muito mais. Se assim não for, se se tiverem encolhido todos como carneiros a caminho do matadouro, então espero sinceramente que vos venha a "acontecer algo parecido" com o que a vossa colega sofreu. É que vocês merecem!
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    26/10/11

    impeachment, já!

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    - E deveria - oh sim!!! - ser este o caminho, fôssemos nós uma espécie vertebrada! Melhor dito, devia era tê-lo sido há muito, logo depois dos primeiros sinais. Santana Castilho deixa-o mais uma vez claríssimo, num artigo demolidor, brilhante como de resto todos os que vem publicando no jornal Público. E não há que enganar, os números estão lá - foolproof (= qq um, por mais tonto, consegue vê-lo) - inequívocos, gritantes, incendiários-oxalá! Tivesse o outro -esse pinóquio2 guindado a n.º 1, actorzeco de uma ópera-mais-que-bufa -, um pingo de vergonha na cara (que, obviamente, não têm! ..) - e já teria desaparecido para parte incerta , lá onde ninguém tivesse de aturar-lhe as falinhas mansas ou, sequer, olhar-lhe para a odiosa cara, os agora oculinhos estratégicos como a pretender-se sério! Não o é. Duvido muito que o tenha sido, alguma vez.
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    A sua falsidade, para mim claríssima desde o dia em que, desdizendo-se, anunciou não suspender o tal do "processo monstruoso e kafkiano" -  em galopante exposição e de novo sobejamente comprovada pelo vídeo (**) com as suas declarações (antes e depois) e os factos que Santana Castilho tão cirurgicamente aqui expõe - a sua falsidade, dizia, vem exalando um fedor nauseabundo, como só o da podridão mais podre, vampiro pingando sangue velho de quatro meses, abutre pairando sobre milhões de vidas-por-um-fio, a mal disfarçada concupiscência de quem espera vir a empanturrar-se da nossa carne enfim putrefacta!

    impeachment = condenação de importante figura pública por crime grave* (com subsequente imediata destituição do cargo ocupado) 
    * no caso, crime de lesa-concidadãos, 'publicidade' enganosa, quebra de promessas, etc, etc ..
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    Quando a mentira oprime a nação
    Santana Castilho *
     
    Ricardo Santos Pinto, do blogue “Aventar”, prestou-nos um serviço cívico: recolheu em vídeo(**) afirmações e promessas de Pedro Passos Coelho, enquanto candidato a primeiro-ministro. O cotejo desse impressivo documento com as medidas tomadas pelo visado, nos curtos quatro meses de poder, evidencia o colossal logro em que os portugueses caíram. Se em quatro meses a sua acção é pautada por tanto despudor e falta de ética, que sobra à nação para lhe confiar quatro anos de governo? 

    O orçamento do Estado para 2012 é bem mais bruto que o tratamento “à bruta” que Passos Coelho recriminou a Sócrates, no vídeo em análise. Aí se consagra, com uma violência desumana, o que Passos Coelho disse que nunca faria: confisco de quatro meses de salários aos servidores públicos e reformados; fim de deduções fiscais; aumento de impostos, designadamente do IRS e IVA. Ao embuste ardilosamente tecido em ano e meio de caça ao voto acrescenta-se a falácia com que se justifica o assalto aos que trabalham. Com efeito, muito mais que a invocada má gestão das contas públicas no primeiro semestre, da responsabilidade de Sócrates, pesa a irresponsabilidade da Madeira e o caso de polícia do BPN. Na primeira circunstância, ocultando manhosamente o plano de ajustamento, antes das eleições, Passos Coelho protegeu Jardim e escamoteou quem saldaria o escândalo. Sabemos agora que são os funcionários públicos e os pensionistas. Na segunda, enquanto os responsáveis pelo tenebroso roubo permanecem impunes, os contabilistas que governam venderam o BPN ao desbarato, limpinho das dívidas colossais. O povo vai pagar e pedem-lhe agora que não bufe, por causa dos mercados

    Passos Coelho manipula grosseiramente os factos quando afirma que a média salarial da função pública é 15 por cento superior à dos trabalhadores privados. Ele sabe que a qualificação média dos activos privados é bem mais baixa que a homóloga pública, onde trabalham, entre outros técnicos de formação superior, milhares de médicos, professores, juízes, arquitectos, engenheiros e cientistas. Para que a comparação tenha validade, há que fazê-la entre funções com idênticos requisitos académicos. A demagogia não colhe. Como não colhe o primarismo de dizer que não estendeu o corte dos subsídios aos privados porque o Estado não beneficiaria, mas sim os patrões, que pagam os salários. Esqueceu-se de como fez com o corte deste ano? Ou toma-nos por estúpidos?

    O orçamento esconde-se cobardemente atrás da troika para invocar a inevitabilidade das suas malfeitorias. Mas vai muito para além do que ela impõe e expõe a desvergonha da ideologia que o informa: quando revê a Constituição da República por via contabilística; quando poupa, sem escrúpulos, os rendimentos do capital e esquece os titulares das reformas por exercício de cargos públicos, numa ostensiva iniquidade social; quando permite que permaneçam incólumes os milhões que fogem ao fisco; quando compromete, sem réstia de tacto político, a solidariedade entre os cidadãos, pondo os que trabalham no sector privado contra os que trabalham no sector público; quando, atirando o investimento na Educação para o último lugar da União Europeia, ao nível dos indicadores do terceiro mundo, não só não desce o financiamento do ensino privado como o aumenta em nove milhões e 465 mil euros; quando, depois de apertar como nunca o garrote à administração pública, aumenta quase quatro milhões de euros à rubrica por onde pagará pareceres e estudos aos grandes gabinetes de advogados e outros protegidos do regime (Sócrates contentava-se com 97 milhões, Passos subiu para 100,7 milhões); quando, impondo contenção impiedosa nas áreas sociais, inscreve 13 milhões e meio para despesas de representação dos titulares políticos; quando, numa palavra e apesar do slogan do “Estado gordo”, apenas emagreceu salários e prestações sociais, borrifando-se nas pessoas e no país e substituindo o critério do bem comum pelo critério do bem de alguns. 

    Incapaz de ajudar o país a crescer, Passos tomou a China por modelo e acreditou que sairemos da fossa com uma economia repressiva e de salários miseráveis. Refém que está e servidor que é de grupos económicos e interesses particulares, Passos Coelho perdeu com este orçamento a oportunidade de resgatar o Estado. Ministério a ministério, não se divisa qualquer programa político redentor. Não existem políticas sectoriais. Se Passos regressasse à protecção de Ângelo Correia, Álvaro a Vancouver e Crato ao Tagus Park, Gaspar, só, geria a trapalhada que tem sido tecida de fininho. Recordemo-la. Em Maio passado, o memorando de entendimento que o PS, PSD e CDS assinaram com a troika consignava para 2012 cerca 4.500 milhões de euros de redução da despesa e cerca 1.500 de aumento da receita (leia-se impostos). Apenas três meses volvidos, o documento de estratégia orçamental do Governo para o período de 2011 a 2015 já aumentava os números de 2012: a redução da despesa pública crescia quase 600 milhões e as receitas a cobrar aumentavam quase 1.200, pouco faltando para a duplicação do número antes considerado. Foi obra, em três meses. A meio de Outubro, novo documento oficial reiterava os números anteriores. Mas eis senão quando, escassos dias volvidos, surge o orçamento, que passa a redução da despesa, em 2012, para quase 7.500 milhões e fixa o aumento de impostos em cerca de 2.900 milhões. Diferenças colossais em documentos oficiais, com quatro dias de premeio, merecem a confiança dos contribuintes? Com a classe média a caminho da pobreza e os pobres a ficarem miseráveis, a esperança morreu. Definitivamente. Bastaram quatro meses. Esperemos que o país acorde e se mobilize.

    * Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt) 
    (**) - ver vídeo aqui
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    25/10/11

    partidos, SA

    Nota do Gabinete de Imprensa do PCP
    Sobre as subvenções vitalícias
    Segunda 24 de Outubro de 2011

    A propósito das notícias sobre a atribuição das subvenções vitalícias a detentores de cargos públicos e da campanha que ardilosamente tem sido promovida no sentido de amalgamar atitudes e responsabilidades, o PCP esclarece, independentemente das motivações que estão por detrás da actualidade dada a essa questão, que:

    1. O PCP não pode deixar de recordar que foi desde sempre contra a instituição das subvenções vitalícias, tendo assumido e expresso essa posição isoladamente em mais que uma ocasião. Na verdade, foi pela mão de PS e PSD, com o voto contra do PCP, que esta subvenção foi criada.

    2. O facto dos eleitos comunistas não prescindirem de acederem a essa subvenção enquanto estiver em vigor, não ilude o facto de ser orientação do PCP a não utilização dessa verba em proveito pessoal e de esta ser colocada ao serviço dos trabalhadores e do povo português, do seu esclarecimento e da sua luta.
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    pois.... como por exemplo, levar os sindicatos afectos a criarem fundos de greve ...?   e, note-se, eu até acho o PCP o partido menos asqueroso da AR (o BE foi uma total desilusão!), mas ainda assim ..

    23/10/11

    O desenvolvimento do subdesenvolvimento

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    Que democracia é esta que transforma um ato de rendição numa afirmação dramática de coragem em nome do bem comum?
    Boaventura Sousa Santos

    in Visão, 20 de Out de 2011


    Está em curso o processo de subdesenvolvimento do País. As medidas que o anunciam, longe de serem transitórias, são estruturantes e os seus efeitos vão sentir-se por décadas. As crises criam oportunidades para redistribuir riqueza. Consoante as forças políticas que as controlam, a redistribuição irá num sentido ou noutro. Imaginemos que a redução de 15% do rendimento aplicada aos funcionários públicos, por via do corte dos subsídios de Natal e de férias, era aplicada às grandes fortunas, a Américo Amorim, Alexandre Soares dos Santos, Belmiro de Azevedo, famílias Mello, etc. Recolher-se-ia muito mais dinheiro e afetar-se-ia imensamente menos o bem-estar dos portugueses. À partida, a invocação de uma emergência nacional aponta para sacrifícios extraordinários que devem ser impostos aos que estão em melhores condições de os suportar. Por isso se convocam os jovens para a guerra, e não os velhos. Não estariam os superricos em melhores condições de responder à emergência nacional?

    Esta é uma das perplexidades que leva os indignados a manifestarem-se nas ruas. Mas há muito mais. Perguntam-se muitos cidadãos: as medidas de austeridade vão dar resultado e permitir ver luz ao fundo do túnel daqui a dois anos? Suspeitam que não porque, para além de irem conhecendo a tragédia grega, vão sabendo que as receitas do FMI, agora adotadas pela UE, não deram resultado em nenhum país em que foram aplicadas - do México à Tanzânia, da Indonésia à Argentina, do Brasil ao Equador - e terminaram sempre em desobediência e desastre social e económico. Quanto mais cedo a desobediência, menor o desastre.

    Em todos esses países foi sempre usado o argumento do desvio das contas superior ao previsto para justificar cortes mais drásticos. Como é possível que as forças políticas não saibam isto e não se perguntem por que é que o FMI, apesar de ter sido criado para regular as contas dos países subdesenvolvidos, tenha sido expulso de quase todos eles e os seus créditos se confinem hoje à Europa. Porquê a cegueira do FMI e por que é que a UE a segue cegamente? O FMI é um clube de credores dominado por meia dúzia de instituições financeiras, à frente das quais a Goldman Sachs, que pretendem manter os países endividados a fim de poderem extorquir deles as suas riquezas e de fazê-lo nas melhores condições, sob a forma de pagamento de juros extorsionários e das privatizações das empresas públicas vendidas sob pressão a preços de saldo, empresas que acabam por cair nas mãos das multinacionais que atuam à sua sombra.

    Assim, a privatização da água pode cair nas mãos de uma subsidiária da Bechtel (tal como aconteceu em Cochabamba, após a intervenção do FMI na Bolívia), e destinos semelhantes terão a privatização da TAP, dos Correios ou da RTP. O back-office do FMI são os representantes de multinacionais que, quais abutres, esperam que as presas lhes caiam nas mãos. Como há que tirar lições mesmo do mais lúgubre evento, os europeus do Sul suspeitam hoje, por dura experiência, quanta pilhagem não terão sofrido os países ditos do Terceiro Mundo sob a cruel fachada da ajuda ao desenvolvimento.

    Mas a maior perplexidade dos cidadãos indignados reside na pergunta: que democracia é esta que transforma um ato de rendição numa afirmação dramática de coragem em nome do bem comum? É uma democracia pós-institucional, quer porque quem controla as instituições as subverte (instituições criadas para obedecer aos cidadãos passam a obedecer a banqueiros e mercados) quer porque os cidadãos vão reconhecendo, à medida que passam da resignação e do choque à indignação e à revolta, que esta forma de democracia partidocrática está esgotada e deve ser substituída por uma outra mais deliberativa e participativa, com partidos mas pós-partidária, que blinde o Estado contra os mercados, e os cidadãos contra o autoritarismo estatal e não estatal. Está aberto um novo processo constituinte. A reivindicação de uma nova Assembleia Constituinte, com forte participação popular, não deverá tardar.